{"id":1111,"date":"2021-04-17T16:25:28","date_gmt":"2021-04-17T19:25:28","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=1111"},"modified":"2021-04-17T16:30:14","modified_gmt":"2021-04-17T19:30:14","slug":"familia-pnad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/familia-pnad\/","title":{"rendered":"A fam\u00edlia PNAD: explicando a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios"},"content":{"rendered":"<h5 style=\"text-align: right\"><strong>Estudantes subgrupo de empregos e sal\u00e1rios <sup>[1]<\/sup><\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A partir de entrevistas em diversos domic\u00edlios brasileiros, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) coleta dados para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), que \u00e9 importante instrumento para a formula\u00e7\u00e3o, valida\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas direcionadas ao desenvolvimento socioecon\u00f4mico e a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds. Em seu modelo cont\u00ednuo (PNAD Cont\u00ednua), a pesquisa visa produzir indicadores para acompanhar flutua\u00e7\u00f5es trimestrais e a evolu\u00e7\u00e3o a m\u00e9dio e longo prazo da for\u00e7a de trabalho, dentre outras informa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 comum tratarmos os resultados da pesquisa do ponto de vista estat\u00edstico, esquecendo, por vezes, que a pesquisa \u00e9 um retrato da realidade nacional, isto \u00e9, s\u00e3o seres humanos que se encontram naquelas diversas situa\u00e7\u00f5es. Assim, com a finalidade de entender os principais conceitos referentes a essa pesquisa e desconstruir a no\u00e7\u00e3o puramente matem\u00e1tica que, por vezes, informa as an\u00e1lises, conheceremos um pouco da hist\u00f3ria dos membros da Fam\u00edlia <\/span><b>P<\/b><span style=\"font-weight: 400\">ereira <\/span><b>N<\/b><span style=\"font-weight: 400\">ascimento <\/span><b>A<\/b><span style=\"font-weight: 400\">lmeida <\/span><b>D<\/b><span style=\"font-weight: 400\">ias, a fam\u00edlia PNAD, uma fam\u00edlia brasileira que vivencia diferentes realidades quando o assunto \u00e9 sua inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa fam\u00edlia de tantos sobrenomes \u00e9 composta por 8 pessoas, dentre elas, Maria. Nossa personagem principal tem 40 anos e \u00e9 m\u00e3e de 3 filhos: Juninho, Camila e J\u00falio C\u00e9sar. Pr\u00f3ximo a sua casa, mora seu pai, Sr. Ant\u00f4nio, e seu irm\u00e3o, Augusto, com seus 2 filhos, Rafaela e Marcelo. Coincidentemente, cada habitante desses dois domic\u00edlios \u00e9 classificado de acordo com diferentes categorias da pesquisa. Nesse sentido, essa fam\u00edlia exemplifica, com suas posi\u00e7\u00f5es no mercado de trabalho, os conceitos da PNAD Cont\u00ednua. Abaixo segue um retrato da nossa fam\u00edlia PNAD. Em seguida, apresentamos cada membro da fam\u00edlia, explicando a situa\u00e7\u00e3o que aquela pessoa se encontra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. O Marcos, nosso t\u00e9cnico de pesquisa do IBGE, ir\u00e1 nos ajudar nesta empreitada. Nesta apresenta\u00e7\u00e3o, destacamos quantos brasileiros (as) se encontram em cada situa\u00e7\u00e3o, com base nos dados da pesquisa para o quarto trimestre de 2020. O objetivo, vale a pena refor\u00e7ar, \u00e9 convidar o leitor a refletir sobre o lado humano da pesquisa, afinal ela retrata o dif\u00edcil cen\u00e1rio que muitos brasileiros e brasileiras est\u00e3o enfrentando.<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1151 size-full aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/info-2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"900\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1126\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/marcus.png\" alt=\"\" width=\"92\" height=\"104\">Ol\u00e1, meu nome \u00e9 <em>Marcos<\/em>, sou t\u00e9cnico de pesquisa do IBGE. Hoje vamos conhecer um pouco sobre os indicadores do mercado de trabalho a partir da realidade da fam\u00edlia <strong>P<\/strong>ereira <strong>N<\/strong>ascimento <strong>A<\/strong>lmeida <strong>D<\/strong>ias. Vamos come\u00e7ar? Conheceremos algumas categorias importantes para a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios e a situa\u00e7\u00e3o de cada integrante da fam\u00edlia.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1134\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/juninho.png\" alt=\"\" width=\"75\" height=\"95\"><strong>\u2192<\/strong> <strong>Popula\u00e7\u00e3o abaixo da idade de trabalhar (Menor de 14 anos):<\/strong> Ol\u00e1, eu sou o <em>Juninho<\/em>, filho da Maria, tenho 4 anos e por isso n\u00e3o posso trabalhar. Na PNAD Cont\u00ednua, pessoas com menos de 14 anos s\u00e3o consideradas abaixo da idade de trabalhar.&nbsp; Todos os outros membros da minha fam\u00edlia est\u00e3o dentro da <strong>Popula\u00e7\u00e3o em idade de trabalhar<\/strong>, pois eles possuem 14 anos ou mais. Mas, nem todas as pessoas que possuem idade para trabalhar est\u00e3o trabalhando, h\u00e1 algumas que nem sequer est\u00e3o \u00e0 procura de uma inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Do total da popula\u00e7\u00e3o brasileira em idade de trabalhar (176,362 milh\u00f5es), no 4\u00ba trimestre de 2020, 100,1 milh\u00f5es se encontravam na For\u00e7a de Trabalho, isto \u00e9, estavam ocupadas ou desocupadas. Meu irm\u00e3o, J\u00falio C\u00e9sar, \u00e9 um dos milh\u00f5es de brasileiros que est\u00e3o desocupados. Olha ele a\u00ed embaixo, explicando a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1133\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/julio-cesar.png\" alt=\"\" width=\"70\" height=\"84\"><strong>\u2192<\/strong> <strong>Desocupado: <\/strong>Eai?! Meu nome \u00e9 <em>Julio C\u00e9sar<\/em>, sou o filho mais velho da Maria. Ultimamente, as coisas est\u00e3o dif\u00edceis por aqui, pois mesmo buscando emprego e estando dispon\u00edvel para come\u00e7ar a qualquer momento, n\u00e3o tenho conseguido nada. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 nada f\u00e1cil. Apesar de ter terminado meus estudos em engenharia, n\u00e3o consegui encontrar nenhuma oportunidade no mercado de trabalho. No 4\u00ba trimestre de 2020 existiam <strong>13,9 milh\u00f5es<\/strong> de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. Estou na categoria de desocupados, mas espero sair logo dessa situa\u00e7\u00e3o e entrar para o grupo de <strong>Ocupados<\/strong>. Os ocupados s\u00e3o as pessoas que trabalharam pelo menos uma hora completa em trabalho remunerado em dinheiro, produtos, mercadorias ou benef\u00edcios (moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, roupas, treinamento etc.) na semana de refer\u00eancia da pesquisa. No 4\u00ba trimestre de 2020 existiam <strong>86,1 milh\u00f5es<\/strong> de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o vejo o momento de me juntar a eles. Meu tio, Augusto, est\u00e1 ocupado, o que \u00e9 muito bom, mas, o melhor \u00e9 que ele trabalha horas consideradas suficientes. Olha ele a\u00ed embaixo, explicando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1132\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/augusto.png\" alt=\"\" width=\"68\" height=\"89\">\u2192 <strong>Ocupado com horas suficientes: <\/strong>Ol\u00e1, eu sou o <em>Augusto<\/em>, irm\u00e3o da Maria e filho do Ant\u00f4nio. Sou diretor financeiro de uma empresa de com\u00e9rcio de m\u00e1rmore e granito. Comecei cedo na firma como t\u00e9cnico em contabilidade, com o passar do tempo, consegui passar na faculdade de ci\u00eancias cont\u00e1beis, me formei e consegui esse cargo na empresa. Sou bem satisfeito financeiramente, trabalho de segunda a sexta, de 8 \u00e0s 18h, e consigo ficar livre no final de semana para curtir com a minha fam\u00edlia. <strong>&nbsp;<\/strong>Estou feliz pela minha situa\u00e7\u00e3o, mas ando preocupado com minha sobrinha, Camila. Ela tamb\u00e9m est\u00e1 nesse grupo de ocupados, como eu, isto \u00e9, ela tem um emprego. Mas, ela est\u00e1 trabalhando menos horas do que deseja e, por isso, integra o grupo de subocupados por horas insuficientes. A\u00ed embaixo, ela explica como est\u00e1 sendo enfrentar essa situa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1131\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/camila.png\" alt=\"\" width=\"68\" height=\"97\">\u2192<strong> Subocupada por horas insuficientes<\/strong><strong>:<\/strong> Oi, eu sou a <em>Camila<\/em>, filha da Maria. Sou formada em biologia e dou aulas na escola do meu bairro, mas como n\u00e3o tinham muitas turmas, s\u00f3 consegui dar aulas no turno da manh\u00e3! Estou trabalhando 20 horas por semana, mas gostaria de trabalhar mais. N\u00e3o somente gostaria, eu preciso. Como estou precisando aumentar a minha renda mensal, comprei uns utens\u00edlios e comecei a fazer bolo pra vender nessas horas dispon\u00edveis para complementar a renda. Eu vi no jornal que o n\u00famero de pessoas que trabalham menos horas que desejariam, assim como eu, est\u00e1 crescendo no pa\u00eds. Na mat\u00e9ria, eles explicam que as pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o s\u00e3o denominadas de subocupadas. Eu sou subocupada, j\u00e1 que s\u00f3 dou 20h de aulas semanais e gostaria de trabalhar por mais horas. Dif\u00edcil \u00e9 acreditar, como disseram no jornal, que 6,9 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o parecida como a minha.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1126\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/marcus.png\" alt=\"\" width=\"92\" height=\"104\">Ol\u00e1 pessoal, sou o <em>Marcos<\/em> do IBGE, lembram? Pois \u00e9, na fam\u00edlia PNAD, como vimos, o Augusto e a Camila est\u00e3o trabalhando. Mesmo que em uma situa\u00e7\u00e3o distinta, ambos est\u00e3o no grupo de ocupados. J\u00e1 o J\u00falio C\u00e9sar est\u00e1 enfrentando uma barra \u00e0 procura de emprego. No mercado de trabalho em geral, tanto as pessoas ocupadas quanto as desocupadas integram a For\u00e7a de Trabalho. Mas, h\u00e1, de acordo com o 4\u00ba trimestre de 2020, <strong>76,2 milh\u00f5es <\/strong>que est\u00e3o <strong>Fora da For\u00e7a de Trabalho<\/strong>, isto \u00e9, nem est\u00e3o ocupados, nem est\u00e3o procurando uma ocupa\u00e7\u00e3o. Essa pode ser uma situa\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para alguns que est\u00e3o fora da <strong>For\u00e7a de Trabalho Potencial (FTP)<\/strong>, mas tamb\u00e9m pode ser express\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica, para outros, que est\u00e3o na FTP. Outros membros da fam\u00edlia PNAD nos ajudam a entender isso.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1130\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/antonio.png\" alt=\"\" width=\"68\" height=\"102\"><strong>\u2192<\/strong> <strong>Fora da for\u00e7a de trabalho potencial:<\/strong> Ol\u00e1 pessoal, eu sou o <em>Ant\u00f4nio Pereira<\/em>, pai da Maria e do Augusto. Em janeiro, eu comemorei 73 anos de idade, sou aposentado e por isso, de acordo com o IBGE, estou fora da for\u00e7a de trabalho. Com minha aposentadoria consigo pagar as contas e at\u00e9 d\u00e1 para dar uma for\u00e7a pro J\u00falio C\u00e9sar, meu neto, que est\u00e1 desempregado. No meu tempo era muito melhor, viu? Era impens\u00e1vel um engenheiro formado procurando emprego. J\u00falio at\u00e9 veio falar comigo, dizendo que quer trabalhar como Uber. Eu disse para ele esperar e continuar batalhando por um emprego com carteira de trabalho assinada, pois eu ainda posso ajudar por um tempo. A Maria, minha filha, sofre muito, pois n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ter um filho nessa situa\u00e7\u00e3o. Ela quer trabalhar fora para ajudar, coitada. Ela est\u00e1 a\u00ed, na batalha, procurando um emprego, mas n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para trabalhar, pois tem que cuidar do Juninho. \u00c9 por isso que ela est\u00e1 na <strong>For\u00e7a de trabalho potencial, <\/strong>que \u00e9 o conjunto de pessoas de 14 anos ou mais de idade que n\u00e3o estavam ocupadas nem desocupadas na semana de refer\u00eancia, mas que possu\u00edam um potencial de se transformarem em for\u00e7a de trabalho. No 4\u00b0 Trimestre de 2020, havia <strong>11,315 <\/strong>milh\u00f5es de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1129\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/maria.png\" alt=\"\" width=\"78\" height=\"94\"><strong>\u2192 Buscou trabalho, mas n\u00e3o estava dispon\u00edvel:<\/strong>&nbsp; Meu nome \u00e9 <em>Maria<\/em>, tenho 40 anos e sou m\u00e3e solo de 3 jovens. O mais novo, Juninho, ainda \u00e9 dependente de meus cuidados e o mais velho, J\u00falio C\u00e9sar, perdeu seu emprego e passa os dias procurando por uma nova oportunidade. A renda da minha casa depende da minha filha, Camila e da for\u00e7a que meu pai est\u00e1 dando. Por isso, eu decidi procurar por uma ocupa\u00e7\u00e3o. No entanto, apesar de nessas \u00faltimas semanas estar buscando por um trabalho, eu n\u00e3o poderia assumir esse novo posto, j\u00e1 que preciso estar em casa para cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos e cuidar do meu filho mais novo, pois ainda n\u00e3o consegui uma vaga na creche para ele. A Pesquisa Nacional por Amostras de Domic\u00edlio me classifica no grupo de pessoas que buscaram trabalho, mas n\u00e3o estavam dispon\u00edveis para trabalhar. Pior do que eu s\u00f3 a Rafa, minha sobrinha, ela est\u00e1 procurando emprego h\u00e1 um temp\u00e3o e n\u00e3o acha. J\u00e1 desistiu, tadinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1128\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/rafaela.png\" alt=\"\" width=\"75\" height=\"90\"><strong>\u2192 <\/strong><strong>Desalentado: <\/strong>Ei gente, tudo bem?! Meu nome \u00e9<em> Rafaela<\/em>, sou filha do Augusto, tenho 28 anos e sou t\u00e9cnica em recursos humanos. Meu \u00faltimo emprego foi h\u00e1 3 anos. L\u00e1 eu era assistente de RH. Depois de 8 meses da minha contrata\u00e7\u00e3o, a empresa encerrou as atividades na cidade. Permaneci por mais 1 ano em busca de uma oportunidade, mas n\u00e3o encontrei. Foi ent\u00e3o que decidi vir para a capital do meu estado tentar me realocar no mercado de trabalho, mas, infelizmente, n\u00e3o encontrei vagas. Com a crise econ\u00f4mica e a pandemia, parece que n\u00e3o encontrarei t\u00e3o cedo uma vaga. De acordo com o IBGE, eu estou no grupo das pessoas desalentadas, ou seja, aquelas pessoas que, por algum motivo, desistiram de procurar emprego.&nbsp; No 4\u00ba trimestre de 2020 existiam <strong>5,7 milh\u00f5es<\/strong> de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o. Estamos na torcida, aqui em casa, pro tio J\u00falio C\u00e9sar conseguir um bom emprego. Assim, o vov\u00f4 volta a dar uma for\u00e7a nas contas aqui de casa. Quem sabe em algum momento, a situa\u00e7\u00e3o melhora para mim tamb\u00e9m. Nosso objetivo, aqui em casa, \u00e9 deixar o Marcelo, meu irm\u00e3o, estudando, sem precisar trabalhar, mas est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1127\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/marcelo.png\" alt=\"\" width=\"76\" height=\"95\"><strong>\u2192 N\u00e3o desalentado:<\/strong> Ol\u00e1! Eu sou filho do Augusto e me chamo <em>Marcelo<\/em>. Estou cursando o segundo ano da faculdade de Letras na Universidade Federal do meu estado. Com o apoio da minha fam\u00edlia, estou me dedicando aos estudos e, por isso, n\u00e3o estou procurando um emprego no momento. Mas, com a situa\u00e7\u00e3o da Rafa, se surgisse uma oportunidade eu estaria dispon\u00edvel. Segundo o IBGE, essa minha situa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estar procurando um trabalho, mas estar dispon\u00edvel caso surgisse, \u00e9 considerada como n\u00e3o desalentada. Diferente da minha irm\u00e3 Rafaela, que \u00e9 desalentada, ainda n\u00e3o busquei um emprego porque n\u00e3o seria interessante para mim agora.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1126\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/marcus.png\" alt=\"\" width=\"92\" height=\"104\">Ei pessoal, olha eu aqui, o Marcos. Assim como alguns integrantes da fam\u00edlia PNAD, existem muitos brasileiros na condi\u00e7\u00e3o de<strong> subutilizados<\/strong>. Mas, o que \u00e9 isso? \u00c9 como se fosse um desperd\u00edcio da for\u00e7a de trabalho do nosso pa\u00eds, sabe? \u00c9 o caso do J\u00falio C\u00e9sar, que est\u00e1 desempregado; da Camila, que est\u00e1 subocupada; e de todos os outros que est\u00e3o na For\u00e7a de Trabalho Potencial (a Maria, a Rafaela e o Marcelo). O que a PNAD faz \u00e9 somar todas as pessoas que est\u00e3o nessas tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es e as reunir nesse grupo de subutilizados.&nbsp; Esse grupo representa a quantidade de pessoas ou m\u00e3o de obra que n\u00e3o s\u00e3o utilizados no mercado de trabalho, por faltar uma ocupa\u00e7\u00e3o adequada. Esse conceito foi incorporado ap\u00f3s discuss\u00f5es em \u00e2mbito internacional junto \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), e \u00e9 considerada a forma mais precisa para compreender um dos indicadores da precariza\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. No 4\u00ba trimestre de 2020, cerca de <strong>32 milh\u00f5es<\/strong> de pessoas estavam nessa situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1134\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2021\/04\/juninho.png\" alt=\"\" width=\"75\" height=\"95\"><strong>\u2192<\/strong> Ei gente, olha eu aqui novamente, o Juninho. Essa \u00e9 a minha fam\u00edlia e foi muito bom poder mostrar para voc\u00eas um pouco da nossa situa\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o est\u00e1 muito f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9? T\u00e1 todo mundo ralando, j\u00e1 que s\u00f3 a minha irm\u00e3, Camila, e o tio Augusto est\u00e3o trabalhando. Meu sonho \u00e9 poder ir pra creche, assim, minha m\u00e3e pode voltar a trabalhar e eu posso estudar, afinal, tamb\u00e9m quero ter um emprego logo logo e, assim, conseguir dar uma for\u00e7a aqui em casa.<\/p>\n<hr>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>NOTAS<\/strong><\/p>\n<h5><strong><sup>[1] <\/sup><\/strong>Contribu\u00edram diretamente para a reda\u00e7\u00e3o desta an\u00e1lise Gisele Paiva Furieri, Luiz Carlos Santos, Luiza Giubert, Otavio Luis Barbosa, Patr\u00edcia Specimille e Ruth Stein Silva.<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudantes subgrupo de empregos e sal\u00e1rios [1] A partir de entrevistas em diversos domic\u00edlios brasileiros, o Instituto Brasileiro de Geografia 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