{"id":200,"date":"2020-03-17T00:50:53","date_gmt":"2020-03-17T03:50:53","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=200"},"modified":"2025-10-13T13:17:46","modified_gmt":"2025-10-13T16:17:46","slug":"a-desvalorizacao-cambial-no-brasil-muito-alem-das-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/a-desvalorizacao-cambial-no-brasil-muito-alem-das-eleicoes\/","title":{"rendered":"A DESVALORIZA\u00c7\u00c3O CAMBIAL NO BRASIL, MUITO AL\u00c9M DAS ELEI\u00c7\u00d5ES"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"702\" class=\"wp-image-201\" style=\"width: 600px\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/03\/gustavo-arte.jpg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p>Por Prof. Dr. Gustavo M. de C. Mello (Coordenador do subgrupo Infla\u00e7\u00e3o &#8211; Grupo de Conjuntura\/Economia\/UFES).<\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify\">A cada pesquisa de inten\u00e7\u00e3o de voto, a cada fato (ou fact\u00f3ide) relativo ao processo eleitoral, vemos o c\u00e2mbio brasileiro flutuar de modo mais ou menos violento. E logo o notici\u00e1rio econ\u00f4mico abunda de \u201cespecialistas\u201d buscando atribuir esse movimento \u00e0s prefer\u00eancias e aos temores do \u201cmercado\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao pleito de outubro. Se essa conjuntura imediata sem d\u00favida abre brechas para movimentos especulativos, que repercutem sobre as taxas de c\u00e2mbio, n\u00e3o se pode ignorar que existem outros fatores que devem ser aqui considerados, e esta nota limitar-se-\u00e1 a chamar a aten\u00e7\u00e3o para alguns deles, colocando as vicissitudes do Real numa perspectiva mais ampla.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De sa\u00edda, conv\u00e9m destacar que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real ante o d\u00f3lar, no ano de 2018, que j\u00e1 acumula mais de 20% e que tende a se intensificar at\u00e9 o final do ano, n\u00e3o \u00e9 uma \u201cjabuticaba\u201d, para usar um jarg\u00e3o da moda. Ao contr\u00e1rio, o peso argentino j\u00e1 se desvalorizou em mais de 50% no mesmo per\u00edodo, e a lira turca n\u00e3o fica atr\u00e1s, tendo perdido mais de 20% de seu valor ante o d\u00f3lar apenas no m\u00eas de agosto. A essa lista seria poss\u00edvel acrescentar a moeda de outros pa\u00edses, como a \u00c1frica do Sul, a Ucr\u00e2nia, que se mostram tamb\u00e9m bastante vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c0 guisa de exemplo, ainda sobre o caso argentino, com o fito de conter o colapso cambial, acompanhado pela derrocada dos t\u00edtulos estatais, a taxa b\u00e1sica de juros dom\u00e9stica, que em abril fora elevada a 27%, e que saltou para 40% em maio, quando o governo Macri recorreu a empr\u00e9stimos do FMI, hoje j\u00e1 atinge os 60%. Por outro lado, a meta da infla\u00e7\u00e3o para 2019, determinada pelo Banco Central Argentino, \u00e9 de 19%, mas a infla\u00e7\u00e3o acumulada no ano de 2018 deve superar os 40% (s\u00f3 em agosto ela foi de 3,9%, com um vi\u00e9s de acelera\u00e7\u00e3o). Diga-se de passagem, tudo isso sob uma gest\u00e3o que foi aclamada por liberais de diversas estirpes, e que implementou uma ferrenha pol\u00edtica de austeridade fiscal e um conjunto de medidas pr\u00f3-mercado que, segundo alardeado, atrairia capitais e permitiria reconduzir a Argentina pelas sendas da prosperidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cada um dos pa\u00edses mencionados possui suas singularidades e uma forma de inser\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no mercado mundial, por\u00e9m existem alguns pontos em comum dignos de men\u00e7\u00e3o: possuem um balan\u00e7o de pagamentos deficit\u00e1rio, uma forte depend\u00eancia da atra\u00e7\u00e3o de capital de curto prazo, e uma infla\u00e7\u00e3o relativamente alta. S\u00e3o, portanto, particularmente vulner\u00e1veis a fugas de capital e a ataques especulativos, em particular no contexto global de revers\u00e3o das pol\u00edticas monet\u00e1rias expansionistas e de eleva\u00e7\u00e3o das taxas reais de juros nos pa\u00edses capitalistas centrais. Como agravante, tem-se ainda os abalos oriundos da guerra comercial deflagrada pelo governo Trump e da eleva\u00e7\u00e3o dos custos do petr\u00f3leo e seus derivados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ora, fuga de capitais, ataques cambiais especulativos, espiral de endividamento, pol\u00edticas de austeridade, apelos ao FMI\u2026 aqueles que viveram a d\u00e9cada de 1990 n\u00e3o deixam de ter uma sensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9j\u00e0 vu. N\u00e3o poderia ser diferente, j\u00e1 que tais fen\u00f4menos encontram-se inscritos em tend\u00eancias elementares da economia mundial contempor\u00e2nea, que na \u00faltima d\u00e9cada foi particularmente marcada pela concatena\u00e7\u00e3o de taxas relativamente baixas de crescimento e o ac\u00famulo de recordes de endividamento estatal e sobretudo privado. Diante dessa combina\u00e7\u00e3o explosiva, as perspectivas econ\u00f4micas n\u00e3o s\u00e3o nada alvissareiras, em particular para um pa\u00eds como o Brasil, com uma economia expressiva, mas t\u00e3o pouco din\u00e2mica e plena de entraves estruturais, e com uma t\u00e3o prec\u00e1ria inser\u00e7\u00e3o mundial. Nesse contexto, n\u00e3o seria temer\u00e1rio prever para um futuro pr\u00f3ximo a manuten\u00e7\u00e3o de um desempenho econ\u00f4mico p\u00edfio, e o agravamento dos problemas e dos antagonismos sociais, adubando esse solo j\u00e1 t\u00e3o f\u00e9rtil para a produ\u00e7\u00e3o de explica\u00e7\u00f5es simplistas e de sa\u00eddas messi\u00e2nicas, plenas de obscurantismo, de autoritarismo e de intoler\u00e2ncia, e fadadas ao mais perverso fracasso.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Prof. Dr. Gustavo M. de C. Mello (Coordenador do subgrupo Infla\u00e7\u00e3o &#8211; Grupo de Conjuntura\/Economia\/UFES). 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