{"id":360,"date":"2020-12-14T09:28:02","date_gmt":"2020-12-14T12:28:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/?p=360"},"modified":"2020-12-14T17:30:29","modified_gmt":"2020-12-14T20:30:29","slug":"embates-literarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/embates-literarios\/","title":{"rendered":"Embates liter\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-white-color has-text-color wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Ol\u00e1 a todas, todos, todes, todix, toddys, t\u00e9dias e t\u00e9dios. Estamos aqui para a primeira e \u00fanica edi\u00e7\u00e3o do programa de entrevistas Embates Liter\u00e1rios; patrocinado pelo curso Arte e M\u00eddias Contempor\u00e2neas, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da UFES no canal ARTE\/P\u00d3S\/M\u00cdDIA, do professor Daniel Hora. Eu sou Ana Rita Lustosa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: E eu sou Luciano Tasso, e juntos vamos entrevistar dois pesos-pesados do campo das arte e literatura!<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Nossa convidada \u00e9 artista e professora Livre-Docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de S\u00e3o Paulo e autora da obra: O livro depois do livro, Gisele Beiguelman!<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: Ele foi professor de semiologia da Universidade de Bolonha e autor da obra: N\u00e3o contem com o fim do livro, em parceria com Jean-Claude Carri\u00e8re e Jean-Philippe de Tonnac: Umberto Eco!<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"648\" height=\"430\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/plateia.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-361\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Queremos agradecer \u00e0 presen\u00e7a de voc\u00eas esta noite e gostaria de iniciar nosso embate com um pensamento: estamos continuamente lendo e interpretando tudo o que est\u00e1 \u00e0 nossa volta. Nossa capacidade de absorver as informa\u00e7\u00f5es, dependem ainda do formato, disposi\u00e7\u00e3o e montagem pelos quais a informa\u00e7\u00e3o se disp\u00f5e, mas a absor\u00e7\u00e3o desta informa\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente relacionada \u00e0 capacidade intelectual individual de compreender, absorver e interpretar o sistema de signos expostos. Quando se fala de \u201cinterface e superf\u00edcie\u201d, pressup\u00f5e-se uma capacidade de leitura capaz de desencadear novas ideias inter-relacionadas que sejam determinantes para o avan\u00e7o do conhecimento. Boa noite Gisele, boa noite, Umberto!<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1272\" height=\"668\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-18.23.37.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-371\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: Boa noite Ana, Luciano e a todos os que est\u00e3o nos acompanhando.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1273\" height=\"671\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-18.27.59.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-372\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#f00000\" class=\"has-inline-color\">UE.: Boa noite. \u00c9 um prazer estar aqui.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Como primeira pergunta para esta rodada, gostaria que voc\u00eas falassem um pouco sobre o tema que abordam em suas obras escolhidas para este embate: o livro, tal qual o conhecemos, vai deixar de existir?<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1276\" height=\"673\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-11.35.07.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-373\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.:<em> \u201cN\u00e3o se pensa aqui sobre o fim do livro impresso. Isso n\u00e3o passaria de mais um cap\u00edtulo da hist\u00f3ria apocal\u00edptica que a ind\u00fastria da inform\u00e1tica vem elaborando nos \u00faltimos anos\u201d. <\/em>Muito pelo contr\u00e1rio. O que est\u00e1 surgindo \u00e9 \u201c<em>Um contexto de leitura mediado por interfaces conectadas em Rede, discutindo projetos criativos que t\u00eam como denominador comum o fato de expandirem e redirecionarem o sentido objetivo do livro, permitindo pensar experi\u00eancias de leitura pautadas pela hibridiza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias e cibridiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os (on line e off line). Mas n\u00e3o se fala de um mundo da leitura sem pressupor uma leitura de mundo, e \u00e9 ineg\u00e1vel que o livro impresso seja ainda a refer\u00eancia central do universo da leitura on line e, por conseguinte, da forma como se estrutura essa leitura de mundo\u201d. <\/em>Por outro lado, \u201c<em>Se \u00e9 verdade que o livro impresso tende a transformar-se em um complexo digital multim\u00eddia, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ele que desaparecer\u00e1, mas todas as outras m\u00eddias que lhe ser\u00e3o acopladas, como o v\u00eddeo e o \u00e1udio, que ter\u00e3o esgotadas suas qualidades de suportes de linguagens espec\u00edficas\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1274\" height=\"672\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-11.43.57-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-384\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.:<em> \u201cDas duas, uma: ou o livro permanecer\u00e1 o suporte da leitura, ou existir\u00e1 alguma coisa similar ao que o livro nunca deixou de ser, mesmo antes da inven\u00e7\u00e3o da tipografia. As varia\u00e7\u00f5es em torno do objeto livro n\u00e3o modificaram sua fun\u00e7\u00e3o, nem sua sintaxe, em mais de quinhentos anos. O livro \u00e9 como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, n\u00e3o podem ser aprimorados. Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer uma colher melhor que uma colher. Designers tentam melhorar, por exemplo, o saca-rolhas, com sucessos bem modestos, e, por sinal, a maioria nem funciona direito. Philippe Starck tentou inovar do lado dos espremedores de lim\u00e3o, mas o dele (para salvaguardar certa pureza est\u00e9tica) deixa passar os caro\u00e7os. O livro venceu seus desafios e n\u00e3o vemos como, para o mesmo uso, poder\u00edamos fazer algo melhor que o pr\u00f3prio livro. Talvez ele evolua em seus componentes, talvez as p\u00e1ginas n\u00e3o sejam mais de papel. Mas ele permanecer\u00e1 o que \u00e9\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: Boa noite, Gisele, boa noite Umberto, obrigado por aceitarem nosso convite. Vou come\u00e7ar com uma provoca\u00e7\u00e3o. Gisele, voc\u00ea prop\u00f5e a liberta\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora a partir da combina\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria de informa\u00e7\u00f5es contidas em plataformas sinest\u00e9sicas capazes de provocar sentimentos puramente est\u00e9ticos, gerando novas formas de compreens\u00e3o, a partir de sua multiplicidade (combina\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo, imagem, texto e navega\u00e7\u00e3o). Seria como ler um livro constru\u00eddo com recortes combinados numa ordem indistinta.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1279\" height=\"672\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-07-a\u0300s-13.23.20.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-385\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.:<em> \u201cEntre outras transforma\u00e7\u00f5es, [os novos recursos permitiriam], possivelmente, que nos libert\u00e1ssemos da tirania das met\u00e1foras e analogias que esvaziam a possibilidade de pensar o mundo poliss\u00eamico, entrevisto <\/em>[pelo pr\u00f3prio Umberto Eco, aqui presente]<em>, quando refletiu sobre a necessidade de uma \u201carte do esquecimento\u201d em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0s t\u00e9cnicas de memoriza\u00e7\u00e3o desenvolvidas na Idade M\u00e9dia e na Renascen\u00e7a. Para al\u00e9m da sofistica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e est\u00e9tica, [a obra] Filmtext [de 2002, de Mark Amerika]anuncia-se como marco de uma pr\u00e1tica escritural que se faz pela interpenetra\u00e7\u00e3o dos formatos vernaculares e algor\u00edtmicos, apontando para novas interfaces de leitura\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1274\" height=\"670\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-12.03.25.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-363\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.: Quando falei sobre a arte do esquecimento, referia-me aos processos mnemot\u00e9cnicos que<em> \u201cutilizam a imagem de uma cidade ou de um pal\u00e1cio dos quais cada parte ou lugar est\u00e1 associado ao objeto a ser memorizado. A lenda narrada por C\u00edcero no <\/em>De oratore<em> conta que Sim\u00f4nides encontrava-se num jantar na companhia de altos figur\u00f5es da Gr\u00e9cia. Num certo momento da noite, despediu-se e saiu, imediatamente antes de os comensais morrerem todos sob o desmoronamento do telhado da casa. Sim\u00f4nides \u00e9 chamado para identificar os corpos. Faz isso recordando-se do lugar que cada um ocupava em torno da mesa.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">A arte mnemot\u00e9cnica, portanto, consiste em associar representa\u00e7\u00f5es espaciais a objetos ou conceitos de maneira a torn\u00e1-los solid\u00e1rios uns dos outros. [&#8230;] Ainda encontramos as artes da mem\u00f3ria na Idade M\u00e9dia. Por\u00e9m, a partir da inven\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o gr\u00e1fica, tudo levava a crer que a pr\u00e1tica desses recursos mnem\u00f3nicos fosse morrer gradativamente. N\u00e3o obstante, \u00e9 a \u00e9poca em que se publicam os mais belos livros de mnemot\u00e9cnica!\u201d<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: Gostaria de insistir, Gisele, quando voc\u00ea fala em libertar-se da \u201ctirania das met\u00e1foras\u201d. N\u00e3o seria justamente o nosso acervo de interpreta\u00e7\u00f5es metaf\u00f3ricas \u2013 algo que constru\u00edmos desde que nascemos e reconstru\u00edmos ininterruptamente <a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a>, por meio dos aprofundamentos e internaliza\u00e7\u00f5es <a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a> intelectuais \u2013 que nos tornam seres pensantes? Em termos de leitura, quando a combina\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica \u00e9 feita atrav\u00e9s de algoritmos, n\u00e3o reduzimos nossa capacidade da constru\u00e7\u00e3o intelectiva?<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Piaget (1971) <a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Vigotsky (2004)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1277\" height=\"668\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-07-a\u0300s-13.12.37.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-388\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: Em absoluto! No campo da arte, refiro-me \u00e0s poss\u00edveis amplia\u00e7\u00f5es de leitura a partir do<em> \u201cconceito de \u201cfus\u00e3o din\u00e2mica\u201d que aponta para novas formas de literariedade. Formas essas que s\u00e3o agenciadas por um processo de letramento expandido, preparado para a leitura de linguagens a um s\u00f3 tempo cinematogr\u00e1ficas, videogr\u00e1ficas, textuais e sonoras. Seria ing\u00eanuo, no entanto, acreditar que esse agenciamento de novos pressupostos de leitura \u00e9 decorrente de sua ader\u00eancia ao ambiente da tela. O que se coloca no centro dessa discuss\u00e3o \u00e9 a compet\u00eancia do texto em desvestir-se da malha de sua superf\u00edcie para se impor como interface de leitura\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1276\" height=\"672\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-07-a\u0300s-13.24.57.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-362\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.: Ao longo da hist\u00f3ria, a palavra algoritmo recebeu v\u00e1rios significados. Alguns atribuem sua origem ao matem\u00e1tico persa do s\u00e9culo IX. Hoje, anos ap\u00f3s a minha morte, n\u00e3o pude me familiarizar com a designa\u00e7\u00e3o do termo. O que posso dizer \u00e9 que \u201c<em>O ser humano \u00e9 uma criatura literalmente extraordin\u00e1ria. Descobriu o fogo, construiu cidades, escreveu magn\u00edficos poemas, deu interpreta\u00e7\u00f5es do mundo, inventou imagens mitol\u00f3gicas, etc. Por\u00e9m, ao mesmo tempo, n\u00e3o cessou de guerrear seus semelhantes, de se enganar, de destruir seu meio ambiente etc. O equil\u00edbrio entre a alta virtude intelectual e a baixa idiotice d\u00e1 um resultado mais ou menos neutro. Logo, decidindo falar da burrice, de certa forma prestamos uma homenagem a essa criatura que \u00e9 um tanto genial e outro tanto imbecil. E, quando vamos nos aproximando da morte, como \u00e9 o nosso caso, ent\u00e3o come\u00e7amos a achar que a tolice prevalece sobre a virtude. \u00c9 evidentemente a melhor maneira de se consolar\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Isso faz pensar que a acelera\u00e7\u00e3o que estamos vivemos, em decorr\u00eancia do surgimento dessa multiplicidade de m\u00eddias e suportes, poderia desequilibrar esta neutralidade, uma vez que nossas mem\u00f3rias v\u00e3o sendo desconstru\u00eddas \u00e0 medida em que mais e mais canais registram, sob sua pr\u00f3pria \u00f3tica uma forma particular de enxergar o mundo.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1278\" height=\"668\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-12.33.51.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-364\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.:<em> \u201cAcelera\u00e7\u00e3o que contribui para a extin\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Este \u00e9 provavelmente um dos problemas mais espinhosos de nossa civiliza\u00e7\u00e3o. De um lado, inventamos diversos instrumentos para salvaguardar a mem\u00f3ria, todas as formas de registros, de possibilidades de transportar o saber \u2014 \u00e9 provavelmente uma vantagem consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca em que era necess\u00e1rio recorrer a mnemot\u00e9cnicas, a t\u00e9cnicas para lembrar, pura e simplesmente porque n\u00e3o era poss\u00edvel ter \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o tudo que convinha saber. Os homens ent\u00e3o s\u00f3 podiam confiar em sua mem\u00f3ria. Por outro lado, independentemente da natureza perec\u00edvel desses instrumentos, que de fato constitui problema, tamb\u00e9m devemos reconhecer que n\u00e3o somos imparciais diante dos objetos culturais que produzimos\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1273\" height=\"670\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-12.39.38.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-365\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: \u201c<em>A l\u00f3gica da novidade iminente draga n\u00e3o s\u00f3 o passado, mas o pr\u00f3prio presente, arremessando-nos em um estranho estado de expectativa de um p\u00f3s-futuro que nunca chega, mas que se promete a milh\u00f5es e milh\u00f5es de potenciais usu\u00e1rios globais\u201d. <\/em>Por\u00e9m<em>, \u201cA aposta em uma cultura c\u00edbrida (pautada pela interconex\u00e3o de Redes on e off line) n\u00e3o \u00e9 em uma nova ind\u00fastria capaz de substituir meramente velhas tecnologias por outras. O desenvolvimento desse novo horizonte de leitura, que o mundo cibern\u00e9tico promete e a prolifera\u00e7\u00e3o dos dispositivos m\u00f3veis corrobora, imp\u00f5e que se pense em que queremos dos textos, da mem\u00f3ria e das pr\u00f3prias tecnologias de conhecimento.<\/em><\/span> <span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\"><em>O que est\u00e1 em jogo \u00e9 a necessidade de engendrar n\u00e3o s\u00f3 repert\u00f3rios capazes de transcender o formato do c\u00f3dex e a cultura material da p\u00e1gina, como as \u00fanicas possibilidades para a exposi\u00e7\u00e3o de ideias, mas tamb\u00e9m suas fun\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas, como as de suporte de mem\u00f3ria, e econ\u00f4micas, como o valor material da autoria.<\/em> <em>Aposta-se aqui na possibilidade de uma cultura c\u00edbrida, pautada pela interpenetra\u00e7\u00e3o de Redes on line e off line, que incorpore e recicle os mecanismos de leitura j\u00e1 institu\u00eddos, apontando para novas formas de significar, ver e memorizar\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: O que a Rede nos fornece \u00e9, na realidade, uma informa\u00e7\u00e3o bruta, sem nenhum discernimento. Ora, todos n\u00f3s precisamos n\u00e3o apenas verificar, como dar sentido, isto \u00e9, organizar, colocar seu saber num momento de seu discurso. O livro seria, em ant\u00edtese, o s\u00edmbolo dos progressos com que tentamos fazer esquecer as trevas das quais continuamos a acreditar que agora sa\u00edmos ou este veloz volume de conhecimentos nos levaria apenas a um cont\u00ednuo estado de vertigem?<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1270\" height=\"662\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-17.35.24-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-391\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.:<em> \u201cH\u00e1 uma diferen\u00e7a entre a vertigem &#8220;equilibrada&#8221; de uma bela livraria e a vertigem infinita da Internet&#8230;\u201d<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1273\" height=\"667\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-17.39.52.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-369\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: kkkkkk! N\u00e3o vejo grandes mudan\u00e7as nas formas pelas quais organizamos nosso conhecimento. \u201c<em>As telas de qualquer site disp\u00f5em p\u00e1ginas, crit\u00e9rios bibliotecon\u00f4micos de organiza\u00e7\u00e3o do conte\u00fado regem os diret\u00f3rios, como o Yahoo, e a armazenagem de dados \u00e9 feita de acordo com padr\u00f5es arquiv\u00edsticos de documentos impressos, seguindo \u00e0 risca o modelo de \u201cpastas e gavetas\u201d. Isso n\u00e3o nos remete a um mero problema de erro de termos, mas a um problema epistemol\u00f3gico. A identifica\u00e7\u00e3o do conte\u00fado on line com a p\u00e1gina reitera a linearidade de uma hist\u00f3ria sobre o mesmo que se faz pelo apaziguamento das instabilidades\u201d. <\/em>\u00c9 preciso entender que as<em> \u201cestrat\u00e9gias correntes da publicidade tomam o lugar do discurso cr\u00edtico, criando um panorama transhist\u00f3rico e transpol\u00edtico que constituiria um dom\u00ednio informacional dentro do qual todos os fatos s\u00e3o esvaziados de significado, compondo um espa\u00e7o global e midi\u00e1tico. O discurso do marketing corporativo \u00e9 convincente e uma gama de produtos e ferramentas promete, diariamente, revolu\u00e7\u00f5es nos modos de publica\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e pensamento que trazem sempre algo novo e que desterram tudo aquilo que lhes \u00e9 anterior\u201d. <\/em>Isso nos obriga a <em>\u201cpensar estrat\u00e9gias de percurso porque imp\u00f5e que se desautomatizem as rotinas de leitura e intera\u00e7\u00e3o, for\u00e7ando repensar os par\u00e2metros de usabilidade e conferindo novos atributos \u00e0s funcionalidades\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1275\" height=\"666\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-08-a\u0300s-17.00.39.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-367\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.: Veja, por exemplo, \u201c<em>Sou incapaz de ensinar atualmente <a href=\"#_ftn1\"><strong>[3]<\/strong><\/a> [&#8230;]. Nossa insolente longevidade n\u00e3o deve nos mascarar o fato de que o mundo dos conhecimentos est\u00e1 em revolu\u00e7\u00e3o permanente e de que n\u00e3o fomos capazes de captar plenamente alguma coisa sen\u00e3o no lapso de um tempo necessariamente limitado. A velocidade com que a tecnologia se renova imp\u00f5e-nos um ritmo insustent\u00e1vel de reorganiza\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de nossos h\u00e1bitos mentais, \u00e9 verdade. A cada dois anos, seria preciso mudar de computador, uma vez que \u00e9 precisamente dessa forma que s\u00e3o concebidos esses aparelhos: para se tornarem obsoletos ap\u00f3s um certo prazo, consert\u00e1-los custando mais caro que substitu\u00ed-los. A cada ano seria preciso mudar de carro porque o novo modelo apresenta vantagens em termos de seguran\u00e7a, de acess\u00f3rios eletr\u00f4nicos etc. E cada nova tecnologia implica a aquisi\u00e7\u00e3o de um novo sistema de reflexos, o qual nos exige novos esfor\u00e7os, e isso num prazo cada vez mais curto. Foi preciso quase um s\u00e9culo para as galinhas aprenderem a n\u00e3o atravessar a rua. A esp\u00e9cie terminou por se adaptar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o dispomos desse tempo\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#0071a1\" class=\"has-inline-color\">[3]<\/span> Nota do ed. Umberto Eco faleceu em 2016 \u2013 fonte: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Umberto_Eco\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/<span style=\"color:#0071a1\" class=\"has-inline-color\">Umberto_Eco<\/span><\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Temos uma vis\u00e3o lisonjeadora de que obras-primas t\u00eam por fun\u00e7\u00e3o guardar em lugar seguro os consensos culturais que o esquecimento amea\u00e7a sempre destruir, mas a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que o livro est\u00e1 prestes a vivenciar seria capaz de mudar esta concep\u00e7\u00e3o? Como \u00faltima pergunta, gostaria de saber at\u00e9 que ponto a mudan\u00e7a em nossos h\u00e1bitos de leitura n\u00e3o seriam agentes transformadores da nossa cultura e da nossa forma de pensar?<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1276\" height=\"672\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-13.44.53.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-375\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.:<em> &#8220;Um agricultor ocidental come\u00e7a a cultivar sua planta\u00e7\u00e3o indo da esquerda para a direita para voltar da direita para a esquerda, e um agricultor eg\u00edpcio ou iraniano da direita para a esquerda para voltar da esquerda para a direita. Porque o tra\u00e7ado do arado corresponde exatamente \u00e0 escrita em bustrof\u00e9don. Com a ressalva de que, num caso, come\u00e7ar\u00edamos pela direita e no outro, pela esquerda. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o muito importante que, a meu ver, n\u00e3o foi suficientemente estudada. Os nazistas teriam podido imediatamente identificar um campon\u00eas judeu. Mas voltemos ao que interessa. Falamos da mudan\u00e7a e de sua acelera\u00e7\u00e3o. Mas dissemos tamb\u00e9m que existiam novidades t\u00e9cnicas que n\u00e3o mudavam, isto \u00e9, o livro. Poder\u00edamos acrescentar a bicicleta ou os \u00f3culos. Para n\u00e3o falar da escrita alfab\u00e9tica. Uma vez alcan\u00e7ada a perfei\u00e7\u00e3o, imposs\u00edvel ir mais longe\u201d. <\/em>Como j\u00e1 falamos disso anteriormente, <em>\u201cA mem\u00f3ria \u2014 seja nossa mem\u00f3ria individual, seja essa mem\u00f3ria coletiva que \u00e9 a cultura \u2014 tem uma fun\u00e7\u00e3o dupla. Uma \u00e9, com efeito, conservar certos dados, a outra \u00e9 relegar ao esquecimento as informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o nos servem e que poderiam atulhar inutilmente nossos c\u00e9rebros. Uma cultura que n\u00e3o sabe filtrar o que preservamos como heran\u00e7a dos s\u00e9culos passados \u00e9 uma cultura que nos lembra o personagem Funes, inventado por Borges em Funes ou a mem\u00f3ria, e que \u00e9 dotado de uma capacidade de se lembrar de tudo. O que \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio da cultura\u201d. &nbsp;<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1275\" height=\"669\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-13.46.53-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-392\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: Meu livro \u00e9 baseado num conto de Borges!<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1271\" height=\"671\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-13.48.18.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-377\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.: O livro de Areia de Borges, sim, eu li isso em seu livro, que est\u00e1 dispon\u00edvel nas nuvens! Prosseguindo: \u201c<em>A cultura \u00e9 um cemit\u00e9rio de livros e outros objetos desaparecidos para sempre. Existem atualmente trabalhos sobre esse fen\u00f4meno, que consiste em renunciar tacitamente a certos vest\u00edgios do passado e, portanto, em filtrar, e por outro lado em colocar outros elementos dessa cultura numa esp\u00e9cie de geladeira, para o futuro. Os arquivos, as bibliotecas s\u00e3o esses frigor\u00edficos nos quais armazenamos a mem\u00f3ria a fim de que o espa\u00e7o cultural n\u00e3o fique abarrotado com toda essa quinquilharia, mas sem com isso renunciar a ela. Poderemos sempre, no futuro, se o cora\u00e7\u00e3o nos ditar, voltar a eles. Logo, a cultura \u00e9 uma sele\u00e7\u00e3o. A cultura contempor\u00e2nea, ao contr\u00e1rio, via Internet, nos inunda com detalhes a prop\u00f3sito de todas as Calp\u00farnias do planeta e isso diariamente, a cada minuto, de tal forma que um guri que fa\u00e7a uma pesquisa para seu dever de casa pode ter a sensa\u00e7\u00e3o de que Calp\u00farnia \u00e9 t\u00e3o importante quanto C\u00e9sar\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1276\" height=\"666\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-15.05.34.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-379\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: <em>Mas n\u00e3o \u00e9 isso que se espera da Rede e mais precisamente da literatura on line? Uma literatura fundada em um grau de ironia t\u00e3o radical que seja capaz de corromper os pressupostos de ordenamento e representa\u00e7\u00e3o da cultura impressa, for\u00e7ando n\u00e3o o descarte do livro de papel, mas sim a redefini\u00e7\u00e3o do que se espera do livro eletr\u00f4nico?<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\"><em>Maximizam-se as possibilidades intr\u00ednsecas a um repert\u00f3rio cultural pautado pela transitoriedade dos conte\u00fados que ser\u00e3o mantidos em constante estado de transmiss\u00e3o, dentro de ambientes c\u00edbridos (on line e off line), agenciados por in\u00fameros dispositivos \u201cnom\u00e1dicos\u201d, como os PDAs (Personal Digital Assistants). Criar para essas condi\u00e7\u00f5es implica, por isso, repensar a pr\u00f3pria natureza da frui\u00e7\u00e3o art\u00edstica e das conven\u00e7\u00f5es e formatos da comunica\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito de uma cultura pautada pela ubiq\u00fcidade, em que a contempla\u00e7\u00e3o eventualmente se esvanecer\u00e1, passando a conviver com um leitor de interfaces distribu\u00eddas e m\u00eddias divergentes e assincr\u00f4nicas.<\/em> <em>Por esse caminho, que se insinua j\u00e1 nos projetos aqui comentados, vem se colocando em xeque a \u00f3rbita do volume e todos os seus desdobramentos ling\u00fc\u00edsticos, jur\u00eddicos e da pr\u00f3pria cultura material da p\u00e1gina, aproximando a discuss\u00e3o do Livro depois do Livro da magnitude de um livro de areia. Livro fluido, livro da leitura em aberto, \u00e9 o livro do vir-a-ser da literatura porque celebra n\u00e3o o formato, nem o suporte, mas as recomposi\u00e7\u00f5es do sentido e da linguagem.<\/em><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">A riqueza da cria\u00e7\u00e3o cultural contempor\u00e2nea, no entanto, reside em sua capacidade de se realizar nas (e a partir das) intersec\u00e7\u00f5es entre as linguagens. A complexidade dos projetos criativos demanda cada vez mais a diversidade de interfaces N\u00e3o se trata, portanto, de pensar uma \u201ce-cultura\u201d nos termos de um \u201ctirateima\u201d, das vantagens e desvantagens entre produtos digitais e impressos, chamando a aten\u00e7\u00e3o para seus perfis t\u00e9cnicos. Esse debate \u00e9 in\u00f3cuo porque permite eximir-se da reflex\u00e3o sobre o processo de hibridiza\u00e7\u00e3o das m\u00eddias\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: Antes de encerrarmos, gostaria de perguntar ao Sr. Eco, afinal, o que \u00e9 um bustrof\u00e9don?<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"979\" height=\"641\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-15.13.28-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-393\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">UE.: V\u00e1 pesquisar na internet.<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"618\" height=\"670\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/Captura-de-Tela-2020-12-09-a\u0300s-15.23.15-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-394\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span style=\"color:#ff0000\" class=\"has-inline-color\">GB.: kkkkkkkkkkkkkkkk!<\/span><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/arteposmidia\/files\/2020\/12\/plateia_rindo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-383\" width=\"581\" height=\"370\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">ARL.: Muito obrigado a todos pela audi\u00eancia, ficamos por aqui com o nosso Embates Liter\u00e1rios, lembrando de agradecer aos nossos patrocinadores, o curso de Arte e M\u00eddias Contempor\u00e2neas, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o da UFES, o canal ARTE\/P\u00d3S\/M\u00cdDIA, do professor Daniel Hora. Eu sou Ana Rita Lustosa.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><span class=\"has-inline-color has-luminous-vivid-orange-color\">LT.: E eu sou Luciano Tasso. Boa noite e at\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cr\u00e9ditos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BEIGUELMAN, Giselle. <strong>O livro depois do livro<\/strong><em>. <\/em>S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ECO, Umberto; CARRI\u00c8RE, Jean-Claude. <strong>N\u00e3o contem com o fim do livro<\/strong><em>. <\/em>Trad. Andr\u00e9 Telles. S\u00e3o Paulo: Record, 2010<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PIAGET, J. <strong>A forma\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo na crian\u00e7a: imita\u00e7\u00e3o, jogo e sonho, imagem e representa\u00e7\u00e3o<\/strong>.Trad. Alvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1971.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VYGOTSKY, LevSemionovitch. <strong>Psicologia pedag\u00f3gica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Sobre o Projeto Embates Liter\u00e1rios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embates Liter\u00e1rios \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o constru\u00edda a partir dos textos de Gisele Beiguelman e Umberto Eco presentes nos livros citados, aos quais podemos atribuir apenas a autoria das palavras em it\u00e1lico entre aspas. Excertos foram retirados dos textos, deslocados e aglutinados para comporem uma \u00fanica frase. As imagens foram retiradas de v\u00eddeos dispon\u00edveis na internet ou da simples pesquisa de palavras como \u201cplateia aplaudindo\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o dos textos e disposi\u00e7\u00e3o das imagens s\u00e3o de inteira responsabilidade dos autores deste projeto: Ana Rita Lustosa e Luciano Tasso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Vit\u00f3ria, 2020 \u2013 ano do coronav\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARL.: Ol\u00e1 a todas, todos, todes, todix, toddys, t\u00e9dias e t\u00e9dios. 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