{"id":3887,"date":"1998-06-21T17:45:00","date_gmt":"1998-06-21T20:45:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3887"},"modified":"2025-11-24T12:12:08","modified_gmt":"2025-11-24T15:12:08","slug":"boletim-no-03-junho-1998","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-03-junho-1998\/","title":{"rendered":"Boletim n\u00ba 03 &#8211; Junho 1998"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-ef025a53\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-e5e5f455 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<p>Para comemora\u00e7\u00e3o de mais um anivers\u00e1rio do Plano Real, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica divulgou um documento intitulado: &#8220;Real: quatro anos que mudaram o Brasil&#8221;. Este trabalho apresenta uma s\u00e9rie de dados e informa\u00e7\u00f5es que procuram mostrar os avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais obtidos a partir do programa de estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria iniciado em julho de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia, &#8220;Os n\u00fameros falam por si mesmos. O que se depreende das p\u00e1ginas a seguir, em primeiro lugar, \u00e9 a profunda transforma\u00e7\u00e3o da economia brasileira, marcada por maior efici\u00eancia do setor produtivo, maior competitividade externa, substancial eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de investimentos e expressivo ingresso de capitais do exterior&#8221;. Entretanto, reconhece que o &#8220;aumento das taxas de desemprego e a eleva\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit fiscal s\u00e3o a sequela mais vis\u00edvel e preocupante da crise de novembro, e constituem indicadores dos ajustamentos que restam realizar na economia e que j\u00e1 come\u00e7am a ser feitos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo que o governo comemora seus feitos nestes \u00faltimos anos, o desemprego aberto, que havia ca\u00eddo no m\u00eas de abril, volta a crescer para 8,2% em maio, apesar das medidas tomadas visando sua redu\u00e7\u00e3o. Anuncia uma desconcentra\u00e7\u00e3o da renda, mas evita a compara\u00e7\u00e3o com a d\u00e9cada anterior que mostra um aumento na concentra\u00e7\u00e3o da renda. As reservas internacionais continuam a cair devendo fechar o m\u00eas de junho com US$ 70,5 bilh\u00f5es e o desempenho no com\u00e9rcio exterior continua ainda abaixo do esperado. O d\u00e9ficit fiscal \u00e9 resultado do pagamento de juros sobre a d\u00edvida mobili\u00e1ria federal que duplicou na compara\u00e7\u00e3o entre o primeiro trimestre de 1997 e o de 1998, mas o Ministro da Fazenda continua anunciando um super\u00e1vit prim\u00e1rio, que j\u00e1 existe e continua crescendo, para cobrir as despesas com os juros da d\u00edvida. <\/p>\n\n\n\n<p>O que o governo n\u00e3o discute \u00e9 que os fundamentos do Plano Real nunca foram implementados e que a estabiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria decorre de outros fatores e n\u00e3o do Plano. &#8220;O fator crucial para o sucesso da estabiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi o desenho do plano Real ou o ataque ao d\u00e9ficit p\u00fablico, e sim a volta do financiamento externo e a submiss\u00e3o do pa\u00eds \u00e0 globaliza\u00e7\u00e3o financeira. (&#8230;) a estabilidade cada vez mais firme de pre\u00e7os parece tornar-se um dado do sistema, sem depender de um ajuste fiscal ou da reforma do Estado. Mas a estabiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m permanece fr\u00e1gil, porque foi e continua apoiada na rea\u00e7\u00e3o das empresas e da pol\u00edtica econ\u00f4mica a uma conjuntura externa espec\u00edfica.&#8221; Esta \u00e9 a id\u00e9ia que Cristian Andrei, t\u00e9cnico da FUNDAP\/IESP, defende no texto &#8220;O Plano Real e a queda da Infla\u00e7\u00e3o&#8221;, apresentado no III Encontro da Sociedade Brasileira de Economia Pol\u00edtica, realizado em Niter\u00f3i no per\u00edodo de 9 a 12 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Este Boletim, como o anterior, apresenta um conjunto de indicadores sobre pre\u00e7os, produ\u00e7\u00e3o, emprego, setor externo e pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal. Estas informa\u00e7\u00f5es foram obtidas no Banco Central do Brasil, Minist\u00e9rio da Fazenda, Funda\u00e7\u00e3o IBGE e outras fontes, principalmente atrav\u00e9s da INTERNET. As informa\u00e7\u00f5es sobre o Esp\u00edrito Santo foram gentilmente cedidas pelas seguintes institui\u00e7\u00f5es: FINDES, IDEIES, SINE e CDL. Destacamos, neste n\u00famero, a colabora\u00e7\u00e3o do BANDES que forneceu os dados sobre o Com\u00e9rcio Exterior do Esp\u00edrito Santo, obtidos atrav\u00e9s do sistema ALICE; e da Secretaria de Estado da Fazenda que disponibilizou as informa\u00e7\u00f5es sobre as finan\u00e7as do Estado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Departamento de Economia e Mestrado em Economia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">N\u00facleo de Estudos e Pesquisas e COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Jalisson Lage Maciel<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Ang\u00e9lica Soares Gusm\u00e3o, Cl\u00e1udio Alves Monjardim, Edmara Ferreguetti Braga, Jalisson Lage Maciel, Larissa Soares Bressan, Lauri\u00e9te Caneva, Lucinedes Tesch, Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Marlon Gomes Ney, N\u00fabia Oliveira Bretas, Otniel Barcelos de Aquino, Rog\u00e9rio Alves Ferreira, Romilda Alves Bernardino, Rosiane de Souza, Te\u00f3filo Henrique Pereira de Paula, Vanuza da Silva Ferreira, Verana B Regattieri<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo<\/p><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons uagb-buttons__outer-wrap uagb-btn__default-btn uagb-btn-tablet__default-btn uagb-btn-mobile__default-btn uagb-block-482b8dcb\"><div class=\"uagb-buttons__wrap uagb-buttons-layout-wrap \">\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons-child uagb-buttons__outer-wrap uagb-block-8576dfb8 wp-block-button\"><div class=\"uagb-button__wrapper\"><a class=\"uagb-buttons-repeater wp-block-button__link\" aria-label=\"\" href=\"#\" rel=\"follow noopener\" target=\"_self\" role=\"button\"><div class=\"uagb-button__link\">Leia aqui o conte\u00fado original<\/div><\/a><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-23fe05f0 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rio<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-847c451b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica econ\u00f4mica deve ser conduzida sob forte tens\u00e3o at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es do final do ano. A necessidade de FHC de reverter seu decl\u00ednio nas pesquisas e de manter a dianteira na corrida eleitoral tem levado o governo a trocar o seu &#8220;saco de maldades&#8221; por &#8220;carinhos&#8221; com a popula\u00e7\u00e3o e a amaciar os membros da equipe econ\u00f4mica que acham que a estabiliza\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada compensa o abandono das pol\u00edticas sociais, a estagna\u00e7\u00e3o da economia brasileira e os crescentes n\u00edveis de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Como os eleitores discordaram dessa posi\u00e7\u00e3o, conduzindo o jogo eleitoral para um empate o governo, que at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo vinha barrando iniciativas que implicassem aumentar o d\u00e9ficit p\u00fablico, passou a destinar recursos para a seca do Nordeste, reduziu as taxas de financiamento da habita\u00e7\u00e3o popular, concordou em conceder aumento salarial para o funcionalismo p\u00fablico e, entre outras medidas de igual natureza, melhorou a sua proposta negociada com os professores universit\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora muitas dessas medidas j\u00e1 devessem ter sido adotadas h\u00e1 tempos, dada a sua import\u00e2ncia para a sociedade, o maior risco, daqui para a frente, \u00e9 de que outras iniciativas, influenciadas pelo calend\u00e1rio eleitoral, sejam irresponsavelmente aprovadas, agravando a situa\u00e7\u00e3o fiscal do pa\u00eds e aumentando a sua vulnerabilidade, j\u00e1 que os juros continuar\u00e3o comendo parte consider\u00e1vel do or\u00e7amento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se houvesse espa\u00e7o para novas redu\u00e7\u00f5es das taxas b\u00e1sicas de juros, que ca\u00edram para 21% na \u00faltima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM), aproximando-se dos n\u00edveis pr\u00e9-crise asi\u00e1tica, este avan\u00e7o for\u00e7ado do governo no atendimento das necessidades das \u00e1reas sociais poderia ser compensado com a redu\u00e7\u00e3o dos encargos da d\u00edvida. Todavia, como os juros aproximaram-se do piso, onde \u00e9 grande o risco da fuga de capitais externos, e o governo tem se manifestado favor\u00e1vel \u00e0 continuidade de sua redu\u00e7\u00e3o, com o claro prop\u00f3sito de aumentar seu apoio eleitoral, tem ganhado for\u00e7a a hip\u00f3tese de desacelerar as desvaloriza\u00e7\u00f5es do Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Se essa medida for efetivada &#8211; e \u00e9 grande essa possibilidade &#8211; ser\u00e1 abandonada\/refreada a pol\u00edtica que vem sendo implementada de corre\u00e7\u00e3o gradual da defasagem cambial. O que, numa situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade da balan\u00e7a de pagamentos, cujos d\u00e9ficits em conta-corrente ainda andam em torno dos 4% do PIB, deve contribuir para aumentar ainda mais a vulnerabilidade externa da economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de um cen\u00e1rio externo altamente inst\u00e1vel, cujo desfecho continua imprevis\u00edvel &#8211; com a incapacidade da economia japonesa de reverter as dificuldades do seu sistema financeiro e da recess\u00e3o em que mergulhou desde a crise asi\u00e1tica; da R\u00fassia de recuperar o rublo; e da permanente amea\u00e7a da China de desvalorizar sua moeda o yuan; o aumento da vulnerabilidade da economia brasileira, nos fronts fiscal e externo, deve manter sob permanente tens\u00e3o a pol\u00edtica econ\u00f4mica neste segundo semestre e tornar o Real um s\u00e9rio candidato a eventuais ataques dos especuladores globais, especialmente se a crise externa se agravar.<\/p>\n\n\n\n<p>Se essa travessia ainda assim se tornar poss\u00edvel, os custos do ajuste que dever\u00e1 ser realizado pelo pr\u00f3ximo governo dever\u00e3o ser dramaticamente amplificados. \u00c9 o pre\u00e7o a ser pago por n\u00e3o se ter, desde o in\u00edcio, constru\u00eddo os fundamentos macroecon\u00f4micos do programa de estabiliza\u00e7\u00e3o; e, no momento, pela subordina\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica aos objetivos da reelei\u00e7\u00e3o de FHC.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-346d4de0\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os diversos institutos de pesquisa que calculam \u00edndices de pre\u00e7os no pa\u00eds continuam apurando taxas de infla\u00e7\u00e3o baixas, por\u00e9m num movimento altista, ao contr\u00e1rio do primeiro trimestre do ano, quando se verificou defla\u00e7\u00e3o em v\u00e1rios indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor &#8211; INPC, apurado pelo IBGE, com base no consumo m\u00e9dio das fam\u00edlias com rendimento m\u00e9dio de 1 a 8 sal\u00e1rios m\u00ednimos nas regi\u00f5es metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m, Fortaleza, Salvador e Curitiba, al\u00e9m do Distrito Federal &#8211; registrou uma varia\u00e7\u00e3o anualizada de 4,7%, devido ao aumento dos pre\u00e7os no m\u00eas de maio de 0,72%, contra os 0,45% em abril. No per\u00edodo de janeiro a maio a infla\u00e7\u00e3o acumulada \u00e9 de 3,09%, maior que a verificada pelo IPCA (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Ampliado) que mede a varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os das fam\u00edlias com renda mensal de 1 a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, que acumula no ano uma infla\u00e7\u00e3o de 2,27%, tamb\u00e9m pela alta de 0,50% em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os produtos respons\u00e1veis pelo aumento da infla\u00e7\u00e3o no per\u00edodo foram o arroz e feij\u00e3o, levando o item Cereais, Leguminosas e Oleaginosas \u00e0 alta de 29,58% no INPC e 28,57% no IPCA. Em sequ\u00eancia, sobressa\u00edram-se os itens Leite e Derivados (1,86% e 2,27%), Carne e Peixes Industrializados (1,49% e 1,71%), Fumo (-7,30% e -7,49%), Pescado (-6,0% e -7,82%), Frutas (-2,77% e -3,75%). Hortali\u00e7as e Verduras (-2,18% e -4,90%) e Tub\u00e9rculos, Ra\u00edzes e Legumes (-2,14% e -2,31%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores gerais da economia apresentaram infla\u00e7\u00e3o anualizadas de 4,95% (IGP-M), e 4,41% (IGP-DI) como resultado das oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os captadas pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA &#8211; 0,13% em maio contra -0,28% em abril); do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC &#8211; 0,14% em maio e 0,23% em abril) e do \u00cdndice Nacional de Custos da Constru\u00e7\u00e3o (INCC &#8211; que saiu de uma queda de pre\u00e7o -0,50% no m\u00eas de abril para um aumento de 0,98% em maio).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme o previsto, o IPC-Fipe apresentou varia\u00e7\u00f5es positivas no per\u00edodo, 0,62% em abril e 0,52% em maio, registrando uma infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos doze meses de 3,12%. O mesmo incremento de pre\u00e7os foi verificado tamb\u00e9m pelo ICV-Dieese, registrando em abril 0,19%, em maio 0,41% e em doze meses 6,35%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Grande Vit\u00f3ria, podemos constatar aumentos de pre\u00e7os atrav\u00e9s da pesquisa da Cesta B\u00e1sica realizada pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos S\u00f3cio-Econ\u00f4micos, que apurou nos meses de abril e maio varia\u00e7\u00f5es no custo da cesta de 3,93% e -0,41% em abril e maio respectivamente, acumulando no ano de 1998 uma varia\u00e7\u00e3o de 5,95%.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de maio, os produtos que tiveram mais eleva\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os foram: arroz (19,78%), feij\u00e3o (16,33%), p\u00e3o (8,33%) e leite (1,57%). Essas altas foram atenuadas pelas quedas de alguns &#8220;produtos in natura&#8221;: banana (-32,15%), batata (-10,0%), tomate (-2,42%) e tamb\u00e9m dos produtos industrializados: manteiga (-4,60%), farinha de trigo (-1,92%), a\u00e7\u00facar (-1,64%) e caf\u00e9 (1,63%).<\/p>\n\n\n\n<p>O custo da cesta b\u00e1sica na Grande Vit\u00f3ria \u00e9 elevado, R$ 89,54 em maio, o que leva o trabalhador a gastar 74,87% do sal\u00e1rio m\u00ednimo oficial l\u00edquido de R$ 119,60, segundo c\u00e1lculos do DIEESE-ES.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-ec852642\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de Atividade<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo os dados do IBGE (tabela 3.1), o PIB brasileiro apresentou uma expans\u00e3o de 1,10% no primeiro trimestre de 1998 se comparado com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. O setor industrial apresentou uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 1,36% e o de servi\u00e7os 1,25%, compensando a queda nas atividades agropecu\u00e1rias (-1,04%). No que concerne aos sub-setores, os que apresentaram crescimento mais significativos foram: produ\u00e7\u00e3o animal (5,16%), extrativa mineral (8,58%), constru\u00e7\u00e3o (5,30%), servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica (5,72%), transporte (8,26%), e comunica\u00e7\u00f5es (4,35%). Os \u00fanicos que tiveram os seus n\u00edveis de atividade reduzidos foram as lavouras (-3,91%) e outros servi\u00e7os (-1,01%).<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto do primeiro trimestre de 1998 com o \u00faltimo trimestre de 1997, na s\u00e9rie dessazonalizada, indica que o Produto Interno Bruto apresentou uma varia\u00e7\u00e3o negativa de 1,10%. O setor que mais contribui para esse decr\u00e9scimo foi o industrial (-1,36%), com os seguintes resultados por sub-setores: extrativa mineral (4,31%), transforma\u00e7\u00e3o (-2,77%), constru\u00e7\u00e3o (-0,75%). O setor agropecu\u00e1rio e o de servi\u00e7os apresentaram uma eleva\u00e7\u00e3o de 1,14% e 0,08%, respectivamente, no qual se destacaram as lavouras (1,27%) e o com\u00e9rcio (3,76%). A produ\u00e7\u00e3o animal, comunica\u00e7\u00f5es e outros servi\u00e7os apresentaram elevadas quedas no primeiro trimestre do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores de produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial apresentam uma redu\u00e7\u00e3o de 1,0% no m\u00eas de abril na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior, com queda mais significativa na ind\u00fastria de bens de consumo dur\u00e1veis (-1,5%) e de bens intermedi\u00e1rios (-0,9) seguidas pela ind\u00fastria de bens de capital (-0,5%), semidur\u00e1vel e n\u00e3o dur\u00e1vel (-0,5%). Na compara\u00e7\u00e3o entre os meses de abril com o m\u00eas de mar\u00e7o de 1998, a queda na produ\u00e7\u00e3o foi ainda maior (-3,1%), com redu\u00e7\u00e3o de -21,0% na ind\u00fastria de bens de consumo dur\u00e1vel, 0,7% na de consumo semidur\u00e1vel e n\u00e3o dur\u00e1vel, e 0,4% nos bens intermedi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>No acumulado do ano, o desempenho da produ\u00e7\u00e3o de bens de capital foi o \u00fanico positivo, 5,3%. Os bens intermedi\u00e1rios diminu\u00edram sua produ\u00e7\u00e3o em 0,4%; e os bens de consumo, 6,0%, com uma queda de 21,5% na produ\u00e7\u00e3o dos bens dur\u00e1veis e 0,7% na de bens n\u00e3o dur\u00e1veis. No acumulado nos \u00faltimos doze meses a ind\u00fastria em geral aumentou sua atividade em 1,7%, impulsionado pelo desempenho positivo da ind\u00fastria de bens de capital (5,6%) e bens intermedi\u00e1rios (2,5%). Ao contr\u00e1rio, a de bens de consumo dur\u00e1vel, e a semidur\u00e1vel e n\u00e3o dur\u00e1vel, decresceram 8,4% e 0,1%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-e3493a14\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>N\u00edvel de Atividade no Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Com base nos indicadores de transa\u00e7\u00f5es comerciais fornecidos pela C\u00e2mara de Dirigentes Lojistas de Vit\u00f3ria, referentes ao m\u00eas de maio, observamos que as consultas ao SPC (Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito) foram 13,74% menores que o mesmo m\u00eas do ano anterior totalizando 85.777 consultas contra as 99.440 realizadas em maio de 1997. Essa queda demonstra a continuidade de um processo progressivo de desaquecimento das vendas no com\u00e9rcio capixaba iniciado em novembro do ano passado quando o total de consultas ao SPC fechou em 118.987. Nem mesmo o Dia das M\u00e3es conseguiu frear essa tend\u00eancia, registrando uma queda de 23,41% nas compras no credi\u00e1rio e \u00e0 vista, nos 10 primeiros dias do m\u00eas de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>A inadimpl\u00eancia apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de 16,23% em maio\/98 com rela\u00e7\u00e3o a maio\/97, visto que foram efetuadas 15.559 inclus\u00f5es no SPC contra 18.574, respectivamente. Destaca-se tamb\u00e9m a queda de 23,55% nas inclus\u00f5es quando comparamos os valores referentes a maio com o m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, nota-se uma eleva\u00e7\u00e3o na quantidade de baixas no Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito de 7,91% em rela\u00e7\u00e3o a maio do ano passado e de 5,91% em rela\u00e7\u00e3o a abril deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso, segundo Ilson Bozi (presidente da CDL Vit\u00f3ria), em coment\u00e1rio veiculado na revista do CDL &#8220;O Lojista&#8221;, se deve a maior rigidez por parte dos lojistas no fornecimento de cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>O baixo desempenho das vendas se deve a problemas conjunturais j\u00e1 conhecidos pelos comerciantes e consumidores capixabas, desemprego e atraso no pagamento dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos estaduais. No entanto, existe uma grande expectativa de aquecimento das vendas com o pagamento de parte dos sal\u00e1rios atrasados do funcionalismo p\u00fablico. Este dever\u00e1 ser revertido em parte no pagamento de d\u00edvidas e em parte para novas compras, provocando um aumento de at\u00e9 10% nas vendas em junho, segundo Ilson Bozi.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria capixaba, ao contr\u00e1rio do m\u00eas de mar\u00e7o, apresentou um decr\u00e9scimo em suas vendas reais de (17,97%) em abril de 1998. Os g\u00eaneros industriais que mais se destacaram em mar\u00e7o &#8211; produtos alimentares (+127,27%), material pl\u00e1stico (+100,13%) e produtos farmac\u00eauticos e veterin\u00e1rios (+49,24%) &#8211; foram os que apresentaram maior queda no m\u00eas de abril (-53,86%), (-45,18%), (-36,99%), respectivamente. Tal oscila\u00e7\u00e3o no desempenho se deve ao fato de em mar\u00e7o ter acontecido um t\u00edpico aquecimento das vendas em fun\u00e7\u00e3o da p\u00e1scoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, alguns poucos g\u00eaneros apresentaram elevado crescimento em abril: material de transporte (+474,08%) devido ao rein\u00edcio das atividades de uma importante empresa do setor; material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00e3o (+119,65%) em virtude do aumento de obras; e vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (+14,31%).<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho industrial acumulado no ano de 1998 apresenta um resultado positivo de 6,13% quando comparamos com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, indicando que em 1998 a ind\u00fastria dever\u00e1 crescer mais do que em 1997. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o aumentou suas vendas em 6,36% e a ind\u00fastria extrativa mineral, em 4,58%. Com exce\u00e7\u00e3o das vendas do setor de vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados, os g\u00eaneros que apresentaram desempenho positivo no m\u00eas de abril mantiveram o resultado acumulado no ano. Al\u00e9m dos g\u00eaneros j\u00e1 referidos, existem outros que apresentaram aumentos significativos nas vendas acumuladas no in\u00edcio do ano, quando comparamos com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. A ind\u00fastria metal\u00fargica obteve 15,48% de crescimento nas vendas; a de papel e papel\u00e3o, 26,03%; borracha, 9,99%; qu\u00edmica, 33,39%; material pl\u00e1stico, 7,10%; e bebidas, 10,37%.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse resultado positivo nas vendas n\u00e3o foi acompanhado pela evolu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais pagos. Enquanto no m\u00eas de abril as vendas ca\u00edram 18%, os sal\u00e1rios reais aumentaram 1,68%; o resultado positivo das vendas acumuladas no ano (6,13%) reflete-se inversamente em uma queda de 12,36% nos sal\u00e1rios reais.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o como um todo apresentou uma diminui\u00e7\u00e3o de 13,26% nos sal\u00e1rios reais e a extra\u00e7\u00e3o mineral, 9,32%. Dentre os vinte g\u00eaneros industriais pesquisados pelo IDEIES, apenas cinco apresentaram um aumento nos sal\u00e1rios reais nos quatro primeiros meses do ano, comparados com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. A qu\u00edmica (24,87%); perfumaria, sab\u00f5es e velas (10,14%); material pl\u00e1stico (6,03%); mobili\u00e1rio (2,99%); e borracha (1,59%) s\u00e3o os g\u00eaneros industriais que aumentaram os sal\u00e1rios reais.<\/p>\n\n\n\n<p>As maiores quedas salariais ocorreram nos minerais n\u00e3o-met\u00e1licos (54,25%); t\u00eaxtil (30,58%); madeira (27,03%); e produtos alimentares (17,72%).<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o nos sal\u00e1rios reais foi acompanhada pela redu\u00e7\u00e3o no total do pessoal ocupado nos quatro primeiros meses do anos. Segundo o IDEIES, o pessoal ocupado na ind\u00fastria capixaba diminuiu em 12,6% quando comparamos com o mesmo per\u00edodo do ano anterior e o n\u00famero de horas trabalhadas diminuiu 15,98% no mesmo per\u00edodo. Esse resultado indica uma eleva\u00e7\u00e3o na produtividade do trabalho que n\u00e3o se reverte em melhoria dos sal\u00e1rios reais dos trabalhadores.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6d4ba1c6\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rio<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego aberto medida pelo IBGE caiu de 8,18% em mar\u00e7o para 7,94% em abril deste ano, uma queda de 0,24%, considerando-se o per\u00edodo de refer\u00eancia de uma semana. Para o per\u00edodo de refer\u00eancia de 30 dias, a taxa de desemprego subiu para 8,9% no m\u00eas de abril. Comparando com o mesmo per\u00edodo do ano passado observamos um aumento na taxa de desemprego aberto de 2,19 pontos percentuais. (tabela 4.1) A m\u00e9dia dos primeiros quatro meses desse ano foi de 7,69%, a maior do pa\u00eds para esse per\u00edodo, s\u00f3 compar\u00e1vel com o mesmo per\u00edodo de 1984. Assim, a ligeira queda verificada no \u00faltimo m\u00eas manteve a taxa de desemprego acima do n\u00edvel observado em fevereiro de 1998. As regi\u00f5es metropolitanas de Salvador e Recife foram as que apresentam as maiores taxas, de 9,98% e 9,50% respectivamente. A menor taxa foi observada no Rio de Janeiro, apenas 6,11%.<\/p>\n\n\n\n<p>Medidos em n\u00fameros absolutos, a queda do desemprego \u00e9 explicada pelo aumento do n\u00famero de vagas e afastamento de pessoas do mercado, dado pelo fen\u00f4meno do fim das f\u00e9rias escolares. Para o IBGE o desemprego mudou de patamar (para cima) e deve continuar alto este ano. No entanto, para o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, a taxa de desemprego dever\u00e1 diminuir de 1 a 2 pontos percentuais, explicado pela sazonalidade e pela redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela 4.2 mostra que o grande impulsionador do desemprego \u00e9 o setor industrial. A taxa de desemprego n\u00e3o apresenta queda em nenhum momento. Foi o d\u00e9cimo m\u00eas consecutivo em que essa taxa permaneceu negativa. Em rela\u00e7\u00e3o a abril de 97, a queda foi de 9% e, no acumulado do ano, a baixa foi de 8,5%. &#8220;Com isso, houve uma redu\u00e7\u00e3o nos sal\u00e1rios reais &#8211; descontada a infla\u00e7\u00e3o &#8211; pagos pela ind\u00fastria, de outubro do ano passado at\u00e9 abril&#8221; (JB-26.6.98). Em termos regionais, a ind\u00fastria paulista foi a que mais diminuiu o n\u00famero de empregos. As regi\u00f5es sul e nordeste apresentaram uma taxa negativa de 0,4% em abril, comparando-se com o m\u00eas de mar\u00e7o de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru\u00e7\u00e3o civil manteve em abril o mesmo \u00edndice de desemprego em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de mar\u00e7o. O com\u00e9rcio, servi\u00e7os e as outras atividades apresentaram uma pequena redu\u00e7\u00e3o no \u00edndice de desemprego no \u00faltimo m\u00eas de abril. O setor de servi\u00e7os que, no in\u00edcio da crise do desemprego, apresentou-se como uma alternativa de cria\u00e7\u00e3o de novos empregos, tamb\u00e9m aparece com seus \u00edndices de desemprego crescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O rendimento m\u00e9dio do trabalho principal das pessoas ocupadas no primeiro trimestre deste ano cresceu 3,9% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, segundo o IBGE. Para a analista Shyrlene Ramos de Souza, isso mostra que a perda do trabalho est\u00e1 sendo menor para as pessoas que ganham pouco. J\u00e1 para as pessoas que trabalham com carteira assinada, os rendimentos cresceram em 3,5% em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre do ano passado. No setor informal, onde os trabalhadores trabalham sem carteira assinada, a alta foi de 3,2%, o mesmo para as pessoas que trabalham por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo tem avaliado a diminui\u00e7\u00e3o na qualidade dos empregos como consequ\u00eancia das mudan\u00e7as na organiza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o da economia. Segundo o documento elaborado pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, Emprego no Brasil &#8211; Diagn\u00f3stico e Pol\u00edticas, &#8216;os direitos consagrados na CLT est\u00e3o diminuindo e com isso a prote\u00e7\u00e3o dos trabalhadores brasileiros tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00e1reas metropolitanas, abrangidas pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, a participa\u00e7\u00e3o dos empregados com carteira caiu de 53,8% no segundo semestre de 1991 para 46,9% no quarto semestre de 1997. No mesmo per\u00edodo, os trabalhadores sem carteira e os aut\u00f4nomos no total da PEA cresceram respectivamente, de 20,8% para 24,6% e de quase 20% para 23,3%. Enquanto isso, na m\u00e9dia nos pa\u00edses desenvolvidos, a propor\u00e7\u00e3o dos assalariados urbanos supera 4\/5 da PEA.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista M\u00e1rcio Pochmann, diretor-executivo do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp afirma que, para o emprego, a d\u00e9cada de 90 est\u00e1 perdida e que a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o garante a entrada no mercado de trabalho. Em sua an\u00e1lise, observa que os setores que menos empregam s\u00e3o aqueles que oferecem maiores sal\u00e1rios e exigem maior qualifica\u00e7\u00e3o. Em contraste, os setores que mais empregam s\u00e3o aqueles que exigem baixa qualifica\u00e7\u00e3o e oferecem sal\u00e1rios baix\u00edssimos. Para ele, o investimento p\u00fablico e a reforma agr\u00e1ria ajudariam na gera\u00e7\u00e3o de empregos de forma significativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo realizado pelo Cesit\/Unicamp ressalta que, na d\u00e9cada de 90, de cada 10 empregos criados, 8 n\u00e3o s\u00e3o assalariados. Inverteu-se a tend\u00eancia vigente no per\u00edodo 1940-1980, quando o pa\u00eds deu um salto na industrializa\u00e7\u00e3o, em que 8 em cada 10 novas vagas eram assalariadas. Sendo que nesses, 7 eram com registro em carteira e 1 sem registro. Vale lembrar que as ocupa\u00e7\u00f5es n\u00e3o assalariadas s\u00e3o em geral empregos de pior qualidade, com menor acesso a direitos como f\u00e9rias, 13\u00b0 sal\u00e1rio e descanso semanal remunerado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1940 e 1980 a participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores assalariados com registro na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa aumentou de 12% para 49%; no mesmo per\u00edodo, os assalariados sem registro diminu\u00edram de 30% para 13,6% e a taxa de desemprego caiu de 6% para 2,8%. Entre 1980 e 1996, os assalariados com registro diminu\u00edram para 30%; aqueles sem registro aumentaram para 28% e a taxa de desemprego atingiu 7% da PEA. (tabela 4.3)<\/p>\n\n\n\n<p>O reflexo negativo dos problemas gerados pelo aumento do desemprego nos primeiros meses do ano sobre as pesquisas eleitorais levou o Presidente da Rep\u00fablica a anunciar, nos primeiros dias de mar\u00e7o, um conjunto de doze medidas para diminuir o desemprego (ver box).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>S\u00cdNTESE DAS MEDIDAS PARA REDU\u00c7\u00c3O DO DESEMPREGO (FSP &#8211; 12.3.98)<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a-tarefa no \u00e2mbito do Minist\u00e9rio do Trabalho, para examinar experi\u00eancias bem sucedidas de gera\u00e7\u00e3o de emprego e no \u00e2mbito de uma c\u00e2mara social, para acompanhar os resultados das iniciativas do governo.<\/li>\n\n\n\n<li>Concentrar esfor\u00e7o para reverter a alta do desemprego ainda no segundo trimestre.<\/li>\n\n\n\n<li>Melhorar o desempenho dos programas dirigidos \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de emprego.<\/li>\n\n\n\n<li>Verificar a coordena\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o dos programas realizados em parceria.<\/li>\n\n\n\n<li>Estimular bancos de fomento, como Caixa Econ\u00f4mica Federal, Banco do Brasil e BNDES a dar prioridade a projetos que gerem empregos.<\/li>\n\n\n\n<li>Refor\u00e7ar a qualidade no treinamento de trabalhadores.<\/li>\n\n\n\n<li>Promover mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o para eliminar barreiras \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de emprego.<\/li>\n\n\n\n<li>Solicitar ao IBGE estat\u00edsticas sobre as \u00e1reas onde o desemprego \u00e9 mais cr\u00edtico.<\/li>\n\n\n\n<li>Multiplicar os projetos integrados para atender as regi\u00f5es metropolitanas.<\/li>\n\n\n\n<li>Melhor articula\u00e7\u00e3o do seguro-desemprego.<\/li>\n\n\n\n<li>Acelerar a implanta\u00e7\u00e3o da nova pol\u00edtica industrial do pa\u00eds, em especial a nacional.<\/li>\n\n\n\n<li>Dar prioridade \u00e0s micro, pequenas e m\u00e9dia empresas.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-7982d7d1\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Emprego no Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar de ter mostrado ligeira recupera\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de pessoal ocupado em fevereiro e mar\u00e7o (tabela 4.4), as grandes empresas apresentaram queda de 0,6% em abril e 0,3% em maio, acumulando 2,02% de desemprego em 1998. Nos \u00faltimos 12 meses a taxa acumulada atinge 11,7% de aumento no desemprego. O principal motivo foi a necessidade de redu\u00e7\u00e3o de custos com pessoal. No entanto, a ind\u00fastria capixaba esse ano vem apresentando taxas decrescentes, o que sinaliza de certa forma uma recupera\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis de oferta de emprego, segundo o IDEIES, (tabela 4.4).<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio das grandes empresas, as pequenas e m\u00e9dias empresas tiveram significativa recupera\u00e7\u00e3o, saindo de -1,80% e -0,51% em mar\u00e7o para 0,43% e 0,05% em maio respectivamente, contribuindo ent\u00e3o para a diminui\u00e7\u00e3o do desemprego no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos setoriais, a ind\u00fastria capixaba tem apresentado uma pequena recupera\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de emprego em maio. As ind\u00fastrias extrativa e de transforma\u00e7\u00e3o apresentaram uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,32% no m\u00eas, mas esse resultado foi comprometido pela constru\u00e7\u00e3o civil e pelos servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica que fecharam o m\u00eas com varia\u00e7\u00f5es negativas. No conjunto da ind\u00fastria a redu\u00e7\u00e3o no emprego foi de 0,06% em maio de 1998, acumulando 1,77% no ano e 10,52% nos \u00faltimos doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>As maiores demiss\u00f5es em maio foram nos setores mec\u00e2nico, -6,24%; t\u00eaxtil, -5,75% e material pl\u00e1stico com -5,41%. Os dois primeiros setores, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de custos e na demanda, o de material pl\u00e1stico vem apresentando consider\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o desde abril, -7,90%, &#8220;devido ao fechamento de uma unidade de produ\u00e7\u00e3o em importante empresa do setor&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao observar os dados de uma amostra para o total da ind\u00fastria capixaba, conforme a tabela 4.6, \u00e9 poss\u00edvel notar uma redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de desempregados no m\u00eas, no trimestre e no semestre de mar\u00e7o at\u00e9 maio de 1998. Esse panorama vem confirmar a tend\u00eancia \u00e0 queda do desemprego no estado nesse ano. Espera-se para o fechamento do primeiro semestre uma continuidade e fortalecimento dessa tend\u00eancia \u00e0 queda. Apesar dos dados, o fantasma do desemprego ainda assusta a vida dos capixabas, o que n\u00e3o \u00e9 muito diferente da situa\u00e7\u00e3o nacional. Em todo o estado est\u00e3o sendo levantadas discuss\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 do governo, mas tamb\u00e9m da popula\u00e7\u00e3o, a fim de viabilizar formas alternativas de se reverter a situa\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o vem mostrando insatisfa\u00e7\u00e3o e principalmente participando de forma mais ativa diante dessa dura realidade que, afinal, todos sabemos n\u00e3o come\u00e7ou agora.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-0761626b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Base Monet\u00e1ria<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A emiss\u00e3o prim\u00e1ria de moeda corresponde ao total de c\u00e9dulas e moedas em circula\u00e7\u00e3o mais as reservas banc\u00e1rias; esse total constitui o conceito de Base Monet\u00e1ria. Segundo o Banco Central, considerando as posi\u00e7\u00f5es de final de per\u00edodo, o saldo da base monet\u00e1ria em abril atingiu R$ 30,65 bilh\u00f5es, o que corresponde a uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 2,2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e de 12,3% em rela\u00e7\u00e3o ao saldo de abril de 1997. Conforme a tabela 5.1, o saldo das reservas banc\u00e1rias alcan\u00e7ou R$ 13,4 bilh\u00f5es e o papel-moeda emitido, R$ 17,2 bilh\u00f5es, com varia\u00e7\u00f5es de -1,5% e +5,3%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As varia\u00e7\u00f5es da Base Monet\u00e1ria s\u00e3o resultantes de um conjunto de fatores sintetizados na tabela 5.2. As opera\u00e7\u00f5es do Tesouro Nacional apresentaram impactos negativos em todos os meses, com exce\u00e7\u00e3o do m\u00eas de mar\u00e7o. No m\u00eas de abril, o Tesouro contribuiu com uma redu\u00e7\u00e3o de mais de R$ 6,5 bilh\u00f5es, resultantes de recursos da concess\u00e3o de servi\u00e7os de telefonia celular e do aumento na arrecada\u00e7\u00e3o do imposto de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>As elevadas taxas internas de juros apresentaram como resultado um aumento no ingresso de capitais externos tanto na forma de investimentos estrangeiros quanto na de empr\u00e9stimos. Essa entrada de capitais chegou a afetar a base monet\u00e1ria em mais de R$ 22 bilh\u00f5es nos quatro primeiros meses do ano, o que obrigou o BACEN a colocar em circula\u00e7\u00e3o R$ 11 bilh\u00f5es em t\u00edtulos no m\u00eas de mar\u00e7o e foi compensado, em abril, pelo elevado impacto positivo do Tesouro.<\/p>\n\n\n\n<p>No conjunto, entre os fatores que condicionam a base monet\u00e1ria, referente aos fluxos acumulados no m\u00eas de abril, temos que as Opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional, Empr\u00e9stimos de Liquidez e os Dep\u00f3sitos apresentaram impacto contracionista; j\u00e1 as Opera\u00e7\u00f5es com T\u00edtulos P\u00fablicos Federais e com o Setor Externo, somados a Outras Contas, tiveram um efeito expansionista conforme apresenta a tabela 5.2.<\/p>\n\n\n\n<p>O Tesouro tamb\u00e9m sentiu as press\u00f5es do mercado, uma vez que tem tido dificuldade em negociar t\u00edtulos de prazos maiores e com taxas menores. A pol\u00edtica de alongamento do prazo da d\u00edvida mobili\u00e1ria interna parece estar sendo colocada de lado. &#8220;O tesouro rolou R$ 2 bilh\u00f5es de d\u00edvida pagando taxa anual de 22,25%. O papel, no entanto, era de apenas 35 dias, e n\u00e3o de tr\u00eas meses ou seis meses, como vinha tentando ofertar&#8221; (JB 03.06.98). Segundo o mesmo jornal, esses t\u00edtulos foram adquiridos pelo Banco do Brasil. Pela primeira vez, desde o primeiro trimestre de 1995, as LNTs que foram negociadas em junho possuem prazos menores do que aqueles que o governo vinha negociando.<\/p>\n\n\n\n<p>Os vencimentos dos t\u00edtulos e a necessidade da rolagem da d\u00edvida p\u00fablica frente \u00e0 incapacidade de gerar recursos pr\u00f3prios s\u00e3o os principais fatores que sustentam a resist\u00eancia a pap\u00e9is de prazos mais longos. At\u00e9 agora, o mercado parece receoso em aceit\u00e1-los e tem ganhado a luta. Pelo seu lado, o Tesouro Nacional pretende lan\u00e7ar t\u00edtulos p\u00f3s-fixados, acompanhando o Banco Central que vendeu R$ 13 bilh\u00f5es em LBC p\u00f3s-fixada com vencimento para 35 dias.<\/p>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria ampliada, que inclui, al\u00e9m da base restrita, os principais passivos do Banco Central e do Tesouro Nacional (compuls\u00f3rios e t\u00edtulos federais), atingiu, em abril\/98, R$ 315,5 bilh\u00f5es, com varia\u00e7\u00e3o positiva de 1,7% no m\u00eas nos saldos de final de per\u00edodo e 61,4% no acumulado de 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de pagamentos (M1) &#8211; dep\u00f3sitos \u00e0 vista e papel-moeda em poder do p\u00fablico, aumentaram, em abril, 2,0% no conceito de saldo de final de per\u00edodo, atingindo R$ 42 bilh\u00f5es. No seu conceito mais amplo, os meios de pagamentos (M4) atingiram R$ 419,9 bilh\u00f5es com varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,6% no m\u00eas. Comparando-se com o saldo de abril do ano anterior, os meios de pagamentos (M1) cresceram 16,8% e o total dos haveres financeiros (M4) cresceram 23,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na composi\u00e7\u00e3o dos haveres financeiros os t\u00edtulos federais em poder do p\u00fablico n\u00e3o financeiro representaram 39% crescendo 25,7% nos \u00faltimos doze meses; os t\u00edtulos privados representaram 24% aumentando em 32,7% no mesmo per\u00edodo; os dep\u00f3sitos de poupan\u00e7a representaram 23% crescendo 21% entre abril de 1997 e abril de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria que vinha sendo conduzida pelo Banco Central, vemos que esta tem se mostrado flex\u00edvel frente ao poder de barganha que o mercado tem conseguido impor nos leil\u00f5es de t\u00edtulos, verificados ap\u00f3s o \u00faltimo an\u00fancio, pelo COPOM, de baixa nas taxas de juros internas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-0938460d\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Taxa de Juros<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>No dia 24 de junho, o COPOM fixou a TBC em 21,00% e a TBAN em 28,00%, taxas que dever\u00e3o vigorar at\u00e9 o final do m\u00eas de julho. Com essas novas taxas a diferen\u00e7a entre a TBC e a TBAN caiu de 12% em abril para 7% a partir do final de junho de 1998. A taxa do over\/selic, que remunera os t\u00edtulos p\u00fablicos federais, reduziu-se de 23,59% ao ano em abril para 20,72% ao ano em junho.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio de junho, o Tesouro s\u00f3 conseguiu colocar seus t\u00edtulos pr\u00e9-fixados a 22,25%. Os t\u00edtulos p\u00f3s-fixados do Banco Central sinalizaram para uma taxa de 21%, abaixo da TBC e da taxa Selic da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da \u00faltima redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros, o BACEN vendeu LFTs com prazos de 210 e 238 dias com rendimento p\u00f3s-fixado. A instabilidade dos mercados financeiros tem levado o governo a reduzir o prazo de vencimento dos seus t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os pap\u00e9is p\u00f3s-fixados t\u00eam prazo m\u00e9dio de 79 dias e os pr\u00e9-fixados est\u00e3o com vencimento em 61 dias. Prazos de rolagem mais curtos e rendimentos indexados tornam o mercado mais seguro a contratempos no mercado internacional&#8221; (Estado de S\u00e3o Paulo, 23.6.98).<\/p>\n\n\n\n<p>A opini\u00e3o de Gustavo Loyola, ex-presidente do BACEN, antes da decis\u00e3o do COPOM, era de que os juros abaixo de 22% poderiam comprometer o rendimento pago aos investidores estrangeiros que mant\u00eam d\u00f3lares no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria necess\u00e1rio, para tanto, compens\u00e1-los de alguma forma reduzindo os impostos cobrados ou o ritmo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do real para evitar uma fuga de capitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa redu\u00e7\u00e3o dos juros, associada \u00e0 crise financeira russa e asi\u00e1tica, produziu uma queda de US$ 1,8 bilh\u00e3o nas reservas internacionais no m\u00eas de maio.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4c7da134\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Mesmo com uma queda da taxas de juros maior do que a esperada, os juros dos cheques especiais e empr\u00e9stimos banc\u00e1rios devem manter-se nos mesmos n\u00edveis, j\u00e1 que tamb\u00e9m levam em conta a inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, segundo o Banco Central, alcan\u00e7aram em mar\u00e7o\/98 R$ 257,5 bilh\u00f5es que correspondeu a uma expans\u00e3o de apenas 0,5% no m\u00eas. Na composi\u00e7\u00e3o total, o saldo de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito contratadas pelas pessoas f\u00edsicas cresceu 0,9% no m\u00eas, chegando a atingir R$ 30,6 bilh\u00f5es. No que se refere \u00e0 ind\u00fastria, observamos uma estabiliza\u00e7\u00e3o na d\u00edvida do setor que apresentou um saldo de R$ 57,0 bilh\u00f5es em janeiro, e R$ 57,7 bilh\u00f5es nos meses de fevereiro e mar\u00e7o. J\u00e1 o cr\u00e9dito ao com\u00e9rcio apresentou uma queda de 1,3% no m\u00eas, chegando a R$ 21,2 bilh\u00f5es. Os cr\u00e9ditos para outros servi\u00e7os apresentaram um saldo de R$ 24,4 bilh\u00f5es, com varia\u00e7\u00e3o positiva de 2,9% no m\u00eas. Os financiamentos, tanto ao setor habitacional (pessoas f\u00edsicas e cooperativas) como ao setor rural, expandiram-se para R$ 58,6 bilh\u00f5es (0,4% no trimestre) e R$ 23,3 bilh\u00f5es (0,7% no m\u00eas), respectivamente.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9b5104b3\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 1998, as contas p\u00fablicas apresentaram resultados mais satisfat\u00f3rios em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Pelo conceito de necessidades de financiamento do governo central obteve-se um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 2,25 bilh\u00f5es, comparado a um d\u00e9ficit de R$ 105 milh\u00f5es em fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto proporcionou um resultado positivo acumulado no primeiro trimestre deste ano no valor de R$ 2,5 bilh\u00f5es (1,19% do PIB) acarretando um aumento de 118%, comparado com o mesmo per\u00edodo do ano passado que foi de R$ 1,18 bilh\u00f5es (0,59% do PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse resultado positivo do m\u00eas de mar\u00e7o deve-se basicamente ao aumento da receita l\u00edquida (receita total menos as transfer\u00eancias a estados e munic\u00edpios), que teve um aumento de 35,7% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro. Entraram no caixa do governo federal, no m\u00eas de mar\u00e7o, recursos advindos principalmente da concess\u00e3o da banda B da telefonia celular da ordem de R$ 2,5 bilh\u00f5es, do pagamento em parcela \u00fanica do Imposto de Renda das empresas (IRPJ), da eleva\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do IR de 15 para 20% e do IOF pessoa f\u00edsica de 6 para 15% e crescimento de quase 50% das importa\u00e7\u00f5es tributadas. Esses recursos foram os principais respons\u00e1veis pelo bom desempenho das receitas. Entretanto algumas s\u00e3o receitas ocasionais (nos dois primeiros casos) que n\u00e3o significam uma melhora das contas p\u00fablicas no longo prazo. No acumulado de janeiro a mar\u00e7o, a receita l\u00edquida totalizou R$ 39,6 bilh\u00f5es, superando os R$ 30,1 bilh\u00f5es do mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A prova de que n\u00e3o se deve interpretar com muito otimismo o resultado de mar\u00e7o \u00e9 a volta do crescimento dos gastos, cuja despesa total foi de R$ 13,1 bilh\u00f5es, sendo de R$ 11,4 bilh\u00f5es em fevereiro e de R$ 12,5 bilh\u00f5es em janeiro. Contribu\u00edram para este aumento, principalmente os gastos com pessoal, que, al\u00e9m do pagamento integral do m\u00eas, incluiu 70% da folha de pagamento referente ao m\u00eas anterior devido \u00e0 mudan\u00e7a de data pela MP1.639-38\/98; o crescimento de 59,1% das transfer\u00eancias a estados e munic\u00edpios e o aumento de 16,24% nos gastos com capital, fruto da libera\u00e7\u00e3o de emendas parlamentares do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>O pagamento de juros nominais da ordem de R$ 3,6 bilh\u00f5es no m\u00eas de mar\u00e7o ocasionou um d\u00e9ficit operacional de R$ 280 milh\u00f5es, considerando-se a discrep\u00e2ncia estat\u00edstica no valor de R$ 1,06 bilh\u00f5es correspondente \u00e0 diferen\u00e7a entre os valores apurados segundo os conceitos &#8216;acima&#8217; (SPE\/MF) e &#8216;abaixo&#8217; da linha (BACEN). Esse resultado reflete a supera\u00e7\u00e3o do montante dos juros pagos sobre o super\u00e1vit prim\u00e1rio. Comparando o per\u00edodo de janeiro a mar\u00e7o deste ano com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, observa-se um aumento significativo do pagamento de juros de R$ 5,16 bilh\u00f5es para R$ 10,8 bilh\u00f5es, ou seja, de 2,57% para 5,02% do PIB. O aumento no total de juros pagos reflete, ainda, as elevadas taxas de juros pagas pelo governo e o aumento do montante total da d\u00edvida.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida total do setor p\u00fablico, em mar\u00e7o, situou-se em R$ 324,2 bilh\u00f5es (36% do PIB), tendo um pequeno crescimento em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro de 0,72%. A d\u00edvida externa, por outro lado, apresentou um decr\u00e9scimo de 30,3%, passando de R$ 31,6 para R$ 22,0 bilh\u00f5es de fevereiro para mar\u00e7o. Desse modo, o crescimento da d\u00edvida l\u00edquida total deu-se basicamente em fun\u00e7\u00e3o da d\u00edvida interna l\u00edquida, que teve um aumento de 4% encontrando-se em R$ 302,1 bilh\u00f5es em mar\u00e7o. A maior parte da d\u00edvida externa \u00e9 de responsabilidade das empresas estatais, que det\u00e9m 78,4% de seu total.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal total atingiu a cifra de R$ 359,6 bilh\u00f5es em mar\u00e7o e R$ 365,6 bilh\u00f5es em abril, sendo, respectivamente, para os meses de mar\u00e7o e abril, R$ 241,9, R$ 239,7 bilh\u00f5es de responsabilidade do Tesouro Nacional e R$ 117,7, R$ 125,9 de responsabilidade do BACEN. Observa-se uma redu\u00e7\u00e3o da emiss\u00e3o de t\u00edtulos por parte do Tesouro e um aumento por parte do BACEN, fruto basicamente da redu\u00e7\u00e3o dos prazos da d\u00edvida exigido pelo mercado neste per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 d\u00edvida externa l\u00edquida do Tesouro Nacional, ela n\u00e3o apresentou crescimento significativo entre os meses de mar\u00e7o e abril ficando por volta dos R$ 71,2 bilh\u00f5es. Desse modo, o crescimento da d\u00edvida p\u00fablica total deve-se basicamente \u00e0 d\u00edvida interna que apresentou crescimento de 53,46%, de abril do ano passado a abril deste ano.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c4162574\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>As Finan\u00e7as do Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Governo do Estado do Esp\u00edrito Santo apresentou, nos quatro primeiros meses de 1998, um resultado altamente positivo, acumulando um super\u00e1vit de R$ 200,58 milh\u00f5es no quadrimestre. Comparando-se com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, a receita total aumentou 17,09% e a despesa total diminuiu em 3,9%, resultando em um acr\u00e9scimo no super\u00e1vit de 275,07%.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando-se as receitas, pode-se notar uma mudan\u00e7a significativa em seu perfil no qual destaca-se a queda de mais de 70% nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, resultando em uma diminui\u00e7\u00e3o de 85,25% nas receitas decorrentes das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito. Por outro lado, as receitas correntes cresceram 36,2% no primeiro quadrimestre do ano comparando-se com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. A receita tribut\u00e1ria de impostos e taxas cresce 14,24%; outras receitas correntes, 3.800%, impulsionadas pelas contribui\u00e7\u00f5es; e as outras transfer\u00eancias correntes cresceram mais de 1.300%, essa conta foi profundamente influenciada pela implanta\u00e7\u00e3o do FUNDEF a partir de janeiro de 1998. Essa mudan\u00e7a sinaliza para uma menor depend\u00eancia do endividamento como fonte de financiamento do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das despesas, a varia\u00e7\u00e3o dos gastos de 1998 comparada com 1997 mostra que cresceram os gastos com pessoal e encargos (14,76%); outras despesas correntes (4,89%); e investimentos (101,88%). Todas as rubricas referentes ao financiamento atrav\u00e9s do endividamento foram reduzidas. Os juros e encargos da d\u00edvida diminu\u00edram em 39,47%; as invers\u00f5es financeiras, em 7,44%; a amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida, em 91,16%.<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se destacar, no entanto, que estes dados referem-se \u00e0 execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria realizada como fluxo de caixa, o que \u00e9 diferente do conceito de compet\u00eancia. Essa diferencia\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica fica mais clara do ponto de vista das despesas que podem ser consideradas como fixadas em or\u00e7amento, empenhadas e realizadas. A despesa empenhada reflete o conceito de compet\u00eancia na qual o governo reconhece o gasto mas n\u00e3o o realiza, necessariamente. Assim, segundo as informa\u00e7\u00f5es da Coordena\u00e7\u00e3o de Contabilidade da Secretaria de Estado da Fazenda, nos dois primeiros bimestres de 1998 foram empenhadas despesas no total de R$ 1.184,97 milh\u00f5es e realizadas R$ 631,80 milh\u00f5es, uma diferen\u00e7a de R$ 553,17 milh\u00f5es contabilizados como restos a pagar.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma maneira, esses dados ainda n\u00e3o contabilizam os gastos dos demais poderes aos quais foram repassados R$ 84,26 milh\u00f5es no primeiro bimestre de 1998, correspondendo a 13,3% das despesas realizadas pelo poder executivo estadual.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3083666e\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor externo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os meses de abril e maio continuaram marcados pela instabilidade internacional decorrente do aprofundamento da crise econ\u00f4mica asi\u00e1tica. A economia japonesa, em estagna\u00e7\u00e3o desde 1997, come\u00e7a a ampliar seus efeitos negativos sobre a economia mundial. Na primeira quinzena de junho o Governo Japon\u00eas gastou mais de US$ 20 bilh\u00f5es na tentativa de evitar a desvaloriza\u00e7\u00e3o do iene e evitar a sa\u00edda de capitais que tinha atingido US$ 28 bilh\u00f5es no \u00faltimo m\u00eas de abril (JB-16.06.98).<\/p>\n\n\n\n<p>A crise na \u00c1sia manteve os mercados inst\u00e1veis e deflagrou novas crises. Em conjunto com a crise da R\u00fassia, a conjuntura de instabilidade exterior estendeu-se aos demais pa\u00edses atingindo as bolsas de valores de todo o mundo, inclusive as do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado dessa instabilidade internacional refletiu-se em uma sa\u00edda de capitais estrangeiros reduzindo as reservas internacionais do Brasil em US$ 1,8 bilh\u00e3o entre abril e maio de 1998 (ver Tabela 7.1). Segundo os dados do Banco Central do Brasil, entre janeiro e maio de 1998, ocorreu uma sa\u00edda de mais de US$ 1,0 bilh\u00e3o na conta de Investimento Estrangeiro Direto; no mesmo per\u00edodo de 1997, ocorreu uma sa\u00edda de US$ 95 milh\u00f5es nesta conta. Em abril, as reservas internacionais atingiram US$ 74,6 bilh\u00f5es, mas reduziram-se para US$ 71,9 bilh\u00f5es em maio. A tend\u00eancia nos pr\u00f3ximos meses \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel das reservas, segundo as expectativas oficiais. No per\u00edodo compreendido entre janeiro e maio, as interven\u00e7\u00f5es do BACEN no mercado de c\u00e2mbio consumiram cerca de US$ 2 bilh\u00f5es das reservas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A contrata\u00e7\u00e3o l\u00edquida de c\u00e2mbio no segmento livre alcan\u00e7ou US$ 1,7 bilh\u00e3o em maio, cifra superior \u00e0 m\u00e9dia mensal do primeiro semestre de 1997, que se situou em US$ 1,2 bilh\u00e3o. No acumulado do ano, a contrata\u00e7\u00e3o l\u00edquida alcan\u00e7ou US$ 31 bilh\u00f5es, quase cinco vezes o verificado no mesmo per\u00edodo de 1997.&#8221; (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98).<\/p>\n\n\n\n<p>Os cinco primeiros meses do ano indicam que as medidas tomadas para o aumento das exporta\u00e7\u00f5es continuam apresentando efeitos positivos sobre a Balan\u00e7a Comercial. O saldo, apesar de negativo, reduziu-se em 37% comparado ao mesmo per\u00edodo de 1997. Esse resultado decorre fundamentalmente do aumento das exporta\u00e7\u00f5es, visto que as importa\u00e7\u00f5es mantiveram-se praticamente no mesmo n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 1998, o d\u00e9ficit da Balan\u00e7a Comercial de US$ 282 milh\u00f5es foi menor que o registrado em abril de 1997, de US$ 833 milh\u00f5es; mas em maio, o d\u00e9ficit voltou a crescer para US$ 333 milh\u00f5es. A inten\u00e7\u00e3o governamental de gerar super\u00e1vits a partir do m\u00eas de abril n\u00e3o se concretizou e o resultado obtido em maio n\u00e3o permite afirmar que a Balan\u00e7a Comercial possa apresentar resultados positivos nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes acumulado no ano atingiu US$ 11,2 bilh\u00f5es, correspondendo a 3,5% do PIB, inferior aos 3,8% do PIB registrados em igual per\u00edodo de 1997 (tabela 7.2). A conta de servi\u00e7os apresentou sa\u00edda l\u00edquida de recursos de US$ 3,0 bilh\u00f5es em abril e US$ 1,9 bilh\u00e3o em maio, acumulando um total de US$ 9,9 bilh\u00f5es. As remessas l\u00edquidas de juros, de lucros e dividendos, as despesas com transportes e viagens internacionais mantiveram-se aproximadamente no mesmo patamar do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos alcan\u00e7ou US$ 14,7 bilh\u00f5es em abril, reduzindo-se para US$ 9,8 bilh\u00f5es em maio de 1998 (tabela 7.3). O acumulado do ano foi de US$ 64,6 bilh\u00f5es, representando mais da metade do total recebido em 1997 (US$ 128,9 bilh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>Os Investimentos Estrangeiros Diretos e as aplica\u00e7\u00f5es em portf\u00f3lio mantiveram-se nos mesmos n\u00edveis do ano passado. Destacam-se, ent\u00e3o, os investimentos nos fundos de renda fixa e nos fundos de privatiza\u00e7\u00e3o. Estes dois tipos de fundos foram respons\u00e1veis pelo ingresso de US$ 4,7 bilh\u00f5es nos cinco primeiros meses do ano contra apenas US$ 83 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fundos de renda fixa s\u00e3o &#8220;destinados \u00e0 capta\u00e7\u00e3o de recursos externos para investimentos em t\u00edtulos de emiss\u00e3o do Tesouro Nacional e\/ou do Banco Central e, ainda, em ativos de renda fixa emitidos por empresas e institui\u00e7\u00f5es no pa\u00eds&#8221;. Segundo a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.289, devem ser aplicados no m\u00ednimo 35% dos recursos em t\u00edtulos do Tesouro ou do BACEN.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fundos de privatiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o &#8220;fundos constitu\u00eddos sob a forma de condom\u00ednio aberto ou fechado, de que participem exclusivamente pessoas f\u00edsicas ou jur\u00eddicas residentes, domiciliadas ou com sede no exterior, fundos ou outras entidades de investimento coletivo estrangeiro, para captar recursos destinados \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos e valores mobili\u00e1rios emitidos por empresas que vierem a ser desestatizadas na forma da lei n\u00b0 8.031 de 12.4.90&#8221; (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98). Nota-se, portanto, que o maior atrativo aos investimentos estrangeiros decorre da elevada taxa de juros paga pelos t\u00edtulos da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela 7.3 mostra ainda que, al\u00e9m dos investimentos, outra fonte importante de ingresso de capitais estrangeiros \u00e9 o empr\u00e9stimo em moeda. Entre os meses de janeiro a maio de 1998 foram captados US$ 28,5 bilh\u00f5es, enquanto no mesmo per\u00edodo do ano anterior foram obtidos apenas US$ 7,8 bilh\u00f5es. As principais formas de ingresso foram o Comunicado Firce n\u00b0 10, a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 63, a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2.148 &#8211; Financiamento Rural e os B\u00f4nus e &#8216;Notes&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>O Comunicado Firce n\u00b0 10, de 10.9.69, refere-se a &#8220;opera\u00e7\u00f5es diretas de empresas n\u00e3o-financeiras no pa\u00eds com institui\u00e7\u00f5es estrangeiras (financeiras ou n\u00e3o-financeiras), sem lan\u00e7amento de t\u00edtulos&#8221; (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98). Sob essa forma ingressaram no pa\u00eds US$ 4,6 bilh\u00f5es nos cinco primeiros meses do ano, muito mais do que no mesmo per\u00edodo do ano anterior (US$ 1,7 bilh\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 63 de 21.8.67, trata de &#8220;opera\u00e7\u00f5es de bancos no pa\u00eds, destinadas a repasse a empresas, com institui\u00e7\u00f5es financeiras ou n\u00e3o-financeiras no exterior, sem lan\u00e7amento de t\u00edtulos (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98). Nos cinco primeiros meses de 1997 os bancos captaram apenas US$ 84 milh\u00f5es, passando para US$ 2,4 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo, de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2.148 destina-se a regular as &#8220;opera\u00e7\u00f5es de institui\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural no pa\u00eds, destinadas a repasses a pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, inclusive cooperativas, para financiamento de custeio, investimento e comercializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria (prazo m\u00ednimo de capta\u00e7\u00e3o 180 dias)&#8221; (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98). Ingressaram nessa rubrica US$ 7,2 bilh\u00f5es entre janeiro e maio de 1998, mais de seis vezes o ingresso no mesmo per\u00edodo de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Destaca-se ainda o elevado aumento dos financiamentos registrados que passam de US$ 1,8 bilh\u00e3o para US$ 7,5 bilh\u00f5es, dos primeiros cinco meses de 1997 para o mesmo per\u00edodo de 1998; a maior parte constitui-se de financiamentos registrados. Este montante indica um crescente receio de desvaloriza\u00e7\u00f5es mais acentuadas do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar pois &#8220;os financiamentos destinam-se basicamente \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o, no exterior, de bens ou servi\u00e7os, mas podem incluir parcelas de desembolso em moeda, para cobrir custos locais&#8221; (BACEN. Nota para a imprensa 18.6.98).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4c528514\"><h2 class=\"uagb-heading-text\"><strong>O setor externo da economia capixaba<\/strong><\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O ano de 1998 come\u00e7ou com uma queda na participa\u00e7\u00e3o das empresas capixabas no com\u00e9rcio exterior do Brasil, apesar do aumento do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Nos quatro primeiros meses do ano as exporta\u00e7\u00f5es perderam participa\u00e7\u00e3o relativa de 5,46% para 5,09% na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 1997; na mesma compara\u00e7\u00e3o, as importa\u00e7\u00f5es diminu\u00edram de 6,83% para 6,55%. Em termos de valor total, as exporta\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo tiveram um pequeno aumento de US$ 834 milh\u00f5es para US$ 839 milh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es uma queda de US$ 1.276 milh\u00f5es para US$ 1.193 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo da Balan\u00e7a Comercial apresentou um resultado negativo de US$ 354 milh\u00f5es no primeiro quadrimestre; uma redu\u00e7\u00e3o de 60% quando comparado aos US$ 442 milh\u00f5es do mesmo per\u00edodo de 1997. Entretanto, enquanto em 1997 o d\u00e9ficit da Balan\u00e7a Comercial do Esp\u00edrito Santo representava 13,4% do d\u00e9ficit brasileiro, em 1998 essa participa\u00e7\u00e3o aumentou para 19,8%, nos quatro primeiros meses de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais produtos na pauta de exporta\u00e7\u00e3o capixaba s\u00e3o o min\u00e9rio-de-ferro, ferro fundido, ferro e a\u00e7o que representam, acumulados, 65% do total das exporta\u00e7\u00f5es em 1998 mantendo a mesma participa\u00e7\u00e3o de 1997. Em seguida surge a celulose representando 17,5% do total das exporta\u00e7\u00f5es realizadas em 1998, apresentando 1,5% de aumento em sua participa\u00e7\u00e3o relativa. Eles expressam import\u00e2ncia do grande capital instalado no estado com o objetivo espec\u00edfico de produzir para a exporta\u00e7\u00e3o. O caf\u00e9, principal produto da agropecu\u00e1ria estadual, apresentou uma participa\u00e7\u00e3o de 9,8% no total das exporta\u00e7\u00f5es nos quatro primeiros meses do ano, mas perdeu quase 2% na participa\u00e7\u00e3o relativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado das importa\u00e7\u00f5es, o principal produto importado atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo continua sendo o autom\u00f3vel. Eles representaram 48,4% das importa\u00e7\u00f5es no primeiro quadrimestre de 1998 e 56,18% em 1997. Essa queda indica um redirecionamento dos importadores para outros portos pois, para o mesmo per\u00edodo, o Esp\u00edrito Santo participou em 48% no total das importa\u00e7\u00f5es brasileiras em 1997 caindo para 32% em 1998. Na compara\u00e7\u00e3o dos acumulados no quadrimestre, as importa\u00e7\u00f5es brasileiras de ve\u00edculos cresceram 21,5%, enquanto as importa\u00e7\u00f5es capixabas reduziram-se em 19,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal mercado importador dos produtos comercializados pelo Esp\u00edrito Santo no primeiro quadrimestre do ano foi a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia que adquiriu 33,4% do total das exporta\u00e7\u00f5es; o Nafta aparece em segundo lugar com 24,8%, perdendo a primeira posi\u00e7\u00e3o apresentada no in\u00edcio de 1997. A \u00c1sia aparece em terceiro lugar, aumentando sua participa\u00e7\u00e3o de 18,96 para 20,38%; o Mercosul aumenta ligeiramente sua participa\u00e7\u00e3o de 5,1% em 1997 para 5,4% em 1998; os demais mercados reduzem ligeiramente sua participa\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado das importa\u00e7\u00f5es o Mercosul colocou-se como o principal mercado vendedor melhorando sua posi\u00e7\u00e3o na compara\u00e7\u00e3o entre o primeiro quadrimestre de 1998 com o mesmo per\u00edodo de 1997. Esse bloco representava 30,0% das importa\u00e7\u00f5es realizadas atrav\u00e9s do Esp\u00edrito Santo em 1997 e aumentou para 32,5% em 1998. Todos os demais blocos, com exce\u00e7\u00e3o da \u00c1sia, reduziram suas participa\u00e7\u00f5es relativas no conjunto das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela 7.7 mostra que os principais produtos exportados pelo Esp\u00edrito Santo t\u00eam um peso significativo nas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. O caf\u00e9, apesar de uma pequena queda, representou 12% do total das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras; o min\u00e9rio de ferro, 19,8% mas representava 27,8% em 1997; a celulose tamb\u00e9m apresentou uma pequena redu\u00e7\u00e3o, de 41,8% em 1997 para 38,9%; m\u00e1rmores e granitos passam de 34,9% para 35,5%; e o ferro fundido, ferro e a\u00e7o mantiveram sua participa\u00e7\u00e3o em 23,6%.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Para comemora\u00e7\u00e3o de mais um anivers\u00e1rio do Plano Real, a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica divulgou um documento intitulado: &#8220;Real: quatro 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