{"id":3925,"date":"1999-11-22T11:41:00","date_gmt":"1999-11-22T13:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3925"},"modified":"2025-11-22T12:07:41","modified_gmt":"2025-11-22T15:07:41","slug":"boletim-no-11-novembro-1999","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-11-novembro-1999\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 11 &#8211; Novembro 1999"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-layout-grid uagb-block-2d07b3f4 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c99f488d\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A economia brasileira termina 1999 com mais um ano de estagna\u00e7\u00e3o. A taxa de crescimento do produto interno bruto, em termos reais, foi de -0,1% em 1998 e ser\u00e1 pr\u00f3xima de 0%, neste ano. Em termos per capita, acumula uma queda de mais de 3% nestes dois \u00faltimos anos. Apesar das expectativas e das previs\u00f5es otimistas, adiantadas pela equipe econ\u00f4mica do governo, as perspectivas de crescimento n\u00e3o est\u00e3o garantidas. Para os desempregados, este cen\u00e1rio \u00e9 tr\u00e1gico. A taxa de desemprego, que girava em torno de 4% nos anos oitenta, subiu para cerca de 8% neste final de d\u00e9cada. A taxa de crescimento necess\u00e1ria para absorver os desempregados e os novos ingressantes no mercado de trabalho deveria ser superior a 5% ao ano. A maioria dos analistas n\u00e3o acredita que seja muito maior do que 2,5% no ano 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado da demanda agregada, a brutal concentra\u00e7\u00e3o de renda e da riqueza, assim como a queda nos sal\u00e1rios reais, observada nos \u00faltimos anos, constituem-se em importantes entraves ao crescimento. No Brasil, a parcela mais rica da popula\u00e7\u00e3o (1%), apropria-se de 17% da renda e \u00e9 propriet\u00e1ria de 53% do estoque de riqueza. O \u00edndice de Gini &#8211; indicador da distribui\u00e7\u00e3o de renda &#8211; \u00e9 de 62,9 para Serra Leoa, 60,1 para o Brasil e 59,1 para o Paraguai, os tr\u00eas pa\u00edses com a pior distribui\u00e7\u00e3o de renda no mundo. Al\u00e9m disso, os 10% mais ricos, que se apropriavam de 39,7% da renda, em 1960, aumentaram essa participa\u00e7\u00e3o para 48,7%, em 1990; por outro lado, os 40% mais pobres passaram de 6,9% para apenas 7,8%, nos mesmos anos. (GON\u00c7ALVES, Reinaldo. In: LESBAUPIN, Ivo (Org). O desmonte da na\u00e7\u00e3o. 1999). Quanto aos sal\u00e1rios reais, os dados da PNAD, mostram que o rendimento dos trabalhadores ocupados caiu de um \u00edndice 100, em 1986, para 93,8, em 1996. Para a parcela de assalariados com carteira de trabalho assinada a queda ainda foi maior: de 100 para 89,5.<\/p>\n\n\n\n<p>As medidas para expans\u00e3o da demanda atrav\u00e9s do cr\u00e9dito &#8211; redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros, redu\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios e a divulga\u00e7\u00e3o das taxas visando estimular a concorr\u00eancia entre os bancos, mostraram-se quase inoperantes, at\u00e9 o momento. Existem bancos cobrando taxas que chegam a cerca de 14%, ao m\u00eas, para o cr\u00e9dito pessoal e o cheque especial.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento da demanda atrav\u00e9s do aumento das exporta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m encontra-se comprometido. A esperada &#8220;rodada do mil\u00eanio&#8221;, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio, j\u00e1 fracassou. Os pa\u00edses desenvolvidos, os maiores respons\u00e1veis pelas barreiras ao com\u00e9rcio internacional, negam-se a &#8220;abrir&#8221; seus mercados, como impuseram aos pa\u00edses subdesenvolvidos. O fracasso deve-se ao impasse resultado dos interesses dos pa\u00edses que mant\u00eam barreiras tarif\u00e1rias, ecol\u00f3gicas etc., e n\u00e3o pela manifesta\u00e7\u00e3o dos militantes das ONGs. Assim, a mega desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, cerca de 60%, n\u00e3o teve nenhum efeito sobre as exporta\u00e7\u00f5es. Ali\u00e1s, elas diminu\u00edram em rela\u00e7\u00e3o a 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo lado dos investimentos, o governo ainda n\u00e3o solucionou a quest\u00e3o da guerra fiscal entre os Estados. A proposta de reforma tribut\u00e1ria que poderia resolver esta quest\u00e3o teve sua aprova\u00e7\u00e3o praticamente inviabilizada. A guerra fiscal conduz os Estados sub-nacionais a criarem mecanismos de incentivos que constituem doa\u00e7\u00e3o de capital e praticamente se anulam na medida em que se generalizam. Os incentivos e subs\u00eddios, concedidos aos capitalistas, reduzem o montante de recursos que poderiam servir para o est\u00edmulo \u00e0 demanda agregada.<\/p>\n\n\n\n<p>O financiamento, atrav\u00e9s dos investimentos estrangeiros diretos (IEDs), s\u00f3 n\u00e3o desapareceu devido \u00e0 continua\u00e7\u00e3o da privatiza\u00e7\u00e3o que, com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, entregou os ativos das estatais a pre\u00e7os extremamente depreciados. Al\u00e9m disso, a capacidade produtiva n\u00e3o cresceu pois a maior parte dos IEDs constituem-se em aquisi\u00e7\u00f5es e fus\u00f5es de capitais j\u00e1 existentes.<\/p>\n\n\n\n<p>O Plano Real e as medidas de desregulamenta\u00e7\u00e3o da economia aumentaram rapidamente a vulnerabilidade externa, criando outro s\u00e9rio entrave ao crescimento da economia. No Brasil, pelo grau de concentra\u00e7\u00e3o da renda, as importa\u00e7\u00f5es tendem a crescer proporcionalmente mais do que a renda, pressionando negativamente o saldo da balan\u00e7a comercial. A retomada do crescimento aumenta os compromissos de remessa de lucros devido \u00e0 desnacionaliza\u00e7\u00e3o dos capitais p\u00fablicos e privados nacionais, da desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira e dos incentivos e isen\u00e7\u00f5es de impostos para o capitais estrangeiros. Ao mesmo tempo, o crescimento significa mais otimismo e maior volume de neg\u00f3cios na esfera financeira, o que atrair\u00e1 mais capitais especulativos que pressionar\u00e3o o mercado de c\u00e2mbio para remeter os ganhos de capital. Enfim, a vulnerabilidade externa encontra seu limite atual no montante dispon\u00edvel das reservas internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste final de ano, a pol\u00edtica neoliberal de FHC produziu mais dois importantes instrumentos contra os trabalhadores: o fator previdenci\u00e1rio e a proposta de mudan\u00e7a no FGTS, em discuss\u00e3o no Minist\u00e9rio do Trabalho. O fator previdenci\u00e1rio j\u00e1 foi aprovado, sancionado e est\u00e1 em vigor. Ele se constitui em um coeficiente que, combinando tempo de contribui\u00e7\u00e3o, idade e expectativa de vida, \u00e9 aplicado para calcular o rendimento da aposentadoria. Para ter direito ao mesmo rendimento calculado antes da aprova\u00e7\u00e3o do fator, o trabalhador ter\u00e1 de aumentar o n\u00famero de anos de trabalho e de contribui\u00e7\u00e3o. Como a expectativa de vida tende a ser crescente e o trabalho formal com carteira assinada e os direitos \u00e0 prec\u00e1ria prote\u00e7\u00e3o social tende a diminuir, ficar\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para os trabalhadores obterem a sua aposentadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta de modifica\u00e7\u00e3o do FGTS &#8211; Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o &#8211; come\u00e7a com a supress\u00e3o da multa de 40% sobre o saldo do FGTS, que o empregador \u00e9 obrigado a pagar quando demite sem justa causa. Em seguida, cria outro tipo de multa, com nova al\u00edquota, que ser\u00e1 paga ao governo que a colocar\u00e1 em um fundo para o seguro-desemprego. Enfim, a mudan\u00e7a principal, o FGTS de cada assalariado ser\u00e1 utilizado para o pagamento do seu pr\u00f3prio seguro-desemprego, quando ele for demitido e, depois de quatro ou cinco anos de dep\u00f3sito, cada trabalhador poder\u00e1 sacar, todos os meses, os 8% depositados pelo empregador.<\/p>\n\n\n\n<p>Criado em 1968, como mecanismo para eliminar a estabilidade no emprego e aumentar a rotatividade do trabalho, o FGTS funciona, ainda, como mecanismo que ameniza a situa\u00e7\u00e3o do trabalhador desempregado, sem contar que \u00e9 importante mecanismo para o pagamento da casa pr\u00f3pria. Nas demiss\u00f5es em massa, decorrentes da reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva permitiu a muitos trabalhadores, tornarem-se pequenos empres\u00e1rios ou criar alternativas de trabalho por conta pr\u00f3pria. Com a implementa\u00e7\u00e3o desta proposta, o FGTS de cada trabalhador s\u00f3 teria o montante equivalente a seis meses de sal\u00e1rio. Como seguro desemprego n\u00e3o poder\u00e1 mais ser retirado de uma vez e nem servir para amortizar d\u00e9bitos imobili\u00e1rios. Como o tempo de procura por trabalho, dos desempregados, tem aumentado violentamente, ultrapassando 40 semanas, a precariedade do trabalhador aumentar\u00e1 ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de estudos e pesquisa em conjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio A. de Oliveira, Paulo Nakatani e Maur\u00edcio de Souza Sabadini<br \/><strong>Editora\u00e7\u00e3o<\/strong>: Jalisson Lage Maciel<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, Araceli Reis Buffon, Danilo Leonel, Elaine Delpupo, J\u00e1lisson Lage Maciel, Juez Ferreira da Silva, Larissa Soares Bressan, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo Alves de Morais, Marcos Barcellos da Cunha e Silva, Maria Aparecida Alves dos Santos, Marlon Gomes Ney, Oberdan Pandolfi Ermita, Ricardo Silveira da Paix\u00e3o, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Rosiane de Souza, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo.<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0UUV5ajAycjBmMWs\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-c0rMxtg6LshSRp5jPBWvyA\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-8149054b uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-1a9a4f03\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Os riscos do retorno da infla\u00e7\u00e3o<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>\u00c9 cada vez maior a preocupa\u00e7\u00e3o, no Brasil, com o retorno mais vigoroso da infla\u00e7\u00e3o. Do presidente da rep\u00fablica, que passou uma nova temporada no exterior, exortando empres\u00e1rios e consumidores a n\u00e3o sancionarem a subida dos pre\u00e7os, passando pela pol\u00edtica defensiva do Banco Central, que manteve as taxas de juros na \u00faltima reuni\u00e3o do Copom em 19% ao ano e est\u00e1 intervindo no mercado de c\u00e2mbio para evitar que a eleva\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar contamine os demais pre\u00e7os da economia, o receio de que se perca o controle da infla\u00e7\u00e3o come\u00e7a a se instalar na popula\u00e7\u00e3o de um modo geral. Nesse ambiente, muitas empresas est\u00e3o dando in\u00edcio ao processo de reajustes de pre\u00e7os, enquanto outras come\u00e7am a anunciar que seguir\u00e3o o mesmo caminho proximamente. O temor de que a volta da infla\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a com vigor, apesar da aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es objetivas para tanto, n\u00e3o \u00e9 de todo infundado.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise dos \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor e dos \u00edndices que carregam a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do atacado revela que as discrep\u00e2ncias entre eles existentes, que se acentuaram depois da megadesvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, come\u00e7am a diminuir neste final de ano, indicando um aumento do poder de repasse das empresas para o varejo. Tanto que as proje\u00e7\u00f5es de que, mesmo com o IGP-M e o IGP-DI caminhando para a casa dos 20% no ano, o IPCA se manteria comportado no n\u00edvel de 8% come\u00e7am a ser revistas, j\u00e1 existindo novas estimativas de que poder\u00e1 atingir 10%. O salto conhecido pelo IPCA de setembro (0,31%) para outubro (1,19%) confirma a acelera\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria e a contamina\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os ao consumidor, refor\u00e7ando os temores de que a infla\u00e7\u00e3o ganhe for\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale a pena lembrar que a infla\u00e7\u00e3o medida pelos \u00edndices de pre\u00e7os ao atacado n\u00e3o espelha, pela metodologia de seu c\u00e1lculo, a infla\u00e7\u00e3o ocorrida, mas a que se espera ocorrer diante de um eventual aumento de custos dos produtores. Trata-se, portanto, de uma infla\u00e7\u00e3o &#8220;potencial&#8221; que nem sempre se materializa nos \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor. Isso porque, em condi\u00e7\u00f5es desfavor\u00e1veis, esse repasse pode n\u00e3o se tornar poss\u00edvel, acentuando as discrep\u00e2ncias entre os dois \u00edndices. \u00c9 isso que parece ter ocorrido depois da maxidesvaloriza\u00e7\u00e3o do Real: os pre\u00e7os fornecidos pelos produtores para a pesquisa foram inflados com a expectativa de que seria inevit\u00e1vel o repasse da eleva\u00e7\u00e3o de custos por ela provocados para o consumidor. Contudo, diante dos altos n\u00edveis de desemprego, de inadimpl\u00eancia e de desaquecimento do consumo, isso terminou n\u00e3o ocorrendo na dimens\u00e3o esperada, provocando esse distanciamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A acelera\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor neste final de ano explica-se, assim, por um lado, pelos consecutivos reajustes de pre\u00e7os e tarifas dos produtos e servi\u00e7os administrados pelo governo e, em menor grau, pelo ligeiro aquecimento que vem sendo conhecido pelo consumo, com as \u00faltimas medidas adotadas pelo Banco Central voltadas para dar algum oxig\u00eanio \u00e0 atividade produtiva. A maior preocupa\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 que a continuidade deste processo nos primeiros meses do ano 2000 possa p\u00f4r em marcha fortes movimentos pr\u00f3-reindexa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios e trazer de volta \u00e0 cena o drag\u00e3o inflacion\u00e1rio, sepultando a principal &#8211; sen\u00e3o a \u00fanica &#8211; conquista do Real. Por isso, a inquieta\u00e7\u00e3o que esse repique est\u00e1 provocando na equipe econ\u00f4mica e nas falas de FHC.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o, que pode abortar o ensaio que vem sendo feito de injetar algum sinal de vida \u00e0 atividade produtiva, atrav\u00e9s de medidas de incentivo ao consumo, parece exagerada pela dimens\u00e3o do problema e pelas condi\u00e7\u00f5es e perspectivas de crescimento do pa\u00eds, diante dos freios que significam o acordo com o FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional), do quadro (quase) geral de desindexa\u00e7\u00e3o da economia brasileira e da pr\u00f3pria tend\u00eancia inflacion\u00e1ria, que \u00e9 de fato o que conta para a formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Na realidade, mais que a retomada (acanhada) do consumo, o que \u00e9 natural em finais de ano, \u00e9 o governo, atrav\u00e9s dos reajustes dos pre\u00e7os e tarifas de servi\u00e7os e produtos por ele administrados, com seus efeitos em cadeia, o principal respons\u00e1vel pelo aumento registrado na infla\u00e7\u00e3o e menos o fen\u00f4meno que vem sendo chamado de infla\u00e7\u00e3o &#8220;reprimida&#8221; embutida nos \u00edndices de pre\u00e7os ao atacado. O risco existe, mas ainda s\u00e3o estreitos os espa\u00e7os diante da retranca da pol\u00edtica econ\u00f4mica, de que aconte\u00e7a esse descontrole no curto prazo.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3132b76a\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os principais \u00edndices de pre\u00e7os apresentaram, no m\u00eas de outubro, eleva\u00e7\u00e3o acentuada. Essa tend\u00eancia de alta compromete a meta de infla\u00e7\u00e3o para 1999, que era de 8% medida pelo IPCA. Agora, a nova estimativa de infla\u00e7\u00e3o para este ano \u00e9 de 8,8%. Desta forma, a meta de crescimento da economia em 4%, no ano que vem, tamb\u00e9m fica comprometida. Pois, atualmente, o principal instrumento de controle inflacion\u00e1rio do Plano Real \u00e9 o aumento das taxas de juros, que acaba reprimindo as atividades econ\u00f4micas. De um lado, comenta-se que, se a cota\u00e7\u00e3o do real n\u00e3o voltar a um ponto mais adequado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, h\u00e1 riscos de volta da indexa\u00e7\u00e3o da economia. Por outro lado, salienta-se que as press\u00f5es inflacion\u00e1rias n\u00e3o devem continuar pois elas foram derivadas de produtos espec\u00edficos, como carne e combust\u00edvel, conforme mostram os \u00edndices a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,31% (0,25 ponto percentual inferior \u00e0 taxa de agosto). Os alimentos apresentaram alta de 0,34%, sendo que problemas clim\u00e1ticos ocasionaram a alta no pre\u00e7o de alguns produtos, com destaque para o feij\u00e3o carioca (37,23%). No m\u00eas de outubro, o IPCA subiu para 1,19%, um expressivo aumento de 283% em rela\u00e7\u00e3o a setembro. As altas dos alimentos (decorrente da entressafra), dos carros novos e do \u00e1lcool fizeram o \u00edndice usado como refer\u00eancia no sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o quadruplicar de setembro para outubro. O grupo Transportes foi o que apresentou a maior alta (3,24%).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) em setembro fechou em 0,39% (0,16 ponto percentual inferior \u00e0 taxa de agosto). As principais altas verificadas foram nos grupos Transportes (0,71%) e Sa\u00fade e Cuidados Pessoais (0,59%). Em outubro, o INPC aumentou para 0,96%, um crescimento de 146%. Os alimentos foram os principais respons\u00e1veis pela taxa no m\u00eas, com contribui\u00e7\u00e3o de 0,60 ponto percentual. Os destaques foram o a\u00e7\u00facar cristal (15,49%), carnes (9,43%), feij\u00e3o preto (8,12%) e frango (5,26%). Os pre\u00e7os dos produtos n\u00e3o-aliment\u00edcios aumentaram 0,51%, resultado superior ao de setembro (0,34%).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-DI) apresentou varia\u00e7\u00e3o de 1,89%, em outubro, contra 1,47% em setembro, como se observa na tabela 2.1. Houve alta generalizada nos pre\u00e7os de atacado, varejo e materiais de constru\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o a base das tr\u00eas taxas que formam o IGP-DI. No ano, o \u00edndice j\u00e1 acumula varia\u00e7\u00e3o de 15,59% e deve passar de 17,5% at\u00e9 dezembro, conforme previs\u00e3o da FGV. Dentre os componentes do IGP-DI, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), saiu de 0,19%, em setembro, para 0,91%, em outubro. O \u00cdndice de Pre\u00e7os por Atacado (IPA), que corresponde a 60% do IGP-DI, passou de 2,30% em setembro, para 2,58%, em outubro. Essa eleva\u00e7\u00e3o do IPA \u00e9 explicada pelo aumento das exporta\u00e7\u00f5es, pelo efeito sazonal do clima sobre os produtos agr\u00edcolas e pela valoriza\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>O IGP-M atingiu, no m\u00eas de outubro, 1,70%. O crescimento desta taxa foi devido ao \u00cdndice de Pre\u00e7o no Atacado (IPA), que subiu 2,50%. Este \u00edndice continuou sofrendo a press\u00e3o do IPA e aumentou para 2,39% em novembro. A previs\u00e3o do Centro de Estudos de Pre\u00e7os \u00e9 que o IGP-M acumulado, em 1999, chegue a 20%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o chefe do Centro de Estudos de Pre\u00e7os da FGV, Paulo Sidney de Melo Cota, o aumento dos pre\u00e7os no atacado j\u00e1 est\u00e1 sendo repassado aos consumidores, pois os empres\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam mais como absorver os aumentos nos custos. Al\u00e9m disso, outro ponto que explica a eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o na oferta interna, j\u00e1 que os empres\u00e1rios est\u00e3o preferindo exportar a vender suas mercadorias no mercado interno. Os principais produtos que contribu\u00edram para o aumento dos pre\u00e7os foram a carne bovina, a cana-de-a\u00e7\u00facar e o feij\u00e3o carioquinha.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC-FIPE), medido na cidade de S\u00e3o Paulo, chegou a 1,13% em outubro, contra 0,91%, no m\u00eas anterior, um aumento de 24%. A estimativa para novembro \u00e9 de uma infla\u00e7\u00e3o de 0,7% e o acumulado do ano deve ficar, segundo as previs\u00f5es, em 7,5%. Os principais itens respons\u00e1veis pelo aumento da infla\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo, no m\u00eas de outubro, s\u00e3o: o \u00e1lcool combust\u00edvel, que aumentou 17,25%; a carne bovina, que subiu 9,72% e a gasolina, que registrou alta de 2,34%. O a\u00e7\u00facar tamb\u00e9m teve um aumento de 13,19%.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de setembro, o \u00edndice de custo de vida (ICV) calculado pelo DIEESE, para a cidade de S\u00e3o Paulo, manteve-se em 0,37%, patamar bastante semelhante, embora 0,01 ponto percentual inferior, ao registrado no m\u00eas de agosto, quando o \u00edndice ficou em 0,38%. Os aumentos mais significativos, foram observados nos grupos Despesas Pessoais (1,06%) e Sa\u00fade (0,70%). Estes aumentos foram compensados parcialmente pela queda nos Equipamentos Dom\u00e9sticos (-0,40%) e pelas eleva\u00e7\u00f5es pouco expressivas na Habita\u00e7\u00e3o (0,03%), Educa\u00e7\u00e3o e Leitura (0,06%) e Vestu\u00e1rio (0,09%). Com rela\u00e7\u00e3o a outubro, o ICV apresentou alta de 0,93%, resultado de 0,56 ponto percentual acima do \u00edndice registrado em setembro, o que significa um aumento de 151%. No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a taxa foi de 7,27%. J\u00e1 nos \u00faltimos 12 meses, essa taxa foi de 7,06%. A taxa inflacion\u00e1ria teve como principais press\u00f5es, em outubro, aumentos ocorridos nos grupos Transportes (1,96%), Vestu\u00e1rio (1,40%) e Alimenta\u00e7\u00e3o (1,32). O aumento no grupo Transportes deveu-se \u00e0 alta marcante no subgrupo transporte individual (2,43%), com destaque para o reajuste ocorrido no pre\u00e7o do \u00e1lcool combust\u00edvel (15,70%). Dos dez grupos que comp\u00f5em o ICV, o \u00fanico que apresentou defla\u00e7\u00e3o foi o de Recrea\u00e7\u00e3o (-0,87%).<\/p>\n\n\n\n<p>Na Pesquisa Nacional da Cesta B\u00e1sica, realizada pelo DIEESE, apenas cinco das dezesseis capitais apresentaram, em setembro, aumento no pre\u00e7o do conjunto de g\u00eaneros de primeira necessidade. As altas foram apuradas em Recife (7,53%), Goi\u00e2nia (2,10%), S\u00e3o Paulo (1,83%), Bel\u00e9m (0,61%) e Aracaju (0,02%). As principais varia\u00e7\u00f5es negativas foram registradas em Jo\u00e3o Pessoa (-5,18%), Natal (-3,85%), Fortaleza (-3,70%), Curitiba (-3,42%), Vit\u00f3ria (-3,30%) e Salvador (-3,24%). O maior valor para a cesta b\u00e1sica foi apurado em S\u00e3o Paulo, R$ 108,17, e o menor valor foi o de Fortaleza, R$ 80,87.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da capital paulista, o custo da cesta b\u00e1sica superou o patamar de R$ 100,00 em Curitiba (R$ 106,07), Porto Alegre (R$ 106,05), Bras\u00edlia (R$ 103,00), Belo Horizonte (R$ 100,79) e Rio de Janeiro (R$ 100,78). No m\u00eas de outubro, a alta dos pre\u00e7os de g\u00eaneros como a carne bovina e o a\u00e7\u00facar elevou o custo do conjunto de g\u00eaneros essenciais em seis das dezesseis capitais pesquisadas. Apenas duas das dezesseis capitais, apresentaram varia\u00e7\u00f5es negativas no custo da cesta: Salvador (-1,22%) e Recife (-1,08%). Tendo em vista o custo da cesta b\u00e1sica mais elevado, o DIEESE estimou que o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo, necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de quatro pessoas, em outubro, deveria corresponder a R$ 933,44 ou o equivalente a 6,9 vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo atual, que \u00e9 de R$ 136,00.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o DIEESE, a tend\u00eancia de alta verificada em outubro pode ocorrer nos pr\u00f3ximos meses, uma vez que o longo per\u00edodo de seca observado no pa\u00eds, teve como efeito um atraso no plantio e, consequentemente, um prolongamento da entressafra. Produtos como milho, feij\u00e3o, caf\u00e9 e arroz podem pressionar os pre\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>A cesta b\u00e1sica, em Vit\u00f3ria, foi a nona mais cara do pa\u00eds, em setembro, ficando em R$ 85,83, contra o valor de R$ 88,76, em agosto. Para compr\u00e1-la, o trabalhador teve que desembolsar 68,60% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Os produtos que registraram maior eleva\u00e7\u00e3o neste m\u00eas foram o feij\u00e3o preto (11,54%) e o a\u00e7\u00facar (21,74%). Apesar dessas eleva\u00e7\u00f5es, quedas em produtos como o tomate (-50,0%), influenciado por per\u00edodos de safra, fizeram com que a varia\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica, no m\u00eas de setembro, fosse negativa. No m\u00eas de outubro, Vit\u00f3ria permaneceu como a nona capital de cesta b\u00e1sica mais cara, registrando uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 4,94% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. No acumulado dos \u00faltimos 12 meses, a cesta b\u00e1sica apresentou uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 10,15%. E, no ano, essa varia\u00e7\u00e3o chegou a 5,15%. Em outubro, o custo da cesta b\u00e1sica foi de R$ 90,07, que correspondeu a 71,99% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Dentre os produtos que mais contribu\u00edram para o aumento do custo da cesta, destacam-se o tomate (25,33%), feij\u00e3o preto (18,97%) e a carne (12,55%). J\u00e1 o pre\u00e7o da banana ficou entre os produtos com maiores quedas, registrando (-9,37%).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-acb06f92\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A economia brasileira apresentou, ao final do terceiro trimestre do ano, um crescimento acumulado de 0,02% no Produto Interno Bruto (PIB). Este resultado mostra a possibilidade de que a atividade econ\u00f4mica encerre o ano com resultado positivo, mas sem a possibilidade de absorver os desempregados e os novos ingressantes no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Este desempenho do PIB \u00e9 devido, principalmente, ao crescimento no setor agropecu\u00e1rio (6,10%), al\u00e9m do pequeno crescimento do setor de servi\u00e7os (0,80%) que compensou a queda de -3,03% do setor industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os subsetores que mais cresceram no per\u00edodo foram: extrativa mineral (10,38%), comunica\u00e7\u00f5es (9,53%), produ\u00e7\u00e3o animal (5,85%) e lavouras (6,04%). As maiores quedas aconteceram na constru\u00e7\u00e3o (-4,57%), transforma\u00e7\u00e3o (-3,40%) e no com\u00e9rcio (-1,51%).<\/p>\n\n\n\n<p>No terceiro trimestre do ano, o PIB apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de -0,18%, em compara\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior. Esta retra\u00e7\u00e3o foi resultado do desempenho da agropecu\u00e1ria (-2,92%) que apresentou uma queda de -3,06% nas lavouras. A ind\u00fastria tamb\u00e9m contribuiu com este resultado, diminuindo a produ\u00e7\u00e3o em -0,17% com desempenho negativo para a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (-0,46%) e para a constru\u00e7\u00e3o civil (-0,39%). A queda no setor industrial s\u00f3 n\u00e3o foi maior devido ao crescimento da extra\u00e7\u00e3o mineral (4,02%). Finalmente, o \u00fanico setor que apresentou varia\u00e7\u00e3o positiva, apesar de modesta, foi o de servi\u00e7os (0,18%), resultado, principalmente, do crescimento do subsetor de transportes (6,86%).<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o do terceiro trimestre de 1999 com o mesmo per\u00edodo do ano anterior mostra uma queda ainda mais acentuada, -0,31% (tabela 3.1). A ind\u00fastria foi o setor que mais contribuiu para este queda, apresentando uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -2,02%. O crescimento nos outros setores, agropecu\u00e1ria (3,35%) e servi\u00e7os (0,22%), n\u00e3o foi suficiente para segurar a retra\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de atividade. Quanto aos subsetores, as maiores taxas de crescimento foram obtidas pela ind\u00fastria extrativa mineral (14,17%), lavouras (4,12%), e servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica (3,09%), os resultados negativos foram apresentados pela constru\u00e7\u00e3o civil (-3,95%), pela ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (-2,23%) e pelos transportes (-1,72%).<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial do Brasil apresentou uma retra\u00e7\u00e3o de -2,6% no total acumulado no ano (tabela 3.2). Todos os segmentos industriais apresentaram queda em sua produ\u00e7\u00e3o, destacando-se os bens de consumo dur\u00e1veis (-14,1%) e os bens de capital (-12,3%). A produ\u00e7\u00e3o dos bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o-dur\u00e1veis caiu -1,8% e a dos bens intermedi\u00e1rios, -0,1%. Estas taxas mostram claramente os efeitos negativos da pol\u00edtica restritiva executada pelo Minist\u00e9rio da Fazenda e pelo Banco Central do Brasil. Esta pol\u00edtica, de metas inflacion\u00e1rias, fundamenta-se nas altas taxas de juros que restringem o consumo e afetam negativamente a produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do resultado negativo acumulado no ano, a produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira apresentou resultados positivos durante o trimestre. Cresceu 0,4% entre julho e agosto e 0,1% entre agosto e setembro. Em agosto, os segmentos que favoreceram o desempenho foram: bens de consumo dur\u00e1veis (3,3%), bens intermedi\u00e1rios (1,6%) e bens de capital (0,3%). O resultado positivo em setembro foi decorrente apenas do crescimento de 0,6% na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital. Todos os demais segmentos apresentaram quedas.<\/p>\n\n\n\n<p>A compara\u00e7\u00e3o deste trimestre com o mesmo per\u00edodo do ano anterior tamb\u00e9m mostra uma pequena recupera\u00e7\u00e3o (0,3%). Entretanto, este resultado foi devido apenas ao desempenho do segmento de bens intermedi\u00e1rios (2,4%). Todos os demais segmentos apresentaram retra\u00e7\u00e3o: bens de capital (-6,3%), bens dur\u00e1veis (-4,2%), bens de consumo (-1,9%) e bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis (-1,4%),<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados estat\u00edsticos est\u00e3o mostrando uma forte tend\u00eancia para que a economia brasileira feche o ano com o crescimento do PIB pr\u00f3ximo a zero. Este resultado \u00e9 muito superior \u00e0s primeiras previs\u00f5es feitas ap\u00f3s a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, em janeiro, e que apontavam taxas de crescimento negativas de at\u00e9 -4%. Assim, est\u00e1 sendo motivo para comemora\u00e7\u00e3o e para o otimismo do governo e de v\u00e1rios segmentos empresariais. Por outro lado, deixa aberta a possibilidade de o governo utilizar tais resultados para demonstrar a efic\u00e1cia de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica. Este discurso justifica a continuidade da pol\u00edtica de arrocho fiscal e de taxas de juros elevadas cujo resultado \u00e9 a estagna\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de taxas de desemprego elevad\u00edssimas. O mais preocupante \u00e9 que o avan\u00e7o das pol\u00edticas neoliberais j\u00e1 resultou em mais uma penaliza\u00e7\u00e3o aos trabalhadores, com a aprova\u00e7\u00e3o e san\u00e7\u00e3o da lei que instituiu o &#8220;fator previdenci\u00e1rio&#8221;. Mais ainda, o Minist\u00e9rio do Trabalho acena com uma proposta de transforma\u00e7\u00e3o do FGTS em fundo individual de sal\u00e1rio desemprego.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, a possibilidade da volta da infla\u00e7\u00e3o nestes \u00faltimos meses coloca o governo em alerta. As novas metas acertadas com o FMI e o an\u00fancio de que, se necess\u00e1rio, novas medidas restritivas ser\u00e3o adotadas para garantir a governabilidade e o controle inflacion\u00e1rio deixam os trabalhadores brasileiros cada vez mais \u00e0 merc\u00ea de pol\u00edticas restritivas que imp\u00f5em novas press\u00f5es sobre seus rendimentos que j\u00e1 s\u00e3o insuficientes para sua sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c888b159\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria capixaba vem registrando resultado positivo pelo terceiro m\u00eas consecutivo. O crescimento em julho, agosto e setembro foi de 12,6%, 3,54% e 6,54%, respectivamente. O desempenho industrial acumulado no ano foi de 3,32%; o setor de papel e papel\u00e3o foi o que apresentou o maior \u00edndice de crescimento (44,50%), seguido pelo de vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (17,08%), t\u00eaxtil (13,31%) e metal\u00fargica (11,69%). As atividades produtivas que apresentaram maior queda foram, principalmente, material de transporte (-70,63%), madeira (-64,34%), borracha (-38,30%) e material pl\u00e1stico (-28,70%). Este \u00faltimo apresenta certa particularidade, pois estava em franca expans\u00e3o nos meses de julho e agosto, quando apresentou crescimento de at\u00e9 97%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho, m\u00eas com o melhor desempenho do trimestre, os setores respons\u00e1veis pelo resultado positivo foram, principalmente, material pl\u00e1stico (75,29%), mec\u00e2nica (71,72%) e material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00e3o (44,44%). Apesar dessas varia\u00e7\u00f5es setoriais positivas, praticamente a metade dos demais setores tiveram desempenhos negativos (tabela 3.3).<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de agosto, o desempenho industrial do estado foi influenciado principalmente pelo incremento da demanda internacional dos produtos capixabas export\u00e1veis. Os setores que registraram altas mais significativas foram: material pl\u00e1stico (97,55%), t\u00eaxtil (20,74%), metal\u00fargico (18,36%) e de papel e papel\u00e3o (14,52%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, a continuidade na recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os e demanda internacional dos produtos capixabas export\u00e1veis contribuiu para que o resultado apresentado pela ind\u00fastria fosse mantido. Os setores exportadores que tiveram maior influ\u00eancia nesse desempenho foram: a ind\u00fastria de couro e peles (34,63%), diversas (28,44%), extra\u00e7\u00e3o mineral (27,98%). vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (16,77%), qu\u00edmica (16,16%) e papel e papel\u00e3o (6,47%). Os maiores decr\u00e9scimos foram observados no ramo de material pl\u00e1stico (-66,99%), madeira (-30,94%) e mec\u00e2nico (-10,15%).<\/p>\n\n\n\n<p>Com esses resultados, a ind\u00fastria capixaba foi a que mais cresceu no Pa\u00eds (13,6%) nos primeiros tr\u00eas trimestres de 1999, segundo o IBGE. A expectativa \u00e9 de que at\u00e9 o final do ano a performance dos setores industriais melhore ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>As consultas ao SPC registraram uma eleva\u00e7\u00e3o de 4,46% no m\u00eas de outubro, em rela\u00e7\u00e3o a setembro e de 15,20% se comparadas ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. J\u00e1 as consultas aos cheques sofreram uma eleva\u00e7\u00e3o de 4,73% e de 8,72%, respectivamente. Esses indicadores mostram que tanto as vendas \u00e0 vista quanto a prazo aumentaram. Entretanto, as vendas a prazo mostram uma tend\u00eancia de crescimento maior do que as vendas \u00e0 vista entre este ano e o ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os meses de setembro e outubro, o percentual de novos inadimplentes teve uma queda de -7,88%, saindo de 17.140 inclus\u00f5es para 15.790. J\u00e1, quando se compara o m\u00eas de outubro de 1999 com o mesmo m\u00eas do ano anterior, nota-se um acr\u00e9scimo de 31,04% no n\u00famero de registros dos inadimplentes. Por outro lado, o n\u00famero de baixas tem diminu\u00eddo tanto no m\u00eas quanto em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, o que significa um aumento no saldo de consumidores inadimplentes, com registro no SPC. O saldo de inadimplentes cresceu em cerca de 14.000 registros somente nos meses de setembro e outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, apesar da redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de novos inscritos no SPC, a inadimpl\u00eancia cresceu em 1999, quando comparada com 1998. Esta tend\u00eancia confirma-se pelos registros de cheques locais n\u00e3o pagos. As inclus\u00f5es crescem tanto no m\u00eas quanto em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 1998 e as baixas diminuem no m\u00eas indicando menos cheques saldados. Destaca-se apenas o crescimento de 10,34% das baixas em rela\u00e7\u00e3o a outubro de 1998, o que \u00e9 muito pouco significativo em termos absolutos, apenas 104 registros.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-1cae9b01\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE, apurou uma taxa de desemprego aberto de 7,5% no m\u00eas de outubro. Essa taxa foi superior em 0,1 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de setembro deste ano, tabela 4.1. Para as regi\u00f5es metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre, a pesquisa apresentou um contingente de aproximadamente 31,2 milh\u00f5es de pessoas em idade ativa. Deste total, 57,5% formava a popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e 42,5% estavam fora do mercado de trabalho, n\u00e3o s\u00e3o economicamente ativas. Do total de pessoas economicamente ativas, 92,5% estavam ocupadas (trabalhando) e 7,5% desocupadas (procurando trabalho). Entre setembro e outubro, os piores desempenhos nas taxas de desemprego foram registrados em Belo Horizonte, de 6,74% para 7,45%, e Porto Alegre, de 7,32% para 8,01%. Por sua vez, a maior recupera\u00e7\u00e3o foi em Salvador, diminuindo de 10,92% para 9,86%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a PED, Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pelo DIEESE\/SEADE, para a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, o desemprego apresentou queda em outubro de 1999, saindo de 19,7% para 19,0%. Esse recuo \u00e9 explicado pelo movimento sazonal de fim de ano, que j\u00e1 era esperado desde setembro. \u00c9 importante ressaltar que, apesar da queda, essa \u00e9 a maior taxa para o m\u00eas de outubro desde o in\u00edcio desta s\u00e9rie, que come\u00e7ou em 1985. Esses indicadores representam cerca de 1,7 milh\u00e3o de pessoas desempregadas. Na m\u00e9dia do ano, a taxa de desemprego j\u00e1 \u00e9 de 19,5% contra 18,4% no mesmo per\u00edodo de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, o rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas diminuiu -0,4% em rela\u00e7\u00e3o a julho. O rendimento dos empregados sem carteira de trabalho assinada caiu -0,8%, mas o dos empregados com carteira de trabalho assinada e dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria cresceu 1,9% e 0,7%, respectivamente. Em rela\u00e7\u00e3o a agosto de 1998, a queda foi de -6,4%, sendo generalizada para todas as categorias. A dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria foi a que sofreu a maior redu\u00e7\u00e3o (-7,0%).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-8dc245e5\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial, medido pelo IDEIES &#8211; Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo &#8211; apresentou, em setembro, um acr\u00e9scimo de 0,62% em rela\u00e7\u00e3o ao resultado apresentado em agosto. Dentre os setores que mais ampliaram o emprego (tabela 4.2), destacam-se: bebidas (4,90%), mobili\u00e1rio (3,55%), ind\u00fastrias diversas (2,90%), produtos alimentares (2,73%), qu\u00edmica (2,71%) e t\u00eaxtil (2,64%). Grande parte deste acr\u00e9scimo foi resultado do aumento da produ\u00e7\u00e3o. Na ind\u00fastria de alimentos houve diversifica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, com lan\u00e7amento de novos produtos. Em contrapartida, os ramos de papel e papel\u00e3o (-5,66%), madeira (-4,42%), material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (-4,31%) e mec\u00e2nica (-3,56%) foram os que mais demitiram, especialmente em fun\u00e7\u00e3o do processo de reestrutura\u00e7\u00e3o pelo qual tem passado muitas empresas e t\u00e9rmino de grandes contratos. No ano, o desempenho dos setores \u00e9 praticamente o mesmo, com destaque para os que mais criaram emprego at\u00e9 o momento: t\u00eaxtil (24,13%) e ind\u00fastrias diversas (5,15%). Os setores com pior desempenho foram: madeira (-45,74%) e papel e papel\u00e3o (-34,17%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais na ind\u00fastria do Esp\u00edrito Santo, segundo dados do IDEIES, registraram um crescimento de 0,59% motivados pelo aumento do pessoal empregado e pelo pagamento de f\u00e9rias. Destacaram-se as ind\u00fastrias diversas (18,69%), bebidas (7,69%), perfumarias, velas e sab\u00f5es (6,99%) e mobili\u00e1rio (6,88%). Por\u00e9m, apesar de certa recupera\u00e7\u00e3o, o acumulado at\u00e9 setembro comparado ao sal\u00e1rio real acumulado de 1998 registra uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -5,60%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra realizada pelo SINE-ES, o n\u00famero de pessoas que se cadastraram \u00e0 procura de emprego, at\u00e9 outubro, aumentou consideravelmente em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, 51.712 contra 36.624 pessoas em 1998. \u00c9 importante ressaltar que o n\u00famero de inscritos deste ano inclui tamb\u00e9m as pessoas que fazem o requerimento do seguro-desemprego e que s\u00e3o cadastradas no mesmo sistema de intermedia\u00e7\u00e3o. Por outro lado, a taxa de aloca\u00e7\u00e3o foi maior este ano em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, 34,38% contra 28,62%, como pode ser verificado na tabela 4.3. O n\u00famero de vagas captadas em 1999 vem crescendo no \u00faltimo trimestre, tendo atingido o total de 1.520 vagas em outubro. Apesar disso, as taxas de desemprego no pa\u00eds continuam extremamente elevadas e refletem as medidas de pol\u00edtica econ\u00f4mica implementadas. Assim, as expectativas de aumentos sazonais nas vendas de final de ano n\u00e3o ser\u00e3o, naturalmente, suficientemente forte para reverter esse quadro de desemprego em todo o pa\u00eds, j\u00e1 que precisar\u00edamos de um elevado ritmo de crescimento econ\u00f4mico, o que nos parece pouco prov\u00e1vel.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-fd11bdaa\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base Monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Em outubro, a base monet\u00e1ria sofreu um pequeno decr\u00e9scimo de -0,3% atingindo R$ 35,8 bilh\u00f5es, no conceito de saldos de final de per\u00edodo. A varia\u00e7\u00e3o acumulada nos \u00faltimos doze meses foi de 9,2%. Dentre os seus componentes a varia\u00e7\u00e3o das reservas banc\u00e1rias foi da ordem de R$ 14,8 bilh\u00f5es, apresentando redu\u00e7\u00e3o de -5,4% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de setembro, o papel moeda emitido atingiu R$ 21 bilh\u00f5es, com crescimento de 3,6% no m\u00eas. A queda no saldo das reservas banc\u00e1rias (tabela 5.1) \u00e9 decorrente da redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os fatores que condicionam a base monet\u00e1ria (tabela 5.2), o fluxo mensal das opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional foi expansionista em R$ 723 milh\u00f5es. As opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos federais, que registraram fluxo contracionista de R$ 69 milh\u00f5es, teve a menor influ\u00eancia na base monet\u00e1ria nos \u00faltimos dois anos. Entretanto, o volume de neg\u00f3cios com t\u00edtulos p\u00fablicos apresentou um saldo l\u00edquido de R$ 11,6 bilh\u00f5es em t\u00edtulos do Tesouro Nacional, vendidos no mercado prim\u00e1rio, e de compras l\u00edquidas de R$ 10,6 bilh\u00f5es em pap\u00e9is do Banco Central, no mercado secund\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A cont\u00ednua volatilidade e press\u00e3o para desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real obrigou o Banco Central a intervir no mercado interbanc\u00e1rio de divisas e a renegociar a quantidade m\u00ednima de reservas internacionais, estabelecida no acordo com o FMI. Estas interven\u00e7\u00f5es apresentaram como resultado a contra\u00e7\u00e3o de R$ 1,4 bilh\u00f5es na base monet\u00e1ria. Desse total, R$ 1,2 bilh\u00e3o correspondeu \u00e0 demanda do Tesouro Nacional, por moeda estrangeira, para pagamento de servi\u00e7os da d\u00edvida externa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s outras fontes de emiss\u00e3o monet\u00e1ria, considerando os fluxos acumulados no m\u00eas, o conjunto das opera\u00e7\u00f5es com o sistema financeiro resultou em uma expans\u00e3o monet\u00e1ria l\u00edquida de R$ 637 milh\u00f5es. Tal fato deveu-se, principalmente, \u00e0s libera\u00e7\u00f5es dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios sobre os dep\u00f3sitos do Sistema Brasileiro de Poupan\u00e7a e Empr\u00e9stimo (R$ 515 milh\u00f5es).<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo da base monet\u00e1ria ampliada atingiu, ao final do m\u00eas de outubro, R$ 424,5 bilh\u00f5es, com expans\u00e3o de 2,3% no m\u00eas e de 28,7% no acumulado em 12 meses. Dentre seus componentes, o saldo dos t\u00edtulos federais fora da carteira do Banco Central cresceu 2,8%, atingindo R$ 373,3 bilh\u00f5es, ante R$ 363,1 bilh\u00f5es no m\u00eas de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de pagamento (M1), no conceito de saldo m\u00e9dio di\u00e1rio, registraram expans\u00e3o de 3,1% no m\u00eas, acumulando crescimento de 14% em 12 meses. Entre seus componentes, o papel-moeda em poder do p\u00fablico apresentou incremento de 1,3%, enquanto os dep\u00f3sitos \u00e0 vista cresceram 4,3%. Considerando-se o per\u00edodo de 12 meses, a moeda manual apresentou expans\u00e3o de 9% e a moeda escritural, de 17,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo dos meios de pagamento no conceito ampliado (M4) atingiu R$ 529,4 bilh\u00f5es, ao final de outubro, apresentando expans\u00e3o de 2% no m\u00eas. O estoque de t\u00edtulos p\u00fablicos federais em poder do p\u00fablico n\u00e3o-financeiro alcan\u00e7ou R$ 135,5 bilh\u00f5es, com incremento de 10,8%, correspondendo a 25,6% do total do agregado. O saldo dos dep\u00f3sitos de poupan\u00e7a atingiu R$ 109,9 bilh\u00f5es, com decr\u00e9scimo de -0,4% no m\u00eas, enquanto o dos t\u00edtulos privados alcan\u00e7ou R$ 93,1 bilh\u00f5es, com incremento de 1,2%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-61b87df1\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Contrariando as expectativas de baixa na taxa b\u00e1sica de juros o COPOM (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria), em reuni\u00e3o realizada no dia 11 de novembro, decidiu manter a taxa <em>Selic<\/em> em 19% ao ano, com vi\u00e9s neutro. Segundo o diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria, Luiz Fernando Figueiredo, a alta nos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o foi preponderante para essa decis\u00e3o. Por\u00e9m, essa medida n\u00e3o foi bem acolhida pelos capitalistas, os quais, mediante expectativas de novas altas na taxa de infla\u00e7\u00e3o, v\u00eam exigindo remunera\u00e7\u00f5es bem acima da taxa b\u00e1sica do mercado, entre 21% e 22% ao ano, sobre os t\u00edtulos com taxas pr\u00e9-fixadas. As taxas de juros no mercado futuro, para abril de 2000, por exemplo, est\u00e3o sendo negociados na casa dos 23% a 24% ao ano. Esses n\u00fameros refletem a desconfian\u00e7a dos aplicadores na capacidade do governo de conter a infla\u00e7\u00e3o, o que poder\u00e1 levar, a curto prazo, ao aumento na taxa <em>Selic<\/em>. Al\u00e9m disso, o aumento de 5,25% para 5,5% ao ano na taxa de juros americana, influiu negativamente nas expectativas, colaborando para o aumento da taxa interna de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o aos juros cobrados do tomador final, um estudo feito pelo BCB mostra que a inadimpl\u00eancia e o reduzido n\u00edvel de alavancagem dos empr\u00e9stimos, que limita a dilui\u00e7\u00e3o dos custos administrativos, representam a maior parcela do <em>spread<\/em> cobrado pelos bancos. No entanto, em algumas modalidades de cr\u00e9dito, como o cheque especial, os bancos t\u00eam um lucro bastante alto, cerca de 31%, colaborando para a diferen\u00e7a entre a taxa <em>Selic<\/em> e a que \u00e9 cobrada na ponta do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir das conclus\u00f5es desse estudo, o governo anunciou uma s\u00e9rie de medidas com o intuito de reduzir o <em>spread<\/em> banc\u00e1rio. Dentre as principais medidas constam a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do IOF (com impacto imediato na redu\u00e7\u00e3o dos juros); a redu\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos a prazo de 10% para 0%, press\u00e3o para intensificar a concorr\u00eancia entre os bancos mediante a divulga\u00e7\u00e3o das taxas de juros no site do Banco Central. As medidas tomadas vinham promovendo pequenas redu\u00e7\u00f5es nas taxas de juros de mercado para o tomador, mas foram atenuadas pela \u00faltima decis\u00e3o do COPOM.<\/p>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o das taxas de juros, como medida para estimular a concorr\u00eancia, ainda n\u00e3o apresentou resultado significativo. A tabela 5.3 mostra as taxas cobradas por alguns bancos, nas principais linhas de cr\u00e9dito, em 05 e 18 de novembro. Para efeitos de ilustra\u00e7\u00e3o escolhemos apenas os bancos com as menores e as maiores taxas para cada uma das linhas de cr\u00e9dito. A diferen\u00e7as entre as taxas mensais de juros, entre os bancos com maior e menor taxa, variam entre seis e doze vezes, para o cheque especial e para o cr\u00e9dito pessoal, respectivamente. As taxas anualizadas para capital de giro variam de 17,61% ao ano, cobrada pelo Dresdner Bank, at\u00e9 210,34% ao ano, cobrada pelo Intermedium; para o cheque especial vai de 32,24% ao ano, cobrada pelo Banco Prosper, para 393,09% ao ano, pelo Citibank; e para o cr\u00e9dito pessoal varia de 14,8% ao ano cobrada pelo Banco Votorantim, para 379,04% ao ano, cobrada pelo Crefisa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-70bebd80\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Em setembro, os empr\u00e9stimos do sistema financeiro concedidos ao setor p\u00fablico apresentaram um saldo total de R$ 33,691 bilh\u00f5es, o que representou uma varia\u00e7\u00e3o de 1,0% no m\u00eas, os empr\u00e9stimos concedidos ao governo federal decresceram -0,6% e os empr\u00e9stimos concedidos aos governos estaduais tiveram um acr\u00e9scimo de 1,3% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>No setor privado merece destaque a eleva\u00e7\u00e3o em 3,2% do volume de cr\u00e9dito concedido ao setor rural. Os financiamentos destinados ao custeio da safra de ver\u00e3o cresceram 6,1% e, segundo o BACEN, os cr\u00e9ditos para comercializa\u00e7\u00e3o cresceram 5,6% e os financiamentos para investimento na agricultura aumentaram 0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cr\u00e9ditos concedidos \u00e0 ind\u00fastria cresceram 1,3% apresentando saldo de R$ 70 bilh\u00f5es. Os empr\u00e9stimos ao com\u00e9rcio cresceram 2,9% e \u00e0s pessoas f\u00edsicas 2,0%, os saldos totais foram de cerca R$ 20 bilh\u00f5es e R$ 33 bilh\u00f5es, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Nota \u00e0 Imprensa de 18\/11\/99 o BCB destaca, dentre as medidas que visam \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do <em>spread<\/em> banc\u00e1rio, a cria\u00e7\u00e3o da C\u00e9dula de Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio (Medida Provis\u00f3ria 1.925 de 14\/10\/99), &#8220;caracterizada como t\u00edtulo de cr\u00e9dito emitido por pessoa f\u00edsica ou jur\u00eddica, em favor de institui\u00e7\u00e3o financeira ou de entidade a esta equiparada, como promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de opera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, exceto adiantamentos sobre contratos de c\u00e2mbio, representando d\u00edvida em dinheiro certa, l\u00edquida e exig\u00edvel&#8221;. Da mesma forma, &#8220;visando ampliar a capacidade de avalia\u00e7\u00e3o do risco de cr\u00e9dito, a Circular n.\u00ba 2.938 de 14\/10\/99, reduziu de R$ 50 mil para R$ 20 mil o valor m\u00ednimo de d\u00edvidas e responsabilidades de clientes, para registro no sistema Central de Risco por parte das institui\u00e7\u00f5es financeiras&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-5367d39b\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo os dados da Secretaria do Tesouro Nacional (tabela 6.1), o resultado prim\u00e1rio do governo central, no m\u00eas de outubro de 1999, foi de cerca de R$ 1,3 bilh\u00f5es, enquanto o mesmo m\u00eas, em 1998, registrou um d\u00e9ficit de cerca de R$ 1,6 bilh\u00f5es. Se compararmos o m\u00eas de outubro de 1999 com o m\u00eas de setembro observaremos um decr\u00e9scimo no resultado prim\u00e1rio de mais de -60%. Mas, se considerarmos o resultado acumulado de janeiro a outubro de 1999, com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, observaremos um crescimento de mais de 160%. O resultado prim\u00e1rio do governo central, no per\u00edodo, passou de R$ 5,4 bilh\u00f5es, em 1998, para R$ 22,6 bilh\u00f5es nos dez primeiros meses de 1999. Assim, o governo central conseguiu passar este super\u00e1vit de 0,7% do PIB para 2,7%. Al\u00e9m disso, enquanto o Tesouro Nacional continua batendo recordes de super\u00e1vit, acumulando R$ 29,2 bilh\u00f5es em 1999, a previd\u00eancia tende a apresentar d\u00e9ficits crescentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista das receitas, o total das arrecada\u00e7\u00f5es at\u00e9 o m\u00eas de outubro de 1999 ultrapassou os R$ 170 bilh\u00f5es, somente no \u00faltimo m\u00eas atingiu R$ 17,1 bilh\u00f5es, caiu R$ 1 bilh\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a setembro, mas superou em R$ 3,9 bilh\u00f5es a receita de outubro de 1998. A maior parte do aumento das arrecada\u00e7\u00f5es deve-se ao desempenho do Tesouro, sobretudo pelo recolhimento l\u00edquido adicional da Cofins, que teve sua al\u00edquota aumentada e sua cobran\u00e7a estendida \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras e pela desist\u00eancia de a\u00e7\u00f5es judiciais. A previd\u00eancia participou com 22,3% da receita total e a transfer\u00eancia para estados e munic\u00edpios, representou 15,5% da receita total.<\/p>\n\n\n\n<p>A despesa total acumulada entre janeiro e outubro foi de R$ 121,8 bilh\u00f5es, mantendo-se est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a 1998. Apesar disto, houve uma redistribui\u00e7\u00e3o dos pesos entre seus componentes. As despesas com pessoal aumentaram em 2,5% e os benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, 9,7%; estes aumentos foram contrabalan\u00e7ados pela redu\u00e7\u00e3o de -10,7% nas despesas de custeio e capital e de -6,8% nos subs\u00eddios e subven\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro a despesa total foi de R$ 13,0 bilh\u00f5es, crescendo quase 5,4% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior mas apenas 1,98% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 1998. Os gastos com pessoal cresceram 6,0%, com benef\u00edcios previdenci\u00e1rios, 2,2%, com despesas de custeio e capital, -1,7% e os subs\u00eddios e subven\u00e7\u00f5es, 270%, em rela\u00e7\u00e3o a setembro. Comparando com outubro de 1998, as despesas com pessoal e encargos e com a previd\u00eancia cresceram 7,4% e 9,6%, respectivamente. Estes aumentos foram compensados pelas redu\u00e7\u00f5es nos gastos com custeio e capital (-8,5%) e subs\u00eddios e subven\u00e7\u00f5es (-11,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto entre as receitas e as despesas mostra que o excepcional esfor\u00e7o para a obten\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit de R$ 292 bilh\u00f5es na conta do Tesouro foi resultado fundamentalmente de dois fatores: o aumento na arrecada\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o nas despesas de custeio e capital. O primeiro foi respons\u00e1vel por 73,5%, e o segundo por 14,6% do super\u00e1vit registrado.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado do INSS apresentou um d\u00e9ficit de R$ 827 milh\u00f5es em outubro, cresceu 16,5% em rela\u00e7\u00e3o a setembro e 27,0% em rela\u00e7\u00e3o a outubro de 1998. O resultado acumulado no ano foi deficit\u00e1rio em R$ 6,6 bilh\u00f5es, com crescimento de 56,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1999. Dentre os fatores que t\u00eam agravado este d\u00e9ficit pode-se destacar o aumento na taxa de desemprego nos \u00faltimos anos e a redu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores empregados com carteira assinada.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados do governo central (tabela 6.2), calculados no conceito abaixo da linha e com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, mostram um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 4,2 bilh\u00f5es em setembro com um total acumulado de R$ 27,8 bilh\u00f5es no ano. A conta de juros foi de R$ 1,5 bilh\u00f5es no m\u00eas e de R$ 89,5 bilh\u00f5es no ano. Assim, fechou o m\u00eas com super\u00e1vit no resultado nominal, de R$ 2,8 bilh\u00f5es, mas acumulou um d\u00e9ficit de R$ 61,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Incluindo as outras esferas do setor p\u00fablico, o resultado prim\u00e1rio foi superavit\u00e1rio em R$ 5,4 bilh\u00f5es em setembro, acumulando R$ 30,6 bilh\u00f5es no ano. O total de juros pagos atingiu R$ 4,6 bilh\u00f5es no m\u00eas, expressivamente menor que o total de R$ 14,8 bilh\u00f5es observado no m\u00eas anterior, e R$ 114,5 bilh\u00f5es no ano. A redu\u00e7\u00e3o observada no m\u00eas \u00e9 explicada, principalmente, pela valoriza\u00e7\u00e3o cambial, medida pelo pen\u00faltimo dia do m\u00eas, de 1,1%, e pela queda na taxa de juros. O resultado nominal do setor p\u00fablico &#8211; o que realmente mede o d\u00e9ficit ou super\u00e1vit &#8211; foi superavit\u00e1rio em R$ 770 milh\u00f5es em setembro, mas acumulou um d\u00e9ficit de R$ 84,0 bilh\u00f5es no ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Excluindo os efeitos da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, a conta de juros do governo central caiu para R$ 1,1 bilh\u00e3o em setembro e para R$ 42,1 bilh\u00f5es no ano. A proximidade entre os valores obtidos com e sem desvaloriza\u00e7\u00e3o deve-se ao esfor\u00e7o empreendido pelo governo na valoriza\u00e7\u00e3o cambial. Esta, por seu turno, acaba apresentando um efeito reverso. Primeiro, queima as reservas internacionais atrav\u00e9s da venda de d\u00f3lares; segundo, redunda em aumento da d\u00edvida mobili\u00e1ria, pois novos t\u00edtulos s\u00e3o emitidos para financiar a a\u00e7\u00e3o do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal mant\u00e9m trajet\u00f3ria ascendente (tabela 6.3). O governo federal j\u00e1 emitiu R$ 553,1 bilh\u00f5es em t\u00edtulos, dos quais R$ 411,8 bilh\u00f5es estavam fora do BCB, no mercado financeiro, em 31 de outubro. Este valor representa um aumento de 2,12% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Este resultado reflete o acr\u00e9scimo de Letras Financeiras do Tesouro &#8211; LTF, de Letras de Tesouro Nacional-LTF e NBC-E leiloados pelo BCB, com prazo de resgate entre novembro de 2000 e agosto de 2001. Al\u00e9m destas notas, o tesouro vai lan\u00e7ar uma s\u00e9rie especial de notas com maior liquidez, as Notas do Tesouro Nacional s\u00e9rie C (NTNC), lan\u00e7adas, em geral quando o governo necessita de recursos para cobrir seus d\u00e9bitos.<\/p>\n\n\n\n<p>As press\u00f5es recentes no mercado de c\u00e2mbio t\u00eam obrigado o governo a aumentar o volume de t\u00edtulos com corre\u00e7\u00e3o cambial. Estes passaram de 26,3%, em setembro, para 26,7%, em outubro. Em compensa\u00e7\u00e3o, tem reduzido os t\u00edtulos corrigidos pela taxa <em>over\/selic<\/em> de 59,5% para 58,4% nos mesmos meses. No final de outubro, o total de t\u00edtulos com corre\u00e7\u00e3o cambial atingia R$ 109,9 bilh\u00f5es e aqueles com corre\u00e7\u00e3o pela taxa do <em>over\/selic<\/em> atingia R$ 240,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-f1b1acd4\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos registrou d\u00e9ficits de US$ 1,19 e US$ 2,39 bilh\u00f5es nos meses de setembro e outubro. Entre os meses de agosto e setembro ocorreu uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 731,0 milh\u00f5es neste d\u00e9ficit. Entretanto, comparando setembro e outubro, constata-se um expressivo aumento, da ordem de 100,9%. Comparando o d\u00e9ficit destes meses com o mesmo do ano passado, observou-se uma redu\u00e7\u00e3o significativa. Diminuiu US$ 3,7 bilh\u00f5es em setembro e US$ 2,8 bilh\u00f5es em outubro. O d\u00e9ficit acumulado de janeiro a outubro de 1999 foi de US$ 19,2 bilh\u00f5es, o que representou um decr\u00e9scimo de -29,68% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado (tabela 7.1).<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial apresentou saldo negativo de US$ 67 milh\u00f5es, em setembro, de US$ 154 milh\u00f5es, em outubro, e de US$ 927 milh\u00f5es no acumulado do ano de 1999. Observamos, assim, uma queda significativa em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. As exporta\u00e7\u00f5es foram de US$ 4,2 bilh\u00f5es em setembro e US$ 4,3 bilh\u00f5es em outubro. Diminu\u00edram -2,10% em rela\u00e7\u00e3o a agosto e aumentaram 2,79% em rela\u00e7\u00e3o a setembro de 1999. Elas acumularam no per\u00edodo, entre janeiro e outubro de 1999, o total de US$ 39,3 bilh\u00f5es, representando varia\u00e7\u00e3o de -9,53% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. O volume das importa\u00e7\u00f5es apresentou certa estabilidade nos meses de setembro e outubro totalizando, respectivamente, US$ 4,3 bilh\u00f5es e US$ 4,5 bilh\u00f5es. Por outro lado, para o total acumulado no per\u00edodo entre janeiro e outubro, ocorreu uma retra\u00e7\u00e3o de -17,1%, quando comparado ao mesmo per\u00edodo de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, as proje\u00e7\u00f5es de super\u00e1vit para 1999, realizadas pelo governo e esperadas ap\u00f3s a mega desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, est\u00e3o longe de serem atingidas. O mais grave \u00e9 que a desvaloriza\u00e7\u00e3o nem mesmo foi capaz de manter as exporta\u00e7\u00f5es no mesmo n\u00edvel. A principal raz\u00e3o para este comportamento foi a redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os das principais commodities exportadas pelo Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os permaneceu deficit\u00e1ria. Os resultados em setembro e outubro foram, respectivamente, de US$ -1,3 bilh\u00f5es e US$ -2,4 bilh\u00f5es. Houve redu\u00e7\u00e3o de -33,7% no d\u00e9ficit entre agosto e setembro, enquanto, entre setembro e outubro, houve aumento de 89,0%. O d\u00e9ficit acumulado no ano apresentou queda de -15,8%, quando comparado ao mesmo per\u00edodo de 1998. Essa redu\u00e7\u00e3o foi o resultado da diminui\u00e7\u00e3o nos d\u00e9ficits das viagens internacionais e das remessas de lucros e dividendos. Estas duas rubricas apresentaram uma diminui\u00e7\u00e3o de US$ 5,6 bilh\u00f5es no per\u00edodo. A conta de juros continua sendo a grande respons\u00e1vel pelo aumento do d\u00e9ficit. Foi de US$ 847 milh\u00f5es, em setembro, e de US$ 2,3 bilh\u00f5es, em outubro, registrando um aumento de 167,3% entre estes dois meses. As remessas l\u00edquidas de juros acumularam, entre janeiro e outubro de 1999, um saldo deficit\u00e1rio de US$ 12,5 bilh\u00f5es. Um aumento de 29,7% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os recursos externos captados pelo pa\u00eds totalizaram US$ 6,6 bilh\u00f5es em setembro e US$ 7,5 bilh\u00f5es em outubro. Apresentaram uma tend\u00eancia \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o centrada, principalmente, nos empr\u00e9stimos em moeda que cresceram 97,9% entre setembro e outubro; e nos financiamentos, que apresentaram alta de 58,1%, nos mesmos meses de 1999. Entretanto, os investimentos, que tinham apresentados uma melhora de 17,6% em setembro, declinaram -24,6% em outubro, pressionados pelos investimentos diretos que decresceram -21,1%, entre setembro e outubro de 1999. A compara\u00e7\u00e3o dos meses de setembro e outubro de 1999, com os mesmos meses de 1998, mostra que ocorreu uma redu\u00e7\u00e3o na capta\u00e7\u00e3o na ordem de -25,3% e -41,8%, respectivamente, no total dos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparamos a capta\u00e7\u00e3o de recursos externos, acumulada entre janeiro e outubro de 1999, ela apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 86,3 bilh\u00f5es ou -29,7%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. As quedas ocorreram nas principais contas. Dentre estas, destacaram-se os investimentos que ca\u00edram -20,8% e os empr\u00e9stimos em moeda que recuaram -24,5% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro-outubro de 1998. As aplica\u00e7\u00f5es de portf\u00f3lio ca\u00edram US$ 13,3 bilh\u00f5es e o conjunto das rubricas Com. Firce n\u00b0 10, Res. n\u00b0 2.483 e b\u00f4nus e notes decresceram US$ 22,7 bilh\u00f5es. Os financiamentos destinados ao pa\u00eds, tamb\u00e9m apresentaram queda expressiva, chegando a -69,66%, fechando o acumulado do ano em US$ 5,11 bilh\u00f5es (tabela 7.2).<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de setembro de 1999, as reservas internacionais aumentaram em US$ 644 milh\u00f5es, grande parte desse aumento se refere \u00e0 libera\u00e7\u00e3o das garantias vinculadas aos t\u00edtulos antigos da d\u00edvida p\u00fablica (<em>bradies<\/em>), que o governo trocou por b\u00f4nus da Rep\u00fablica, estes possuem menor prazo de vencimento e taxas de juros mais atrativas. No m\u00eas de outubro, devido \u00e0s fortes oscila\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar, que chegou a custar R$ 2,003 em 19\/10\/99, al\u00e9m da venda de t\u00edtulos cambiais, houve interven\u00e7\u00e3o direta no mercado dom\u00e9stico de c\u00e2mbio pelo Banco Central e consumiu-se US$ 50 milh\u00f5es das reservas. Al\u00e9m disso, as amortiza\u00e7\u00f5es e juros pagos ao BIS e ao Banco do Jap\u00e3o, em raz\u00e3o de empr\u00e9stimos contra\u00eddos no Programa de Assist\u00eancia Financeira ao Pa\u00eds, contribu\u00edram para a redu\u00e7\u00e3o das reservas em US$ 2,5 bilh\u00f5es, no conceito de liquidez internacional (tabela 7.3).<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o no piso das reservas, em US$ 2 bilh\u00f5es, que o FMI concedeu ao Banco Central na quarta revis\u00e3o do acordo, permitiu maiores possibilidades de interven\u00e7\u00e3o no mercado de c\u00e2mbio. A supress\u00e3o do sistema de pagamento antecipado das importa\u00e7\u00f5es e a venda de t\u00edtulos cambiais pelo governo permitiram maior liquidez ao mercado de c\u00e2mbio, garantindo que as metas inflacion\u00e1rias acordadas com o FMI sejam cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa brasileira manteve-se praticamente est\u00e1vel entre agosto e setembro de 1999, passando de US$ 237,4 bilh\u00f5es para US$ 237,5 bilh\u00f5es. Mas, diminuiu US$ 5,6 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 1998.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-126b1617\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor externo &#8211; Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito Santo permanece apresentando um super\u00e1vit no saldo da balan\u00e7a comercial contrastando com o saldo brasileiro, que continua negativo. De janeiro a setembro, o saldo acumulado atingiu US$ 1,78 bilh\u00f5es, demonstrando a import\u00e2ncia do estado para o desempenho do balan\u00e7o de pagamentos do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre julho e agosto de 1999, o saldo da balan\u00e7a comercial caiu de US$ 172,2 milh\u00f5es para US$ 67,3 milh\u00f5es, uma queda de -60,9%. Nesse per\u00edodo, as exporta\u00e7\u00f5es ca\u00edram cerca de -8% e as importa\u00e7\u00f5es aumentaram 11%. Observando os principais itens das pautas de exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es (tabelas 7.5 e 7.6), percebemos que essa queda foi influenciada pela redu\u00e7\u00e3o nas exporta\u00e7\u00f5es de min\u00e9rio-de-ferro aglomerado e seus concentrados (com uma queda de US$ 14,70 milh\u00f5es ou -9,5%) e pelo aumento nas importa\u00e7\u00f5es dos itens ve\u00edculos automotores, tratores e ciclos, e caldeiras, m\u00e1quinas, aparelhos e instrumentos mec\u00e2nicos, com 37,87% e 49,44% de crescimento, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro, houve um crescimento significativo no saldo da balan\u00e7a comercial capixaba, da ordem de 232% (tabela 7.4). Esse crescimento foi decorrente da retra\u00e7\u00e3o nas importa\u00e7\u00f5es dos itens ve\u00edculos automotores, tratores e ciclos, com queda de -12%, e diminui\u00e7\u00e3o de -37% na importa\u00e7\u00e3o de caldeiras, m\u00e1quinas, aparelhos e instrumentos mec\u00e2nicos (ver tabela 7.6). Por outro lado, as exporta\u00e7\u00f5es tiveram um crescimento generalizado, com destaque para outros produtos semi-manufaturados de ferro e a\u00e7o com aumento de 23%. O min\u00e9rio-de-ferro aglomerado e seus concentrados cresceu a uma taxa de 9,9%; a pasta qu\u00edmica de madeira\/celulose, 4%, o caf\u00e9 n\u00e3o torrado e em gr\u00e3o, 3,4% (tabela 7.5). O total dos cap\u00edtulos, formados pelos itens min\u00e9rio-de-ferro, a\u00e7o, celulose e caf\u00e9, concentrou, em julho, 64,47% do total das exporta\u00e7\u00f5es; 72,20%, em agosto e 69,07%, em setembro. Isso mostra, a import\u00e2ncia destes produtos na pauta de exporta\u00e7\u00e3o do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito Santo apresentou, durante todo este ano, um super\u00e1vit na balan\u00e7a comercial. A tabela 7.7 mostra a diferen\u00e7a entre o total exportado e importado e a participa\u00e7\u00e3o do estado na balan\u00e7a comercial brasileira. O maior saldo da balan\u00e7a comercial foi o do m\u00eas de fevereiro, US$ 249,19 milh\u00f5es, seguido do m\u00eas de maio, US$ 249,02 milh\u00f5es, e setembro, US$ 223,34 milh\u00f5es. Em contrapartida, a menor diferen\u00e7a ficou no m\u00eas de agosto, US$ 67,33 milh\u00f5es. Ele participou, em m\u00e9dia, com 16% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras at\u00e9 o m\u00eas de setembro. O maior percentual de participa\u00e7\u00e3o foi de 20,13%, em janeiro, e o menor foi de 13,89%, em junho. O comportamento mensal, neste ano, mostra uma tend\u00eancia decrescente de participa\u00e7\u00e3o, apesar do aumento na receita total. Pelo lado das importa\u00e7\u00f5es, a participa\u00e7\u00e3o foi em m\u00e9dia de 10,64% (tabela 7.7). O m\u00eas com maior influ\u00eancia nas importa\u00e7\u00f5es nacionais foi agosto (11,98%) e o de menor influ\u00eancia foi abril (8,44%).<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o A economia brasileira termina 1999 com mais um ano de estagna\u00e7\u00e3o. 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