{"id":3919,"date":"1999-09-22T10:53:00","date_gmt":"1999-09-22T13:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3919"},"modified":"2025-11-22T11:11:31","modified_gmt":"2025-11-22T14:11:31","slug":"boletim-no-10-setembro-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-10-setembro-1999\/","title":{"rendered":"Boletim n\u00ba 10 &#8211; Setembro 1999"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-a6972d95 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-a49acac3\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Apesar das manifesta\u00e7\u00f5es de otimismo, a economia brasileira continua estagnada e sem melhoria significativa em seus indicadores conjunturais. O n\u00edvel de atividade, medido pelas varia\u00e7\u00f5es no produto interno bruto e pela produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial n\u00e3o d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o. Os resultados positivos no desempenho das contas p\u00fablicas, decorre de receitas extraordin\u00e1rias e de redu\u00e7\u00e3o nas despesas de custeio e investimento, o que degrada ainda mais o servi\u00e7o p\u00fablico. A desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial n\u00e3o produziu o esperado aumento nas exporta\u00e7\u00f5es e o d\u00e9ficit em conta corrente continua elevado. O ingresso de capitais externos diminuiu expressivamente neste ano, mas dever\u00e1 ser suficiente para atender \u00e0s necessidades de financiamento externo.<\/p>\n\n\n\n<p>O desemprego mant\u00e9m-se elevad\u00edssimo e os rendimentos reais continuam em queda. No \u00faltimo m\u00eas, as press\u00f5es dos capitalistas no mercado de c\u00e2mbio obrigaram o banco central a recolocar v\u00e1rios bilh\u00f5es de reais em t\u00edtulos cambiais p\u00f3s-fixados, para evitar a acelera\u00e7\u00e3o da desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ou a perda das reservas internacionais. Em um primeiro momento, a taxa de c\u00e2mbio recuou mas voltou a crescer nos \u00faltimos quinze dias. Assim, apesar de evitar a perda de reservas, este tipo de endividamento interno comprometeu ainda mais fortemente as contas p\u00fablicas. Aumentou a vulnerabilidade externa e ir\u00e1 dificultar o crescimento econ\u00f4mico, pela possibilidade de explos\u00e3o das contas externas. \u00c9 por esta raz\u00e3o que a equipe econ\u00f4mica rejeita qualquer medida que possa estimular o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas condi\u00e7\u00f5es expressam-se atrav\u00e9s da falta de qualquer perspectiva sobre o futuro pr\u00f3ximo, na degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida de parcelas cada vez maiores da popula\u00e7\u00e3o e no crescimento sem precedentes da viol\u00eancia urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste quadro, os indicadores de popularidade de FHC ca\u00edram a n\u00edveis pr\u00f3ximos aos do final do mandato de Sarney ou do impeachment de Collor. Preocupado com sua imagem, o Presidente providenciou uma reforma ministerial que nada mudou e j\u00e1 foi esquecida. Lan\u00e7ou o plano &#8220;Avan\u00e7a Brasil&#8221;, no qual ningu\u00e9m acredita, e os \u00edndices continuaram a cair. A cont\u00ednua degrada\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo abriu espa\u00e7os para os pol\u00edticos oportunistas que est\u00e3o conquistando espa\u00e7os e se preparando para a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o presidencial.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o governo FHC, que iniciara com ares de fim de mandato, n\u00e3o foi capaz, at\u00e9 o momento, de reverter esse quadro. As medidas tomadas, tamb\u00e9m n\u00e3o caminham neste sentido. O aprofundamento desta situa\u00e7\u00e3o traz graves consequ\u00eancias cujas sa\u00eddas acabam penalizando, como sempre, os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de estudos e pesquisa em conjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Jalisson Lage Maciel<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira, Paulo Nakatani e Mauricio de Souza Sabadini Participaram neste n\u00famero: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, Araceli Reis Buffon, Danilo Leonel, Elaine Delpupo, J\u00e1lisson Lage Maciel, Juez Ferreira da Silva, Larissa Soares Bressan, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo Alves de Morais, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Maria Aparecida Alves dos Santos, Marlon Gomes Ney, Oberdan Pandolfi Ermita, Ricardo Silveira da Paix\u00e3o, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Rosiane de Souza, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo.<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0ZjNBcVJYLVBlN2s\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-ve7ICnCfGIfOsJXvj_wtOA\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-ff387af2 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-eb46d336\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">A fantasia do Crescimento<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Com o lan\u00e7amento do Plano Plurianual de Investimentos (PPA) para o per\u00edodo 2000-2003, batizado &#8220;Avan\u00e7a Brasil&#8221;, FHC procurou, retoricamente, desmistificar a avers\u00e3o de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica com o crescimento e tentar um jogo que lhe tem sido cada vez mais desfavor\u00e1vel junto \u00e0s pesquisas de opini\u00e3o. Tendo sua elabora\u00e7\u00e3o custado R$ 15 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos, o novo plano do governo, apesar da pompa com que foi anunciado, n\u00e3o conseguiu despertar o entusiasmo dos agentes econ\u00f4micos, num momento em que o governo acenava para uma trajet\u00f3ria de crescimento, mas mantinha, \u00e0 frente da pol\u00edtica econ\u00f4mica, seu principal advers\u00e1rio, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ent\u00e3o acuado com as cr\u00edticas que lhe estavam sendo endere\u00e7adas pelos defensores de uma pol\u00edtica desenvolvimentista.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7a de fic\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o se desfaz das travas do crescimento imposto pelo FMI e joga nos ombros do setor privado, sem sua anu\u00eancia, a principal responsabilidade pela realiza\u00e7\u00e3o dos investimentos nele previstos, o PPA se soma \u00e0s medidas de pol\u00edtica econ\u00f4mica recentemente adotadas &#8211; redu\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio banc\u00e1rio dos dep\u00f3sitos \u00e0 vista e a prazo, visando a criar um clima de confian\u00e7a sobre os novos compromissos do governo com o processo de crescimento, embora, na pr\u00e1tica, este esteja longe de ser deslanchado.<\/p>\n\n\n\n<p>A manuten\u00e7\u00e3o dos compromissos acertados com o FMI de gera\u00e7\u00e3o crescente de super\u00e1vits prim\u00e1rios, estimado em 3,25% do PIB para o ano 2000, e da nova \u00e2ncora da estabilidade &#8211; a tal da <em>inflation targeting<\/em> &#8211; indicam que, tendo de ser mantida desaquecida a atividade econ\u00f4mica interna, o governo se viu obrigado a depositar no crescimento de 100% das exporta\u00e7\u00f5es at\u00e9 o final de seu mandato, a responsabilidade por algum dinamismo que a economia venha a conhecer. Uma meta que, at\u00e9 mesmo para os mais ardorosos defensores do modelo vigente, n\u00e3o passa de fantasia, principalmente no quadro de incertezas vivido pela economia mundial, de encolhimento dos mercados emergentes, de baixa competitividade da produ\u00e7\u00e3o nacional e de insufici\u00eancia de recursos para o financiamento das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o, e apesar dos apelos ret\u00f3ricos do BIRD e do FMI de ser necess\u00e1rio &#8220;humanizar a globaliza\u00e7\u00e3o&#8221;, o que poderia sugerir altera\u00e7\u00f5es na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica brasileira, a decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal (STF) de rejeitar a cobran\u00e7a da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria dos inativos do setor p\u00fablico e dos adicionais do funcionalismo que se encontra na ativa, desfez qualquer ilus\u00e3o, que ainda pudesse existir, de que algo poderia ser feito para minorar o quadro de estagna\u00e7\u00e3o e de altos n\u00edveis de desemprego da economia brasileira. Com perdas de recursos estimadas em R$ 4,3 bilh\u00f5es para o pr\u00f3ximo ano como resultado dessa decis\u00e3o, o governo, para compens\u00e1-las e garantir o ajuste fiscal acertado com o irredut\u00edvel FMI no seu cumprimento &#8211; em que pese a nova &#8220;face humana&#8221; de seu diretor-gerente, Michel Camdessus -, ter\u00e1 inevitavelmente de realizar uma nova rodada de aumento de impostos e\/ou de corte de mais gastos, ampliando os horizontes da recess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, se depois de dois anos de crescimento nulo &#8211; 1998 e 1999 &#8211; algumas pequenas iniciativas do governo, que come\u00e7aram a ser adotadas por for\u00e7a da press\u00e3o de amplos segmentos da sociedade, esbo\u00e7assem uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 letargia econ\u00f4mica em que o pa\u00eds se encontra, essa possibilidade parece mais do que desfeita. A menos que se rompa o acordo com o FMI e se modifique o modelo econ\u00f4mico atual. O que nem de longe sugere as posi\u00e7\u00f5es assumidas por FHC e Malan sobre essas quest\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-44f66a04\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Os principais \u00edndices de pre\u00e7os no m\u00eas de agosto apresentaram tend\u00eancia de queda, mas n\u00e3o t\u00e3o acentuada como vinha ocorrendo desde mar\u00e7o. Contudo, esse comportamento de baixa dos \u00edndices n\u00e3o se verificou no m\u00eas de julho, principalmente em fun\u00e7\u00e3o do reflexo dos reajustes de tarifas e dos combust\u00edveis que estavam atrelados \u00e0s varia\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo. Segundo as fontes oficiais do governo, esse aumento das tarifas p\u00fablicas ocorreu devido \u00e0s flutua\u00e7\u00f5es e turbul\u00eancias do mercado externo. Apesar dessa justificativa, muitos analistas afirmaram que essas majora\u00e7\u00f5es foram indicadas pelo FMI, como forma de gerar receita para o cumprimento das metas acordadas entre o fundo e o governo brasileiro. A pol\u00edtica de metas de infla\u00e7\u00e3o fixou, para 1999, o limite de 8%, medida pelo IPCA. Todavia, esta meta provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 atingida se houver novos reajustes nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. De acordo com o governo, n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio novos aumentos, tendo em vista os cinco reajustes feitos neste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, o IPCA ficou em 1,09%, bem superior \u00e0 taxa de 0,19% referente ao m\u00eas de junho. O grupo alimenta\u00e7\u00e3o e bebidas ficou negativo em -0,24% e os demais ficaram positivos. No m\u00eas de agosto, o IPCA caiu para 0,56%. Uma das principais raz\u00f5es para essa queda, deve-se ao fato de que, neste m\u00eas, o \u00edndice refletiu somente uma parte dos reajustes ocorridos nos pre\u00e7os das tarifas p\u00fablicas e dos combust\u00edveis, j\u00e1 que o maior impacto dos aumentos ocorreu no m\u00eas de julho. No que se refere ao grupo alimenta\u00e7\u00e3o, com 0,13% de varia\u00e7\u00e3o, as maiores press\u00f5es foram exercidas principalmente pelas carnes (de 0,77% para 1,46%, em agosto) e pelo frango (de -1,47% para 2,54%).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) de julho fechou em 0,74%, representando 0,67 ponto percentual acima do \u00edndice de junho. J\u00e1 em agosto, o \u00edndice foi de 0,55%. O INPC de julho tamb\u00e9m mostra o impacto dos reajustes das tarifas p\u00fablicas, combust\u00edveis, transportes e rem\u00e9dios, j\u00e1 que salta de 0,07% para 0,74%. Dentre os sete grupos que comp\u00f5em o INPC, o grupo transporte e comunica\u00e7\u00e3o apresentou a maior alta (3,53%); a gasolina foi o item que mais contribuiu para o aumento desse \u00edndice inflacion\u00e1rio (cerca de 12,84%). No que se refere ao m\u00eas de agosto, o INPC cai de 0,74% para 0,55%, apesar de registrar um aumento de 0,06% no grupo alimenta\u00e7\u00e3o, que estava em queda durante quatro meses consecutivos. Os pre\u00e7os dos artigos de vestu\u00e1rio tiveram queda de -0,07%, devido \u00e0s liquida\u00e7\u00f5es de esta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-DI), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, apresentou, em agosto, taxa de 1,45% contra 1,59% no m\u00eas anterior, como pode ser visto na tabela 2.1. Essa pequena queda do IGP-DI \u00e9 explicada pelo recuo do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC) que corresponde a 30% do \u00edndice geral de pre\u00e7os. O recuo do IPC de 1,20%, em julho, para 0,48%, em agosto, \u00e9 atribu\u00eddo, de acordo com Paulo Sidney de Melo Cota, chefe do Centro de Estudo de Pre\u00e7os da FGV, ao fim do impacto do reajuste das tarifas e dos combust\u00edveis nos gastos com habita\u00e7\u00e3o e transportes.<\/p>\n\n\n\n<p>Contribuiu ainda para a redu\u00e7\u00e3o do IPC, a defla\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os do vestu\u00e1rio que chegou a -2,22% no m\u00eas de agosto, contra -0,89%, em julho, ou seja, defla\u00e7\u00f5es consecutivas. De forma contr\u00e1ria, os pre\u00e7os dos alimentos variaram positivamente, subindo 0,14% em agosto. J\u00e1 o \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA), que representa 60% do IGP-DI, apresentou uma eleva\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de julho, saindo de 2,03% para 2,15%. Esse resultado \u00e9 consequ\u00eancia dos efeitos clim\u00e1ticos e tamb\u00e9m da alta do d\u00f3lar, fazendo com que os pre\u00e7os de quase todos os produtos industrializados se elevassem. O \u00cdndice Nacional da Constru\u00e7\u00e3o Civil (INCC), que participa em 10% do \u00edndice geral de pre\u00e7os, tamb\u00e9m apresentou uma eleva\u00e7\u00e3o, atingindo 0,46%, em agosto, contra 0,69%, em julho.<\/p>\n\n\n\n<p>A previs\u00e3o, segundo Cota (FGV), \u00e9 que o IGP-DI deve acumular at\u00e9 dezembro uma varia\u00e7\u00e3o de 14%. A estimativa para setembro e outubro \u00e9 de uma varia\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima a 0,5%, isso se o Banco Central mantiver o d\u00f3lar entre R$ 1,80 e R$ 1,90. J\u00e1 em novembro e dezembro, o IGP-DI dever\u00e1 ficar um pouco acima de 1%, devido, principalmente, aos reajustes no varejo que podem ser estimulados pelo d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio. Resta saber se h\u00e1 a possibilidade de aumentos significativos nos pre\u00e7os j\u00e1 que o mercado encontra-se em retra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os do Mercado (IGP-M), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, teve um aumento significativo entre os meses de junho e julho (de 0,36% para 1,55%). Em agosto, o percentual inflacion\u00e1rio ficou praticamente o mesmo do m\u00eas anterior, 1,56%. O acumulado do ano chega a 11,67%, enquanto que nos \u00faltimos 12 meses, de 11,81%. Na composi\u00e7\u00e3o do \u00edndice, o IPC-M apresentou redu\u00e7\u00e3o em agosto, saindo de 1,12% para 0,70%, mas o comportamento do IGP-M \u00e9 explicado pelo IPA-M e o INCC-M, que sofreram eleva\u00e7\u00e3o, saindo de 2,01% para 2,24% e de 0,41% para 0,52%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC) da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE), que coleta pre\u00e7os entre as fam\u00edlias com renda de at\u00e9 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, a infla\u00e7\u00e3o recuou fechando o m\u00eas de agosto com uma taxa de 0,74%, contra 1,09% em julho. Esse recuo \u00e9 explicado basicamente pela estagna\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos que estavam com tend\u00eancia de alta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais determinantes da taxa de infla\u00e7\u00e3o s\u00e3o os combust\u00edveis e as tarifas. Sem as tarifas, S\u00e3o Paulo teria registrado defla\u00e7\u00e3o de 0,19% na primeira quadrissemana de setembro. \u00c9 importante destacar que um reajuste de 10% no pre\u00e7o da gasolina promove um impacto em 0,3 ponto percentual na taxa medida pelo IPC da FIPE.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Heron do Carmo, coordenador do IPC da FIPE, a tend\u00eancia \u00e9 de infla\u00e7\u00e3o declinante, chegando pr\u00f3xima a 0,30% ao final de setembro. Isso, se os pre\u00e7os do vestu\u00e1rio e da carne ca\u00edrem. Para o acumulado no ano, a previs\u00e3o \u00e9 de 6%. Essa estimativa s\u00f3 valer\u00e1, caso o governo n\u00e3o reajuste novamente os pre\u00e7os dos combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Custo de Vida (ICV), calculado pelo DIEESE para a cidade de S\u00e3o Paulo, apresentou no m\u00eas de julho uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 1,19%. Essa taxa foi 0,85 ponto percentual superior \u00e0 de junho, que ficou em 0,34%. Assim como nos demais \u00edndices, as altas dos pre\u00e7os dos servi\u00e7os p\u00fablicos e dos combust\u00edveis foram determinantes para a amplia\u00e7\u00e3o do \u00edndice. Dentre os maiores respons\u00e1veis por esse aumento, temos: o grupo transporte (4,81%), em consequ\u00eancia dos aumentos dos combust\u00edveis; o grupo habita\u00e7\u00e3o (2,04%) e o grupo sa\u00fade (1,20%). Por outro lado, no m\u00eas de agosto houve uma queda expressiva, chegando a 0,38%. Os grupos que mais contribu\u00edram para reduzir a taxa foram: o item vestu\u00e1rio, com queda de -0,33%; equipamentos dom\u00e9sticos (-0,05%) e alimentos (-0,47%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, pelo terceiro m\u00eas consecutivo, os pre\u00e7os p\u00fablicos ou de servi\u00e7os que s\u00e3o controlados pelo governo responderam, mais uma vez, pelo maior fator de press\u00e3o para a alta no ICV-DIEESE. Entretanto, neste m\u00eas, a eleva\u00e7\u00e3o foi menos intensa que nos dois meses anteriores e a taxa ficou em 0,38%, ou seja, 0,81 ponto percentual inferior \u00e0 detectada em julho (1,19%). Grupos como sa\u00fade (1,24%) que teve seu aumento, devido ao subgrupo medicamentos e produtos farmac\u00eauticos e transportes (1,11%) com alta significativa no subgrupo transportes coletivos (2,13%) foram os que apresentaram as maiores varia\u00e7\u00f5es; enquanto as quedas mais significativas registraram-se no item vestu\u00e1rio (-2,56%) em raz\u00e3o das in\u00fameras liquida\u00e7\u00f5es observadas no mercado e despesas pessoais (-0,23%).<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s taxas de infla\u00e7\u00e3o por extrato de renda, estas apresentaram-se bastante d\u00edspares no m\u00eas de agosto. O aumento mais expressivo dos \u00edndices (0,49%) foi registrado para as fam\u00edlias de menor poder aquisitivo (com renda m\u00e9dia de R$ 377,49), enquanto o menor impacto inflacion\u00e1rio (0,31%) ocorreu nas maiores rendas (m\u00e9dia de R$ 2.792,90).<\/p>\n\n\n\n<p>O ICV acumulado nos \u00faltimos dozes meses, atinge uma taxa de 5,80%, ligeiramente inferior \u00e0 observada nos oito primeiros meses deste ano, quando atingiu 5,89%. As maiores altas no ano devem-se ao grupo transportes (13,51%), sa\u00fade (10,28%), equipamentos dom\u00e9sticos (7,91%) e habita\u00e7\u00e3o (6,16%). Dentre os principais grupos do ICV com queda em seus pre\u00e7os ou varia\u00e7\u00f5es relativamente pequenas neste ano, encontram-se: vestu\u00e1rio (-4,07%), alimenta\u00e7\u00e3o (2,85%) e educa\u00e7\u00e3o e leitura (3,93%).<\/p>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Nacional da Cesta B\u00e1sica, tamb\u00e9m realizada pelo DIEESE, constatou no m\u00eas de julho queda em todas as dezesseis capitais pesquisadas, conforme mostra a tabela 2.2. As redu\u00e7\u00f5es mais expressivas ocorreram em Vit\u00f3ria (-5,66%), Recife (-5,06%), Curitiba (-3,57%) e Porto Alegre (-2,84%). Apesar de encontrar-se entre as que tiveram menor \u00edndice de reajuste, Porto Alegre continuou com a cesta b\u00e1sica mais cara, custando R$ 103,65. Entre as de menor pre\u00e7o, observamos: Goi\u00e2nia (R$ 81,34), \u00fanica capital da regi\u00e3o Centro-Sul entre as cidades mais baratas; Salvador (R$ 81,75) e Aracaju (R$ 83,41).<\/p>\n\n\n\n<p>De forma diversa do que o ocorrido em julho, quando houve recuo em todas as capitais onde se realiza a pesquisa, em agosto, apenas duas capitais, Fortaleza (-1,95%) e Recife (-5,77%) mantiveram o mesmo comportamento. As outras quatorze cidades apresentaram altas que variam de 0,07% (Goi\u00e2nia) a 5,76% (Curitiba). Al\u00e9m da capital paranaense, tamb\u00e9m foram expressivos os aumentos ocorridos em Florian\u00f3polis (5,25%), Vit\u00f3ria (4,73%) e Belo Horizonte (4,68%). O ritmo de alta dos pre\u00e7os, registrado em agosto, foi determinante para que S\u00e3o Paulo, ap\u00f3s dois meses em segundo lugar, voltasse a ser a cidade mais cara entre as pesquisadas, com o custo da cesta b\u00e1sica de R$ 106,23. Porto Alegre, que ocupou a lideran\u00e7a em junho e julho, registrou, em agosto, uma varia\u00e7\u00e3o de 1,61%, o que fez com que os produtos b\u00e1sicos custassem R$ 105,32. Os menores valores para a cesta foram registrados em Recife (R$ 79,33) e Goi\u00e2nia (R$ 81,40). Segundo o DIEESE, tomando-se por base a cesta b\u00e1sica mais cara, R$ 106,23, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para uma fam\u00edlia de quatro pessoas deveria ser correspondente a R$ 892,44, ou seja, 6,6 vezes o valor vigente de R$ 136,00.<\/p>\n\n\n\n<p>A Cesta B\u00e1sica da Grande Vit\u00f3ria registrou, em julho, a maior queda dos \u00faltimos doze meses. Para adquirir a cesta o trabalhador desembolsou R$ 84,75, o que significou -5,66% a menos que os R$ 89,83 pagos pela mesma cesta no m\u00eas anterior. Dentre os itens que tiveram maiores aumentos, encontram-se: tomate, com uma alta de 15,56%; carne, 1,17% e manteiga com aumento de 0,85%. J\u00e1 os produtos que diminu\u00edram de pre\u00e7os, foram: p\u00e3o (-22,22%); arroz (-6,25%); feij\u00e3o (-4,36%); leite (-4,31%); farinha de trigo (-3,98%); banana (-3,92%) e caf\u00e9 (-1,91%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, ao contr\u00e1rio do m\u00eas anterior, a cesta b\u00e1sica da Grande Vit\u00f3ria registrou a terceira maior alta dentre as capitais, 4,73%, ficando atr\u00e1s apenas de Florian\u00f3polis (5,25%) e Curitiba (5,76%). O tomate foi o produto que mais subiu, registrando um aumento de 44,23%, sendo seguido pelo a\u00e7\u00facar (4,55%) e pelo arroz (2,22%). O comportamento desses produtos tamb\u00e9m se repetiu em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo DIEESE. O produto respons\u00e1vel pelo &#8216;equil\u00edbrio&#8217; da cesta b\u00e1sica foi a batata, com uma queda de pre\u00e7os de -20%. Al\u00e9m da batata, registraram baixas: a manteiga (-3,17%); o caf\u00e9 (-2,92%); feij\u00e3o (-2,90%) e o \u00f3leo (-1,75%). Para adquirir os itens que comp\u00f5em a cesta, o trabalhador capixaba precisou desembolsar R$ 88,76, ou seja, cerca de 70,94% do sal\u00e1rio m\u00ednimo oficial l\u00edquido.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-208cde02\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo IBGE, apresentou uma taxa de crescimento de 0,93% no confronto do segundo trimestre de 1999 com o primeiro trimestre do mesmo ano. Este resultado favoreceu o &#8220;otimismo&#8221; do governo em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho da economia para o ano de 1999. Apesar das perspectivas otimistas do governo, a estimativa para o crescimento do PIB, est\u00e1 no intervalo de 1 a 0%, em 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento de 0,93% no segundo trimestre foi alavancado pelos setores da ind\u00fastria (+2,04%) e servi\u00e7os (+0,50%), enquanto a agropecu\u00e1ria retraiu (-0,79%). Por subsetores, os melhores desempenhos foram: \u00e1rea extrativa mineral, 9,21%; constru\u00e7\u00e3o, 5,22%; servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica, 2,11%; e com\u00e9rcio, 1,42%. Os subsetores com desempenhos negativos, foram: transporte, -4,05%; lavouras, -1,17%; e atividade extrativa vegetal, -0,53%.<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando-se o segundo trimestre de 1999 com o segundo trimestre de 1998, os resultados mostram um desempenho que contradiz o otimismo sugerido pelo governo. Na compara\u00e7\u00e3o entre os dois trimestres, o PIB apresentou uma retra\u00e7\u00e3o de -0,76%, em consequ\u00eancia, principalmente, da queda na ind\u00fastria (-3,24%). O bom crescimento da ind\u00fastria extrativa mineral, 13,0%, e dos servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica, 2,52%, n\u00e3o foi suficiente para compensar a redu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de constru\u00e7\u00e3o (-5,11%) e de transforma\u00e7\u00e3o (-3,62%). A atividade agropecu\u00e1ria cresceu 1,57% e os servi\u00e7os, 0,04%, tamb\u00e9m contribuindo, numa propor\u00e7\u00e3o menor, para amenizar o resultado negativo do PIB neste per\u00edodo. Os subsetores que apresentaram os melhores \u00edndices foram: produ\u00e7\u00e3o animal (5,13%), aluguel de im\u00f3veis (2,10%), e comunica\u00e7\u00f5es (1,58%).<\/p>\n\n\n\n<p>O PIB acumulado, no primeiro semestre de 1999, apresentou uma queda de -0,42% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior (tabela 3.1). Este resultado \u00e9 decorrente do crescimento de 6,07% na agropecu\u00e1ria, de 0,25% nos servi\u00e7os e da queda de -3,54% na ind\u00fastria. Nos subsetores, os piores desempenhos foram: constru\u00e7\u00e3o (-4,85%); transforma\u00e7\u00e3o (-4,02%); com\u00e9rcio (-1,83%); e transporte (-1,58%). Os melhores resultados foram: extrativa mineral (8,44%), lavouras (5,93%), produ\u00e7\u00e3o animal (4,94%) e aluguel de im\u00f3veis (2,10%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os indicadores f\u00edsicos de produ\u00e7\u00e3o industrial, com ajuste sazonal, apresentaram retra\u00e7\u00e3o de -1,3% na compara\u00e7\u00e3o entre maio e junho deste ano. Destaca-se, neste per\u00edodo, o resultado negativo de praticamente todos os segmentos industriais: semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis (-2,4%); bens de consumo (-1,9%); bens dur\u00e1veis (-1,9%); e bens intermedi\u00e1rios (-1,7%). O \u00fanico segmento que apresentou um desempenho positivo foi o de bens de capital, com uma taxa de 1,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de julho de 1999, os indicadores mostraram um fraco desempenho em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de junho, com a ind\u00fastria em geral apresentando uma redu\u00e7\u00e3o de -0,6% (tabela 3.2). Os bens de capital diminu\u00edram -4,0%; os bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, -0,7%; e os bens intermedi\u00e1rios, -0,5%. Os segmentos que apresentaram crescimento, evitando um desempenho da produ\u00e7\u00e3o industrial ainda pior, foram: os bens dur\u00e1veis com crescimento de 5,0% e os bens de consumo, com crescimento de 0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando confrontamos o m\u00eas de julho de 1999 com julho de 1998, o n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial mostra uma redu\u00e7\u00e3o de -5,3%. Essa queda confirma, naturalmente, o grau recessivo da economia brasileira nesse per\u00edodo. Todos os segmentos contribu\u00edram para os p\u00e9ssimos resultados observados entre julho de 1999 e julho de 1998: os bens de capital ca\u00edram -18,6%; os bens dur\u00e1veis, -12,0%; os bens de consumo, -6,8%; os bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, -5,6%; e os bens intermedi\u00e1rios, -2,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia dos resultados negativos, o \u00edndice acumulado no ano apresentou uma retra\u00e7\u00e3o de -3,5%. Todos os segmentos apresentaram taxas negativas: bens dur\u00e1veis, -17,4%; bens de capital, -13,6%; bens de consumo, -5,3%; semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, -2,0%; e os bens intermedi\u00e1rios, -0,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do pequeno crescimento do produto interno bruto no segundo trimestre do ano, a economia brasileira n\u00e3o d\u00e1 sinais convincentes de um processo de retomada do crescimento econ\u00f4mico pautado em bases sustent\u00e1veis. Mesmo porque, como visto, o PIB brasileiro acumulado no ano ainda se encontra em queda (-0,42%). A produ\u00e7\u00e3o industrial segue, tamb\u00e9m, em todos os segmentos, em pleno decl\u00ednio das atividades. Diante disso, a indica\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que n\u00e3o h\u00e1 verdadeiros motivos para a euforia sinalizada pelo governo. Provavelmente, em fun\u00e7\u00e3o da queda de popularidade de FHC e de seu natural desgaste pol\u00edtico, a equipe de governo esteja procurando formas diferenciadas de mostrar \u00e0 sociedade, via imprensa, que estamos retomando o crescimento econ\u00f4mico com a consequente gera\u00e7\u00e3o de empregos. Uma dessas formas ocorreu via divulga\u00e7\u00e3o do Plano Plurianual (PPA), batizado de &#8220;Avan\u00e7a Brasil&#8221;. Por\u00e9m, as metas estabelecidas por esse plano podem ficar extremamente comprometidas se o governo n\u00e3o tomar atitudes que visem a favorecer o setor produtivo, amplamente prejudicado com a pol\u00edtica de juros elevados e pelo arrocho fiscal.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-50b0af2b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE, registrou uma taxa de desemprego aberto de 7,68% no m\u00eas de agosto deste ano. Assim, aumentou 0,14 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, julho de 1999. Isso se deveu, principalmente, ao aumento no n\u00famero de pessoas procurando trabalho (2,1%). Na compara\u00e7\u00e3o anual, entre os meses de agosto de 1998 e 1999, a redu\u00e7\u00e3o da taxa tamb\u00e9m foi bastante pequena, passando de 7,80% para 7,68%, respectivamente, registrando queda de -0,12 ponto percentual no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados por regi\u00e3o metropolitana (tabela 4.1) mostram que Salvador foi a capital que apresentou a maior taxa de desemprego, 11,26%; e o Rio de Janeiro, a menor, 5,89%. Apesar da pequena varia\u00e7\u00e3o do \u00edndice de desemprego do IBGE, no m\u00eas de agosto, as regi\u00f5es metropolitanas do Rio de Janeiro e Salvador registraram aumentos de 0,52 e 1,07 pontos percentuais, respectivamente. Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, o aumento foi de apenas 0,01 ponto percentual. Salvador \u00e9 a regi\u00e3o que vem registrando os maiores \u00edndices de desemprego. Na compara\u00e7\u00e3o com agosto de 1998, o aumento da taxa de desemprego na capital baiana foi de 2,15 pontos percentuais, ou seja, aumento de 23,60%. As demais regi\u00f5es &#8211; Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife &#8211; apresentaram pequenas varia\u00e7\u00f5es na taxa de desemprego: -2,25%, -4,41% e -2,06%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo m\u00e9dio de procura por trabalho diminuiu, saindo de 23,29 semanas, em julho, para 22,80 semanas, em agosto deste ano. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, o tempo m\u00e9dio de procura por trabalho praticamente permaneceu o mesmo, diminuindo apenas em 0,27 semana (tabela 4.3).<\/p>\n\n\n\n<p>Houve uma pequena piora na taxa de desemprego na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, passando de 8,07%, em julho de 1999, para 8,27%, em agosto deste ano; na compara\u00e7\u00e3o entre o m\u00eas de agosto de 1998 e de 1999, houve pequena melhora com diminui\u00e7\u00e3o de -0,72 ponto percentual (tabela 4.2). Nos setores de com\u00e9rcio e servi\u00e7os, tamb\u00e9m houve aumento na taxa de desemprego, de julho a agosto, passando de 7,50% para 8,36%, no com\u00e9rcio, e de 6,13% para 6,23%, nos servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o DIEESE, que estima o volume de desemprego aberto e oculto, a taxa de desemprego em S\u00e3o Paulo foi de 19,6%, no m\u00eas de agosto de 1999. Diminuiu 0,5 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e aumentou 0,7 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano anterior (tabela 4.4). O tempo m\u00e9dio de procura por trabalho aumentou consideravelmente, 10 semanas em rela\u00e7\u00e3o a agosto de 1998. Considerado um dos problemas mais s\u00e9rios da economia brasileira nos anos noventa e fruto de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica recessiva que privilegia a \u00f3rbita do capital financeiro, o aumento das taxas de desemprego aparece como consequ\u00eancia da pol\u00edtica liberalizante que vem provocando uma deteriora\u00e7\u00e3o no tecido social e uma ampla desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6286127b\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial medido pelo IDEIES &#8211; Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo &#8211; apresentou, em julho deste ano, uma varia\u00e7\u00e3o de 0,47% em rela\u00e7\u00e3o ao resultado apresentado em junho (0,54%). Dentre os setores que mais empregaram em julho de 1999, destacam-se: mec\u00e2nica (15,79%), material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (15,14%) e t\u00eaxtil (3,07%). Por sua vez, os g\u00eaneros que apresentaram resultados negativos mais significativos foram a constru\u00e7\u00e3o civil (-1,93%), borracha (-1,43%) e bebidas (-0,66). Nos \u00faltimos doze meses, os setores que mais demitiram foram: madeira (-44,28%), qu\u00edmica (-40,29%), material de transportes (-36,86%), papel e papel\u00e3o (-32,23%). No ano, a varia\u00e7\u00e3o do pessoal ocupado no estado apresentou uma queda de -3,15%.<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios reais na ind\u00fastria do Esp\u00edrito Santo, segundo dados do IDEIES, depois de registrar uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 3,06% entre abril e maio, voltou a cair (-3,72%) em junho e teve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de apenas 0,03%, em julho. A queda dos sal\u00e1rios reais no acumulado do ano, em compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, vem aumentando significativamente; at\u00e9 maio o acumulado era de -4,11%, enquanto em julho, registrou -8,01% (tabela 4.6).<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores pode ser vista ainda pelos dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra realizada pelo SINE-ES. O n\u00famero de pessoas que se cadastraram \u00e0 procura de emprego, de janeiro a julho deste ano, foi de 38.665 pessoas; enquanto em 1998, esse n\u00famero foi de 27.074 pessoas. Houve, portanto, um aumento de 11.591 pessoas que se cadastraram em busca de ocupa\u00e7\u00e3o. A taxa de aloca\u00e7\u00e3o dos trabalhadores cadastrados cresceu de mar\u00e7o a maio de 1999, saindo de 38,41% para 54,37%. Por\u00e9m, ela vem caindo consideravelmente de maio a julho, chegando a 40,91%. A taxa de aloca\u00e7\u00e3o, acumulada no ano, melhora consideravelmente na compara\u00e7\u00e3o entre os mesmos per\u00edodos de 1999 e 1998. De janeiro a julho de 1999 a taxa foi de 40,43%, enquanto em 1998 ela foi de 27,06% (tabela 4.7).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-31b83ad0\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base monet\u00e1ria<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Entre junho e agosto de 1999, a base monet\u00e1ria no conceito de saldos de final de per\u00edodo sofre uma grande eleva\u00e7\u00e3o e retorna ao patamar anterior. Este movimento reflete, fundamentalmente, o comportamento banc\u00e1rio que aumenta as reservas em 54,3% no final do m\u00eas de julho e a reduz em -33,1% em agosto. No mesmo per\u00edodo, o papel moeda emitido sofre pequenas varia\u00e7\u00f5es. Cresce 1,9% em junho, 3,6% em julho e diminui -2,2% em agosto.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo per\u00edodo, o total dos meios de pagamento ($\\text{M}_{1}$) no mesmo conceito apresenta um comportamento muito mais est\u00e1vel, cresce 4,2% em junho, 3,2% em julho e 0,4% em agosto. Dentre seus componentes, o papel moeda em poder do p\u00fablico, que tinha ca\u00eddo de R$ 21,2 bilh\u00f5es, em dezembro de 1998, para R$ 16,6 bilh\u00f5es, em maio de 1999, retorna aos n\u00edveis de abril. O saldo dos dep\u00f3sitos \u00e0 vista cresce regularmente no per\u00edodo: 4,7% em junho, 2,6% em julho e 2,3% em agosto de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses resultados indicam que as violentas flutua\u00e7\u00f5es na base monet\u00e1ria devem-se ao comportamento especulativo do sistema banc\u00e1rio e \u00e9 respaldado pela pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central. Assim, se observarmos os fluxos dos fatores que condicionam a base monet\u00e1ria, as opera\u00e7\u00f5es do Tesouro Nacional e as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos federais, movimentam v\u00e1rios bilh\u00f5es de reais no trimestre. Em junho, estes dois fatores produziram uma contra\u00e7\u00e3o de R$ 7,5 bilh\u00f5es resultando em uma varia\u00e7\u00e3o l\u00edquida negativa de R$ 7,3 bilh\u00f5es. Em julho, o movimento \u00e9 inverso, produziram uma varia\u00e7\u00e3o positiva de R$ 7,7 bilh\u00f5es para uma varia\u00e7\u00e3o total de R$ 8,0 bilh\u00f5es. Em agosto, o resultado negativo de R$ 10,5 bilh\u00f5es foi compensado, em parte, pela redu\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos banc\u00e1rios (R$ 3,6 bilh\u00f5es) e produziram uma varia\u00e7\u00e3o l\u00edquida na base monet\u00e1ria de R$ 7,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas opera\u00e7\u00f5es, do tesouro e com t\u00edtulos, s\u00e3o realizadas fundamentalmente no mercado secund\u00e1rio de t\u00edtulos p\u00fablicos: o open market. O movimento de compras e vendas constitui-se na cont\u00ednua convers\u00e3o de dinheiro em capital a juros e vice-versa, acompanhando as flutua\u00e7\u00f5es di\u00e1rias na taxa de juros. Assim, confrontando-se estes dados com os valores m\u00e9dios mensais observamos uma varia\u00e7\u00e3o relativamente menor, apesar de muito significativa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-8bb05bea\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O sistema financeiro nacional expandiu o volume de cr\u00e9ditos concedidos no per\u00edodo entre maio de julho de 1999. Passou de um total de R$ 257,5 bilh\u00f5es para R$ 260,5 bilh\u00f5es. Este crescimento foi direcionado para o setor privado tendo em vista que os empr\u00e9stimos para o setor p\u00fablico mantiveram-se praticamente estagnados no per\u00edodo e v\u00eam caindo nos \u00faltimos 12 meses. Apesar de crescente, a taxa \u00e9 muito modesta &#8211; 2,2% no ano e 3,6% em 12 meses &#8211; refletindo a estagna\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica ap\u00f3s a crise financeira de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Daquele total, o setor privado recebeu R$ 226,8 bilh\u00f5es ou 87% do total do cr\u00e9dito concedido. A ind\u00fastria recebeu a maior parte, rivalizando com os empr\u00e9stimos para casa pr\u00f3pria. Estas atividades s\u00e3o respons\u00e1veis pela absor\u00e7\u00e3o de 57% do total do cr\u00e9dito para o setor privado. No m\u00eas, os empr\u00e9stimos para a ind\u00fastria aumentaram 1,5%; para habita\u00e7\u00e3o, 0,1%; para o com\u00e9rcio, 1,9%; para as pessoas f\u00edsicas, 1,6%; para os outros servi\u00e7os, 2,9%; e diminu\u00edram -1,4% para o setor rural.<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre dezembro de 1998 e julho de 1999, a ind\u00fastria aumentou a capta\u00e7\u00e3o em 14,1%; a habita\u00e7\u00e3o, 0,7%; o com\u00e9rcio, 3,4%; as pessoas f\u00edsicas, 3,8%; o setor rural diminuiu -3,4% e os outros servi\u00e7os, 14,9%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-1b42a5f3\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de juros<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Em reuni\u00e3o realizada no dia 01\/09, o COPOM &#8211; Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria &#8211; interrompeu a trajet\u00f3ria de queda da taxa de juros que vinha ocorrendo desde mar\u00e7o. Por\u00e9m, na \u00faltima reuni\u00e3o realizada no dia 22\/09, o Comit\u00ea voltou a reduzir a taxa <em>over\/selic<\/em> de 19,50% para 19,0%. Segundo o governo federal, a trajet\u00f3ria decrescente s\u00f3 continuar\u00e1 se n\u00e3o houver nenhuma turbul\u00eancia externa que afete diretamente a economia brasileira e se os indicadores inflacion\u00e1rios do Brasil permanecerem est\u00e1veis. \u00c9 bom frisar que a pol\u00edtica de juros, depois da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, passou a ser o elemento central da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima reuni\u00e3o, foi reduzida tamb\u00e9m a TJLP &#8211; Taxa de Juros de Longo Prazo, de 14,05% para 12,50% ao ano. Segundo o diretor de pol\u00edtica monet\u00e1ria do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, a an\u00e1lise sobre a infla\u00e7\u00e3o continua sendo o ponto de maior peso nas decis\u00f5es sobre a Selic. A trajet\u00f3ria descendente da infla\u00e7\u00e3o pesou bastante na redu\u00e7\u00e3o da taxa pois, em agosto, o IPCA ficou em 0,56% abaixo do \u00edndice de 0,80% projetado. Outro fator que influenciou na redu\u00e7\u00e3o da Selic foi o resultado das contas p\u00fablicas. De janeiro a julho, o super\u00e1vit prim\u00e1rio somou R$ 20,4 bilh\u00f5es gra\u00e7as, principalmente, ao ajuste recessivo promovido pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na reuni\u00e3o anterior, o Copom tinha decidido reduzir o dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, sobre os dep\u00f3sitos a prazo dos bancos, de 20% para 10%. Com essa decis\u00e3o, injetou cerca de R$ 10,0 bilh\u00f5es, que estavam recolhidos no Banco Central, no mercado. De acordo com o Comit\u00ea, esse foi o in\u00edcio de uma s\u00e9rie de atitudes que o Banco Central pretende tomar daqui em diante para baixar o spread cobrado pelos bancos ao tomador final. Por\u00e9m, a queda do compuls\u00f3rio n\u00e3o causou uma queda imediata dos juros aos clientes. O efeito vir\u00e1 no m\u00e9dio prazo, mais especificamente, at\u00e9 o final do ano, pois, a queda do compuls\u00f3rio a prazo \u00e9 registrada aos poucos. Os banqueiros alegam que o problema dos juros altos n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de liquidez, mas sim de uma vil\u00e3 chamada inadimpl\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Prosseguindo com suas medidas o Banco Central, no dia 08\/09, deu outro passo na sua peregrina\u00e7\u00e3o para reduzir a dist\u00e2ncia entre a taxa b\u00e1sica e os juros do cr\u00e9dito banc\u00e1rio ao tomador final. A al\u00edquota do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista foi reduzida de 75% para 65%, uma semana ap\u00f3s baixar a al\u00edquota sobre os dep\u00f3sitos a prazo. A medida libera aproximadamente R$ 3,0 bilh\u00f5es para as institui\u00e7\u00f5es financeiras, de um total de R$ 22,5 bilh\u00f5es recolhidos no Banco Central. O compuls\u00f3rio dos dep\u00f3sitos \u00e0 vista, al\u00e9m de ser em esp\u00e9cie, n\u00e3o possui nenhuma remunera\u00e7\u00e3o. Ou seja, enquanto a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do compuls\u00f3rio a prazo transferiu R$ 10,0 bilh\u00f5es em recolhimentos feitos integralmente em t\u00edtulos p\u00fablicos e que, portanto, s\u00e3o dep\u00f3sitos remunerados, a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do compuls\u00f3rio \u00e0 vista libera cerca de R$ 3,0 bilh\u00f5es recolhidos em esp\u00e9cie, os quais, n\u00e3o s\u00e3o remunerados, afetando dessa forma diretamente os custos dos bancos, baixando-os, evidentemente.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, apesar do montante de dep\u00f3sitos liberados pelo compuls\u00f3rio \u00e0 vista ser menor, o impacto no mercado \u00e9 proporcionalmente maior e mais r\u00e1pido do que a libera\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos a prazo. A decis\u00e3o de reduzir o dep\u00f3sito compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista j\u00e1 est\u00e1 refletindo no mercado. Os bancos come\u00e7aram a reduzir as suas taxas de juros, pois o montante em dinheiro, que antes ficava est\u00e9ril no Banco Central, pode ser emprestado pelos bancos para os clientes ou mesmo para o governo \u00e0 medida que \u00e9 liberado. Com isso, pode repassar uma parte dos lucros auferidos com esses novos empr\u00e9stimos para os tomadores finais na forma de redu\u00e7\u00e3o das taxas.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic n\u00e3o tende a trazer impactos significativos sobre o cr\u00e9dito para o tomador final. No entanto, pode causar pequenas desacelera\u00e7\u00f5es no aumento da d\u00edvida p\u00fablica que, em agosto, somava R$ 401,9 bilh\u00f5es, com 63% dos t\u00edtulos p\u00f3s-fixados.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia mais clara sobre os altos juros, basta observar algumas taxas de juros cobradas no Brasil e compar\u00e1-las com a dos EUA. Enquanto nos EUA para financiar um autom\u00f3vel paga-se 10% ao ano, aqui exige-se uma remunera\u00e7\u00e3o de 61,2% ao ano. Com rela\u00e7\u00e3o aos cart\u00f5es de cr\u00e9dito, a diferen\u00e7a \u00e9 enorme. L\u00e1 \u00e9 cobrado 17% ao ano, enquanto aqui, a mesma taxa \u00e9 de 278,9% ao ano. A problem\u00e1tica dos juros no Brasil pode tornar-se ainda mais complicada dependendo da conjuntura econ\u00f4mica e da pol\u00edtica mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>O FED &#8211; Banco Central dos EUA &#8211; elevou sua taxa de juros de 5% para 5,25% ao ano, no dia 24\/08. Este foi o segundo aumento em um pequeno intervalo de tempo. O motivo para tal decis\u00e3o foi o fato de que a economia norte-americana vem crescendo nos \u00faltimos tr\u00eas anos cerca de 3,5% ao ano. Para contornar o problema da infla\u00e7\u00e3o, o FED toma medidas restritivas aumentando a taxa de juros. Para n\u00e3o abandonar o Brasil, esses capitais exigem juros mais altos, o que inviabiliza ainda mais o crescimento econ\u00f4mico que o pa\u00eds necessita para revitalizar sua atividade industrial, agr\u00edcola e aumentar, consequentemente, o n\u00edvel de emprego. Assim, o Brasil e outros pa\u00edses latino-americanos que adotam o modelo neoliberal est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da pol\u00edtica hegem\u00f4nica americana. Em outras palavras, a estabilidade e o crescimento do Brasil, nesse sentido, tamb\u00e9m depende da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos EUA e de nossas rela\u00e7\u00f5es no mercado financeiro internacional. Enfim, cabe destacar que uma queda nas taxas de juros n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o suficiente para a retomada dos investimentos.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-afdc0718\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do Governo Central, incluindo o Tesouro Nacional, o INSS e o BCB, no m\u00eas de agosto de 1999, foi de cerca de R$ 2,5 bilh\u00f5es; enquanto que, no mesmo m\u00eas de 1998, esse total atingia um total muito mais expressivo, R$ 5,5 bilh\u00f5es. Por\u00e9m, quando comparamos o valor acumulado de janeiro a agosto de 1999, com o mesmo per\u00edodo de 1998, observamos que o super\u00e1vit cresceu em quase 130%. Assim, o excelente desempenho &#8211; em termos do acordo com o FMI e para os credores do Estado -, foi obtido nos meses anteriores. Al\u00e9m disso, se exclu\u00edssemos o d\u00e9ficit do INSS e do Banco Central, o resultado obtido pelo Tesouro Nacional em 1999 atinge R$ 22,2 bilh\u00f5es (tabela 6.1).<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das receitas, as do Tesouro diminu\u00edram em -16,4% em agosto, mas as da previd\u00eancia aumentaram 2,5%; a receita total diminuiu -12,7% e a receita l\u00edquida, -15,2%, no c\u00f4mputo mensal. No m\u00eas de agosto, as despesas com pessoal aumentaram 5,0%; os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, 8,3%; as despesas de custeio e capital e os subs\u00eddios diminu\u00edram em -2,9% e -37,4%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos oito primeiros meses do ano, a receita total arrecadada foi de R$ 135,6 bilh\u00f5es sendo 77,7%, pelo Tesouro, e 22,3%, pela previd\u00eancia. Este total representou um aumento de 10,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. A maior parte deste aumento foi de responsabilidade do Tesouro, com uma taxa de crescimento de 12,8%; a receita da previd\u00eancia cresceu apenas 3,6%. As transfer\u00eancias a estados e munic\u00edpios cresceram em 16,3%, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>A despesa total, acumulada entre janeiro e agosto de 1999, foi de R$ 118,5 bilh\u00f5es, com um aumento de 3,1% em rela\u00e7\u00e3o a 1998. Os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios cresceram 9,9% e os gastos com pessoal, 1,8%; as despesas com custeio e capital diminu\u00edram 9,9%, e os subs\u00eddios, 1,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, apesar do resultado mais modesto observado em agosto, as contas p\u00fablicas apresentaram um super\u00e1vit que atende perfeitamente as condi\u00e7\u00f5es do acordo firmado com o FMI. Mesmo que o d\u00e9ficit da previd\u00eancia n\u00e3o seja solucionado e que o ajuste fiscal dos estados e munic\u00edpios n\u00e3o seja equacionado, o Tesouro Nacional est\u00e1 se encarregando de providenciar o ajuste, pelo menos para o ano de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>O acordo com o FMI e a luta incessante, movida pela equipe econ\u00f4mica, para aumentar o super\u00e1vit prim\u00e1rio tem como objetivo reduzir o d\u00e9ficit nominal causado pela pol\u00edtica econ\u00f4mica do Plano Real.<\/p>\n\n\n\n<p>As contas p\u00fablicas, do ponto de vista monet\u00e1rio, apresentam o resultado efetivo desta pol\u00edtica. O resultado prim\u00e1rio, no conceito abaixo da linha, quadruplicou entre julho de 1998 e julho de 1999; somente neste \u00faltimo m\u00eas, o resultado \u00e9 o dobro daquele obtido nos sete primeiros meses de 1998 (tabela 6.2). O total acumulado atingiu R$ 18,6 bilh\u00f5es em julho de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a na forma de apresenta\u00e7\u00e3o dos dados, realizada nos \u00faltimos meses pela Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, n\u00e3o mostra mais as diferen\u00e7as entre os c\u00e1lculos realizados pelo BCB e pela Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica. O boletim de acompanhamento macroecon\u00f4mico, de agosto de 1999, registra um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 14,2 bilh\u00f5es, acumulado entre janeiro de julho. Uma diferen\u00e7a de R$ 4,4 bilh\u00f5es que, anteriormente, era registrada como &#8220;discrep\u00e2ncia estat\u00edstica&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas com juros, foram de R$ 7,3 bilh\u00f5es e de R$ 6,3 bilh\u00f5es em julho de 1999, calculadas respectivamente com e sem desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Nos sete primeiros meses do ano estes mesmos valores acumulados foram de R$ 76,4 bilh\u00f5es e de R$ 36,1 bilh\u00f5es. Comparando este per\u00edodo de 1999 com o mesmo de 1998, a conta de juros cresceu em 185,1%, considerando o c\u00e1lculo com a desvaloriza\u00e7\u00e3o, e 44,9%, sem a desvaloriza\u00e7\u00e3o. O resultado foi um d\u00e9ficit nominal de R$ 57,8 bilh\u00f5es ou R$ 17,5 bilh\u00f5es, dependendo se consideramos a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A consequ\u00eancia da pol\u00edtica econ\u00f4mica aplicada nos \u00faltimos anos aparece, igualmente, no endividamento interno. A tabela 6.3 mostra o crescimento cont\u00ednuo da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal. O total dos t\u00edtulos emitidos atingiram o total de R$ 543,4 bilh\u00f5es em agosto de 1999. Deste total, R$ 402,0 bilh\u00f5es est\u00e3o em poder do mercado e R$ 141,4 bilh\u00f5es, na carteira ou na tesouraria do BCB. Observa-se, ainda, uma redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos t\u00edtulos de responsabilidade do Banco Central e o aumento daqueles do Tesouro Nacional. O saldo do primeiro diminui -18,6% nos \u00faltimos seis meses enquanto o do segundo aumenta em 24,1%, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6efca1de\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>As transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos, no m\u00eas de agosto, registraram um saldo deficit\u00e1rio de US$ 1,92 bilh\u00f5es, acumulando no per\u00edodo de janeiro a agosto, um d\u00e9ficit de US$ 15,62 bilh\u00f5es, ou 4,12% do PIB. Comparando com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, o d\u00e9ficit em conta corrente diminuiu em US$ 1,55 bilh\u00f5es. Uma melhora de -9,02%, entre os oito primeiros meses de 1999 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. Assim, o d\u00e9ficit em conta corrente diminuiu de US$ 17,2 bilh\u00f5es para US$ 15,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial em agosto de 1999 voltou a registrar um d\u00e9ficit de US$ 181 milh\u00f5es. Isso representou uma revers\u00e3o no super\u00e1vit de US$ 94 milh\u00f5es registrado em julho de 1999. Dessa forma, o saldo da balan\u00e7a comercial acumulado entre janeiro e agosto, totalizou um d\u00e9ficit de US$ 706 milh\u00f5es. Entretanto, o d\u00e9ficit acumulado diminuiu cerca de -71% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. Em agosto de 1999, as exporta\u00e7\u00f5es totalizaram US$ 4,3 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es US$ 4,5 bilh\u00f5es. Em julho de 1999, as exporta\u00e7\u00f5es haviam registrado US$ 4,1 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es, US$ 4,0 bilh\u00f5es. O total das exporta\u00e7\u00f5es acumuladas, entre janeiro e agosto, atingiu US$ 30,8 bilh\u00f5es, contra US$ 34,9 bilh\u00f5es, no mesmo per\u00edodo em 1998, uma redu\u00e7\u00e3o de -11,7%. As importa\u00e7\u00f5es, em 1999, registraram um total de US$ 31,6 bilh\u00f5es, contra um total de US$ 37,4 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo do ano anterior. Assim, a meta de US$ 11,0 bilh\u00f5es, para o saldo da balan\u00e7a comercial, negociada no acordo com o FMI, mostrou o que realmente \u00e9, pura fic\u00e7\u00e3o. Atualmente, as autoridades econ\u00f4micas consideram excelente um saldo da balan\u00e7a comercial igual a zero, para 1999. Dessa forma, a esperada rea\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, de mais de 50% no per\u00edodo, n\u00e3o ocorreu e n\u00e3o d\u00e1 mostras de que venha a ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os registrou d\u00e9ficit de US$ 1,91 bilh\u00f5es, em agosto de 1999. A compara\u00e7\u00e3o desse d\u00e9ficit com o do m\u00eas de julho mostra um pequeno acr\u00e9scimo de 1,97% no m\u00eas de agosto. Mas a compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 1998, mostra um acr\u00e9scimo maior, de 7,0%. O saldo acumulado no per\u00edodo de janeiro a agosto de 1999 registrou um d\u00e9ficit de US$ 16,3 bilh\u00f5es ou um acr\u00e9scimo absoluto de US$ 357,54 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. Esse aumento no d\u00e9ficit acumulado foi o resultado do acr\u00e9scimo de US$ 2,9 bilh\u00f5es na conta de juros. Assim, apesar da redu\u00e7\u00e3o na rubrica de outras contas, o d\u00e9ficit acumulado cresceu no per\u00edodo. Dentre as outras contas, as viagens internacionais e os transportes foram respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit em US$ 2,0 bilh\u00f5es em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A capta\u00e7\u00e3o de recursos externos, em agosto de 1999, continua bem abaixo do total obtido em 1998. Em agosto de 1998 a capta\u00e7\u00e3o total foi de US$ 13,2 bilh\u00f5es enquanto que, em 1999, foi de apenas US$ 5,2 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 7,9 bilh\u00f5es. Em consequ\u00eancia, o total acumulado entre janeiro e agosto de 1999 caiu para US$ 69,6 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de -30,5% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse per\u00edodo todas as contas principais sofreram redu\u00e7\u00e3o. Os investimentos sa\u00edram de um total de US$ 42,0 bilh\u00f5es para US$ 31,7 bilh\u00f5es, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de US$ 12,6 bilh\u00f5es nas aplica\u00e7\u00f5es de portf\u00f3lio; os empr\u00e9stimos em moeda diminu\u00edram US$ 9,0 bilh\u00f5es, como resultado da vertiginosa queda dos tr\u00eas principais mecanismos: o Com. Firce n\u00b0, 10, a Res. 2.483 e os b\u00f4nus e notes. Estas rubricas foram respons\u00e1veis pela redu\u00e7\u00e3o de US$ 18,5 bilh\u00f5es na capta\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos empr\u00e9stimos.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas cambiais no conceito de liquidez internacional, que no m\u00eas de julho haviam atingido US$ 42,2 bilh\u00f5es, sofreram uma pequena redu\u00e7\u00e3o no m\u00eas de agosto atingindo US$ 41,9 bilh\u00f5es (tabela 7.3). Assim, a nova pol\u00edtica cambial tem conseguido evitar novas fugas de recursos atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de t\u00edtulos cambiais cuja participa\u00e7\u00e3o na d\u00edvida mobili\u00e1ria federal cresceu de 24,3% em julho para 26,1% em agosto. Este crescimento agrava cada vez mais a conta de juros, \u00e0 medida que a press\u00e3o pela desvaloriza\u00e7\u00e3o do real persistir e o banco central n\u00e3o conseguir evit\u00e1-la. A d\u00edvida externa total brasileira atingiu US$ 229,5 bilh\u00f5es em julho, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 10 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de junho de 1999.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4b2ea5d7\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Setor externo &#8211; Esp\u00edrito Santo<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O saldo da balan\u00e7a comercial do Esp\u00edrito Santo, nos meses de junho e julho de 1999, foi positivo em US$ 186,8 milh\u00f5es e US$ 172,2 milh\u00f5es, respectivamente. O saldo acumulado no ano foi de US$ 1,5 bilh\u00f5es. Observa-se, entretanto, que o resultado da balan\u00e7a comercial do estado com o exterior diminuiu -25,0% entre maio e junho e -7,8% entre junho e julho. O total das exporta\u00e7\u00f5es somaram US$ 598,9 milh\u00f5es em junho de 1999, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 130,6 milh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a maio, mas apresentou uma melhora de 9,0% no m\u00eas de julho, resultando em um total exportado de US$ 652,6 milh\u00f5es. As importa\u00e7\u00f5es fecharam em US$ 412,1 milh\u00f5es, no m\u00eas de junho de 1999, uma redu\u00e7\u00e3o de -14,2%, enquanto no m\u00eas de julho cresceram 16,6%, totalizando US$ 480,4 milh\u00f5es (tabela 7.4).<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es nos meses de junho e julho, foi de 62,6%. Merecem destaque os seguintes cap\u00edtulos\/produtos: min\u00e9rios-de-ferro aglomerados e seus concentrados, apresentando crescimento de 37,0%; outros produtos semi-manufaturados de ferro\/a\u00e7o, totalizando US$ 203,1 milh\u00f5es, por\u00e9m, com queda de -2,7%; pasta qu\u00edmica de madeira n\u00e3o con\u00edfera a soda\/sulfato &#8211; celulose que cresceu 25,20%; caf\u00e9 n\u00e3o torrado, n\u00e3o descafeinado, em gr\u00e3o, que totalizou US$ 110,6 milh\u00f5es, com queda de -6,0%. (tabela 7.5). O Esp\u00edrito Santo \u00e9 respons\u00e1vel, aproximadamente, por 14% do valor total exportado pelo pa\u00eds no m\u00eas de junho e por 15,9%, em julho. Esse percentual vem caindo desde janeiro deste ano, pois passamos da casa dos 20%, no in\u00edcio do ano, para cerca de 15% (tabela 7.7).<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, entre junho e julho, foi de 66,5%. Os produtos importados mais importantes foram: ve\u00edculos automotores, tratores, ciclos, etc. (varia\u00e7\u00e3o de 1,5%); combust\u00edveis, \u00f3leos e ceras minerais, com um aumento substancial de 136,6%; caldeiras, m\u00e1quinas, aparelhos e instrumentos mec\u00e2nicos, com uma queda relativa de -40,7%; m\u00e1quinas, aparelhos e material el\u00e9trico, 19,1% (tabela 7.6). O Esp\u00edrito Santo contribu\u00eda, em janeiro, com cerca de 11% das importa\u00e7\u00f5es efetuadas pelo Brasil, j\u00e1 em junho e julho de 1999, participou com 9,3% e 11,9%, respectivamente, do total importado pelo Brasil (tabela 7.7).<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Apesar das manifesta\u00e7\u00f5es de otimismo, a economia brasileira continua estagnada e sem melhoria significativa em seus indicadores conjunturais. O [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":487,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletins"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Camila Amaral Dias","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/author\/camila_amaral-dias\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apresenta\u00e7\u00e3o Apesar das manifesta\u00e7\u00f5es de otimismo, a economia brasileira continua estagnada e sem melhoria significativa em seus indicadores conjunturais. O [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/487"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3919"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3921,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3919\/revisions\/3921"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}