{"id":3882,"date":"1998-04-21T16:29:00","date_gmt":"1998-04-21T19:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3882"},"modified":"2025-11-24T12:12:16","modified_gmt":"2025-11-24T15:12:16","slug":"boletim-no-02-abril-1998","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-02-abril-1998\/","title":{"rendered":"Boletim n\u00ba 02 &#8211; abril 1998"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-83770344\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--20);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--20);padding-top:0;padding-right:var(--wp--preset--spacing--40);padding-bottom:0;padding-left:var(--wp--preset--spacing--40)\">Esta publica\u00e7\u00e3o procura dar sequ\u00eancia ao primeiro n\u00famero do boletim de conjuntura publicado pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia da UFES em novembro de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--30);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--30);padding-top:var(--wp--preset--spacing--20);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">Entre outubro e novembro do ano passado, a economia brasileira sofreu um profundo abalo proveniente da crise das economias asi\u00e1ticas. Para enfrentar a crise, o governo federal duplicou as taxas de juros da economia e editou um pacote com 51 medidas econ\u00f4micas visando a aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o do Tesouro Nacional. Os dados estat\u00edsticos confirmam que essas medidas foram bem sucedidas. A infla\u00e7\u00e3o continuou sua trajet\u00f3ria descendente, o ingresso de capitais estrangeiros acelerou-se a partir de janeiro e a receita fiscal atingiu um n\u00edvel recorde em mar\u00e7o de 1998. Mais ainda, as reservas internacionais, perdidas durante a crise, n\u00e3o s\u00f3 foram recompostas como ultrapassaram largamente o montante existente antes da crise das bolsas asi\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--30);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--30);padding-top:var(--wp--preset--spacing--20);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">Entretanto, observando sob outra \u00f3tica, a economia brasileira entra em crise a partir do final do ano, com redu\u00e7\u00e3o em sua taxa de crescimento, aumento do desemprego e das inadimpl\u00eancias e com o agravamento das condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas dos trabalhadores brasileiros. A contradi\u00e7\u00e3o posta pela crise asi\u00e1tica soluciona-se mais uma vez em favor do capital, mais especificamente para os capitais especulativos e parasit\u00e1rios internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--30);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--30);padding-top:var(--wp--preset--spacing--20);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">Mais ainda, a forma de inser\u00e7\u00e3o do Brasil na nova ordem mundial, chamada de globaliza\u00e7\u00e3o, deixa-o muito mais vulner\u00e1vel \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es externas. O massivo ingresso de capitais externos nos \u00faltimos anos exige como contrapartida uma elevada remunera\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o recente, que colocou as taxas de juros do Brasil no primeiro lugar do mundo, ilustra bem a quest\u00e3o. Com esta remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 porque n\u00e3o &#8220;investir&#8221; no Brasil. &#8220;Um d\u00f3lar que tivesse sido convertido em reais no primeiro dia do Plano Real hoje teria acumulado uma remunera\u00e7\u00e3o de 272%, devido \u00e0s altas taxas de juros.&#8221; (FSP 16.04.98). A partir desta constata\u00e7\u00e3o, Daniel Dantas, Diretor do Banco Opportunity, estima em US$ 160 bilh\u00f5es o volume de capital que pode deixar o pa\u00eds a curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--30);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--30);padding-top:var(--wp--preset--spacing--20);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">O festejado aumento no ingresso de capitais externos produziu, ainda segundo os dados estat\u00edsticos, um aumento acelerado do endividamento interno em t\u00edtulos p\u00fablicos federais e tamb\u00e9m do endividamento externo. A reduzida d\u00edvida externa l\u00edquida do governo federal mascara a d\u00edvida total que atinge, no final de 1997, a magnitude de US$ 192,8 bilh\u00f5es. A maior parte dela, cerca de 55%, \u00e9 de responsabilidade do setor privado e a parcela de curto prazo atinge US$ 29,7 bilh\u00f5es. Este resultado recoloca mais uma das condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade externa, elevando para quase quatro vezes o saldo da d\u00edvida externa verificando antes da violenta crise da d\u00edvida ocorrida na d\u00e9cada de 80.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"margin-top:var(--wp--preset--spacing--20);margin-right:var(--wp--preset--spacing--30);margin-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);margin-left:var(--wp--preset--spacing--30);padding-top:var(--wp--preset--spacing--20);padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-bottom:var(--wp--preset--spacing--20);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">Este trabalho, como o anterior, apresenta um conjunto de indicadores sobre pre\u00e7os, produ\u00e7\u00e3o, emprego, setor externo e pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal. Estas informa\u00e7\u00f5es foram obtidas no Banco Central do Brasil, Minist\u00e9rio da Fazenda, Funda\u00e7\u00e3o IBGE e outras fontes, principalmente atrav\u00e9s da INTERNET. As informa\u00e7\u00f5es sobre o Esp\u00edrito Santo foram gentilmente cedidas pelas seguintes institui\u00e7\u00f5es: FINDES, IDEIES, SINE e CDL.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Departamento de Economia e Mestrado em Economia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">N\u00facleo de Estudos e Pesquisas e COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Jalisson Lage Maciel<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Ang\u00e9lica Soares Gusm\u00e3o, Edmara Ferreguetti Braga, Jalisson Lage Maciel, Kelly Machado Premoli, Larissa Soares Bressan, Lucinedes Tesch, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Marlon Gomes Ney, N\u00fabia Oliveira Bretas, Otniel Barcelos de Aquino, Rog\u00e9rio Alves Ferreira, Romilda Alves Bernardino, Rosiane de Souza, Vanuza da Silva Ferreira, Verena B. Regattieri<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo<\/p><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons uagb-buttons__outer-wrap uagb-btn__default-btn uagb-btn-tablet__default-btn uagb-btn-mobile__default-btn uagb-block-b7c60898\"><div class=\"uagb-buttons__wrap uagb-buttons-layout-wrap \">\n<div data-aos= \"fade-up\" data-aos-duration=\"400\" data-aos-delay=\"0\" data-aos-easing=\"ease\" data-aos-once=\"true\" class=\"wp-block-uagb-buttons-child uagb-buttons__outer-wrap uagb-block-42fd48e6 wp-block-button\"><div class=\"uagb-button__wrapper\"><a class=\"uagb-buttons-repeater wp-block-button__link\" aria-label=\"\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0QVR6TzV6UFJpbTQ\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-u4SGTkbgRMYDxSdYGNHr5g\" rel=\"follow noopener\" target=\"_blank\" role=\"button\"><div class=\"uagb-button__link\">Leia aqui o arquivo original<\/div><\/a><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-06c8e8a4 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Empregos e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-672d816c\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Desde a tempestade asi\u00e1tica de outubro, a evolu\u00e7\u00e3o e o comportamento de alguns indicadores econ\u00f4micos mostram que o Brasil parece ter conseguido superar os efeitos da crise, com o duro pacote de medidas fiscais e monet\u00e1rias, que foi lan\u00e7ado para enfrentar seu desafio, e resgatar um pouco a tranquilidade para retomar a estrat\u00e9gia que vinha sendo seguida de fazer a &#8220;travessia&#8221; at\u00e9 \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, com riscos reduzidos e calculados.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas externas, que despencaram, \u00e0 \u00e9poca, para pouco mais de R$ 50 bilh\u00f5es, recompuseram-se neste per\u00edodo, com a forte puxada das taxas de juros seguida da diminui\u00e7\u00e3o do nervosismo do capital internacional, com as iniciativas de ajuste que foram adotadas em comum acordo entre os pa\u00edses daquela \u00e1rea e o FMI, e hoje j\u00e1 caminham para a casa dos US$ 70 bilh\u00f5es, sugerindo, agora, dificuldades para a gest\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso, as taxas de juros, que foram elevadas para 43% ao ano, no in\u00edcio da crise, como forma de impedir a r\u00e1pida fuga de capitais do pa\u00eds e contribuir para a desacelera\u00e7\u00e3o da economia, visando reverter os acentuados desequil\u00edbrios da balan\u00e7a comercial, praticamente se aproximou, depois de algumas reuni\u00f5es do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria, dos seus n\u00edveis pr\u00e9-crise, quando estava fixada em 20,5% ao ano. O que estaria indicando que sua trajet\u00f3ria de queda, daqui para a frente, pode continuar, mas de forma lenta e suave.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, e muito como resultado do pacote fiscal e de juros, o aprofundamento do processo de desacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, melhorou o desempenho da balan\u00e7a comercial, permitindo proje\u00e7\u00f5es mais otimistas para os seus resultados no ano, que apontam, atualmente, a redu\u00e7\u00e3o de seu desequil\u00edbrio para algo em torno de US$ 5 bilh\u00f5es contra US$ 9 bilh\u00f5es de 1997 (uma queda de 45%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses ganhos, por outro lado, t\u00eam gerado, em contrapartida, elevados custos para a economia e a sociedade. Como consequ\u00eancia do ajuste realizado, que tem merecido altos elogios do FMI, a atividade produtiva, que j\u00e1 vinha sofrendo um forte processo de desacelera\u00e7\u00e3o, reduziu ainda mais seu ritmo, com as previs\u00f5es de crescimento do PIB no ano tendo sido revistas de 3% para 1%. A taxa de desemprego, por sua vez, saltou de 4,8% em dezembro para mais de 8% em fevereiro na metodologia do IBGE, que era a preferida do governo, pelos motivos \u00f3bvios de sua pouco abrang\u00eancia e pela irrealidade de seus n\u00fameros. J\u00e1 na pesquisa SEADE\/DIEESE, os n\u00edveis de desemprego nas regi\u00f5es metropolitanas caminham para os 20% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa. Como se n\u00e3o bastasse, as contas p\u00fablicas reingressaram numa trajet\u00f3ria de progressiva deteriora\u00e7\u00e3o, dados os efeitos perversos das elevadas taxas de juros sobre os encargos da d\u00edvida, indicando um agravamento das dificuldades neste campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, se \u00e9 poss\u00edvel concordar que a r\u00e1pida resposta do governo \u00e0 crise asi\u00e1tica impediu que o programa de estabiliza\u00e7\u00e3o capotasse diante de um ataque especulativo e permitiu que, aparentemente, fossem retomadas as r\u00e9deas do comando da pol\u00edtica econ\u00f4mica, indiscutivelmente isso s\u00f3 foi poss\u00edvel \u00e0s custas de maior retra\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, do aumento do desemprego, dos n\u00edveis de inadimpl\u00eancia, do maior desguarnecimento das pol\u00edticas sociais e de maior deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Um quadro que, se n\u00e3o for amenizado \u2013 e n\u00e3o h\u00e1 sinais no horizonte de que isso ocorra \u2013 poder\u00e1 nublar os caminhos da &#8220;travessia&#8221; e dificultar o projeto de reelei\u00e7\u00e3o de FHC.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9cf60b59\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O ano de 1997 registrou a mais baixa taxa de infla\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos. As diversas institui\u00e7\u00f5es que calculam \u00edndices de pre\u00e7os no pa\u00eds fecharam o ano com a menor infla\u00e7\u00e3o de toda s\u00e9rie hist\u00f3rica, como foi o caso da FIPE (desde 1950) e do IBGE (INPC desde 1979).<\/p>\n\n\n\n<p>A infla\u00e7\u00e3o medida pela FIPE no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo ficou em 4,82%, bem menor que a taxa de 10,03% de 1996. Os grupos que mais pressionaram o custo de vida dos paulistanos foram habita\u00e7\u00e3o (8,35%), devido \u00e0 alta de 17% das tarifas de servi\u00e7os residenciais; e transportes (7,83%), com alta significativa do transporte coletivo (11,96%). As menores taxas foram verificadas nos grupos alimenta\u00e7\u00e3o (3,60%) e vestu\u00e1rio (-5,81%); este \u00faltimo foi fortemente pressionado pelas importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor INPC, apurado pelo IBGE com base no consumo m\u00e9dio das fam\u00edlias com rendimento m\u00e9dio de 1 a 8 sal\u00e1rios m\u00ednimos, registrou uma varia\u00e7\u00e3o de 4,34%, enquanto que o IPCA, que mede o consumo de fam\u00edlias de 1 a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos acumulou no ano uma infla\u00e7\u00e3o de 5,22%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores gerais da economia apresentaram infla\u00e7\u00e3o de 7,74% (IGP-M) e 7,48% (IGP-DI) como resultado das oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os captadas pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA, 7,79%); do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC, 7,23%) e do \u00cdndice Nacional de Custos da Constru\u00e7\u00e3o (INCC, 6,81%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses indicadores foram pressionados pelos aumentos das tarifas p\u00fablicas que n\u00e3o permitiram um \u00edndice mais baixo, apesar de alguns itens, como alimenta\u00e7\u00e3o e vestu\u00e1rio, no caso dos \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor, terem contribu\u00eddo para a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o em 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 1998 iniciou com baixas taxas de infla\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio de anos anteriores, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro, quando os pre\u00e7os apresentavam movimento altista.<\/p>\n\n\n\n<p>O IPC-Fipe apresentou no primeiro trimestre uma infla\u00e7\u00e3o de (-0,15%), registrando defla\u00e7\u00e3o em dois meses consecutivos fevereiro (-0,16%) e Mar\u00e7o (-0,23%). Os itens que mais influenciaram esse resultado foram vestu\u00e1rio e hortifrutigranjeiros. Entretanto, o segundo trimestre de 1998 sinaliza para novos aumentos nos pre\u00e7os. O IPC estimado para o per\u00edodo entre 16 de mar\u00e7o e 15 de abril indica um valor positivo de 0,2%. A Fipe &#8220;projeta uma infla\u00e7\u00e3o de 0,5% para o m\u00eas de abril, de 0,30% para maio e de 0,70% para julho (FSP, 18\/04). Os itens que mais influenciaram estes resultados foram a alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e habita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O INPC acumula, no mesmo per\u00edodo do ano, uma alta de pre\u00e7os de 1,39%, puxado pelo grupo transporte e comunica\u00e7\u00e3o (1,19%), alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas (0,76%), enquanto o IPCA, no mesmo per\u00edodo, acumula alta de apenas 1,17%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores gerais da economia, IGP-DI, IGP-M, calculados pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, fecharam o m\u00eas de mar\u00e7o com varia\u00e7\u00f5es de 0,23% e 0,19%, e apresentam um acumulado de 1,13% e 1,33%, respectivamente, no ano. Entre os indicadores que comp\u00f5em o IGP-DI, o IPC foi o \u00edndice que mais pressionou, com uma varia\u00e7\u00e3o de 0,33%, com press\u00e3o do grupo alimenta\u00e7\u00e3o que contribuiu com uma varia\u00e7\u00e3o de 1,67%, principalmente pelas eleva\u00e7\u00f5es das hortali\u00e7as e legumes. O IPA, \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado, apresentou a menor varia\u00e7\u00e3o, 0,13%, enquanto o \u00cdndice Nacional de Custos da Constru\u00e7\u00e3o (INCC) teve a maior varia\u00e7\u00e3o, 0,47% (por\u00e9m a sua pondera\u00e7\u00e3o \u00e9 menor na composi\u00e7\u00e3o do IGP).<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa para os pr\u00f3ximos meses \u00e9 de uma infla\u00e7\u00e3o mais baixa ou at\u00e9 mesmo de uma defla\u00e7\u00e3o no IGP-DI, pois espera-se que as tarifas p\u00fablicas n\u00e3o sejam reajustadas nos mesmos patamares de 1997. Al\u00e9m disso, o alto \u00edndice de desemprego (a taxa de desemprego aberto atingiu 7,42% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa &#8211; PEA em fevereiro) segundo a Pesquisa Mensal de Emprego realizada pelo IBGE, mais as altas taxas de juros t\u00eam contido o consumo, provocando ainda mais a queda dos pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3b916b2b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Infla\u00e7\u00e3o na Grande Vit\u00f3ria<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Grande Vit\u00f3ria registrou no ano de 1997 a menor infla\u00e7\u00e3o desde de 1984, variando em 4,79%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais grupos respons\u00e1veis pelos aumentos de pre\u00e7os foram: sa\u00fade (24,68%), transportes (10,87%) e habita\u00e7\u00e3o (6,92%). Os que mais contribu\u00edram na conten\u00e7\u00e3o do custo de vida foram: vestu\u00e1rio (2,69%), alimenta\u00e7\u00e3o (3,60%) e educa\u00e7\u00e3o (-7,97%), principalmente a alimenta\u00e7\u00e3o, dado a sua grande participa\u00e7\u00e3o no IPC-GV.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desses grupos, os itens que tiveram aumentos acima da m\u00e9dia da infla\u00e7\u00e3o, foram respectivamente: rem\u00e9dios, (32,24%), combust\u00edveis (17,6%), alugu\u00e9is (8,17%), luz (9,68%), g\u00e1s (11,28%) e \u00e1gua (8%).<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo vestu\u00e1rio, que desde 1996 j\u00e1 estava sendo afetado pela entrada dos produtos importados, apresentou quedas significativas de pre\u00e7os em v\u00e1rios itens, com destaque para os artigos para beb\u00ea (-7,83%). Dentre aqueles que comp\u00f5em o IPC-GV, o grupo educa\u00e7\u00e3o foi o \u00fanico que apresentou defla\u00e7\u00e3o de (7,97%) devido \u00e0 queda dos pre\u00e7os do material escolar (-14,94%) e uniforme escolar (-4,28%), apesar do aumento das mensalidades da ordem de (15%).<\/p>\n\n\n\n<p>No grupo alimenta\u00e7\u00e3o, a maioria dos produtos apresentou varia\u00e7\u00f5es negativas, sobressaindo as quedas dos pre\u00e7os dos pescados (-15,04%), panificados (-8,33%), frutas (-9,43%) e verduras (-3,38%). Em contraste, os tub\u00e9rculos tiveram aumento m\u00e9dio de 21,71%, os produtos industrializados 9,12% e as carnes 2,13%, apesar do frango congelado ter apresentado a varia\u00e7\u00e3o negativa de 10,88%. Como resultado das quedas dos pre\u00e7os dos alimentos, a cesta b\u00e1sica calculada no ano de 1997 apresentou uma defla\u00e7\u00e3o de -1,76%. A varia\u00e7\u00e3o acumulada do IPC-GV desde a implementa\u00e7\u00e3o do Real em 01 de julho\/94 at\u00e9 dezembro de 1997 foi de 50,09%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Grande Vit\u00f3ria, IPC-GV, ap\u00f3s 14 anos de c\u00e1lculo ininterrupto, deixou de ser apurado pelo Departamento de Economia a partir do in\u00edcio de 1998. Isso ocorreu porque n\u00e3o foi realizada uma nova Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares &#8211; POF (a \u00faltima foi feita em 1983) na regi\u00e3o da Grande Vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A POF \u00e9 uma pesquisa de suma import\u00e2ncia para a continuidade do trabalho, pois permite levantar informa\u00e7\u00f5es sobre os h\u00e1bitos e estrutura de consumo por estrato de renda, condi\u00e7\u00e3o de domic\u00edlio, n\u00famero de pessoas por domic\u00edlio e outras, o que possibilita obter as pondera\u00e7\u00f5es de cada produto e servi\u00e7o consumidos pelas fam\u00edlias, servindo de base para o c\u00e1lculo do \u00edndice de pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como a pondera\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo do IPC-GV estava baseada na POF de 1983, esse longo per\u00edodo trouxe a necessidade de uma nova estrutura de pesos, j\u00e1 que ocorreram muitas mudan\u00e7as no pa\u00eds e alterou-se muito o perfil do consumidor. Esse fato foi comprovado atrav\u00e9s das pesquisas realizadas recentemente nas v\u00e1rias regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds onde o IBGE apura \u00edndices de pre\u00e7os. Citamos como exemplo, a redu\u00e7\u00e3o verificada nos gastos com alimenta\u00e7\u00e3o, principalmente aquelas realizadas no domic\u00edlio, e o aumento do gasto com refei\u00e7\u00f5es fora de casa. Al\u00e9m disso, aumentou a participa\u00e7\u00e3o do disp\u00eandio com sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o alguns exemplos que, ao se confrontarem com a estrutura de pesos do IPC-GV, cujas pondera\u00e7\u00f5es eram: alimenta\u00e7\u00e3o 56,6%, habita\u00e7\u00e3o 15,99%, despesas pessoais 10,04%, transportes 5,78%, vestu\u00e1rios 3,84%, sa\u00fade 4,28% e educa\u00e7\u00e3o 3,47%, levaram \u00e0 descontinuidade da s\u00e9rie do \u00edndice que durante anos orientou a comunidade Esp\u00edrito Santense em sua tomada de decis\u00f5es. Esse era o \u00fanico indicador agregado que refletia as varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os ocorridas na regi\u00e3o da Grande Vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa para o ano de 1998 \u00e9 de uma converg\u00eancia de interesses &#8211; tanto de entidades privadas quanto das p\u00fablicas estaduais e da Universidade &#8211; para a realiza\u00e7\u00e3o de uma nova POF. Ela, al\u00e9m de fornecer informa\u00e7\u00f5es que permitam calcular um novo IPC-GV, inclusive com um universo mais amplo (com uma cesta maior de produtos e com uma popula\u00e7\u00e3o objetivo de 1 a 30 sal\u00e1rios m\u00ednimos), oferecer\u00e1 informa\u00e7\u00f5es que sirvam de orienta\u00e7\u00e3o na defini\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias empresariais, atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o de oportunidades de neg\u00f3cio, formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, em virtude do n\u00edvel de detalhamento dos dados coletados.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4f6328de\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de Atividade<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Produto Interno Bruto brasileiro apresentou uma expans\u00e3o de 3,03%, no ano de 1997, segundo os dados divulgados pelo IBGE. O setor que mais cresceu foi o industrial (5,48%), destacando-se os sub-setores da constru\u00e7\u00e3o civil (8,46%) e extrativa mineral (7,28%). Os servi\u00e7os e a agropecu\u00e1ria cresceram a uma taxa de 1,27% e 1,15%, respectivamente. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi a que menos cresceu (4,14%), reduzindo a m\u00e9dia do setor (Tabela 3.1). Este crescimento, entretanto, come\u00e7a a reduzir-se a partir do quarto trimestre de 1997 (Gr\u00e1fico 3.1).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do IBGE indicam que, no quarto trimestre de 1997, a taxa de crescimento do PIB foi de 1,93% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. A ind\u00fastria cresceu 3,17%, os servi\u00e7os 1,01% e a agropecu\u00e1ria 1,0%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com o terceiro trimestre, o quarto trimestre apresentou um crescimento de 0,5% no PIB, segundo a s\u00e9rie com ajuste sazonal. A agropecu\u00e1ria cresceu 3,49%; a ind\u00fastria, 0,13% e os servi\u00e7os 0,22%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores de produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial apresentam uma queda no in\u00edcio de 1998. A produ\u00e7\u00e3o industrial em geral diminuiu 1,5% em fevereiro, acumulando 2,7% nos dois primeiros meses do ano. A maior queda foi na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis, que acumulou uma redu\u00e7\u00e3o de 27,5%; e os bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis diminu\u00edram a produ\u00e7\u00e3o em 3,4% nos dois primeiros meses do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta redu\u00e7\u00e3o brusca na taxa de crescimento deve-se \u00e0s medidas fiscais e monet\u00e1rias adotadas para enfrentar os impactos da crise asi\u00e1tica sobre a economia brasileira. O resultado em apenas dois meses foi a redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente 2% na taxa de crescimento do PIB prevista para 1997.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-fcb7bee1\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>N\u00edvel de Atividade no Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de fevereiro\/98, segundo as informa\u00e7\u00f5es da C\u00e2mara de Diretores Lojistas (CDL) de Vit\u00f3ria, o n\u00famero de baixas no SPC foi de 10.166 e de inclus\u00f5es de 14.370. Se comparado a fevereiro\/97, isso representa uma eleva\u00e7\u00e3o 39,30% e de 34,85%, respectivamente. A diferen\u00e7a entre estes indicadores reflete uma redu\u00e7\u00e3o no total de inadimplentes registrados em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1997. Somente nos meses de janeiro e de fevereiro o n\u00famero de inadimplentes cresceu em mais de 10.000. Segundo A Gazeta (22.4.98), o total de inadimplentes registrados em mar\u00e7o\/98 \u00e9 de 190 mil. Quanto aos cheques, a compara\u00e7\u00e3o com o primeiro bimestre de 1997 mostra um resultado desfavor\u00e1vel em janeiro, mas largamente compensado em fevereiro pela redu\u00e7\u00e3o nas inclus\u00f5es e o elevado crescimento das baixas. Mas, da mesma forma que o SPC, o acr\u00e9scimo l\u00edquido dos cheques sem fundos atingiu 4.800 no primeiro bimestre do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cheques devolvidos pelo sistema banc\u00e1rio constitui outro importante indicador da inadimpl\u00eancia. Eles cresceram 34% no primeiro trimestre de 1998, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, e chegou ao n\u00edvel de 47% no m\u00eas de mar\u00e7o de 1998 (ver tabela 3.3).<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores das vendas industriais no estado (ver tabela 3.4) mostram que nos \u00faltimos seis meses a demanda vem se reduzindo. A compara\u00e7\u00e3o m\u00eas a m\u00eas mostra que o aumento nas vendas em setembro de 1997 foi praticamente anulado pelas redu\u00e7\u00f5es nos meses seguintes e o crescimento de dezembro foi suprimido em janeiro. A compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior indica que os meses de outubro e novembro foram mais desfavor\u00e1veis mas, mesmo com a crise iniciada no final do ano, existe uma pequena melhora nas vendas. Esse resultado aparece no acumulado de doze meses que atinge o ponto negativo mais elevado em novembro de 1997 e come\u00e7a a reduzir-se a partir de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor industrial no estado apresentou um crescimento nas vendas em fevereiro de 1998 de 1,07% e de apenas 0,45% quando comparamos os dois primeiros meses do ano com o mesmo per\u00edodo do ano passado. Alguns g\u00eaneros industriais apresentaram elevadas taxas de crescimento acumulado no per\u00edodo: o de material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00e3o com mais de 58%, qu\u00edmica 52%, material pl\u00e1stico 31%, metalurgia 25%. Outros apresentaram elevadas redu\u00e7\u00f5es compensando aquele crescimento. O conjunto da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o apresentou uma queda acumulada de 0,26% na compara\u00e7\u00e3o do acumulado no ano e de 1,75% entre fevereiro e janeiro de 1998. O resultado positivo deve-se ao crescimento da extra\u00e7\u00e3o mineral que apresenta um desempenho de 17% em fevereiro (tabela 3.5).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do desempenho positivo nas vendas neste in\u00edcio de ano, a ind\u00fastria capixaba vem reduzindo os sal\u00e1rios reais de seus trabalhadores. A redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais acumulada no ano, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior \u00e9 de 12% em fevereiro. A maior parte dos g\u00eaneros da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o do estado reduziu o total de sal\u00e1rios pagos. A redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi de 13% e da extra\u00e7\u00e3o mineral de 8,8% no acumulado do ano, para o mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da tabela 3.6 explicam em grande parte o desempenho dos sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria do estado. O aumento do desemprego tem sido a regra. Ele tem crescido m\u00eas a m\u00eas em qualquer tipo de compara\u00e7\u00e3o. O dado mais consistente e assustador consiste na compara\u00e7\u00e3o do pessoal ocupado nos \u00faltimos doze meses em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo anterior. De setembro de 1997 a fevereiro de 1998 o total de pessoal ocupado tem-se reduzido sistematicamente. Esses dados podem estar indicando um processo de transforma\u00e7\u00e3o industrial que acompanha o quadro nacional, ampliando o chamado desemprego estrutural. Se isto for correto, mesmo com a revers\u00e3o no quadro recessivo nacional, dificilmente a ind\u00fastria capixaba voltar\u00e1 a oferecer o mesmo volume de emprego anterior.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2c1a2d38\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Empregos e Sal\u00e1rios<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A crise asi\u00e1tica no final de outubro de 1997, cujos reflexos se abateram sobre os mercados mundiais, levou o governo brasileiro a nova tentativa de ajuste das contas p\u00fablicas, e defesa das reservas internacionais, duplicando as taxas de juros em 30\/10\/98. Na segunda semana de novembro, o governo lan\u00e7ou um &#8216;pacote&#8217; com 51 medidas trazendo efeitos fortemente negativos para o emprego e o n\u00edvel de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as v\u00e1rias medidas que contribu\u00edram para a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de desemprego observado nos meses seguintes, principalmente nos dois primeiros meses de 1998, pode-se destacar as demiss\u00f5es de servidores p\u00fablicos que, iniciadas em janeiro, pretendem eliminar 1.700 cargos comissionados, extinguir 70 mil postos de trabalho e demitir cerca de 33 mil trabalhadores sem estabilidade at\u00e9 junho de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras medidas afetaram distintamente o n\u00edvel de renda da popula\u00e7\u00e3o, reduzindo em cadeia o n\u00edvel de atividade e de emprego, destacando-se o reajuste das tarifas p\u00fablicas, em especial os combust\u00edveis, o aumento do IPI sobre autom\u00f3veis (62%) e bebidas (10%) e a eleva\u00e7\u00e3o do IR sobre pessoas f\u00edsicas. A suspens\u00e3o do reajuste salarial do funcionalismo p\u00fablico em 1998 e o fim da incorpora\u00e7\u00e3o de gratifica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m influenciar\u00e1 negativamente a m\u00e9dia nacional de sal\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser uma das metas do governo Fernando Henrique Cardoso, ainda como candidato, os n\u00fameros do desemprego divulgados pelo IBGE tem mostrado, at\u00e9 aqui, uma situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito animadora para a popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m para uma poss\u00edvel reelei\u00e7\u00e3o no final do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato \u00e9 que a taxa de desemprego aberto, segundo o IBGE, fechou o m\u00eas de fevereiro em 7,42%. O que isso representa? O pior resultado dos \u00faltimos 13 anos. No mesmo m\u00eas do ano de 1997, essa taxa foi de 5,5%. Contudo, o susto n\u00e3o come\u00e7ou em fevereiro. O desemprego em janeiro foi de 7,25%, um salto em rela\u00e7\u00e3o ao \u00faltimo m\u00eas do ano, que fechou em 4,84% (ver tabela 4.1).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a equipe de An\u00e1lise de Conjuntura do IBGE, o desemprego no primeiro trimestre do ano \u00e9 sempre alto, em virtude do com\u00e9rcio e servi\u00e7os diminu\u00edrem o ritmo de suas atividades, com redu\u00e7\u00e3o de pessoal. Mesmo que nesse per\u00edodo o movimento de m\u00e3o-de-obra seja semelhante em todos os anos, com algumas varia\u00e7\u00f5es, este ano isso foi intensificado, como j\u00e1 vimos, pelas medidas adotadas pelo governo no final do ano, com destaque para a eleva\u00e7\u00e3o dos juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes fatores s\u00e3o desestimulantes para a produ\u00e7\u00e3o industrial, que \u00e9 o setor que mais emprega no pa\u00eds, explicando o aumento recente do desemprego. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi a que mais realizou corte de pessoal, 9,17% em fevereiro de 1998. Em segundo lugar vem a ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o civil, com 8,10%. Em seguida, o com\u00e9rcio, 8,02% e servi\u00e7os, 5,87% (ver tabela 4.2).<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa do governo \u00e9 de que o n\u00edvel de desemprego comece a diminuir. Entre os fatores que podem reduzir o desemprego est\u00e3o a continuidade da queda da taxa de juros, portanto, a recupera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica e a redu\u00e7\u00e3o do enxugamento de pessoal nas empresas, iniciada de maneira bastante euf\u00f3rica no final do ano de 1997. Al\u00e9m disso, receber\u00e3o prioridade discuss\u00f5es de assuntos como investimento em treinamento e qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra e flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista para cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa do DIEESE, realizada com outra metodologia, apresenta uma taxa de desemprego, para a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, de 17,2% e fevereiro e de 18,1% em mar\u00e7o. E a expectativa \u00e9 de que continuar\u00e1 aumentando pelo menos at\u00e9 o final do primeiro semestre. Nas regi\u00f5es metropolitanas de Recife e de Salvador a taxa de desemprego j\u00e1 ultrapassou os 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando a tabela 4.3 nota-se que, n\u00e3o obstante o registro de 21,5% de expans\u00e3o acumulada do Produto Interno Bruto entre 1993 e 1997, o n\u00edvel de emprego regular registra paralelamente uma queda de 1,4%. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda nacional, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 preocupante: h\u00e1 um preju\u00edzo acumulado no rendimento assalariado da ordem de 5%, a partir de 1995. Dessa forma, com o problema estrutural de escassez de emprego e a baixa participa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios na renda, agravado pela conjuntura econ\u00f4mica, \u00e9 dif\u00edcil ter expectativas positivas ainda neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias de abril a Funda\u00e7\u00e3o IBGE divulgou os dados da pesquisa mensal de emprego referente a mar\u00e7o de 1998. Nesta, a taxa de desemprego aberto chegou a 8,93%, considerando o per\u00edodo de refer\u00eancia de 30 dias. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, a constru\u00e7\u00e3o civil e o com\u00e9rcio apresentam taxas acima de 9%; os servi\u00e7os, 6% e outras atividades 3%. As mulheres, com 9%, est\u00e3o sofrendo mais com o desemprego do que os homens, 7%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-1a75c683\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>O desemprego no Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O desemprego tamb\u00e9m tem-se constitu\u00eddo em uma preocupa\u00e7\u00e3o para o Esp\u00edrito Santo. Segundo nota em jornal, o governador do Estado Vitor Buaiz afirmou que o desemprego \u00e9 o maior desafio a ser enfrentado pela sociedade contempor\u00e2nea. Ele cita como causa do desemprego a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a globaliza\u00e7\u00e3o de mercados; refere-se, ent\u00e3o, ao desemprego estrutural. A sua proposta \u00e9 que o Governo Federal promova, juntamente com os governos estaduais e municipais, das capitais um f\u00f3rum nacional, objetivando um movimento, com diversos segmentos da sociedade, para viabilizar um caminho que possa amenizar o desemprego no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1997 a taxa acumulada de desemprego durante o ano, no Esp\u00edrito Santo, foi de 9,09%, sinalizando para a manuten\u00e7\u00e3o desse patamar em 1998. As empresas que mais demitiram foram as de grande porte e elas continuam demitindo no in\u00edcio de 1998. O IDEIES atribui o alto \u00edndice de desemprego acumulado em 1997, \u00e0s demiss\u00f5es da Companhia Vale do Rio Doce (mais de 3 mil funcion\u00e1rios, devido \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o) e da Aracruz Celulose. O ano de 1998 j\u00e1 acumula uma taxa de 0,95% de redu\u00e7\u00e3o no emprego. Depois de um trimestre com taxas negativas na varia\u00e7\u00e3o mensal de pessoal ocupado, as grandes empresas apresentam uma ligeira recupera\u00e7\u00e3o em fevereiro (0,23%), mas ainda insuficiente para recuperar o mesmo n\u00edvel anterior de emprego. As pequenas e m\u00e9dias empresas registraram uma queda no emprego de 1,03% e 0,41% e taxa acumulada nos \u00faltimos 12 meses de 3,73% e 7,07%, em fevereiro (ver tabela 4.4). Com uma avalia\u00e7\u00e3o otimista, o SINE-ES, espera que as pequenas e m\u00e9dias empresas passem a oferecer maior n\u00famero de empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>O SINE-ES considera a falta de qualifica\u00e7\u00e3o profissional como um dos agravantes para o n\u00e3o preenchimento de vagas. Isso \u00e9 um forte problema tendo em vista a ado\u00e7\u00e3o crescente de tecnologia requerente de m\u00e3o-de-obra qualificada, como \u00e9 o caso da Vale do Rio Doce. Para o IDEIES, o problema do desemprego \u00e9 estrutural e o desaquecimento da economia \u00e9 apontado como principal agravante. Considera o crescimento econ\u00f4mico como a \u00fanica sa\u00edda.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-00e5a9d8\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Os fatores condicionantes da Base Monet\u00e1ria<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria constitui-se no total de papel moeda emitido pelo Banco Central e em circula\u00e7\u00e3o. Ela \u00e9 a base sobre a qual o sistema banc\u00e1rio multiplica os meios de pagamentos da economia. Estes se constituem pelo papel moeda em poder do p\u00fablico mais os saldos dos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios \u00e0 vista. A teoria econ\u00f4mica ortodoxa considera fundamental o controle da base monet\u00e1ria pois ela \u00e9 a causa da infla\u00e7\u00e3o. No per\u00edodo entre setembro de 1997 e fevereiro de 1998 esta vari\u00e1vel cresceu de R$ 24,7 bilh\u00f5es para R$ 29,0 bilh\u00f5es, ou 18%, tendo atingido, em dezembro, a magnitude de R$ 31,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil foi criado um outro conceito: o de base monet\u00e1ria ampliada. Esta \u00e9 a soma da base monet\u00e1ria com o total de t\u00edtulos p\u00fablicos federais mais os dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios em esp\u00e9cie. Esta distin\u00e7\u00e3o foi criada no momento em que a equipe econ\u00f4mica n\u00e3o conseguia cumprir as metas de emiss\u00e3o durante os primeiros meses de implanta\u00e7\u00e3o da nova moeda. A id\u00e9ia era que se a base monet\u00e1ria n\u00e3o podia ser controlada, a base monet\u00e1ria ampliada podia ser atrav\u00e9s do controle dos t\u00edtulos p\u00fablicos federais. Os dados (ver tabela 5.1) mostram que a base monet\u00e1ria ampliada cresce continuamente em todo o per\u00edodo, atingindo 31% entre setembro de 1997 e fevereiro de 1998. O maior salto ocorre no final do ano com um aumento de 27% apenas entre novembro e dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento da base monet\u00e1ria depende de um conjunto de fatores condicionantes que n\u00e3o s\u00e3o pass\u00edveis de controle direto pelo Banco Central. Os fatores mais importantes, pela sua magnitude, s\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional, com T\u00edtulos P\u00fablicos Federais e com o Setor Externo.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior impacto da crise asi\u00e1tica pode ser observado na tabela 5.1 quando, apenas em outubro de 1997, a redu\u00e7\u00e3o na base monet\u00e1ria decorrente das Opera\u00e7\u00f5es com o Setor Externo, foi de R$ 7,9 bilh\u00f5es. A maior parte devido \u00e0 da compra de d\u00f3lares para remessa ao exterior. Entretanto, os especuladores internacionais j\u00e1 estavam retirando suas aplica\u00e7\u00f5es desde setembro. Em agosto de 1997 estas opera\u00e7\u00f5es apresentaram resultado positivo de R$ 2,8 bilh\u00f5es (ver boletim n\u00ba 1). Para compensar esta dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o nos meios de pagamento, o Banco Central compra t\u00edtulos e injeta recursos nos bancos na ordem de R$ 6,5 bilh\u00f5es, a t\u00edtulo de assist\u00eancia financeira de liquidez, em outubro de 1997. Os bancos devolvem rapidamente este empr\u00e9stimo no m\u00eas seguinte (R$ 7,6 bilh\u00f5es), recebendo os recursos atrav\u00e9s da venda de t\u00edtulos p\u00fablicos federais ao Banco Central.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compensar o violento impacto do aumento da taxa de juros sobre a economia, o Banco Central coloca, em dezembro de 1997, mais R$ 9,7 bilh\u00f5es atrav\u00e9s da compra de t\u00edtulos p\u00fablicos. O resultado \u00e9 o aumento do meios de pagamentos, que crescem de R$ 40,0 para R$ 47,7 bilh\u00f5es entre novembro e dezembro de 1997. Este aumento, que deveria estimular a demanda reduzindo os efeitos da crise, transforma-se rapidamente em capital a juros, reduzindo os meios de pagamentos para R$ 42,9 bilh\u00f5es em janeiro e fevereiro de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre dezembro e janeiro de 1998 o Banco Central coloca, ainda, mais de R$ 5,0 bilh\u00f5es para os bancos a t\u00edtulo de Assist\u00eancia Financeira de Liquidez, recebendo de volta em fevereiro (R$ 6,3 bilh\u00f5es) ap\u00f3s o ingresso maci\u00e7o dos capitais especulativos parasit\u00e1rios internacionais (R$ 5,7 bilh\u00f5es de saldo em fevereiro).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ano de 1997 a base monet\u00e1ria cresceu 33,0%; a base monet\u00e1ria ampliada, 50%; os meios de pagamentos, 42%; o papel moeda em poder do p\u00fablico, 29,5%; e os dep\u00f3sitos \u00e0 vista, 50%. Neste mesmo per\u00edodo a infla\u00e7\u00e3o em qualquer dos Institutos que fazem o acompanhamento de pre\u00e7os n\u00e3o passou dos 8%. Fica a pergunta: qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre a moeda e os pre\u00e7os?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-63b7fda6\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Taxas de Juros<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>As taxas de juros no Brasil, antes da crise asi\u00e1tica, j\u00e1 eram das maiores do mundo. Entre agosto e outubro de 1997 elas est\u00e3o pouco acima de 20% ao ano, mas as taxas internacionais est\u00e3o abaixo dos 8%. Para fazer frente a um poss\u00edvel ataque especulativo o Banco Central duplicou as taxas de juros da economia brasileira entre outubro e novembro de 1997. A TBC &#8211; taxa b\u00e1sica do Banco Central &#8211; foi elevada de 21,6% ao ano em outubro para 43,4% em novembro; e a TBAN &#8211; taxa de assist\u00eancia do Banco Central &#8211; passou de 24,5% para 45,0% (ver tabela 5.2). A diferen\u00e7a entre as duas taxas que se mantinha constante em 2,88% passa a ser aumentada gradativamente a partir de novembro (3,03%) e chega a 12% em abril de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas modifica\u00e7\u00f5es t\u00eam como efeito reduzir relativamente a remunera\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos p\u00fablicos federais, pois a taxa do OVER acompanha a TBC. Por outro lado, mant\u00e9m taxas mais punitivas aos bancos que necessitam de assist\u00eancia financeira do Banco Central, obrigando-os a um controle mais estrito de seus fluxos de caixa. Isto significa que os bancos que necessitarem do socorro do Banco Central pagar\u00e3o taxas muito mais elevadas. A taxa CDI\/OVER do mercado interbanc\u00e1rio ao qual os bancos recorrem antes de procurarem o &#8220;emprestador de \u00faltima inst\u00e2ncia&#8221; tem flutuado em n\u00edveis pr\u00f3ximos aos da TBC. O CDI pr\u00e9-fixado de trinta dias caiu de 33,1% em fevereiro para 21,2% em abril.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-f7c70334\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Volume de Empr\u00e9stimos\/Cr\u00e9ditos concedidos<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O total de empr\u00e9stimos concedido pelo sistema financeiro, medido pelos saldos de final de per\u00edodo, diminuem de R$ 263 bilh\u00f5es em maio de 1997 para R$ 256 bilh\u00f5es em janeiro de 1998. Entretanto, passa por um per\u00edodo de crescimento entre maio e novembro no qual atinge R$ 288 bilh\u00f5es. A maior parte desse crescimento \u00e9 devido aos empr\u00e9stimos aos governos estaduais, \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0s pessoas f\u00edsicas (ver tabela 5.3). O governo federal, o setor habitacional, o com\u00e9rcio e outros servi\u00e7os mant\u00e9m relativamente est\u00e1vel seu endividamento com o sistema financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se nesse per\u00edodo o comportamento dos empr\u00e9stimos aos governos estaduais que reduzem-se violentamente entre novembro e dezembro de 1997. Esta redu\u00e7\u00e3o explica-se, na sua maior parte, pela renegocia\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas dos governos estaduais. O Estado de S\u00e3o Paulo, devedor de R$ 20 bilh\u00f5es, aproximadamente, junto ao BANESPA, renegocia essa d\u00edvida com a Uni\u00e3o de maneira a &#8220;sanear&#8221; o banco com vistas a sua privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cr\u00e9ditos concedidos ao setor privado deveriam representar o volume de capital dinheiro necess\u00e1rio \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital. Os empr\u00e9stimos \u00e0 ind\u00fastria, agricultura, com\u00e9rcio e outros servi\u00e7os, na medida em que crescem, indicam um crescimento da atividade produtiva e atendem \u00e0s necessidades da rota\u00e7\u00e3o do capital total. Quanto \u00e0s pessoas f\u00edsicas, demandantes de bens finais, corresponde \u00e0 necessidade de realiza\u00e7\u00e3o do valor da mercadoria atrav\u00e9s do dinheiro. Enfim, o financiamento \u00e0 habita\u00e7\u00e3o corresponde a uma demanda da popula\u00e7\u00e3o que apresenta-se estagnada nos \u00faltimos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades de com\u00e9rcio e agropecu\u00e1ria, com excess\u00e3o dos \u00faltimos tr\u00eas meses, n\u00e3o receberam novos cr\u00e9ditos para expans\u00e3o de suas atividades. Por outro lado, os cr\u00e9ditos para a ind\u00fastria crescem continuamente em todo o per\u00edodo. Isto n\u00e3o significa necessariamente uma expans\u00e3o das atividades industriais. A maior probabilidade \u00e9 que o crescimento &#8220;normal&#8221; observado entre maio e setembro tenha sido atingido pela eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros produzindo um elevado crescimento entre setembro e outubro e o ajuste gradual com redu\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos e do volume de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b58c54d0\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os resultados do ajuste do setor p\u00fablico em 1997 ficaram abaixo das expectativas, que era a obten\u00e7\u00e3o de um super\u00e1vit prim\u00e1rio do governo federal de 1,5% do PIB. Este super\u00e1vit foi de R$ 3,2 bilh\u00f5es, representando somente 0,36%, segundo o conceito de Necessidade de Financiamento do Governo Central. O grande respons\u00e1vel por esse super\u00e1vit foi o Tesouro Nacional, com um super\u00e1vit prim\u00e1rio da ordem de R$ 6,7 bilh\u00f5es (0,78% PIB), com um crescimento de 10,1% da receita (R$ 101,7 bilh\u00f5es em 96 e R$ 111,9 bilh\u00f5es em 97). Os principais respons\u00e1veis pela expans\u00e3o da Receita em 97 foram: CPMF (arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 7,1 bilh\u00f5es), IOF, Imposto de Importa\u00e7\u00e3o e IRRF.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado das despesas, houve uma diminui\u00e7\u00e3o do gasto com pessoal, devido \u00e0 pol\u00edtica de arrocho salarial dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, descendo de um patamar de R$ 45,3 bilh\u00f5es (5,25% PIB) para R$ 44 bilh\u00f5es (4,93% PIB). Os gastos com sa\u00fade ficaram bem abaixo do esperado, com um acr\u00e9scimo de R$ 1,7 bilh\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a 96, quando a CPMF arrecadou mais de R$ 7 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de dezembro de 1997 mostra um crescimento acelerado da receita total, tanto do Tesouro quanto do INSS, como resultado do pacote fiscal baixado em novembro de 1997. Entretanto, todas a despesas cresceram proporcionalmente ao aumento da arrecada\u00e7\u00e3o. Como os sal\u00e1rios n\u00e3o cresceram em rela\u00e7\u00e3o a 1996, o aumento de gastos do governo federal deve-se \u00e0 previd\u00eancia social e aos outros custeios e gastos de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis n\u00e3o permitem calcular, com a mesma metodologia, as despesas com os juros da d\u00edvida p\u00fablica federal a partir de outubro de 1997. Dessa forma os valores para o c\u00e1lculo &#8220;abaixo da linha&#8221; &#8211; c\u00e1lculo do d\u00e9ficit p\u00fablico federal ajustando o pagamento de juros reais l\u00edquidos &#8211; de acordo com a metodologia do Banco Central n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis. Entretanto, para se ter uma id\u00e9ia sobre a magnitude do d\u00e9ficit, a Nota para a Imprensa do Banco Central permite calcular em R$ 20,5 bilh\u00f5es o total de juros nominais pagos em 1997. Por outro lado, somente o Tesouro Nacional apresentou como pagamentos de juros reais um total de R$ 15,8 bilh\u00f5es o que transformou um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 6,7 bilh\u00f5es em d\u00e9ficit operacional de R$ 9,1 bilh\u00f5es no ano de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Separando-se as opera\u00e7\u00f5es do Tesouro Nacional, as do INSS e as n\u00e3o transitadas pela STN, obtemos um super\u00e1vit para o Tesouro Nacional de R$ 12,3 bilh\u00f5es, um d\u00e9ficit de R$ 9,9 bilh\u00f5es para o INSS, com um resultado positivo para o Governo Federal de R$ 2,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 98, o resultado fiscal do governo central apresentou um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 125 milh\u00f5es, melhor resultado que o de janeiro de 97, quando houve um d\u00e9ficit de R$ 874 milh\u00f5es. Esse resultado deve-se \u00e0 conta do Tesouro, que teve um significativo aumento de arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, mantendo a tend\u00eancia observada em dezembro e levando ao super\u00e1vit de R$ 627 milh\u00f5es em janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as informa\u00e7\u00f5es da Secretaria da Receita Federal, a receita atingiu um volume recorde em mar\u00e7o de 1998 chegando a R$ 13,9 bilh\u00f5es. A receita total acumulada no primeiro trimestre de 1998 foi de R$ 35,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As receitas de impostos chegaram a R$ 11,2 bilh\u00f5es em janeiro, 39,07% a mais que no mesmo m\u00eas de 1997. Como no ano passado n\u00e3o havia a arrecada\u00e7\u00e3o da CPMF, s\u00f3 esta produziu R$ 740 milh\u00f5es neste ano; a mudan\u00e7a na tributa\u00e7\u00e3o dos fundos de investimento de renda fixa, gerou mais R$ 1,0 bilh\u00e3o de arrecada\u00e7\u00e3o e as mudan\u00e7as no Imposto de Renda de Pessoa F\u00edsica e de Pessoa Jur\u00eddica levaram a uma antecipa\u00e7\u00e3o do pagamento da primeira cota arrecadando mais R$ 400 milh\u00f5es. Al\u00e9m destas, a mudan\u00e7a ocorrida em outros impostos pelo pacote fiscal de novembro contribu\u00edram para o aumento das receitas de impostos neste in\u00edcio de ano.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas, durante o m\u00eas de janeiro de 1998, tamb\u00e9m aumentaram. Em parte com gastos de pessoal, que teve um acr\u00e9scimo de R$ 538 milh\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias do funcionalismo e, em parte, com outras despesas correntes. O aumento do resultado prim\u00e1rio negativo da Previd\u00eancia Social (d\u00e9ficit de R$ 530 milh\u00f5es contra um super\u00e1vit de 157 milh\u00f5es em janeiro de 1997) prejudicou o desempenho das contas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estoque da d\u00edvida l\u00edquida p\u00fablica continua crescendo, impulsionada pelo endividamento interno. Em janeiro de 98 o saldo da d\u00edvida l\u00edquida total foi de R$ 316,7 bilh\u00f5es, representando 35,3% do PIB. O Governo Federal e o Banco Central registravam um saldo de R$ 173,3 bilh\u00f5es (19,3% PIB), os governos estaduais R$ 117,9 bilh\u00f5es (13,1% PIB) e as empresas estatais R$ 25,5 bilh\u00f5es (2,8% PIB). Isso levou o governo federal a gastar com juros R$ 22,8 bilh\u00f5es, os governos estaduais R$ 21,0 bilh\u00f5es e as empresas estatais, R$ 4,1 bilh\u00f5es, totalizando um gasto com juros de R$ 47,996 bilh\u00f5es entre fevereiro de 97 e janeiro de 98. O saldo da d\u00edvida externa l\u00edquida do setor p\u00fablico permaneceu no mesmo n\u00edvel de dezembro de 97, cerca de R$ 38 bilh\u00f5es (4,3% PIB), devido ao grande volume das reservas internacionais (cerca de U$ 52,5 bilh\u00f5es em janeiro de 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>A parcela da d\u00edvida p\u00fablica federal constitu\u00edda pelos t\u00edtulos p\u00fablicos em poder do mercado atinge o montante de R$ 271,45 bilh\u00f5es. Em julho de 1994, no final do primeiro m\u00eas do plano real, essa d\u00edvida era de R$ 59,5 bilh\u00f5es. Isso representa um aumento de mais de 3 vezes e meia em pouco mais de tr\u00eas anos e meio. O maior respons\u00e1vel por este crescimento foi a emiss\u00e3o dos t\u00edtulos de responsabilidade do Tesouro Nacional. Estes aumentaram 60% em dezembro de 1997, comparando-se com o m\u00eas de novembro, tendo sido colocado no mercado 58% desse total. Neste mesmo m\u00eas o Banco Central retirou do mercado cerca de 26% de seus t\u00edtulos recolocando em janeiro mais 63% sobre o saldo de dezembro. Em fevereiro de 1998 os aumentos foram muito reduzidos (tabela 6.4).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do elevado volume de d\u00f3lares vendidos pelo Banco Central no m\u00eas de outubro de 1997, decorrente da crise financeira, o volume de t\u00edtulos colocados no mercado praticamente n\u00e3o se alterou, sofrendo uma diminui\u00e7\u00e3o apenas em novembro. Mesmo assim, essa redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria compat\u00edvel com a redu\u00e7\u00e3o na base monet\u00e1ria decorrente da compra de d\u00f3lares. Por outro lado, o anunciado aumento nas reservas internacionais decorrente da entrada maci\u00e7a de capital estrangeiro nos meses de mar\u00e7o e abril indicam novo crescimento na d\u00edvida mobili\u00e1ria em poder do mercado. Essa d\u00edvida, remunerada a uma taxa de juros de 25% ao ano, representa mais encargos que, provavelmente, consumir\u00e1 o aumento da receita tribut\u00e1ria observado neste in\u00edcio de ano.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-762dd836\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p style=\"padding-right:var(--wp--preset--spacing--30);padding-left:var(--wp--preset--spacing--30)\">As medidas de pol\u00edtica econ\u00f4mica tomadas nos \u00faltimos meses de 1997 est\u00e3o se refletindo nos primeiros meses deste ano. As reservas internacionais, que tinham ca\u00eddo para US$ 51 bilh\u00f5es em novembro e dezembro de 1997, voltaram a crescer a partir de janeiro de 1998. Elas atingiram um total de US$ 57 bilh\u00f5es em fevereiro e chegaram a US$ 67,7 bilh\u00f5es em mar\u00e7o, no conceito de caixa. Incluindo outros haveres de m\u00e9dio e longo prazo, segundo o conceito de liquidez internacional, as reservas chegaram a US$ 68,5 bilh\u00f5es (ver tabela 7.1).<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia de d\u00e9ficit na Balan\u00e7a Comercial manteve-se neste primeiro trimestre do ano. Apesar do governo esperar um super\u00e1vit no m\u00eas de mar\u00e7o, o d\u00e9ficit da Balan\u00e7a Comercial foi de US$ 818 milh\u00f5es, mas ainda foi menor do que o registrado em mar\u00e7o de 1997, de US$ 877 milh\u00f5es. A Balan\u00e7a Comercial acumula um d\u00e9ficit de US$ 1,5 bilh\u00e3o no primeiro trimestre do ano, com uma queda de 36% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o dessa tend\u00eancia deficit\u00e1ria \u00e9 verificada pelas varia\u00e7\u00f5es proporcionais tanto nas exporta\u00e7\u00f5es quanto nas importa\u00e7\u00f5es. (Ver tabela 7.2). A redu\u00e7\u00e3o no d\u00e9ficit foi obtida pelo aumento das exporta\u00e7\u00f5es e n\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es que foram maiores no primeiro trimestre de 1998 em rela\u00e7\u00e3o a 1997. Al\u00e9m disso, o peso deste item no conjunto das transa\u00e7\u00f5es correntes aumentou em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia do ano passado, mas reduziu-se em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os apresentou sa\u00edda l\u00edquida de recursos na ordem de US$ 1,8 bilh\u00e3o, em mar\u00e7o, sendo, portanto, maior do que no ano anterior (US$ 1,6 bilh\u00e3o). Destaca-se a grande eleva\u00e7\u00e3o na conta de remessa l\u00edquida de juros que sofreu um aumento de mais de 50% apenas no primeiro trimestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes acumulado no primeiro trimestre do ano atingiu US$ 6,0 bilh\u00f5es, correspondendo a 3,24% do PIB, por\u00e9m inferior aos 3,56% registrados em igual per\u00edodo de 1997 (Ver tabela 7.2). Nestes primeiros meses, o d\u00e9ficit foi financiado, em grande parte, pelo ingresso l\u00edquido de divisas das opera\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a elevada taxa de juros interna como medida contracionista e chamariz de investimentos internacionais, o mercado de c\u00e2mbio contratado acumulou no trimestre um saldo de US$ 19,7 bilh\u00f5es. O saldo total das opera\u00e7\u00f5es cambiais ampliou-se entre janeiro e fevereiro de US$ 2,2 bilh\u00f5es para US$ 6,2 bilh\u00f5es. No segmento livre, o setor financeiro foi o que registrou maior varia\u00e7\u00e3o: de US$ 2,6 bilh\u00f5es em janeiro de 1998, passou para US$ 6,3 bilh\u00f5es em fevereiro de 1998. O m\u00eas de mar\u00e7o fechou com US$ 10,8 bilh\u00f5es. Dessa forma, o acumulado de 1998 foi superior ao acumulado de todo o ano de 1997. A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos acumulada no in\u00edcio do ano alcan\u00e7ou US$ 40,2 bilh\u00f5es em mar\u00e7o de 1998, sendo mais do que o dobro do mesmo per\u00edodo de 1997, de US$ 19,0 bilh\u00f5es (Ver tabela 7.3). As modalidades que mais cresceram neste in\u00edcio de ano foram os empr\u00e9stimos em moeda e os financiamentos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Esta publica\u00e7\u00e3o procura dar sequ\u00eancia ao primeiro n\u00famero do boletim de conjuntura publicado pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia 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