{"id":3908,"date":"1999-01-21T18:57:00","date_gmt":"1999-01-21T20:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3908"},"modified":"2025-11-21T19:17:13","modified_gmt":"2025-11-21T22:17:13","slug":"boletim-n-o06-janeiro-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-n-o06-janeiro-1999\/","title":{"rendered":"Boletim n \u00ba06 &#8211; Janeiro 1999"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-a36045f2 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-05e85b06\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil esperava, ap\u00f3s o acordo com o FMI, entrar em um per\u00edodo de tranquilidade garantida pelos US$ 41,5 bilh\u00f5es de empr\u00e9stimos obtidos. Mas a reelei\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique e o recebimento da primeira parcela do acordo n\u00e3o satisfizeram o &#8220;mercado&#8221;, o pesadelo da crise continuou com um terceiro ataque especulativo ao Real, em pouco mais de 12 meses. Assim, continua se desvendando a gravidade da crise capitalista mundial e, gradativamente, a periferia do sistema vai sucumbindo \u00e0 superacumula\u00e7\u00e3o de capital e \u00e0 necessidade de desvaloriza\u00e7\u00e3o da montanha de capital fict\u00edcio acumulada no sistema de cr\u00e9dito internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O abandono, pelo menos moment\u00e2neo, da pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio \u00e9 aplaudida por todo o sistema, gerando uma recupera\u00e7\u00e3o no capital fict\u00edcio, 30% nas bolsas de valores brasileiras e a recupera\u00e7\u00e3o de todas as bolsas pelo mundo afora. Aparentemente, a equipe econ\u00f4mica assume a proposta, n\u00e3o s\u00f3 da esquerda brasileira, mas do FMI e do Banco Mundial, da necessidade de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Espera-se, agora, mais um passo na pol\u00edtica neoliberal, na qual, as &#8220;for\u00e7as do mercado&#8221; v\u00e3o determinar a taxa de c\u00e2mbio.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;defesa&#8221; das reservas internacionais atrav\u00e9s da libera\u00e7\u00e3o cambial decorre do acordo com o FMI e n\u00e3o de uma mudan\u00e7a de perspectiva na pol\u00edtica econ\u00f4mica. O acordo estabelece como limite para o Cr\u00e9dito Dom\u00e9stico L\u00edquido, definido como &#8220;a diferen\u00e7a entre a base monet\u00e1ria e as reservas internacionais l\u00edquidas&#8221;, o montante de menos R$ 9.506 milh\u00f5es em dezembro de 1998 e de R$ -7.376 em mar\u00e7o de 1999. Isso significa que as reservas internacionais poderiam cair em apenas R$ 2.130 milh\u00f5es no primeiro trimestre do ano. Caiu cerca de R$ 6 bilh\u00f5es na primeira quinzena de janeiro. O governo, \u00e0 medida que n\u00e3o conseguiu cumprir algumas metas do acordo, viu-se obrigado, ent\u00e3o, a liberar o c\u00e2mbio e renegociar o acordo com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>As op\u00e7\u00f5es escolhidas pelo Presidente e pela equipe econ\u00f4mica, desde o in\u00edcio do Plano Real, de desregulamenta\u00e7\u00e3o do mercado financeiro nacional e de est\u00edmulo ao ingresso dos capitais especulativos parasit\u00e1rios, contribu\u00edram fundamentalmente para a situa\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes capitais, que se expandiram juntamente com a superacumula\u00e7\u00e3o mundial de capital na esfera financeira, buscam sua valoriza\u00e7\u00e3o justamente na especula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o encontram espa\u00e7o na esfera produtiva. A esperada redu\u00e7\u00e3o nas taxas de juros, ao contr\u00e1rio de estimular somente a produ\u00e7\u00e3o, acabar\u00e1 por produzir novas sa\u00eddas do capital especulativo. Espera-se que, com a livre flutua\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, a queda nas taxas de juros estimule a produ\u00e7\u00e3o, o consumo e o emprego. Mas, a maior parte do cr\u00e9dito destinado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o encontra-se subsidiada em um segmento particular do sistema de cr\u00e9dito. O consumo depende, em sua maior parte, do aumento na renda real dos trabalhadores que cada vez mais nem emprego conseguem.<\/p>\n\n\n\n<p>Este in\u00edcio de um novo mandato prenuncia, com as recentes mudan\u00e7as, um aumento da depend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o da economia brasileira, j\u00e1 exageradamente elevada, ao centro hegem\u00f4nico do sistema. As consequ\u00eancias poder\u00e3o ser muito mais graves do que podemos imaginar no momento. Principalmente porque, na opini\u00e3o de um importante economista &#8211; Fran\u00e7ois Chesnais, &#8220;a crise est\u00e1 apenas come\u00e7ando&#8221; (JB, 18.01.99).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Departamento de Economia e Mestrado em Economia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">N\u00facleo de Estudos e Pesquisas e COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Ang\u00e9lica Soares Gusm\u00e3o, Cl\u00e1udio Alves Monjardim, Edmara Ferreguetti Braga, Jalisson Lage Maciel, Larissa Soares Bressan, Lauri\u00e9te Caneva, Lucinedes Tesch, Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Marlon Gomes Ney, N\u00fabia Oliveira Bretas, Otniel Barcelos de Aquino, Romilda Alves Bernardino, Rosiane de Souza, Te\u00f3filo Henrique Pereira de Paula, Vanuza da Silva Pereira, Verana B Regattieri<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: \u00c2ngela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo.<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Factual Editora LTDA<\/p><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons uagb-buttons__outer-wrap uagb-btn__default-btn uagb-btn-tablet__default-btn uagb-btn-mobile__default-btn uagb-block-45cf7c7c\"><div class=\"uagb-buttons__wrap uagb-buttons-layout-wrap \">\n<div class=\"wp-block-uagb-buttons-child uagb-buttons__outer-wrap uagb-block-13a1897b wp-block-button\"><div class=\"uagb-button__wrapper\"><a class=\"uagb-buttons-repeater wp-block-button__link\" aria-label=\"\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0ek1SM0ZqeUt5TGs\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-xpAbzFplIi-IyYnNnw9mcw\" rel=\"follow noopener\" target=\"_blank\" role=\"button\"><div class=\"uagb-button__link\">Clique aqui para acessar o arquivo original<\/div><\/a><\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-afa575a9 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Empregos e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9e21d52f\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Depois de alargar a banda cambial, estabelecendo piso e teto da paridade do Real em R$ 1,20 e 1,32, respectivamente, o governo promoveu, de uma s\u00f3 tacada, uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda de 8,26%. Acreditou, com isso, conseguir acalmar o mercado e ganhar tempo para fazer corre\u00e7\u00f5es mais acentuadas e regulares, visando corrigir, de forma menos gradual, a defasagem cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deu. Diante de um novo ataque especulativo, e sem cacife suficiente para sustentar a nova paridade, foi instado a deixar o c\u00e2mbio flutuar na sexta-feira, 15 de janeiro, depois de v\u00e1rias consultas feitas ao Tesouro norte-americano e ao FMI. Com essa medida, considerada de alto risco, depois de bater em R$ 1,68, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar acabou recuando ao longo do dia e acomodando-se em R$ 1,44, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o atingindo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ter\u00e7a-feira, o percentual de 17,4%. Resultado que foi comemorado como uma grande vit\u00f3ria, principalmente porque, neste processo, as bolsas cresceram explosivamente, recuperando as perdas da semana e indicando, aparentemente, a confian\u00e7a do mercado no novo regime adotado. Mas na segunda-feira, para decep\u00e7\u00e3o dos que j\u00e1 depositavam f\u00e9 na efic\u00e1cia da mudan\u00e7a realizada, sua cota\u00e7\u00e3o saltou para R$ 1,57, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o aproximando-se da marca dos 30%.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o cabe repisar as cr\u00edticas que h\u00e1 tempos v\u00eam sendo feitas \u00e0 condu\u00e7\u00e3o equivocada da pol\u00edtica econ\u00f4mica e nem insistir no fato de que a mudan\u00e7a operada na pol\u00edtica cambial foi excessivamente tardia, pois essas s\u00e3o quest\u00f5es bastante conhecidas dos economistas e analistas de bom senso. Mais importante, no quadro atual, \u00e9 avaliar se o novo regime tem condi\u00e7\u00f5es de ser mantido e quais s\u00e3o as perspectivas que se descortinam para a economia brasileira, neste novo contexto, em termos do processo inflacion\u00e1rio, do comportamento da atividade econ\u00f4mica e das possibilidades de se realizar o ajuste fiscal, tornado ainda mais vital nessa situa\u00e7\u00e3o para garantir a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos no seu \u00eaxito.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do sucesso alcan\u00e7ado na sexta-feira, o governo viu-se tentado e, apoiado pelo FMI, a adotar o sistema do c\u00e2mbio flutuante. Todavia, apesar deste regime potencialmente abrir espa\u00e7o para uma redu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida das taxas de juros, o fato \u00e9 que al\u00e9m de seus resultados n\u00e3o terem sido efetivamente testados, com ele geram-se muitas incertezas, especialmente numa situa\u00e7\u00e3o de baixos n\u00edveis de reservas externas, de descontrole das contas p\u00fablicas e de reduzida confian\u00e7a do mercado nos novos rumos da pol\u00edtica econ\u00f4mica. A rea\u00e7\u00e3o do mercado na segunda-feira representou uma prova inequ\u00edvoca dessa desconfian\u00e7a, indicando, tamb\u00e9m, indefini\u00e7\u00e3o do ponto de equil\u00edbrio que se considera correto para o c\u00e2mbio. Por isso, pode-se prever que a economia brasileira deve continuar numa trajet\u00f3ria de instabilidade, enquanto este ponto n\u00e3o for alcan\u00e7ado e o ajuste fiscal n\u00e3o se tornar convincente para os agentes econ\u00f4micos. Com baixos n\u00edveis de reservas e reduzida credibilidade junto aos credores externos &#8211; tanto que o FMI n\u00e3o se disp\u00f4s a liberar a segunda parcela do empr\u00e9stimo concedido ao pa\u00eds &#8211; essa possibilidade se torna mais dif\u00edcil.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante ao processo inflacion\u00e1rio, ser\u00e3o inevit\u00e1veis press\u00f5es sobre os pre\u00e7os, com o encarecimento dos produtos importados, principalmente dos que s\u00e3o utilizados no processo produtivo, e com o aumento do endividamento das empresas que se encontram com passivos dolarizados. Apesar de n\u00e3o serem grandes os riscos de que os pre\u00e7os subam na mesma propor\u00e7\u00e3o da maxidesvaloriza\u00e7\u00e3o ocorrida, dado o ambiente recessivo, o desfalecimento da demanda, os altos n\u00edveis de desemprego e a desindexa\u00e7\u00e3o da economia, estimativas realizadas por alguns institutos de pesquisa indicam que a taxa de infla\u00e7\u00e3o pode chegar a 15% a.a., o que \u00e9 um n\u00edvel bastante significativo diante do processo de defla\u00e7\u00e3o que vinha sofrendo a economia brasileira. Se isso ocorrer, ser\u00e3o inevit\u00e1veis as press\u00f5es por reindexa\u00e7\u00e3o, recolocando em cena os mecanismos que garantem a reprodu\u00e7\u00e3o do processo inflacion\u00e1rio. De qualquer forma, o pa\u00eds n\u00e3o conviver\u00e1, doravante, com as baixas taxas de infla\u00e7\u00e3o que representaram a principal e \u00fanica conquista do Plano Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a atividade produtiva em decl\u00ednio, a desvaloriza\u00e7\u00e3o deve acentuar ainda mais essa trajet\u00f3ria, com o aumento do endividamento das empresas que se encontravam com passivos dolarizados, com o encarecimento dos pre\u00e7os dos componentes, mat\u00e9rias-primas, insumos e bens de capital importados e com a manuten\u00e7\u00e3o de taxas de juros elevadas, cujos n\u00edveis retornaram aos vigentes na crise da R\u00fassia, com o objetivo de conter o avan\u00e7o do processo inflacion\u00e1rio. Em alguma medida, o setor exportador, beneficiado com a corre\u00e7\u00e3o realizada, pode contribuir para amenizar essa situa\u00e7\u00e3o, embora a crise em que tamb\u00e9m se encontra mergulhada a economia internacional n\u00e3o inspire otimismo quanto ao alcance de suas possibilidades. Por isso, se as proje\u00e7\u00f5es anteriores indicavam um recuo do PIB de 3% no ano, n\u00e3o ser\u00e1 nenhuma surpresa se este decl\u00ednio for maior, com as novas estimativas apontando para algo em torno de 4 a 5% de crescimento negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste quadro, o ajuste das contas p\u00fablicas tornou-se mais problem\u00e1tico. Com o aprofundamento da recess\u00e3o, as receitas devem emagrecer, enquanto a manuten\u00e7\u00e3o das taxas de juros em n\u00edveis mais elevados ampliam os encargos da d\u00edvida, n\u00e3o bastassem as dificuldades que o governo tem enfrentado para aprovar as medidas do pacote fiscal do final do ano passado e o pesado aumento do endividamento p\u00fablico em reais ocorrido com a desvaloriza\u00e7\u00e3o. Como o d\u00e9ficit p\u00fablico nominal dos \u00faltimos doze meses encerrados em outubro atingiu 8,42% do PIB e o governo se comprometeu com o FMI de reduzi-lo para 4,7% em 1999, s\u00e3o muito reduzidas as chances de que isso ocorra. Por isso, teve in\u00edcio uma renegocia\u00e7\u00e3o para revis\u00e3o das metas com o FMI, cujo conte\u00fado deve acarretar ainda mais dificuldades para o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 cedo para avaliar todas as consequ\u00eancias da mudan\u00e7a do regime cambial realizada pelo governo para o comportamento da economia brasileira. Embora necess\u00e1ria, h\u00e1 tempos, a corre\u00e7\u00e3o terminou sendo realizada numa situa\u00e7\u00e3o de profundas fragilidades internas e externas do pa\u00eds, aumentando explosivamente seu potencial de riscos. Se a acomoda\u00e7\u00e3o com as mudan\u00e7as ocorrer de forma mais r\u00e1pida, os estragos com os erros cometidos poder\u00e3o ser menores e, ap\u00f3s um per\u00edodo de novos sacrif\u00edcios impostos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, uma nova rota poder\u00e1 ser delineada para a economia. Mas se o mercado continuar reagindo mal nos pr\u00f3ximos dias, um r\u00e1pido agravamento da crise ser\u00e1 inevit\u00e1vel. De qualquer forma, com a quebra da regra do c\u00e2mbio, o Real entra para a hist\u00f3ria como mais um programa que frustrou as esperan\u00e7as da popula\u00e7\u00e3o de conviver com a estabilidade. O pre\u00e7o que novamente ter\u00e1 de ser pago pela arrog\u00e2ncia de seus criadores e pelas teses teol\u00f3gicas que lhe deram sustenta\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito elevado.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-750d4db3\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os no \u00faltimo m\u00eas do ano de 1998 deu prosseguimento \u00e0 tend\u00eancia de estabilidade, apresentada durante 1998. Os institutos de pesquisa mais relevantes do pa\u00eds sinalizaram a ocorr\u00eancia de pequenas altas nos pre\u00e7os, apesar de nem todos os \u00edndices ainda estarem dispon\u00edveis para os dois meses, conforme mostra a tabela 2.1.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00cdndices IGP-DI &#8211; \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no conceito de Disponibilidade Interna &#8211; e IGP-M &#8211; \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no Mercado, calculados pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, registraram infla\u00e7\u00e3o de 0,98% e 0,45%, respectivamente, em dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O IGP-DI depois de registrar defla\u00e7\u00e3o pelo quinto m\u00eas consecutivo de 0,18%, em novembro, apresentou infla\u00e7\u00e3o de 0,98% em dezembro, encerrando 1998 com alta de 1,70%, a menor varia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os que o \u00edndice registra desde 1957. O IGP-DI apresentou uma grande redu\u00e7\u00e3o na taxa de infla\u00e7\u00e3o quando comparamos com 1997. Naquele ano a taxa de infla\u00e7\u00e3o medida pelo IGP-DI, foi de 7,48%. Os \u00cdndices que comp\u00f5em o IGP-DI registraram varia\u00e7\u00f5es positivas tanto em dezembro como no acumulado do ano. O \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA-DI) que representa 60% do IGP-DI, teve alta de 1,74%; o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC-DI), alta de 0,09% e o \u00cdndice Nacional da Constru\u00e7\u00e3o Civil (INCC-DI), alta de 0,05% no m\u00eas de dezembro.<\/p>\n\n\n\n<p>O IGP-M apresentou uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,45% em dezembro contra uma redu\u00e7\u00e3o de 0,32% no m\u00eas de novembro. De acordo com este \u00edndice 1998 fecha com uma infla\u00e7\u00e3o de 1,78%, a menor j\u00e1 registrada pelo IGP-M. Dos \u00edndices que comp\u00f5em o IGP-M, o \u00cdndice de Pre\u00e7os por Atacado (IPA-M) que representa 60%, apresentou alta no m\u00eas de dezembro de 0,94%. Por sua vez, o IPC-M e INCC-M continuaram apresentando redu\u00e7\u00f5es no m\u00eas de dezembro, -0,19% e -0,01%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da FIPE, IPC-FIPE, indicador estimado para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, registra defla\u00e7\u00e3o de 0,12% em dezembro e de 0,44% no m\u00eas de novembro. Em dezembro de 1997 o \u00edndice registrou uma taxa inflacion\u00e1ria de 0,57%. Em 1998, S\u00e3o Paulo registrou defla\u00e7\u00e3o de 1,79% (primeiro ano que o IPC apresenta defla\u00e7\u00e3o desde 1939, quando come\u00e7ou a ser calculado) em compara\u00e7\u00e3o com uma infla\u00e7\u00e3o de 3,68% para o ano de 1997. Essa defla\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito mais associada \u00e0 queda de demanda, desemprego e redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica, do que ao aumento de concorr\u00eancia e de produtividade. A maior queda de pre\u00e7os, em um produto, registrada pelo IPC-FIPE em 1998 foi a de linhas telef\u00f4nicas com -23,57%. Dos sete grupos que comp\u00f5em o IPC a maior redu\u00e7\u00e3o verificou-se no grupo Vestu\u00e1rio, de -9,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s tr\u00eas meses consecutivos de defla\u00e7\u00e3o, de julho a setembro, o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) e o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentaram varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,11% e de 0,02% em outubro, respectivamente. Estes indicadores s\u00e3o apurados mensalmente, no per\u00edodo de 1 a 30 de cada m\u00eas, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em nove regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds: Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m, Fortaleza, Salvador e Curitiba e no Distrito Federal e Goi\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, em novembro, o INPC voltou a registrar uma redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os de 0,18%. Dentre as cidades pesquisadas pelo IBGE, apenas Rio de Janeiro, Curitiba e Belo Horizonte n\u00e3o apresentaram defla\u00e7\u00e3o. As maiores quedas ocorreram em S\u00e3o Paulo e Goi\u00e2nia (-0,34%), e Recife (-0,30%). Em doze meses, a infla\u00e7\u00e3o medida por esse indicador passou de 2,98%, no final de outubro, para 2,64%, no final de novembro. Os produtos de Sa\u00fade e Cuidados Pessoais foram os que mais tiveram aumento de pre\u00e7o em 1998, com destaque para a alta dos rem\u00e9dios (10,36%) e mensalidades de cl\u00ednicas e planos de sa\u00fade (6,92%). Os produtos de Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas tiveram o segundo maior aumento m\u00e9dio, de 2,84%, principalmente pela alta de 36,96% dos cereais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo o mesmo comportamento, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Ampliado (IPCA) caiu 0,12% em novembro, contra alta de 0,02% em outubro. Os \u00faltimos dados do IBGE indicam que os pre\u00e7os voltam a subir ligeiramente no m\u00eas de dezembro. Nesse m\u00eas, o INPC aumentou 0,42% e o IPCA, 0,33%. Eles acumularam durante o ano, um aumento de pre\u00e7os de 2,49% e 1,65%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro, o ICV medido pelo DIEESE voltou a crescer, ficando em 0,15%, 0,49 pontos percentuais superior \u00e0 verificada em novembro, quando foi de -0,34%. O grupo Transportes registrou o maior aumento no m\u00eas, em decorr\u00eancia da alta ocorrida no pre\u00e7o da gasolina. Habita\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade tamb\u00e9m est\u00e3o entre os grupos que mais contribu\u00edram para o aumento do ICV. O resultado do \u00edndice por faixa salarial foi positivo, apresentando taxas de infla\u00e7\u00e3o semelhantes entre as faixas de renda mais baixas e as mais altas. Em 1998, o ICV registrou a menor taxa desde a implanta\u00e7\u00e3o da pesquisa em 1959, com 0,49%. Anteriormente, o menor \u00edndice acumulado no ano havia sido verificado em 1997, com 6,11%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o DIEESE, o comportamento dos pre\u00e7os em 1998 incidiu de forma heterog\u00eanea nos grupos que comp\u00f5em o ICV-DIEESE. Educa\u00e7\u00e3o e Leitura e Sa\u00fade apresentaram, no ano, taxas bastante expressivas, ao passo que Vestu\u00e1rio e Equipamentos Dom\u00e9sticos acumularam quedas acentuadas no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma que a taxa anual foi diferenciada segundo os grupos, o mesmo ocorreu com o comportamento dos pre\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de rendimento das fam\u00edlias, sendo bem mais expressiva para as de menor poder aquisitivo registrando uma infla\u00e7\u00e3o acumulada de 1,23%, enquanto para aquelas que t\u00eam rendimentos mais elevados, a varia\u00e7\u00e3o ficou em apenas 0,24%.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do ICV, o DIEESE realiza uma Pesquisa Nacional da Cesta B\u00e1sica para 16 capitais brasileiras (Tabela 2.2). De acordo com a realizada no m\u00eas de novembro, para um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 130,00, o custo da cesta b\u00e1sica variou entre o m\u00e1ximo de R$ 101,76, em S\u00e3o Paulo, e o m\u00ednimo de R$ 76,75, em Salvador. Em dezembro, nas mesmas capitais, o custo da cesta foi de R$ 102,09 e R$ 77,84, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o m\u00eas de dezembro, o pre\u00e7o dos g\u00eaneros de primeira necessidade, que comp\u00f5em a ra\u00e7\u00e3o essencial, registrou comportamento diferenciado entre as 16 capitais pesquisadas. A varia\u00e7\u00e3o acumulada dos pre\u00e7os em 1998 foi negativa em Curitiba (-3,50%), Florian\u00f3polis (-2,61%) e Rio de Janeiro (-1,11%); superou 10% em quatro capitais e chegou a 17,30% em Jo\u00e3o Pessoa, 16,53% em Aracaju, 14,43% em Fortaleza e 11,19% em Goi\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Vit\u00f3ria o custo da cesta b\u00e1sica foi de R$ 82,16 em novembro e aumentou para R$ 85,66 em dezembro, apresentando uma alta de 4,26%. Foi a maior alta registrada entre as 16 capitais pesquisadas pelo DIEESE. O aumento da cesta b\u00e1sica deveu-se, principalmente, ao aumento nos pre\u00e7os dos hortifrutigrangeiros, em especial ao tomate que registrou alta de 44,23%. No acumulado do ano de 1998, a varia\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica foi de 1,36%.<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento dos pre\u00e7os verificado em 1998 foi o inverso do observado em 1997, quando os maiores aumentos ocorreram justamente no sul e sudeste: Porto Alegre, 14,83%; Rio de Janeiro, 13,03%; Curitiba, 12,79%; Vit\u00f3ria, 12,22% e Florian\u00f3polis, 9,26%. Por outro lado, em 1997, quatro capitais do Nordeste registraram queda: Recife (-0,01%), Aracaju (-1,60%), Salvador (-3,86%) e Natal (-9,29%).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-e42ebad9\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de Atividade<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira, estimada em termos f\u00edsicos, apresenta queda cont\u00ednua entre setembro e novembro de 1998, com redu\u00e7\u00e3o de 2,4%, 1,2% e 0,5%. Comparando-se o m\u00eas de novembro de 1998 com o mesmo m\u00eas do ano anterior, a redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o atingiu 2,6% acumulando uma queda de 2,2% no ano (Tabela 3.1). Esse comportamento reflete as medidas tomadas pelo governo face ao ataque especulativo ocorrido entre os meses de agosto a outubro de 1998, que produziu elevadas perdas nas reservas internacionais. Naquele per\u00edodo, as taxas b\u00e1sicas de juros foram elevadas de 19,75% para 49,75% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro de 1998, o segmento que apresentou a maior redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o foi o de bens de capital, seguido pelo de bens de consumo dur\u00e1veis. Com exce\u00e7\u00e3o dos bens intermedi\u00e1rios, todos segmentos apresentam queda em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. A produ\u00e7\u00e3o de bens de capital diminui em 7%; os bens de consumo dur\u00e1veis, -5,1%, os bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, -0,3% e o conjunto dos bens de consumo, -1,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre janeiro e novembro de 1998, todos os segmentos apresentam redu\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o. A maior queda ocorreu na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis (-21,0%); esse resultado levou a produ\u00e7\u00e3o do conjunto dos bens de consumo a diminuir em 6,0%. A produ\u00e7\u00e3o de bens de capital e de bens intermedi\u00e1rios diminuiu -0,9% e -0,8%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O que pode ser observado pelo comportamento dos indicadores de n\u00edvel de atividade industrial mensal, publicado pelo IBGE, \u00e9 que os juros, nos patamares em que se encontram, agravam fortemente a atividade produtiva no Brasil, prejudicando principalmente a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis e a de bens de capital. Al\u00e9m disso, inibe fortemente a atividade econ\u00f4mica em geral sobretudo a de bens de consumo dur\u00e1veis, cuja demanda depende muito mais dos empr\u00e9stimos pessoais e, portanto, dos juros. Entretanto, a taxa de juros n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico determinante da acumula\u00e7\u00e3o de capital produtivo. Assim, uma queda nas taxas b\u00e1sicas de juros n\u00e3o garante, por si s\u00f3, a retomada no crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b29b0a05\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">O N\u00edvel de Atividade no Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os efeitos da crise no Esp\u00edrito Santo, agravaram-se ainda mais diante da import\u00e2ncia do com\u00e9rcio exterior para o estado. O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o terceiro maior estado do Brasil em receita de desembarque de mercadorias e o quinto em com\u00e9rcio externo (A Gazeta 12\/12\/98). A crise na \u00c1sia, os abalos sofridos pelo Jap\u00e3o e a crise financeira no final ano passado, no Brasil, tiveram grande peso na redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica do Estado. A tudo isso somam-se os problemas internos do Estado, principalmente nas \u00e1reas administrativa, econ\u00f4mica e social.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 esta a conjuntura que o novo governador est\u00e1 enfrentando nos primeiros dias de seu governo. Suas a\u00e7\u00f5es mostram que ainda n\u00e3o \u00e9 o momento do setor produtivo capixaba esperar algum alento, atrav\u00e9s de pol\u00edticas favor\u00e1veis a ele. Para ajustar as contas p\u00fablicas estaduais, as medidas propostas pela equipe do novo governo s\u00e3o de car\u00e1ter claramente recessivo. Medidas como a redu\u00e7\u00e3o na folha de pagamento do funcionalismo e demiss\u00e3o de servidores prejudicam enormemente o com\u00e9rcio varejista e as atividades afins, dado o grande peso dessa atividade na economia do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O ajuste estadual deve acontecer ainda no primeiro semestre deste ano, coincidindo com o auge do ajuste federal que trar\u00e1 consigo o agravamento do desemprego e da recess\u00e3o, j\u00e1 previstos para a economia brasileira como consequ\u00eancia da pol\u00edtica contracionista exigida pelo acordo com o FMI. Com isso, o novo governador ter\u00e1 que enfrentar uma das maiores crises j\u00e1 vividas pelo Estado em um ambiente extremamente desfavor\u00e1vel, j\u00e1 que, desta vez, a Uni\u00e3o n\u00e3o pretende socorrer os governos estaduais. Entretanto, a press\u00e3o dos governadores de oposi\u00e7\u00e3o pode levar o Governo Federal a renegociar a d\u00edvida de todos os Estados. Mesmo assim, \u00e9 prov\u00e1vel que o primeiro semestre de 1999 seja um dos mais dif\u00edceis para a economia do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria capixaba vem apresentando um desempenho med\u00edocre nos \u00faltimos seis meses encerrados em novembro de 1998. As vendas reais acumuladas em doze meses apresentou resultados negativos no total do per\u00edodo. A compara\u00e7\u00e3o mensal com o mesmo m\u00eas do ano anterior mostra que, a partir de agosto, as vendas ca\u00edram continuamente e de forma mais acentuada nos \u00faltimos dois meses (Tabela 3.2). Nesse per\u00edodo, apenas o m\u00eas de setembro apresentou uma taxa positiva quando comparado com o m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho industrial do Esp\u00edrito Santo, nos onze primeiros meses do ano de 1998 em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, registrou uma queda de -0,75% nas vendas reais. Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, o desempenho da ind\u00fastria, em novembro, foi de -8,19% nas vendas reais. Os g\u00eaneros industriais que mais cresceram, em 1998, comparando-se com 1997, foram: material pl\u00e1stico (33,86%), extra\u00e7\u00e3o mineral (19,14%) e perfumaria, sab\u00f5es e velas (18,06%). Os que apresentaram maior redu\u00e7\u00e3o, foram: minerais n\u00e3o-met\u00e1licos (-39,96%), madeira (-29,18%) e t\u00eaxtil (-28,37%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores que apresentaram as maiores quedas, no m\u00eas de novembro, foram: material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (-48,59%) e extra\u00e7\u00e3o mineral (-40,34%) devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o na demanda e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m apresentaram quedas acentuadas os g\u00eaneros de material pl\u00e1stico (-34,47%), perfumarias, sab\u00f5es e velas (-32,30%) e material de transporte (-27,47%). Dentre os que apresentaram crescimento destacam-se: papel e papel\u00e3o (+89,14%), vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (+24,14%) e mobili\u00e1rio (+12,90%) (Tabela 3.3).<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho comercial, segundo as consultas realizadas no SPC, foi de eleva\u00e7\u00e3o nas vendas em dezembro de 1998, se comparado com o m\u00eas anterior. Mas indicam uma retra\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 1997. As vendas realizadas com pagamento em cheque cresceram mais de duas vezes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vendas realizadas a prazo, mas cresceram apenas 5,38% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado. Por seu lado, as vendas a prazo parecem ter ca\u00eddo em mais de 16% (Tabela 3.4).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 inadimpl\u00eancia, o SPC registrou, em dezembro, um aumento de 2,15% nas inclus\u00f5es de devedores em seu cadastro, comparando-se com o m\u00eas de novembro de 1998. Mas a compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior mostra uma redu\u00e7\u00e3o de mais de oito mil inclus\u00f5es no SPC. Este resultado, provavelmente, decorre muito mais da queda nas vendas do que de uma efetiva redu\u00e7\u00e3o na inadimpl\u00eancia. Ainda assim, o m\u00eas de dezembro terminou com o acr\u00e9scimo de mais de 2.500 inadimplentes. Os neg\u00f3cios realizados com cheques apresentam comportamento semelhante. As inclus\u00f5es aumentaram em rela\u00e7\u00e3o a novembro de 1998, mas diminu\u00edram significativamente em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 1997. O resultado l\u00edquido foi o acr\u00e9scimo de mais de 1.300 cheques n\u00e3o pagos e registrados no SPC.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2c0dfdd7\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Empregos e Sal\u00e1rios<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) voltou a cair em novembro, representando 7,04% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA) das seis maiores regi\u00f5es metropolitanas brasileiras, conforme mostra a Tabela 4.1. A queda, de 0,41 ponto percentual, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, \u00e9 desprez\u00edvel principalmente porque ocorreu devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o na PEA &#8211; Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa, e pela sazonalidade, uma vez que o m\u00eas de novembro \u00e9, normalmente, um per\u00edodo de contrata\u00e7\u00f5es. Apesar disso, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, a taxa subiu de 5,35% para 7,04%, registrando uma das maiores taxas dos \u00faltimos dez anos. A taxa m\u00e9dia de desemprego aberto, medida at\u00e9 novembro de 1998, \u00e9 de 7,71%.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de emprego e desemprego, realizada pelo DIEESE na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m registrou uma redu\u00e7\u00e3o na taxa de desemprego, de 18,1% para 17,7% em novembro de 1998. Segundo essa pesquisa, essa queda ocorreu pela diminui\u00e7\u00e3o da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa, pois o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o praticamente n\u00e3o se alterou no per\u00edodo. O DIEESE estima que existem mais de 1,5 milh\u00f5es de pessoas desempregadas na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego aberto deve cair novamente em dezembro e a m\u00e9dia do ano de 1998 pode atingir 7,5%. Para isso o m\u00eas de dezembro deveria apresentar uma taxa m\u00e1xima de aproximadamente 5,8%. Considerando que em dezembro, apesar da sazonalidade, foram observadas demiss\u00f5es significativas na ind\u00fastria automobil\u00edstica, \u00e9 bem poss\u00edvel que a taxa de desemprego em 1998 atinja um n\u00edvel superior ao esperado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as seis regi\u00f5es metropolitanas pesquisadas, pelo IBGE apenas Belo Horizonte registrou aumento na taxa de desemprego aberto entre os meses de outubro e novembro, passando de 6,58% para 7,16%. As demais regi\u00f5es apresentaram queda, com destaque para Salvador que diminuiu de 9,19% para 8,12%. Todos os segmentos apresentaram queda na taxa de desemprego em novembro, como mostra a Tabela 4.2. Na Ind\u00fastria de Transforma\u00e7\u00e3o caiu para 8,52%, na Constru\u00e7\u00e3o Civil, para 8,77%, no Com\u00e9rcio, 7,59%, nos Servi\u00e7os, 5,49% e em Outras Atividades 3,00%.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria dos \u00edndices de rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas estimado pelo IBGE, com base em julho de 1994 \u00e9 claramente marcada pela acentua\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o, ver Tabela 4.3. De R$ 449,82, em outubro de 1997, caiu para R$ 434,88, em setembro de 1998, e cresceu um pouco em outubro, passando para R$ 440,36; um aumento de 1,26% no m\u00eas. Esse resultado positivo \u00e9 decorrente do aumento obtido nos rendimentos dos empregadores (4,73%) e dos empregados do mercado formal de trabalho (1,47%). Os trabalhadores por conta pr\u00f3pria e os empregados sem carteira assinada viram seus rendimentos diminu\u00edrem em -2,40% e -0,48%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>De modo geral, com a pol\u00edtica econ\u00f4mica seguida pelo governo federal &#8211; altas taxas de juros e c\u00e2mbio sobrevalorizado &#8211; o cen\u00e1rio da economia brasileira n\u00e3o se mostra nada favor\u00e1vel para os trabalhadores. Os indicadores de emprego e sal\u00e1rio, al\u00e9m do acordo assinado com o FMI, das reformas em tramita\u00e7\u00e3o no Congresso Nacional e das demiss\u00f5es realizadas neste in\u00edcio de ano, apontam para uma fort\u00edssima queda no ano de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, as sa\u00eddas encontradas continuam sendo desanimadoras, muitas vezes colocando em risco a pr\u00f3pria qualidade do emprego. Cada vez mais aceitam-se posi\u00e7\u00f5es que degradam a qualidade do emprego formal. Na contram\u00e3o da hist\u00f3ria e da pol\u00edtica de alguns pa\u00edses desenvolvidos, n\u00e3o se defende mais a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho sem a redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, como \u00e9 o caso de muitos sindicatos. Diante da amea\u00e7a de 7.500 demiss\u00f5es nas f\u00e1bricas de autom\u00f3veis de S\u00e3o Bernardo e Taubat\u00e9, da Volkswagen, que empregam 26 mil trabalhadores, os sindicatos concordaram em reduzir a jornada de trabalho e o sal\u00e1rio de parte dos empregados. Ressalte-se que as duas entidades s\u00e3o filiadas \u00e0 CUT que sempre rejeitou a redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios. A Ford come\u00e7ou o ano de 1999 demitindo 2.800 trabalhadores que estavam em f\u00e9rias coletivas e nega-se a qualquer tipo de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 que, com a aprova\u00e7\u00e3o de todo o pacote fiscal, o desemprego dever\u00e1 ser ainda mais agravado, chegando at\u00e9 a 13% da PEA, no conceito do IBGE, e a 25% segundo a metodologia do DIEESE. O impacto dever\u00e1 ser maior no setor industrial que enfrentar\u00e1 um aumento de custos, desencadeado pela eleva\u00e7\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o para o Financiamento da Seguridade (Cofins), da Contribui\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria sobre Movimenta\u00e7\u00e3o Financeira (CPMF) e do IPI. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, com a supress\u00e3o da pol\u00edtica de bandas cambiais e a livre determina\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio pelo mercado, tamb\u00e9m elevar\u00e1 os custos dos insumos importados. Como repassar esse aumento para os pre\u00e7os ser\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil, uma vez que, com o ajuste, haver\u00e1 redu\u00e7\u00e3o do poder de compra dos trabalhadores, os empres\u00e1rios v\u00e3o optar, mais uma vez, pelas demiss\u00f5es dos trabalhadores. Isso poder\u00e1 ser compensado, pelo menos em parte, pelo est\u00edmulo \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es decorrentes da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-55eb5c18\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">O Emprego no Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial em novembro\/98, medido pelo IDEIES &#8211; Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo, apresentou um decr\u00e9scimo de 2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, mantendo a tend\u00eancia de queda que vem sendo registrada desde junho\/97. Somente em novembro 1.034 pessoas foram demitidas na ind\u00fastria, o que resultou em um total de 4.981 demiss\u00f5es nos \u00faltimos 12 meses. Isso representou uma varia\u00e7\u00e3o de -8,94% em 12 meses e -6,01% nos onze primeiros meses do ano. Para o m\u00eas de dezembro\/98, com o aquecimento das vendas devido ao per\u00edodo natalino, pode-se esperar uma pequena retra\u00e7\u00e3o dessa taxa. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma expectativa de que isso se estenda para o ano que se inicia.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os setores mais afetados pelo desemprego, os que sofreram maior impacto em novembro, como mostra a Tabela 4.4, foram: a Ind\u00fastria Qu\u00edmica (-14,94%), os Servi\u00e7os de Utilidade P\u00fablica (-8,16%), e a Mec\u00e2nica (-6,13%); seguidos de Material de Transporte (-3,70%) e de Madeira (-3,26%). Na Ind\u00fastria Qu\u00edmica, apesar do car\u00e1ter sazonal de suas demiss\u00f5es, devido ao final do ciclo de produ\u00e7\u00e3o da cana, argumento geralmente utilizado para explicar esse resultado, a observa\u00e7\u00e3o do total acumulado em 12 meses invalida essa explica\u00e7\u00e3o. Nos demais setores, as redu\u00e7\u00f5es foram motivadas principalmente pela queda da demanda e aumento dos custos, puxado principalmente pela eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros p\u00f3s-crise da R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, alguns setores apresentaram resultado positivo: o segmento de Borracha (+2,19%), anulando a varia\u00e7\u00e3o negativa sofrida no m\u00eas anterior, Bebidas (+1,38%) e Mobili\u00e1rio (+1,37%). Essas varia\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, n\u00e3o foram suficientes para contrabalan\u00e7ar o resultado negativo do n\u00edvel geral de emprego capixaba. No ano, os setores que mais demitiram foram: T\u00eaxtil (-31,93), Qu\u00edmica (-29,09%), e Material pl\u00e1stico (-25,39%); seguido de Madeira (-20,02%) e Mec\u00e2nica (-18,49%). O agravamento do n\u00edvel de emprego deve-se principalmente \u00e0s grandes empresas que apresentaram um decr\u00e9scimo de -2,79% em novembro, contra -0,84% no m\u00eas anterior, seguido pelas empresas de m\u00e9dio porte, com -1,45% e pelas pequenas com -0,82%.<\/p>\n\n\n\n<p>A Tabela 4.5 mostra que os sal\u00e1rios reais na ind\u00fastria capixaba continuam apresentando comportamento negativo mensal desde agosto de 1998. Registrou, em novembro, retra\u00e7\u00e3o de -1,92% e, no acumulado do ano, -11,63% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. A compara\u00e7\u00e3o de cada um dos meses com o mesmo m\u00eas do ano anterior, indica uma queda nos sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria do Estado. Pode-se observar que, em m\u00e9dia, os sal\u00e1rios sofreram uma redu\u00e7\u00e3o maior que 12%.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano de 1998 fechou com perspectivas nada animadoras para os trabalhadores, de acordo com os dados do SINE\/ES, na Tabela 4.6. Entre 1997 e 1998, a demanda de emprego registrada pelo SINE cresceu 71,40%, enquanto a oferta de postos de trabalho diminuiu 23,08%. A diferen\u00e7a entre a oferta e a demanda de ocupa\u00e7\u00e3o cresceu de 8.219 pessoas em 1997 para 29.025 pessoas em 1998, um salto de mais de 250%. O resultado final, a taxa de aloca\u00e7\u00e3o, melhorou ligeiramente em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, mas indica que as exig\u00eancias colocadas pela demanda s\u00e3o cada vez excludentes, fazendo com que o n\u00famero de trabalhadores colocados diminuam em termos absolutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o de crescimento de oferta de m\u00e3o-de-obra, por si s\u00f3, j\u00e1 \u00e9 um dado preocupante; mais ainda se levado em considera\u00e7\u00e3o que essa taxa foi crescente em todo o ano de 1998. Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior quando se verifica que a procura por m\u00e3o-de-obra vem se reduzindo, chegando a representar menos de 30% da oferta de empregos. Pelos dados da tabela, verifica-se que em 1998, das 12.160 vagas captadas pelo SINE, somente 3.501 foram preenchidas, mostrando que cerca de 73,20% dos postos oferecidos n\u00e3o foram efetivamente ocupados. Ou os trabalhadores n\u00e3o atendem as exig\u00eancias colocadas pelos empregadores ou estes oferecem mais vagas do que realmente pretendem preencher. Neste caso, aumenta-se o grau de exig\u00eancia e a competi\u00e7\u00e3o pelos postos de trabalho; as empresas conseguem trabalhadores com maior escolaridade ou qualifica\u00e7\u00e3o do que realmente necessitam. Al\u00e9m disso, conseguem estes trabalhadores pagando sal\u00e1rios menores. Os indicadores sobre o sal\u00e1rio real na ind\u00fastria deixa isso muito claro.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b5e2544c\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base monet\u00e1ria<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A Base Monet\u00e1ria, agregado composto pelo montante de moedas e c\u00e9dulas em circula\u00e7\u00e3o somado \u00e0s reservas banc\u00e1rias, atingiu, em novembro de 1998, R$ 39,7 bilh\u00f5es, no conceito de saldos de final de per\u00edodo, com varia\u00e7\u00e3o de 21,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior (ver tabela 5.1) e 73% no acumulado de 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa varia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior deve-se, principalmente, ao aumento das reservas banc\u00e1rias que atingiu R$ 19,9 bilh\u00f5es em novembro de 1998, correspondendo a uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 47,0% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e respondendo por 91,9% da varia\u00e7\u00e3o da base monet\u00e1ria no m\u00eas. O papel-moeda emitido alcan\u00e7ou R$ 19,9 bilh\u00f5es em novembro de 1998, tendo uma expans\u00e3o no m\u00eas de apenas 2,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>O comportamento da Base Monet\u00e1ria apresentou-se extremamente vol\u00e1til durante o ano. Os per\u00edodos de maior instabilidade ocorreram a partir de junho de 1998 quando aumentou 19,7%, reduzindo-se em 11,4% no m\u00eas seguinte; cresceu 7,4% em agosto e diminuiu 9,6% em setembro; em outubro aumentou 2,6%; e voltou a aumentar 21,1% em novembro. Desse modo, observa-se que a rela\u00e7\u00e3o entre moeda e pre\u00e7os, defendida pela teoria monetarista, n\u00e3o encontra fundamento emp\u00edrico nesses dados. A flutua\u00e7\u00e3o na Base Monet\u00e1ria, assim, \u00e9 o resultado das violentas varia\u00e7\u00f5es produzidas pelo movimento internacional de capitais associado \u00e0 rolagem do enorme volume da d\u00edvida mobili\u00e1ria e das taxas de juros. Estes elementos determinaram o ataque especulativo ocorrido entre os meses de setembro e outubro, causando uma violenta perdas nas reservas internacionais do Governo Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatores que influenciam a varia\u00e7\u00e3o da Base Monet\u00e1ria encontram-se descritos na tabela 5.2. De acordo com os dados divulgados pelo BACEN, o conjunto de opera\u00e7\u00f5es com o sistema financeiro foi contracionista em R$ 2 bilh\u00f5es. Basicamente determinou esse comportamento contracionista a amortiza\u00e7\u00e3o em esp\u00e9cie efetuada pelo Banco Bamerindus, no valor de R$ 1,8 bilh\u00e3o, referente \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito realizada no \u00e2mbito do Proer, \u00e0 \u00e9poca da interven\u00e7\u00e3o, segundo informa\u00e7\u00f5es do BACEN.<\/p>\n\n\n\n<p>O fluxo mensal das opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional foi expansionista em R$ 2,8 bilh\u00f5es, devido ao pagamento de 50% do 13\u00ba sal\u00e1rio do funcionalismo federal. As opera\u00e7\u00f5es com o setor externo foram contracionistas em R$ 259 milh\u00f5es, cujo efeito negativo acumula-se desde maio de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se, na referida tabela, o brutal impacto do ataque especulativo determinando a contra\u00e7\u00e3o na Base Monet\u00e1ria em R$ 34,1 bilh\u00f5es, entre agosto e outubro, nas opera\u00e7\u00f5es com o setor externo. Ou seja, o Banco Central foi obrigado a vender d\u00f3lares, um montante em equivalente a mais de 80% da Base, somente no m\u00eas de setembro de 1998. Compensa esse movimento atrav\u00e9s do resgate de t\u00edtulos p\u00fablicos que atingiu mais de R$ 30,0 bilh\u00f5es entre agosto e setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro, o efeito contracionista das opera\u00e7\u00f5es com o setor externo foi menor que nos meses anteriores. Ela confirma a incerteza, instabilidade e volatilidade que se espalha pelos mercados financeiros internacionais desde a crise asi\u00e1tica. A disparada dos juros, no ano passado n\u00e3o p\u00f4de conter a sangria cont\u00ednua nas reservas internacionais. Os fluxos de capitais que sa\u00edram no in\u00edcio do m\u00eas de janeiro de 1999, foram ainda maiores, atingindo cerca de US$ 6,0 bilh\u00f5es na primeira quinzena. Este \u00faltimo ataque especulativo obrigou a equipe econ\u00f4mica a abandonar a pol\u00edtica de taxas controladas de c\u00e2mbio, no dia 13.01.99 atrav\u00e9s do sistema de bandas cambiais. A livre flutua\u00e7\u00e3o cambial produziu uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, face ao d\u00f3lar, em mais de 20% em apenas dois dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O agregado monet\u00e1rio denominado de Base Monet\u00e1ria Ampliada (que inclui, al\u00e9m da base monet\u00e1ria restrita, os principais passivos do BACEN e do Tesouro Nacional), ao final do per\u00edodo, apresentou expans\u00e3o de 6,4% em novembro de 1998, alcan\u00e7ando R$ 351 bilh\u00f5es. Segundo o pr\u00f3prio BACEN, tal expans\u00e3o foi influenciada pelo aumento no estoque de t\u00edtulos p\u00fablicos federais fora do BACEN. A emiss\u00e3o de R$ 5,9 bilh\u00f5es em NTN-H, como garantia de d\u00edvida contratual junto \u00e0 Petrobr\u00e1s e mais R$ 9,8 bilh\u00f5es em LFT-A, destinadas \u00e0 renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas do Estado do Rio Grande do Sul, teriam sido o principal fator que influenciou a expans\u00e3o do saldo dos t\u00edtulos p\u00fablicos federais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos meios de pagamento &#8211; em seu conceito mais restrito M1 (dep\u00f3sitos \u00e0 vista e papel-moeda em poder do p\u00fablico) &#8211; segundo o Banco Central, aumentaram, em novembro de 1998, 7,3%, no saldo do final do per\u00edodo. O total dos meios de pagamentos atingiu R$ 46,1 bilh\u00f5es composto por R$ 17,2 bilh\u00f5es de papel moeda em poder do p\u00fablico e R$ 28,9 bilh\u00f5es no saldo dos dep\u00f3sitos \u00e0 vista. No seu conceito mais amplo, os meios de pagamento (M4) atingiram R$ 443,2 bilh\u00f5es com varia\u00e7\u00e3o positiva de 3,5% no m\u00eas, mais que influenciada pelo crescimento do saldo de t\u00edtulos p\u00fablicos federais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-7a7453f9\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O saldo das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito normais, do sistema financeiro, atingiu R$ 255,3 bilh\u00f5es em novembro de 1998. Esse total representou um aumento de 2,2% no m\u00eas e de 3,3% no ano. Na composi\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, as opera\u00e7\u00f5es contratadas pelo setor p\u00fablico federal diminu\u00edram em 3,6% no m\u00eas de novembro de 1998, registrando um total de R$ 34,1 bilh\u00f5es. O cr\u00e9dito destinado aos estados e munic\u00edpios foi o respons\u00e1vel por essa redu\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o da renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida dos Estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o comportamento cauteloso do sistema financeiro, o cr\u00e9dito destinado ao Setor Privado, em novembro de 1998, apresentou pequena expans\u00e3o de 3,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, atingindo R$ 221,2 bilh\u00f5es. Dentre os seus componentes, apenas as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito destinadas \u00e0 ind\u00fastria e \u00e0s pessoas f\u00edsicas sofreram pequena contra\u00e7\u00e3o de, respectivamente, 0,5% e 1,9%, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito destinadas para Habita\u00e7\u00e3o, Setor Rural, Com\u00e9rcio e Outros Servi\u00e7os observa-se uma expans\u00e3o de, respectivamente, 0,9%, 0,1%, 0,5% e 28,26%, no m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados do Banco Central, em novembro, o volume da inadimpl\u00eancia &#8211; cr\u00e9ditos em atraso e em liquida\u00e7\u00e3o &#8211; somou R$ 25,9 bilh\u00f5es, representando 9,2% do total de cr\u00e9ditos; cresceu 1,4% no m\u00eas, 39,2% no ano e 49,3% em 12 meses. As provis\u00f5es aumentaram 2,5% no m\u00eas, 18,3% no ano e 40,0% em 12 meses, atingindo o montante de R$ 31,4 bilh\u00f5es e superou em 21,2% o saldo dos cr\u00e9ditos em atraso e em liquida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c922e3dd\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil tem, hoje, a maior taxa de juros do mundo depois de descontar a infla\u00e7\u00e3o, segundo pesquisa do grupo franc\u00eas Louis Dreyfus. De acordo com ela, o Brasil encabe\u00e7a a lista com uma taxa real de juros de 26,9% a.a. em dezembro de 1998. Seguindo o Brasil temos a Col\u00f4mbia com 16% a.a., a Argentina com 15,0%, o Chile com 12,9% e o M\u00e9xico com 11,3% a.a. Todos os cinco pa\u00edses, com as maiores taxas de juros do mundo, s\u00e3o latino-americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela 5.4 mostra os n\u00edveis das taxas de juros b\u00e1sicos nominais da economia, determinados pelo COPOM (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria), durante o ano. A manuten\u00e7\u00e3o da atual pol\u00edtica, ainda \u00e9 justificada pela equipe econ\u00f4mica, pela influ\u00eancia da instabilidade financeira internacional e pela tentativa de conter a perda das reservas internacionais. Entretanto, a taxa de juros alta n\u00e3o tem resolvido o problema da fuga de capitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, os \u00faltimos fatos pol\u00edticos e econ\u00f4micos podem sinalizar para uma queda da taxa de juros no curto prazo. A sa\u00edda do presidente do Banco Central, Gustavo Franco, parece dar fim \u00e0 inflexibilidade na pol\u00edtica de juros e c\u00e2mbio, frequentemente atribu\u00edda pelo mercado ao presidente do BACEN. O atual presidente, Francisco Lopes, acena com a conversa e o di\u00e1logo, agradando mais aos interessados imediatos e prescrevendo um cen\u00e1rio mais otimista quanto \u00e0 queda das taxas de juros b\u00e1sicos da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato importante foi a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, que deve abrir algum espa\u00e7o para a queda nas taxas de juros. Pressionada por motivos pol\u00edticos e econ\u00f4micos, como \u00e9 o caso da sa\u00edda constante de reservas e o agravamento da instabilidade pol\u00edtica interna com a morat\u00f3ria mineira, a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial j\u00e1 era um apelo generalizado, principalmente do setor exportador. A pr\u00f3xima reuni\u00e3o do COPOM estava prevista para o dia 27 de janeiro, quando se esperava uma redu\u00e7\u00e3o na taxas de juros. Estima-se uma queda da TBC que alcance o n\u00edvel de, em m\u00e9dia, 26% a.a. Mas, em 18.01.99, o COPOM reuniu-se extraordinariamente elevando a TBAN para 41%, e reduziu a TBC para 25%, mas suspendendo novamente a utiliza\u00e7\u00e3o desse piso.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4e1a2174\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Em setembro, o Governo Central apresentou um saldo deficit\u00e1rio no conceito de Resultado Prim\u00e1rio de R$ 883 milh\u00f5es, revertendo o resultado do m\u00eas anterior, que tinha apresentado um super\u00e1vit de R$ 5,4 bilh\u00f5es (Tabela 6.1). Deve-se observar, entretanto, que, em agosto, ocorreu o ingresso de receita extraordin\u00e1ria de R$ 5,3 bilh\u00f5es, referente \u00e0 concess\u00e3o dos servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es (Telebr\u00e1s). O d\u00e9ficit do INSS, em setembro, de R$ 660 milh\u00f5es, tamb\u00e9m foi superior aos R$ 430 milh\u00f5es verificados no m\u00eas anterior. Esta deteriora\u00e7\u00e3o ocorreu em fun\u00e7\u00e3o da queda da arrecada\u00e7\u00e3o l\u00edquida do INSS (-4,4%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro, o Governo Central apresentou d\u00e9ficit prim\u00e1rio de R$ 972 milh\u00f5es, o Tesouro e o BACEN foram respons\u00e1veis por R$ 344 milh\u00f5es e o INSS pelos R$ 629 milh\u00f5es restantes. Mesmo mantendo um certa estabilidade em rela\u00e7\u00e3o a setembro, ressalte-se a queda verificada nas despesas com OCC (-14,3%), apresentando o menor valor do ano nesta rubrica, acentuando a tend\u00eancia de queda do custeio e investimento.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita total do Governo Central em setembro foi de R$ 13,5 bilh\u00f5es, que apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de 33,2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, ocasionada pela retra\u00e7\u00e3o da receita do tesouro em -39,9%. Esta redu\u00e7\u00e3o deveu-se, em grande parte, \u00e0 receita diretamente arrecadada (-15,3%) e da receita administrada pela Secretaria da Receita Federal &#8211; SRF (-4,6%). A queda da receita administrada ocorreu a despeito da exist\u00eancia de 5 semanas \u00fateis em setembro, contra quatro em agosto, o que permitiu a eleva\u00e7\u00e3o dos tributos com recolhimento semanal: CPMF (+27,8%), IRRF (+23,5%) e IOF (+14,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro, a receita total foi de R$ 13,2 bilh\u00f5es, sendo que a contra\u00e7\u00e3o da receita do tesouro (-3,3%) foi compensada pela redu\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias a Estados e Munic\u00edpios (-12,7%), de modo que a receita l\u00edquida manteve-se relativamente est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior (-0,2%). A receita administrada experimentou queda de 4,7%, em decorr\u00eancia do desempenho negativo do IRRF (-23,4%) e da CPMF (-22,7%). Estas quedas s\u00e3o explicadas pela presen\u00e7a de apenas 4 semanas \u00fateis em outubro, contra cinco no m\u00eas anterior, gerando um efeito em sentido inverso ao verificado em setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, a despesa total do Governo Central foi de R$ 12,1 bilh\u00f5es, uma queda de 2,6% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, devido \u00e0 retra\u00e7\u00e3o das despesas com opera\u00e7\u00f5es oficiais de cr\u00e9dito (-53,5%) e abono e seguro desemprego (-42,6%). Os itens mais expressivos da despesa apresentaram comportamento relativamente est\u00e1vel, com pequena expans\u00e3o nos benef\u00edcios (+1,4%) e nas Outras Despesas Correntes e de Capital OCC (+0,6%), contrabalan\u00e7adas pela contra\u00e7\u00e3o verificada em Pessoal (-1,7%). Em outubro, a despesa total foi de R$ 12,2 bilh\u00f5es, mantendo o mesmo patamar do m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do Governo Central, no conceito acima da linha, apresenta-se deficit\u00e1rio em setembro e outubro, mas acumula um super\u00e1vit de R$ 4,8 bilh\u00f5es entre janeiro e outubro de 1998, um crescimento de 117,3% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Assim, faltam apenas R$ 253 milh\u00f5es para atingir a meta do acordo com o FMI, de R$ 5,025 bilh\u00f5es. No conceito abaixo da linha calculado pelo BACEN o super\u00e1vit prim\u00e1rio atinge R$ 9,98 bilh\u00f5es em 1998 contra R$ 4,0 bilh\u00f5es em 1997. Entretanto, os juros pagos pelo Governo Central cresceram de R$ 4,4 bilh\u00f5es, em agosto, para R$ 5,6 bilh\u00f5es em setembro e R$ 6,2 bilh\u00f5es em outubro, acumulando um total de R$ 42,7 bilh\u00f5es, ou 5,64% do PIB, nos 10 primeiros meses do ano. Em 1997, no mesmo per\u00edodo, as despesas com juros atingiram R$ 17,6 bilh\u00f5es ou 2,41% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando-se, ent\u00e3o, o pagamento de juros, o d\u00e9ficit nominal do Governo Central reduziu-se ligeiramente de R$ 7,3 bilh\u00f5es em setembro para R$ 6,1 bilh\u00f5es em outubro. Entretanto, acumulou no per\u00edodo de janeiro a outubro um total de R$ 32,7 bilh\u00f5es ou 4,32% do PIB. No mesmo per\u00edodo de 1997, esse d\u00e9ficit foi de R$ 13,6 bilh\u00f5es ou 1,86% do PIB. Esses valores mostram a grave situa\u00e7\u00e3o pela qual passam as finan\u00e7as do Governo Federal. Ao contr\u00e1rio do que o governo e a imprensa procuram mostrar, o determinante fundamental do d\u00e9ficit p\u00fablico \u00e9 o pagamento dos juros decorrentes da pol\u00edtica implementada a partir do Plano Real. Assim, as reformas administrativa e da previd\u00eancia constituem-se em mecanismos atrav\u00e9s dos quais pretendem-se reduzir os gastos com pessoal e previd\u00eancia transferindo recursos para o pagamento dos juros da rolagem da d\u00edvida federal.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal no m\u00eas de outubro no mercado totalizou R$ 314,3 bilh\u00f5es, com aumento de 7,4% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior que foi de R$ 292,7 bilh\u00f5es (Tabela 6.2). Da d\u00edvida total do m\u00eas de outubro, 66,4% correspondem \u00e0 d\u00edvida mobili\u00e1ria de responsabilidade do Tesouro Nacional (R$ 208,6 bilh\u00f5es), enquanto o Banco Central respondeu por 33,6% (R$ 105,7 bilh\u00f5es). Em novembro, o total de t\u00edtulos no mercado cresceu para R$ 319,9 bilh\u00f5es, um crescimento de 1,8% em rela\u00e7\u00e3o a outubro. Os t\u00edtulos de responsabilidade do Tesouro, no mercado, cresceram para R$ 215,6 bilh\u00f5es e os de responsabilidade do Banco Central, ca\u00edram para R$ 104,3 bilh\u00f5es. Assim, o Tesouro aumentou sua participa\u00e7\u00e3o para 67,4% dos t\u00edtulos de d\u00edvida colocados no mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal fora do Banco Central, segundo a forma de remunera\u00e7\u00e3o, os t\u00edtulos pr\u00e9-fixados passaram de 7% do total em setembro para 14,2% em outubro, fruto basicamente da coloca\u00e7\u00e3o de R$ 23,3 bilh\u00f5es de B\u00f4nus do Banco Central S\u00e9rie A (BBC-A), mas voltaram a cair para 8,2% em novembro. Os t\u00edtulos indexados ao c\u00e2mbio mantiveram-se est\u00e1veis com uma pequena varia\u00e7\u00e3o de 21,4% em setembro para 21,1% em outubro e 21% em novembro. Os t\u00edtulos indexados ao Over\/Selic apresentaram queda entre setembro e outubro, passando de 65,7% do total para 58,8%, mas voltaram a crescer para 64,3%, em novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida total do setor p\u00fablico alcan\u00e7ou, em outubro, a cifra de R$ 367,7 bilh\u00f5es (40,9% do PIB), um aumento de 4,5% em rela\u00e7\u00e3o a agosto, cujo valor foi de R$ 351,9 bilh\u00f5es. Tal aumento pode ser atribu\u00eddo basicamente ao endividamento externo l\u00edquido do governo federal e BACEN que apresentou um crescimento substancial entre os meses de agosto e outubro, passando de R$ 1,6 bilh\u00e3o para R$ 30,9 bilh\u00f5es, decorrente de um ataque especulativo, no per\u00edodo, que reduziu as reservas internacionais em quase US$ 28 bilh\u00f5es no per\u00edodo. Por outro lado, observou-se um decr\u00e9scimo no endividamento interno l\u00edquido que situava-se em R$ 329 bilh\u00f5es em agosto passando para R$ 310,6 bilh\u00f5es em setembro e R$ 316,3 bilh\u00f5es em outubro, uma redu\u00e7\u00e3o de 4,0%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3d6a2b00\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">As Finan\u00e7as do Estado do Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A Secretaria da Fazenda (SEFA) do Estado do Esp\u00edrito Santo atrav\u00e9s da Coordena\u00e7\u00e3o de Contabilidade publicou no Di\u00e1rio Oficial de 05\/10\/98 as contas relativas a julho e agosto de 1998. A execu\u00e7\u00e3o financeira no per\u00edodo apresentou um d\u00e9ficit de -308,15% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1997. Esse d\u00e9ficit deve-se ao fato de que, no m\u00eas de julho, as despesas foram maiores em R$ 28.920,31 mil do que as receitas; e o super\u00e1vit de R$ 17.980,71 mil, no m\u00eas de agosto, n\u00e3o foi suficiente para o equil\u00edbrio das contas.<\/p>\n\n\n\n<p>As receitas correntes cresceram 14,89%; as taxas, (157,41%); e principalmente as outras receitas (1005,03%), contribu\u00edram para esse resultado, como podemos observar na tabela 6.4. Estes itens, que pesaram positivamente nas receitas, minimizaram o efeito da redu\u00e7\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito (-98,52%); das transfer\u00eancias (-48,45%) e das outras receitas de capital (-16,63%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas despesas correntes, os gastos com pessoal e encargos sociais cresceram 18,20% e os juros e encargos da d\u00edvida, 117,02%. Entretanto, esses gastos referem-se \u00e0 execu\u00e7\u00e3o financeira e n\u00e3o incluem os sal\u00e1rios atrasados dos servidores estaduais. A inclus\u00e3o das folhas de pagamento em atraso elevaria violentamente o d\u00e9ficit do governo estadual. Os investimentos foram reduzidos na ordem de 26,21% no bimestre, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Mas os gastos com amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida foram de R$ 9.822,59 mil e representam um aumento de 395,36%.<\/p>\n\n\n\n<p>A defasagem na divulga\u00e7\u00e3o das contas n\u00e3o nos permite uma an\u00e1lise precisa dos impactos das medidas de ajuste fiscal do Governo Federal. Mas a recess\u00e3o decorrente das medidas anunciadas no pacote fiscal dever\u00e1 apresentar um impacto negativo nas receitas tribut\u00e1rias do estado. A privatiza\u00e7\u00e3o da CESAN e da carteira imobili\u00e1ria do estado contribuir\u00e1 para a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit das contas. Mas n\u00e3o se sabe ainda, se a receita da\u00ed gerada ser\u00e1 suficiente para restabelecer a normalidade no pagamento do funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria da Fazenda (SEFA) do Estado do Esp\u00edrito Santo atrav\u00e9s da Coordena\u00e7\u00e3o de Contabilidade publicou no Di\u00e1rio Oficial de 05\/10\/98 as contas relativas a julho e agosto de 1998. A execu\u00e7\u00e3o financeira no per\u00edodo apresentou um d\u00e9ficit de -308,15% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1997. Esse d\u00e9ficit deve-se ao fato de que, no m\u00eas de julho, as despesas foram maiores em R$ 28.920,31 mil do que as receitas; e o super\u00e1vit de R$ 17.980,71 mil, no m\u00eas de agosto, n\u00e3o foi suficiente para o equil\u00edbrio das contas.<\/p>\n\n\n\n<p>As receitas correntes cresceram 14,89%; as taxas, (157,41%); e principalmente as outras receitas (1005,03%), contribu\u00edram para esse resultado, como podemos observar na tabela 6.4. Estes itens, que pesaram positivamente nas receitas, minimizaram o efeito da redu\u00e7\u00e3o nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito (-98,52%); das transfer\u00eancias (-48,45%) e das outras receitas de capital (-16,63%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nas despesas correntes, os gastos com pessoal e encargos sociais cresceram 18,20% e os juros e encargos da d\u00edvida, 117,02%. Entretanto, esses gastos referem-se \u00e0 execu\u00e7\u00e3o financeira e n\u00e3o incluem os sal\u00e1rios atrasados dos servidores estaduais. A inclus\u00e3o das folhas de pagamento em atraso elevaria violentamente o d\u00e9ficit do governo estadual. Os investimentos foram reduzidos na ordem de 26,21% no bimestre, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Mas os gastos com amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida foram de R$ 9.822,59 mil e representam um aumento de 395,36%.<\/p>\n\n\n\n<p>A defasagem na divulga\u00e7\u00e3o das contas n\u00e3o nos permite uma an\u00e1lise precisa dos impactos das medidas de ajuste fiscal do Governo Federal. Mas a recess\u00e3o decorrente das medidas anunciadas no pacote fiscal dever\u00e1 apresentar um impacto negativo nas receitas tribut\u00e1rias do estado. A privatiza\u00e7\u00e3o da CESAN e da carteira imobili\u00e1ria do estado contribuir\u00e1 para a redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit das contas. Mas n\u00e3o se sabe ainda, se a receita da\u00ed gerada ser\u00e1 suficiente para restabelecer a normalidade no pagamento do funcionalismo p\u00fablico.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2bc86afd\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com as perspectivas apontadas no Boletim anterior, observamos que nos meses de agosto, setembro e outubro, o agravamento da crise mundial deflagrou uma profunda fuga de capitais. S\u00f3 pelo segmento livre do c\u00e2mbio contratado, a sa\u00edda chegou ao total de US$ 10,3 bilh\u00f5es em setembro, invertendo a posi\u00e7\u00e3o superavit\u00e1ria observada no primeiro semestre do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O saldo final do fluxo cambial de ontem (03.11.98) ficou negativo em US$ 179 milh\u00f5es, mostrando que o Pa\u00eds continua a perder recursos externos, mesmo com o an\u00fancio do pacote fiscal. O fluxo de ontem, no entanto, foi 24% menor do que o registrado na \u00faltima sexta-feira. Do total de ontem, US$ 90 milh\u00f5es entraram pelo mercado comercial, enquanto outros US$ 269 milh\u00f5es deixaram o Pa\u00eds pela taxa flutuante de mercado, de acordo com o Lloyds Bank. Desde 1\u00ba de setembro, a fuga de capitais acumula US$ 19,7 bilh\u00f5es.&#8221; (editorial Zaz, 04.11.98). O c\u00e2mbio contratado no segmento livre \u00e9 o principal meio de troca de reais por outras moedas para o com\u00e9rcio exterior, investidores estrangeiros em bolsas, mercado financeiro, para a remessa de lucros de empresas multinacionais a suas matrizes no exterior. O segmento flutuante envolve outras transa\u00e7\u00f5es, principalmente as de CC5 e das viagens internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os mercados emergentes, fonte de enormes rendimentos, passaram a apresentar riscos elevados e iminentes, fazendo com que os aplicadores buscassem aplica\u00e7\u00f5es mais seguras, como os t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica americana. No m\u00eas de outubro, o Fed reduziu a taxa de juros nos EUA para 5% ao ano, visando desestimular a aplica\u00e7\u00e3o nos t\u00edtulos americanos. Outros pa\u00edses europeus como Portugal, Espanha e It\u00e1lia tamb\u00e9m reduziram suas taxas internas de juros. Esta medida demonstrou a preocupa\u00e7\u00e3o das economias centrais com a crise financeira que se alastrou por todo o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo de agosto e setembro, o saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos apresentou um d\u00e9ficit de US$ 7,38 bilh\u00f5es, acumulando no ano US$ 23,5 bilh\u00f5es ou 4,03% do PIB, com um crescimento de 4,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Este resultado \u00e9 explicado pela eleva\u00e7\u00e3o no pagamento de juros e pelas remessas de lucros. Esses dois itens aumentaram US$ 2,5 bilh\u00f5es nos primeiros nove meses do ano, em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>A melhoria observada na Balan\u00e7a Comercial no montante de US$ 1,9 bilh\u00f5es, no per\u00edodo, n\u00e3o foi suficiente para contrabalan\u00e7ar o aumento na conta de servi\u00e7os. O d\u00e9ficit comercial atingiu em agosto um total de US$ 666 milh\u00f5es e, em setembro, US$ 801 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que a tend\u00eancia sazonal para os pr\u00f3ximos meses seja de aumento nas importa\u00e7\u00f5es, o m\u00eas de outubro registrou, segundo dados do MICT, uma expressiva melhoria no d\u00e9ficit, que diminuiu para US$ 472 milh\u00f5es. As exporta\u00e7\u00f5es totalizaram US$ 4,57 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es US$ 5,05 bilh\u00f5es, registrando a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es decorrente do aprofundamento da crise nesse final de ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 4,6 bilh\u00f5es entre os meses de agosto e setembro, reduzindo para US$ 8,6 bilh\u00f5es (ver tabela 7.2). Apesar disso, o acumulado no ano ainda apresenta um aumento de 18,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, todos os itens apresentaram redu\u00e7\u00f5es significativas, com exce\u00e7\u00e3o do leasing.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontando os ingressos com as sa\u00eddas de capital, durante o bimestre, foi registrada uma sa\u00edda l\u00edquida de US$ 3,2 bilh\u00f5es nos Anexos I a V; US$ 6,7 bilh\u00f5es dos fundos; e um resultado positivo de US$ 6,4 bilh\u00f5es no investimento estrangeiro direto. Isto significa que a maior parte do capital especulativo parasit\u00e1rio ainda continua no Pa\u00eds. O saldo acumulado nas aplica\u00e7\u00f5es dos Anexos I a V, em julho, atingia o montante de US$ 37,2 bilh\u00f5es; os ingressos pela Resolu\u00e7\u00e3o 2.483 (a 63 caipira), acumulava US$ 21,6 bilh\u00f5es; os investimentos nos Fundos, US$ 4,9 bilh\u00f5es; a Resolu\u00e7\u00e3o 63, US$ 6,7 bilh\u00f5es; e os B\u00f4nus e Notes, US$ 84,1 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais mecanismos de ingresso, por excel\u00eancia, do capital especulativo parasit\u00e1rio s\u00e3o os Anexos I a V, a 63 caipira e os Fundos; estes recursos apresentavam um saldo acumulado de US$ 63,7 bilh\u00f5es em julho de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando que sa\u00edram US$ 9,9 bilh\u00f5es em agosto e setembro, ainda restam mais de US$ 53 bilh\u00f5es, n\u00e3o considerando juros e ganhos de capital. Por outro lado, registrou-se sa\u00eddas na compra dos B\u00f4nus e Notes, emitidos por empresas sediadas no Pa\u00eds e vendidas no mercado financeiro internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir destes dados, ainda que incompletos, pode-se concluir que o potencial da crise, decorrente da desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira, ainda n\u00e3o foi completamente solucionado. O saldo das reservas internacionais que, no conceito de caixa, atingia cerca de US$ 69 bilh\u00f5es em julho, caiu para US$ 45 bilh\u00f5es em setembro e estima-se que chegou a US$ 40 bilh\u00f5es no final de outubro. Espera-se que, com os empr\u00e9stimos do FMI, do Banco Mundial e do G-7, obtenha-se US$ 35 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos. Estes recursos s\u00e3o insuficientes para atender todo o retorno dos capitais especulativos juntamente com seus ganhos nas aplica\u00e7\u00f5es internas. Mas podem atender, no curto prazo \u00e0 exig\u00eancia do pagamento das remunera\u00e7\u00f5es, dos juros do endividamento externo e as crescentes remessas de lucros dos investimentos estrangeiros diretos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos meses de outubro e novembro de 1998, o saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos registrou um d\u00e9ficit acumulado de US$ 7,42 bilh\u00f5es (Tabela 7.1). O d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es correntes entre janeiro e novembro atingiu um total de US$ 30,87 bilh\u00f5es ou 4,29% do PIB, um aumento de 4,1% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>A Balan\u00e7a Comercial continuou apresentando saldo deficit\u00e1rio nos meses de outubro e novembro de 1998, acumulando saldo negativo de US$ 2,03 bilh\u00f5es nesses dois meses. As exporta\u00e7\u00f5es foram de US$ 4,01 bilh\u00f5es em outubro e US$ 3,70 bilh\u00f5es em novembro. A queda das exporta\u00e7\u00f5es em novembro, que foi de 6,8% frente ao mesmo m\u00eas de 1997, com diminui\u00e7\u00e3o nas tr\u00eas categorias de produtos (manufaturados, semi-manufaturados e b\u00e1sicos) de 8,4%, 6,2% e 1,9% respectivamente, pode ser explicada, segundo o MICT, pelas consequ\u00eancias da crise financeira internacional. Tal crise &#8220;(&#8230;) levou a uma expressiva contra\u00e7\u00e3o da demanda mundial &#8211; sobretudo nos chamados mercados emergentes &#8211; e a uma acelera\u00e7\u00e3o da queda de pre\u00e7os das principais commodities de exporta\u00e7\u00e3o. Com efeito, seguindo a tend\u00eancia verificada em outubro, os mercados que mais restringiram suas compras ao Brasil, na compara\u00e7\u00e3o novembro-98\/97, foram os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina (principalmente Venezuela, Chile, M\u00e9xico e Argentina) que, no conjunto, registraram queda de 21,9%, seguidos da \u00c1sia (-24,7%) e da Europa Oriental (-60,0%)&#8221; segundo o pr\u00f3prio MICT (Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria, do Com\u00e9rcio e do Turismo). Pelo lado das importa\u00e7\u00f5es, registrou-se nos meses de outubro e novembro um resultado de US$ 5,04 bilh\u00f5es e US$ 4,71 bilh\u00f5es, respectivamente. Essa queda n\u00e3o foi suficiente para reverter o d\u00e9ficit da balan\u00e7a comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir de 1999, o governo passar\u00e1 a divulgar dois registros diferentes para os resultados da Balan\u00e7a Comercial. Um acompanhar\u00e1 os registros do Siscomex (Sistema Integrado de Com\u00e9rcio Exterior). No outro registro constar\u00e3o as opera\u00e7\u00f5es de exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es efetivamente concretizadas. Anteriormente, o saldo das importa\u00e7\u00f5es acompanhavam os registros do Siscomex e o saldo das exporta\u00e7\u00f5es era calculado por meio das vendas efetivadas. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 unificar os registros.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os, por sua vez, registrou uma redu\u00e7\u00e3o nas sa\u00eddas entre os meses de outubro e novembro de 1998, totalizando US$ 3,68 bilh\u00f5es no primeiro m\u00eas e US$ 1,95 bilh\u00f5es no m\u00eas seguinte. Essa redu\u00e7\u00e3o \u00e9 resultado, em sua maior parte, da diminui\u00e7\u00e3o no pagamento de juros da d\u00edvida externa que passou de US$ 2,21 bilh\u00f5es, em outubro, para US$ 772 milh\u00f5es, em novembro. Entretanto, a conta total de servi\u00e7os atingiu US$ 26,7 bilh\u00f5es no ano que, somado ao d\u00e9ficit comercial, produziu um d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es correntes de US$ 30,87 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos no m\u00eas de outubro foi de US$ 12,89 bilh\u00f5es e registrou uma brusca queda no m\u00eas de novembro para US$ 6,23 bilh\u00f5es (Tabela 7.2). O acumulado do ano foi de US$ 127,85 bilh\u00f5es representando um crescimento de 9,5% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. De outubro para novembro, a queda na capta\u00e7\u00e3o de recursos pode ser explicada, em grande parte, pela redu\u00e7\u00e3o dos investimentos diretos e dos empr\u00e9stimos em moeda. Os investimentos diretos ca\u00edram de US$ 3,93 bilh\u00f5es, em outubro, para US$ 1,89 bilh\u00f5es, em novembro. Os empr\u00e9stimos em moeda diminu\u00edram de US$ 5,60 bilh\u00f5es, em outubro, para US$ 860 milh\u00f5es, em novembro. Dentro desta rubrica, destaca-se a capta\u00e7\u00e3o de recursos por meio de B\u00f4nus e Notes que sofreu uma queda de US$ 4,69 bilh\u00f5es, em outubro, para US$ 175 milh\u00f5es, em novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas cambiais em queda vertiginosa atingiram, em novembro de 1998, US$ 41,19 bilh\u00f5es, uma perda de US$ 1,2 bilh\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior (Tabela 7.3). O acordo com o FMI tinha fixado um saldo m\u00ednimo para o m\u00eas de dezembro de US$ 38,5 bilh\u00f5es de reservas l\u00edquidas, n\u00e3o incluindo o montante que estar\u00e1 dispon\u00edvel para o Brasil por meio dos empr\u00e9stimos do FMI, BIS e Banco do Jap\u00e3o (US$ 9,5 bilh\u00f5es). A m\u00e9dia di\u00e1ria de perda de reservas em novembro, calculada por meio da sa\u00edda de d\u00f3lares pelo c\u00e2mbio contratado, foi de US$ 107 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o m\u00eas de dezembro e nas primeiras semanas de janeiro, o Brasil continuou perdendo reservas, apesar das alt\u00edssimas taxas de juros. Ca\u00edram para menos de US$ 33 bilh\u00f5es, no dia 14 de janeiro, acumulando uma perda superior a US$ 4 bilh\u00f5es na primeira quinzena do m\u00eas, inviabilizando a manuten\u00e7\u00e3o da meta acordada com o FMI. At\u00e9 18.01.99 a sa\u00edda m\u00e9dia di\u00e1ria foi de US$ 529,8 milh\u00f5es, s\u00f3 superada pela m\u00e9dia de US$ 600,0 milh\u00f5es em setembro de 1998. Este \u00faltimo ataque especulativo obrigou a equipe econ\u00f4mica a abandonar, pelo menos no momento, a pol\u00edtica de bandas de cambiais e deixar o d\u00f3lar flutuar livremente. Assim, em apenas tr\u00eas dias, de 12 a 15 de janeiro, o Real desvalorizou-se 21%.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos alcan\u00e7ou um total de US$ 11,2 bilh\u00f5es em julho\/98, muito menos do que os US$ 15,4 bilh\u00f5es de julho de 1997, j\u00e1 demonstrando a tend\u00eancia ao decl\u00ednio no ingresso de capitais. Esse movimento aparece na redu\u00e7\u00e3o do ingresso de capitais especulativos na rubrica portf\u00f3lios que registra uma redu\u00e7\u00e3o de 14% na compara\u00e7\u00e3o entre os sete primeiros meses de 1998 em rela\u00e7\u00e3o a 1997. Em compensa\u00e7\u00e3o ocorreu um elevado crescimento no ingresso de divisas a t\u00edtulo de empr\u00e9stimos em moeda. Esses recursos entraram principalmente atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 63 (crescimento de 552%), Comunicado Firce n\u00b0 10 (120%), Resolu\u00e7\u00e3o 2.148 &#8211; financiamento rural (140%), e B\u00f4nus e &#8216;notes&#8217; (31%). O resultado foi um ingresso de US$ 33,0 bilh\u00f5es entre janeiro e julho de 1998, um crescimento de 75% se comparado aos US$ 18,8 bilh\u00f5es do mesmo per\u00edodo de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conta de Investimentos observa-se, tamb\u00e9m, um elevado aumento nos ingressos a t\u00edtulo de investimento estrangeiro direto (39%) e nas outras contas. Nesta destaca-se o ingresso nos fundos de renda fixa que passa de US$ 66 milh\u00f5es entre janeiro e julho de 1997 para US$ 3,848 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>De 1987, quando come\u00e7am os primeiros ingressos nesta conta, at\u00e9 o m\u00eas de julho de 1998, estimamos que o saldo l\u00edquido acumulado na conta de portf\u00f3lio atingia o total de US$ 37,3 bilh\u00f5es. O saldo do investimento estrangeiro direto chegava a US$ 42,9 bilh\u00f5es e as outras contas atingiam US$ 4,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais mecanismos de ingresso, por excel\u00eancia, do capital especulativo parasit\u00e1rio s\u00e3o os Anexos I a V, a 63 caipira e os Fundos; estes recursos apresentavam um saldo acumulado de US$ 63,7 bilh\u00f5es em julho de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A Capta\u00e7\u00e3o de recursos externos alcan\u00e7ou um total de US$ 11,2 bilh\u00f5es em julho\/98, muito menos do que os US$ 15,4 bilh\u00f5es de julho de 1997, j\u00e1 demonstrando a tend\u00eancia ao decl\u00ednio no ingresso de capitais. Esse movimento aparece na redu\u00e7\u00e3o do ingresso de capitais especulativos na rubrica portf\u00f3lios que registra uma redu\u00e7\u00e3o de 14% na compara\u00e7\u00e3o entre os sete primeiros meses de 1998 em rela\u00e7\u00e3o a 1997. Em compensa\u00e7\u00e3o ocorreu um elevado crescimento no ingresso de divisas a t\u00edtulo de empr\u00e9stimos em moeda. Esses recursos entraram principalmente atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o 63 (crescimento de 552%), Comunicado Firce n\u00b0 10 (120%), Resolu\u00e7\u00e3o 2.148 &#8211; financiamento rural (140%), e B\u00f4nus e &#8216;notes&#8217; (31%). O resultado foi um ingresso de US$ 33,0 bilh\u00f5es entre janeiro e julho de 1998, um crescimento de 75% se comparado aos US$ 18,8 bilh\u00f5es do mesmo per\u00edodo de 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conta de Investimentos observa-se, tamb\u00e9m, um elevado aumento nos ingressos a t\u00edtulo de investimento estrangeiro direto (39%) e nas outras contas. Nesta destaca-se o ingresso nos fundos de renda fixa que passa de US$ 66 milh\u00f5es entre janeiro e julho de 1997 para US$ 3,848 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>De 1987, quando come\u00e7am os primeiros ingressos nesta conta, at\u00e9 o m\u00eas de julho de 1998, estimamos que o saldo l\u00edquido acumulado na conta de portf\u00f3lio atingia o total de US$ 37,3 bilh\u00f5es. O saldo do investimento estrangeiro direto chegava a US$ 42,9 bilh\u00f5es e as outras contas atingiam US$ 4,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o O Brasil esperava, ap\u00f3s o acordo com o FMI, entrar em um per\u00edodo de tranquilidade garantida pelos US$ 41,5 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