{"id":3927,"date":"2000-01-22T12:08:00","date_gmt":"2000-01-22T14:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3927"},"modified":"2025-11-22T12:43:33","modified_gmt":"2025-11-22T15:43:33","slug":"boletim-no-12-janeiro-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-12-janeiro-2000\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 12 &#8211; Janeiro 2000"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-aede1ba4 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b5f98dae\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O Governo federal iniciou o ano de 2000 com mais uma convoca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Congresso Nacional, para aprecia\u00e7\u00e3o e vota\u00e7\u00e3o de 14 emendas constitucionais e de 17 projetos de lei. Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o, o Congresso \u00e9 convocado automaticamente cinco dias ap\u00f3s a reedi\u00e7\u00e3o de medidas provis\u00f3rias, o que o Pal\u00e1cio do Planalto fez no dia 31\/12\/99. Esta convoca\u00e7\u00e3o ter\u00e1 um custo de R$ 20 milh\u00f5es e cada parlamentar receber\u00e1 R$ 16.000,00 pelos 41 dias de dura\u00e7\u00e3o da convoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Passadas quase duas semanas, os progn\u00f3sticos s\u00e3o de que, aparentemente, nada de importante ser\u00e1 decidido. Os principais temas em pauta s\u00e3o a reforma fiscal, a reforma do judici\u00e1rio, a lei de responsabilidade fiscal, a taxa\u00e7\u00e3o dos servidores p\u00fablicos inativos, o fundo de estabiliza\u00e7\u00e3o fiscal e o or\u00e7amento geral da uni\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o momento, a \u00fanica medida aprovada em primeiro turno foi o fundo de estabiliza\u00e7\u00e3o fiscal, rebatizado de DRU &#8211; Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o. Para tanto, &#8220;o Pal\u00e1cio do Planalto se comprometeu a liberar os recursos das emendas individuais dos parlamentares ao Or\u00e7amento do ano passado, dar R$ 30 milh\u00f5es de subs\u00eddio para a cana-de-a\u00e7\u00facar a estados do Nordeste e manter a sede da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade no Rio&#8221; (JB-13\/01\/00). As emendas individuais dos parlamentares atingem um total de R$ 1,1 bilh\u00e3o. Assim, da mesma forma que aprovou sua reelei\u00e7\u00e3o, o governo utiliza-se da manipula\u00e7\u00e3o de verbas para aprovar o que \u00e9 do seu interesse.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas porque este projeto \u00e9 t\u00e3o importante? Em primeiro lugar, ele desvincula recursos na ordem de R$ 41,0 bilh\u00f5es das receitas da Uni\u00e3o. O que o libera de realizar um conjunto de gastos constitucionais e permite continuar a pol\u00edtica de corte nos gastos sociais, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e previd\u00eancia social. Em segundo, para atender ao acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional no qual comprometeu-se a produzir um resultado prim\u00e1rio &#8211; receitas menos despesas, sem incluir o pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica &#8211; equivalente a 3,25% do PIB, mais ou menos R$ 35,0 bilh\u00f5es. Enfim, pode manter recursos para continuar aprovando as leis que lhe interessam, na convoca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Congresso do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil fechou o ano com US$ 36,3 bilh\u00f5es no saldo das reservas internacionais, uma queda de US$ 5,8 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao saldo de novembro. Este resultado foi decorrente do pagamento de US$ 4,4 bilh\u00f5es de amortiza\u00e7\u00e3o e juros pagos referente ao empr\u00e9stimo obtido atrav\u00e9s do acordo com o FMI. Com isso, as reservas praticamente retornaram ao patamar de janeiro, US$ 36,1 bilh\u00f5es, antes do recebimento da primeira parcela do acordo. Al\u00e9m disso, vendeu US$ 1,4 bilh\u00e3o no mercado interno de c\u00e2mbio o que, junto com o ingresso de capitais a t\u00edtulo de Investimento Estrangeiro Direto, explica a queda na taxa de c\u00e2mbio no final do ano. Os IEDs atingiram US$ 29,9 bilh\u00f5es em 1999, um aumento de 15,8% em rela\u00e7\u00e3o a 1998. Somente nos dois \u00faltimos meses do ano ingressaram US$ 5,3 bilh\u00f5es. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, em mais de 50%, tornou o pre\u00e7o dos ativos nacionais extremamente barato para os capitalistas estrangeiros.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-cf0682ce uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de estudos e pesquisa em conjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores<\/strong>: Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira, Paulo Nakatani e Mauricio de Souza<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero<\/strong>: Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Andr\u00e9 Luiz Coelho Nascimento, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, Anne Marie Boudou, Elaine Delpupo, Everlan Montibeler, Jailson Argentino de Boni, Kelly Machado Premoli, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo, Juez Ferreira da Silva, Alves de Morais, Maria Aparecida Alves dos Santos, Neide C\u00e9sar Vargas, Oberdan Pandolfi Ermita, Ricardo Silveira da Paix\u00e3o, Romulo Patrick da S. Santos, Rosiane de Souza, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste n\u00famero<\/strong>: Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo.<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0QU93Vm9FZ3haUjQ\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-T-6igmWPQ4vE0OKmvZLCjQ\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-a8696464 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-c2e642e9\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>H\u00e1 de se reconhecer que o ano de 1999 n\u00e3o terminou t\u00e3o ruim como apontaram os primeiros progn\u00f3sticos feitos logo ap\u00f3s a megadesvaloriza\u00e7\u00e3o do Real no primeiro trimestre. Bolsas de valores em alta, taxas de juros mais reduzidas, impulsionando as vendas do com\u00e9rcio no final do ano, e expectativas empresariais mais favor\u00e1veis para o ano 2000 compuseram um quadro distinto do que predominou na economia at\u00e9 o terceiro trimestre. Isso n\u00e3o significa, entretanto, que haja raz\u00f5es para grandes comemora\u00e7\u00f5es diante dos desafios que continuam colocados para a pol\u00edtica econ\u00f4mica no ano que se inicia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999, embora o ambicioso super\u00e1vit de US$ 11 bilh\u00f5es da balan\u00e7a comercial acertado no acordo inicial com o FMI (Fundo Monet\u00e1rio Internacional) tenha se transformado em um d\u00e9ficit de US$ 1,2 bilh\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 como negar que o governo conseguiu estancar o processo de deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de funcionamento da economia e de reverter, com a obten\u00e7\u00e3o de algumas conquistas em \u00e1reas sens\u00edveis, as expectativas mais pessimistas dos agentes econ\u00f4micos sobre o futuro do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre essas conquistas, cabe mencionar: a) a gera\u00e7\u00e3o de um super\u00e1vit prim\u00e1rio nas contas do setor p\u00fablico consolidado &#8211; Uni\u00e3o, Estados, Munic\u00edpios e Empresas Estatais &#8211; ligeiramente superior \u00e0 meta acordada com o FMI de R$ 30,1 bilh\u00f5es (3,1% do PIB); b) o recuo do d\u00f3lar para algo em torno de R$ 1,80-1,85, quando muitos analistas apontavam que a paridade caminhava para fechar o ano na casa dos R$ 2; c) o cumprimento da meta da infla\u00e7\u00e3o, medida pelo IPCA, mesmo que dentro da margem superior permitida pelo acordo com o FMI, depois dos sobressaltos provocados pelo comportamento dos \u00edndices de pre\u00e7os ao atacado, que sinalizavam seu ingresso numa trajet\u00f3ria de r\u00e1pida ascens\u00e3o; e d) o resultado menos desastroso do crescimento econ\u00f4mico, que deve ficar em torno de 0% contra proje\u00e7\u00f5es de -4% no in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de fatores contribuiu para que estes resultados fossem alcan\u00e7ados. O mais importante foi, sem sombra de d\u00favidas, a ajuda internacional comandada pelo FMI, que garantiu, para o pa\u00eds, US$ 41,5 bilh\u00f5es de empr\u00e9stimos, favorecendo a posi\u00e7\u00e3o do Banco Central contra ataques especulativos e propiciando-lhe maior flexibilidade para a administra\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio. Outro, sob a supervis\u00e3o do FMI, foi a mudan\u00e7a ocorrida na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, que substituiu a \u00e2ncora cambial do Plano Real pelas metas inflacion\u00e1rias e lan\u00e7ou a economia na trajet\u00f3ria da pol\u00edtica conhecida como <em>stop and go<\/em>, fortalecendo a posi\u00e7\u00e3o do Banco Central no seu comando. Por \u00faltimo, as condi\u00e7\u00f5es macroecon\u00f4micas de uma economia desaquecida, com altos n\u00edveis de desemprego e em boa medida desindexada, que impediram que press\u00f5es de demanda recuperassem o poder de <em>mark up<\/em> das empresas e injetassem maior \u00e2nimo no mercado interno.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nesse ano em que os sustos foram menores do que se previa, s\u00e3o grandes os temores do que acontecer\u00e1 em 2000. Pesquisas recentes revelam que mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o brasileira acreditam que o desemprego vai aumentar e mais de 60% que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o se acomodar\u00e1 \u00e0s metas projetadas pelo governo. N\u00e3o sem raz\u00e3o. Um estudo desenvolvido pelo Centro de Estudos Sindicais da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) conclui que o crescimento de 4% &#8211; projetado com otimismo &#8211; para o PIB no pr\u00f3ximo ano n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para provocar um impacto positivo no emprego e que, com esse ritmo de crescimento, a taxa de desocupados no Brasil deve atingir 10,03% da PEA (Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa). Segundo as conclus\u00f5es do estudo, para haver retra\u00e7\u00e3o das taxas seria necess\u00e1rio que o pa\u00eds crescesse acima de 5,5% por ano, o que, tudo indica, parece altamente improv\u00e1vel enquanto as metas de infla\u00e7\u00e3o continuarem balizando a formula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica e as reformas estruturais n\u00e3o forem conclu\u00eddas. No tocante \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio governo duvida, diante de uma previs\u00edvel eleva\u00e7\u00e3o m\u00e9dia das tarifas p\u00fablicas de 9,2% no ano, de que conseguir\u00e1 atingir as metas acertadas, tendo indicado, em relat\u00f3rio do Banco Central, de que h\u00e1 50% de chances de ter de vir a fazer uma consulta informal ao FMI no segundo e terceiro trimestres. Em rela\u00e7\u00e3o ao front externo, embora a balan\u00e7a comercial possa se tornar superavit\u00e1ria, o expressivo crescimento dos gastos com juros da d\u00edvida externa e o peso das remessas com lucros e dividendos devem continuar garantindo s\u00e9rias preocupa\u00e7\u00f5es para as autoridades econ\u00f4micas. N\u00e3o bastasse tudo isso, \u00e9 cada vez maior a amea\u00e7a de uma eleva\u00e7\u00e3o mais acentuada das taxas de juros norte-americanas, com a indica\u00e7\u00e3o do presidente do FED para um quarto mandato, diante do forte aquecimento de sua economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Passados cinco anos, a solu\u00e7\u00e3o dessas quest\u00f5es continua como o grande desafio do governo FHC para pavimentar os caminhos do crescimento sustentado e da estabilidade confi\u00e1vel. Isso, num ano em que as elei\u00e7\u00f5es municipais repontam como elemento que deve dificultar avan\u00e7os mais significativos e importantes no equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas &#8211; uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para que aqueles objetivos sejam atingidos. Por isso, se o manejo da pol\u00edtica econ\u00f4mica no curto prazo foi capaz de garantir uma nova tr\u00e9gua para a constru\u00e7\u00e3o de fundamentos econ\u00f4micos mais confi\u00e1veis, agora ser\u00e1 necess\u00e1rio enfrentar, com coragem, as for\u00e7as que podem frustrar iniciativas nessa dire\u00e7\u00e3o, porque depois de 2001 n\u00e3o haver\u00e1 nem mais tempo nem mais espa\u00e7os para tanto.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-5308e6c6\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>O \u00faltimo trimestre de 1999 apresentou dois momentos particulares em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices inflacion\u00e1rios. O primeiro, entre outubro e novembro, reflete um aumento na maioria dos \u00edndices, com exce\u00e7\u00e3o do IPCA e do INPC que diminu\u00edram. Os demais \u00edndices, IPC, ICV, IGP-M e IGP-DI apresentaram taxas crescentes de infla\u00e7\u00e3o. O maior respons\u00e1vel por esses aumentos foi o reajuste nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis e das tarifas administradas pelas empresas privatizadas. O segundo momento, entre novembro e dezembro de 1999, reflete, ao contr\u00e1rio do primeiro, uma queda em todos os indicadores. Novamente, a raz\u00e3o central para essa tend\u00eancia declinante \u00e9, principalmente, o fato de que os pre\u00e7os dos combust\u00edveis pararam, momentaneamente, de subir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dezembro, o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,60%, inferior \u00e0 taxa de novembro que foi de 0,95%. O IPCA acumulou 8,94% no ano, acima do IPC-FIPE e do INPC. A infla\u00e7\u00e3o acumulada pelo IPCA desde o in\u00edcio do Plano Real, de julho de 1994 a dezembro de 1999, foi de 85,3% (A Gazeta, 12\/01\/00). Combust\u00edveis e tarifas p\u00fablicas foram os itens que apresentaram os maiores reajustes. S\u00f3 a gasolina acumulou alta de 129,28%. Os servi\u00e7os que foram privatizados tamb\u00e9m responderam significativamente pelos aumentos durante o Plano Real. A telefonia fixa apresentou uma alta de 291,90% e a energia el\u00e9trica, 122,84%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) fechou o m\u00eas de dezembro em 0,74%, inferior \u00e0 taxa de 0,94% do m\u00eas de novembro. O acumulado no ano de 1999 foi de 8,43% e de julho de 1994 ao final de 1999, 84,90%. J\u00e1 o \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-DI), medido pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), apresentou varia\u00e7\u00e3o de 2,53%, em novembro, contra 1,89% em outubro, como se observa na tabela 2.1. Em dezembro, totalizou 1,23%. Dessa forma, o acumulado no ano de 1999 chegou a 19,98%, cerca de doze vezes superior ao acumulado de 1998 que foi de 1,72%. Assim como nos demais indicadores, o grupo que mais pressionou o \u00edndice foi o pre\u00e7o dos combust\u00edveis. Em novembro, o \u00e1lcool subiu 16,9% e a gasolina, 4,37%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-M) atingiu, em dezembro, 1,81% contra 2,39% de novembro. No acumulado do ano o \u00edndice chegou a 20,10%. Dos tr\u00eas \u00edndices que comp\u00f5em o IGP-M, o \u00cdndice de Pre\u00e7o no Atacado (IPA-M) foi o principal respons\u00e1vel pela eleva\u00e7\u00e3o do indicador, em novembro, e, tamb\u00e9m, pela queda em dezembro. Os produtos que mais contribu\u00edram para a queda do IPA em dezembro foram a laranja e o feij\u00e3o cujos pre\u00e7os ca\u00edram 18,4% e 9,6%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC-FIPE) registrou, no m\u00eas de dezembro, infla\u00e7\u00e3o de 0,49% contra 1,48%, em novembro. De acordo com Juarez Rizzieri, presidente da FIPE, a previs\u00e3o para 2000 \u00e9 de infla\u00e7\u00e3o entre 6% e 7%, menor do que o de 1999, que ficou em 8,64%. Apesar da taxa acumulada no ano ter sido bastante alta, principalmente em rela\u00e7\u00e3o a 1998, com uma defla\u00e7\u00e3o de -1,79%, o presidente da FIPE considera uma vit\u00f3ria o resultado da infla\u00e7\u00e3o de 1999, tendo em vista a radical mudan\u00e7a no c\u00e2mbio no pa\u00eds. Segundo ele, diante de um d\u00f3lar elevado, foram os sal\u00e1rios deprimidos e os juros explosivos que impediram a eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os ao consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Custo de Vida (ICV-DIEESE) no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, em novembro, registrou uma taxa de 1,34%, apresentando uma alta de 0,41 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a outubro quando o \u00edndice foi de 0,93%. Este acr\u00e9scimo \u00e9 resultado, principalmente, do aumento do \u00e1lcool combust\u00edvel que foi da ordem de 35,2%. As maiores varia\u00e7\u00f5es foram, portanto, nos grupos de Transporte (4,17%) e Alimenta\u00e7\u00e3o (1,81%). A menor varia\u00e7\u00e3o aconteceu no grupo Vestu\u00e1rio, que apresentou uma queda de -2,45%.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de dezembro, o ICV-DIEESE totalizou 0,80%, registrando uma queda de 0,54 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a novembro. Contudo, a taxa acumulada no ano de 1999 chegou a 9,57%, taxa esta, 0,49 pontos percentuais maior do que em 1998. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real nos primeiros meses de 1999, somada aos reajustes sazonais, pressionou a taxa do ICV-DIEESE para cima, no primeiro trimestre. A partir do terceiro trimestre foram as tarifas p\u00fablicas e os pre\u00e7os administrados pelo governo que pressionaram a infla\u00e7\u00e3o para cima.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor da cesta b\u00e1sica, em novembro, aumentou na maioria das capitais brasileiras pesquisadas pelo DIEESE. O instituto realiza a Pesquisa Nacional de Cesta B\u00e1sica em 16 capitais. O valor da cesta foi maior que no m\u00eas anterior em 14 delas. A maior alta registrada foi em Florian\u00f3polis (5,77%), seguida por Vit\u00f3ria, com aumento de (3,80%), e Belo Horizonte, com (3,10%). Apenas em Porto Alegre e Bras\u00edlia o valor da cesta diminuiu, -1,87% e -0,44%, respectivamente. S\u00e3o Paulo, apesar de n\u00e3o estar entre as capitais com grandes eleva\u00e7\u00f5es, apresentou em novembro o maior pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica, R$ 111,91.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no m\u00eas de dezembro, as maiores altas registradas foram: Recife (6,10%), Jo\u00e3o Pessoa (2,11%), Fortaleza (2,10%), Bel\u00e9m (1,62%) e Porto Alegre (1,58%). Neste m\u00eas, houve queda no pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica em cinco capitais: Belo Horizonte (5,26%), Florian\u00f3polis (4,59%), Curitiba (2,69%), Rio de Janeiro (1,08%) e Vit\u00f3ria (0,78%). Novamente, S\u00e3o Paulo continua com a cesta b\u00e1sica de maior pre\u00e7o, R$ 111,96. A cesta b\u00e1sica de menor pre\u00e7o foi registrada em Salvador, R$ 81,89.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o DIEESE, o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de quatro pessoas, em dezembro, deveria ser de R$ 940,58, ou seja, 6,9 vezes o m\u00ednimo vigente que \u00e9 de R$ 136,00. As maiores varia\u00e7\u00f5es acumuladas da cesta b\u00e1sica no ano passado ocorreram em Bel\u00e9m (13,72%), Recife (12,82%), Florian\u00f3polis (11,15%), Jo\u00e3o Pessoa (9,94%) e S\u00e3o Paulo (9,67%). Apenas uma capital, Aracaju, registrou estabilidade nos pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica em 1999, com um aumento de apenas 0,05%.<\/p>\n\n\n\n<p>A cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria, no m\u00eas de novembro, ficou em R$ 93,49 contra R$ 90,07 do m\u00eas de outubro, representando uma alta de 3,80% Isso significa que o trabalhador teve que desembolsar 74,72% do sal\u00e1rio m\u00ednimo para adquirir a cesta. Os produtos que mais pressionaram os pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica capixaba foram o tomate (14,89%), caf\u00e9 (13,64%), p\u00e3o (7,14%) e manteiga (5,73%). Os pre\u00e7os que mais ca\u00edram foram os do a\u00e7\u00facar (-6,35%), feij\u00e3o (-3,54%), farinha (-3,5%), banana (-2,98) e \u00f3leo (-1,65%).<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de dezembro, o valor da cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria foi a nona mais cara do Pa\u00eds, ficando em R$ 92,76, registrando uma pequena queda de -0,78% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de novembro. No ano de 1999 a varia\u00e7\u00e3o da cesta ficou em 8,29%. Para comprar a cesta b\u00e1sica, o trabalhador teve que desembolsar 74,14% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Dentre os produtos que mais contribu\u00edram para a pequena queda no pre\u00e7o da cesta, destacam-se: o tomate (-28,70%), feij\u00e3o (-3,00%) e leite (-1,45%). O p\u00e3o e a manteiga n\u00e3o tiveram varia\u00e7\u00e3o de novembro a dezembro. Os produtos que registraram alta foram: o a\u00e7\u00facar (15,28%), batata (14,63%), banana (10,77%), caf\u00e9 (9,43%) e farinha de trigo (3,26%).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2c534d29\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de Atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial brasileira, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), apresentou uma queda de -1,5% no per\u00edodo de janeiro a novembro de 1999. Quase todos os segmentos contribu\u00edram para este resultado, bens de capital (-10,8%); dur\u00e1veis (-10,5%); bens de consumo (-3,7%); e bens de consumo semidur\u00e1vel e n\u00e3o-dur\u00e1vel (-2,0%). O \u00fanico segmento que apresentou resultado positivo foi o de bens intermedi\u00e1rios com 1,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre setembro e outubro de 1999 todos os segmentos apresentaram varia\u00e7\u00f5es positivas, destacando-se a produ\u00e7\u00e3o de bens dur\u00e1veis (4,2%) e bens de capital (3,3%). Neste per\u00edodo, a ind\u00fastria em geral apresentou um crescimento de 1,6% (tabela 3.1). Por\u00e9m, em novembro de 1999, ap\u00f3s tr\u00eas meses de crescimento, a produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica diminui -0,1% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Contribu\u00edram para esse resultado os seguintes setores, bens de consumo (-2,0%), bens semidur\u00e1veis e n\u00e3o-dur\u00e1veis (-1,8%), e bens dur\u00e1veis (-0,3%). O setor de bens de capital (1,3%) e o de bens intermedi\u00e1rios (0,9%) contribu\u00edram para amenizar o resultado geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparamos o m\u00eas de novembro de 1999 com o mesmo m\u00eas de 1998, observamos uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 4,3% na ind\u00fastria, destacando-se a produ\u00e7\u00e3o de bens dur\u00e1veis (11,0%); bens intermedi\u00e1rios (7,3%) e bens de capital (4,4%). Devemos recordar, que a crise asi\u00e1tica ocorreu em novembro de 1998 e a taxa de juros (<em>selic<\/em>) chegou a atingir 45,84%. Isso contribuiu decisivamente para a retra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial naquele m\u00eas e para as elevadas taxas de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as fontes oficiais, a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano est\u00e1 na faixa de 3,5% a 4,0%. Este intervalo reflete um excesso de otimismo governamental que n\u00e3o \u00e9 nem mesmo compartilhado pelo BIRD que acredita em taxa de crescimento pr\u00f3xima a 2,0%. Um dos problemas centrais para atingir aquele resultado s\u00e3o as elevadas taxas de juros. Contudo, devemos ressaltar que a diminui\u00e7\u00e3o das taxas b\u00e1sicas de juros n\u00e3o garantir\u00e1 a retomada do crescimento econ\u00f4mico, mas \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para a sua retomada. Acima de tudo, \u00e9 preciso que o governo assuma uma postura onde prevale\u00e7a a defini\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica industrial consistente e que n\u00e3o vise unicamente a estabilidade monet\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-da1d5a4e\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria capixaba continuou crescendo nos meses de outubro e novembro de 1999, como j\u00e1 vinha ocorrendo nos tr\u00eas meses anteriores. As vendas reais cresceram 0,11% em outubro, em rela\u00e7\u00e3o a setembro e 4,91% em novembro, se comparado a outubro. Como podemos observar, esse crescimento se deu de forma mais acentuada em novembro e ocorreu devido a dois aspectos determinantes: 1) aumento das exporta\u00e7\u00f5es, principalmente dos produtos de extra\u00e7\u00e3o mineral, papel e papel\u00e3o e metal\u00fargico; 2) crescimento da demanda interna. Esta ocorreu principalmente nas ind\u00fastrias de material pl\u00e1stico (239,15%), material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (122,88%), produtos farmac\u00eauticos e veterin\u00e1rios (41,62%), mec\u00e2nica (33,44%), vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (29,06%), mobili\u00e1rio (28,23%) e produtos alimentares (9,84%). As vendas reais da ind\u00fastria do Esp\u00edrito Santo cresceram 28,56% na compara\u00e7\u00e3o entre outubro de 1998 e outubro de 1999 e 46,37% entre novembro de 1998 e novembro de 1999. No acumulado do ano de 1999 o crescimento foi de 8,84%.<\/p>\n\n\n\n<p>A inadimpl\u00eancia no com\u00e9rcio capixaba continua sendo o maior problema enfrentado pelos lojistas. Em novembro de 1999, o n\u00famero de novos inadimplentes cresceu 50,18% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior e 14,14% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Al\u00e9m disso, as baixas nos registros do SPC tiveram uma queda, em novembro de 1999, de 22,85%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano anterior. Em contrapartida, houve um aumento de 6,90% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de outubro. O resultado final entre o aumento dos novos inadimplentes e a redu\u00e7\u00e3o dos que conseguem quitar seus d\u00e9bitos indica que o saldo total de inadimplentes cresceu nos \u00faltimos meses.<\/p>\n\n\n\n<p>As compras com cheques mostram uma situa\u00e7\u00e3o semelhante. O n\u00famero de cheques sem fundo cresceu 35,55% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, apesar de ter diminu\u00eddo -1,09% em rela\u00e7\u00e3o a outubro. Este aumento, acompanhado da redu\u00e7\u00e3o nas baixas, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior quanto ao mesmo m\u00eas do ano anterior, mostra que a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o foi pior devido \u00e0 pequena participa\u00e7\u00e3o dos cheques.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pesquisa realizada pelo Grupo Unidos (uma empresa de cobran\u00e7a que realiza pesquisas sistem\u00e1ticas ouvindo consumidores inadimplentes) mostrou que 21,10% dos devedores inscritos no SPC, em agosto de 1999, ficaram nesta situa\u00e7\u00e3o porque fizeram compras e\/ou emprestaram seus cheques para terceiros. Al\u00e9m disso, o atraso no pagamento dos sal\u00e1rios do funcionalismo p\u00fablico estadual contribuiu para esta situa\u00e7\u00e3o (A Gazeta, 09\/01\/00).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-db760cbd\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rio<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego no m\u00eas de novembro de 1999 apresentou uma pequena redu\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, diminuindo de 7,5% para 7,3%. Apesar desta redu\u00e7\u00e3o, a compara\u00e7\u00e3o com o ano de 1998, mostra um aumento de 7,0% para 7,3%, em 1999 (tabela 4.1). Este resultado, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE, foi o pior desde 1983. O contingente de pessoas em idade ativa permaneceu est\u00e1vel (31,2 milh\u00f5es de pessoas), ocorrendo uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,2 ponto percentual da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e redu\u00e7\u00e3o de 0,2 ponto percentual no contingente de pessoas fora do mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, a taxa de desemprego diminuiu em todas as capitais pesquisadas, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte, com aumento de 7,5%, em outubro, para 7,9%, em novembro. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e a constru\u00e7\u00e3o civil destacaram-se pela diminui\u00e7\u00e3o na taxa de desemprego. Na primeira, o n\u00edvel de desemprego saiu de 8,8% para 8,0%, na segunda, de 9,1% para 7,8%. O com\u00e9rcio apresentou um comportamento at\u00edpico para o per\u00edodo, pois a taxa de desemprego aumentou 0,3 ponto percentual.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a PED, Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pelo DIEESE\/SEADE, o desemprego na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, apresentou queda em novembro de 1999, ficando em 18,6%. Apesar da queda em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de outubro, a taxa de desemprego aumentou em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano anterior. Foi o pior resultado dos \u00faltimos 14 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, n\u00e3o ocorreu varia\u00e7\u00e3o significativa no rendimento real m\u00e9dio das pessoas ocupadas entre os meses de setembro e outubro. Mas a compara\u00e7\u00e3o anual registra uma redu\u00e7\u00e3o de -7,4% no rendimento. Essa tend\u00eancia de queda vem sendo observada desde dezembro de 1998. Entre os meses de setembro e outubro, o rendimento dos empregados sem carteira de trabalho assinada caiu -3,4%. Por sua vez, o rendimento dos empregados com carteira de trabalho assinada e dos que trabalham por conta pr\u00f3pria, cresceu 0,3% e 0,8%, respectivamente. Na compara\u00e7\u00e3o anual a queda foi generalizada. Os empregados com carteira de trabalho assinada perderam -6,4% em seus rendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Estas informa\u00e7\u00f5es mostram que o desemprego ainda continua um problema a ser enfrentado pelo governo federal. Segundo o IBGE, existem 6,7 milh\u00f5es de desempregados no Brasil; esta estimativa seria 50% maior se o IBGE alterasse sua metodologia de pesquisa, afirma o pesquisador da UNICAMP, M\u00e1rcio Pochmann. Segundo ele, 80% do desemprego \u00e9 <em>made in Brasil<\/em>, ou seja, produzido internamente pela pol\u00edtica econ\u00f4mica liberalizante do governo federal. Como o Brasil tem cerca de 1,5 milh\u00e3o de pessoas ingressando anualmente no mercado de trabalho, a taxa anual de crescimento teria que ser de 5,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>A proposta do governo para criar mais postos de trabalho \u00e9 atrav\u00e9s da maior flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Foi elaborado um projeto de emenda constitucional, para ser enviado ao Congresso Nacional, com a reformula\u00e7\u00e3o do artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o. Nele seriam extintos os direitos trabalhistas como o d\u00e9cimo-terceiro sal\u00e1rio, f\u00e9rias, aviso-pr\u00e9vio e o dep\u00f3sito do fundo de garantia por tempo de servi\u00e7o (FGTS).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a supress\u00e3o destes direitos, trabalhadores e patr\u00f5es, atrav\u00e9s de seus sindicatos, negociariam livremente os contratos de trabalho. Esta proposta, compat\u00edvel com a l\u00f3gica que privilegia a \u00f3tica do livre-mercado, pressup\u00f5e uma correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as homog\u00eaneas entre as partes negociantes. Como o n\u00edvel de desemprego na economia brasileira \u00e9 elevado, \u00e9 de se esperar que pouqu\u00edssimas categorias consigam manter os atuais direitos, caso tal projeto venha a ser aprovado. Al\u00e9m disso, \u00e9 extremamente question\u00e1vel que este projeto vir\u00e1 resolver o problema central que \u00e9 o desemprego.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3a7e27ba\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial, estimado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo (IDEIES), apresentou, em novembro de 1999, uma queda de -0,53% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de outubro, depois de seis meses consecutivos de crescimento. Dentre os setores que mais desempregaram destacam-se a qu\u00edmica (-28,50%), produtos alimentares (-2,57%) e borracha (-2,37%). Na ind\u00fastria qu\u00edmica, a queda \u00e9 explicada pelas demiss\u00f5es sazonais ocorridas na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar e do \u00e1lcool, em fun\u00e7\u00e3o do t\u00e9rmino da safra. Em contrapartida, os g\u00eaneros industriais que mais empregaram no per\u00edodo foram o de material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (16,56%), ind\u00fastrias diversas (8,55%), outros (5,77%) e mec\u00e2nica (4,41%). No acumulado do ano, os setores com pior desempenho foram: madeira (-43,93%) e borracha (-10,41%). J\u00e1 os que mais empregaram s\u00e3o material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00f5es (34,56%), t\u00eaxtil (31%) e ind\u00fastrias diversas (17,82%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados, segundo o porte das ind\u00fastrias, mostram que o desempenho negativo do n\u00edvel de emprego no m\u00eas de novembro deve-se principalmente \u00e0s m\u00e9dias empresas (-2,20%). As pequenas e grandes empresas apresentaram um resultado mais favor\u00e1vel do que em outubro, 1,66% e 0,33%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais na ind\u00fastria do Esp\u00edrito Santo, segundo dados do IDEIES, registraram varia\u00e7\u00e3o positiva de 0,32% em novembro de 1999. Esse desempenho, por\u00e9m, n\u00e3o reflete o comportamento anual. O total acumulado at\u00e9 novembro registra uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -6,47% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra realizada pelo SINE\/ES mostram que o n\u00famero de pessoas cadastradas \u00e0 procura de emprego aumentou significativamente em novembro de 1999 &#8211; 7.175 pessoas &#8211; contra 4.446 em outubro de 1999 e 3.020 em novembro de 1998. O n\u00famero de inscritos deste ano inclui tamb\u00e9m as pessoas que fizeram o requerimento do seguro-desemprego e que s\u00e3o cadastradas no mesmo sistema de intermedia\u00e7\u00e3o. A taxa de aloca\u00e7\u00e3o (pessoas colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas encaminhadas) em novembro de 1999, tamb\u00e9m aumentou em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, ficando em 22,55%. Por\u00e9m, ela \u00e9 menor que a taxa de aloca\u00e7\u00e3o de novembro de 1998 que era de 24,85%. Entretanto, a oferta de vagas em 1999 reduziu em rela\u00e7\u00e3o a 1998. Diminuiu de 13.624 para 13.398 vagas captadas.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-e6ad85a0\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base Monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Em consequ\u00eancia do crescimento da demanda por moeda, a base monet\u00e1ria apresentou um incremento de 4,1% no m\u00eas de novembro, atingindo R$ 37,3 bilh\u00f5es no conceito de saldo de final de per\u00edodo. Dentre os seus componentes, o saldo do papel-moeda emitido atingiu R$ 21,6 bilh\u00f5es, com crescimento de 2,9% no m\u00eas, e o das reservas banc\u00e1rias, R$ 15,7 bilh\u00f5es, apresentando expans\u00e3o de 5,9%. As opera\u00e7\u00f5es com o sistema financeiro resultaram em uma expans\u00e3o monet\u00e1ria l\u00edquida de R$ 503 milh\u00f5es. Segundo o BC, foi o reflexo principalmente das libera\u00e7\u00f5es de compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos em poupan\u00e7a no valor de R$ 366 milh\u00f5es e sobre as opera\u00e7\u00f5es de adiantamento de contrato de c\u00e2mbio vencidos no valor de R$ 104 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os fatores que condicionam a base monet\u00e1ria, o fluxo mensal das opera\u00e7\u00f5es com o Tesouro Nacional foi expansionista em R$ 607 milh\u00f5es, as opera\u00e7\u00f5es do setor externo foram contracionistas em R$ 823 milh\u00f5es e as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos federais foram expansionistas em R$ 1,2 bilh\u00e3o. Este inclui a atua\u00e7\u00e3o do Banco Central com o objetivo de ajustar a liquidez do mercado monet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meios de pagamento (M1), com base no saldo m\u00e9dio di\u00e1rio, registraram expans\u00e3o de 2,1% no m\u00eas. Dentre seus componentes, o papel-moeda em poder do p\u00fablico apresentou aumento de 1,3% e os dep\u00f3sitos \u00e0 vista cresceram 2,6%. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 base monet\u00e1ria ampliada, o seu saldo atingiu, ao final do m\u00eas de novembro, R$ 428 bilh\u00f5es, com expans\u00e3o de 0,9% no m\u00eas. O saldo dos meios de pagamento no conceito ampliado (M4) atingiu R$ 540,7 bilh\u00f5es, ao final do m\u00eas, apresentando expans\u00e3o de 2,1%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2592d751\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima reuni\u00e3o do ano, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do Banco Central (Copom) manteve a taxa b\u00e1sica de juros em 19% ao ano e o vi\u00e9s neutro, ratificando as expectativas do mercado. Com essa decis\u00e3o o Copom mant\u00e9m inalterada a taxa de juros que serve de refer\u00eancia para a economia pelo quarto m\u00eas consecutivo.<\/p>\n\n\n\n<p>O BC tem direcionado seus esfor\u00e7os no controle da infla\u00e7\u00e3o que, desde a crise de janeiro de 1999, tem assustado a economia com eleva\u00e7\u00f5es repentinas. Mesmo com a desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, dado o fim dos efeitos sazonais, o BC optou por manter os juros altos e o aperto monet\u00e1rio, seguindo uma orienta\u00e7\u00e3o conservadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As taxas de juros das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, tanto para pessoas jur\u00eddicas como para pessoas f\u00edsicas, apresentaram, segundo a nota para a imprensa do BC (17\/12\/99), tr\u00eas tend\u00eancias distintas ao longo do m\u00eas de novembro, descritas da seguinte maneira. &#8220;At\u00e9 o dia 10 de novembro, as taxas mantiveram a trajet\u00f3ria de queda que se verificava desde abril passado; a partir de 11 de novembro at\u00e9 o dia 23, voltaram a registrar tend\u00eancia altista acompanhando o aumento da expectativa de infla\u00e7\u00e3o no curto prazo e a mudan\u00e7a de vi\u00e9s sobre a meta da taxa SELIC decidida na reuni\u00e3o do Copom, de 10 de novembro. Finalmente, a partir de 24 de novembro, as taxas ativas voltaram a registrar recuo, embora se mantendo em patamar acima do verificado no fim de outubro e in\u00edcio de novembro&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A tabela 5.3 mostra que, apesar do comportamento irregular das taxas di\u00e1rias, as taxas de novembro foram inferiores \u00e0s de outubro, na compara\u00e7\u00e3o das m\u00e9dias mensais. Este resultado \u00e9 atribu\u00eddo \u00e0s &#8220;recentes medidas do Banco Central visando reduzir as taxas de juros ao tomador final, em particular a redu\u00e7\u00e3o do recolhimento compuls\u00f3rio sobre dep\u00f3sitos \u00e0 vista, a elimina\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio sobre dep\u00f3sitos a prazo e a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do IOF sobre opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito com pessoas f\u00edsicas&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As taxas de juros para o tomador final ca\u00edram sensivelmente mais em outubro do que em novembro, em rela\u00e7\u00e3o aos per\u00edodos imediatamente anteriores. Apesar disto, estas taxas continuam extremamente elevadas. O cheque especial cobrou uma taxa mensal de 7,95% em outubro e 7,68% em novembro, os empr\u00e9stimos para pessoas f\u00edsicas, 5,78% e 5,56% e as pessoas jur\u00eddicas pagaram 3,53% e 3,41%. A taxa de juros para o cheque especial, acumulada no ano, atingiu mais de 125% em novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a entre a taxa geral de juros e a taxa de capta\u00e7\u00e3o \u00e9 o <em>spread<\/em> cobrado pelos bancos. Os c\u00e1lculos realizados pelo BC incluem no <em>spread<\/em> para o cheque especial pessoa f\u00edsica, os seguintes itens: Taxa de capta\u00e7\u00e3o &#8211; CDB (1,32%), Impostos Indiretos (PIS\/COFINS\/IOF) (0,25%), Despesas Administrativas (1,33%), Saldo do PDD\/Empr\u00e9stimo (0,98%), IR\/CSLL do Banco (1,51%) e Lucro do Banco (2,57%). Adicionando-se a CPMF (0,30%) chega-se ao custo total para o tomador do empr\u00e9stimo. Os valores entre par\u00eanteses indicam o custo de cada um dos itens na composi\u00e7\u00e3o da taxa de juros em outubro de 1999. Em 1999, dentre os seis itens que comp\u00f5em o <em>spread<\/em> banc\u00e1rio, os quatro primeiros diminu\u00edram e os dois \u00faltimos cresceram. A taxa de empr\u00e9stimo que era de 8,52% ao m\u00eas em janeiro diminuiu para 7,95% em outubro, mas a participa\u00e7\u00e3o do lucro aumentou de 1,83% para 2,57%. Assim, a tentativa do governo em reduzir a taxa de juros para o tomador final, reduzindo a taxa b\u00e1sica de juros e os impostos indiretos, acabou contribuindo para o aumento na taxa de lucro dos bancos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3d741208\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Em outubro, o sistema de cr\u00e9dito concedeu um total de R$ 268,4 bilh\u00f5es em empr\u00e9stimos, o que significou um aumento de 1,2% no m\u00eas e 7,3% em doze meses. Deste total, 12,6% foram para o setor p\u00fablico e 87,4% para o setor privado. Os empr\u00e9stimos para o setor p\u00fablico diminu\u00edram em -5,0%, com o governo federal aumentando 22,0% e os governos estaduais diminuindo em -9,6% no per\u00edodo de doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empr\u00e9stimos para o setor privado, em outubro, cresceram para todas as atividades, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do financiamento habitacional (-0,1%). As atividades que mais aumentaram sua demanda de cr\u00e9dito foram a agropecu\u00e1ria (3,3%), o com\u00e9rcio (2,9%) e as pessoas f\u00edsicas e outros servi\u00e7os, ambos com 1,7%. O crescimento do cr\u00e9dito rural \u00e9 explicado pelo plantio da safra de ver\u00e3o, pois, segundo o BC, o cr\u00e9dito para comercializa\u00e7\u00e3o diminuiu em -2,7% e o de investimento cresceu apenas 0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>No acumulado de doze meses, a ind\u00fastria (18,5%), os servi\u00e7os (17,3%) e o com\u00e9rcio (11,8%) foram os setores que mais receberam cr\u00e9ditos. O financiamento para habita\u00e7\u00e3o e para o setor rural diminuiu em -0,4% e -1,6%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do IOF nos empr\u00e9stimos para pessoa f\u00edsica diminuiu a participa\u00e7\u00e3o dos impostos indiretos de 0,57%, em setembro, para 0,21%, em outubro, no <em>spread<\/em> geral e de 0,60% para 0,25% no <em>spread<\/em> do cheque especial. Apesar disso, os empr\u00e9stimos para pessoa f\u00edsica cresceram apenas 1,7% entre setembro e outubro.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9652b683\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo os dados da Secretaria do Tesouro Nacional (tabela 6.1), o resultado prim\u00e1rio do governo central, no m\u00eas de novembro de 1999, foi de cerca de R$ 1,2 bilh\u00e3o, contra um d\u00e9ficit no mesmo m\u00eas de 1998 da mesma ordem de grandeza. Em termos acumulados, atingiu at\u00e9 novembro a marca de R$ 23,2 bilh\u00f5es, verificando-se um crescimento de 530% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, denotando o brutal esfor\u00e7o fiscal que est\u00e1 sendo realizado pelo governo com vistas ao cumprimento das metas assumidas no acordo com o FMI. Em fun\u00e7\u00e3o dos resultados estarem superando as estimativas efetuadas no decorrer do ano, o governo vem desacelerando, desde setembro, o aperto nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>O super\u00e1vit prim\u00e1rio do Governo Central, equivalente a 2,53% do PIB, foi obtido fundamentalmente gra\u00e7as \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o das receitas administradas pelo tesouro e \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das despesas com investimentos e com custeio. A expans\u00e3o em cerca de 18% daquelas receitas acumuladas se deveu ao encerramento de a\u00e7\u00f5es judiciais de 1998, referentes \u00e0 Cofins e CSLL, bem como ao aumento de al\u00edquotas da Cofins e sua extens\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es financeiras e pela desist\u00eancia de a\u00e7\u00f5es judiciais. No per\u00edodo de outubro\/novembro deste ano, as receitas n\u00e3o sofreram altera\u00e7\u00f5es sens\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>As estrat\u00e9gias governamentais de amplia\u00e7\u00e3o de receitas, j\u00e1 empreendidas e em curso, mostram-se coerentes com o Programa de Estabilidade Fiscal estabelecido em outubro de 1998. O governo vai tentando impor medidas estruturais nesta \u00e1rea, for\u00e7ando a aprecia\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria na convoca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Congresso Nacional agora em janeiro. Entretanto, o pr\u00f3prio governo tem dificultado um consenso que permita a aprova\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria. O mais prov\u00e1vel, por conseguinte, \u00e9 que apenas seja aprovada a DRU (desvincula\u00e7\u00e3o das receitas da Uni\u00e3o), prevista nas medidas de curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>As transfer\u00eancias aos estados e munic\u00edpios, agora tratadas pelo governo federal como item de despesa, sofreram forte eleva\u00e7\u00e3o se comparada com o mesmo m\u00eas do ano anterior (24,5%), levando a uma falsa amplia\u00e7\u00e3o das despesas, na forma como elas foram apresentadas nos dados oficiais. A eleva\u00e7\u00e3o do volume de transfer\u00eancias foi consequ\u00eancia do crescimento de receitas componentes dos fundos de participa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de mudan\u00e7as no c\u00e1lculo das compensa\u00e7\u00f5es face \u00e0 lei &#8220;Kandir&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, as despesas acumuladas mantiveram-se praticamente no mesmo patamar de 1998, sendo que o \u00fanico item a apresentar crescimento relevante (9,6%) foi o de despesas com benef\u00edcios previdenci\u00e1rios. Por outro lado, os gastos de custeio e de capital sofreram um decr\u00e9scimo de -9,4%. Entre outubro e novembro de 1999, a despesa total decresceu de -2,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange \u00e0 previd\u00eancia, manteve-se a tend\u00eancia de amplia\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit. O m\u00eas de novembro apresentou um aumento expressivo nos gastos previdenci\u00e1rios em fun\u00e7\u00e3o do pagamento de parcela do 13\u00ba sal\u00e1rio. Isto levou o governo a postergar, para dezembro, o pagamento do abono salarial dos benefici\u00e1rios do PIS\/PASEP.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado do Governo Central, calculado no conceito abaixo da linha e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, apresentou em outubro de 1999 um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 979 milh\u00f5es (tabela 6.2) e foi menor do que o resultado obtido em setembro do mesmo ano (R$ 4,3 bilh\u00f5es). Em termos acumulados, de qualquer maneira, \u00e9 corroborada a posi\u00e7\u00e3o governamental de &#8220;fazer o dever de casa&#8221; de forma mais rigorosa do que a estabelecida pelo FMI, levando Stanley Fischer a classificar de &#8220;extraordinariamente surpreendente&#8221; a &#8220;disciplina fiscal&#8221; do Brasil (FSP-07\/01\/2000). O resultado prim\u00e1rio do Governo Central atingiu R$ 28,7 bilh\u00f5es no per\u00edodo de janeiro a outubro. O setor p\u00fablico n\u00e3o financeiro, como um todo, produziu um resultado prim\u00e1rio de R$ 32,0 bilh\u00f5es no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todavia, a conta de juros (com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial) acumulou um total de R$ 96,0 bilh\u00f5es, com um crescimento de 124%. Se excluirmos a desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, o total de juros pagos foi de R$ 47,0 bilh\u00f5es, um crescimento de 19%. Entre os meses de setembro e outubro, a conta de juros cresceu mais de 340% com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Os elevados super\u00e1vits prim\u00e1rios, a despeito dos elogios do FMI, n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para compensar tal conta. Assim, o resultado nominal acumulado no ano atingiu um d\u00e9ficit de R$ 67,3 bilh\u00f5es (com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial), reduzido para R$ 18,3 bilh\u00f5es quando medido sem a desvaloriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o setor p\u00fablico consolidado, o resultado nominal acumulou um d\u00e9ficit de R$ 91,9 bilh\u00f5es (com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial) ou R$ 42,8 bilh\u00f5es, sem o efeito da desvaloriza\u00e7\u00e3o. A conta juros acumulada no ano, at\u00e9 outubro, atingiu a exorbitante soma de R$ 123,9 bilh\u00f5es, ou R$ 74,8 bilh\u00f5es, caso se desconsidere o efeito do c\u00e2mbio. Entretanto, o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico como um todo atingiu 3,85% do PIB, superando a meta de 3,10% estabelecida no acordo com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal vem seguindo uma trajet\u00f3ria ascendente desde o in\u00edcio do ano. A partir de setembro, no entanto, observa-se um crescimento a taxas decrescentes, tendo crescido 0,8% em novembro. Em termos nominais foram emitidos mais de R$ 557 bilh\u00f5es em t\u00edtulos, dos quais 74% est\u00e1 em poder do mercado. A composi\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos em poder do mercado vem se alterando, aqueles sob responsabilidade do Tesouro est\u00e3o crescendo e aqueles sob responsabilidade do Banco Central v\u00eam diminuindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Os principais pap\u00e9is emitidos pelo Tesouro foram LFT, LTN e NTN, na ordem de R$ 182,0 bilh\u00f5es, R$ 46,7 bilh\u00f5es e R$ 101,0 bilh\u00f5es, respectivamente. Quanto aos indexadores, ocorreu um pequeno aumento dos t\u00edtulos corrigidos pela <em>selic<\/em> (59,3%) em detrimento daqueles com corre\u00e7\u00e3o cambial (26%). A maior aceita\u00e7\u00e3o destes t\u00edtulos reflete certa confian\u00e7a dos investidores na estabilidade do c\u00e2mbio. A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal em poder do mercado tem um prazo m\u00e9dio de vencimento de 9,03 meses e o governo pretende aumentar o prazo para 18 meses at\u00e9 o final do ano (FSP-12\/01\/2000).<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida global do setor p\u00fablico atingiu cerca de R$ 519 bilh\u00f5es em outubro, 48,8% do PIB, apresentando uma leve tend\u00eancia \u00e0 queda. Mant\u00e9m-se, todavia, em conformidade com as metas assumidas junto ao FMI.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-1da89d4d\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>As transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamentos tornaram a apresentar, em novembro de 1999, saldo negativo de US$ 2,21 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de -7,6% no d\u00e9ficit em compara\u00e7\u00e3o a outubro de 1999 e de -18,5% em rela\u00e7\u00e3o a novembro de 1998. O saldo acumulado at\u00e9 novembro de 1999 foi negativo em US$ 21,41 bilh\u00f5es, diminuindo em US$ 8,6 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998 (tabela 7.1).<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo da balan\u00e7a comercial fechou deficit\u00e1rio em US$ 529,0 milh\u00f5es em novembro de 1999, um aumento substancial de 243,51% no d\u00e9ficit, quando comparamos ao m\u00eas anterior. As exporta\u00e7\u00f5es foram de US$ 4,0 bilh\u00f5es e as importa\u00e7\u00f5es, US$ 4,53 bilh\u00f5es. As exporta\u00e7\u00f5es diminu\u00edram em -7,0% e as importa\u00e7\u00f5es cresceram apenas 1,63%.<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo acumulado da balan\u00e7a comercial foi de US$ -1,5 bilh\u00e3o entre janeiro e novembro de 1999, uma redu\u00e7\u00e3o de -76,1% no d\u00e9ficit em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Um resultado muito longe da meta de US$ 11,0 bilh\u00f5es definida no acordo com o FMI. &#8220;A verdade \u00e9 que n\u00e3o estamos importando muito. Estamos exportando pouco. O protecionismo de americanos, europeus, japoneses (e argentinos) explica parte do fen\u00f4meno. Que igualmente tem algo a ver com a baixa competitividade gerencial e tecnol\u00f3gica da ind\u00fastria brasileira, segundo o dedo em riste da representante comercial da Casa Branca, Charlene Barshefsky. O enrosco maior est\u00e1 mesmo no caix\u00e3o sem al\u00e7a do arrocho monet\u00e1rio, do garrote tribut\u00e1rio ou mata-burros alfandeg\u00e1rio e do gargalo portu\u00e1rio. Um calv\u00e1rio&#8221; (A Gazeta, 08\/12\/99).<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro do ano passado, a conta de servi\u00e7os apresentou resultado negativo de US$ 1,82 bilh\u00e3o, uma redu\u00e7\u00e3o de -23,8%, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, mas um aumento de 2,9% em rela\u00e7\u00e3o a 1998. O principal componente deste d\u00e9ficit foi a conta de juros, cujas remessas l\u00edquidas atingiram US$ 1,12 bilh\u00e3o. Esta conta diminuiu em rela\u00e7\u00e3o a outubro, mas cresceu 47,8% em rela\u00e7\u00e3o a novembro de 1998. Esta queda em termos absolutos n\u00e3o foi suficiente para evitar que, relativamente, o d\u00e9ficit em conta corrente do balan\u00e7o de pagamentos passasse de 4,20% para 4,21% do PIB, entre 1998 e 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit acumulado na conta servi\u00e7os, entre janeiro e novembro de 1999, reduziu-se em US$ 3,70 bilh\u00f5es (-14,5%) em compara\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998. Esta redu\u00e7\u00e3o ocorreu devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o no d\u00e9ficit da conta de viagens internacionais (US$ -2,55 bilh\u00f5es) e da remessa de lucros (US$ -3,31 bilh\u00f5es). Pode-se afirmar que este resultado foi decorrente da brutal desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial ocorrida no ano que tornou desvantajosa tanto as viagens quanto as remessas de lucros.<\/p>\n\n\n\n<p>Em novembro, o ingresso de recursos estrangeiros a t\u00edtulo de investimentos estrangeiros diretos atingiu o montante de US$ 1,7 bilh\u00e3o, o de portf\u00f3lio US$ 1,0 bilh\u00e3o e os empr\u00e9stimos em moeda US$ 3,0 bilh\u00f5es. A capta\u00e7\u00e3o total de recursos externos registrou ingresso de US$ 7,3 bilh\u00f5es no m\u00eas, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 215 milh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o a outubro de 1999 (tabela 7.2). O ingresso de recursos nos itens empr\u00e9stimos em moeda e <em>leasing<\/em> e aluguel contribu\u00edram, em conjunto, com uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 517 milh\u00f5es. O item renova\u00e7\u00f5es de empr\u00e9stimos retraiu-se bruscamente, passando de US$ 2,03 bilh\u00f5es, em outubro de 1999, para US$ 26 milh\u00f5es, em novembro, neutralizando o desempenho dos recursos dos b\u00f4nus e <em>notes<\/em> que cresceram 246,44% entre estes meses. As renova\u00e7\u00f5es foram resultado de uma opera\u00e7\u00e3o de troca dos t\u00edtulos da renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa (<em>par bonds, discount bonds, C-bonds<\/em> e DCB) por US$ 2,0 bilh\u00f5es em b\u00f4nus da Rep\u00fablica com vencimento para 2009. As contas investimentos e financiamentos apresentaram crescimento de US$ 404 milh\u00f5es e US$ 53 milh\u00f5es, respectivamente, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>De janeiro a novembro, a capta\u00e7\u00e3o de recursos externos acumulou um total de US$ 93,6 bilh\u00f5es. Os investimentos estrangeiros foram respons\u00e1veis por 47,6% deste total, os empr\u00e9stimos em moeda por 39,3% e os demais itens, por 13,0% do total. Somente os investimentos estrangeiros diretos foram respons\u00e1veis pelo ingresso de US$ 24,3 bilh\u00f5es, o suficiente para financiar o d\u00e9ficit em conta corrente acumulado no ano. Comparando o total de ingressos neste per\u00edodo, com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, observamos uma redu\u00e7\u00e3o de -27,4% no total de recursos captados. Todas as contas apresentaram redu\u00e7\u00f5es. Os investimentos diminu\u00edram em -79,8%, os financiamentos em -69,0%, os empr\u00e9stimos em moeda em -19,3%, <em>leasing<\/em> e aluguel em -35,3% e o pagamento antecipado de exporta\u00e7\u00f5es em -27,0%. Nos sub-itens, a redu\u00e7\u00e3o dos ingressos nas aplica\u00e7\u00f5es de portf\u00f3lio (Anexos I a V, fundos de renda fixa e fundos de privatiza\u00e7\u00e3o, -45,8%) e na resolu\u00e7\u00e3o 2.483 (63 <em>caipira<\/em>, -83,6%) mostram que as aplica\u00e7\u00f5es especulativas perderam os atrativos da supervaloriza\u00e7\u00e3o cambial e da taxa de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de setembro de 1999, as reservas internacionais aumentaram em US$ 644 milh\u00f5es, grande parte desse aumento se refere \u00e0 libera\u00e7\u00e3o das garantias vinculadas aos t\u00edtulos antigos da d\u00edvida p\u00fablica (<em>bradies<\/em>), que o governo trocou por b\u00f4nus da Rep\u00fablica, estes possuem menor prazo de vencimento e taxas de juros mais atrativas. No m\u00eas de outubro, devido \u00e0s fortes oscila\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar, que chegou a custar R$ 2,003 em 19\/10\/99, al\u00e9m da venda de t\u00edtulos cambiais, houve interven\u00e7\u00e3o direta no mercado dom\u00e9stico de c\u00e2mbio pelo Banco Central e consumiu-se US$ 50 milh\u00f5es das reservas. Al\u00e9m disso, as amortiza\u00e7\u00f5es e juros pagos ao BIS e ao Banco do Jap\u00e3o, em raz\u00e3o de empr\u00e9stimos contra\u00eddos no Programa de Assist\u00eancia Financeira ao Pa\u00eds, contribu\u00edram para a redu\u00e7\u00e3o das reservas em US$ 2,5 bilh\u00f5es, no conceito de liquidez internacional (tabela 7.3).<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o no piso das reservas, em US$ 2 bilh\u00f5es, que o FMI concedeu ao Banco Central na quarta revis\u00e3o do acordo, permitiu maiores possibilidades de interven\u00e7\u00e3o no mercado de c\u00e2mbio. A supress\u00e3o do sistema de pagamento antecipado das importa\u00e7\u00f5es e a venda de t\u00edtulos cambiais pelo governo permitiram maior liquidez ao mercado de c\u00e2mbio, garantindo que as metas inflacion\u00e1rias acordadas com o FMI sejam cumpridas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 1999, a d\u00edvida externa do pa\u00eds totalizou US$ 237,4 bilh\u00f5es reduzindo-se em US$ 1,78 bilh\u00e3o, em compara\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de setembro de 1999. A d\u00edvida do setor p\u00fablico n\u00e3o financeiro diminuiu de US$ 105,3 bilh\u00f5es, em setembro, para US$ 102,4 bilh\u00f5es, em outubro de 1999. Entretanto, esta d\u00edvida cresceu 7,5%, em 1999, pois era de US$ 95,2 bilh\u00f5es em dezembro de 1998. A d\u00edvida do setor privado passou de US$ 133,9 bilh\u00f5es, em setembro, para US$ 135,1 bilh\u00f5es, em outubro de 1999. Este pequeno aumento no m\u00eas n\u00e3o reverteu a tend\u00eancia de aumento na participa\u00e7\u00e3o da d\u00edvida do setor p\u00fablico no endividamento externo total. Nos dez meses de 1999, a participa\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico no endividamento externo aumentou de 39,1% para 43,1%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9ef36f7e\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor externo &#8211; Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de outubro, a balan\u00e7a comercial do Esp\u00edrito Santo apresentou um saldo positivo de 217,1 milh\u00f5es, prosseguindo com a tend\u00eancia de super\u00e1vit verificada nos \u00faltimos meses. No entanto, ao compararmos o m\u00eas de outubro com o m\u00eas anterior notamos uma queda da ordem de -2,80% no saldo da balan\u00e7a comercial (tabela 7.4). A balan\u00e7a comercial do Esp\u00edrito Santo acumulou um saldo positivo de US$ 2,0 bilh\u00f5es, nos dez primeiros meses do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre setembro e outubro, as exporta\u00e7\u00f5es apresentaram uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -7,30%, caindo de US$ 695,7 milh\u00f5es, em setembro, para US$ 644,9 milh\u00f5es. A mesma tend\u00eancia negativa tamb\u00e9m foi registrada nas importa\u00e7\u00f5es. Elas apresentaram uma redu\u00e7\u00e3o ainda maior do que as exporta\u00e7\u00f5es, de -9,43 %. Em valores absolutos, ca\u00edram de US$ 472,4 milh\u00f5es, em setembro, para US$ 427,8 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A pauta de exporta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo concentra-se em poucos produtos que representam 71,08% do total exportado. No m\u00eas de setembro, todos eles apresentaram taxas positivas de crescimento. Entretanto, em outubro, o caf\u00e9 em gr\u00e3o (-23,5%) e os produtos semi-manufaturados de ferro e a\u00e7o (-11,2%) sofreram quedas significativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, os dados mostram sua tend\u00eancia declinante nos \u00faltimos meses. Os principais cap\u00edtulos (grupos de produtos) importados pelo estado, que representavam cerca de 65% das importa\u00e7\u00f5es diminu\u00edram para 55% do total importado. Com exce\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, \u00f3leos e ceras minerais que apresentaram ligeiro crescimento em setembro, todos os demais sofreram quedas em setembro e em outubro de 1999.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o O Governo federal iniciou o ano de 2000 com mais uma convoca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Congresso Nacional, para aprecia\u00e7\u00e3o e 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