{"id":3935,"date":"2000-05-24T12:41:00","date_gmt":"2000-05-24T15:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3935"},"modified":"2025-11-24T12:53:13","modified_gmt":"2025-11-24T15:53:13","slug":"boletim-no-14-maio-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-14-maio-2000\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 14 &#8211; Maio 2000"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-69843ff6 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-42673dc0\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Nos primeiros meses do ano, o governo de FHC tem obtido diversas vit\u00f3rias no campo pol\u00edtico. Aprovou, no in\u00edcio de janeiro, a Desvincula\u00e7\u00e3o de Receitas da Uni\u00e3o, na ordem de R$ 41,0 bilh\u00f5es; a medida provis\u00f3ria 2.019 fixando o sal\u00e1rio m\u00ednimo em R$ 151,00, mesmo gerando algumas insatisfa\u00e7\u00f5es em sua base de apoio; aprovou e sancionou, em 04\/05\/00, a lei, n\u00ba 101\/00, conhecida como Lei de Responsabilidade Fiscal; e cortou R$ 7,5 bilh\u00f5es em verbas no or\u00e7amento aprovado pelo Congresso Nacional para 2000.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade, reprimiu as manifesta\u00e7\u00f5es dos ind\u00edgenas, do MST e de outros grupos durante a comemora\u00e7\u00e3o dos 500 anos, em Porto Seguro. Permitiu a escalada da repress\u00e3o aos movimentos sociais que culminaram com a tentativa de ressurrei\u00e7\u00e3o da lei de seguran\u00e7a nacional e com um manifestante do MST morto no Paran\u00e1. Parte dos servidores p\u00fablicos federais, insatisfeitos com o arrocho salarial, encontra-se em greve reivindicando reajustes salariais. Professores, funcion\u00e1rios e estudantes das Universidades estaduais paulistas tamb\u00e9m se encontram em greve.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima pesquisa de opini\u00e3o reafirma a insatisfa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, conferindo a este governo um dos seus mais baixos \u00edndices de popularidade. Contra a manifesta\u00e7\u00e3o desse conjunto de insatisfa\u00e7\u00f5es, decorrente da degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais, o presidente considerou-as como manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Quando o IBGE divulgou os indicadores sociais, mostrando que 1% da popula\u00e7\u00e3o mais rica recebia 13,8% da renda nacional, e os 50% mais pobres recebiam apenas 13,5% dessa renda. Que o sal\u00e1rio m\u00e9dio dos 10% de renda mais alta era de cerca de R$ 2.500,00 e a dos 40% mais pobres de R$ 125,00, o Presidente comentou que estamos apenas &#8220;menos mal&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, no 2\u00ba F\u00f3rum Global Estado Democr\u00e1tico e Governan\u00e7a no S\u00e9culo 21, o Presidente FHC afirma que &#8220;O governo n\u00e3o faz (referindo-se \u00e0 concess\u00e3o de reajuste) porque n\u00e3o quer ou porque \u00e9 mau. Com a infla\u00e7\u00e3o, tudo isso ficou mais ou menos embara\u00e7ado e era poss\u00edvel seguir adiante sem muita responsabilidade fiscal. Hoje isso j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel&#8221; (JB, 30\/05\/00). Assim, reafirma o discurso de que n\u00e3o existem escolhas e escamoteia a escolha efetivamente realizada, de que o \u00fanico caminho poss\u00edvel \u00e9 o ajuste fiscal nos moldes do acordo celebrado com o FMI. Com isso, tamb\u00e9m esconde os benefici\u00e1rios dessa decis\u00e3o, o grande capital nacional e internacional, em especial aqueles canalizados para a esfera financeira da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse discurso o governo central produziu, em abril, mais um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 3,892 bilh\u00f5es e acumulou um saldo positivo de R$ 10,961 bilh\u00f5es, nos quatro primeiros meses do ano. Assim, j\u00e1 conseguiu cerca de 50% do resultado prim\u00e1rio previsto em R$ 36,770 bilh\u00f5es, no acordo com o FMI. Al\u00e9m do mais, continuando a pol\u00edtica de ajuste fiscal, o Presidente sancionou a Lei de Responsabilidade Fiscal, cuja aplica\u00e7\u00e3o implicar\u00e1 em fortes redu\u00e7\u00f5es nos gastos p\u00fablicos, principalmente aos destinados \u00e0 folha de pagamentos, e dever\u00e1 produzir super\u00e1vits prim\u00e1rios ainda mais elevados. Seus efeitos dever\u00e3o ser t\u00e3o restritivos que muitos duvidam de sua plena aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado de t\u00e3o importante esfor\u00e7o fiscal \u00e9 utilizado para o pagamento da conta de juros da d\u00edvida p\u00fablica. Essa conta, para o setor p\u00fablico consolidado, chegou a cerca de R$ 20,0 bilh\u00f5es, de janeiro a mar\u00e7o. Nesse ritmo dever\u00e1 ultrapassar a casa dos R$ 80,0 bilh\u00f5es at\u00e9 o final do ano. Pois, apesar da taxa b\u00e1sica de juros ter sido reduzida para 18,5% na reuni\u00e3o do COPOM, em abril, a taxa efetivamente paga nos leil\u00f5es de t\u00edtulos e no <em>open market<\/em> tem ultrapassado os 20% ao ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar o quadro otimista do governo, os indicadores de produ\u00e7\u00e3o e de vendas das \u00faltimas semanas est\u00e3o mostrando uma recupera\u00e7\u00e3o na atividade econ\u00f4mica em n\u00edveis bastante significativos. Entretanto, esse otimismo esbarra na volatilidade e na instabilidade crescente dos mercados financeiros, na pol\u00edtica monet\u00e1ria americana e na press\u00e3o para a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Enfrenta, tamb\u00e9m, as restri\u00e7\u00f5es da balan\u00e7a comercial que, apesar da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, teima em n\u00e3o apresentar os resultados esperados. A meta inicial de um super\u00e1vit de US$ 5,0 bilh\u00f5es j\u00e1 foi descartada, &#8220;funcion\u00e1rios do governo j\u00e1 admitem a revis\u00e3o da meta para algo entre US$ 3 bilh\u00f5es e US$ 4 bilh\u00f5es&#8221; (FSP, 30\/05\/00). O super\u00e1vit acumulado, at\u00e9 a quarta semana de maio, atingiu US$ 545 milh\u00f5es, dos quais US$ 390,0 milh\u00f5es correspondem \u00e0s opera\u00e7\u00f5es da VASP e da TAM, decorrente da devolu\u00e7\u00e3o ou envio de avi\u00f5es para manuten\u00e7\u00e3o, que tinham sido registrados como importa\u00e7\u00f5es. Esse resultado mostra a completa irrealidade das pretens\u00f5es governamentais, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 balan\u00e7a comercial. Principalmente porque o segundo semestre sempre costuma apresentar saldos menores do que o primeiro. Al\u00e9m das turbul\u00eancias financeiras do mercado americano e da press\u00e3o decorrente do pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo, os efeitos da crise Argentina poder\u00e3o se refletir na redu\u00e7\u00e3o das transa\u00e7\u00f5es comerciais e no ingresso de capitais estrangeiros. As necessidades de financiamento externo, definidas como a soma do saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes com o investimento estrangeiro direto, t\u00eam-se reduzido neste in\u00edcio de ano. Caiu de 1,59% do PIB, em janeiro, para 0,86% em abril, podendo continuar a sua trajet\u00f3ria de queda.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tudo isso, o governo federal utiliza ao limite os recursos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, para tornar politicamente sustent\u00e1vel seu projeto de inser\u00e7\u00e3o subordinada ao sistema internacional. Evidencia os resultados positivos alcan\u00e7ados e justifica a ado\u00e7\u00e3o de medidas fiscais duras em fun\u00e7\u00e3o da premente necessidade de instaura\u00e7\u00e3o de uma pretensa moralidade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os elementos concretos, todavia, op\u00f5em discurso e realidade. O cont\u00ednuo e certo desmantelamento da capacidade m\u00ednima do Estado em atender \u00e0 sociedade, em suas demandas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, previd\u00eancia e assist\u00eancia social, \u00e9 apresentado como um avan\u00e7o. A privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais, que consistiu apenas na transfer\u00eancia do patrim\u00f4nio p\u00fablico para o setor privado, financiado com recursos p\u00fablicos, \u00e9 defendida em nome da inefici\u00eancia do Estado. O preju\u00edzo do Banco Central com o PROER e com a ajuda aos especuladores no mercado financeiro n\u00e3o aparece nas contas p\u00fablicas, pois foi coberto com a emiss\u00e3o de t\u00edtulos de d\u00edvida do Tesouro Nacional. Os impactos negativos da pol\u00edtica econ\u00f4mica sobre o crescimento do PIB e do emprego s\u00e3o mantidos em nome da estabilidade monet\u00e1ria. At\u00e9 que ponto, tal dissocia\u00e7\u00e3o, pode ser assimilada pela sociedade?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-51896339 uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Mestrado em Economia<br \/>Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Economia<br \/>Departamento de Economia UFES<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de Estudos e Pesquisas em COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores:<\/strong> Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Professores pesquisadores:<\/strong> Maur\u00edcio de Souza Sabadini e Neide C\u00e9sar Vargas<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero:<\/strong> Andr\u00e9 Luiz Coelho Nascimento, Andressa Buss Rocha, Anne Marie Boudou, Elaine Delpupo, \u00c9rika Rosa dos Santos, Everlan Montibeler, Fernanda Carla Bada Rubim, Jailson Argentino de Boni, Juez Ferreira da Silva, Kelly Machado Premoli, Marcelo Alves de Morais, Maria Aparecida Alves dos Santos, Oberdan Pandolfi Ermita, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Tyago Ribeiro Hoffmann, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste N\u00famero:<\/strong>Angela Maria Morandi<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0bi1IcUx1RWJ0cEU\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-Mz69kZTuUhOg294rOkcH-g\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original desta publica\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-ebd16934 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-e71ada93\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">O Check-up em xeque<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o presidente do Banco Central, Arminio Fraga, os fundamentos da economia brasileira h\u00e1 muito n\u00e3o se encontram em situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o confi\u00e1vel. Com o crescimento de 3,08% do PIB no primeiro trimestre comparado ao mesmo per\u00edodo do ano passado, acompanhado de uma ligeira queda, no \u00faltimo m\u00eas, da taxa de desemprego medida pelo IBGE, e com o setor p\u00fablico registrando super\u00e1vits prim\u00e1rios mensais crescentes, indicando que a meta de R$ 29 bilh\u00f5es acordada com o FMI poder\u00e1 ser atingida sem dificuldades, as expectativas dos agentes econ\u00f4micos t\u00eam sido contagiadas por esses resultados, prenunciando um ano bem mais favor\u00e1vel do que inicialmente se supunha. Para ele, um cen\u00e1rio mais r\u00f3seo do que este s\u00f3 precisaria contar com um melhor desempenho da balan\u00e7a comercial, cujo saldo at\u00e9 a terceira semana de maio n\u00e3o ultrapassou a casa dos US$ 400 milh\u00f5es. Por tudo isso, segundo seus argumentos, se feito um check-up da economia brasileira, n\u00e3o haveria d\u00favidas de que lhe seria atribu\u00eddo grau 10, indicador de sua vitalidade econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>O economista Arminio Fraga que examina otimista o estado de sa\u00fade e de confian\u00e7a da economia brasileira \u00e9 quem preside o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), ao qual cabe decidir sobre o n\u00edvel da taxa b\u00e1sica de juros no Brasil (a Selic). Na sua \u00faltima reuni\u00e3o, realizada no dia 24 de maio, o Comit\u00ea optou, apesar das declara\u00e7\u00f5es de seu presidente, por rejeitar a proposta de uma nova redu\u00e7\u00e3o nos juros b\u00e1sicos e por mant\u00ea-los no n\u00edvel de 18,5%, justificando sua posi\u00e7\u00e3o pela absoluta necessidade de se manter uma prudente cautela num momento em que o c\u00e2mbio se encontra pressionado. A economia argentina continua a desabar e permanece a amea\u00e7a de que os juros norte-americanos possam conhecer nova eleva\u00e7\u00e3o na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Fed (o banco central dos EUA), diante da constata\u00e7\u00e3o de que persiste uma forte press\u00e3o sobre o n\u00edvel de pre\u00e7os de sua economia. Ora, se os fundamentos da economia brasileira estivessem t\u00e3o s\u00f3lidos, a ponto de receber grau 10, como sugerido pelo presidente do Banco Central, esse excesso de prud\u00eancia seria dispens\u00e1vel, porque, na pr\u00e1tica, ela nada mais \u00e9 do que o reflexo da extrema vulnerabilidade externa a que se encontra submetida a economia brasileira. Esse \u00e9 o ponto nevr\u00e1lgico que passou despercebido no <em>check-up<\/em> realizado, propiciando conclus\u00f5es precipitadas sobre a solidez de seus fundamentos e sobre suas perspectivas de crescimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo se esse diagn\u00f3stico estivesse correto &#8211; o que n\u00e3o \u00e9 o caso &#8211; o otimismo de Fraga n\u00e3o se justificaria porque permaneceria a trava posta para o crescimento econ\u00f4mico, em virtude das metas externas e internas acertadas pelo pa\u00eds com o FMI. Para atingi-las, o mercado interno tem de ser mantido desaquecido e os super\u00e1vits prim\u00e1rios gerados pelo governo desempenham papel crucial nessa quest\u00e3o para garantir excedentes export\u00e1veis crescentes e importa\u00e7\u00f5es declinantes, com o objetivo de obter os resultados estabelecidos para a balan\u00e7a comercial e a balan\u00e7a de transa\u00e7\u00f5es correntes. Por isso, pequenos surtos de expans\u00e3o &#8211; como o que vem sendo registrado neste semestre &#8211; terminam tendo de ser interrompidos, ao estilo da pol\u00edtica <em>stop and go<\/em>, para que o pa\u00eds cumpra o seu &#8220;dever de casa&#8221;. Com esse grau de depend\u00eancia e submetido a um processo de &#8220;monitoramento&#8221; externo, a sa\u00fade da economia brasileira n\u00e3o pode se encontrar nas condi\u00e7\u00f5es apontadas por Fraga. Para isso, seria necess\u00e1rio romper com essas travas, recuperar a autonomia na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, e redefinir novos rumos para o pa\u00eds. Como n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00f5es de que se caminhar\u00e1, t\u00e3o cedo, nessa dire\u00e7\u00e3o, o <em>check-up<\/em> apresentado n\u00e3o passa de um novo jogo de ilus\u00f5es que o governo tenta novamente vender para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-5e8845ed\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os principais indicadores de pre\u00e7os mostram que a infla\u00e7\u00e3o manteve-se em n\u00edveis bastante baixos nos quatro primeiros meses do ano. O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) diminuiu de 0,13%, em mar\u00e7o, para 0,09% em abril de 2000. Este \u00edndice acumulou 0,88%, no ano, e apenas 5,44%, em doze meses. O INPC \u00e9 estimado pelo IBGE e inclui fam\u00edlias com renda mensal de at\u00e9 oito sal\u00e1rios m\u00ednimos, sendo a pesquisa realizada em nove regi\u00f5es metropolitanas mais o Distrito Federal e o munic\u00edpio de Goi\u00e2nia. Os grupos que mais pressionaram para o aumento no \u00edndice foram Despesas Pessoais (1,56%), Vestu\u00e1rio (0,61%) e Transportes (0,47%). Os itens que mais pressionaram os pre\u00e7os para cima foram tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes (4,64%) e servi\u00e7os pessoais (4,19%). Por outro lado, os itens com taxas negativas foram as aves e ovos (-4,95%) e cereais, leguminosas e oleaginosas (-2,97%).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as regi\u00f5es pesquisadas pelo IBGE, Porto Alegre foi a que apresentou a maior alta no \u00edndice (0,26%), seguida por Goi\u00e2nia (0,20%) e Rio de Janeiro (0,19%). Em Porto Alegre, os principais grupos respons\u00e1veis pelo aumento no \u00edndice foram as Despesas Pessoais (1,30%) e a Educa\u00e7\u00e3o (0,64%). A regi\u00e3o metropolitana de Recife foi a \u00fanica que apresentou uma redu\u00e7\u00e3o (-0,30%) e os grupos que mais contribu\u00edram para isso foram os de Alimenta\u00e7\u00e3o e Bebidas (-1,04%) e de Educa\u00e7\u00e3o (-1,07%).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) \u00e9 o \u00edndice que estima a infla\u00e7\u00e3o para fam\u00edlias com renda de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos. A pesquisa \u00e9 realizada nas mesmas regi\u00f5es que o INPC. O IPCA tinha diminu\u00eddo de 0,62%, em janeiro, para 0,13%, em fevereiro, por\u00e9m, em mar\u00e7o e abril, saltou para 0,22% e 0,42%, respectivamente. Esta evolu\u00e7\u00e3o mostra uma ligeira tend\u00eancia de alta. Apesar disso, o \u00edndice acumulou apenas 1,40%, no ano, e 6,77%, em doze meses. As regi\u00f5es que apresentaram os maiores aumentos no m\u00eas foram Goi\u00e2nia (0,62%), Porto Alegre (0,52%) e S\u00e3o Paulo (0,48%). Todas demais regi\u00f5es apresentaram varia\u00e7\u00e3o positiva nos pre\u00e7os, ao contr\u00e1rio do m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grupos que mais pressionaram o aumento nos pre\u00e7os foram as Despesas Pessoais (3,55%), o Vestu\u00e1rio (0,72%) e os Transportes (0,51%). O primeiro grupo aumentou 4,83%, em Goi\u00e2nia, 4,35%, em Bel\u00e9m, e 4,28%, em Salvador. O segundo aumentou 1,45%, em Goi\u00e2nia, 1,27%, em Bel\u00e9m, 1,13%, em S\u00e3o Paulo, e 1,11%, em Belo Horizonte. O terceiro grupo, Transportes, aumentou 1,28%, no Rio de Janeiro, 0,94%, em Goi\u00e2nia, e 0,62%, em Porto Alegre. Da mesma forma que para o INPC, os itens que mais contribu\u00edram para o aumento do IPCA foram os servi\u00e7os pessoais (6,62%) e tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes (4,92%). Os itens que apresentaram quedas de pre\u00e7os foram aves e ovos (-4,94%), cereais, leguminosas e oleaginosas (-2,84%) e hortali\u00e7as e verduras (-2,25%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00edndices mais amplos como o \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os &#8211; Disponibilidade Interna (IGP-DI) &#8211; e o \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no Mercado (IGP-M) ca\u00edram em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, apesar de serem maiores do que os \u00edndices de pre\u00e7os ao consumidor, no total acumulado em doze meses. Esses \u00edndices, estimados pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV-RJ), s\u00e3o compostos pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), \u00cdndice de pre\u00e7os no Atacado (IPA) e \u00cdndice Nacional da Constru\u00e7\u00e3o Civil (INCC).<\/p>\n\n\n\n<p>O IGP-DI caiu de 0,18%, em mar\u00e7o, para 0,13%, em abril de 2000. Este \u00edndice acumulou 1,53%, no ano, e 13,05%, em 12 meses. O IGP-M aumentou de 0,15%, em mar\u00e7o, para 0,23%, em abril. Ele acumulou 1,99%, no ano, e 13,20%, em doze meses. Estes \u00edndices ainda refletem a press\u00e3o, do in\u00edcio do ano passado, no \u00edndice de pre\u00e7os no atacado, no total acumulado em doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor estimado para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (IPC-FIPE) diminuiu de 0,23%, em mar\u00e7o, para 0,09%, em abril. O total acumulado no ano foi de apenas 0,66%, acumulando 6,20% em doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Custo de Vida do DIEESE (ICV-DIEESE) apresentou uma significativa queda de -0,49%, saindo de 0,77%, em mar\u00e7o, para 0,29%, em abril. O acumulado nos quatro primeiros meses do ano e nos \u00faltimos doze meses foi de 2,05% e 7,86%, respectivamente. Segundo o boletim divulgado pelo DIEESE, a taxa apurada no m\u00eas de abril revelou uma certa estabilidade nos pre\u00e7os. Esta estabilidade foi determinada pelas menores altas nos grupos Sa\u00fade (0,16%) e Transportes (0,55%), em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Tamb\u00e9m foi importante a queda no grupo Alimenta\u00e7\u00e3o (-0,18%), devido exclusivamente aos fatores sazonais.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo a tend\u00eancia mostrada nos \u00faltimos boletins, o maior pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica, no m\u00eas de abril, encontra-se em S\u00e3o Paulo, R$ 115,92. Logo em seguida v\u00eam Curitiba (R$ 111,61) e Bras\u00edlia (R$ 110,47). Em Curitiba houve um aumento de 4,53% entre os meses de mar\u00e7o e abril deste ano, a maior alta entre todas as capitais. Em Bras\u00edlia o aumento foi de 1,65%, Jo\u00e3o Pessoa e Natal apresentaram as maiores quedas, -6,03% e -5,95%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparamos o m\u00eas de abril de 2000 com o mesmo m\u00eas do ano passado, observamos que os pre\u00e7os das cestas b\u00e1sicas aumentaram em todas as capitais. A varia\u00e7\u00e3o anual no pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica coloca Curitiba em primeiro lugar, um aumento de 13,78%, seguida por Belo Horizonte, 13,29%, Rio de Janeiro, 12,51%, e Bel\u00e9m, 12,42%. A menor varia\u00e7\u00e3o anual foi de Natal, com 1,10%, de aumento.<\/p>\n\n\n\n<p>Tomando como base o custo da cesta b\u00e1sica em S\u00e3o Paulo, o DIEESE estima qual deveria ser o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o brasileira: &#8220;sal\u00e1rio m\u00ednimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender \u00e0s suas necessidades vitais b\u00e1sicas e \u00e0s de sua fam\u00edlia, como moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, vestu\u00e1rio, higiene, transporte e previd\u00eancia social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vincula\u00e7\u00e3o para qualquer fim&#8221; (Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, cap\u00edtulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7\u00ba, inciso IV). Segundo esses crit\u00e9rios constitucionais, o sal\u00e1rio m\u00ednimo deveria ser de R$ 973,84.<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria chegou a R$ 97,17, em abril, contra R$ 96,11 em mar\u00e7o de 2000, um aumento de 1,10%, no m\u00eas. O custo da cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria aumentou 5,63%, no ano. O tomate (88,3%), o a\u00e7\u00facar (44,2%), a batata (28,6%), a carne (20,14%) e a manteiga (19,6%) foram os produtos que mais aumentaram o pre\u00e7o. Em contrapartida, o p\u00e3o (-26,3%), o feij\u00e3o (-23,0%), o arroz (-20,6%), o \u00f3leo (-15,4%) e a farinha de trigo (-11,3%) foram os que mais diminu\u00edram o pre\u00e7o. O leite (0,0%), o caf\u00e9 (0,31%) e a banana (-2,9%) praticamente n\u00e3o afetaram a varia\u00e7\u00e3o no custo da cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3f1c6ebb\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A taxa de crescimento esperada, pelos economistas do governo, para a economia brasileira era de 4% para este ano. A <em>performance<\/em> econ\u00f4mica no primeiro trimestre deste ano apresentou resultados animadores. A taxa de crescimento do PIB acumulada no primeiro trimestre foi de 3,08%. Este aumento significativo do PIB foi reflexo do bom desempenho de dois setores da economia: Ind\u00fastria (5,69%) e Servi\u00e7os (2,28%). A queda de -0,84% da agropecu\u00e1ria n\u00e3o foi suficiente para afetar o bom desempenho do PIB. Ao contr\u00e1rio do que ocorreu, no primeiro trimestre de 1999, quando as lavouras sustentaram o crescimento do PIB, neste trimestre, este subsetor foi o \u00fanico que sofreu retra\u00e7\u00e3o (-5,26%), dentre todos demais subsetores. Os que mais contribu\u00edram para a expans\u00e3o do PIB, neste trimestre, foram: ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (7,61%), extra\u00e7\u00e3o vegetal (8,63%) e comunica\u00e7\u00f5es (8,73%). Vale ressaltar que o desempenho das comunica\u00e7\u00f5es est\u00e1 confirmando uma tend\u00eancia de crescimento do setor, intensificado ap\u00f3s as privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do crescimento da economia no primeiro trimestre de 2000, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 1999, a taxa m\u00e9dia de desemprego, medida pelo IBGE no mesmo per\u00edodo, saltou de 7,8%, no primeiro trimestre de 1999, para 7,95%, em 2000. O crescimento da economia, sem um impacto significativo sobre o emprego, pode ser explicado pelo fato das empresas estarem ampliando sua produ\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de capacidade ociosa e da intensifica\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra, atrav\u00e9s de horas extras. A taxa de ociosidade na ind\u00fastria era estimada em 21,3% pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, em dezembro de 1999. A exist\u00eancia de capacidade ociosa deve-se \u00e0 recess\u00e3o pela qual passa a economia brasileira h\u00e1 alguns anos, fruto da pol\u00edtica econ\u00f4mica adotada nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontando os dados do primeiro trimestre de 2000 com os do trimestre imediatamente anterior, o crescimento do PIB foi de apenas 1,23%. Um desempenho inferior ao do \u00faltimo trimestre de 1999, quando cresceu 1,42%. Essa alta deve-se unicamente ao setor de servi\u00e7os, que cresceu 0,45%. A agropecu\u00e1ria diminuiu -1,43% e a ind\u00fastria, -0,84%. No setor de servi\u00e7os, as atividades de comunica\u00e7\u00f5es destacaram-se com alta de 2,42%, seguidas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras com crescimento de 1,13%. O com\u00e9rcio, os transportes e os outros servi\u00e7os apresentaram desempenho negativo. Na agropecu\u00e1ria, as lavouras e a produ\u00e7\u00e3o mineral apresentaram queda na produ\u00e7\u00e3o, sendo parcialmente compensadas pelo desempenho da extra\u00e7\u00e3o vegetal. A ind\u00fastria como um todo apresentou uma queda de -0,84%, na compara\u00e7\u00e3o entre o primeiro trimestre de 2000 e o \u00faltimo de 1999. A ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o apresentou um resultado negativo de -2,29%; os servi\u00e7os industriais de utilidade p\u00fablica (0,93%), a ind\u00fastria extrativa mineral (0,85%) e a constru\u00e7\u00e3o civil (0,63%) apresentaram taxas positivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial brasileira, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), acumulou, nos \u00faltimos doze meses, completados em mar\u00e7o, uma alta de 1,9%. Este resultado decorreu, unicamente, do crescimento na produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios (4,2%), pois todos demais segmentos industriais apresentaram taxas negativas. A produ\u00e7\u00e3o de bens de capital acumulou uma redu\u00e7\u00e3o de -4,5%, nos \u00faltimos doze meses, e a de bens de consumo, -0,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre mar\u00e7o de 2000 e o mesmo m\u00eas de 1999, a ind\u00fastria em geral cresceu 3,9%. Contribu\u00edram para esta alta a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital (3,9%) e a de bens intermedi\u00e1rios (5,9%). Em contrapartida, no mesmo per\u00edodo, a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo sofreu uma contra\u00e7\u00e3o de -1,5%, apesar do consider\u00e1vel aumento na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1veis (10,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>O confronto entre os n\u00fameros da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial de fevereiro e de mar\u00e7o mostra o p\u00e9ssimo desempenho no m\u00eas de mar\u00e7o. Ela diminuiu sua produ\u00e7\u00e3o em -5,3%. Este resultado p\u00edfio \u00e9 o reflexo da queda da produ\u00e7\u00e3o em todos os setores da ind\u00fastria: bens de capital (-10,3%), bens intermedi\u00e1rios (-2,3%) e bens de consumo (-9,2%); e os subsetores de bens de consumo dur\u00e1veis (-19,3%) e n\u00e3o dur\u00e1veis e semidur\u00e1veis (-6,9%). Segundo o IBGE este desempenho da ind\u00fastria, em mar\u00e7o, \u00e9 explicado pela ocorr\u00eancia excepcional do carnaval neste m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-542214ba\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade do Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica da ind\u00fastria capixaba apresentou um crescimento de 9,6% no primeiro trimestre de 2000, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. No m\u00eas de mar\u00e7o, o crescimento foi de 8,5%, o terceiro melhor resultado regional, tendo sido superado apenas pelos Estados de Minas Gerais (10,0%) e Rio Grande do Sul (8,7%). Em mar\u00e7o, o resultado acumulado em doze meses foi de 10,4%, o melhor de todo o per\u00edodo. A ind\u00fastria extrativa mineral e a metal\u00fargica, caracterizadas como exportadoras, figuraram como as maiores respons\u00e1veis pelo crescimento verificado no per\u00edodo, apresentando um aumento de 15,50% e 16,90%, respectivamente. As performances negativas ficaram por conta dos minerais n\u00e3o met\u00e1licos (-5,90%) e qu\u00edmica (-2,0%).<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento de 8,5%, no m\u00eas de mar\u00e7o, comparado ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, foi resultante do desempenho da ind\u00fastria extrativa mineral, que cresceu 14,58% e do crescimento de 6,89% da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. Nesta, a qu\u00edmica (17,43%), a metalurgia (13,14%) e os produtos alimentares (9,06%) destacaram-se pelo seu desempenho positivo. A ind\u00fastria t\u00eaxtil sofreu uma queda de -24% na quantidade produzida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de vendas reais, a ind\u00fastria capixaba mostrou um excepcional desempenho no m\u00eas de mar\u00e7o, em compara\u00e7\u00e3o a fevereiro de 2000. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, o resultado foi inferior ao dos meses precedentes. Caiu de 28,52% em janeiro, para 15,35% em fevereiro e para 8,52% em mar\u00e7o de 2000. O resultado acumulado em doze meses mostra uma tend\u00eancia de cont\u00ednuo crescimento desde dezembro do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A inadimpl\u00eancia no com\u00e9rcio capixaba continua crescendo. As inclus\u00f5es no SPC cresceram 42,42%, em abril de 2000, se comparadas ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, mas apenas 0,21% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Os lojistas esperavam uma redu\u00e7\u00e3o do calote e uma recupera\u00e7\u00e3o das vendas em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de mar\u00e7o, quando a inadimpl\u00eancia registrou 40,69% e as vendas ca\u00edram -11,8%. Mas suas expectativas foram frustradas. A esperan\u00e7a \u00e9 o que m\u00eas de maio feche com um aquecimento nas vendas, em fun\u00e7\u00e3o do dia das m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, as baixas foram de apenas 10.052 inadimplentes, no m\u00eas de abril, o que resultou em um acr\u00e9scimo de mais de treze mil novos inadimplentes, somando-se o SPC e os cheques. As consultas para vendas a prazo registraram um crescimento de 13,34% em abril de 2000, em rela\u00e7\u00e3o a abril de 1999. Por\u00e9m, as consultas aos cheques, para vendas \u00e0 vista, ca\u00edram -9,5%, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-dc488ecf\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE, apurou uma taxa de desemprego aberto de 7,8% no m\u00eas de abril. Essa taxa foi inferior em -0,3 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de mar\u00e7o deste ano, que era de 8,1% (tabela 4.1). Na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas de abril do ano passado, ocorreu uma queda de -0,22 ponto percentual. Naquela ocasi\u00e3o, a taxa registrada foi de 8,02%. A m\u00e9dia registrada, para os primeiros quatro meses deste ano, foi ligeiramente superior \u00e0 do mesmo per\u00edodo do ano passado, 7,92% comtra 7,85%. O n\u00famero de pessoas ocupadas aumentou 1,4%, de mar\u00e7o para abril deste ano, o que representou mais 227 mil pessoas trabalhando. De abril do ano passado para abril deste ano, o crescimento foi de 5,4%, correspondendo a mais de 864 mil pessoas. De mar\u00e7o para abril deste ano, o n\u00famero de pessoas desocupadas procurando trabalho apresentou uma varia\u00e7\u00e3o de -1,5%, considerada pouco significativa pelos analistas do IBGE.<\/p>\n\n\n\n<p>A PME detectou que a taxa de desemprego apresentou pequenas varia\u00e7\u00f5es em abril, caindo na maioria das regi\u00f5es pesquisadas. Em Salvador, diminuiu de 11,5% para 10,6%; em Belo Horizonte, de 9,1% para 8,7%; em Porto Alegre, de 8,2% para 7,9%; no Rio de Janeiro, de 6,3% para 6,1%; e em S\u00e3o Paulo, de 8,2% para 8,0%. Praticamente n\u00e3o apresentou varia\u00e7\u00e3o em Recife, de 8,1% para 8,2%. O setor que apresentou a maior queda na taxa de desemprego foi a constru\u00e7\u00e3o civil, que passou de 9,9% para 8,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa de Emprego Industrial, realizada pelo IBGE em mar\u00e7o, registrou o primeiro crescimento desde novembro, 0,5%. O indicador m\u00eas a m\u00eas mostra a retomada da atividade industrial depois de quase um semestre em queda.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada pelo Dieese, para a regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, registrou uma taxa de desemprego total de 18,4%, para mar\u00e7o, e de 18,6%, para o m\u00eas de abril. Apesar do pequeno aumento, esta taxa ficou abaixo daquela registrada no mesmo per\u00edodo do ano passado (20,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, o rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas diminuiu -0,7%, em mar\u00e7o, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. As maiores quedas foram verificadas nas regi\u00f5es metropolitanas de Salvador (-6,5%) e Recife (-4,2%). As outras regi\u00f5es tiveram quedas menores ou pouco significativas. Os empregados sem carteira assinada tiveram maiores quedas em seus rendimentos (-2,4%) em rela\u00e7\u00e3o aos empregados com carteira assinada (-1,5%). A compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado mostra uma queda maior no rendimento, -2,7%. Os trabalhadores sem carteira assinada perderam cerca de -5% e aqueles com carteira assinada, -3,4%.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 1\u00ba de maio n\u00e3o foi comemorado como os trabalhadores gostariam. Numa mistura de desemprego e queda nos rendimentos reais, o mercado de trabalho tem mostrado a precariedade na qual se encontra a maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Os \u00faltimos meses t\u00eam sido marcados por greves e manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas em todo o pa\u00eds, de funcion\u00e1rios p\u00fablicos federais, estaduais e municipais e at\u00e9 os trabalhadores da esfera privada. O quadro de insatisfa\u00e7\u00e3o tem sido encarado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso como uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e n\u00e3o social. Em entrevista concedida \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo (16.05.00), afirma que &#8220;&#8230; a inquieta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 social, \u00e9 pol\u00edtica. At\u00e9 porque o ano \u00e9 eleitoral. Quando a economia vai bem, \u00e9 natural que aumentem as reivindica\u00e7\u00f5es.&#8221; Em rela\u00e7\u00e3o ao corte de R$ 1,8 bilh\u00e3o dos projetos sociais no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, o presidente afirmou que &#8220;n\u00e3o houve cortes, mas um ajuste necess\u00e1rio, porque o Congresso inflou o Or\u00e7amento artificialmente&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste contexto, o Governo aprovou a medida provis\u00f3ria 2.019 que fixou o sal\u00e1rio m\u00ednimo em R$ 151,00, com 346 votos favor\u00e1veis e 204, contra. Para tanto, usou de todos os expedientes necess\u00e1rios, inclusive retalia\u00e7\u00f5es contra os seus aliados, para obter esse resultado. Dos treze representantes do Esp\u00edrito Santo no Congresso Nacional, seis deles votaram a favor da proposta de um sal\u00e1rio m\u00ednimo de R$ 151,00, enquanto os outros sete se posicionaram contra.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b4efb03e\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial, estimado pelo IDEIES &#8211; Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo &#8211; apresentou pequena redu\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o de 2000, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, -0,06% (tabela 4.2). A varia\u00e7\u00e3o negativa foi o resultado da queda no emprego dos seguintes setores: Bebidas (-4,47%), principalmente em fun\u00e7\u00e3o do t\u00e9rmino das f\u00e9rias, Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es (-2,66%); Madeira (-2,15%). e Material de Transportes (-1,77%). O resultado geral foi contrabalan\u00e7ado pelos setores que aumentaram o n\u00famero de vagas, o Mec\u00e2nico (8,79%), o Qu\u00edmico (2,45%), o Editorial e Gr\u00e1fica (1,59%), e Ind\u00fastrias Diversas (1,18%). Nos \u00faltimos 12 meses, o desempenho dos setores foi diferenciado, aqueles com o pior desempenho foram Madeira (-42,09%) e Papel e Papel\u00e3o (-27,23%). J\u00e1 os que mais empregaram foram T\u00eaxtil (24,93%) e Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es (18,59%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados segundo o porte das empresas mostra um desempenho negativo das pequenas empresas (-0,34%) e das grandes (-0,14%). As empresas de m\u00e9dio porte apresentaram um pequeno aumento de 0,67% em mar\u00e7o. A ind\u00fastria capixaba continua registrando crescimento no n\u00edvel de emprego nos \u00faltimos doze meses, 2,55%, sendo que as pequenas e m\u00e9dias empresas acumularam uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 4,84% e 3,39%, respectivamente, e as grandes empresas uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -1,14%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria capixaba aumentaram em m\u00e9dia 2,54% no m\u00eas de mar\u00e7o, em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro de 2000. Entretanto, foram menores do que no mesmo m\u00eas do ano passado e acumularam perdas de -6,84% em 12 meses (tabela 4.3). O primeiro trimestre do ano iniciou com forte redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios em janeiro, com pequenas recupera\u00e7\u00f5es nos meses seguintes. Apesar disso, os sal\u00e1rios reais ainda est\u00e3o em n\u00edveis inferiores aos do primeiro trimestre do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra realizada pelo SINE-ES mostram uma redu\u00e7\u00e3o em todos os itens, em abril de 2000. A redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de pessoas cadastradas tem significado sazonal do per\u00edodo. Em mar\u00e7o o n\u00famero de inscritos (que inclui tamb\u00e9m as pessoas que fazem o requerimento do seguro-desemprego) foi de 5.651, enquanto em abril esse n\u00famero caiu para 4.858 pessoas. A taxa de aloca\u00e7\u00e3o (pessoas colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas oferecidas) apresentou um aumento consider\u00e1vel, ficando em 47,35%. Essa varia\u00e7\u00e3o \u00e9 explicada pela redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de vagas oferecidas e das pessoas colocadas o que, proporcionalmente, elevou a taxa de aloca\u00e7\u00e3o. Os quatro primeiros meses do ano mostram uma evolu\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel na intermedia\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra. A demanda, indicada pelo n\u00famero de trabalhadores cadastrados, diminuiu (-8,1%) e a oferta de ocupa\u00e7\u00f5es aumentou (29,9%), nos quatro primeiros meses do ano, em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado (tabela 4.4).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-8e755de3\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base Monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria, em abril, segundo os saldos em final de per\u00edodo, diminuiu para R$ 37,7 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de -3,5%, no m\u00eas. Esse resultado foi o reflexo da retra\u00e7\u00e3o das reservas banc\u00e1rias ocasionadas pela redu\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o deste ano, da al\u00edquota do recolhimento compuls\u00f3rio sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista. O papel moeda emitido aumentou 2,4% e as reservas banc\u00e1rias contra\u00edram-se em -11,7%, no m\u00eas. O saldo dos meios de pagamentos, papel moeda em poder do p\u00fablico mais os dep\u00f3sitos \u00e0 vista, que vinha caindo nos meses de fevereiro e mar\u00e7o, fechou o m\u00eas de abril com um aumento de 1,0% (tabela 5.1).<\/p>\n\n\n\n<p>A varia\u00e7\u00e3o da base monet\u00e1ria foi negativa em R$ 1,4 bilh\u00e3o, em abril. Esta redu\u00e7\u00e3o foi decorrente da retirada de R$ 3,7 bilh\u00f5es, em moeda, por conta das opera\u00e7\u00f5es com o tesouro nacional, de R$ 13 milh\u00f5es, pelas opera\u00e7\u00f5es com o setor externo e de R$ 111 milh\u00f5es em outras contas. Para compensar essa redu\u00e7\u00e3o, o BC, injetou R$ 2,2 bilh\u00f5es por meio das opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos e R$ 297 milh\u00f5es, com os dep\u00f3sitos banc\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria ampliada atingiu o montante de R$ 476,2 bilh\u00f5es, em abril, cresceu 1,4% no m\u00eas e 23,5% em 12 meses. Esse total era composto por R$ 37,7 bilh\u00f5es da base monet\u00e1ria, R$ 15,0 bilh\u00f5es dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios em esp\u00e9cie e R$ 423,5 bilh\u00f5es em t\u00edtulos p\u00fablicos federais.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-a9dd5805\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>&#8220;Analisando os eventos recentes e prospectivos na trajet\u00f3ria da infla\u00e7\u00e3o, o Copom decidiu pela manuten\u00e7\u00e3o da taxa de juros em 18,5%&#8221;. Essa foi a declara\u00e7\u00e3o do diretor de pol\u00edtica monet\u00e1ria do BCB, Luiz Fernando Figueiredo, logo ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Copom &#8211; Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria &#8211; nos dias 23 e 24 de maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de n\u00e3o reduzir a taxa b\u00e1sica de juros da economia, o Copom tamb\u00e9m n\u00e3o determinou um vi\u00e9s &#8211; mecanismo que permite ao presidente do BCB reduzir ou aumentar a taxa de juros fora das reuni\u00f5es regulares do Copom, demonstrando, assim, a preocupa\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria com o ambiente internacional desfavor\u00e1vel para a economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 devida aos fatores que podem pressionar para cima a trajet\u00f3ria dos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, dificultando o cumprimento das metas de infla\u00e7\u00e3o impostas pelo FMI para este ano. Os principais vil\u00f5es estrangeiros s\u00e3o a trajet\u00f3ria ascendente dos juros norte-americanos, a alta do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e a situa\u00e7\u00e3o fiscal da Argentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Com respeito \u00e0 taxa de juros dos Estados Unidos, a quest\u00e3o \u00e9 o crescimento da economia americana, o que pressiona o aumento dos \u00edndices inflacion\u00e1rios. Dessa forma, a autoridade monet\u00e1ria americana tem aumentado, desde o ano passado, a taxa b\u00e1sica de juros para amenizar o af\u00e3 da demanda. Esse aumento dos juros diminui o fluxo de capitais para o Brasil e, consequentemente, pressiona a taxa de c\u00e2mbio, encarecendo os bens importados e aumentando a infla\u00e7\u00e3o. Entretanto, os aumentos dos juros americanos n\u00e3o t\u00eam surtido o efeito esperado naquele pa\u00eds, o que obrigar\u00e1 a novos aumentos no futuro. Por outro lado, a retra\u00e7\u00e3o da economia americana tamb\u00e9m trar\u00e1 consequ\u00eancias negativas para o Brasil pelos seus efeitos sobre a balan\u00e7a comercial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do aumento da produ\u00e7\u00e3o, decidido pela OPEP, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo tem-se mantido muito elevado, na ordem de US$ 30,00 o barril. Mantido nesse patamar, o governo ter\u00e1 que aumentar o pre\u00e7o dos combust\u00edveis, no mercado interno, no segundo semestre do ano. Este aumento, naturalmente, ter\u00e1 impactos sobre os \u00edndices de pre\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, o governo da Argentina j\u00e1 editou dois &#8220;pacotes&#8221; fiscais visando a atender as metas do acordo com o FMI. Ao que tudo indica, dificilmente ele conseguir\u00e1 cumpri-las. A pol\u00edtica de taxas fixas de c\u00e2mbio, com dolariza\u00e7\u00e3o, engessou totalmente a pol\u00edtica monet\u00e1ria, impedindo a tomada de qualquer medida na \u00e1rea monet\u00e1ria. Por outro lado, cerca de 80% dos contratos e, portanto, das d\u00edvidas est\u00e3o denominadas em d\u00f3lar o que inviabiliza a mudan\u00e7a na pol\u00edtica cambial sem graves consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tudo isso, a vulnerabilidade externa do Brasil continua muito elevada. A conjuntura internacional impede que se reduza a taxa b\u00e1sica de juros, inviabilizando investimentos e a diminui\u00e7\u00e3o do desemprego. O Brasil est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea das condi\u00e7\u00f5es internacionais e do FMI. Entretanto, nada garante que esse ambiente ir\u00e1 melhorar. A redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade externa implicaria uma estrat\u00e9gia totalmente diferente de inser\u00e7\u00e3o na economia global daquela seguida atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Internamente, apesar das v\u00e1rias medidas adotadas pelo Banco Central com o objetivo de diminuir o <em>spread<\/em> banc\u00e1rio, a taxa de juros praticada na ponta do mercado ainda continua bastante elevada. A redu\u00e7\u00e3o no dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, de 65% para 55%, realizada em 14 de mar\u00e7o deste ano, ainda n\u00e3o surtiu efeito. A taxa anual m\u00e9dia de juros, cobrada no cheque especial, aumentou de 144,84%, em mar\u00e7o, para 152,26%, em abril (tabela 5.3), um aumento de 5,12%, no m\u00eas. Quanto ao cr\u00e9dito pessoal houve uma pequena redu\u00e7\u00e3o de 0,86 ponto percentual na compara\u00e7\u00e3o entre mar\u00e7o e abril, a taxa anual caiu de 68,94% para 68,08%.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na tentativa de estimular a concorr\u00eancia entre as institui\u00e7\u00f5es e diminuir o <em>spread<\/em>, o BC continua divulgando as taxas de juros praticadas pelos bancos. Na modalidade cheque especial a institui\u00e7\u00e3o que praticou menor taxa m\u00e9dia, no m\u00eas de abril, foi o Banco Cruzeiro do Sul S.A., 1,60%. O Banco Citibank S.A. foi o que cobrou a maior taxa, 12,66%, em abril. Em maio, esta taxa aumentou para 12,71%. Na modalidade cr\u00e9dito pessoal, a discrep\u00e2ncia tamb\u00e9m \u00e9 consider\u00e1vel. O Banco Ribeir\u00e3o Preto cobrou a menor taxa, 1,44%, e o Banco Crefisa a maior taxa mensal, 15,51%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-b3f6279d\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o CMN, os procedimentos de classifica\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito tornaram-se inadequadas, tendo em vista &#8220;a evolu\u00e7\u00e3o e sofistica\u00e7\u00e3o do mercado financeiro e a mudan\u00e7a no perfil de cr\u00e9dito das opera\u00e7\u00f5es contratadas&#8221; por basear-se apenas no prazo de inadimpl\u00eancia e n\u00e3o considerar o risco potencial do tomador de recursos. Assim, estabeleceu atrav\u00e9s da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 2.697 que, a partir de 1\u00ba de mar\u00e7o de 2000, as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito ser\u00e3o &#8220;classificadas em nove n\u00edveis, em ordem crescente de risco: AA, A, B, C, D, E, F, G e H&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>O quadro 5.1 resume os crit\u00e9rios m\u00ednimos para a classifica\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos segundo os n\u00edveis de risco e a porcentagem dos cr\u00e9ditos a serem provisionados. Os empr\u00e9stimos n\u00e3o vencidos s\u00e3o classificados no n\u00edvel AA e A, segundo crit\u00e9rios pr\u00f3prios da institui\u00e7\u00e3o financeira. A partir do n\u00edvel B, ser\u00e3o classificados de acordo com o n\u00famero de dias em atraso que variam de 15 a 180 dias ou mais. Para cada n\u00edvel de risco, as institui\u00e7\u00f5es dever\u00e3o fazer um provisionamento para cobertura dos d\u00e9bitos. Parte dos empr\u00e9stimos n\u00e3o vencidos ter\u00e3o um provisionamento de 0,5%. Esta taxa cresce at\u00e9 100%, de acordo com o tempo de atraso das d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a nota do BC, &#8220;com a nova metodologia de apura\u00e7\u00e3o. [&#8230;] n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel manter a compatibiliza\u00e7\u00e3o com a s\u00e9rie anterior publicada pelo Banco Central, iniciando-se, portanto, em mar\u00e7o de 2000, uma nova s\u00e9rie sobre os ativos de cr\u00e9dito&#8221;. Os empr\u00e9stimos do sistema financeiro, somadas as nove faixas de risco, atingiram um total de R$ 250,7 bilh\u00f5es (tabela 5.4), no m\u00eas de mar\u00e7o. Desse total, R$ 14,7 bilh\u00f5es foram emprestados para o setor p\u00fablico e R$ 235,9 bilh\u00f5es para o setor privado. Do ponto de vista das institui\u00e7\u00f5es emprestadoras. R$ 126,2 bilh\u00f5es foram concedidos pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas e R$ 124,4 bilh\u00f5es pelas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do sistema financeiro, 64,1% foram classificados, pelas institui\u00e7\u00f5es, nas duas faixas de menor risco (AA e A) e apenas 9,6% dos empr\u00e9stimos est\u00e3o na faixa H, com atraso de 180 dias ou mais. Para as d\u00edvidas do setor p\u00fablico, as duas faixas de menor risco somaram R$ 8,1 bilh\u00f5es ou 55,1% no total das opera\u00e7\u00f5es que foram de R$ 14,72 bilh\u00f5es. Para as do setor privado, as duas primeiras faixas somaram R$ 152,5 bilh\u00f5es, ou seja, 64,6% do total das opera\u00e7\u00f5es que foram de R$ 235,9 bilh\u00f5es. Segundo os crit\u00e9rios estabelecidos pelas institui\u00e7\u00f5es, foram provisionados R$ 31,0 bilh\u00f5es, correspondendo a 12,4% dos cr\u00e9ditos concedidos. Desse total, 69,6% foram realizados por institui\u00e7\u00f5es financeiras p\u00fablicas e 30,4%, pelas institui\u00e7\u00f5es privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta nova metodologia permite acompanhar, mais precisamente, os n\u00edveis de risco e a inadimpl\u00eancia no sistema banc\u00e1rio. Tamb\u00e9m permite avaliar o argumento pelo qual o elevado \u00edndice de inadimpl\u00eancia \u00e9 colocado como um dos respons\u00e1veis pelas elevadas taxas cobradas na ponta do mercado. \u00c0 primeira vista, este argumento perde significativamente sua for\u00e7a, pois apenas 9,6% dos empr\u00e9stimos est\u00e3o na faixa de maior risco. Resta acompanhar a evolu\u00e7\u00e3o dos dados para verificar os seus resultados efetivos.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-d6a73ce5\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do governo central, no conceito &#8216;acima da linha&#8217; foi superavit\u00e1rio em R$ 4,04 bilh\u00f5es no m\u00eas de mar\u00e7o, contra um saldo de R$ 1,547 bilh\u00e3o no m\u00eas anterior. Este super\u00e1vit acumula R$ 7,087 bilh\u00f5es no primeiro trimestre do ano, revelando uma discreta queda em termos nominais, em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano anterior. Caso seja considerada a rela\u00e7\u00e3o super\u00e1vit prim\u00e1rio\/PIB, verifica-se uma queda mais significativa, de 3,1%, em 1999, para 2,57%, em 2.000. O expressivo super\u00e1vit alcan\u00e7ado pelo governo, no m\u00eas de mar\u00e7o, foi o resultado do saldo positivo de R$ 4,5 bilh\u00f5es obtido pelo Tesouro, deduzidos os d\u00e9ficits de R$ 455 milh\u00f5es com a previd\u00eancia e R$ 49 milh\u00f5es com o Banco Central (tabela 6.1).<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado obtido pelo Tesouro, por outro lado, tem origem principalmente no aumento de suas receitas de car\u00e1ter extraordin\u00e1rio. Estas inflaram artificialmente o resultado prim\u00e1rio do Governo Central no m\u00eas de mar\u00e7o, redundando em um aumento de 107%, em rela\u00e7\u00e3o a fevereiro. Apenas o ingresso de receitas extraordin\u00e1rias provenientes de dep\u00f3sitos judiciais, ou seja, recursos que podem ser resgatados (com corre\u00e7\u00e3o) desde que a disputa judicial seja encerrada com parecer desfavor\u00e1vel \u00e0 Fazenda, somaram, em mar\u00e7o, R$ 1,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita bruta do tesouro acumulou, no primeiro trimestre do ano, um total de R$ 44,7 bilh\u00f5es, um aumento de 9,1% em rela\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano anterior. Entretanto, ocorreu uma redu\u00e7\u00e3o de 1,6 ponto percentual em termos de percentual do PIB. Essa queda \u00e9 explicada pela vultosa soma de R$ 8,3 bilh\u00f5es em receitas extraordin\u00e1rias verificadas em 1999, provenientes, principalmente, de dep\u00f3sitos judiciais e concess\u00f5es de telefonia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro componente que influenciou positivamente as receitas do Tesouro foram os recursos das contribui\u00e7\u00f5es sociais, como a Cofins, que teve sua al\u00edquota aumentada no ano passado de 2% para 3%, e a CPMF, com 3,8%. Somente nestes dois itens das contribui\u00e7\u00f5es sociais o tesouro acumulou R$ 3,8 bilh\u00f5es ou 4,6% do PIB, no per\u00edodo janeiro-mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas totais cresceram 11,9%, no trimestre, mas ca\u00edram 0,5 ponto percentual quando comparadas ao PIB. Isso, em fun\u00e7\u00e3o da conten\u00e7\u00e3o for\u00e7ada no item outras despesas, da conta de custeio e capital (OCC). Segundo o chefe do Departamento Econ\u00f4mico do Banco Central, Altamir Lopes, (FSP, 19\/05\/00), &#8220;boa parte do resultado foi obtido gra\u00e7as \u00e0 demora na aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento federal deste ano, que s\u00f3 ocorreu em 12 de abril passado [&#8230;]. obrigando a observar r\u00edgidos limites de gastos.&#8221; Utilizando como justificativa o impacto do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo na previd\u00eancia, o governo anunciou no \u00faltimo dia 18 cortes no or\u00e7amento anual, os quais atingiram exatamente a rubrica de OCC (FSP, 18\/05\/00).<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo da previd\u00eancia acumulado no primeiro trimestre deste ano manteve-se deficit\u00e1rio em R$ 1,8 bilh\u00e3o, sendo, todavia, menor do que aquele de R$ 2,6 bilh\u00f5es, observado em igual per\u00edodo de 1.999. Em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, de iguais per\u00edodos, tamb\u00e9m ocorreu um decr\u00e9scimo, de 0,9% para 0,6%. Esta redu\u00e7\u00e3o no d\u00e9ficit \u00e9 explicada, especialmente, pelo comportamento das receitas que atingiram, em mar\u00e7o, R$ 4,3 milh\u00f5es, 6% superior \u00e0quela registrada no m\u00eas anterior. O principal fator para a sua eleva\u00e7\u00e3o, no m\u00eas, foi o recolhimento de dep\u00f3sitos judiciais na ordem de R$ 257,7 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado das contas do Governo Central, calculado &#8220;abaixo da linha&#8221;, apresenta um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 5,2 bilh\u00f5es, em mar\u00e7o, contra R$ 2,5 bilh\u00f5es em fevereiro (tabela 6.2). Tal resultado s\u00f3 vem confirmar a tend\u00eancia de gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios crescentes, fruto de um cont\u00ednuo e exorbitante esfor\u00e7o implementado pelo governo, como forma de cumprir as metas firmadas com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas com juros foram de R$ 2,9 bilh\u00f5es e de R$ 4,1 bilh\u00f5es em mar\u00e7o, calculadas respectivamente com e sem desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. No acumulado do trimestre, estes valores somaram R$ 9,3 bilh\u00f5es e R$ 11,7 bilh\u00f5es. Uma queda de -82,3% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, considerando-se a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, e de -27,5%, sem a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Tendo em vista o super\u00e1vit prim\u00e1rio obtido em mar\u00e7o, o resultado nominal do governo central, registrou um saldo positivo de R$ 2,3 bilh\u00f5es ou R$ 1,09 bilh\u00e3o, dependendo se leva ou n\u00e3o, em conta, a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o setor p\u00fablico consolidado, o resultado prim\u00e1rio, no conceito &#8220;abaixo da linha&#8221; e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, foi superavit\u00e1rio em R$ 5,7 bilh\u00f5es, em mar\u00e7o. Com tal <em>performance<\/em>, as contas p\u00fablicas fecham o trimestre com um super\u00e1vit prim\u00e1rio acumulado de R$ 13,6 bilh\u00f5es (4,9% do PIB), superando em 112,5% o crit\u00e9rio de desempenho estabelecido pelo FMI para o per\u00edodo, que era de R$ 6,4 bilh\u00f5es. Cabe ressaltar, ainda, que do super\u00e1vit prim\u00e1rio acumulado at\u00e9 mar\u00e7o, R$ 9,6 bilh\u00f5es (ou 3,5% do PIB), foram obtidos pelo governo central, sendo este, portanto, o maior respons\u00e1vel pelo resultado alcan\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas com juros nominais registraram um total de R$ 4,5 bilh\u00f5es, com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, e R$ 5,7 bilh\u00f5es, sem a desvaloriza\u00e7\u00e3o, em mar\u00e7o. No primeiro trimestre do ano, o setor p\u00fablico pagou, de juros, R$ 18,2 bilh\u00f5es ou R$ 20,6 bilh\u00f5es, respectivamente, com e sem a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior, estes valores foram inferiores em -70,7% e -19,1%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado nominal, do setor p\u00fablico consolidado, apresentou um saldo positivo de R$ 1,2 bilh\u00e3o, em mar\u00e7o, decorrente do elevado resultado prim\u00e1rio e da relativa estabilidade financeira do per\u00edodo. Isto significa que o Estado conseguiu obter um resultado prim\u00e1rio mais do que suficiente para pagar a conta de juros do m\u00eas. Entretanto, o primeiro trimestre de 2000 ainda fecha com um resultado nominal deficit\u00e1rio na ordem de 1,7% do PIB, ou de R$ 4,7 bilh\u00f5es, considerando a metodologia de c\u00e1lculo com a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Se n\u00e3o considerarmos a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, o resultado nominal foi deficit\u00e1rio em R$ 25 milh\u00f5es, em mar\u00e7o, e acumulou um d\u00e9ficit de R$ 7,0 bilh\u00f5es, no trimestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Este super\u00e1vit nominal alcan\u00e7ado pelo governo em mar\u00e7o garantiu que n\u00e3o ocorresse uma amplia\u00e7\u00e3o significativa no valor nominal da d\u00edvida p\u00fablica para o setor p\u00fablico consolidado, no per\u00edodo fevereiro\/mar\u00e7o, apesar da incorpora\u00e7\u00e3o de &#8220;esqueletos&#8221;, principalmente em t\u00edtulos da d\u00edvida agr\u00e1ria. O saldo da d\u00edvida p\u00fablica situou-se, no m\u00eas de mar\u00e7o, na casa de R$ 527,2 bilh\u00f5es, 47,0% do PIB, colocando tal rela\u00e7\u00e3o num patamar relativamente est\u00e1vel nos \u00faltimos cinco meses. Isto sinaliza que o governo, no per\u00edodo em considera\u00e7\u00e3o, foi bem sucedido no seu objetivo de baixar ou no m\u00ednimo estabilizar a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB, a qual encontra-se inferior aos n\u00edveis acertados com o FMI (52,5%).<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal atingiu o montante de R$ 577,9 bilh\u00f5es, em abril, apresentando um crescimento de 7,2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior (tabela 6.3). Os t\u00edtulos no mercado mant\u00eam a tend\u00eancia de crescimento, reflexo principalmente da apropria\u00e7\u00e3o de juros, registrando a marca de R$ 477,7 bilh\u00f5es no m\u00eas. A pol\u00edtica de alongamento do perfil da d\u00edvida apresentou resultados t\u00eanues de fins de 1999 at\u00e9 in\u00edcio de maio, com a amplia\u00e7\u00e3o do prazo m\u00e9dio dos t\u00edtulos do BCB e do TN para 11,13 meses. O prazo m\u00e9dio dos t\u00edtulos do Banco Central e do Tesouro Nacional vinha numa trajet\u00f3ria de queda desde fins de agosto de 1999, atingindo um valor m\u00ednimo em janeiro de 2.000, momento em que inicia uma trajet\u00f3ria de crescimento, confirmada em abril.<\/p>\n\n\n\n<p>A incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida mobili\u00e1ria, a partir deste m\u00eas, de cr\u00e9ditos securitizados, d\u00edvida agr\u00edcola, t\u00edtulos da d\u00edvida agr\u00e1ria e certificados da d\u00edvida p\u00fablica influenciou a distribui\u00e7\u00e3o desta por indexador. Relativizada por este \u00faltimo aspecto, a queda na participa\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos indexados ao c\u00e2mbio, de 22,5% do total para 21,1%, entre mar\u00e7o e abril, n\u00e3o \u00e9 suficiente para concluir pelo sucesso do governo em sua estrat\u00e9gia de reduzir o volume de t\u00edtulos desta natureza. No m\u00e1ximo pode-se constatar, nos \u00faltimos meses, uma estabilidade dos mesmos na participa\u00e7\u00e3o total. Todavia, a tend\u00eancia \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do custo desses pap\u00e9is, constatada no \u00faltimo leil\u00e3o, em maio (GM, 22\/05\/00), pode produzir um impacto negativo sobre tal pol\u00edtica, al\u00e9m de indicar um sinal altista sobre a taxa de juros.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, pode-se avaliar que o BC perdeu, nos \u00faltimos dois meses, a oportunidade de aprofundar um pouco mais a estrat\u00e9gia de alongamento da d\u00edvida. Ele considerou que a tend\u00eancia de queda das taxas de juros se manteria e que o governo perderia com um alongamento mais veloz. De fato, com a revers\u00e3o da tend\u00eancia de queda e a sinaliza\u00e7\u00e3o de um vi\u00e9s neutro, ou seja, de tentativa de manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica em 18,5%, fica tal pol\u00edtica em compasso de espera, condicionada \u00e0 melhoria do quadro internacional.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-0d011203\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o de pagamentos apresentou um d\u00e9ficit de US$ 10,2 bilh\u00f5es, em abril. A principal causa foi a decis\u00e3o do governo brasileiro de pagar ao FMI as parcelas restantes do principal, referentes aos desembolsos do pagamento de assist\u00eancia financeira ao pa\u00eds e pela liquida\u00e7\u00e3o de seus compromissos com o BIS e o Banco do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial apresentou um super\u00e1vit da ordem de US$ 209 milh\u00f5es no per\u00edodo de janeiro a abril deste ano. Desta maneira, observa-se uma melhora consider\u00e1vel quando comparado com o mesmo per\u00edodo do ano anterior (d\u00e9ficit de US$ 782 milh\u00f5es). Mas, deve-se considerar o fato que estes n\u00fameros n\u00e3o condizem com as expectativas previstas para este ano, segundo o governo. O saldo da balan\u00e7a comercial foi de US$ 42 milh\u00f5es, em mar\u00e7o de 2000, e de US$ 183 milh\u00f5es, em abril. Os dados dispon\u00edveis, para o m\u00eas de maio, indicavam um super\u00e1vit de US$ 399,0 milh\u00f5es, dos quais US$ 160,0 milh\u00f5es referentes \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de dois avi\u00f5es da VASP. Assim, o desempenho da balan\u00e7a comercial mostra-se muito longe das metas pretendidas pela equipe econ\u00f4mica, mesmo ap\u00f3s a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial ocorrida h\u00e1 mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os constantes aumentos das taxas de juros norte-americanas poder\u00e3o afetar negativamente a balan\u00e7a comercial brasileira, no m\u00e9dio prazo, conforme Roberto Gianetti, em entrevista \u00e0 Rede Globo (17\/05\/00) &#8220;De certa forma isto (a alta dos juros) vai reduzir o consumo nos Estados Unidos, n\u00e3o imediatamente mas de forma gradual. De qualquer forma, algum efeito negativo na nossa balan\u00e7a o aumento dos juros vai ter a m\u00e9dio prazo&#8221;. Este argumento fundamenta-se na consider\u00e1vel parcela (25%) das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras dirigidas ao mercado americano.<\/p>\n\n\n\n<p>As transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamento apresentaram um saldo negativo da ordem de US$ 1,9 e de US$ 3,1 bilh\u00f5es, nos meses de mar\u00e7o e abril, respectivamente (tabela 7.1). Este resultado apresenta uma piora substancial quando se confronta o m\u00eas de abril de 2000 com o mesmo m\u00eas do ano anterior. Nesta compara\u00e7\u00e3o, destacam-se os aumentos no pagamento de juros da d\u00edvida externa e das viagens internacionais. Entretanto, o resultado acumulado nos quatro primeiros meses do ano mostra uma pequena melhora quando comparamos com o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os apresentou um resultado negativo de US$ 2,1 bilh\u00f5es, no m\u00eas de mar\u00e7o, e aumentou para US$ 3,4 bilh\u00f5es, em abril (tabela 7.1). Este aumento decorreu basicamente do forte aumento nas despesas com juros, cujo saldo foi de US$ -1,0 bilh\u00e3o, em mar\u00e7o, e de US$ -2,4 bilh\u00f5es, em abril. No per\u00edodo entre janeiro e abril, esta conta acumulou um d\u00e9ficit de US$ 7,9 bilh\u00f5es que, comparado ao mesmo per\u00edodo de 1999, d\u00e9ficit de US$ 7,7 bilh\u00f5es, foi ligeiramente superior.<\/p>\n\n\n\n<p>O ingresso de capitais estrangeiros, nos quatro primeiros meses do ano, foi de US$ 30,0 bilh\u00f5es, uma queda de US$ 16,2 bilh\u00f5es, ou -35%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Os financiamentos diminu\u00edram -65,7%, os empr\u00e9stimos em moeda, -44,8%, os investimentos, -14,2% e os outros itens, -21,6%. Apesar destas quedas, o ingresso de capital externo foi suficiente para financiar o d\u00e9ficit em conta corrente, se n\u00e3o considerarmos os pagamentos feitos ao FMI, ao BIS e ao Banco do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados dispon\u00edveis, a maior parte do investimento estrangeiro direto, no per\u00edodo, foi proveniente dos Estados Unidos (38,7%), seguidos pela Fran\u00e7a (15,3%), Pa\u00edses Baixos (11,2%), Ilhas Cayman (8,2%), Portugal (4,9%) e da Espanha (2,6%). Estes investimentos foram direcionados principalmente para o setor de servi\u00e7os (68,4%) e para a ind\u00fastria (28,9%). No setor de servi\u00e7os, as atividades mais procuradas foram energia el\u00e9trica e g\u00e1s (18,7%), comunica\u00e7\u00f5es (17,2%), com\u00e9rcio (11,4%) e institui\u00e7\u00f5es financeiras (8,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril o ingresso de recursos estrangeiros a t\u00edtulo de investimentos diretos foi de apenas US$ 1,2 bilh\u00e3o, os de portf\u00f3lio US$ 1,2 bilh\u00e3o e os empr\u00e9stimos em moeda US$ 1,7 bilh\u00e3o (tabela 7.2). Entre mar\u00e7o e abril de 2000, ocorreram quedas significativas, de -44,47%, -34,93% e -48,59%, respectivamente, nesses meios de capta\u00e7\u00e3o de recursos externos. O montante total de recursos externos captados, em abril, foi da ordem de US$ 5,2 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 3,1 bilh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de abril, as reservas internacionais apresentaram US$ 28,0 bilh\u00f5es como saldo, no conceito caixa, contra um total de US$ 38,4 bilh\u00f5es, no m\u00eas precedente (tabela 7.4). No conceito de liquidez internacional o m\u00eas de abril apresentou US$ 28,7 bilh\u00f5es como resultado, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 10,5 bilh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Esta redu\u00e7\u00e3o significativa foi decorrente do pagamento adiantado aos credores institucionais, das parcelas da d\u00edvida contra\u00edda no acordo com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados divulgados pelo BC mostram uma relativa estabilidade no endividamento externo nos dois primeiros meses do ano. Em mar\u00e7o a d\u00edvida externa brasileira totalizou o montante US$ 242,5 bilh\u00f5es, aumentando em apenas US$ 1,8 bilh\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. O setor p\u00fablico \u00e9 respons\u00e1vel por 41,6% da d\u00edvida, e o setor privado, por 58,4%.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Nos primeiros meses do ano, o governo de FHC tem obtido diversas vit\u00f3rias no campo pol\u00edtico. 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