{"id":3933,"date":"2000-03-24T12:36:00","date_gmt":"2000-03-24T15:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3933"},"modified":"2025-11-24T12:39:43","modified_gmt":"2025-11-24T15:39:43","slug":"boletim-no-13-marco-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-13-marco-2000\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 13 &#8211; Mar\u00e7o 2000"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-5b091566 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-18d28689\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu acho que (o sal\u00e1rio m\u00ednimo) \u00e9 muito pouco. Todos n\u00f3s achamos que \u00e9 muito pouco&#8221;, afirmou Ruth. A primeira-dama afirmou que a determina\u00e7\u00e3o do aumento no valor do sal\u00e1rio foi feita com o objetivo de &#8220;atender a todos e n\u00e3o a um grupo pequeno&#8221;. &#8220;N\u00e3o \u00e9 o que a gente quer, mas \u00e9 o que d\u00e1 para fazer tendo responsabilidade&#8221;, afirmou (FSP, 28\/03\/00). Ao contr\u00e1rio do que diz a primeira-dama, os dados mostram que os dirigentes no poder beneficiam, sempre, um pequeno grupo em detrimento da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 23\/03\/00, o Presidente instituiu a medida provis\u00f3ria n\u00ba. 2.019 reajustando o sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 136,00 para R$ 151,00, um reajuste de 5,66% e um aumento real de 5,08%. Esta medida contrasta com a fixa\u00e7\u00e3o do teto salarial de R$ 11.500,00, podendo chegar a R$ 23.000,00, a ser pago ao Presidente, Ministros, Parlamentares e Ju\u00edzes dos Tribunais Superiores. Para a grande massa, que recebe sal\u00e1rio m\u00ednimo, um reajuste total de 11,03%, para a c\u00fapula do poder, 43,75%.<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe econ\u00f4mica defende que um aumento maior para o sal\u00e1rio m\u00ednimo produziria um aumento excessivo nos gastos p\u00fablicos. Para tanto, a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, do Minist\u00e9rio da Fazenda, divulgou um estudo sobre os impactos do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo no mercado de trabalho e sobre as contas p\u00fablicas. Segundo este documento, o aumento no sal\u00e1rio m\u00ednimo para R$ 177,00 geraria um aumento de gastos, at\u00e9 o final do ano, de R$ 5.130 bilh\u00f5es para o governo federal e de R$ 5,517 bilh\u00f5es, para todo o setor p\u00fablico consolidado. O aumento para R$ 150,00 produzir\u00e1 um impacto de apenas R$ 1,711 bilh\u00e3o para o governo federal e de R$ 1,831 bilh\u00e3o para o setor p\u00fablico. Assim, o maior problema para o governo \u00e9 o aumento nas despesas, principalmente na previd\u00eancia social, a grande vil\u00e3 do d\u00e9ficit p\u00fablico. Mas, do ponto de vista da justi\u00e7a social, a diferen\u00e7a entre um sal\u00e1rio m\u00ednimo e outro beneficiaria diretamente cerca de 8 milh\u00f5es de pessoas: aposentados rurais, benefici\u00e1rios da Lei Org\u00e2nica de Assist\u00eancia Social (LOAS) e benefici\u00e1rios do programa de renda mensal vital\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra aqueles que defendem maior justi\u00e7a social, o trabalho da SPE procura mostrar que um sal\u00e1rio m\u00ednimo maior n\u00e3o teria efeito significativo para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e aumentaria o trabalho informal, sem carteira assinada. Mas, um estudo da FGV mostra que este argumento \u00e9 falacioso. N\u00e3o \u00e9 por causa do sal\u00e1rio m\u00ednimo que os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam carteira de trabalho assinada, mas sim, devido aos encargos sobre a folha de pagamentos. O aumento no sal\u00e1rio m\u00ednimo tem um impacto importante e positivo para a redu\u00e7\u00e3o da pobreza e beneficiaria, direta ou indiretamente, cerca de 30 milh\u00f5es de trabalhadores que t\u00eam rendimento at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos.<\/p>\n\n\n\n<p>O principal objetivo do governo federal, no que se refere \u00e0s contas p\u00fablicas, \u00e9 a obten\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 29,3 bilh\u00f5es, previsto na proposta or\u00e7ament\u00e1ria e negociado no acordo com o FMI. Deste total, R$ 15,6 bilh\u00f5es ser\u00e3o obtidos com a redu\u00e7\u00e3o nos gastos em sa\u00fade, previd\u00eancia e assist\u00eancia social (FSP, 03\/04\/00). O super\u00e1vit prim\u00e1rio \u00e9 a diferen\u00e7a entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar o pagamento de juros da d\u00edvida. Uma pequena redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros, que est\u00e1 entre as maiores do mundo, seria suficiente para cobrir o aumento de gasto decorrente do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas prejudicaria o maior benefici\u00e1rio desta pol\u00edtica que \u00e9 o sistema financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999, o Banco Central do Brasil apresentou um preju\u00edzo de R$ 13,04 bilh\u00f5es, que dever\u00e1 ser coberto pelo Tesouro Nacional em 2000. Para isto, ser\u00e3o emitidos mais t\u00edtulos aumentando a d\u00edvida interna e a conta de juros. A maior parte desse preju\u00edzo, R$ 7,65 bilh\u00f5es, foi o resultado da desastrada mudan\u00e7a na pol\u00edtica cambial e pelo socorro aos bancos, em especial as opera\u00e7\u00f5es dos bancos Marka e Fonte-Cindam, em janeiro de 1999. Se o BCB teve preju\u00edzo, &#8220;O sistema financeiro teve um lucro l\u00edquido [&#8230;] de nada menos que R$ 7,77 bilh\u00f5es, gra\u00e7as aos ganhos com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. A rentabilidade anualizada sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido [&#8230;] atingiu o n\u00edvel de 21,9% [&#8230;]&#8221; (CPI do sistema financeiro).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o BCB aumentou suas provis\u00f5es para fazer face \u00e0 inadimpl\u00eancia dos bancos que se beneficiaram com o Proer. Estas provis\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por R$ 4,5 bilh\u00f5es dos preju\u00edzos e, ao que tudo indica, deve aumentar ainda mais. Segundo a CPI do sistema financeiro a d\u00edvida total do Proer era de R$ 37,76 bilh\u00f5es, em abril de 1999. &#8220;Subtraindo [&#8230;] os valores que t\u00eam boa chance de serem pagos (R$ 7,6 bilh\u00f5es da CEF e R$ 1,9 bilh\u00e3o do FGC) chega-se a R$ 28,2 bilh\u00f5es. Esse montante \u00e9 de recebimento duvidoso pelo Banco Central&#8221; (CPI do sistema financeiro).<\/p>\n\n\n\n<p>A mudan\u00e7a recente nas alian\u00e7as partid\u00e1rias mudou a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no Congresso Nacional e descontentou o PFL, at\u00e9 ent\u00e3o o maior partido na C\u00e2mara Federal e o principal apoio a FHC. Isso impulsionou as opini\u00f5es discordantes que Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es emitia contra o Pal\u00e1cio do Planalto e o uniu com os partidos de oposi\u00e7\u00e3o na defesa de um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 177,00. Assim, torna-se poss\u00edvel a mudan\u00e7a na medida provis\u00f3ria aumentando o reajuste proposto. Mas a trajet\u00f3ria oportunista deste partido, nas principais vota\u00e7\u00f5es, torna pouco prov\u00e1vel esta mudan\u00e7a. Principalmente porque tamb\u00e9m faz parte do pequeno grupo benefici\u00e1rio das vantagens do Planalto.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-51896339 uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Mestrado em Economia<br \/>Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Economia<br \/>Departamento de Economia UFES<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de Estudos e Pesquisas em COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores:<\/strong> Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira, Paulo Nakatani e Maur\u00edcio de Souza Sabadini<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero:<\/strong> Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Andr\u00e9 Luiz Coelho Nascimento, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, Anne Marie Boudou, Bianca Cardoso de Pianti, Elaine Delpupo, Erika Rosa dos Santos, Everlan Montibeler, Juez Ferreira da Silva, Kelly Machado Premoli, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo Alves de Morais, Neide C\u00e9sar Vargas, Oberdan Pandolfi Ermita, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Rosiane de Souza, Tyago Ribeiro Hoffmann, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste N\u00famero:<\/strong>Angela Maria Morandi<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0MGJGN3hXeEw4UW8\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-JY_UxfR6SF7G5ZBNlEuQbA\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_self\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original desta publica\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-2bc457fc uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3d403882\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">A necessidade de maior ousadia<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Depois de mais de sete meses mantendo a taxa de juros b\u00e1sica da economia em 19% ao ano, o Banco Central decidiu reduzi-la para 18,5% na \u00faltima ter\u00e7a-feira da semana passada. N\u00e3o foi um corte significativo, mas pelo menos confirmou as expectativas do setor produtivo de que algum movimento nessa dire\u00e7\u00e3o teria de ser feito para refor\u00e7ar a melhoria conhecida pela economia brasileira nos \u00faltimos meses, aumentando a dosagem de oxig\u00eanio para a atividade econ\u00f4mica e o consumo. Tamb\u00e9m importante, na esteira deste movimento, foi a redu\u00e7\u00e3o da TJLP (a taxa de juros de longo prazo) de 12% para 11% ao ano pelo CMN (Conselho Monet\u00e1rio Nacional).<\/p>\n\n\n\n<p>A postura de conservadorismo mantida pelo Banco Central em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros vinha sendo justificada pelas autoridades econ\u00f4micas por tr\u00eas motivos principais: a) a possibilidade do FED (o Banco Central norte-americano) decidir por uma eleva\u00e7\u00e3o de seus juros al\u00e9m do que era esperado pelo mercado; b) o temor de que os pa\u00edses da Opep (Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Produtores de Petr\u00f3leo) n\u00e3o conseguissem chegar a um acordo sobre o aumento da produ\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, o que manteria seus pre\u00e7os em n\u00edveis incompat\u00edveis com as metas inflacion\u00e1rias estabelecidas para o pa\u00eds e tamb\u00e9m com os resultados projetados da balan\u00e7a comercial, cujo desempenho, at\u00e9 o momento, n\u00e3o anda muito favor\u00e1vel; e c) o receio de que a taxa de infla\u00e7\u00e3o ganhasse f\u00f4lego com a medida e comprometesse os esfor\u00e7os desenvolvidos para mant\u00ea-la em n\u00edveis comportados e dentro da faixa de varia\u00e7\u00e3o permitida no acordo com o FMI. Com isso, a corre\u00e7\u00e3o das tarifas p\u00fablicas prevista para o segundo e terceiro trimestres reduziu os temores de que os desvios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s metas projetadas exigiriam a manuten\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria ainda mais restritiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas \u00faltimas duas semanas todos esses temores terminaram se desfazendo. Apesar de continuar crescendo a um ritmo acelerado (7,3% ao ano), de acordo com as proje\u00e7\u00f5es do comportamento do PIB do \u00faltimo trimestre do ano passado, os EUA elevaram seus juros b\u00e1sicos em apenas 0,25 ponto percentual, com a sua taxa atingindo 6% ao ano, o que representou um al\u00edvio para o mercado e para a economia mundial. A Opep, apesar da discord\u00e2ncia do Ir\u00e3 e do Iraque decidiu, por sua vez, por um aumento de 1,5 milh\u00e3o de barris\/dia de petr\u00f3leo, o que deve derrubar seus pre\u00e7os de US$ 30 para algo entre US$ 20 e US$ 25 o barril. Al\u00e9m disso, a revis\u00e3o feita pelo Banco Central da trajet\u00f3ria da infla\u00e7\u00e3o no Brasil, concluiu, com base na divulga\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos \u00edndices, que a taxa nos pr\u00f3ximos meses ficar\u00e1 abaixo da que fora anteriormente projetada.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de gerar uma economia no custo da d\u00edvida estimado em R$ 1,4 bilh\u00e3o (cabe lembrar que o custo do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo para R$ 151,00 para a Previd\u00eancia foi estimado em R$ 1,05 bilh\u00e3o), a redu\u00e7\u00e3o de 0,5 ponto percentual na taxa interna de juros \u00e9 importante, tamb\u00e9m, porque, al\u00e9m de melhorar as expectativas dos agentes econ\u00f4micos, diminui, um pouco, a atratividade do capital externo vol\u00e1til na economia, cujo fluxo tem provocado uma valoriza\u00e7\u00e3o da moeda nacional prejudicial para as contas externas. Tanto isso \u00e9 verdade, que depois da paridade ter atingido R$ 1,72 h\u00e1 poucos dias, o Banco Central teve de despender cerca de US$ 50 milh\u00f5es para adquirir a moeda americana para fazer sua cota\u00e7\u00e3o retornar ao patamar de R$ 1,75. \u00c9 bem verdade que as taxas de juros no Brasil continuam como as mais altas do mundo, mas a retomada de seu movimento de queda pelo menos indica, se n\u00e3o for interrompido, que um desastre maior pode ser evitado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da melhoria das condi\u00e7\u00f5es da economia brasileira no quadro atual, n\u00e3o se pode ignorar o fato de ainda continuar de alto risco sua vulnerabilidade a choques de origem externa. Resultado da condu\u00e7\u00e3o desastrada do Plano Real por longos anos, a profunda deteriora\u00e7\u00e3o das contas externas e internas do pa\u00eds reduziram muito sua capacidade de defender-se de eventuais turbul\u00eancias ocorridas no restante do mundo. Por isso, embora a situa\u00e7\u00e3o externa tenha se acalmado nas \u00faltimas semanas, tanto o comportamento da economia norte-americana como os desdobramentos da reuni\u00e3o da Opep devem continuar pesando como a espada de Damocles sobre as decis\u00f5es das autoridades econ\u00f4micas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas de juros, c\u00e2mbio e ajuste fiscal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas aproveitar este melhor momento e arriscar\/ousar um pouco mais s\u00f3 pode contribuir para reduzir\/atenuar a gravidade dessa situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. E fortalecer as expectativas de que as nuvens que toldam o cen\u00e1rio podem, de fato, come\u00e7ar a desanuviarem-se.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b301c142\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os principais \u00edndices que medem a infla\u00e7\u00e3o apresentaram queda significativa neste in\u00edcio de ano, em decorr\u00eancia das j\u00e1 tradicionais redu\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os em grupos como o de Vestu\u00e1rio, por exemplo. Segundo alguns analistas, o governo n\u00e3o ter\u00e1 problemas em cumprir a meta com o FMI, neste primeiro trimestre, j\u00e1 que os grupos Alimenta\u00e7\u00e3o e o de Vestu\u00e1rio tem registrado varia\u00e7\u00e3o bem pr\u00f3xima a zero. Apesar das comemora\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 queda e manuten\u00e7\u00e3o de baixos \u00edndices inflacion\u00e1rios, a economia brasileira vem apresentando baixas taxas de crescimento e um grau recessivo que imp\u00f5em um custo social extremamente elevado para os trabalhadores. O principal instrumento de controle inflacion\u00e1rio, as altas taxas de juros, penalizam significativamente a sociedade brasileira que se v\u00ea, cada vez mais, sob a \u00e9gide de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria contracionista. Vejamos alguns indicadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro, o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,62%, pr\u00f3ximo \u00e0 taxa de 0,60% registrada em dezembro do ano passado. A varia\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos alimentos caiu para 0,84%, ap\u00f3s a alta de 1,41% obtida em dezembro. Alguns produtos tiveram uma varia\u00e7\u00e3o negativa como foi o caso dos cereais (-2,45%) e das carnes (40,68%). A maior alta foi verificada no grupo Educa\u00e7\u00e3o (3,05%), em virtude da cobran\u00e7a das taxas de mensalidade e matr\u00edcula relativas ao in\u00edcio do ano letivo. No m\u00eas de fevereiro, o IPCA ficou em 0,13%, inferior \u00e0 taxa de janeiro em 0,49 ponto percentual. Com este resultado, o acumulado dos \u00faltimos doze meses ficou em 7,86% e o acumulado do ano, 0,75%. As maiores quedas foram registradas nos grupos Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas (-0,25%), devido \u00e0 grande oferta de produtos dadas as boas condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e Vestu\u00e1rio (-40,67%), devido \u00e0s liquida\u00e7\u00f5es do m\u00eas de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) de janeiro fechou em 0,61%, ficando 0,13% abaixo da taxa de dezembro de 1999 que foi de 0,74%. As maiores altas foram registradas nos grupos Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas (0,90%) e Educa\u00e7\u00e3o (2,26%). Em fevereiro, o \u00edndice foi de 0,05%. Com este resultado, o acumulado nos \u00faltimos doze meses ficou em 7,06% e o acumulado no ano totalizou 0,66%. Os produtos Aliment\u00edcios e o grupo Vestu\u00e1rio apresentaram maiores quedas, -0,46% e -40,53%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), medido pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE), apresentou defla\u00e7\u00e3o de -0,04% na segunda pr\u00e9via de mar\u00e7o. Na primeira pr\u00e9via do m\u00eas, o \u00edndice apresentou taxa de -0,15%. De acordo com Heron do Carmo, coordenador do IPC-FIPE, a previs\u00e3o para o m\u00eas de mar\u00e7o \u00e9 de uma taxa de 0,10%. Se esta estimativa for confirmada, o IPC acumulado em 12 meses deve ficar em 6,5%. Com a previs\u00e3o de 0,10% para mar\u00e7o, o IPC-FIPE dever\u00e1 acumular, neste primeiro trimestre do ano, uma taxa de 0,44%. A previs\u00e3o para o segundo semestre \u00e9 de um \u00edndice oscilando em torno de 0,30% e 0,40%, devido aos reajustes das tarifas p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda pr\u00e9via do \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no Mercado (IGP-M), estimado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), e divulgada em 20\/03, registrou defla\u00e7\u00e3o de -0,05%. Considerando essa pr\u00e9via, o IGP-M acumula 1,54% neste ano e 13,5% em 12 meses. A previs\u00e3o para mar\u00e7o \u00e9 de que o IGP-M fique entre 0% e 0,20%, segundo Paulo Sidney Melo Cota, chefe do Centro de Estudos de Pre\u00e7os da FGV. Dos tr\u00eas \u00edndices que comp\u00f5em o IGP-M, o IPA-M (\u00cdndice de Pre\u00e7o no Atacado) foi o \u00edndice que sofreu maior queda, -0,37%. A defla\u00e7\u00e3o que o IPA-M vem registrando \u00e9 basicamente devido \u00e0 queda nos pre\u00e7os dos produtos agropecu\u00e1rios (bovinos, milho, caf\u00e9 em coco e feij\u00e3o). Em contrapartida, o IPC-M (\u00cdndice de Pre\u00e7o ao Consumidor) aumentou 0,31%, devido aos aumentos nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, das tarifas de transportes p\u00fablicos e de \u00e1gua e esgoto. Estes bens, hoje administrados por empresas privadas e com os pre\u00e7os liberados pelo setor p\u00fablico, tiveram aumentos sucessivos em seus pre\u00e7os, provocando perdas reais na renda do consumidor. De dezembro de 1999 a fevereiro de 2000, observamos uma queda acentuada no IGP-M: de 1,81% em dezembro, passa para 1,24% em janeiro, e cai ainda mais em fevereiro, 0,35%. Esta tend\u00eancia de queda acompanha a maioria dos demais \u00edndices (tabela 2.1).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-DI) tamb\u00e9m apresentou queda acentuada entre dezembro e fevereiro do corrente ano, caindo de 1,23% para 0,19%. Em fevereiro, os grupos que mais contribu\u00edram para a queda da infla\u00e7\u00e3o foram: Alimenta\u00e7\u00e3o (feij\u00e3o e frango), Vestu\u00e1rio, Despesas Pessoais e Gastos com Sa\u00fade. Por outro lado, os itens que mais pressionaram o \u00edndice para cima foram Transporte e Habita\u00e7\u00e3o. O IGP-DI acumulou 1,22% no ano.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio-Econ\u00f4micos (ICV-DIEESE), o \u00edndice de custo de vida no munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo teve alta de 1,19% em janeiro \u00faltimo, superando o \u00edndice de 0,80% em dezembro de 1999. A eleva\u00e7\u00e3o do \u00edndice foi resultado, principalmente, do aumento das mensalidades escolares, em torno de 8,24%. Os outros grupos que mais contribu\u00edram para o aumento do ICV foram: Sa\u00fade (1,10%), Habita\u00e7\u00e3o (0,97%) e Alimenta\u00e7\u00e3o (0,88%). Por\u00e9m, em fevereiro, foi detectada uma defla\u00e7\u00e3o de -0,20%, acompanhando o IPC da FIPE.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor da cesta b\u00e1sica aumentou em 12 das 16 capitais pesquisadas pelo DIEESE, em janeiro. A maior eleva\u00e7\u00e3o ocorreu em Fortaleza (8,01%), seguida de Belo Horizonte (5,95%) e Jo\u00e3o Pessoa (5,30%). As maiores quedas foram registradas em Porto Alegre (-2,12%), Curitiba (-1,53%) e Recife (-1,32%). Apesar de uma varia\u00e7\u00e3o mensal menor que a de outras capitais, 0,23%, a cidade de S\u00e3o Paulo apresentou, novamente, a cesta mais cara dentre as capitais inclu\u00eddas na pesquisa, R$ 112,22. Este total compromete cerca de 80% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Salvador \u00e9 a capital com o menor pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica, R$ 84,95.<\/p>\n\n\n\n<p>O valor da cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria, com os treze itens que a comp\u00f5e, custou R$ 94,73, exatamente R$ 2,00 a mais do que em dezembro, um aumento mensal de 2,12%. A cesta b\u00e1sica capixaba foi a d\u00e9cima mais cara do pa\u00eds e seu valor correspondeu a cerca de 70% do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Na varia\u00e7\u00e3o anual, Vit\u00f3ria apresentou o maior \u00edndice de corre\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica, 16,49%, seguida por Jo\u00e3o Pessoa, 13,66%, e Florian\u00f3polis, 12,16%. Segundo o DIEESE, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para atender as necessidades b\u00e1sicas de uma fam\u00edlia composta de quatro pessoas, em janeiro de 2000, deveria ser de R$ 942,76.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-49d0bdbf\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de Atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) cresceu apenas 0,82%. O crescimento de 8,99% na agropecu\u00e1ria e de 1,07% nos servi\u00e7os foi o respons\u00e1vel por este resultado, j\u00e1 que o setor industrial diminuiu -1,66%. Dentre os subsetores, o de lavouras apresentou uma alta de 11,26%; em seguida, destaca-se o de comunica\u00e7\u00f5es com acr\u00e9scimo de 8,64%. O subsetor de constru\u00e7\u00e3o (-3,6%) e o de transforma\u00e7\u00e3o (-1,25%) apresentaram resultados negativos.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa m\u00e9dia anual de crescimento do PIB na economia brasileira era de 5% ou mais antes da crise dos anos oitenta. Nos anos oitenta, essa taxa caiu para patamares pr\u00f3ximos a 2% e para menos de 2% nos anos noventa. Uma pol\u00edtica econ\u00f4mica, que promova um maior crescimento econ\u00f4mico, est\u00e1 sendo cada vez mais demandada pela sociedade brasileira, penalizada com a atual pol\u00edtica governamental. Este crescimento depende de taxas de juros menores, aumentos nos investimentos e prioridade ao capital produtivo, visando, naturalmente, a gera\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho. Um crescimento maior do PIB poder\u00e1 amenizar a situa\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho e das novas pessoas que ingressam na PEA.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre o 3\u00ba e 4\u00ba trimestre do ano de 1999, o PIB nacional cresceu 1,42%. Neste per\u00edodo, o setor industrial foi o grande respons\u00e1vel por este resultado crescendo 2,55%. O setor de servi\u00e7os tamb\u00e9m apresentou um bom desempenho, 1,30%. Em contrapartida, a agropecu\u00e1ria sofreu uma retra\u00e7\u00e3o de -1,37%. Os subsetores que mais se destacaram foram, comunica\u00e7\u00e3o (6,43%), com\u00e9rcio (5,67%) e o de transforma\u00e7\u00e3o (5,56%). Os piores \u00edndices foram constatados nos seguintes subsetores, produ\u00e7\u00e3o animal (-5,72%) e constru\u00e7\u00e3o (-2,63%).<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando o desempenho do IV trimestre de 1999 em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1998, encontramos um crescimento de 3,13% no PIB. O setor agropecu\u00e1rio, neste per\u00edodo, cresceu 14,87%, com destaque para as lavouras que cresceram 29,67%. A ind\u00fastria apresentou um resultado positivo da ordem de 3,27%, destacando-se a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o com um crescimento de 5,52%. Os servi\u00e7os apresentaram a menor taxa de crescimento (1,82%), apesar da varia\u00e7\u00e3o positiva de 6,30% do com\u00e9rcio.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial brasileira acumulada cresceu 5,4% em janeiro deste ano em rela\u00e7\u00e3o a janeiro do ano passado. Segundo a estimativa do IBGE todos os segmentos contribu\u00edram para este resultado positivo: bens de capital (6,3%), bens intermedi\u00e1rios (6,6%), bens de consumo (2,8%), dur\u00e1veis (9,4%) e semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis (1,3%). Entretanto, manteve praticamente o mesmo n\u00edvel de dezembro de 1999. A ind\u00fastria em geral diminuiu -0,1%, como resultado da queda na produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios (-1,1%). A produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo (0,8%) e a de bens de capital (2,2%) cresceu. Dentre os bens de consumo, os dur\u00e1veis cresceram 2,6% e os n\u00e3o dur\u00e1veis e semidur\u00e1veis, apenas 0,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do IBGE para o m\u00eas de dezembro de 1999, em rela\u00e7\u00e3o a novembro, mostram um crescimento de 3,1% na produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial, decorrente, principalmente, do aquecimento na demanda em fun\u00e7\u00e3o das festas de fim de ano. Os segmentos de bens de capital (4,6%) e bens intermedi\u00e1rios (2,75%) foram os principais respons\u00e1veis por esta eleva\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, entre os meses de janeiro de 2000 e dezembro de 1999, houve uma queda significativa no produto f\u00edsico industrial, fechando o per\u00edodo com -0,1%. O segmento de bens intermedi\u00e1rios foi o que apresentou maior queda, -1,1%. Os demais apresentaram varia\u00e7\u00f5es positivas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4fe63803\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade do Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito Santo apresentou, em 1999, um crescimento da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial maior do que a m\u00e9dia nacional (9,23%), mas iniciou o ano de 2000 com uma diminui\u00e7\u00e3o no ritmo de crescimento. A ind\u00fastria em geral cresceu 18,36% em novembro, 15,09% em dezembro e apenas 6,49% em janeiro de 2000, sempre em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano anterior. Esta queda decorreu da sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o no ritmo de crescimento da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. A taxa mensal de crescimento foi de 16,63% em novembro, 11,62% em dezembro e 2,48% em janeiro. Entretanto, a ind\u00fastria em geral acumula 9,58% de crescimento em doze meses e a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o 8,72% no per\u00edodo. Caso a tend\u00eancia observada no \u00faltimo trimestre continue, o resultado no final do ano poder\u00e1 ser decepcionante para a economia capixaba.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os principais g\u00eaneros da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, a qu\u00edmica que estava em queda no final do ano mostra uma sens\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o em janeiro de 2000. Em oposi\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria aliment\u00edcia n\u00e3o s\u00f3 diminui violentamente o ritmo, mas apresenta uma taxa negativa em janeiro. Os demais g\u00eaneros, apresentam duas tend\u00eancias diferentes, os minerais n\u00e3o-met\u00e1licos, a metalurgia e papel e papel\u00e3o melhoram o desempenho entre novembro e dezembro e diminuem a produ\u00e7\u00e3o em janeiro. Os t\u00eaxteis sofrem uma grande redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica em dezembro, mas recuperam o crescimento em janeiro. Pode-se observar que a extra\u00e7\u00e3o mineral, a metalurgia e o papel e papel\u00e3o s\u00e3o condicionados em sua maior parte pela demanda externa, enquanto a qu\u00edmica, t\u00eaxtil e produtos alimentares dependem principalmente da demanda interna.<\/p>\n\n\n\n<p>As vendas reais registradas pela ind\u00fastria no estado apresentaram queda nos meses de dezembro de 1999 e janeiro deste ano. As vendas cresceram 4,91% apenas em novembro de 1999, tabela 3.2. Os g\u00eaneros material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00e3o e material pl\u00e1stico, com taxas de 122,88% e 239,15%, respectivamente, foram os principais respons\u00e1veis por esse crescimento. Apesar desta varia\u00e7\u00e3o positiva, estes mesmos g\u00eaneros industriais apresentaram varia\u00e7\u00f5es negativas nos meses subsequentes, com taxas negativas de 27% e 80%.<\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2000, as vendas reais da ind\u00fastria capixaba ca\u00edram -3,05%. Esta queda pode ser explicada, por um lado, pelo desaquecimento do setor no per\u00edodo ap\u00f3s as vendas de fim de ano, e por outro, pela concess\u00e3o de f\u00e9rias coletivas por parte de algumas empresas. Os g\u00eaneros mec\u00e2nico (-70,29%), vestu\u00e1rio e cal\u00e7ados (-68,45%), material de transporte (-58,21%), couros e peles (-43,93%) e mobili\u00e1rio (-36,08%) foram os que apresentaram as maiores quedas. Entretanto, outros g\u00eaneros apresentaram resultados positivos, destacando-se a ind\u00fastria de perfumarias, sab\u00f5es e velas (60,92%), extrativa mineral (25,31%) e qu\u00edmica (4,50%).<\/p>\n\n\n\n<p>No acumulado em doze meses, a maioria dos g\u00eaneros apresentou taxas negativas de varia\u00e7\u00e3o nas vendas. Apenas cinco g\u00eaneros apresentaram um desempenho positivo: metal\u00fargica (36,27%), material el\u00e9trico e de comunica\u00e7\u00e3o (99,70%), mobili\u00e1rio (5,99%), papel e papel\u00e3o (36,10%) e qu\u00edmica (12,40%), que resultou em um crescimento de 17,43% para a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Este resultado, associado ao elevado desempenho da ind\u00fastria extrativa mineral (37,77%), propiciou o crescimento de 25,84% nas vendas reais acumuladas na ind\u00fastria capixaba nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O com\u00e9rcio capixaba continua enfrentando problemas com o crescente aumento de \u00edndice de inadimpl\u00eancia. Os dados de fevereiro do corrente ano, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 1999, mostram uma eleva\u00e7\u00e3o de 29,74% nas inclus\u00f5es de devedores junto ao Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC), mas uma baixa de 47,86%. De janeiro a fevereiro de 2000, o acr\u00e9scimo foi de 4,64% e a redu\u00e7\u00e3o foi de 6,44%. Nos dois primeiros meses do ano, foram registrados como inadimplentes no SPC 30.450 devedores e apenas 14.777 pessoas foram retiradas dos registros. O saldo l\u00edquido de novos inadimplentes, somente nos dois primeiros meses do ano foi de 15.673 devedores.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero de cheques n\u00e3o pagos tamb\u00e9m cresceu significativamente, 21,94% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro de 2000 e 20,27% em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro de 1999. Apesar da elevada taxa de baixas, principalmente na compara\u00e7\u00e3o a fevereiro de 1999, o saldo l\u00edquido de cheques inclu\u00eddos foi de 3.062 entre janeiro e fevereiro de 2000. Assim, o n\u00famero de inadimplentes registrado no CDL cresceu em 18.735 pessoas apenas nos dois primeiros meses do ano.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6e764dce\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) registrou, no m\u00eas de fevereiro de 2000, uma taxa de desemprego de 8,2%, um aumento de 0,6 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de janeiro e de 0,7 pontos em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro do ano passado. Este crescimento foi decorrente do crescimento de 1,1% na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa (PEA). O n\u00famero de pessoas ocupadas cresceu 0,5% e o das pessoas procurando trabalho, cresceu 8,3%. Entre fevereiro de 1999 e fevereiro deste ano, a PEA cresceu 4,1% em decorr\u00eancia do acr\u00e9scimo no n\u00famero de pessoas trabalhando (3,3%) e de pessoas procurando trabalho (13,5%).<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego, em fevereiro de 2000, aumentou em todas as seis capitais pesquisadas pelo IBGE. Em Recife o salto foi de 6,6% para 8,5%, em S\u00e3o Paulo, de 8,2% para 8,9% e em Belo Horizonte, de 8,4% para 8,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego realizada pelo DIEESE, para a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, o \u00edndice de desemprego em fevereiro de 2000 foi de 17,7% da PEA, a mesma taxa do m\u00eas anterior. Estima-se que existem 1,575 milh\u00e3o de desempregados na regi\u00e3o. A taxa de desemprego teve uma pequena redu\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas de fevereiro de 1999, por\u00e9m, apresentou um ligeiro crescimento de dezembro para c\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas, segundo o IBGE, seguiu o padr\u00e3o sazonal de in\u00edcio de ano, caindo em -7,2% de dezembro do ano passado para janeiro deste ano. Na compara\u00e7\u00e3o anual o movimento tamb\u00e9m foi de queda (-5%). Para o ano de 1999, verificou-se, tamb\u00e9m, uma queda de -5,5% no rendimento dos trabalhadores de todas as seis regi\u00f5es metropolitanas pesquisadas. Os trabalhadores por conta pr\u00f3pria tiveram seus rendimentos diminu\u00eddos em -7,3%, aqueles com carteira de trabalho assinada, -4,3% e os trabalhadores sem carteira assinada, -1,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>O Governo fixou, em 23 de mar\u00e7o, o novo sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional de R$ 151,00 atrav\u00e9s da medida provis\u00f3ria n\u00ba. 2.109. Tamb\u00e9m enviou para o Congresso Nacional uma lei complementar que permitir\u00e1 a volta dos sal\u00e1rios m\u00ednimos regionais. Ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o da lei, cada estado poder\u00e1 ter o seu sal\u00e1rio m\u00ednimo. Basta, para isso, ter a aprova\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa. Esta &#8216;sa\u00edda&#8217; permitiu que, por um lado, o governo jogasse a responsabilidade de novos aumentos para os governadores dos estados e, por outro, mantivesse os fundamentos de controle salarial e dos gastos governamentais tra\u00e7ados pelo FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>O piso nacional vigora a partir de 03 de abril e vale para todos os trabalhadores e para os benefici\u00e1rios da previd\u00eancia e da assist\u00eancia social. O novo valor gerou descontentamentos n\u00e3o s\u00f3 entre os partidos, mas, naturalmente, entre os trabalhadores. Segundo o economista Marcelo Neri, a equipe econ\u00f4mica calculou um gasto extra de R$ 2,952 bilh\u00f5es em 2000, para um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 160,00. Este sal\u00e1rio corresponderia a um aumento real de 10% e seria suficiente para tirar da pobreza 2,07 milh\u00f5es de brasileiros. Para cobrir esta despesa, os estudos do Professor M\u00e1rcio Pochmann indicam que uma redu\u00e7\u00e3o de apenas 0,3% na taxa b\u00e1sica de juros geraria uma economia de cerca de R$ 1,4 bilh\u00e3o na conta de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento na taxa de desemprego e a queda nos rendimentos reais do trabalho, acentuados pelo t\u00e9rmino das festas de fim de ano, continuam ampliando as s\u00e9rias desigualdades sociais no pa\u00eds. Fruto, em boa medida, de uma pol\u00edtica econ\u00f4mica recessiva, marcada por altas taxas de juros e privil\u00e9gio ao capital financeiro, o n\u00famero de desempregados continua refletindo as mazelas das medidas econ\u00f4micas que penalizam a sociedade brasileira desde a pol\u00edtica de liberaliza\u00e7\u00e3o iniciada nos anos noventa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-35c453bd\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial, estimado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo (IDEIES), apresentou, em fevereiro de 2000, um pequeno crescimento de 0,61% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de janeiro. Apesar de positivo, foi um percentual menor do que o verificado no m\u00eas de janeiro (0,88%). De dezembro para c\u00e1, houve uma relativa melhora nos indicadores da ind\u00fastria. Os setores que mais empregaram em fevereiro foram Outros (5,77%), que engloba os g\u00eaneros de couros e peles, produtos farmac\u00eauticos e veterin\u00e1rios e perfumarias, sab\u00f5es e velas; Constru\u00e7\u00e3o Civil (3,73%); Produtos Alimentares (2,68), e Minerais n\u00e3o-met\u00e1licos (1,80%). Esse desempenho pode ser explicado pelo aumento de produ\u00e7\u00e3o na maioria das empresas e no in\u00edcio de novas obras, no caso da constru\u00e7\u00e3o civil. Em contrapartida, as ind\u00fastrias que mais desempregaram no per\u00edodo foram: Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es (-9,61%): Bebidas (-3,11%), Mobili\u00e1rio (-2,54%): Madeira (-2,51%) e Mec\u00e2nica (-2,45%), tabela 4.2.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho positivo no n\u00edvel de emprego \u00e9 explicado, principalmente, pelas contrata\u00e7\u00f5es no parque das pequenas empresas que formam a base industrial do estado. O crescimento foi de 0,86% nas firmas de pequeno porte e 0,81% nas de grande porte. J\u00e1 as m\u00e9dias empresas apresentaram um resultado desfavor\u00e1vel, -0,21%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria do Esp\u00edrito Santo, segundo o IDEIES, ca\u00edram -15,34% em janeiro de 2000. Os setores que mais contribu\u00edram para esta queda foram o de Produtos Alimentares (-38,01%), Vestu\u00e1rios e Cal\u00e7ados (-29,41%), Mec\u00e2nico (-23,47) e Mobili\u00e1rio (-23,12%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra registrados pelo SINE (ES), tabela 4.3, mostram uma significativa eleva\u00e7\u00e3o no n\u00famero de pessoas cadastradas no in\u00edcio de 2000. Aumentou de 4.037 pessoas, em dezembro de 1999, para 6.219 pessoas em fevereiro. Esta m\u00e3o-de-obra cadastrada n\u00e3o est\u00e1 encontrando oportunidades suficientes de inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Isso pode ser constatado pela diminui\u00e7\u00e3o da taxa de aloca\u00e7\u00e3o (pessoas colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas oferecidas) que caiu de cerca de 40% em dezembro e janeiro para 34% em fevereiro. A taxa m\u00e9dia de aloca\u00e7\u00e3o acumulada em janeiro\/fevereiro de 2000, ficou em apenas 26,24%, contra 37,81% da acumulada no mesmo per\u00edodo de 1999. Apesar do cadastramento de 11.621 pessoas em janeiro e fevereiro de 2000, apenas 3.288 foram encaminhadas, representando 28% do total. Segundo informa\u00e7\u00f5es do SINE, o n\u00famero de inscritos inclui tamb\u00e9m as pessoas que fazem o requerimento do seguro-desemprego e que s\u00e3o cadastradas no mesmo sistema de intermedia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b17a3ec6\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o Banco Central, em Nota \u00e0 Imprensa de 16\/03\/00, a base monet\u00e1ria em fevereiro de 2000 teve um aumento de 0,1% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro, totalizando um saldo de R$ 41,92 bilh\u00f5es (tabela 5.1). O papel moeda emitido diminuiu -4,7% no mesmo per\u00edodo, apresentando um saldo de R$ 23,07 bilh\u00f5es. Os meios de pagamento tamb\u00e9m diminu\u00edram (-4,3%), apresentando uma redu\u00e7\u00e3o de R$ 2,45 bilh\u00f5es em seu saldo. As reservas banc\u00e1rias, entretanto, tiveram um incremento de 6,5%, em fevereiro de 2000, atingindo R$ 18,85 bilh\u00f5es de saldo, no conceito de final de per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os fatores condicionantes da base monet\u00e1ria, considerando-se os fluxos no m\u00eas, destacaram-se as opera\u00e7\u00f5es com o tesouro nacional, que foram contracionistas em R$ 1,38 bilh\u00e3o (tabela 5.2), e as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos &#8220;incluindo a atua\u00e7\u00e3o do Banco Central com o objetivo de ajustar a liquidez no mercado monet\u00e1rio&#8221; foram expansionistas em R$ 1,38 bilh\u00e3o. Ainda segundo o BCB, &#8220;no mercado prim\u00e1rio, ocorreram resgates l\u00edquidos de R$ 6,7 bilh\u00f5es de t\u00edtulos do Banco Central e coloca\u00e7\u00f5es l\u00edquidas de R$ 2,1 bilh\u00f5es de t\u00edtulos do Tesouro Nacional. No mercado secund\u00e1rio, as opera\u00e7\u00f5es apresentaram impacto contracionista de R$ 3,2 bilh\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3703849a\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>De acordo com o pacote de medidas implementado em outubro do ano passado, o BCB anunciou, no dia 14 de mar\u00e7o, a redu\u00e7\u00e3o do compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista de 65% para 55%, injetando aproximadamente R$ 3,4 bilh\u00f5es na economia a partir do final de mar\u00e7o. O objetivo do BCB \u00e9 for\u00e7ar uma redu\u00e7\u00e3o nas taxas de juros cobradas do tomador final. Com esse aumento na oferta dos meios de pagamento, procura-se aquecer a economia ofertando mais recursos para o cr\u00e9dito destinado a financiar o consumo. A redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros \u00e9 obtida atrav\u00e9s da diminui\u00e7\u00e3o do <em>spread<\/em> banc\u00e1rio &#8211; diferen\u00e7a entre o custo de capta\u00e7\u00e3o e o valor cobrado dos clientes. A Autoridade Monet\u00e1ria, atrav\u00e9s de redu\u00e7\u00f5es graduais na taxa de dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, espera chegar a uma taxa de 15% ou 20% no longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta \u00e0 medida tomada pelo BCB, os bancos iniciaram cortes em suas taxas de juros nas mais variadas modalidades de cr\u00e9dito. Entretanto, os cortes ainda s\u00e3o t\u00edmidos, as taxas de juros do cheque especial chegam a 13% ao m\u00eas, por exemplo. Assim, as taxas de juros ainda s\u00e3o muito altas, inviabilizando, dessa forma, uma verdadeira recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. A redu\u00e7\u00e3o na taxa pode ser obtida porque os bancos t\u00eam uma contrapartida em termos de receita. O dinheiro que antes ficava est\u00e9ril nos cofres do BC, ou seja, o dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, ao ser liberado migra para aplica\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos do Governo ou mesmo para empr\u00e9stimos aos clientes, de forma que o banco tem uma receita adicional com as remunera\u00e7\u00f5es dessas aplica\u00e7\u00f5es possibilitando assim a redu\u00e7\u00e3o na taxa de juros. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o no dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, o BCB reduziu a taxa b\u00e1sica de juros. Como esta diminui\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reflete na ponta do cr\u00e9dito, o resultado \u00e9 o aumento na taxa de lucro dos bancos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Banco Central continua divulgando as taxas de juros praticadas pelos bancos, como forma de promover a concorr\u00eancia e diminuir o <em>spread<\/em>. A tabela 5.3 mostra as taxas cobradas por alguns bancos, nas principais linhas de cr\u00e9dito em 03 e 17 de mar\u00e7o. Na modalidade cheque especial a maior taxa praticada no mercado \u00e9 a do Citibank S.A., 13,12% ao m\u00eas, j\u00e1 o Panamericano S.A. cobra a menor taxa, 1,82% ao m\u00eas. Com rela\u00e7\u00e3o ao cr\u00e9dito pessoal a Crefisa S.A cobra uma taxa 765% superior ao do Banco do Nordeste do Brasil S.A. que pratica a menor taxa do mercado, 1,7% ao m\u00eas. A varia\u00e7\u00e3o \u00e9 m\u00ednima nestas taxas, desde novembro do ano passado, demonstrando que as medidas tomadas ainda n\u00e3o apresentaram os resultados esperados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apreensivo em sua \u00faltima reuni\u00e3o, nos dias 21 e 22 de mar\u00e7o, o COPOM &#8211; Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria &#8211; manteve a taxa <em>Selic<\/em> em 19% ao ano, por\u00e9m, o vi\u00e9s que nos \u00faltimos seis meses era neutro, passou a ser de baixa. Considerando que a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem causado grandes sustos neste in\u00edcio de ano, h\u00e1 um certo excesso de cautela na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria ao manter a <em>Selic<\/em> em 19%. O principal argumento para tal atitude s\u00e3o os eventuais impactos negativos sobre os pre\u00e7os, os quais, podem ser causados tanto pelo reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo quanto pela escalada do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. Ap\u00f3s a reuni\u00e3o da OPEP que decidiu aumentar a produ\u00e7\u00e3o, o que reduziu o pre\u00e7o internacional do do petr\u00f3leo, o BCB reduziu a taxa <em>Selic<\/em> para 18,5% ao ano. Entretanto, ela continua ainda entre as maiores do mundo, em termos reais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3cd8834e\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo a avalia\u00e7\u00e3o do COPOM, &#8220;os indicadores de demanda agregada apresentam maior converg\u00eancia, sugerindo, desde dezembro de 1999, sinais mais n\u00edtidos de recupera\u00e7\u00e3o da economia&#8221;. Contudo, ao observarmos as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, houve contra\u00e7\u00e3o de -0,23% no m\u00eas de janeiro deste ano comparado a dezembro de 1999 (tabela 5.4). O resultado na varia\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos 12 meses \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o de -0,92% no saldo dos empr\u00e9stimos do sistema financeiro em final de per\u00edodo, um saldo de R$ 261,84 bilh\u00f5es. Do ponto de vista das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito, essa poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o aconteceu, pelo menos at\u00e9 o momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empr\u00e9stimos do sistema financeiro para o setor p\u00fablico diminu\u00edram -0,08% em janeiro e -23,41% em doze meses. O governo federal aumentou sua d\u00edvida no m\u00eas de janeiro em 3,25%, mas n\u00e3o foi suficiente para compensar o resultado negativo de -16,59% acumulado. Os governos estaduais e municipais, que j\u00e1 tinham diminu\u00eddo seus d\u00e9bitos em cerca de -30%, em dezembro de 1999, reduziram mais um pouco em janeiro, -0,86%. A d\u00edvida total do setor p\u00fablico para com o sistema financeiro apresentou um saldo de R$ 25,7 bilh\u00f5es em janeiro de 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>O setor privado \u00e9 tomador da maior parte do cr\u00e9dito do sistema financeiro. Mas, devemos destacar que, do total de R$ 236,1 bilh\u00f5es, R$ 78,9 bilh\u00f5es constituem cr\u00e9ditos do sistema nacional de habita\u00e7\u00e3o mais os cr\u00e9ditos subsidiados para a agricultura. Restam, ent\u00e3o 157,2 bilh\u00f5es de cr\u00e9ditos l\u00edquidos para a ind\u00fastria, com\u00e9rcio, pessoas f\u00edsicas e outros servi\u00e7os. Estes dados indicam um grau bastante reduzido de endividamento das empresas e fam\u00edlias no Brasil. Deste total, R$ 71,1 bilh\u00f5es foram emprestados para a ind\u00fastria, redu\u00e7\u00e3o de -0,56% no m\u00eas e aumento de 1,92% em doze meses, representando 45,2% dos cr\u00e9ditos l\u00edquidos efetuados no m\u00eas. O com\u00e9rcio reduziu em -3,43% o total de empr\u00e9stimos tomados no m\u00eas e os outros servi\u00e7os -0,13%. Somente as pessoas f\u00edsicas aumentaram suas d\u00edvidas com o sistema financeiro em janeiro de 2000. O resultado no m\u00eas foi de 2,05% e o acumulado em doze meses variou em 16,98%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empr\u00e9stimos para habita\u00e7\u00e3o representaram apenas 51% do saldo em dep\u00f3sitos de caderneta de poupan\u00e7a, que atingiram R$ 112,03 bilh\u00f5es em janeiro e ca\u00edram para R$ 111,3 bilh\u00f5es em fevereiro de 2000. Os dep\u00f3sitos de poupan\u00e7a representaram 19,45% do total dos haveres financeiros que atingiu R$ 572,1 bilh\u00f5es em fevereiro de 2000. A maior parte dos haveres financeiros est\u00e1 constitu\u00edda pelas aplica\u00e7\u00f5es nos FAF, FIF e FRF que acumularam um saldo do R$ 156,7 bilh\u00f5es. As aplica\u00e7\u00f5es do p\u00fablico n\u00e3o-financeiro, em t\u00edtulos federais, chegaram a R$ 145,3 bilh\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-215be483\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do governo central &#8220;acima da linha&#8221; foi superavit\u00e1rio em R$ 1,4 bilh\u00e3o no m\u00eas de fevereiro de 2000, como o Tesouro respondendo por um super\u00e1vit de R$ 2 bilh\u00f5es e a previd\u00eancia e o Banco Central apresentando d\u00e9ficit (tabela 6.1). Apesar deste mesmo resultado ter sido menor, caso comparados os dois primeiros meses do ano de 2000 com igual per\u00edodo de 1999, percebe-se que o Tesouro manteve seu desempenho. Tal resultado denota a continuidade da pol\u00edtica do governo federal de gera\u00e7\u00e3o de saldos positivos nas contas fiscais. Ressalte-se que esta estrat\u00e9gia s\u00f3 foi flexibilizada em dezembro passado, comportamento j\u00e1 esperado em fun\u00e7\u00e3o da sazonal eleva\u00e7\u00e3o de despesas caracter\u00edstica deste m\u00eas, bem como das previs\u00f5es de supera\u00e7\u00e3o da meta acertada com o FMI. O ano passado fechou com um super\u00e1vit nesta esfera de R$ 21,5 bilh\u00f5es, contra um d\u00e9ficit acumulado de R$ 5,4 bilh\u00f5es em 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o das receitas totais em 13,4%, especialmente as receitas administradas pelo tesouro, ampliadas em fun\u00e7\u00e3o de medidas referentes \u00e0 COFINS e ao imposto de renda explica o desempenho fiscal excepcional. A t\u00edtulo de exemplo, as receitas com a COFINS, que representam cerca de 20% do total da receita do tesouro, sofreram uma amplia\u00e7\u00e3o de 71% no ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise sobre pol\u00edtica fiscal efetuada pela Revista Conjuntura Econ\u00f4mica (mar\u00e7o\/00), destaca que, considerada em valores reais, a receita l\u00edquida do Governo Central cresceu 3,4% e as despesas prim\u00e1rias decresceram -9,4% (dados at\u00e9 nov\/99). Isto denota que a contribui\u00e7\u00e3o da contra\u00e7\u00e3o de gastos para a obten\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit foi superior ao que fazem crer os dados nominais.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita do Governo Central tanto no global quanto em termos l\u00edquidos, sofreu significativa queda de dezembro para fevereiro, em grande parte face aos efeitos de sazonalidade. Avaliando-se especificamente as receitas deste ano, observa-se que apesar do crescimento de seus valores nominais frente ao primeiro bimestre de 2000, estas reduziram sua participa\u00e7\u00e3o no PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>A Secretaria do Tesouro Nacional justifica este desempenho pelo comportamento &#8220;at\u00edpico&#8221; da receita no in\u00edcio do ano passado, momento em que ocorreu um volume significativo de quita\u00e7\u00f5es de d\u00e9bitos em atraso. Esta mesma raz\u00e3o explica o desempenho relativamente inferior das transfer\u00eancias aos estados e munic\u00edpios.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas totais, por outro lado, apesar de crescerem nominalmente ao comparar-se o primeiro bimestre de 2000 com igual per\u00edodo do ano passado, decaem em termos de percentual do PIB no global e em todos os itens destacados. O gasto com pessoal e encargos, especificamente, sofreu uma redu\u00e7\u00e3o de -21%, caso se compare o m\u00eas de fevereiro com o de janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange \u00e0 previd\u00eancia, a Secretaria do Tesouro Nacional tamb\u00e9m destaca que o governo j\u00e1 colhe frutos da reforma implementada nesta \u00e1rea, tendo conseguido reduzir a taxa de crescimento do estoque de benef\u00edcios no primeiro bimestre de 2000, apresentando um resultado est\u00e1vel. O d\u00e9ficit da previd\u00eancia no primeiro bimestre de 2000 reduziu-se frente ao resultado de 1999. A obsess\u00e3o do governo pela gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits \u00e9 o som monoc\u00f3rdio que se ouve em todas as suas iniciativas, subordinando todo o aparato do Estado \u00e0 esta l\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conson\u00e2ncia com o Plano de Estabiliza\u00e7\u00e3o Fiscal, o congresso aprovou no dia 21 de mar\u00e7o, a emenda constitucional que desvincula 20% das receitas or\u00e7ament\u00e1rias at\u00e9 2003 (DRU), um dos principais motivos da convoca\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria do Congresso em janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>No tocante ao governo central e segundo dados do BCB, verificou-se, no ano, um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 29 bilh\u00f5es (2,9% do PIB), contra um resultado de cerca de R$ 2,8 bilh\u00f5es em 1998, o que tamb\u00e9m reflete o esfor\u00e7o fiscal empreendido pelo governo. As despesas com juros, considerando a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, atingiram o montante de R$ 91,5 bilh\u00f5es em 1999, 69% maior que o valor pago em 1998 (tabela 6.2). Com isto o resultado prim\u00e1rio positivo converteu-se em um d\u00e9ficit nominal de R$ 62,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Se adotarmos a metodologia alternativa, excluindo-se os efeitos da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, os valores s\u00e3o atenuados, mas o d\u00e9ficit nominal se mant\u00e9m. A necessidade de financiamento dos juros nominais ficam deficit\u00e1rias em R$ 51,6 bilh\u00f5es, implicando em um resultado nominal deficit\u00e1rio de R$ 22,5 bilh\u00f5es. Observa-se, desse modo, que a elevada necessidade de recursos para financiar os juros nominais n\u00e3o tem sido compensada pelo super\u00e1vit prim\u00e1rio, o que est\u00e1 explicitado pelo resultado nominal em ambas as metodologias de c\u00e1lculo.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00eas de janeiro destaca-se do anterior por uma mudan\u00e7a em todos os resultados. O resultado prim\u00e1rio, que em dezembro de 1999 apresentou-se deficit\u00e1rio em R$ 316 milh\u00f5es, em janeiro, mostrou um crescimento de 569%, o que representa um super\u00e1vit de cerca de R$ 1,8 bilh\u00e3o. Este resultado deve-se ao brutal esfor\u00e7o fiscal do governo em manter-se em conson\u00e2ncia com metas acordadas com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado nominal, no entanto, n\u00e3o teve performance semelhante, tendo apresentado um d\u00e9ficit de R$ 1,18 bilh\u00e3o, decr\u00e9scimo de 144% em rela\u00e7\u00e3o a dezembro. Se calculado pela metodologia alternativa o d\u00e9ficit nominal cai para R$ 426 milh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 91% em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado nominal desfavor\u00e1vel do governo central, em janeiro, tem causa nos juros nominais, que retomaram o movimento de expans\u00e3o. Os recursos necess\u00e1rios para financi\u00e1-lo s\u00e3o da ordem de R$ 2,98 bilh\u00f5es pela metodologia tradicional e R$ 2,22 bilh\u00f5es, pela alternativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o setor p\u00fablico consolidado, o resultado prim\u00e1rio no conceito &#8220;abaixo da linha&#8221; e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, superavit\u00e1rio at\u00e9 ent\u00e3o, apresentou no \u00faltimo m\u00eas de 1999 um d\u00e9ficit de R$ 1,8 bilh\u00e3o, verificado possivelmente em fun\u00e7\u00e3o das proje\u00e7\u00f5es j\u00e1 efetuadas, as quais mais que garantiam o atendimento da meta acertada com o FMI. Fechou-se o ano de 1999 com um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 31,1 bilh\u00f5es (3,13% do Produto Interno Bruto), valor levemente superior ao crit\u00e9rio de desempenho fiscal acordado. O principal respons\u00e1vel por este resultado foi o governo central (Governo Federal, INSS, Banco Central e empresas estatais federais). Deve-se destacar, todavia, que os governos regionais e as estatais tamb\u00e9m apresentaram uma leve tend\u00eancia de super\u00e1vit, de 0,2% do PIB, apesar de n\u00e3o alcan\u00e7arem os n\u00edveis previstos pelo governo, de 0,4%. Neste sentido, a aprova\u00e7\u00e3o da Lei de Responsabilidade Fiscal, em tramita\u00e7\u00e3o no senado, assume papel de destaque para o governo, o que garantir\u00e1 uma maior adequa\u00e7\u00e3o das contas de estados e munic\u00edpios ao figurino do FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em termos consolidados, e como consequ\u00eancia da pol\u00edtica econ\u00f4mica em curso, manteve-se o elevado n\u00edvel de despesas l\u00edquidas com juros nominais, cujo valor atingiu R$ 127,2 bilh\u00f5es em dezembro, encerrando o ano com a cifra de R$ 127,2 bilh\u00f5es. Mesmo efetuando o ajuste metodol\u00f3gico utilizado pelo governo, as despesas com juros somam R$ 87,4 bilh\u00f5es, montante que supera em R$ 19 bilh\u00f5es o resultado de 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o deste comportamento dos juros o resultado nominal atingiu R$ 3 bilh\u00f5es em dezembro, totalizando um d\u00e9ficit nominal de R$ 96,1 bilh\u00f5es em 1999. Desconsiderados os efeitos do c\u00e2mbio, os juros chegaram a R$ 8,7 bilh\u00f5es em dezembro, comparativamente a R$ 3,8 bilh\u00f5es em novembro. No ano, os juros totalizaram R$ 87,4 milh\u00f5es. Nessa mesma metodologia, o resultado nominal apresentou um d\u00e9ficit de R$ 10,5 bilh\u00f5es em dezembro. Em 1999, o resultado foi deficit\u00e1rio em 5,6% do PIB (7,6% do PIB em 1998).<\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer de todo o ano de 1999 e nos primeiros meses de 2000, o governo vem controlando os movimentos de expans\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica, provenientes do comportamento do c\u00e2mbio, tentando contrabalan\u00e7\u00e1-la com o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico e com a leve redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros interna iniciada a partir de setembro. Com estas iniciativas, foi poss\u00edvel atingir um n\u00edvel de d\u00edvida de R$ 516,6 (D\u00edvida L\u00edquida do Setor P\u00fablico &#8211; DLSP), valor extremamente elevado, por\u00e9m inferior ao n\u00edvel fixado junto ao fundo. A rela\u00e7\u00e3o da d\u00edvida com o PIB (46,95%), adicionalmente, foi favorecida pela expans\u00e3o do PIB nominal, ocasionada pela infla\u00e7\u00e3o verificada no ano. Permanece, todavia, a forte depend\u00eancia do comportamento da d\u00edvida frente \u00e0 taxa de c\u00e2mbio e ao contexto internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O total de t\u00edtulos emitidos em fevereiro, que inclui os t\u00edtulos no mercado e em poder do Banco Central, atingiu o n\u00edvel R$ 527 bilh\u00f5es, representando uma queda de aproximadamente -1% em rela\u00e7\u00e3o a janeiro. A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal fora do Banco Central, ou seja, os t\u00edtulos no mercado, que v\u00eam confirmando a tend\u00eancia de alta desde o in\u00edcio do ano passado, registra, em fevereiro, um montante de R$ 434 bilh\u00f5es. O tesouro vem buscando, nos \u00faltimos meses, implementar uma pol\u00edtica de alongamento do perfil da d\u00edvida p\u00fablica por meio de uma maior emiss\u00e3o de LTN, de prazo mais longo, e menos LFT, al\u00e9m de tentar reduzir a participa\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is cambiais. Todavia, quanto \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o dessa pol\u00edtica, o que se pode observar, durante os \u00faltimos meses, \u00e9 apenas uma leve participa\u00e7\u00e3o das LTNs no total da d\u00edvida mobili\u00e1ria, tendo um crescimento de 9,9% para 10,9%, entre janeiro e fevereiro, quando se colocou no mercado mais de R$ 4 bilh\u00f5es dessas letras. Quanto aos pap\u00e9is indexados pelo c\u00e2mbio, neste mesmo per\u00edodo, tiveram sua participa\u00e7\u00e3o reduzida no total da d\u00edvida de 23,5% para 22,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de alongamento da d\u00edvida tem sido considerada extremamente t\u00edmida por alguns bancos e institui\u00e7\u00f5es financeiras, que consideram que o Tesouro Nacional n\u00e3o est\u00e1 aproveitando a oportunidade de realizar, com maior rapidez, a troca de t\u00edtulos p\u00f3s-fixados pelos pr\u00e9-fixados. O coordenador-geral-adjunto da d\u00edvida p\u00fablica federal, Marcos Aucelo (Gazeta Mercantil, 11\/03), responde a essas cr\u00edticas dizendo que a rapidez no processo pode significar um custo maior para o governo, uma vez que existem expectativas de queda da taxa de juros nos pr\u00f3ximos meses, o que significaria que os portadores de t\u00edtulos pr\u00e9-fixados ganhariam mais do que os que investiram em p\u00f3s-fixados.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal expectativa veio a se confirmar no \u00faltimo dia 28\/03, quando o governo central reduziu em 0,5% a taxa b\u00e1sica de juros (<em>Selic<\/em>), de 19% para 18,5%, que j\u00e1 era esperado pelos operadores no mercado financeiro. Mas n\u00e3o foi somente a taxa b\u00e1sica que sofreu redu\u00e7\u00e3o, mas a participa\u00e7\u00e3o, em fevereiro, dos t\u00edtulos indexados \u00e0 taxa <em>over-Selic<\/em>, de 61,2% para 60,6%.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-17781bda\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Brasil encerrou o m\u00eas de mar\u00e7o com um saldo de US$ 42,0 milh\u00f5es na balan\u00e7a comercial. Com este resultado, o saldo acumulado no primeiro trimestre do ano \u00e9 de apenas US$ 26 milh\u00f5es. Apesar disso, o resultado \u00e9 muito melhor do que o obtido no primeiro trimestre do ano passado quando acumulou um d\u00e9ficit de US$ 816 milh\u00f5es. O saldo da balan\u00e7a comercial \u00e9 o resultado de US$ 4,472 bilh\u00f5es de exporta\u00e7\u00f5es menos US$ 4,430 bilh\u00f5es de importa\u00e7\u00f5es, realizadas no m\u00eas de mar\u00e7o. Em fevereiro, o saldo da balan\u00e7a comercial foi de US$ 78,0 milh\u00f5es e negativo em US$ 94,0 milh\u00f5es, em janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho da balan\u00e7a comercial brasileira tem sido afetado pelos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e pela revaloriza\u00e7\u00e3o do real neste in\u00edcio de ano. O aumento na produ\u00e7\u00e3o, decidido pela OPEP, dever\u00e1 amenizar o peso do petr\u00f3leo nas importa\u00e7\u00f5es e a interven\u00e7\u00e3o do Banco Central no mercado de c\u00e2mbio desvalorizou em parte o real. Entretanto, a taxa de c\u00e2mbio dever\u00e1 aumentar ainda mais para que as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras possam ganhar maior competitividade externa. Enfim, a meta de um super\u00e1vit de US$ 5,0 bilh\u00f5es em 2000 dificilmente ser\u00e1 alcan\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os acumulou, no primeiro bimestre do ano, um d\u00e9ficit de US$ 2,437 bilh\u00f5es. US$ 1,57 bilh\u00f5es de remessa l\u00edquida de juros e US$ 867 milh\u00f5es das demais contas. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1999, o d\u00e9ficit da conta de servi\u00e7os diminuiu em US$ 608 milh\u00f5es, decorrente da redu\u00e7\u00e3o nas remessas de lucros e nas despesas com viagens internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit nas transa\u00e7\u00f5es correntes foi amplamente coberto pela capta\u00e7\u00e3o de recursos externos. O ingresso total de capitais estrangeiros no per\u00edodo totalizou US$ 16,719 bilh\u00f5es. Deste total, US$ 8,490 bilh\u00f5es ingressaram a t\u00edtulo de investimentos, US$ 5,525 a t\u00edtulo de empr\u00e9stimos em moeda, US$ 1,653 bilh\u00e3o para financiamentos e o restante para <em>leasing<\/em>, aluguel e pagamento antecipado de exporta\u00e7\u00f5es. Do total de investimentos, US$ 4,758 bilh\u00f5es entraram na forma de IED&#8217;s (Investimentos Estrangeiros Diretos) e US$ 3,406 bilh\u00f5es na conta de portf\u00f3lio.<\/p>\n\n\n\n<p>O BCB contabilizou sa\u00eddas l\u00edquidas de US$ 1,9 bilh\u00e3o em IED, US$ 263 milh\u00f5es nos investimentos em <em>portfolio<\/em>, US$ 1,2 bilh\u00e3o no pagamento l\u00edquido de financiamentos, US$ 467 milh\u00f5es em amortiza\u00e7\u00f5es e sa\u00edda l\u00edquida de US$ 478 milh\u00f5es de capital a curto prazo. Assim, as sa\u00eddas totais atingiram apenas US$ 4,308 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas internacionais do Brasil eram, em fevereiro desse ano, de US$ 37,59 e US$ 38,36 bilh\u00f5es, respectivamente, nos conceitos de caixa e de liquidez internacional (tabela 7.4). O primeiro inclui os haveres prontamente dispon\u00edveis e o segundo, cr\u00e9ditos de exporta\u00e7\u00f5es e outros haveres de m\u00e9dio e longo prazos. A tabela 7.3 mostra que as reservas internacionais vem-se recuperando gradativamente desde o m\u00eas de dezembro de 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa brasileira apresentou uma pequena redu\u00e7\u00e3o em janeiro de 2000, caindo de US$ 241,21 bilh\u00f5es em dezembro, para US$ 240,64 bilh\u00f5es. Ela cresceu significativamente entre 1997 e 1998, quando passou de US$ 199,99 bilh\u00f5es para US$ 241,78 bilh\u00f5es e diminuiu para US$ 212,60 bilh\u00f5es, em 1999. A composi\u00e7\u00e3o entre o setor p\u00fablico e o setor privado vem mudando gradativamente. Em 1997, o setor p\u00fablico era respons\u00e1vel por 42,85% da d\u00edvida externa total e o setor privado, por 57,15%, em janeiro de 2000, a participa\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico cai para 41,62% e a do setor privado aumenta para 58,38%.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o &#8220;Eu acho que (o sal\u00e1rio m\u00ednimo) \u00e9 muito pouco. Todos n\u00f3s achamos que \u00e9 muito pouco&#8221;, afirmou Ruth. A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":487,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3933","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletins"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Camila Amaral Dias","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/author\/camila_amaral-dias\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apresenta\u00e7\u00e3o &#8220;Eu acho que (o sal\u00e1rio m\u00ednimo) \u00e9 muito pouco. Todos n\u00f3s achamos que \u00e9 muito pouco&#8221;, afirmou Ruth. A [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3933","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/487"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3933"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3933\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3934,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3933\/revisions\/3934"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3933"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3933"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3933"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}