{"id":220,"date":"2020-12-15T17:46:11","date_gmt":"2020-12-15T20:46:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/?page_id=220"},"modified":"2020-12-22T16:45:23","modified_gmt":"2020-12-22T19:45:23","slug":"imagens-tecnicas-algoritmos-e-magia-aproximacoes-sinestesicas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/ensino\/ensaios-em-hipermidia\/imagens-tecnicas-algoritmos-e-magia-aproximacoes-sinestesicas\/","title":{"rendered":"Imagens t\u00e9cnicas, algoritmos e magia: aproxima\u00e7\u00f5es sinest\u00e9sicas"},"content":{"rendered":"\n<p><strong style=\"font-style: normal\">Daniel Jos\u00e9 dos Santos J\u00fanior<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong style=\"font-style: normal\">Lado A: Dissolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p><b>Como a imagem t\u00e9cnica \u00e9 a meta de todo ato, este deixa de&nbsp;ser hist\u00f3rico, passando a ser um ritual de magia.<br><\/b>FLUSSER<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ao retrocedermos nosso olhar sens\u00edvel para o que j\u00e1 foi produzido pela cultura humana como representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em imagens e objetos, principalmente aqueles criados com o intuito religioso ou espiritualista, podemos observar que, quase sempre, tais cria\u00e7\u00f5es est\u00e3o subliminarmente impregnadas de camadas simb\u00f3licas e arquet\u00edpicas. Essas camadas subjacentes correspondem \u00e0 express\u00e3o de sentidos e objetiva\u00e7\u00f5es que muitas vezes extrapolam a mera interpreta\u00e7\u00e3o cognitiva direta dos impulsos sensoriais. S\u00e3o camadas dotadas, portanto, de c\u00f3digos \u2013 impl\u00edcitos ou expl\u00edcitos, com mensagens e linguagens n\u00e3o mediadas exclusivamente pela racionalidade e linearidade da comunica\u00e7\u00e3o verbal ou da comunica\u00e7\u00e3o estritamente escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>De certo modo, os c\u00f3digos arquet\u00edpicos dos s\u00edmbolos e imagens remetem de forma an\u00e1loga ao algoritmo enquanto detentores de cifras ou c\u00f3digos. Possuem em sua estrutura uma camada de instru\u00e7\u00f5es, de aproxima\u00e7\u00f5es, de roteiros, de interlocu\u00e7\u00f5es e de intera\u00e7\u00f5es entre interfaces. Basbaum (2012, p.247) observa a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre o conceito de percep\u00e7\u00e3o digital e percep\u00e7\u00e3o sinest\u00e9sica. Sinestesia, termo que, <i>grosso modo<\/i>, pretende descrever processos de entrecruzamentos de percep\u00e7\u00f5es multissensoriais, intercognitivas e n\u00e3o lineares da realidade. De acordo com seus termos, uma percep\u00e7\u00e3o \u201cac\u00fastica\u201d, ou \u201cm\u00e1gica\u201d, da realidade.<\/p>\n\n\n<p>As linguagens em sentido generalizado (signos, caracteres ou sons), enquanto c\u00f3digos que exprimem comandos sem\u00e2nticos ou <em>scripts<\/em> de programa\u00e7\u00e3o, seja em linguagem verbal ou visual, tendem a criar uma representa\u00e7\u00e3o de uma mensagem. Essa representa\u00e7\u00e3o pretende abarcar todos os \u201csentidos\u201d que emanam do objeto emissor. A compreens\u00e3o dessa mensagem envolve tamb\u00e9m as percep\u00e7\u00f5es pertinentes para o receptor da mensagem, considerando o seu conhecimento pr\u00e9vio da linguagem, como um idioma, por exemplo. Seja pelo <em>sentido<\/em>\u00a0da percep\u00e7\u00e3o sensorial do corpo, seja pelo <em>sentido<\/em>\u00a0enquanto significado e interlocu\u00e7\u00e3o cognitiva, seja ainda pelo <em>sentido<\/em>\u00a0enquanto direcionamento ou lugar.\u00a0<\/p>\n<p>Assim dizendo, a linguagem pretende colocar a mensagem ao sujeito (o receptor da mensagem) no centro da quest\u00e3o. Considera-se, portanto, o seu ponto de vista e os paradigmas que fazem parte da realidade da pessoa. O que interfere ou n\u00e3o na interpreta\u00e7\u00e3o da linguagem pelo indiv\u00edduo corresponde ao conhecimento dos seus c\u00f3digos e sinais, s\u00edmbolos e representa\u00e7\u00f5es propostas.\u00a0A mensagem, enquanto m\u00eddia, n\u00e3o depende apenas do interlocutor, mas sim de todo um processo de intera\u00e7\u00e3o que envolve diversas vari\u00e1veis de difus\u00e3o, como o grau de clareza do emissor e\u00a0 conhecimento particular do receptor a respeito daquela informa\u00e7\u00e3o ou dado em espec\u00edfico, por exemplo.<\/p>\n\n<p>As nossas representa\u00e7\u00f5es, linguagens e a\u00e7\u00f5es s\u00e3o permeadas pela descri\u00e7\u00e3o e manipula\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio, enquanto capacidade humana de abstra\u00e7\u00f5es e g\u00eaneses de significados. E o imagin\u00e1rio, enquanto conjunto cognitivo aglutinador de lembran\u00e7as e cria\u00e7\u00f5es, participa ativamente na elabora\u00e7\u00e3o de met\u00e1foras e simboliza\u00e7\u00f5es que embutem palavras, conceitos e express\u00f5es na complexa realidade ps\u00edquica do sujeito, por meio de s\u00edmbolos e signos, balizando e interferindo em seus atos e conclus\u00f5es a respeito do mundo cujo est\u00e1 inserido. Te\u00f3ricos como Bachelard e Durand (WUNENBURGUER, 2020, P.169), atribuem \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o uma estrutura cognitiva que antecede toda experi\u00eancia humana (reptiliana?). Desta forma, a imagina\u00e7\u00e3o condiciona e direciona os sentidos da compreens\u00e3o, da sensibilidade e da percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>A filosofia da percep\u00e7\u00e3o merleau-pontiana trabalha sob o ponto de vista da dial\u00e9tica sens\u00edvel. Isto \u00e9, trata de um recurso dial\u00e9tico que n\u00e3o necessariamente det\u00e9m uma s\u00edntese dos processos, operando pela ambiguidade da interpreta\u00e7\u00e3o pessoal dos sentidos aos quais somos expostos. Merleau-Ponty fala sobre as dimens\u00f5es do vis\u00edvel e do invis\u00edvel (ou o inconsciente). Comenta como a explora\u00e7\u00e3o dessas experi\u00eancias est\u00e9ticas promovem uma intera\u00e7\u00e3o que se d\u00e1 atrav\u00e9s da consci\u00eancia, em sua rela\u00e7\u00e3o com a realidade. Citando Merleau-Ponty (1999, p.3):<\/p>\n\n<blockquote>\n<p><strong>[&#8230;] Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ci\u00eancia, eu o sei a partir de uma vis\u00e3o minha ou de uma experi\u00eancia do mundo sem a qual os s\u00edmbolos da ci\u00eancia n\u00e3o poderiam dizer nada. Todo o universo da ci\u00eancia \u00e9 constru\u00eddo sobre o mundo vivido, e se queremos pensar a pr\u00f3pria ci\u00eancia com rigor, apreciar exatamente seu sentido e seu alcance, precisamos primeiramente despertar essa experi\u00eancia do mundo da qual ela \u00e9 a express\u00e3o segunda.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o e as linguagens, assim como os saberes tradicionais e os saberes cient\u00edficos, moldam nossa maneira de pensar e de interagir com o mundo, ou seja, a nossa exist\u00eancia passa pelo filtro (software?) da interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de nossa psique (sistema operacional?), e que por sua vez est\u00e1 subordinada \u00e0 cultura da qual est\u00e1 inserida. A partir do momento em que os c\u00f3digos das linguagens passam simbioticamente a fazer parte da nossa pr\u00f3pria mente, fazendo rela\u00e7\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es e julgamentos, passam a nos conduzir a extrair mensagens codificadas nos s\u00edmbolos que nos s\u00e3o propostos. Sejam eles visuais, verbais ou gestuais, se entrecruzam pelo vi\u00e9s das \u201cm\u00e1quinas culturais\u201d: Dispositivos, linguagens, objetos e processos, criados pela cultura humana para comunicar suas configura\u00e7\u00f5es de ideias no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n\n<p>Para Jung (2012, p.46), o mundo tridimensional, no tempo e no espa\u00e7o, pode ser compreendido como um sistema de coordenadas em que o que se mostra vis\u00edvel no plano da manifesta\u00e7\u00e3o, e que pode aparecer como uma imagem original de m\u00faltiplos aspectos, uma \u201cnuvem difusa\u201d de conhecimentos em torno de um arqu\u00e9tipo. Essas informa\u00e7\u00f5es \u201csubliminares\u201d contidas nos arqu\u00e9tipos, fazem uma ponte do consciente ao inconsciente, em comunica\u00e7\u00f5es e alus\u00f5es metaf\u00f3ricas, para comunicar ao pr\u00f3prio inconsciente, o que pela l\u00f3gica (racionalista e linear) seria inconceb\u00edvel. Essas informa\u00e7\u00f5es ilimitadas, segundo Jung, est\u00e3o enraizadas em nosso inconsciente pessoal, mesmo que n\u00e3o nos atemos a isso. \u201cParece, com efeito, que um saber sem limites est\u00e1 presente na natureza, mas que tal saber n\u00e3o pode ser apreendido pela consci\u00eancia a n\u00e3o ser que as condi\u00e7\u00f5es temporais lhe sejam prop\u00edcias\u201d (2012, P.45). Ou seja, a assimila\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal da realidade sempre passa pela consci\u00eancia e por nossos filtros da percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>O trabalho de instala\u00e7\u00e3o de Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti denominado <i>Infinito ao Cubo<\/i>\u00a0dialoga a nossa percep\u00e7\u00e3o sensorial e cognitiva de espa\u00e7o. \u201cA f\u00edsica trata o infinito como campos de possibilidades. Nesse sentido os seres humanos s\u00e3o seres que processam o infinito ao tempo inteiro, porque a cada decis\u00e3o \u00e9 potencialmente infinita\u201d, afirma Cantoni em depoimento no in\u00edcio do v\u00eddeo. <i>Infinito ao Cubo<\/i>\u00a0proporciona a ao indiv\u00edduo que experimenta essa imers\u00e3o, a reflex\u00e3o de que as possibilidades humanas s\u00e3o infinitas. Ao interagir com os espa\u00e7os do cubo, o indiv\u00edduo percebe que sua presen\u00e7a individual e o lugar em que se move neste espa\u00e7o definem e transformam o espa\u00e7o. Logo, transformam tamb\u00e9m a sua realidade.<\/p>\n\n<figure>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"S\u00e9rie Mentes - Rejane Cantoni\" width=\"635\" height=\"357\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SokVabzIfeg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/figure>\n\n<p>Essa obra consiste em um inv\u00f3lucro c\u00fabico todo revestido por espelhos e telas, e chama o espectador a emergir neste ambiente mediado por impulsos e intera\u00e7\u00f5es rob\u00f3ticas e algor\u00edtmicas, ao entrar nesta caixa equipada por superf\u00edcies projetivas. A proposta do trabalho \u00e9 de convidar o espectador a passar por um processo de imers\u00e3o na percep\u00e7\u00e3o visual e sinest\u00e9sica, flertando com as proje\u00e7\u00f5es e perspectivas das imagens t\u00e9cnicas, de car\u00e1ter imersivo e experimentativo. Este cubo, composto por uma estrutura mec\u00e2nica e por sistemas de suspens\u00f5es, molas e girosc\u00f3pios, foi criado a partir da indaga\u00e7\u00e3o da artista em criar uma poss\u00edvel proposi\u00e7\u00e3o de novas formas de ver e perceber as imagens atrav\u00e9s da experi\u00eancia imersiva.<\/p>\n\n<p>S\u00e9rgio Basbaum, em seus estudos sobre percep\u00e7\u00e3o, cogni\u00e7\u00e3o e sinestesia, faz uma an\u00e1lise de como a percep\u00e7\u00e3o da realidade se molda \u00e0s caracter\u00edsticas culturais e hist\u00f3ricas do qual se circunda ao sujeito da quest\u00e3o. Fazendo uma antropologia dos sentidos, o autor faz uma rela\u00e7\u00e3o entre as teorias da percep\u00e7\u00e3o de mundo entre diferentes povos, que est\u00e3o relacionados com a forma em que se expressam, e os fatores que influenciam na preponder\u00e2ncia cultural da orienta\u00e7\u00e3o principal por algum \u00f3rg\u00e3o sensorial em espec\u00edfico, e sobretudo com a forma da qual eles \u201csentem\u201d, ou seja, como administram as suas emo\u00e7\u00f5es, e como os est\u00edmulos sensoriais s\u00e3o interpretados de maneira objetiva e subjetivamente por sua esfera ps\u00edquica.<\/p>\n\n<p>Por exemplo, os povos <em>Ongee<\/em> das Ilhas Andaman possui uma relev\u00e2ncia maior \u00e0 percep\u00e7\u00e3o do mundo pelo olfato, enquanto os povos <em>Kaluli<\/em>, da Papua Nova Guin\u00e9, possuem um apre\u00e7o maior ao sentido auditivo. Enquanto n\u00f3s, herdeiros da cultura e tradi\u00e7\u00e3o ocidental, somos majoritariamente seres \u00f3pticos, perspectivistas e visuais. No espa\u00e7o visual, o indiv\u00edduo encontra-se no v\u00f3rtice, na base da perspectiva, enquanto no espa\u00e7o ac\u00fastico e sinest\u00e9sico, o indiv\u00edduo encontra-se no centro, rodeado por tais impulsos sensoriais e simb\u00f3licos.<\/p>\n\n<p>O homem antigo era circundado por uma rela\u00e7\u00e3o de percep\u00e7\u00f5es sensoriais simult\u00e2neas que implicavam numa vis\u00e3o m\u00e1gica de mundo, onde havia uma esp\u00e9cie de interpola\u00e7\u00e3o de sentidos contidos neste universo de fus\u00e3o sensorial, que Basbaum define como \u201cuniverso ac\u00fastico\u201d. Na antiguidade cl\u00e1ssica, a rela\u00e7\u00e3o do homem e o mundo ao seu redor parecia ser mediada por uma esp\u00e9cie de \u201cbloco integrado de sensa\u00e7\u00f5es\u201d que reuniam todo o aparato de seu sistema sensorial, onde cada bloco de informa\u00e7\u00e3o estaria ligada, de forma <em>ad infinitum<\/em>, a modelos e inst\u00e2ncias metafisicas da natureza e do cosmos, mediado por um sistema de harmonia superior, uma unidade divina de \u201cperfei\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica\u201d da \u201cgeometria sagrada\u201d, que marcou grande influ\u00eancia na cultura crist\u00e3 medieval.<\/p>\n\n<p>Basbaum sugere que a percep\u00e7\u00e3o medieval de mundo era dotada principalmente na predomin\u00e2ncia da cultura oral, e que todas as a\u00e7\u00f5es, fen\u00f4menos ou circunst\u00e2ncias eram determina\u00e7\u00f5es divinas. Aos poucos, este paradigma passa a ser substitu\u00eddo por uma cultura do pensamento linear e perspectivista (matem\u00e1tico e cient\u00edfico) instaurado pelo advento da tecnologia tipogr\u00e1fica gutemberguiana, e que proporciona o fim do equil\u00edbrio perceptivo do mundo oral, dando espa\u00e7o a uma cultura \u00f3ptica, imag\u00e9tica e linear. O autor cita McLuhan para expor seu argumento: \u201cAntes da inven\u00e7\u00e3o do alfabeto fon\u00e9tico, o homem vivia em um mundo de profundidade tribal, uma resson\u00e2ncia, uma cultura oral estruturada por um senso auditivo dominante de vida\u201d (BASBAUM, 2012, p.253).<\/p>\n\n<p>O universo ac\u00fastico corresponde tamb\u00e9m a uma experi\u00eancia de viv\u00eancia sutilizada de forma quase ritual\u00edstica, uma percep\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e sacralizada de tempo, que \u00e9 ao contr\u00e1rio do tempo narrativo, diacr\u00f4nico e linear da modernidade, o universo ac\u00fastico \u00e9 mensurado em termos do \u201ccalend\u00e1rio divino\u201d ou pela \u201cHarmonia das Esferas\u201d (BASBAUM, 2012, p.254), na percep\u00e7\u00e3o m\u00e1gica da realidade, como a m\u00edstica interpreta\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o das esta\u00e7\u00f5es do ano e tempos das colheitas.<\/p>\n\n<p>A percep\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica da realidade, era observada, por exemplo, no eterno ciclo do nascer ao p\u00f4r do sol, o constante ressurgimento do sol ap\u00f3s as trevas noturnas, dia ap\u00f3s dia. O mito eg\u00edpcio da eterna batalha entre H\u00f3rus e Seth visa explicar de forma metaf\u00f3rica este sobe e desce do Sol pela ab\u00f3boda celeste, ao colocar que Seth passa a governar o mundo no per\u00edodo noturno, enquanto H\u00f3rus prevalece ferido e morto em batalha. Por\u00e9m como o sol que surge no horizonte ao alvorecer, H\u00f3rus ressuscita no raiar do dia, neste eterno ciclo dia e noite. Seth fere H\u00f3rus em seus olhos. O olho intacto, o olho direito, simboliza o Sol, enquanto o olho esquerdo, ferido mortalmente, simboliza a lua, e explica assim as diferentes fases lunares.<\/p>\n\n<p>A medida em que o paradigma moderno come\u00e7a a aglutinar os valores e quest\u00f5es postas pelo Renascimento, deixando de lado a vis\u00e3o m\u00e1gica da realidade ao desmantelar a cultura oral e ac\u00fastica, come\u00e7a a dar lugar a predomin\u00e2ncia do sentido da vis\u00e3o e na literalidade linear da palavra escrita, e sobretudo na predomin\u00e2ncia da raz\u00e3o perante as cren\u00e7as sobrenaturais da f\u00e9, ou seja, a racionalidade sobreposta \u00e0 instintividade perceptiva e sensorial. Muito dessa mudan\u00e7a paradigm\u00e1tica se d\u00e1 em virtude deste novo foco atrav\u00e9s do olhar, que incentivam e validam essa no\u00e7\u00e3o perspectivista. Sobre essa no\u00e7\u00e3o, Basbaum citando McLuhan (BASBAUM, 2012, p.253-254), prossegue:<\/p>\n\n<blockquote>\n<p>[&#8230;] Espa\u00e7o que n\u00e3o tem centro e nenhuma margem, ao contr\u00e1rio do espa\u00e7o visual, que \u00e9 uma extens\u00e3o do olho. O espa\u00e7o ac\u00fastico \u00e9 org\u00e2nico e integral, percebido atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de todos os sentidos. [&#8230;] O homem do mundo tribal levava uma vida complexa e caleidosc\u00f3pica, precisamente porque o ouvido, ao contr\u00e1rio do olho, n\u00e3o pode ser focado e sinest\u00e9sico ao inv\u00e9s de anal\u00edtico e linear. A fala \u00e9 enunciada, ou mais precisamente, um exterior, de todos os nossos sentidos de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Desta forma, o advento renascentista prop\u00f5e essa oblitera\u00e7\u00e3o das for\u00e7as motrizes que cativavam o pensamento ac\u00fastico de realidade, com a g\u00eanese dos conhecimentos cient\u00edficos que come\u00e7am a ser sistematizados. Com isso, quanto as imagens criadas pelo homem, promove uma crescente autonomia nas obras de arte e sobretudo na assimila\u00e7\u00e3o e constitui\u00e7\u00e3o do sujeito e seus pontos de vista.<\/p>\n\n<p>A imagem criada e assistida pela matem\u00e1tica do ponto de vista da perspectiva foi amplamente estudada pelos cientistas e artistas a partir do Renascimento, buscando relacionar a perfei\u00e7\u00e3o \u201cdivina\u201d da geometria sagrada nas manifesta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, materiais e concretas, ressignificando estes c\u00e1lculos para proje\u00e7\u00f5es bidimensionais na constru\u00e7\u00e3o das imagens. Tais estudos cient\u00edficos foram evidenciados ao encontrarem padr\u00f5es matem\u00e1ticos na composi\u00e7\u00e3o das formas da figura humana como a sequ\u00eancia <em>fibonnacci<\/em>, e que tamb\u00e9m se repetem nas demais cria\u00e7\u00f5es da natureza, e tamb\u00e9m no estudo da perspectiva \u00f3ptica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Donald e a Sequ\u00eancia de Fibonacci\" width=\"635\" height=\"476\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/XVLHX0ddtqo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n<p>O trabalho art\u00edstico de proje\u00e7\u00e3o em instala\u00e7\u00e3o de Regina Silveira, \u201cDescendo as escadas\u201d visa dialogar com a quest\u00e3o da perspectiva e a percep\u00e7\u00e3o destes dados matem\u00e1ticos enquanto imagem. Matematicamente falando, ou seja, atrav\u00e9s de c\u00f3digos e conclus\u00f5es num\u00e9ricas, a cria\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o desta escada projetada est\u00e1 fielmente condizente com o real, em outros termos, estando \u201cmatematicamente comprovado\u201d. Portanto, apesar de haverem ind\u00edcios t\u00e9cnico-num\u00e9ricos que indiquem a sua presen\u00e7a no espa\u00e7o, esta proje\u00e7\u00e3o, este inobjeto flusseriano criado por imagens t\u00e9cnicas, trata-se apenas de uma ilus\u00e3o projetiva de jogos de luzes, e que s\u00e3o interpretados pelo sistema cognitivo visual.<\/p>\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Descendo a Escada - Arte Cibern\u00e9tica no Metr\u00f4\" width=\"635\" height=\"476\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DIQOquHeYBc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n\n<p>Tal como os discursos de Basbaum, Flusser tamb\u00e9m atribui ao fen\u00f4meno da ampla dissemina\u00e7\u00e3o do pensamento linear pela linguagem escrita ao direto processamento de informa\u00e7\u00e3o promovido pela tecnologia da imprensa p\u00f3s-gutemberguiana, que \u00e9 permeada pelo pensamento renascentista, da preval\u00eancia do sentido \u00f3ptico como fundamental par\u00e2metro de percep\u00e7\u00e3o da realidade atrav\u00e9s do ponto de vista da perspectiva. De forma tal que \u00e9 entendido que a lineariza\u00e7\u00e3o do pensamento e da historicidade \u00e9 semelhante ao que ele relaciona a atribui\u00e7\u00e3o do pensamento imag\u00e9tico, perspectivista (FLUSSER, 2006).<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n\n<h3><strong>Lado B: Coagula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n<blockquote>\n<p><strong>A Magia \u00e9 a Arte ou a Ci\u00eancia de causar mudan\u00e7as<\/strong><br \/><strong>em conformidade com a Vontade.<\/strong><br \/>CROWLEY<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>O pensamento ocidental, mais pautado na racionalidade e fragmentado na objetividade cartesiana, encontra seu contraponto complementar no pensamento oriental, que se desenvolveu de forma mais intuitiva do que o pensamento ocidental, de forma que podemos associar diretamente ao tipo de pensamento divergente, em contraponto com o pensamento de tipo convergente, segundo a defini\u00e7\u00e3o de J.P. Guilford.<\/p>\n\n<p>De acordo com o arte-pesquisador Silvio Zamboni (ZAMBONI, 2012, p.15), grandes estudiosos como Richard Wilhelm e Carl Jung se debru\u00e7aram no estudo da cultura e filosofia chinesa, e apontam o <em>I-Ching<\/em> como a obra mais completa e importante da sabedoria oriental. Dentro de sua conceitua\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o <em>I-Ching<\/em>, que ao mesmo tempo que \u00e9 um livro de sabedoria, e que funciona tamb\u00e9m como um or\u00e1culo, parte de seu escopo em amplos conceitos abstratos como dos princ\u00edpios opostos que originam todos os movimentos do <em>Tao<\/em>, ou seja, a ess\u00eancia primordial da realidade, iconografado no s\u00edmbolo do <em>Yin-Yang<\/em>. Sobre a simbologia do <em>Yin-Yang<\/em>, Zamboni adiciona em seu texto um excerto de Fritjof Capra (ZAMBONI, 2012, p.16):<\/p>\n\n<blockquote>\n<p>Essas duas esp\u00e9cies (<em>yin <\/em>e<em> yang<\/em>) de atividade est\u00e3o intimamente relacionadas com tipos de conhecimento, ou tipos de consci\u00eancia, os quais foram reconhecidos, ao longo dos tempos, como propriedades caracter\u00edsticas da mente humana. S\u00e3o usualmente denominados de m\u00e9todo indutivo e m\u00e9todo racional, e t\u00eam sido tradicionalmente associados \u00e0 religi\u00e3o ou misticismo e \u00e0 ci\u00eancia [&#8230;]. O racional e o intuitivo s\u00e3o modos complementares de funcionamento da mente humana. O pensamento racional \u00e9 linear, concentrado, anal\u00edtico. Pertence ao dom\u00ednio do intelecto, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 discriminar, medir e classificar. Assim, o conhecimento racional tende a ser fragmentado. O conhecimento intuitivo, por outro lado, baseia-se numa experi\u00eancia direta, n\u00e3o intelectual, da realidade em decorr\u00eancia de um estado ampliado de percep\u00e7\u00e3o consciente.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Segundo Flusser em seu livro \u201cFilosofia da Caixa-Preta\u201d, o autor discorre sobre o que considera como as duas grandes revolu\u00e7\u00f5es no mecanismo do intelecto ocidental na estrutura cultural na interpreta\u00e7\u00e3o da realidade. Em primeiro lugar, a revolu\u00e7\u00e3o presente na produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do conhecimento representado pela inven\u00e7\u00e3o da escrita linear, que possibilita a organiza\u00e7\u00e3o de formas de se \u201carquivar\u201d o conhecimento, e interagir com estes atrav\u00e9s de proposi\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas. E em segundo lugar, a segunda grande revolu\u00e7\u00e3o das estruturas culturais se d\u00e1 pela dissemina\u00e7\u00e3o das imagens t\u00e9cnicas.<\/p>\n\n<p>Quando o indiv\u00edduo come\u00e7a a criar seus objetos, ou melhor, seus \u201cequipamentos\u201d, o fazia como forma de buscar respostas inteligentes e automatizadas na resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Para Flusser, viver uma vida que flui confortavelmente e sem resist\u00eancias, significa encontrar as resolu\u00e7\u00f5es dos problemas, e que passa a terceirizar essa problem\u00e1tica aos objetos, projetados e concebidos para tratar destas quest\u00f5es, atrav\u00e9s de comandos, itiner\u00e1rios e roteiros mecanizados que desemborcaram nas linguagens de programa\u00e7\u00e3o e algoritmos quando a tecnologia adentra os mares da era digital.<\/p>\n\n<p>As imagens t\u00e9cnicas possibilitaram um grande avan\u00e7o na difus\u00e3o do conhecimento como um todo. A reprodutibilidade t\u00e9cnica, pela possibilidade de concretizar representa\u00e7\u00f5es abstratas do real na bidimensionalidade da imagem de forma mais veloz e eficiente, acaba que indiretamente, passa a supervalorizar a posi\u00e7\u00e3o das imagens e dos objetos na sociedade. Enquanto em outros tempos, a imagem existia para servir o homem, agora de certo modo, o homem passa a existir para servir a imagem e a apar\u00eancia das coisas, n\u00e3o necessariamente o que elas s\u00e3o de fato.<\/p>\n\n<p>Portanto, podemos afirmar que o paradigma moderno \u00e9 tra\u00e7ado pelo predom\u00ednio e supervaloriza\u00e7\u00e3o da imagem enquanto linguagem e consumo centralizado em torno da imagem, pelo simulacro, isto \u00e9, pelo falseamento maquiado e hiperidealiza\u00e7\u00e3o do real. A est\u00e9tica p\u00f3s-midi\u00e1tica centraliza-se na constante idealiza\u00e7\u00e3o das imagens e seus subprodutos. Esse simulacro, essa idealiza\u00e7\u00e3o do real, passa a ser mais preponderante do que o pr\u00f3prio real em si. &#8221; O simulacro nunca \u00e9 o que esconde a verdade; mas \u00e9 a verdade que esconde o fato de que n\u00e3o h\u00e1 verdade. O simulacro \u00e9 verdadeiro&#8221; (BAUDRILLARD, 1991). Sobre a for\u00e7a ps\u00edquica que o sujeito moderno atribui aos simulacros e simula\u00e7\u00f5es do real, disserta Baudrillard (1991, p.105-106):<\/p>\n\n<blockquote>\n<p>Assim, tanto a comunica\u00e7\u00e3o como o social funcionam em circuito fechado, como um logro \u2013 ao qual se liga a for\u00e7a de um mito. A cren\u00e7a, a f\u00e9 na informa\u00e7\u00e3o agarram-se a esta prova tautol\u00f3gica que o sistema d\u00e1 de si pr\u00f3prio ao redobrar nos signos uma realidade imposs\u00edvel de encontrar. Mas pode pensar-se que esta cren\u00e7a \u00e9 t\u00e3o amb\u00edgua como a que se ligava aos mitos nas sociedades arcaicas. Cr\u00ea-se mas n\u00e3o se cr\u00ea. N\u00e3o nos fazemos a pergunta. \u201cEu sei, mas mesmo assim&#8230;\u201d. Uma esp\u00e9cie de simula\u00e7\u00e3o aposta responde nas massas, em cada um de n\u00f3s, a esta simula\u00e7\u00e3o de sentido e de comunica\u00e7\u00e3o em que o sistema nos encerra. [&#8230;] O mito existe mas h\u00e1 que se evitar acreditar que as pessoas cr\u00eaem nele: \u00e9 essa a armadilha do pensamento cr\u00edtico, que s\u00f3 pode exercer-se partindo de um pressuposto de ingenuidade e de estupidez das massas.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>Para Manovich, o comportamento cultural das massas da sociedade moderna pode ser pautada em termos de \u201cComportamento de Informa\u00e7\u00e3o\u201d, que s\u00e3o novos comportamentos assimilados pela sociedade como t\u00e1ticas de sobreviv\u00eancia de maneira pessoal e coletiva. Da mesma forma que o sistema nervoso evoluiu para se adaptar aos meios em que o homem vivia, onde os \u201csentidos\u201d extraem dali os \u201csentidos\u201d (a ess\u00eancia), o comportamento cultural moderno evolui constantemente as intera\u00e7\u00f5es e os \u201ccomportamentos de informa\u00e7\u00e3o\u201d, e a partir desta intera\u00e7\u00e3o ambiente poder haver a intera\u00e7\u00e3o sensorial e cognitiva que influenciam na percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n<p>De acordo com Manovich (2017, p.9) o paradigma cognitivo cient\u00edfico, a percep\u00e7\u00e3o humana e a cogni\u00e7\u00e3o em geral, assim como as cren\u00e7as e cria\u00e7\u00f5es mitol\u00f3gicas podem ser pensadas como processamento de informa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n\n<blockquote>\n<p>Aplicado retrospectivamente, o conceito de comportamento informacional salienta que toda a cultura do passado n\u00e3o era apenas sobre representar cren\u00e7as religiosas, para glorificar os poderosos, para criar beleza, para legitimar ideologias dominantes, etc. &#8211; tamb\u00e9m acabou por ser o processamento de informa\u00e7\u00f5es. Artistas desenvolveram novas t\u00e9cnicas para codificar informa\u00e7\u00f5es enquanto ouvintes, leitores e revisores desenvolveram suas pr\u00f3prias t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o cognitiva dessas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>A p\u00f3s-moderna sociedade do espet\u00e1culo encontra seu \u00e1pice na interposi\u00e7\u00e3o subjetiva e massiva de tais informa\u00e7\u00f5es contidas nos objetos, suas possibilidades e desdobramentos. A publicidade j\u00e1 havia descoberto h\u00e1 muito tempo que padr\u00f5es de comportamento pela m\u00eddia de massa podem ser criados, anulados ou substitu\u00eddos conforme a inser\u00e7\u00e3o destes inobjetos flusserianos nos holofortes, e que est\u00e3o sempre apontados como rifles em dire\u00e7\u00e3o ao alvo em torno de um objetivo em comum, que \u00e9 criar desejo de consumo, comportamentos e opini\u00f5es p\u00fablicas, atrav\u00e9s da informa\u00e7\u00e3o contida no objeto e na imagem, e que muitas vezes trabalham de forma subliminar e inofensiva. Os objetos de consumo que passam a pautar os eventos, determinar comportamentos e intera\u00e7\u00f5es humanas, que subvertem o papel ocupado pela imagem na sociedade, que de certa forma deixa de ser o \u201cmeio\u201d para ser o \u201cfim\u201d.<\/p>\n\n<p>As imagens criadas, que a princ\u00edpio funcionariam como mapas, descrevendo e representando as emana\u00e7\u00f5es abstratas no esfor\u00e7o de extrair duas das quatro dimens\u00f5es do espa\u00e7o-tempo, passam a funcionar como bimbos, isto \u00e9, uma forma de curadoria e sugestionamento ao direcionar o olhar e \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o deste objeto.<\/p>\n\n<p>Para Flusser (FLUSSER, 1985, p.7), o car\u00e1ter m\u00e1gico das imagens (essencial para a compreens\u00e3o das mensagens) \u00e9 evidenciado pelas rela\u00e7\u00f5es significativas entre os elementos e o espectador, conduzido por uma an\u00e1lise c\u00edclica que diacroniza o olhar. Ao circular pela imagem, o olhar tende a voltar sempre para elementos preferenciais, que incita padr\u00f5es e significados em seus c\u00f3digos:<\/p>\n\n<blockquote>\n<p>Deste modo, o olhar vai estabelecendo rela\u00e7\u00f5es significativas. O tempo que circula e estabelece rela\u00e7\u00f5es significativas \u00e9 muito espec\u00edfico: tempo de magia. Tempo diferente do linear, o qual estabelece rela\u00e7\u00f5es causais entre eventos. No tempo linear, o nascer do sol \u00e9 a causa do canto do galo; no circular, o canto do galo d\u00e1 significado ao nascer do sol, e este d\u00e1 significado ao canto do galo. Em outros termos: no tempo da magia, um elemento explica o outro, e este explica o primeiro. O significado das imagens \u00e9 o contexto m\u00e1gico das rela\u00e7\u00f5es revers\u00edveis.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n<p>E no centro de todos estes processos, encontra-se a abstrata capacidade humana de imagina\u00e7\u00e3o (FLUSSER, 1985, p.7), que \u00e9 a capacidade de codificar os fen\u00f4menos em s\u00edmbolos, decodificando em mensagens codificadas \u2013 desta forma, a aptid\u00e3o de fazer e decifrar as imagens \u2013 <em>Dissolver e Coagular<\/em>, como diriam os alquimistas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Jos\u00e9 dos Santos J\u00fanior Lado A: Dissolu\u00e7\u00e3o Como a imagem t\u00e9cnica \u00e9 a meta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":408,"featured_media":22,"parent":860,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-full.php","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"class_list":["post-220","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",992,558,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",150,84,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",300,169,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",635,357,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",635,357,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",992,558,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",992,558,false],"post-thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",50,28,false],"small":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",125,70,false],"blog":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",480,270,false],"portfoliowidget":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",56,32,false],"portfoliosmall":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",480,270,false],"portfoliosmallnc":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",480,270,false],"blogsmall":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",420,236,false],"portfoliolarge":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",992,558,false],"itg_featured":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",500,281,false],"itg_post":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",250,141,false],"itg_widget":["https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2019\/08\/us__en_us__ibm100__punched_card__hand_cards__940x727.jpg",40,23,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"daniel.j.santos","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/author\/daniel-j-santos\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Daniel Jos\u00e9 dos Santos J\u00fanior Lado A: Dissolu\u00e7\u00e3o Como a imagem t\u00e9cnica \u00e9 a meta [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/220","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/users\/408"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220"}],"version-history":[{"count":129,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/220\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":986,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/220\/revisions\/986"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/860"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}