{"id":3903,"date":"1998-11-21T18:28:00","date_gmt":"1998-11-21T20:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3903"},"modified":"2025-11-21T18:56:24","modified_gmt":"2025-11-21T21:56:24","slug":"boletim-no-05-novembro-1998","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-05-novembro-1998\/","title":{"rendered":"Boletim n\u00ba 05 &#8211; Novembro 1998"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-30ce3042 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6204fa0c\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil est\u00e1, mais uma vez, pedindo ajuda ao FMI &#8211; Fundo Monet\u00e1rio Internacional. A situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, muito mais grave do que o Governo e a imprensa tentam mostrar para a popula\u00e7\u00e3o, mobilizou ainda o BIRD &#8211; Banco Mundial, BID &#8211; Banco Interamericano de Desenvolvimento e o G-7 &#8211; Grupo dos sete pa\u00edses mais ricos do mundo, em uma opera\u00e7\u00e3o que promete liberar US$ 41,5 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos. O FMI entra com US$ 18 bilh\u00f5es; o BIRD e o BID com US$ 4,5 bilh\u00f5es cada um; e os demais pa\u00edses interessados com US$ 14,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa &#8220;ajuda&#8221; apoia-se no aprofundamento das pol\u00edticas neoliberais, agora como um compromisso com as pot\u00eancias hegem\u00f4nicas mundiais. &#8220;As autoridades brasileiras se comprometeram tamb\u00e9m a abrir mais a economia, assegurar disciplina monet\u00e1ria firme e a estabilidade macroecon\u00f4mica, e a manuten\u00e7\u00e3o do atual regime cambial. O caminho agora est\u00e1 aberto para a comunidade internacional fornecer apoio financeiro ao Brasil&#8221;, diz em uma nota o diretor-gerente do FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico da crise, totalmente equivocado, aponta para o d\u00e9ficit p\u00fablico como a principal raz\u00e3o da instabilidade da economia brasileira e como raz\u00e3o suplementar a de que a fal\u00eancia do Brasil arrastaria todos os demais pa\u00edses para a crise. O diagn\u00f3stico correto deveria partir da crise da economia mundial e seus impactos sobre no Brasil; cuja forma de inser\u00e7\u00e3o, subordinada, dependente e do interesse dos grupos politicamente hegem\u00f4nicos no pa\u00eds, obriga \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios para remunerar os capitais especulativos e parasit\u00e1rios que circulam no sistema mundial. A crise n\u00e3o \u00e9 localizada somente em alguns pa\u00edses como o Brasil e a R\u00fassia. A crise do capitalismo mundial aparece aqui, onde os elos s\u00e3o mais fr\u00e1geis; de onde, durante d\u00e9cadas, parcelas significativas do excedente produzido foram transferidas sob v\u00e1rias formas para os pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do discurso oficial e do FMI, que afirma que: &#8220;todo esfor\u00e7o foi feito para evitar que os programas sociais b\u00e1sicos fossem exclu\u00eddos dos cortes nos gastos que a disciplina fiscal exige&#8221; (nota do FMI), todos sabem que foram profundos os cortes no or\u00e7amento para educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. At\u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o de recursos dos fundos constitucionais, como o FAT &#8211; Fundo de Amparo ao Trabalhador, e que n\u00e3o entram no c\u00e1lculo do d\u00e9ficit, foram reduzidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa profunda sangria na riqueza produzida internamente agravar\u00e1 ainda mais a crise no pr\u00f3ximo ano. \u00c0s v\u00e9speras do per\u00edodo mais euf\u00f3rico do ano, as festas de fim de ano, o setor produtivo est\u00e1 demitindo massivamente. As montadoras de autom\u00f3veis, o setor de autope\u00e7as e a recentemente privatizada Telemar est\u00e3o anunciando milhares de demiss\u00f5es. Se os especuladores ficar\u00e3o felizes com esse &#8220;presente&#8221; anunciado pelo FMI, n\u00e3o dever\u00e1 ocorrer o mesmo com os trabalhadores assalariados brasileiros neste natal.<\/p>\n\n\n\n<p>Este Boletim, como os anteriores, apresenta um conjunto de indicadores que foram obtidos no Banco Central do Brasil, Minist\u00e9rio da Fazenda, Funda\u00e7\u00e3o IBGE e outras fontes, principalmente atrav\u00e9s da INTERNET. As informa\u00e7\u00f5es sobre o Esp\u00edrito Santo foram gentilmente cedidas pelas seguintes institui\u00e7\u00f5es: CDL, FINDES, IDEIES, SINE e DIEESE.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Departamento de Economia e Mestrado em Economia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">N\u00facleo de Estudos e Pesquisas e COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Ang\u00e9lica Soares Gusm\u00e3o, Cl\u00e1udio Alves Monjardim, Edmara Ferreguetti Braga, Jalisson Lage Maciel, Larissa Soares Bressan, Lauri\u00e9te Caneva, Lucinedes Tesch, Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Marlon Gomes Ney, N\u00fabia Oliveira Bretas, Otniel Barcelos de Aquino, Romilda Alves Bernardino, Rosiane de Souza, Te\u00f3filo Henrique Pereira de Paula, Vanuza da Silva Pereira, Verana B Regattieri<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Maur\u00edcio de Souza Sabadini e Reinaldo Antonio Carcanholo.<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Factual Editora LTDA<\/p><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons uagb-buttons__outer-wrap uagb-btn__default-btn uagb-btn-tablet__default-btn uagb-btn-mobile__default-btn uagb-block-19f3da17\"><div class=\"uagb-buttons__wrap uagb-buttons-layout-wrap \">\n<div data-aos= \"fade-up\" data-aos-duration=\"400\" data-aos-delay=\"0\" data-aos-easing=\"ease\" data-aos-once=\"true\" class=\"wp-block-uagb-buttons-child uagb-buttons__outer-wrap uagb-block-d8e81f19 wp-block-button\"><div class=\"uagb-button__wrapper\"><a class=\"uagb-buttons-repeater wp-block-button__link\" aria-label=\"\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0X3p3akgxQ1NVM2s\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-CagRs-u7CBLB52rBiG_ZYQ\" rel=\"follow noopener\" target=\"_blank\" role=\"button\"><div class=\"uagb-button__link\">Confira aqui o arquivo original<\/div><\/a><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-1760b166 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rio<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-563d928f\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Com o duro pacote da recess\u00e3o, desembrulhado no final de outubro, o governo apoiou-se em algumas hip\u00f3teses a respeito das origens do d\u00e9ficit p\u00fablico e fez algumas apostas, com as quais corre o risco de recolocar rapidamente o Brasil na mira de novos ataques especulativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese \u00e9 a de que os d\u00e9ficits &#8211; interno e externo &#8211; s\u00e3o &#8220;g\u00eameos&#8221; e de que o ajuste fiscal equivalente a 3% do PIB, em 1999, ao contrair ainda mais a demanda agregada, ter\u00e1 o cond\u00e3o de melhorar as contas externas, reduzindo as necessidades de financiamento da balan\u00e7a de pagamentos. J\u00e1 as apostas s\u00e3o as de que as metas do pacote n\u00e3o se frustrar\u00e3o e de que os recursos que est\u00e3o sendo negociados com o FMI &#8211; cerca de US$ 42 bilh\u00f5es -, somados \u00e0s atuais reservas que giram em torno de US$ 40 bilh\u00f5es, ser\u00e3o suficientes tanto para recuperar a confian\u00e7a dos investidores no Pa\u00eds como para afastar os temores de um novo ataque \u00e0 sua moeda. Essa, a raz\u00e3o de n\u00e3o se ter adotado nenhuma medida concreta, at\u00e9 o momento, para desatar o principal n\u00f3 da economia brasileira, que diz respeito ao seu desajuste externo.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela dimens\u00e3o do ajuste projetado n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa se o PIB recuar cerca de 3 a 4% no pr\u00f3ximo ano e o desemprego, medido pela metodologia do DIEESE, ultrapassar a barreira dos 20% nas regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds. Isso pode at\u00e9 ajudar a equilibrar a balan\u00e7a comercial, mesmo com o c\u00e2mbio sobrevalorizado e a retra\u00e7\u00e3o da economia mundial, \u00e0 medida que as importa\u00e7\u00f5es tender\u00e3o a encolher e as empresas ter\u00e3o de buscar o mercado externo para escoar sua produ\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o resolver\u00e1 o rombo de US$ 32 bilh\u00f5es estimados para a conta de servi\u00e7os, onde s\u00f3 os juros e as remessas de lucros e dividendos devem responder por US$ 21 a US$ 22 bilh\u00f5es. Assim, na hip\u00f3tese otimista de que todas as medidas do pacote sejam aprovadas e de que n\u00e3o haja frustra\u00e7\u00e3o de receitas, com o d\u00e9ficit nominal reduzindo-se efetivamente para 3% do PIB, os desequil\u00edbrios da balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes continuar\u00e3o em torno dos mesmos 4% do PIB. Projetando um volume de amortiza\u00e7\u00f5es de US$ 15 bilh\u00f5es tamb\u00e9m para 1999, as necessidades de financiamento da balan\u00e7a de pagamentos devem, com isso, ficar pr\u00f3ximas de US$ 50 bilh\u00f5es, mantendo extremamente fr\u00e1gil a situa\u00e7\u00e3o externa do Pa\u00eds, mesmo com o pacote de salvamento das institui\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes n\u00e3o diminui mesmo com a redu\u00e7\u00e3o dos desequil\u00edbrios do governo, porque s\u00e3o outros os determinantes de alguns de seus componentes, o fato ineg\u00e1vel \u00e9 que haver\u00e1, tamb\u00e9m, grandes dificuldades para viabilizar as metas projetadas do ajuste. Isso, por algumas importantes raz\u00f5es. Em primeiro lugar, porque a recess\u00e3o aberta mina as bases da arrecada\u00e7\u00e3o e incentiva a sonega\u00e7\u00e3o, justificada como alternativa para garantir a sobreviv\u00eancia dos contribuintes num Pa\u00eds onde a carga tribut\u00e1ria deve alcan\u00e7ar o percentual de 33% do PIB, equivalente \u00e0 registrada para a economia norte-americana. Em segundo, porque mesmo reconhecendo a necessidade de realiza\u00e7\u00e3o de um ajuste fiscal, muitas das medidas contidas no pacote devem, pela sua natureza, esbarrar em dificuldades para sua aprova\u00e7\u00e3o, como as que se referem ao aumento da CPMF para 0,38%, da COFINS para 3% e \u00e0 extens\u00e3o da cobran\u00e7a das contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias para os inativos do setor p\u00fablico. Ou mesmo em impedimentos legais, como \u00e9 o caso das receitas de dep\u00f3sitos judiciais. Em terceiro, porque se o governo n\u00e3o come\u00e7ar a reduzir rapidamente as taxas de juros e garantir que, na m\u00e9dia, elas se situem em torno de 22% no pr\u00f3ximo ano, eventuais ganhos obtidos poder\u00e3o ser neutralizados pelos encargos adicionais da d\u00edvida. S\u00f3 para se ter uma id\u00e9ia, caso os juros m\u00e9dios sejam de 30% em 1999, todo o ganho projetado do pacote (R$ 28 bilh\u00f5es) n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para cobrir a conta adicional desses encargos (R$ 32 bilh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>O fato do governo ter passado \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica a urg\u00eancia da realiza\u00e7\u00e3o do ajuste fiscal e de t\u00ea-lo colocado como a \u00fanica alternativa de salva\u00e7\u00e3o do Plano Real, n\u00e3o significa que a sociedade ter\u00e1 recompensado os sacrif\u00edcios exigidos depois de um per\u00edodo de vacas muito magras. A teimosia em desprezar o ajuste externo e continuar apegado \u00e0s pol\u00edticas teleol\u00f3gicas e decadentes que conduziram o Pa\u00eds \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual, pode, muito rapidamente, cobrar um pre\u00e7o bem mais caro, na forma de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada e abrupta da moeda, do que imaginam os mercadores de ilus\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-796b6499\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os indicadores de pre\u00e7os, para a economia brasileira, continuam apresentando a tend\u00eancia de estabilidade nos pre\u00e7os, com ligeiros aumentos ap\u00f3s alguns meses de queda. Os indicadores do custo de vida em S\u00e3o Paulo voltaram a apresentar taxas positivas de crescimento. O INPC, apesar de n\u00e3o estar ainda dispon\u00edvel, apresenta uma tend\u00eancia semelhante na qual a tend\u00eancia negativa estava reduzindo. Entretanto, os indicadores mais gerais como o IPA-DI e o IGP-DI continuaram em queda, mas o IGP-M voltou a crescer.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados do DIEESE, os grupos que mais contribu\u00edram para o aumento no ICV foram: alimenta\u00e7\u00e3o &#8211; principalmente o sub-grupo dos produtos in natura, vestu\u00e1rio e sa\u00fade. As fam\u00edlias de renda mais baixa foram as mais afetadas por esse aumento e o estrato de renda mais elevada foi o que menos sofreu com o aumento de pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas de pre\u00e7o realizadas pelo IBGE nas principais capitais brasileiras mostra que, na maioria delas, tanto o INPC quanto o IPCA apresentaram redu\u00e7\u00f5es nos meses de agosto e setembro. A m\u00e9dia, do INPC, para as onze capitais foi de -0,49% em agosto e de -0,22% em setembro; seguindo a mesma tend\u00eancia, negativa e em ligeira alta, o IPCA apresentou os seguintes resultados: -0,51% em agosto e -0,22% em setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O INPC, \u00edndice que estima as varia\u00e7\u00f5es do custo de vida para as fam\u00edlias de renda mais baixa, foi positivo, no m\u00eas de agosto, em Porto Alegre e Recife, em setembro, somente em Bel\u00e9m e Curitiba. Quanto ao IPCA foi negativo em todas as capitais e nos dois meses. No m\u00eas de setembro, Salvador foi a capital na qual ocorreu a maior redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7os estudados, em ambos os \u00edndices; a capital que apresentou a menor redu\u00e7\u00e3o foi o Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas do DIEESE, em 17 capitais brasileiras, sobre o custo e varia\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica, definida a partir do Decreto-Lei 399 de 30 de abril de 1938, refletem as insufici\u00eancias do sal\u00e1rio m\u00ednimo para atender as necessidades b\u00e1sicas de uma fam\u00edlia. Para um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 130,00 (bruto) o custo da cesta b\u00e1sica variou entre R$ 100,53, em S\u00e3o Paulo, e R$ 77,81 em Salvador, no m\u00eas de setembro. Em outubro, nas mesmas capitais o custo da cesta foi de R$ 102,49 e R$ 76,70, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o mensal desse indicador tem flutuado significativamente, tanto na compara\u00e7\u00e3o entre as capitais, quanto em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Da mesma forma, a varia\u00e7\u00e3o acumulada no ano apresenta significativas diferen\u00e7as. Jo\u00e3o Pessoa \u00e9 a capital na qual o crescimento no custo da cesta b\u00e1sica foi mais elevado, 15,76% nos dez primeiros meses do ano; Rio de Janeiro, Curitiba e Vit\u00f3ria apresentaram as maiores redu\u00e7\u00f5es no mesmo per\u00edodo. A compara\u00e7\u00e3o entre outubro de 1998 e outubro de 1997 mostra que o custo da cesta b\u00e1sica diminuiu no Rio de Janeiro, em 0,69%; em contrapartida cresceu 19,82%, em Fortaleza; 16,44%, em Jo\u00e3o Pessoa; 15,67%, em Aracaju; e 10,91%, em Goi\u00e2nia. Todas as demais capitais apresentaram varia\u00e7\u00f5es positivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Vit\u00f3ria, o custo da cesta b\u00e1sica foi de R$ 81,32, em setembro, e cresceu para R$ 81,77, em outubro, um aumento de apenas 0,55%. A varia\u00e7\u00e3o acumulada nos dez primeiros meses do ano foi negativa, em 3,24%; mas aumentou 4,19%, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano passado.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-16f463c9\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Ao final do segundo trimestre de 1998, o IBGE estimou um crescimento acumulado de 1,22% no PIB. Esse resultado foi muito inferior ao observado no primeiro semestre de 1997; nesse per\u00edodo o PIB apresentou uma taxa de crescimento de 4,70%. Durante o primeiro semestre de 1998, todos os setores se expandiram: a agropecu\u00e1ria cresceu 0,92%; a ind\u00fastria, 1,68%, e os servi\u00e7os, 0,94%. Detalhando por sub-setores, aqueles que mais cresceram foram: as lavouras (3,21%), a ind\u00fastria extrativa mineral (8,32%), os servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica (5,84%), a constru\u00e7\u00e3o civil (4,82%), os transportes (7,66%), e as comunica\u00e7\u00f5es (3,22%). Alguns sub-setores, ao contr\u00e1rio, apresentaram redu\u00e7\u00e3o de seu desempenho. A extra\u00e7\u00e3o vegetal diminuiu 7,29%; a produ\u00e7\u00e3o animal, 1,81%, e o com\u00e9rcio 1,98%.<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando o segundo trimestre de 1998 com o mesmo per\u00edodo do ano anterior (coluna A da tabela 3.1), o Produto Interno Bruto apresentou uma taxa de crescimento de 1,53%. A agropecu\u00e1ria foi o setor que apresentou o melhor desempenho (4,31%); no qual, a queda da produ\u00e7\u00e3o extrativa vegetal (-7,75%) e da produ\u00e7\u00e3o animal (-4,07%), foi compensada pelo \u00f3timo resultado das lavouras (9,11%). A ind\u00fastria cresceu somente 1,65% e os servi\u00e7os, 1,01%, refletindo o impacto da elevada taxa de juros sobre o n\u00edvel de atividade. Os sub-setores que apresentaram melhor desempenho foram: a extra\u00e7\u00e3o mineral (7,62%), os servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica (6,03%), e os transportes (6,61%).<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o do PIB no segundo trimestre com o primeiro trimestre de 1998 (coluna B da tabela 3.1) mostra uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 1,44%. Tal crescimento foi puxado sobretudo pelo setor industrial (7,05%), com os seguintes resultados por sub-setores: extra\u00e7\u00e3o mineral, 3,86%; ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, 6,96%, constru\u00e7\u00e3o civil, 5,74%; e servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica, 1,06%. A agropecu\u00e1ria apresentou um crescimento de 5,52%, no qual as lavouras apresentaram um aumento de 10,11%, o que compensou a queda na produ\u00e7\u00e3o animal (-3,53%). Os servi\u00e7os ficaram praticamente estagnados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores de produ\u00e7\u00e3o industrial mostram que o n\u00edvel de atividade em agosto ficou est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, mas sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de 2,3% em rela\u00e7\u00e3o a agosto de 1997. Essa compara\u00e7\u00e3o mostra os efeitos da crise financeira de outubro de 1997 sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial. A produ\u00e7\u00e3o dos bens de consumo dur\u00e1veis foi a mais afetada pela crise e pelo aumento nos juros. Sua produ\u00e7\u00e3o diminuiu em 18,6%. Os demais segmentos tamb\u00e9m apresentaram queda: o de bens de capital, -3,7%; o de bens intermedi\u00e1rios, -0,7%; e o de bens de consumo semidur\u00e1vel e n\u00e3o dur\u00e1vel, -0,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>De janeiro a agosto, a ind\u00fastria brasileira apresenta uma retra\u00e7\u00e3o de 0,9%. A produ\u00e7\u00e3o de bens de capital, com um crescimento de 4,8%, evitou um desempenho ainda pior da ind\u00fastria no per\u00edodo, pois todos os demais segmentos apresentaram varia\u00e7\u00e3o negativa. O segmento de bens intermedi\u00e1rios diminuiu, -0,2%; o de bens de consumo dur\u00e1vel, -18,8%, e o de bens de consumo semidur\u00e1vel e n\u00e3o dur\u00e1vel, -0,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse fraco desempenho industrial, o Pa\u00eds dever\u00e1 terminar o ano com uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,7% no seu PIB, segundo expectativas do governo. Para o ano de 1999, j\u00e1 se admite uma queda de 2,0% no n\u00edvel de atividade, decorrente das medidas recessivas do novo pacote.<\/p>\n\n\n\n<p>Se todas as propostas do pacote forem aprovadas, a CPMF aumentar\u00e1 de 0,2% para 0,38%; a COFINS subir\u00e1 de 2% para 3% e todos os servidores ativos e inativos que recebem at\u00e9 R$ 1.200,00 pagar\u00e3o 11% de contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria. Os que recebem acima deste valor pagar\u00e3o 9% sobre o total excedente. Al\u00e9m disso, os cortes nas despesas no or\u00e7amento para 1999 devem atingir R$ 8,7 bilh\u00f5es, segundo o acordo a ser firmado com o FMI. Quanto aos juros, eles s\u00e3o altos, segundo o governo, devido ao d\u00e9ficit p\u00fablico, assim s\u00f3 poder\u00e3o serem reduzidos quando o d\u00e9ficit diminuir. J\u00e1 para os cr\u00edticos, o d\u00e9ficit existe devido ao pagamento desses mesmos juros estratosf\u00e9ricos e o pacote fiscal consiste no aumento de impostos e cortes nos gastos que permitam o pagamento dos juros da d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-920bd2bd\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade no Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio do m\u00eas de outubro o presidente da c\u00e2mara de dirigentes lojistas de Vit\u00f3ria &#8211; Ilson Bozi &#8211; anunciou o maior \u00edndice de queda nas vendas do com\u00e9rcio da Grande Vit\u00f3ria desde do in\u00edcio do ano com a express\u00e3o: &#8220;Chegamos ao auge da crise&#8221; (A Gazeta 03\/10\/98). Esta afirma\u00e7\u00e3o foi fundamentada na queda de 31,46%, contabilizada nas consultas do com\u00e9rcio varejista ao SPC, comparando-se outubro de 1998 com o mesmo m\u00eas do ano passado. Essa tend\u00eancia se deve principalmente ao encarecimento do cr\u00e9dito ao consumidor, consequ\u00eancia das sucessivas eleva\u00e7\u00f5es da taxa de juros. Apesar disso, se compararmos o n\u00famero de consultas feitas em outubro\/98 com setembro\/98 observamos que as consultas para as vendas \u00e0 prazo e \u00e0 vista elevaram-se 7,81% e 6,44%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>As vendas mensais do com\u00e9rcio varejista em 1998, comparando-se com o mesmo m\u00eas do ano passado, apresentou o seguinte comportamento: em janeiro, queda de 8%, em fevereiro, 7%; em mar\u00e7o, 14%, em abril, 22%; em maio, 16%; em junho, 23%; em julho, 18%; e em agosto, queda de 20%. De tal forma que setembro foi o nono m\u00eas consecutivo de queda nas vendas do com\u00e9rcio varejista. Segundo Ilson Bozi (Gazeta Mercantil &#8211; 05\/11\/98), se houver redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros, espera-se, ainda, um natal com vendas de 5% a 10% menores do que as do ano passado. Contribuem ainda, para este quadro negativo das vendas, o atraso no pagamento dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos estaduais e o pacote fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>No que se refere \u00e0 inadimpl\u00eancia, o n\u00famero de nomes inclu\u00eddos no SPC em outubro deste ano foi 35,18% menor do que o n\u00famero de inclu\u00eddos no mesmo m\u00eas do ano passado. Por\u00e9m, se comparado ao m\u00eas anterior (setembro\/98), a inadimpl\u00eancia registrou uma eleva\u00e7\u00e3o de 6,12%. O n\u00famero de baixas, ou seja, pessoas que quitaram seus d\u00e9bitos no SPC, caiu 8,05% em outubro de 1998 em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, mas aumentou em 40,96% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Assim, mesmo com um aumento no n\u00famero de pessoas que obtiveram baixas no SPC, o total de inadimplentes continua crescendo.<\/p>\n\n\n\n<p>A inadimpl\u00eancia, vista pelo lado dos cheques, apresenta uma tend\u00eancia relativamente declinante, tanto na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior como com o mesmo m\u00eas do ano passado. Entretanto, em termos absolutos, os dados indicam que nestes dois meses o n\u00famero de cheques inclu\u00eddos menos as baixas aumentou em 4.894.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho industrial do Esp\u00edrito Santo &#8211; medido atrav\u00e9s das vendas reais da ind\u00fastria &#8211; continua apresentando taxas positivas de crescimento, retomando a tend\u00eancia, ap\u00f3s uma redu\u00e7\u00e3o de 13,33% nas vendas no m\u00eas de agosto. Apesar de apresentar uma taxa m\u00e9dia de crescimento de 12,56%, em setembro, o conjunto dos setores industriais n\u00e3o conseguiu recuperar o mesmo n\u00edvel anterior a agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores que mais contribu\u00edram para esse aumento nas vendas foram material pl\u00e1stico, metal\u00fargico, vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados, t\u00eaxtil, papel e papel\u00e3o e perfumarias, sab\u00f5es e velas. Por outro lado, os setores que apresentaram maior desempenho negativo foram os de madeira, material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es e a extra\u00e7\u00e3o mineral. O desempenho positivo \u00e9 explicado em sua maior parte pelas novas cole\u00e7\u00f5es do setor de confec\u00e7\u00f5es e pelas exporta\u00e7\u00f5es de produtos sider\u00fargicos e celulose.<\/p>\n\n\n\n<p>Por influ\u00eancia do novo pacote fiscal, extremamente prejudicial \u00e0 atividade econ\u00f4mica, a ind\u00fastria capixaba dever\u00e1 postergar projetos de investimentos previstos para o pr\u00f3ximo ano, em fun\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito e da elevada taxa de juros. Outro agravante \u00e9 a transfer\u00eancia de v\u00e1rias ind\u00fastrias da regi\u00e3o metropolitana para o interior paulista e para outros estados.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4bd1f337\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rio<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego aberto em setembro, segundo o IBGE, ficou em 7,65%. Houve um pequeno recuo em 0,15 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a agosto, que foi de 7,80%. Isso demonstra um comportamento praticamente est\u00e1vel, sem varia\u00e7\u00f5es consider\u00e1veis. Apesar disso, esse resultado foi o pior j\u00e1 registrado para o m\u00eas de setembro e, na compara\u00e7\u00e3o com setembro do ano passado, a varia\u00e7\u00e3o \u00e9 muito significativa, de 5,63% em 1997 para 7,65% esse ano (ver tabela 4.1).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a PME &#8211; Pesquisa Mensal de Emprego &#8211; realizada nas seis maiores regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds, o IBGE identificou que os maiores \u00edndices de desemprego, ocorreram principalmente na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, com 8,63%; na constru\u00e7\u00e3o civil, com 8,72%; e no com\u00e9rcio, 7,78%. Depois do auge de 8,02%, na taxa m\u00e9dia de desemprego aberto, ocorrido em julho de 1998, todos os setores de atividade apresentam redu\u00e7\u00f5es na taxa de desemprego aberto, indicando um pequeno aumento na oferta de empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00cdndices de desemprego, segundo as regi\u00f5es metropolitanas pesquisadas, foram os seguintes: Salvador, 9,53%, Recife, 9,39%, S\u00e3o Paulo, 8,68%, Porto Alegre, 7,80%, Belo Horizonte, 6,85%; e Rio de Janeiro, 5,11%. Na compara\u00e7\u00e3o entre agosto e setembro de 1998, quatro regi\u00f5es metropolitanas apresentaram redu\u00e7\u00e3o na taxa de desemprego, com exce\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo e Salvador que apresentaram um pequeno crescimento. Mesmo assim, segundo o IBGE, a situa\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo \u00e9 preocupante, uma vez que o n\u00famero de pessoas trabalhando s\u00f3 na ind\u00fastria teve uma queda de 7,5% nos \u00faltimos 12 meses, incluindo setembro. Outro agravante \u00e9 a transfer\u00eancia de v\u00e1rias ind\u00fastrias da regi\u00e3o metropolitana para o interior paulista e para outros estados.<\/p>\n\n\n\n<p>O ligeiro recuo na taxa de desemprego que vem acontecendo desde agosto \u00e9 explicado principalmente porque as empresas come\u00e7am a se preparar para o aquecimento da produ\u00e7\u00e3o e das vendas no final do ano e, portanto, d\u00e3o in\u00edcio \u00e0s contrata\u00e7\u00f5es. As expectativas para o segundo semestre deste ano eram at\u00e9 certo ponto otimistas, principalmente em fun\u00e7\u00e3o da safra agr\u00edcola recorde, elei\u00e7\u00f5es e &#8220;melhora&#8221; na crise mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o DIEESE, que estima o volume de desemprego aberto e oculto, a taxa de desemprego em S\u00e3o Paulo chegou a 18,5%, um pouco menos do que os 18,9% registrados em agosto de 1998. Isto representa 10 pontos percentuais acima da taxa estimada pelo IBGE. Nas demais regi\u00f5es metropolitanas pesquisadas segundo a metodologia do DIEESE, foram observadas as seguintes taxas: Distrito Federal, 19,0%; Belo Horizonte, 16,2%; Porto Alegre, 15,5%; e Recife, 21,5% em agosto de 1998. Estes dados indicam que a magnitude do desemprego \u00e9 muito mais grave do que os dados apresentados pelo IBGE. Estes indicam somente aqueles que estavam procurando emprego na semana anterior \u00e0 pesquisada, e n\u00e3o tinham nenhum tipo de ocupa\u00e7\u00e3o. Para o m\u00eas de agosto nas mesmas regi\u00f5es pesquisadas, a diferen\u00e7a entre os dois indicadores variam aproximadamente em 10 pontos percentuais.<\/p>\n\n\n\n<p>O rendimento m\u00e9dio nominal das pessoas ocupadas em agosto foi de R$ 677,27 para os empregados com carteira assinada, de R$ 549,56 para os empregados sem carteira de trabalho assinada, e de R$ 571,73 para as pessoas que trabalham por conta pr\u00f3pria. Em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, o rendimento dos empregados com carteira de trabalho assinada e para as pessoas que trabalharam por conta pr\u00f3pria apresentaram varia\u00e7\u00e3o positiva de 2,7% e 1,0%, respectivamente. J\u00e1 os rendimentos dos empregados sem carteira de trabalho assinada n\u00e3o apresentou varia\u00e7\u00e3o significativa. O resultado foi o aumento do rendimento m\u00e9dio das pessoas ocupadas em 1,5%, de julho para agosto. Por sua vez, o rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas de agosto do ano passado para agosto desse ano caiu em 3,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana de outubro o governo anunciou um pacote de ajuste fiscal, que entre cortes de despesas e aumento de impostos espera obter R$ 28 bilh\u00f5es de super\u00e1vit prim\u00e1rio. Nesse sentido, o corte de gastos dever\u00e1 eliminar alguns investimentos e, portanto, tamb\u00e9m diminuir\u00e1 o n\u00edvel de emprego. Em fun\u00e7\u00e3o dos reflexos do pacote sobre o n\u00edvel de emprego, o governo adotou medidas compensat\u00f3rias, assinando a medida provis\u00f3ria MP 1.726, que amplia o seguro desemprego para o trabalhador que est\u00e1 desempregado h\u00e1 pelo menos um ano. A previs\u00e3o do Ministro do Trabalho, Edward Amadeo, \u00e9 de que esta medida beneficiar\u00e1 cerca de 500 a 700 mil trabalhadores das regi\u00f5es metropolitanas: Bel\u00e9m, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vit\u00f3ria, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Curitiba. Depois de aprovada, os pagamentos ter\u00e3o in\u00edcio em janeiro e se estender\u00e3o at\u00e9 junho de 1999. Outras propostas, como o fim da unicidade sindical, a supress\u00e3o da contribui\u00e7\u00e3o sindical compuls\u00f3ria, o poder normativo da justi\u00e7a do trabalho, e a suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do contrato de trabalho, visando modificar as rela\u00e7\u00f5es capital\/trabalho, ser\u00e3o encaminhadas ao Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap\u00f3s o governo ter anunciado o pacote fiscal, os fabricantes de autope\u00e7as sinalizaram para a possibilidade de demitirem cerca de 30.000 trabalhadores at\u00e9 o final do primeiro semestre de 1999, devido \u00e0 queda na produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos das montadoras e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das encomendas. Nesse sentido, as previs\u00f5es para o pr\u00f3ximo ano n\u00e3o s\u00e3o nada animadoras para a economia brasileira, e o pacote fiscal anunciado, mesmo com as propostas do governo na tentativa de compensa\u00e7\u00e3o da crise, n\u00e3o impedir\u00e1 o agravamento do desemprego.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-10f1defb\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O \u00edndice de emprego industrial apresentou, em setembro, um decr\u00e9scimo de 1,83% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de agosto, dando continuidade \u00e0 tend\u00eancia de queda que vem sendo registrada desde junho de 1997. As demiss\u00f5es no setor j\u00e1 totalizam o n\u00famero de 5.152 nos \u00faltimos 12 meses, acumulando uma varia\u00e7\u00e3o de -9,01% neste per\u00edodo (ver tabela 4.3). A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) divulgou que em agosto desse ano o Esp\u00edrito Santo apresentou o maior \u00edndice de queda, em termos regionais, do emprego industrial, -1,57%, o que gera uma preocupa\u00e7\u00e3o ainda maior em rela\u00e7\u00e3o ao estado. O aumento das demiss\u00f5es em setembro ocorreram de forma significativa, conforme a tabela 4.3, nas pequenas e m\u00e9dias empresas, que registraram em setembro uma varia\u00e7\u00e3o de -1,49% e -3,35%, respectivamente, contra -0,68% das empresas de grande porte.<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores que mais sofreram com as demiss\u00f5es em setembro foram a ind\u00fastria qu\u00edmica, -34,02%; a de material de transporte, -8,65%; e a de bebidas, -4,35% (ver tabela 4.4). As demiss\u00f5es ocorridas na ind\u00fastria qu\u00edmica foram principalmente devido ao per\u00edodo de entressafra na produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool. A trajet\u00f3ria do \u00edndice de varia\u00e7\u00e3o no emprego foi de: 50,04% em junho, 3,81% em julho, -5,02% em agosto e -34,02% em setembro. As ind\u00fastrias de material de transporte e bebidas, reduziram seu quadro de funcion\u00e1rios especialmente pela busca de redu\u00e7\u00e3o de custos no processo de reestrutura\u00e7\u00e3o industrial. Por sua vez, apresentaram resultados positivos as ind\u00fastrias mec\u00e2nica, com 4,49%; de produtos alimentares, 1,09%, e vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados 0,92%. Apesar destas varia\u00e7\u00f5es positivas, foram insuficientes para reverter a tend\u00eancia de queda no n\u00edvel de emprego, que vem sendo observado no estado. A expectativa, por\u00e9m, com o an\u00fancio das propostas de ajuste fiscal, \u00e9 que as empresas dos setores t\u00eaxtil, vestu\u00e1rio, cal\u00e7ados e eletrodom\u00e9sticos tamb\u00e9m reduzam seu quadro de pessoal, diminuindo custos, forma encontrada para enfrentar os impactos gerados pelas medidas previstas no pacote fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados de intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra, registrados pelo SINE-ES (ver tabela 4.5), mostram um aumento superior a 100% no total da m\u00e3o-de-obra cadastrada (demandando empregos), de janeiro a setembro deste ano, se comparado com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, passando de 16.694 cadastrados em 1997 para 33.493 em 1998. Do total das vagas captadas pelo SINE, em setembro de 1998, somente 327 foram ocupadas, resultando numa taxa de absor\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra de 33,4%, caindo em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, que foi de 35,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IDEIES, o sal\u00e1rio real m\u00e9dio no total da ind\u00fastria sofreu um decr\u00e9scimo de -1,14% em agosto e de -0,31% em setembro, em rela\u00e7\u00e3o aos meses anteriores, conforme tabela 4.6. Isso significa a ocorr\u00eancia de uma quebra na poss\u00edvel tend\u00eancia de recupera\u00e7\u00e3o observada nos meses de junho e julho. Em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, os sal\u00e1rios reais pagos em 1998 ca\u00edram mais de 12%, em m\u00e9dia. O sal\u00e1rio m\u00e9dio l\u00edquido por empregado decresceu -1,05%, em agosto, em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, registrando um valor de R$ 846,00 em agosto, contra R$ 855,00 em julho.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empres\u00e1rios capixabas acreditam que as medidas anunciadas pelo governo, contra o desemprego, n\u00e3o ter\u00e3o o impacto de redu\u00e7\u00e3o esperado. Segundo o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Esp\u00edrito Santo (FINDES), Jos\u00e9 Br\u00e1ulio Bassini, as medidas propostas pelo Governo no campo do trabalho, embora compensat\u00f3rias, dever\u00e3o ter alcance limitado. Ele acredita que o Governo centrou o foco nas grandes empresas, principalmente nas montadoras de ve\u00edculos, porque o desemprego neste setor causa maior impacto na sociedade (Gazeta-on-Line-04\/11\/98).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b374f6be\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">A base monet\u00e1ria<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria tem apresentado violentas varia\u00e7\u00f5es entre os meses de junho a agosto de 1998. Cresceu 19,7% em junho, diminuiu 11,4% em julho e voltou a crescer 7,4% em agosto (ver Tabela 5.1). Os fatores que influenciaram essas varia\u00e7\u00f5es na Base Monet\u00e1ria encontram-se descritos na tabela 5.2. Os dados do \u00faltimo trimestre mostram que em termos absolutos a Base Monet\u00e1ria aumentou R$ 6,1 bilh\u00f5es em junho, diminuiu 4,2 bilh\u00f5es em julho e voltou a aumentar R$ 2,4 bilh\u00f5es em agosto. A maior parte dessas varia\u00e7\u00f5es refletiu-se no saldo das reservas banc\u00e1rias expressando a crescente instabilidade financeira que tomou conta da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1998, as opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional e com o Setor Externo apresentaram, em conjunto, um efeito contracionista na Base, de R$ 12,3 bilh\u00f5es. Em contrapartida, as demais opera\u00e7\u00f5es apresentaram efeito inverso em um total de R$ 14,7 bilh\u00f5es. Para compensar a retra\u00e7\u00e3o na liquidez do mercado monet\u00e1rio no m\u00eas de agosto, as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos federais foram expansionistas em R$ 12,9 bilh\u00f5es, tendo ocorrido resgate l\u00edquido de R$ 2 bilh\u00f5es no mercado prim\u00e1rio, compras l\u00edquidas de R$ 10,6 bilh\u00f5es no mercado secund\u00e1rio e de R$ 300 milh\u00f5es no extramercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia contracionista das opera\u00e7\u00f5es com o setor externo confirma o processo de incerteza que se instaura nos mercados financeiros internacionais. Mesmo com a disparada nas taxas de juros, os capitais externos continuam deixando o Pa\u00eds, principalmente depois da morat\u00f3ria russa. Para fazer frente \u00e0 essa fuga de capitais o Governo est\u00e1 aprovando um conjunto de medidas que visam produzir um elevado super\u00e1vit em suas contas prim\u00e1rias e um acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional para obter um empr\u00e9stimo na ordem de US$ 30 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de pagamento, em seu conceito mais restrito (M1 ou dep\u00f3sitos \u00e0 vista e papel-moeda em poder do p\u00fablico), aumentaram 0,7%, em agosto, como saldo em final de per\u00edodo, atingindo R$ 44,2 bilh\u00f5es. No seu conceito mais amplo, os meios de pagamentos (M4) atingiram R$ 439,2 bilh\u00f5es com varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,1% no m\u00eas de agosto. O estoque de t\u00edtulos p\u00fablicos federais em poder do p\u00fablico alcan\u00e7ou R$ 176,5 bilh\u00f5es, representando redu\u00e7\u00e3o de 0,2% e correspondendo a 40,2% do total do agregado. O saldo dos dep\u00f3sitos de poupan\u00e7a atingiu R$ 101,5 bilh\u00f5es, com ganho l\u00edquido de R$ 1,2 bilh\u00e3o no m\u00eas, enquanto o saldo dos dep\u00f3sitos a prazo e outros t\u00edtulos privados chegou a R$ 99,6 bilh\u00f5es, com perda l\u00edquida de R$ 1,2 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O agregado monet\u00e1rio denominado de Base Monet\u00e1ria Ampliada (que inclui, al\u00e9m da base monet\u00e1ria restrita, os principais passivos do BACEN e do Tesouro Nacional) ao final do per\u00edodo, apresentou redu\u00e7\u00e3o de 0,8% em agosto, alcan\u00e7ando R$ 341,6 bilh\u00f5es, que reflete, segundo o Banco Central, o impacto contracionista das opera\u00e7\u00f5es do setor externo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c35d3605\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito normais do sistema financeiro, em agosto, registraram uma varia\u00e7\u00e3o negativa de 0,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, situando-se em R$ 252,6 bilh\u00f5es. Quanto \u00e0 composi\u00e7\u00e3o dessas opera\u00e7\u00f5es, as contratadas pelo setor p\u00fablico federal cresceram 2,2% no m\u00eas de agosto, apresentando um saldo de R$ 4,9 bilh\u00f5es; os cr\u00e9ditos concedidos aos estados e munic\u00edpios diminu\u00edram 7,7%, produzindo uma redu\u00e7\u00e3o no total dos empr\u00e9stimos ao setor p\u00fablico de R$ 2,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito destinadas ao setor privado em agosto cresceram 1,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, atingindo R$ 215,5 bilh\u00f5es. Dentre seus componentes, apenas aquelas destinadas ao com\u00e9rcio diminu\u00edram 1,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para Ind\u00fastria, Habita\u00e7\u00e3o, Rural, Pessoas F\u00edsicas (PF) e outros servi\u00e7os, verificou-se um crescimento no m\u00eas de agosto, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, de 1,2%, 1,9%, 0,2%, 1,1% e 1,7%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Banco Central, em agosto, a magnitude da inadimpl\u00eancia atingiu R$ 23 bilh\u00f5es, representando 8,3% do cr\u00e9dito total, enquanto as provis\u00f5es de R$ 33,3 bilh\u00f5es representaram 12,1% desse saldo. A inadimpl\u00eancia no sistema financeiro privado, por sua vez, correspondeu a 5,4% do total de empr\u00e9stimos, enquanto as provis\u00f5es alcan\u00e7aram 7,5% do cr\u00e9dito total concedido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-04049ef4\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Em 07\/10\/98, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM), decidiu manter as taxas b\u00e1sicas de juros nos atuais 19,00% para a TBC e 49,75% para a TBAN, conforme tabela 5.4. Ao mesmo tempo, manteve-se a supress\u00e3o tempor\u00e1ria do uso da TBC. Segundo a pr\u00f3pria equipe econ\u00f4mica, a decis\u00e3o teria sido mais do que influenciada pela instabilidade financeira internacional, que instaurou um clima de incerteza no mercado financeiro mundial, a partir da qual ocorreu uma violenta perda nas reservas cambiais durante os meses de agosto, setembro e outubro de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o do teto da banda de juros, representado pela TBAN, nos atuais 49,75%, foi um recado dado pelo Banco Central \u00e0 todo mercado financeiro mundial, principalmente aos especuladores internacionais e nacionais, de que o governo estaria disposto a elevar sua taxa efetiva at\u00e9 esse percentual, se necess\u00e1rio fosse, para conter qualquer ataque especulativo ou sa\u00edda maci\u00e7a de reservas.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa efetiva do Banco Central, a Over\/Selic, que \u00e9 definida diariamente em suas opera\u00e7\u00f5es com o mercado, fechou outubro em 42,46%, mostrando que ainda existe espa\u00e7o para flutua\u00e7\u00f5es dentro da banda que \u00e9 estabelecida entre a TBC e a TBAN, conforme observamos o gr\u00e1fico 5.1. Assim, o BACEN pode elevar a remunera\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos da d\u00edvida interna sem a necessidade de novo aumento nas taxas b\u00e1sicas em novembro, quando dever\u00e1 ocorrer a pr\u00f3xima reuni\u00e3o do COPOM.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tem hoje a terceira maior taxa de juros do mundo. Em estudo feito por uma empresa do grupo franc\u00eas Louis Dreyfus, sediada no Paran\u00e1, a taxa de juros real brasileira (descontada a infla\u00e7\u00e3o), que em setembro chegou \u00e0 29,8% a.a., s\u00f3 foi superada pela Venezuela, que atingiu uma taxa real de 37,7% a.a. e pela Col\u00f4mbia, que registrou uma taxa real de 35,1% a.a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em reuni\u00e3o realizada em 11\/11\/98 o COPOM aprovou uma redu\u00e7\u00e3o de 7,5 pontos percentuais na TBAN, passando de 49,75% para 42,25%. Ao mesmo tempo o BACEN come\u00e7ou a reduzir as taxas pagas na remunera\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica. A taxa Over\/Selic foi reduzida de 42,25 para 39,5% nas opera\u00e7\u00f5es realizadas no Open Market em 12\/11\/98, na qual o BACEN colocou R$ 3,5 bilh\u00f5es em t\u00edtulos com rendimentos h\u00edbridos.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-0be229f1\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1998, o Governo Central obteve um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 5,4 bilh\u00f5es, o maior j\u00e1 registrado neste ano. No m\u00eas anterior, o resultado foi deficit\u00e1rio em R$ 210 milh\u00f5es. Esta invers\u00e3o do resultado foi poss\u00edvel devido \u00e0 receita advinda da concess\u00e3o dos servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es, totalizando R$ 5,3 bilh\u00f5es, referente \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o do Sistema Telebr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do Tesouro\/Bacen, em agosto, foi superavit\u00e1rio em R$ 5,9 bilh\u00f5es, enquanto a Previd\u00eancia Social registrou um d\u00e9ficit no valor R$ 452 milh\u00f5es, tendo melhorado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00e9ficit de R$ 723 milh\u00f5es no m\u00eas anterior, o maior do ano. A deteriora\u00e7\u00e3o das contas da Previd\u00eancia em julho deveu-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da receita do INSS (-5,5%) e do aumento dos gastos com benef\u00edcios (+3,2%), devido ao reajuste concedido aos valores acima do m\u00ednimo. A redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit na previd\u00eancia, em agosto, foi devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o da receita l\u00edquida do INSS (+8,5%), visto que os benef\u00edcios permaneceram constantes.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita l\u00edquida do Governo Central, em julho de 1998, cresceu 10,6% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Este crescimento foi impulsionado pelo desempenho da receita do Tesouro (+16,2%). Contribu\u00edram para este desempenho a eleva\u00e7\u00e3o do Imposto Retido na Fonte (IRRF) &#8211; 89,9% em rela\u00e7\u00e3o a junho; a eleva\u00e7\u00e3o do Imposto de renda de Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e a Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) &#8211; 46,4% e 36,3%, respectivamente. Em agosto, a eleva\u00e7\u00e3o da receita l\u00edquida foi de 49,5% em rela\u00e7\u00e3o a julho, a principal causa deste resultado foi o aumento de 59,4% nas receitas do Tesouro.<\/p>\n\n\n\n<p>No acumulado de janeiro a agosto de 1998, o Governo Central obteve um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 6,7 bilh\u00f5es, correspondendo a 1,12% do PIB, no mesmo per\u00edodo do ano passado, este resultado tinha sido de R$ 4,0 bilh\u00f5es (0,7% do PIB). A gera\u00e7\u00e3o deste super\u00e1vit decorre do desempenho do conjunto Tesouro\/Bacen que obteve um saldo positivo neste per\u00edodo de R$ 9,8 bilh\u00f5es, enquanto em 1997, este valor havia sido de R$ 4,3 bilh\u00f5es. Por outro lado, a Previd\u00eancia Social apresentou um d\u00e9ficit acumulado de R$ 3 bilh\u00f5es (0,5% do PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao resultado nominal, o montante de juros pagos nos meses de junho e julho somaram R$ 4,4 bilh\u00f5es e R$ 3,6 bilh\u00f5es, respectivamente. Entretanto, o decr\u00e9scimo no valor dos juros pagos (principal componente do d\u00e9ficit nominal) no m\u00eas de julho n\u00e3o foi suficiente para uma redu\u00e7\u00e3o significativa do d\u00e9ficit nominal que, depois de sofrer um decr\u00e9scimo de maio para junho (R$ 4,1 para R$ 2,1 bilh\u00f5es) voltou a se elevar atingindo a cifra de R$ 3,4 bilh\u00f5es no m\u00eas de julho. Contribu\u00edram para este desempenho, o resultado prim\u00e1rio deficit\u00e1rio da ordem de R$ 210 milh\u00f5es ocasionado principalmente pelo d\u00e9ficit do INSS que saltou de R$ 387 milh\u00f5es para R$ 723 milh\u00f5es de junho para julho.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de juros para os meses seguintes deve crescer aceleradamente devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o nas taxas pagas nos meses de setembro e outubro no Over\/Selic. Mesmo com as novas taxas de juros, estima-se que o montante de juros a ser pago durante o ano de 1998 ultrapasse os R$ 70 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal atingiu, no m\u00eas de agosto, o total de R$ 392,54 bilh\u00f5es (43% do PIB), representando um aumento de 1,3% em rela\u00e7\u00e3o a julho. Deste total, R$ 302,6 bilh\u00f5es (33,4% do PIB) corresponde \u00e0 d\u00edvida mobili\u00e1ria federal fora do Banco Central &#8211; redu\u00e7\u00e3o de 0,7% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior &#8211; e R$ 89,93 bilh\u00f5es (9,92% do PIB) corresponde \u00e0 d\u00edvida na carteira do Bacen &#8211; aumento de 8,87%.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal fora do Banco Central, os t\u00edtulos prefixados apresentaram queda, passando de 21,9% do total, em julho, para 13% em agosto. Isto foi o resultado do resgate l\u00edquido de R$ 12,6 bilh\u00f5es de Letras do Tesouro Nacional (LTN) no mercado prim\u00e1rio e R$ 2,7 bilh\u00f5es de financiamento concedido no mercado secund\u00e1rio. Quanto aos t\u00edtulos cambiais, ocorreu um aumento em sua participa\u00e7\u00e3o, passando de 17,2% em julho para 19,4% em agosto. Da mesma forma cresceram a participa\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos indexados ao over\/selic. Eles passaram de 55,3% em julho para 62% em agosto, devido \u00e0s coloca\u00e7\u00f5es l\u00edquidas no mercado prim\u00e1rio de Letras do Banco Central &#8211; LBC (7,4 bilh\u00f5es) e de Letras Financeiras do Tesouro &#8211; LFT (R$ 8,5 bilh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida total do setor p\u00fablico atingiu em julho o montante de R$ 349,4 bilh\u00f5es (38,6% do PIB). Em junho, este valor situava-se em R$ 346,6 bilh\u00f5es. Desse modo, o crescimento de 0,81% de junho para julho pode ser atribu\u00eddo basicamente \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da D\u00edvida Interna L\u00edquida do Governo Federal e BCB. Estas apresentaram um crescimento significativo, da ordem de 1,6% entre os meses de junho e julho. Estados e munic\u00edpios mantiveram o seu n\u00edvel de endividamento e as empresas estatais apresentaram pequenas redu\u00e7\u00f5es nos meses referidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O entusiasmo com a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros de 21% para 19,75% e 19%, respectivamente, ocorrida no m\u00eas de julho e o impacto da entrada dos recursos advindos da privatiza\u00e7\u00e3o da Telebr\u00e1s durou pouco. A crise russa que se aprofundou no m\u00eas de setembro foi um banho de \u00e1gua fria nas expectativas otimistas do governo central colocando em evid\u00eancia a vulnerabilidade do Pa\u00eds \u00e0s instabilidades internacionais. Neste contexto de incertezas o governo se viu obrigado a elevar a TBAN, inicialmente de 19% para 25,75% e logo em seguida para 49% a.a.. O pessimismo do mercado, no entanto, n\u00e3o cedeu o que levou o governo \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de um pacote fiscal que inclui cortes de gastos e aumento de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as principais medidas previstas destacam-se:<\/p>\n\n\n\n<p>1)aumento da al\u00edquota da CPMF de 0,2% para 0,38% em 1999, e para 0,30% nos anos de 2000 e 2001; 2)eleva\u00e7\u00e3o da al\u00edquota da COFINS em 1,0 ponto percentual; 3)corte nos gastos governamentais da ordem de R$ 8,7 bilh\u00f5es para o ano de 1999; 4)redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio com extens\u00e3o da al\u00edquota de contribui\u00e7\u00e3o de 11% aos inativos civis e ado\u00e7\u00e3o de al\u00edquota de 9% para todos os servidores civis com remunera\u00e7\u00e3o acima de R$ 1.200,00.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o governamental \u00e9 de que o programa de ajuste produza um super\u00e1vit prim\u00e1rio da ordem de R$ 28 bilh\u00f5es. Para 2000 e 2001, a proje\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit prim\u00e1rio \u00e9 de 2,8 e 3,0%, respectivamente. Em compara\u00e7\u00e3o com o pacote de outubro de 97, adotado \u00e0 \u00e9poca da crise asi\u00e1tica, pode-se dizer que o atual tem impacto bastante superior sob todos os aspectos. Enquanto o pacote de 97 enfatizava basicamente a melhoria no sistema de arrecada\u00e7\u00e3o com a contrata\u00e7\u00e3o de novos fiscais e simplifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, bem como, cortes de despesas na administra\u00e7\u00e3o direta e indireta; o pacote fiscal proposto recentemente incide amplamente sobre a arrecada\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da altera\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas e prorroga\u00e7\u00e3o da CPMF e tamb\u00e9m sobre os gastos governamentais, prevendo dr\u00e1sticos cortes para este ano e o ano que vem. Deste modo, o cen\u00e1rio que se vislumbra para o pr\u00f3ximo ano \u00e9 de queda no n\u00edvel de atividade da economia dado as medidas acima descritas aliadas \u00e0s altas taxas de juros, que, para o pr\u00f3ximo ano, tem poucas possibilidades de se situarem em patamares prop\u00edcios \u00e0 retomada de um volume de investimento condizente com uma taxa de crescimento desej\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-7ba15a7b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">As Finan\u00e7as do Estado do Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A Secretaria da Fazenda (SEFA) do Estado do Esp\u00edrito Santo atrav\u00e9s da Coordena\u00e7\u00e3o de Contabilidade publicou no Di\u00e1rio Oficial de 05\/10\/98 as contas relativas a julho e agosto de 1998. A execu\u00e7\u00e3o financeira no per\u00edodo apresentou um d\u00e9ficit de -308,15% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1997. Esse d\u00e9ficit deve-se ao fato de que, no m\u00eas de julho, as despesas foram maiores em R$ 28.920,31 mil do que as receitas; e o super\u00e1vit de R$ 17.980,71 mil, no m\u00eas de agosto, n\u00e3o foi suficiente para o equil\u00edbrio das contas.<\/p>\n\n\n\n<p>As receitas correntes cresceram 14,89%; as taxas, (157,41%); e principalmente as outras receitas (1005,03%), contribu\u00edram para esse resultado, como podemos observar na tabela 6.4. Estes itens, que pesaram positivamente nas receitas, minimizaram o efeito da redu\u00e7\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito (-98,52%); das transfer\u00eancias (-48,45%) e das outras receitas de capital (-16,63%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas despesas correntes, os gastos com pessoal e encargos sociais cresceram 18,20% e os juros e encargos da d\u00edvida, 117,02%. Entretanto, esses gastos referem-se \u00e0 execu\u00e7\u00e3o financeira e n\u00e3o incluem os sal\u00e1rios atrasados dos servidores estaduais. A inclus\u00e3o das folhas de pagamento em atraso elevaria violentamente o d\u00e9ficit do governo estadual. Os investimentos foram reduzidos na ordem de 26,21% no bimestre, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Mas os gastos com amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida foram de R$ 9.822,59 mil e representam um aumento de 395,36%.<\/p>\n\n\n\n<p>A defasagem na divulga\u00e7\u00e3o das contas n\u00e3o nos permite uma an\u00e1lise precisa dos impactos das medidas de ajuste fiscal do Governo Federal. Mas a recess\u00e3o decorrente das medidas anunciadas no pacote fiscal dever\u00e1 apresentar um impacto negativo nas receitas tribut\u00e1rias do estado. A privatiza\u00e7\u00e3o da CESAN e da carteira imobili\u00e1ria do estado contribuir\u00e1 para a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit das contas. Mas n\u00e3o se sabe ainda, se a receita da\u00ed gerada ser\u00e1 suficiente para restabelecer a normalidade no pagamento do funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-465c56af\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com as perspectivas apontadas no Boletim anterior, observamos que nos meses de agosto, setembro e outubro, o agravamento da crise mundial deflagrou uma profunda fuga de capitais. S\u00f3 pelo segmento livre do c\u00e2mbio contratado, a sa\u00edda chegou ao total de US$ 10,3 bilh\u00f5es em setembro, invertendo a posi\u00e7\u00e3o superavit\u00e1ria observada no primeiro semestre do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O saldo final do fluxo cambial de ontem (03.11.98) ficou negativo em US$ 179 milh\u00f5es, mostrando que o Pa\u00eds continua a perder recursos externos, mesmo com o an\u00fancio do pacote fiscal. O fluxo de ontem, no entanto, foi 24% menor do que o registrado na \u00faltima sexta-feira. Do total de ontem, US$ 90 milh\u00f5es entraram pelo mercado comercial, enquanto outros US$ 269 milh\u00f5es deixaram o Pa\u00eds pela taxa flutuante de mercado, de acordo com o Lloyds Bank. Desde 1\u00ba de setembro, a fuga de capitais acumula US$ 19,7 bilh\u00f5es.&#8221; (editorial Zaz, 04.11.98). O c\u00e2mbio contratado no segmento livre \u00e9 o principal meio de troca de reais por outras moedas para o com\u00e9rcio exterior, investidores estrangeiros em bolsas, mercado financeiro, para a remessa de lucros de empresas multinacionais a suas matrizes no exterior. O segmento flutuante envolve outras transa\u00e7\u00f5es, principalmente as de CC5 e das viagens internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mercados emergentes, fonte de enormes rendimentos, passaram a apresentar riscos elevados e iminentes, fazendo com que os aplicadores buscassem aplica\u00e7\u00f5es mais seguras, como os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica americana. No m\u00eas de outubro, o Fed reduziu a taxa de juros nos EUA para 5% ao ano, visando desestimular a aplica\u00e7\u00e3o nos t\u00edtulos americanos. Outros pa\u00edses europeus como Portugal, Espanha e It\u00e1lia tamb\u00e9m reduziram suas taxas internas de juros. Esta medida demonstrou a preocupa\u00e7\u00e3o das economias centrais com a crise financeira que se alastrou por todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de agosto e setembro, o saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos apresentou um d\u00e9ficit de US$ 7,38 bilh\u00f5es, acumulando no ano US$ 23,5 bilh\u00f5es ou 4,03% do PIB, com um crescimento de 4,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Este resultado \u00e9 explicado pela eleva\u00e7\u00e3o no pagamento de juros e pelas remessas de lucros. Esses dois itens aumentaram US$ 2,5 bilh\u00f5es nos primeiros nove meses do ano, em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhoria observada na Balan\u00e7a Comercial no montante de US$ 1,9 bilh\u00f5es, no per\u00edodo, n\u00e3o foi suficiente para contrabalan\u00e7ar o aumento na conta de servi\u00e7os. O d\u00e9ficit comercial atingiu em agosto um total de US$ 666 milh\u00f5es e, em setembro, US$ 801 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a tend\u00eancia sazonal para os pr\u00f3ximos meses seja de aumento nas importa\u00e7\u00f5es, o m\u00eas de outubro registrou, segundo dados do MICT, uma expressiva melhoria no d\u00e9ficit, que diminuiu para US$ 472 milh\u00f5es. As exporta\u00e7\u00f5es totalizaram US$ 4,57 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es US$ 5,05 bilh\u00f5es, registrando a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es decorrente do aprofundamento da crise nesse final de ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 4,6 bilh\u00f5es entre os meses de agosto e setembro, reduzindo para US$ 8,6 bilh\u00f5es (ver tabela 7.2). Apesar disso, o acumulado no ano ainda apresenta um aumento de 18,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, todos os itens apresentaram redu\u00e7\u00f5es significativas, com exce\u00e7\u00e3o do leasing.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontando os ingressos com as sa\u00eddas de capital, durante o bimestre, foi registrada uma sa\u00edda l\u00edquida de US$ 3,2 bilh\u00f5es nos Anexos I a V; US$ 6,7 bilh\u00f5es dos fundos; e um resultado positivo de US$ 6,4 bilh\u00f5es no investimento estrangeiro direto. Isto significa que a maior parte do capital especulativo parasit\u00e1rio ainda continua no Pa\u00eds. O saldo acumulado nas aplica\u00e7\u00f5es dos Anexos I a V, em julho, atingia o montante de US$ 37,2 bilh\u00f5es; os ingressos pela Resolu\u00e7\u00e3o 2.483 (a 63 caipira), acumulava US$ 21,6 bilh\u00f5es; os investimentos nos Fundos, US$ 4,9 bilh\u00f5es; a Resolu\u00e7\u00e3o 63, US$ 6,7 bilh\u00f5es; e os B\u00f4nus e Notes, US$ 84,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais mecanismos de ingresso, por excel\u00eancia, do capital especulativo parasit\u00e1rio s\u00e3o os Anexos I a V, a 63 caipira e os Fundos; estes recursos apresentavam um saldo acumulado de US$ 63,7 bilh\u00f5es em julho de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que sa\u00edram US$ 9,9 bilh\u00f5es em agosto e setembro, ainda restam mais de US$ 53 bilh\u00f5es, n\u00e3o considerando juros e ganhos de capital. Por outro lado, registrou-se sa\u00eddas na compra dos B\u00f4nus e Notes, emitidos por empresas sediadas no Pa\u00eds e vendidas no mercado financeiro internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir destes dados, ainda que incompletos, pode-se concluir que o potencial da crise, decorrente da desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, ainda n\u00e3o foi completamente solucionado. O saldo das reservas internacionais que, no conceito de caixa, atingia cerca de US$ 69 bilh\u00f5es em julho, caiu para US$ 45 bilh\u00f5es em setembro e estima-se que chegou a US$ 40 bilh\u00f5es no final de outubro. Espera-se que, com os empr\u00e9stimos do FMI, do Banco Mundial e do G-7, obtenha-se US$ 35 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos. Estes recursos s\u00e3o insuficientes para atender todo o retorno dos capitais especulativos juntamente com seus ganhos nas aplica\u00e7\u00f5es internas. Mas podem atender, no curto prazo \u00e0 exig\u00eancia do pagamento das remunera\u00e7\u00f5es, dos juros do endividamento externo e as crescentes remessas de lucros dos investimentos estrangeiros diretos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o O Brasil est\u00e1, mais uma vez, pedindo ajuda ao FMI &#8211; Fundo Monet\u00e1rio Internacional. 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