{"id":88,"date":"2011-06-26T21:25:53","date_gmt":"2011-06-26T21:25:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/direitodefamilia\/?p=88"},"modified":"2011-06-27T13:02:51","modified_gmt":"2011-06-27T13:02:51","slug":"um-novo-usucapiao-em-favor-do-conjugecompanheiro-inocente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/direitodefamilia\/2011\/06\/26\/um-novo-usucapiao-em-favor-do-conjugecompanheiro-inocente\/","title":{"rendered":"Um novo Usucapi\u00e3o: em favor do c\u00f4njuge\/companheiro inocente."},"content":{"rendered":"<p>A <strong>LEI n\u00ba. 12.424, DE\u00a016 DE JUNHO DE 2011 criou uma nova esp\u00e9cie de USUCAPI\u00c3O: em favor de pessoa cujo ex-c\u00f4njuge ou ex-companheiro abandonou o lar.<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n<p>Trata-se de aquisi\u00e7\u00e3o, por meio de usucapi\u00e3o, da mea\u00e7\u00e3o que pertence \u00e0quele abandonou o lar, de tal sorte que o c\u00f4njuge inocente ficar\u00e1 com 100% do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>O abandono significa, conforme art. 1.566, inciso II, \u00a0do C\u00f3digo Civil, a viola\u00e7\u00e3o do dever de coabita\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tendo o autor da A\u00e7\u00e3o que provar o motivo do abandono, pois esse \u00e9 um \u00f4nus do r\u00e9u.<\/p>\n<p>Esse novo tipo de usucapi\u00e3o s\u00f3 se aplica naqueles casos em que o im\u00f3vel seja de propriedade comum do casal, isto \u00e9, que perten\u00e7a ao inocente e ao culpado (aquele que abandonou o lar).<\/p>\n<p>\u00c9 interessante observar que esse o novo dispositivo legal reafirma a import\u00e2ncia da culpa pela dissolu\u00e7\u00e3o do casamento\/uni\u00e3o est\u00e1vel.<\/p>\n<p>Para se beneficiar dessa nova esp\u00e9cie de usucapi\u00e3o, o c\u00f4njuge\/companheiro inocente deve requerer ao Judici\u00e1rio uma senten\u00e7a que declare que houve descumprimento do dever conjugal (coabita\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Julgo que essa declara\u00e7\u00e3o pode ser obtida em A\u00e7\u00e3o de Div\u00f3rcio Direto (ou em A\u00e7\u00e3o de Reconhecimento e Dissolu\u00e7\u00e3o de Uni\u00e3o Est\u00e1vel), na qual dever\u00e1 ser decretado o div\u00f3rcio e concomitantemente ser declarado que o r\u00e9u abandonou o lar.<\/p>\n<p>De posse dessa senten\u00e7a, o beneficiado ter\u00e1 que propor outra demanda, vale dizer, a A\u00e7\u00e3o de Usucapi\u00e3o, pois n\u00e3o h\u00e1 como admitir que o juiz da Vara de Fam\u00edlia tenha compet\u00eancia para, em A\u00e7\u00e3o de Div\u00f3rcio, decidir sobre usucapi\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/LEIS\/2002\/L10406.htm#art1240a\">\u201cArt. 1.240-A.<\/a>\u00a0Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposi\u00e7\u00e3o, posse direta, com exclusividade, sobre im\u00f3vel urbano de at\u00e9 250m\u00b2 (duzentos e cinquenta metros quadrados) <span style=\"text-decoration: underline\">cuja propriedade divida<\/span> com ex-c\u00f4njuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua fam\u00edlia, adquirir-lhe-\u00e1 o dom\u00ednio integral, desde que n\u00e3o seja propriet\u00e1rio de outro im\u00f3vel urbano ou rural.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a7 1<span style=\"text-decoration: underline\"><sup>o<\/sup><\/span>\u00a0 O direito previsto no caput n\u00e3o ser\u00e1 reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0\u00a7 2<span style=\"text-decoration: underline\"><sup>o<\/sup><\/span>\u00a0 (VETADO).\u201d (NR)<\/p>\n<p>\u00a0Dispositivo vetado e raz\u00f5es do veto:<\/p>\n<p>\u00a0<strong><span style=\"text-decoration: underline\">\u00a7 2<sup>o<\/sup> do art. 1.240-A da Lei n<sup>o<\/sup> 10.406, de 10 de janeiro de 2002, acrescido pelo art. 9<sup>o<\/sup> do projeto de lei de convers\u00e3o.<\/span><\/strong>\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00a7 2<span style=\"text-decoration: underline\"><sup>o<\/sup><\/span>\u00a0 No registro do t\u00edtulo do direito previsto no caput, sendo o autor da a\u00e7\u00e3o judicialmente considerado hipossuficiente, sobre os emolumentos do registrador n\u00e3o incidir\u00e3o e nem ser\u00e3o acrescidos a quaisquer t\u00edtulos taxas, custas e contribui\u00e7\u00f5es para o Estado ou Distrito Federal, carteira de previd\u00eancia, fundo de custeio de atos gratuitos, fundos especiais do Tribunal de Justi\u00e7a, bem como de associa\u00e7\u00e3o de classe, criados ou que venham a ser criados sob qualquer t\u00edtulo ou denomina\u00e7\u00e3o.<strong>\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Raz\u00e3o dos vetos<\/strong><\/p>\n<p>\u201cOs dispositivos violam o pacto federativo ao interferirem na compet\u00eancia tribut\u00e1ria dos Estados, extrapolando o disposto no \u00a7 2<span style=\"text-decoration: underline\"><sup>o<\/sup><\/span> do art. 236 da Constitui\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Essa, Senhor Presidente, a raz\u00e3o que me levou a vetar os dispositivos acima mencionados do projeto em causa, a qual ora submeto \u00e0 elevada aprecia\u00e7\u00e3o dos Senhores Membros do Congresso Nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A LEI n\u00ba. 12.424, DE\u00a016 DE JUNHO DE 2011 criou uma nova esp\u00e9cie de USUCAPI\u00c3O: em favor de pessoa cujo ex-c\u00f4njuge ou ex-companheiro abandonou o lar. 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