{"id":3937,"date":"2000-07-24T12:59:00","date_gmt":"2000-07-24T15:59:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3937"},"modified":"2025-11-24T13:11:40","modified_gmt":"2025-11-24T16:11:40","slug":"boletim-no-15-julho-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-15-julho-2000\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 15 &#8211; Julho 2000"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-1d44b9b0 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-af28b2b3\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>Depois de decorrido mais de um ano da mudan\u00e7a na pol\u00edtica cambial brasileira, o desempenho recente da economia trouxe de volta o otimismo de empres\u00e1rios e governo. Os indicadores mostram um crescimento da produ\u00e7\u00e3o e das vendas, a taxa de desemprego parou de crescer e a ind\u00fastria voltou a empregar. O grande receio, que era a crise americana, deixou de ser t\u00e3o preocupante. A nova redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica de juros, para 16,5% ao m\u00eas, constitui mais um sinal dessa altera\u00e7\u00e3o nas expectativas da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, a opini\u00e3o dos brasileiros n\u00e3o acompanha o otimismo do governo. A \u00faltima pesquisa CNT\/Vox Populi mostra que a porcentagem dos entrevistados que aprovavam o governo FHC, considerando-o bom e \u00f3timo, caiu de 15% em maio para 13%, em junho de 2000. Os que o consideravam ruim e p\u00e9ssimo cresceram de 53% para 59%, e aqueles que o consideravam regular ca\u00edram de 30% para 27%. E isso, antes da deflagra\u00e7\u00e3o do \u00faltimo esc\u00e2ndalo envolvendo a corrup\u00e7\u00e3o e desvio de dinheiro p\u00fablico, no caso do TRT de S\u00e3o Paulo, que est\u00e1 batendo \u00e0s portas do Planalto. Quanto ao desempenho do governo, segundo diferentes \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o obteve nota 3,43, em uma escala de zero a dez. Assim, a grande bandeira do plano real, a estabilidade de pre\u00e7os, s\u00f3 perdeu para a reforma agr\u00e1ria, que obteve nota 3,06. Em nenhuma das \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o do governo, ele chegou a obter m\u00e9dia 5,0.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa avalia\u00e7\u00e3o do governo e de sua pol\u00edtica econ\u00f4mica poder\u00e1 ser testada mais uma vez, antes mesmo das elei\u00e7\u00f5es, no plebiscito sobre a d\u00edvida interna e externa, convocado pela CNBB, CONIC, CESE, CMP, IAB, CUT, CONTAG, MST, UNE e v\u00e1rias outras organiza\u00e7\u00f5es, para os dias 02 a 07 de setembro de 2000. O Tribunal da D\u00edvida Externa, realizado no per\u00edodo entre 26 e 28 de abril, no Teatro Jo\u00e3o Caetano, j\u00e1 condenou o processo de endividamento e responsabilizou as elites dominantes, governos e pol\u00edticos, economistas, juristas, artistas e intelectuais, al\u00e9m da ditadura dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o (www.jubileu2000.org.br).<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de endividamento foi condenado por implicar uma inser\u00e7\u00e3o subordinada ao sistema mundial e aos interesses dos mercados financeiros internacionais. A d\u00edvida externa brasileira cresceu com o excesso de capital dinheiro dispon\u00edvel no sistema de cr\u00e9dito internacional, nos anos setenta e nos anos noventa.<\/p>\n\n\n\n<p>No final dos anos setenta, a mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria americana elevou a taxa de juros de um patamar hist\u00f3rico entre 4% a 6% ao ano, para mais de 20% em poucos meses. O resultado, para o Brasil, foi a inadimpl\u00eancia e a morat\u00f3ria da d\u00edvida externa, al\u00e9m da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e a duplica\u00e7\u00e3o do saldo da d\u00edvida, que passou de US$ 49,9 bilh\u00f5es, em dezembro de 1979, para US$ 99,3 bilh\u00f5es em dezembro de 1989. Apesar da crise dos anos oitenta, foram remetidos para o exterior, nesse per\u00edodo, US$ 93,8 bilh\u00f5es em juros e US$ 114,3 bilh\u00f5es em amortiza\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, na segunda metade dos anos oitenta, seu crescimento manteve-se relativamente moderado, at\u00e9 o in\u00edcio do plano real. A partir da\u00ed, ela voltou a crescer aceleradamente, de US$ 119,7 bilh\u00f5es, em dezembro de 1994, para US$ 241,5 bilh\u00f5es, em dezembro de 1999. Entre 1990 e 1999, o Brasil remeteu para o exterior mais US$ 95,2 bilh\u00f5es em juros e US$ 222,0 bilh\u00f5es em amortiza\u00e7\u00f5es. Esses n\u00fameros mostram que a fun\u00e7\u00e3o principal da d\u00edvida externa \u00e9 o pagamento de juros aos credores internacionais. Ela n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o contribuiu para o crescimento da economia, como tornou-se um dos fatores fundamentais para a transfer\u00eancia de excedentes para o exterior.<\/p>\n\n\n\n<p>O endividamento dos anos setenta iniciou-se com o setor privado e expandiu-se com a d\u00edvida p\u00fablica, no final da d\u00e9cada. Com a mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria americana, o governo, atrav\u00e9s da resolu\u00e7\u00e3o 432, assumiu os encargos da d\u00edvida privada, socializando os custos. Entretanto, o ingresso de d\u00f3lares foi convertido em t\u00edtulos de d\u00edvida interna do governo e sustentou a famosa ciranda financeira, que transferiu recursos do tesouro para os especuladores financeiros nacionais. O endividamento interno desse per\u00edodo foi todo desvalorizado com a infla\u00e7\u00e3o acelerada dos anos oitenta e da hiperinfla\u00e7\u00e3o do in\u00edcio dos anos noventa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o plano real retomou-se, em outro patamar, o processo de endividamento externo. A participa\u00e7\u00e3o do governo, na d\u00edvida externa, que tinha atingido cerca de 80%, caiu para menos de 40%. Como nos anos setenta e oitenta, o ingresso de d\u00f3lares tamb\u00e9m foi convertido em pap\u00e9is da d\u00edvida p\u00fablica federal e renovou-se a ciranda financeira. A d\u00edvida interna, que era de R$ 12,7 bilh\u00f5es, em dezembro de 1993, alcan\u00e7ou R$ 557,4 bilh\u00f5es, em dezembro de 1999, em t\u00edtulos emitidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O mecanismo da d\u00edvida atendeu os interesses do sistema financeiro internacional e beneficiou as classes dominantes locais. O governo e os empres\u00e1rios expandiram a d\u00edvida em nome do desenvolvimento, no caso do II PND, e da estabilidade monet\u00e1ria, no Plano Real. Os economistas e os juristas criaram os instrumentos econ\u00f4micos e legais que permitiram e estimularam o processo e, juntamente com outros intelectuais e artistas, desenvolveram as ideias da necessidade de poupan\u00e7a externa. Os grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o encarregaram-se de disseminar essas ideias e torn\u00e1-las amplamente aceitas. Esses s\u00e3o os principais grupos respons\u00e1veis pelo endividamento interno e externo, eles s\u00e3o, tamb\u00e9m, os principais benefici\u00e1rios do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias para a economia brasileira foram as duas d\u00e9cadas de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, os volumosos compromissos com os encargos das d\u00edvidas interna e externa e os entraves \u00e0 retomada do crescimento devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es do passivo externo l\u00edquido. Ele passou de 23% do produto interno bruto, em 1994, para 46%, em 1999, segundo o IPEA. As consequ\u00eancias para os trabalhadores j\u00e1 s\u00e3o amplamente conhecidas. A exclus\u00e3o social, pela concentra\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza, o desemprego, o trabalho prec\u00e1rio e informal, a deteriora\u00e7\u00e3o do sistema educacional p\u00fablico e do atendimento \u00e0 sa\u00fade, previd\u00eancia e assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso tudo, a convoca\u00e7\u00e3o para o plebiscito da d\u00edvida dever\u00e1 ser amplamente divulgada por todos aqueles que desejam construir uma sociedade mais igualit\u00e1ria e menos injusta. Dever\u00e1 criar um amplo espa\u00e7o de discuss\u00e3o sobre a pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal, que tem intensificado a inser\u00e7\u00e3o subordinada do Brasil ao sistema internacional e esquecido a soberania nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, subscrevemos o veredicto do Tribunal da D\u00edvida Externa e destacamos apenas um de seus pontos: &#8220;este Tribunal condena o processo do endividamento brasileiro, que implica na subordina\u00e7\u00e3o aos interesses do capital financeiro internacional e dos pa\u00edses ricos, apoiados pelos organismos multilaterais, como in\u00edquo e ileg\u00edtimo. Responsabiliza as elites dominantes pelo endividamento excessivo e por abdicarem de um projeto pr\u00f3prio de desenvolvimento para o Brasil.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-51896339 uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Mestrado em Economia<br \/>Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Economia<br \/>Departamento de Economia UFES<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de Estudos e Pesquisas em COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores:<\/strong> Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Professores pesquisadores:<\/strong> Maur\u00edcio de Souza Sabadini e Neide C\u00e9sar Vargas<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero:<\/strong> Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, D\u00e9bora Sader, Everlan Montibeler, Fernanda Carla Bada Rubim, Juez Ferreira da Silva, Kelly Machado Premoli, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo Alves de Morais, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Tyago Ribeiro Hoffmann, Vanuza da Silva Pereira.<br \/><strong>Colaboraram neste N\u00famero:<\/strong> Angela Maria Morandi<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0TjBHbGNHeEw4bTQ\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-uNSBMHEEyJvoa9jM_8oMmw\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original desta publica\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-b68e9d2c uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle7-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de Atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-0d2dc8a3\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Para surpresa do mercado, o Banco Central reduziu, no m\u00eas julho, a taxa de juros b\u00e1sicos da economia (Selic) de 17% para 16,5% e trocou o vi\u00e9s de baixa por um vi\u00e9s neutro. Embora concordando com a exist\u00eancia de espa\u00e7os para que a trajet\u00f3ria de queda dos juros fosse mantida, devido \u00e0 redu\u00e7\u00e3o significativa da infla\u00e7\u00e3o no primeiro semestre e ao comportamento favor\u00e1vel dos investimentos externos no financiamento do d\u00e9ficit em conta-corrente (entre janeiro e junho, para um d\u00e9ficit nessa conta de US$ 11,363 bilh\u00f5es registraram-se entradas de investimentos diretos no montante de US$ 14,158 bilh\u00f5es), a expectativa era de que o BC n\u00e3o se arriscaria a modific\u00e1-la numa conjuntura de turbul\u00eancia interna provocada pelo &#8220;affaire&#8221; Eduardo Jorge, cujos desdobramentos come\u00e7am a afetar a pouca credibilidade que ainda resta ao governo Fernando Henrique Cardoso. Al\u00e9m disso, existem poucas d\u00favidas sobre a possibilidade de obten\u00e7\u00e3o da meta inflacion\u00e1ria de 6% estabelecida para este ano (indicando que, com uma taxa de at\u00e9 8%, o compromisso assumido nesse <em>front<\/em> ser\u00e1 cumprido). As proje\u00e7\u00f5es mais pessimistas para a infla\u00e7\u00e3o, no segundo semestre, em virtude dos reajustes programados das tarifas p\u00fablicas, do aumento nos pre\u00e7os dos alimentos provocado pelas geadas deste ano e do maior aquecimento do consumo nos \u00faltimos meses, refor\u00e7avam a hip\u00f3tese de que o Banco Central poderia manter uma posi\u00e7\u00e3o defensiva em sua pol\u00edtica, postergando esse movimento de queda.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da Selic deve refor\u00e7ar a tend\u00eancia, em curso, de melhoria dos indicadores econ\u00f4micos e contribuir para reduzir os encargos anuais da d\u00edvida p\u00fablica. Com um cen\u00e1rio externo menos desfavor\u00e1vel, diante da possibilidade da economia norte-americana ter uma aterrissagem suave (<em>soft landing<\/em>); com as contas externas apresentando melhor desempenho, embora com redu\u00e7\u00f5es progressivas nas proje\u00e7\u00f5es dos super\u00e1vits da balan\u00e7a comercial, e com as contas internas caminhando para garantir as metas acordadas com o FMI, sua redu\u00e7\u00e3o seria uma consequ\u00eancia natural dessa situa\u00e7\u00e3o e seus resultados at\u00e9 poderiam contribuir para reverter o baixo n\u00edvel de popularidade do presidente FHC e para dar maior legitimidade \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica. Isso \u00e9 poss\u00edvel, mesmo com as conhecidas vulnerabilidades e limita\u00e7\u00f5es que continuam impedindo a decolagem sustentada da economia brasileira e com a progressiva deteriora\u00e7\u00e3o dos indicadores sociais do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de estarmos numa economia em que as restri\u00e7\u00f5es externas quase sempre determinam a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica, agora s\u00e3o principalmente as turbul\u00eancias internas de conte\u00fado pol\u00edtico que colocam em questionamento a sensata decis\u00e3o do Banco Central. Isso porque, se os desdobramentos do caso Eduardo Jorge deflagrarem a instaura\u00e7\u00e3o de uma CPI e atingirem ou pelo menos respingarem na presid\u00eancia, o BC poder\u00e1 ter de recuar na desej\u00e1vel redu\u00e7\u00e3o dos juros, indo de encontro \u00e0s tend\u00eancias atuais do quadro macroecon\u00f4mico. N\u00e3o sem raz\u00e3o estabeleceu-se o vi\u00e9s neutro at\u00e9 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (COPOM).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-ad1d7d8b\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Infla\u00e7\u00e3o<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os \u00edndices de pre\u00e7os apresentaram uma tend\u00eancia de aumento entre os meses de maio e junho de 2000. Em geral, os itens que mais contribu\u00edram para esse aumento foram os alimentos e as tarifas dos bens p\u00fablicos, administrados pelas concession\u00e1rias privadas. A expectativa para o segundo semestre \u00e9 que a tend\u00eancia de eleva\u00e7\u00e3o nos \u00edndices inflacion\u00e1rios permane\u00e7a, j\u00e1 que ocorreram aumentos em diversos produtos nas \u00faltimas semanas. A gasolina aumentou, em m\u00e9dia, 14,6% em S\u00e3o Paulo e o g\u00e1s de cozinha, 13%; a expectativa do governo para o aumento do diesel \u00e9 de 12% (FSP, 18.07.00). Somados com os reajustes que foram autorizados em mar\u00e7o, o aumento m\u00e9dio dos tr\u00eas principais derivados do petr\u00f3leo (gasolina, diesel e g\u00e1s de cozinha), desde dezembro de 1998, j\u00e1 est\u00e1 em 95,7%, enquanto a infla\u00e7\u00e3o acumulada pelo IGP-DI no mesmo per\u00edodo somou 24,99%. Tamb\u00e9m subiram os fretes rodovi\u00e1rios (4%), os ped\u00e1gios das rodovias (13,87%), a telefonia (16,4%), a energia el\u00e9trica (13,83%), os planos de sa\u00fade (5,42%) e, por causa do frio das \u00faltimas semanas, os hortifrutigranjeiros (133% em S\u00e3o Paulo).<\/p>\n\n\n\n<p>Esses aumentos percentuais est\u00e3o acima das previs\u00f5es feitas pelo governo. A principal explica\u00e7\u00e3o para este fato \u00e9 que os pre\u00e7os est\u00e3o liberados e os produtores e revendedores est\u00e3o livres para determinarem os seus pre\u00e7os finais. Esse livre-mercado segue a orienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica liberal adotada pelo Governo Federal. Ele s\u00f3 interfere quando h\u00e1 aumentos conjuntos de pre\u00e7os que s\u00e3o denunciados pelos \u00f3rg\u00e3os de defesa dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) desde 1980, apresentou um aumento significativo, passou de 0,01%, em maio, para 0,23%, em junho. Essa varia\u00e7\u00e3o deve-se, principalmente, aos aumentos nos pre\u00e7os do leite pasteurizado (7,62%), em raz\u00e3o da entressafra, telefonia fixa (3,08%), produtos farmac\u00eauticos (1,27%) e artigos de vestu\u00e1rio (0,92%). A taxa acumulada no ano ficou em 1,64% e 6,51% em 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O IPCA estima a infla\u00e7\u00e3o para fam\u00edlias com renda mensal de 01 at\u00e9 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, abrangendo as regi\u00f5es metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m, Fortaleza, Salvador, e Curitiba, al\u00e9m dos munic\u00edpios de Bras\u00edlia e Goi\u00e2nia. Por regi\u00e3o, o munic\u00edpio de Goi\u00e2nia apresentou a taxa mais elevada no m\u00eas de junho (0,68%), em raz\u00e3o, principalmente, da tarifa de \u00e1gua e esgoto (9,93%) e dos pre\u00e7os da gasolina (3,14%) e do \u00e1lcool (1,93%).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) foi criado em 1979 e tamb\u00e9m \u00e9 calculado pelo IBGE, abrangendo as mesmas regi\u00f5es e munic\u00edpios do IPCA. Tal \u00edndice engloba as fam\u00edlias com renda mensal de 01 a 08 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Em maio, o INPC foi de -0,05%. As regi\u00f5es que apresentaram maiores quedas foram: Rio de Janeiro (-0,51%), Goi\u00e2nia (-0,16%), Recife (-0,12%), S\u00e3o Paulo (-0,08%), Salvador (-0,07%), Curitiba e Bel\u00e9m (-0,02%). No m\u00eas de junho, o aumento no \u00edndice foi de 0,30%, apresentando um acr\u00e9scimo de 0,35% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. As maiores altas foram registradas em Goi\u00e2nia (0,65%), Porto Alegre (0,59%), S\u00e3o Paulo (0,46%), Salvador (0,45%) e Belo Horizonte (0,42%). Os produtos que mais contribu\u00edram para a eleva\u00e7\u00e3o do INPC, no m\u00eas de junho, foram os produtos aliment\u00edcios (0,18%), servi\u00e7os de telefonia fixa (3,18%), produtos farmac\u00eauticos (1,24%) e artigos de vestu\u00e1rio (0,84%). A taxa acumulada no ano atingiu 1,13%, e 5,58%, nos \u00faltimos doze meses. O resultado verificado no per\u00edodo mostra que as fam\u00edlias mais pobres sofreram mais com os aumentos de pre\u00e7os do que as da classe m\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de infla\u00e7\u00e3o medida pelo IGP-DI (\u00cdndice Geral de Pre\u00e7os Disponibilidade Interna) foi de 0,67% no m\u00eas de maio, contra 0,13% em abril, segundo a FGV. Em junho, o IGP-DI atingiu 0,93%; essa foi a maior taxa mensal desde janeiro, quando os pre\u00e7os haviam subido 1,02%. A alta foi puxada pelo \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA) que subiu de 0,69%, em maio, para 1,45%, em junho. A principal causa do aumento no IPA, conforme o coordenador do Centro de Estudos de Pre\u00e7os da FGV, Paulo Sidney Cota, foi a combina\u00e7\u00e3o do fim da estiagem com o in\u00edcio do frio, que fez a varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas no atacado subir de 0,63%, em maio, para 3,40%, em junho. Com esse aumento, a taxa acumulada no ano est\u00e1 em 3,16% e em 14,10%, nos \u00faltimos doze meses. A previs\u00e3o, para o m\u00eas de julho, \u00e9 que o IGP-DI fique entre 1,5% e 2%. Os respons\u00e1veis por essa press\u00e3o ser\u00e3o os pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas, somados aos aumentos nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no Mercado (IGP-M) da FGV-RJ apresentou uma taxa de infla\u00e7\u00e3o de 0,31% em maio, uma alta de 0,08 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o a abril. O \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA), um dos tr\u00eas componentes do IGP-M, cujo peso no \u00edndice \u00e9 de 60%, foi o principal componente da alta, subindo 0,20% em maio. Em junho a taxa de infla\u00e7\u00e3o estimada pelo IGP-M chegou a 0,85% e o \u00cdndice Nacional de Custo da Constru\u00e7\u00e3o (INCC) foi o principal respons\u00e1vel pelo aumento, subindo 1,06%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (FIPE-USP) para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, baixou de 0,09% em abril para 0,03% em maio. Os respons\u00e1veis por essa baixa foram os grupos alimenta\u00e7\u00e3o, principalmente produtos <em>in natura<\/em>, e vestu\u00e1rio. Essa tend\u00eancia de queda n\u00e3o se manteve em junho, pois o IPC aumentou para 0,18%. As explica\u00e7\u00f5es para esse acr\u00e9scimo recaem, principalmente, no adiantamento dos reajustes das tarifas e pre\u00e7os administrados pelas concession\u00e1rias de servi\u00e7os p\u00fablicos. Apesar do aumento, em junho, o IPC apresentou a menor taxa acumulada no primeiro semestre, 0,87%. Segundo o coordenador do \u00edndice, Heron do Carmo, o IPC receber\u00e1 fortes press\u00f5es no segundo semestre vindas, principalmente, dos reajustes das tarifas p\u00fablicas, como telefonia e energia el\u00e9trica, dos planos de sa\u00fade, dos pre\u00e7os de vestu\u00e1rios e dos produtos agr\u00edcolas em fun\u00e7\u00e3o da entressafra.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Custo de Vida, do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio-Econ\u00f4micos (ICV-DIEESE), registrou uma defla\u00e7\u00e3o, pela segunda vez no ano, em maio de 2000. Essa queda deveu-se \u00e0 redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os dos grupos Alimenta\u00e7\u00e3o (-0,36%), Habita\u00e7\u00e3o (-0,38%), Transportes (-0,38%) e Despesas Pessoais (-0,38%). Por\u00e9m, em junho, acompanhando os demais indicadores, o ICV sofreu uma alta de 0,15%. Os principais respons\u00e1veis pelo aumento foram os pre\u00e7os dos medicamentos, eletrodom\u00e9sticos e vestu\u00e1rio. A taxa acumulada no ano foi 2,01% e de 7,22% nos \u00faltimos doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2000, o pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica, na cidade de S\u00e3o Paulo, continua a mais cara do pa\u00eds, segundo o DIEESE. Em seguida vem Bras\u00edlia, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, e Florian\u00f3polis (tabela 2.2). Todas as capitais apresentaram recuo no pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. As principais quedas ocorreram em Fortaleza, Rio de Janeiro, Jo\u00e3o Pessoa e Curitiba. Este comportamento de queda ocorreu pela \u00faltima vez em julho de 1999. Os produtos que mais contribu\u00edram para essa baixa foram: tomate, com redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os em dezesseis capitais; carne e caf\u00e9, com recuo em doze capitais, o arroz diminuiu em dez capitais e o \u00f3leo de soja em nove capitais.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando comparamos o m\u00eas de maio de 2000 com o mesmo m\u00eas do ano passado, verificamos que as maiores altas, nos pre\u00e7os das cestas b\u00e1sicas, foram registradas em Bras\u00edlia (8,75%), Florian\u00f3polis (6,99%), Bel\u00e9m (6,99%) e Belo Horizonte (6,85%). Em Fortaleza (-5,67%), Jo\u00e3o Pessoa (-0,89%), Salvador (-0,55%) e Porto Alegre (-0,29%) a varia\u00e7\u00e3o foi negativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Vit\u00f3ria o pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica foi estimado em R$ 93,70 no m\u00eas de maio, apresentando uma queda de -3,57% em rela\u00e7\u00e3o a abril. Os produtos que mais contribu\u00edram para a queda nos pre\u00e7os foram o tomate (-44,14%), arroz (-12%), carne (-2,67%) e feij\u00e3o (-1,94%). Vit\u00f3ria colocou-se na 9\u00aa posi\u00e7\u00e3o no ranking das capitais com cesta b\u00e1sica mais cara. Segundo os t\u00e9cnicos do DIEESE, tomando como base a cesta b\u00e1sica mais cara do pa\u00eds (a da cidade de S\u00e3o Paulo), o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para a subsist\u00eancia de uma fam\u00edlia composta de dois adultos e duas crian\u00e7as deveria ser de R$ 939,06 ou 6,2 vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente no pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-7a33bb2f\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) a produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial brasileira apresentou uma redu\u00e7\u00e3o de -1,7%, na compara\u00e7\u00e3o entre os meses de abril e maio de 2000, indicando que a retomada do crescimento no primeiro trimestre do ano ainda n\u00e3o consolidou sua trajet\u00f3ria. A produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo, dur\u00e1veis, semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis foi a que mais diminuiu, seguida dos setores de bens intermedi\u00e1rios e de bens de capital (tabela 3.1).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, observa-se que a produ\u00e7\u00e3o industrial cresceu 6,1% na compara\u00e7\u00e3o entre o m\u00eas de maio de 2000 e o mesmo m\u00eas do ano de 1999. Os setores que mais contribu\u00edram para este crescimento foram o de bens de consumo dur\u00e1veis (26,3%) e o de bens de capital (13,6%). O setor de bens intermedi\u00e1rios cresceu 6,6%, acompanhando a m\u00e9dia do setor industrial. A produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis foi a \u00fanica a apresentar retra\u00e7\u00e3o no per\u00edodo (-2,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos doze meses, a ind\u00fastria em geral cresceu 3,2%. A produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios expandiu-se 5,2% e a de bens de consumo dur\u00e1veis 6,2%. Apesar da recupera\u00e7\u00e3o dos primeiros meses do ano, a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital ainda acumula uma queda de -0,5%, juntamente com o setor de bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do crescimento observado no in\u00edcio do ano, a queda na produ\u00e7\u00e3o de todos os setores industriais, no m\u00eas de maio, acena com um limite para recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira. Segundo um levantamento feito pelo Bicbanco (FSP, 19.07.00), para todos os setores industriais, 26,8% das ind\u00fastrias consultadas est\u00e3o com estoques acima do planejado, ou seja, apesar de estarem aumentando a produ\u00e7\u00e3o, as ind\u00fastrias n\u00e3o est\u00e3o conseguindo vender seus produtos. Trata-se, portanto, de um problema de demanda, como foi constatado pela pesquisa. Dada a continuidade das altas taxas de desemprego, do aumento de algumas tarifas p\u00fablicas e dos combust\u00edveis e da queda na massa salarial, ocorreu uma queda no poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o, neste in\u00edcio de ano, principalmente nas camadas de renda mais baixa. Mas, o setor mais afetado pela baixa demanda \u00e9 o produtor de bens de consumo semidur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis, principalmente devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es no cr\u00e9dito. Os dados da pesquisa mostram que o faturamento real da ind\u00fastria de alimentos, por exemplo, caiu -2,5% de janeiro a maio deste ano, em compara\u00e7\u00e3o a igual per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-84b30e3e\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade do Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa industrial do IBGE, a produ\u00e7\u00e3o industrial do Esp\u00edrito Santo cresceu 8,1%, no m\u00eas de maio de 2000, 8,2%, no total acumulado entre janeiro e maio, e 10,3%, no acumulado em doze meses. Considerando a taxa mensal de crescimento, o Estado colocou-se em terceiro lugar, s\u00f3 perdendo para o Rio Grande do Sul (12,6%) e para o Cear\u00e1 (10,7%). A taxa acumulada em doze meses colocou a economia capixaba em primeiro lugar em crescimento, 2,7 pontos percentuais acima do segundo colocado, o Rio Grande do Sul (7,6%).<\/p>\n\n\n\n<p>Esse desempenho excepcional da economia capixaba deveu-se ao crescimento da produ\u00e7\u00e3o das grandes empresas exportadoras, principalmente de <em>pellets<\/em>, chapas de ferro e a\u00e7o e celulose. Assim, a ind\u00fastria extrativa mineral cresceu 17,84% e a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, 8,29%. Dentre os g\u00eaneros industriais, os que mais cresceram foram a metalurgia e papel e papel\u00e3o. A produ\u00e7\u00e3o de minerais n\u00e3o met\u00e1licos foi a \u00fanica que apresentou queda (-6,5%), tabela 3.2.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio, a ind\u00fastria em geral cresceu 8,1%, com um crescimento de 18,34% da ind\u00fastria extrativa mineral e 5,51% da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o. A metalurgia, qu\u00edmica e papel e papel\u00e3o foram os g\u00eaneros industriais que mais cresceram no m\u00eas. Os produtos alimentares, os minerais n\u00e3o met\u00e1licos e o t\u00eaxtil foram aqueles que apresentaram queda na produ\u00e7\u00e3o (tabela 3.2). Destacou-se, no per\u00edodo, a ind\u00fastria t\u00eaxtil com uma redu\u00e7\u00e3o de quase -50% em sua produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho da ind\u00fastria, medido pelas suas vendas, refor\u00e7ou o quadro descrito. Em maio, as vendas cresceram 12,25%, em rela\u00e7\u00e3o a abril, e 19,52%, em rela\u00e7\u00e3o a maio do ano passado. A compara\u00e7\u00e3o, no total acumulado em doze meses, mostrou um desempenho bastante consistente e cont\u00ednuo da economia capixaba, nos cinco primeiros meses do ano (tabela 3.3).<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, esse resultado n\u00e3o est\u00e1 sendo revertido para os trabalhadores. No m\u00eas de abril, apesar das vendas terem crescido 28,49%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano anterior, os sal\u00e1rios reais cresceram apenas 2,74%. Em maio, as vendas cresceram 19,52% e os sal\u00e1rios reais diminu\u00edram em -0,02%. Comparando os valores acumulados em doze meses, as vendas cresceram 17,43%, em abril, e 18,59%, em maio. Nesse mesmo per\u00edodo, os sal\u00e1rios diminu\u00edram em -6,06%, em abril, e -5,73%, em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>Por esta raz\u00e3o, os comerciantes e outros credores capixabas observaram, tamb\u00e9m, um excepcional crescimento na inadimpl\u00eancia. Apesar da queda no m\u00eas, as novas inclus\u00f5es no SPC cresceram 78,0% em compara\u00e7\u00e3o a junho do ano passado. O aumento l\u00edquido de novos inadimplentes, inscritos no SPC, em maio e junho atingiram um total de 19.396 inscri\u00e7\u00f5es. A quantidade de cheques devolvidos comportou-se de maneira semelhante. Entre maio e junho de 2000, observou-se uma queda nas inclus\u00f5es, mas uma queda ainda mais importante nas baixas. Isso significou que, no m\u00eas de junho, ocorreu um aumento l\u00edquido no total de cheques sem fundos. O saldo l\u00edquido de cheques devolvidos em maio e junho de 2000 atingiu um total de 3.205 cheques.<\/p>\n\n\n\n<p>As consultas ao SPC, que indicam as tend\u00eancias de vendas a prazo, diminu\u00edram em rela\u00e7\u00e3o a maio mas cresceram significativamente em rela\u00e7\u00e3o a junho do ano passado. Quanto ao indicador de vendas \u00e0 vista, ele cresceu tanto no m\u00eas quanto em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, tabela 3.4.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9e3c38f0\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o come\u00e7am a divulgar, justamente com a chegada das elei\u00e7\u00f5es municipais, uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que, segundo eles, est\u00e1 trazendo melhoras nos indicadores de emprego no pa\u00eds. Segundo os dados, tabela 4.1, essas melhoras podem ser verificadas pelos \u00edndices do IBGE que mostram uma pequena queda entre os meses de mar\u00e7o e abril de 2000, mantendo-se est\u00e1vel a partir da\u00ed. Por outro lado, pelos \u00edndices do DIEESE, houve um crescimento na taxa de desemprego at\u00e9 maio de 2000 e uma pequena queda em junho. Tudo isso indica que o quadro geral reflete uma certa estabilidade; estabilidade esta que significa taxas alt\u00edssimas de desemprego que ainda marcam a economia brasileira nos anos noventa. Nem a d\u00e9cada de oitenta, considerada a &#8216;d\u00e9cada perdida&#8217;, apresentou um quadro de desemprego dessa magnitude. A taxa de maio de 2000, do IBGE (7,8%), foi uma das maiores dos \u00faltimos quinze anos para o m\u00eas de maio. Portanto, resta saber se essas pequenas oscila\u00e7\u00f5es nos \u00edndices refletem apenas algumas pequenas &#8216;bolhas&#8217; de utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa de determinadas atividades produtivas ou se, no longo-prazo, representar\u00e3o um crescimento sustentado na economia brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de desemprego em maio manteve-se est\u00e1vel, segundo os dados do IBGE, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de abril e n\u00e3o apresentou altera\u00e7\u00e3o significativa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 de maio do ano passado. A taxa de desemprego m\u00e9dia, dos cinco primeiros meses de 2000, ficou em 7,9%, praticamente o mesmo resultado do ano passado que registrou uma taxa m\u00e9dia de 7,8%. O n\u00famero de pessoas ocupadas aumentou 0,8% de abril para maio deste ano e 5,0% de maio do ano passado para maio deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os meses de abril e maio deste ano, a taxa de desemprego aberto caiu na maioria das regi\u00f5es pesquisadas. Em Salvador, a taxa caiu de 10,6% para 9,7% e, em Belo Horizonte, de 8,7% para 8,0%. Mas o desemprego aumentou nas regi\u00f5es metropolitanas de Recife e S\u00e3o Paulo. Em Recife, passou de 8,2% para 8,7% e, em S\u00e3o Paulo, de 8,0% para 8,4%. Setorialmente, a taxa de desemprego caiu ligeiramente na constru\u00e7\u00e3o civil, no com\u00e9rcio e na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e cresceu no setor de servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>O rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas, segundo o IBGE, manteve-se constante de mar\u00e7o para abril deste ano. As quedas verificadas em Recife (-1,3%) e em S\u00e3o Paulo (-0,5%) foram compensadas pelos acr\u00e9scimos nas outras regi\u00f5es, com destaque para o Rio de Janeiro e Porto Alegre (1,5%). Dentre as principais categorias, caiu o rendimento dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria (-1,0%) e cresceu o dos empregados com e sem carteira de trabalho assinada (em torno de 1,5%). De abril de 1999 para abril deste ano, o rendimento m\u00e9dio das pessoas ocupadas caiu em -2,0%, principalmente em fun\u00e7\u00e3o das quedas observadas em S\u00e3o Paulo (-3,9%) e Salvador (-2,3%). Dentre as regi\u00f5es que registraram crescimento destacam-se Belo Horizonte (3,5%) e Porto Alegre (2,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>A Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD), realizada pelo IBGE, mostra que o rendimento m\u00e9dio mensal dos trabalhadores caiu -7,1% entre 1998 e 1999. Enquanto 20,1% dos trabalhadores recebiam at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo, somente 2,2% ganhavam mais de vinte sal\u00e1rios m\u00ednimos, em 1999. A medida provis\u00f3ria de desindexa\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios (MP 1.053\/95), editada pelo Governo federal em 1995, suprimiu o mecanismo de reajuste salarial e representou o fim da pol\u00edtica salarial regulamentada pelo Estado. A partir da\u00ed, a &#8216;livre negocia\u00e7\u00e3o&#8217; e o natural enfraquecimento dos instrumentos legais de negocia\u00e7\u00e3o coletiva estimularam o reajuste diferenciado entre as categorias mais organizadas e as mais fr\u00e1geis, &#8220;(&#8230;) o que dever\u00e1 levar a uma diferencia\u00e7\u00e3o dos rendimentos entre os trabalhadores e (com os sindicatos fragilizados em fun\u00e7\u00e3o do atual contexto econ\u00f4mico e pol\u00edtico), tamb\u00e9m, a uma perda do poder de compra dos sal\u00e1rios&#8221; e de alguns benef\u00edcios sociais (Sistema de rela\u00e7\u00f5es de trabalho e negocia\u00e7\u00e3o coletiva &#8211; Relat\u00f3rio de Pesquisa, CESIT\/DIEESE, jan\/00, p. 58). Al\u00e9m disso, os cont\u00ednuos e elevados reajustes dos pre\u00e7os dos bens p\u00fablicos, administrados pelas concession\u00e1rias privadas, acentuam a perda dos trabalhadores assalariados. As concession\u00e1rias t\u00eam respaldo jur\u00eddico para reajustarem seus pre\u00e7os a cada ano e, caso haja algum &#8216;imprevisto&#8217;, podem reajust\u00e1-los antes mesmo desse prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o DIEESE, a taxa de desemprego total entre maio e junho de 2000 permaneceu praticamente est\u00e1vel pelo segundo m\u00eas consecutivo, variando de 18,7% para 18,6%, tabela 4.1. O contingente de desempregados na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo foi estimado em 1.689.000 pessoas. Entre junho de 1999 e junho de 2000, a taxa de desemprego total diminuiu em 1,3 pontos percentuais, significando a cria\u00e7\u00e3o de 207.000 novos empregos. Destes, 112.000 correspondem \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de novas pessoas \u00e0 PEA e 95.000 aos desempregados que conseguiram empregos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-4c4f75c7\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O n\u00edvel de emprego industrial estimado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo (IDEIES) apresentou, em maio de 2000, um crescimento de 1,2% em rela\u00e7\u00e3o a abril. Dentre os setores que mais empregaram, destacam-se: Qu\u00edmica, Material Pl\u00e1stico, Constru\u00e7\u00e3o Civil e Produtos Alimentares. Por sua vez, apresentaram resultado negativo os setores de Mec\u00e2nica, Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es, Outros e Bebidas, (tabela 4.2). O desempenho nos \u00faltimos doze meses \u00e9 muito positivo. O crescimento foi de 4,54%. Durante esse per\u00edodo, os setores que mais demitiram foram: Papel e Papel\u00e3o, Madeira e Borracha. J\u00e1 os que mais empregaram foram: Constru\u00e7\u00e3o Civil, Ind\u00fastrias Diversas, Material Pl\u00e1stico e Editorial e Gr\u00e1fica. A tend\u00eancia \u00e9 que, nos pr\u00f3ximos meses, ocorra uma eleva\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de emprego neste \u00faltimo setor, em virtude das campanhas eleitorais no segundo semestre. Considerando as ind\u00fastrias por porte, a recupera\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de emprego deve-se principalmente \u00e0s pequenas (1,38%) e m\u00e9dias empresas (2,29%). As grandes empresas, por sua vez, apresentaram resultado negativo, -0,16%.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria v\u00eam apresentando melhoras desde o m\u00eas de fevereiro, mas ainda s\u00e3o menores do que aqueles pagos no ano passado. No m\u00eas de maio, eles sofreram ligeiro aumento em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de abril, mas ainda diminu\u00edram quando comparado com o mesmo m\u00eas do ano anterior, tabela 4.3. Apesar dessa tend\u00eancia declinante, os sal\u00e1rios reais est\u00e3o apresentando perdas significativas na compara\u00e7\u00e3o em doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados do SINE\/ES mostram que todos os indicadores de intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra aumentaram em maio, tabela 4.4. O total da m\u00e3o-de-obra cadastrada, que inclui tamb\u00e9m as pessoas que fazem requerimento do seguro-desemprego, aumentou de 4.858 para 7.287 pessoas, as vagas captadas pelo SINE aumentaram de 925 para 1.991; a m\u00e3o-de-obra encaminhada, de 1.590 para 2.789; a m\u00e3o-de-obra colocada passou de 438 para 1.219; e a taxa de aloca\u00e7\u00e3o, que reflete as pessoas colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas oferecidas, pulou de 47,35% para 61,23%.<\/p>\n\n\n\n<p>A trajet\u00f3ria dos indicadores nos cinco primeiros meses deste ano mostra uma sens\u00edvel melhora no mercado de trabalho. A demanda de ocupa\u00e7\u00f5es, no SINE\/ES, cresceu apenas 1,14%, enquanto a oferta de postos de trabalho cresceu 45,35% e a m\u00e3o-de-obra colocada cresceu 74,75%.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-14a7c31b\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base Monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de junho, consideradas as posi\u00e7\u00f5es de final de per\u00edodo, a base monet\u00e1ria atingiu um saldo de R$ 32,3 bilh\u00f5es, uma queda de -9,9% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. O saldo de papel-moeda emitido alcan\u00e7ou a soma de R$ 23,2 bilh\u00f5es, crescendo 3,4%, e o das reservas banc\u00e1rias R$ 9,1 bilh\u00f5es, decrescendo -32,2% (tabela 5.1). O total dos meios de pagamentos atingiu R$ 54,3 bilh\u00f5es, crescendo 2,6% no m\u00eas, refletindo a pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios que o Banco Central vem aplicando desde o in\u00edcio do ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A base monet\u00e1ria diminuiu em R$ 3,6 bilh\u00f5es em junho, refletindo as opera\u00e7\u00f5es do tesouro nacional e a venda de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica para o sistema financeiro. Estes dois fatores foram respons\u00e1veis por 95% da contra\u00e7\u00e3o na base. O resultado prim\u00e1rio do tesouro nacional foi respons\u00e1vel pela redu\u00e7\u00e3o de R$ 2,1 bilh\u00f5es e as coloca\u00e7\u00f5es l\u00edquidas de t\u00edtulos no mercado prim\u00e1rio representaram a redu\u00e7\u00e3o de R$ 1,2 bilh\u00f5es na base monet\u00e1ria. As outras opera\u00e7\u00f5es, com exce\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es do setor externo, apresentaram efeito expansionista (tabela 5.2).<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica monet\u00e1ria executada pelo BCB est\u00e1 combinando a expans\u00e3o dos meios de pagamentos, por meio da redu\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios, e a amplia\u00e7\u00e3o das possibilidades de rolagem da d\u00edvida interna com a restri\u00e7\u00e3o na base monet\u00e1ria. Esse duplo movimento permite ao sistema financeiro ampliar a cria\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria de moeda, por meio do aumento no multiplicador monet\u00e1rio, reduzir as taxas de juros e evitar uma crise de liquidez no sistema.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2de74977\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O volume global das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e arrendamento mercantil do sistema financeiro elevou-se de R$ 288,3 bilh\u00f5es, em abril, para R$ 290,8 bilh\u00f5es, em maio, consideradas as nove faixas de risco, com expans\u00e3o de 0,87%, em rela\u00e7\u00e3o a abril. O setor p\u00fablico reduziu seu endividamento de R$ 16,3 para R$ 15,6 bilh\u00f5es e o setor privado aumentou de R$ 272,1 para R$ 275,2 bilh\u00f5es, entre abril e maio. A ind\u00fastria e a habita\u00e7\u00e3o apresentaram redu\u00e7\u00f5es de -4,1% e -1,4%, respectivamente, nos cr\u00e9ditos obtidos. As outras atividades tiveram incremento em seus cr\u00e9ditos. As que mais obtiveram foram outros servi\u00e7os (7,1%), pessoas f\u00edsicas (5,6%) e com\u00e9rcio (5,3%), tabela 5.3.<\/p>\n\n\n\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o da carteira de cr\u00e9ditos, segundo a classifica\u00e7\u00e3o de risco, revelou que 62,8% do total estavam concentrados nos dois melhores n\u00edveis, AA e A (tabela 5.3), com saldo de R$ 182,6 bilh\u00f5es. Os n\u00edveis intermedi\u00e1rios de B a G concentraram 27,9% do saldo dos empr\u00e9stimos e o n\u00edvel H, que requer 100% de provisionamento, permaneceu quase no mesmo patamar do m\u00eas anterior, mantendo um saldo de R$ 27,1 bilh\u00f5es e participando com apenas 9,3% do total dos cr\u00e9ditos concedidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Observando os dados pelo lado da oferta de cr\u00e9dito, as institui\u00e7\u00f5es privadas foram respons\u00e1veis por 50,4% dos empr\u00e9stimos e as p\u00fablicas por 49,6%. O sistema financeiro privado atendeu principalmente ao com\u00e9rcio (77,3%), \u00e0s pessoas f\u00edsicas (73,2%), aos outros servi\u00e7os (66,5%) e \u00e0 ind\u00fastria (59,6%). O sistema p\u00fablico voltou-se para atender ao pr\u00f3prio governo (92,0%), \u00e0 habita\u00e7\u00e3o (83,1%) e ao setor rural (78,5%). Em termos dos riscos assumidos, o sistema privado tem apenas 4,4% de seus cr\u00e9ditos no n\u00edvel mais elevado e 71,9% nos n\u00edveis de menor risco. Em contrapartida, o sistema p\u00fablico est\u00e1 com 14,4% dos empr\u00e9stimos com mais de 180 dias de atraso e apenas 53,4% sem nenhum atraso.<\/p>\n\n\n\n<p>Os maiores \u00edndices de inadimpl\u00eancia, com o sistema financeiro estatal, est\u00e3o no com\u00e9rcio (25%), no setor rural (19,6%), na habita\u00e7\u00e3o (16,8%) e na ind\u00fastria (12,1%). Para o sistema privado, o com\u00e9rcio apresenta uma taxa de 5,5%, o setor rural, 4,5%, a habita\u00e7\u00e3o, 7,0% e a ind\u00fastria, 3,4%. O pr\u00f3prio governo \u00e9 respons\u00e1vel por estar com 48,5% de suas d\u00edvidas em atraso com as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e com apenas 1,6% com o sistema privado. Assim, parece que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente em rela\u00e7\u00e3o aos crit\u00e9rios de sele\u00e7\u00e3o e concess\u00e3o dos empr\u00e9stimos, mas de comportamento dos pr\u00f3prios devedores em rela\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se considerar que o sistema financeiro p\u00fablico \u00e9 continuamente utilizado para fins pol\u00edticos ou de pol\u00edtica econ\u00f4mica, principalmente a agr\u00edcola e a habitacional. Apesar disso, a nova classifica\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos, segundo os crit\u00e9rios de risco estabelecidos pelo BCB, foi respons\u00e1vel pela amplia\u00e7\u00e3o do rombo da CEF, de R$ 6,8 bilh\u00f5es para R$ 10,6, de abril para maio, tendo em vista a inclus\u00e3o de empr\u00e9stimos realizados com recursos do FGTS no n\u00edvel H (FSP, 04.07.00).<\/p>\n\n\n\n<p>O descaso do governo federal para com os bancos p\u00fablicos federais n\u00e3o \u00e9 recente. O PROER envolveu recursos da ordem de R$ 20,8 bilh\u00f5es, apresentando uma inadimpl\u00eancia de cerca de 50%. Sob a justificativa de proteger a moeda e o sistema financeiro, o BCB envolveu o BB e a CEF neste programa, contribuindo de forma decisiva para os altos n\u00edveis de inadimpl\u00eancia destas institui\u00e7\u00f5es. \u00c9 v\u00e1lido recordar que o BB emprestou R$ 4,6 bilh\u00f5es ao Banco Nacional para evitar sua quebra, em 1985, e a CEF absorveu as carteiras imobili\u00e1rias de bancos participantes do PROER. Recentemente, em janeiro de 1999, o BCB realizou opera\u00e7\u00f5es de c\u00e2mbio duvidosas, por meio do BB, junto aos bancos Marka e FonteCindam, resultando em preju\u00edzos de R$ 7,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio da Fazenda divulgou um estudo da consultoria Booz Allen &amp; Hamilton, contratado pelo BNDES, sobre os bancos federais (BB, CEF, BNDES, BASA, BNB) e inaugurou um per\u00edodo de tr\u00eas meses de debate acerca do futuro dessas institui\u00e7\u00f5es. A proposta mais radical prev\u00ea a privatiza\u00e7\u00e3o de todo o sistema financeiro p\u00fablico. Mas, a leitura do trabalho sugere estar em curso uma estrat\u00e9gia de privatiza\u00e7\u00e3o das carteiras comerciais desses bancos, consideradas incompat\u00edveis com a atua\u00e7\u00e3o dos mesmos na \u00e1rea de pol\u00edticas p\u00fablicas. O estudo indica que existem lacunas na atua\u00e7\u00e3o dessas institui\u00e7\u00f5es e que as mesmas podem envolver perdas de at\u00e9 R$ 1,3 bilh\u00e3o para o governo entre 2003 e 2005. Considera como relevantes, a atua\u00e7\u00e3o do BNDES no financiamento do investimento de longo prazo e do BB no financiamento do com\u00e9rcio exterior. Segundo a an\u00e1lise, muitas \u00e1reas cobertas por tais institui\u00e7\u00f5es poderiam ser atendidas pela iniciativa privada, propondo cinco alternativas &#8211; hierarquizadas do n\u00edvel atual de interven\u00e7\u00e3o at\u00e9 um n\u00edvel meramente regulat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta prov\u00e1vel estrat\u00e9gia do governo refor\u00e7a as tend\u00eancias do mercado, as quais o presidente da empresa de consultoria Austin Assis identifica como sendo uma nova onda de consolida\u00e7\u00e3o do sistema banc\u00e1rio brasileiro. Este sai da tr\u00e9gua patrimonial para uma nova onda de consolida\u00e7\u00e3o que envolveria a sa\u00edda de bancos do mercado e a intensifica\u00e7\u00e3o das fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es, buscando ganhar escala e reduzir custos, especialmente nas opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito de varejo. As pol\u00edticas cambial e monet\u00e1ria do ano passado proporcionaram alt\u00edssima lucratividade aos bancos. Assim, os lucros dos 100 maiores bancos cresceram de R$ 5,1 bilh\u00f5es, em 1998, para R$ 12,5 bilh\u00f5es, em 1999. Entretanto, a expectativa dos bancos \u00e9 de que esta lucratividade n\u00e3o permanece e de que teriam que efetuar elevadas capitaliza\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para se manter no mercado ou para comprar institui\u00e7\u00f5es j\u00e1 existentes (Conjuntura Econ\u00f4mica, jul\/00). Assim, as privatiza\u00e7\u00f5es cumpririam um papel altamente funcional ao movimento de centraliza\u00e7\u00e3o de capital na esfera financeira.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9bbd3fb8\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O Banco Central, ap\u00f3s cerca de um ano de grande conservadorismo na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, tem implementado pol\u00edticas menos conservadoras nas \u00faltimas semanas. A taxa de juros, que desde meados do ano passado estava na \u00f3rbita dos 19% ao ano, foi reduzida para 17,5% na reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria em junho. Posteriormente, no dia 7 de julho, foi novamente reduzida para 17%, mediante a utiliza\u00e7\u00e3o do vi\u00e9s de baixa. Por fim, a \u00faltima reuni\u00e3o do COPOM, encerrada em 19 de julho, reduziu novamente a taxa para 16,5%, a despeito das previs\u00f5es contr\u00e1rias dos consultores financeiros. Colaboraram para essa queda mais significativa da taxa <em>Selic<\/em>, os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o do primeiro semestre, a sinaliza\u00e7\u00e3o de aumento na oferta de petr\u00f3leo por parte da OPEP e as indica\u00e7\u00f5es de &#8220;pouso suave&#8221; da economia norte-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a infla\u00e7\u00e3o que foi a boa not\u00edcia do primeiro semestre \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o para o segundo, quando os pre\u00e7os poder\u00e3o ter uma alta de, pelo menos, 3,5% em fun\u00e7\u00e3o dos reajustes das tarifas dos servi\u00e7os p\u00fablicos e do pre\u00e7o dos combust\u00edveis. Este tem como objetivo alcan\u00e7ar a meta de R$ 3,5 bilh\u00f5es na conta petr\u00f3leo, acertada com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>As den\u00fancias de envolvimento do governo no repasse de verbas \u00e0 obra superfaturada do F\u00f3rum Trabalhista de S\u00e3o Paulo gerou, possivelmente, a maior crise pol\u00edtica da gest\u00e3o FHC, com efeitos sobre o mercado futuro. Devido \u00e0s incertezas, os contratos neste mercado t\u00eam apresentado taxas de juros ascendentes. Aparentemente, o BCB resolveu adotar a postura de reduzir a taxa de juros em 0,5% para minimizar o efeito da crise, retirando, todavia, o vi\u00e9s de baixa.<\/p>\n\n\n\n<p>Visando a estimular a concorr\u00eancia e a queda nas taxas de juros cobradas na ponta do mercado, o BCB continua divulgando as taxas cobradas pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras aos tomadores finais. Mesmo com a redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica de juros e no coeficiente de dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam reduzido as taxas cobradas dos clientes na mesma propor\u00e7\u00e3o. Nos limites m\u00ednimos e m\u00e1ximos, observa-se que a taxa de juros para o cheque especial aumentou entre maio e julho deste ano. A m\u00ednima, que era de 1,6% ao m\u00eas, cobrada pelo Banco Cruzeiro do Sul, passou para 1,9%, cobrada pelo Lloyds Bank. A m\u00e1xima, que era de 12,66% ao m\u00eas, passou para 13,82%, ambas cobradas pelo Citibank. Entretanto, as taxas m\u00ednimas e m\u00e1ximas pr\u00e9-fixadas, cobradas no cr\u00e9dito pessoal, diminu\u00edram entre 05 e 30 de maio. O Banco Ribeir\u00e3o Preto, que cobrava 1,44%, foi substitu\u00eddo pelo Banco Sogeral, com apenas 0,92%, e a Crefisa, que cobrava a maior taxa (15,51%), permanece, mas com uma redu\u00e7\u00e3o para 14,49% ao m\u00eas (tabela 5.4).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-42e6be43\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica de corte de gastos de investimento se apresentou, nos dois \u00faltimos meses, como a principal estrat\u00e9gia capaz de garantir os super\u00e1vits prim\u00e1rios obtidos pelo setor p\u00fablico. Desde o veto do presidente ao artigo da LDO, que impedia cortes de gastos na Rede de Prote\u00e7\u00e3o Social, apesar das declara\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio das autoridades governamentais, os programas de combate \u00e0 pobreza perderam as garantias de que dispunham frente aos cortes (FSP, 05.06.00). Por outro lado, pressionado pela opini\u00e3o p\u00fablica, o governo reduziu em R$ 695 milh\u00f5es o corte or\u00e7ament\u00e1rio de R$ 7,4 bilh\u00f5es efetuado em maio, para o lan\u00e7amento do Plano de Seguran\u00e7a Nacional. Visando a n\u00e3o afetar as metas fiscais junto ao FMI, fez-se uma &#8220;m\u00e1gica metodol\u00f3gica&#8221; no c\u00e1lculo do super\u00e1vit prim\u00e1rio. O governo passou a considerar em conjunto o super\u00e1vit prim\u00e1rio do governo central (Tesouro Nacional, Previd\u00eancia Social e Banco Central) e o das empresas estatais. Conta-se com os resultados favor\u00e1veis da Petrobr\u00e1s face o comportamento dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo (FSP, 28.06.00).<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do governo central, no conceito &#8220;acima da linha&#8221;, foi superavit\u00e1rio em R$ 2,7 bilh\u00f5es no m\u00eas de maio, contra um saldo de R$ 3,8 bilh\u00f5es no m\u00eas anterior, acumulando R$ 13,4 bilh\u00f5es nos primeiros cinco meses do ano, um crescimento de 53,7% em rela\u00e7\u00e3o ao resultado de igual per\u00edodo de 1999, em termos nominais. A expressividade deste resultado \u00e9 comprovada pelo aumento de 2,2% para 2,85% na rela\u00e7\u00e3o super\u00e1vit prim\u00e1rio acumulado\/PIB, entre 1999 e 2000. O super\u00e1vit alcan\u00e7ado pelo governo, no m\u00eas de maio, foi o resultado do saldo positivo de R$ 3,4 bilh\u00f5es obtido pelo Tesouro, deduzidos os d\u00e9ficits de R$ 650,1 milh\u00f5es com a previd\u00eancia e R$ 68,4 milh\u00f5es com o Banco Central (tabela 6.1).<\/p>\n\n\n\n<p>A contra\u00e7\u00e3o de despesas \u00e9 o aspecto fundamental para explicar o resultado obtido pelo Tesouro. Apesar de crescerem nominalmente 10,08%, no acumulado do ano, elas t\u00eam diminu\u00eddo sua participa\u00e7\u00e3o no PIB, de 14,5%, em 1999, para 13,4%, em 2000. A conten\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de despesas ocorridas at\u00e9 a aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento em abril e a estrat\u00e9gia de corte or\u00e7ament\u00e1rio verificada em maio explicam esta queda. Deve-se notar que, apesar de as despesas com OCC crescerem 31,21% entre maio e abril, em parte compensando os gastos comprimidos nos quatro primeiros meses do ano, elas atingem valores nominais inferiores aos de maio de 1999. No acumulado do ano, as despesas com OCC apresentam um crescimento nominal de apenas 1,9% frente ao ano passado, resultando na corros\u00e3o real dos investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A receita total do governo central em maio manteve-se no mesmo patamar de R$ 19,0 bilh\u00f5es arrecadados em abril, crescendo, no acumulado, 14,58% em rela\u00e7\u00e3o a 1999. Quanto ao Tesouro, as receitas com contribui\u00e7\u00f5es v\u00eam compensando a queda das receitas com impostos. As contribui\u00e7\u00f5es apresentaram um aumento de 1,5% e os impostos um decr\u00e9scimo de 1,3% do PIB, comparando-se o valor acumulado de 2000 com 1999. Por estas raz\u00f5es, o governo procura postergar ao m\u00e1ximo a ado\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es n\u00e3o cumulativas, bem como a extin\u00e7\u00e3o de algumas dessas contribui\u00e7\u00f5es. A redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota da CPMF de 0,38 para 0,3%, em 17 de julho \u00faltimo, comprimir\u00e1 tais receitas em cerca de R$ 260 milh\u00f5es ao m\u00eas (FSP, 28.05.00).<\/p>\n\n\n\n<p>Deve-se destacar, tamb\u00e9m, o crescimento de 15,2% das outras receitas, de abril para maio, devido especialmente \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o de receitas com concess\u00f5es de telecomunica\u00e7\u00f5es. A conta petr\u00f3leo, por outro lado, n\u00e3o apresentou super\u00e1vits em 2000, conforme previsto pelo governo. Os recentes reajustes nos pre\u00e7os da gasolina devem reverter o quadro, al\u00e9m do recuo dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo, ap\u00f3s o an\u00fancio da OPEP de eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final de julho (FSP, 18.07.00). As receitas extraordin\u00e1rias, na forma de concess\u00f5es, dep\u00f3sitos judiciais, parcelamento de d\u00edvidas, dentre outras, v\u00eam dando a t\u00f4nica da atua\u00e7\u00e3o da Fazenda, na aus\u00eancia de uma pol\u00edtica tribut\u00e1ria consistente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Responsabilidade Fiscal determinou que sejam explicitadas por regi\u00e3o e por esp\u00e9cie o que denomina de ren\u00fancias previdenci\u00e1rias. O Informe da Previd\u00eancia Social, de junho, trata como privilegiados os segurados especiais, as entidades filantr\u00f3picas, o empregador dom\u00e9stico, as empresas enquadradas no SIMPLES, o produtor rural e os clubes de futebol. Indica que s\u00e3o eles os principais respons\u00e1veis pelo d\u00e9ficit previdenci\u00e1rio e faz uma estimativa das &#8220;ren\u00fancias&#8221;, que atingiriam a soma de R$ 6,56 bilh\u00f5es, em 2001. Sua estrat\u00e9gia, pautada em crit\u00e9rios financeiros e atuariais, parece ser a de transferir para o Tesouro as despesas de natureza estritamente assistencial, como foi feito recentemente com a renda mensal vital\u00edcia. Por outro lado, procura pressionar para que aqueles que contribuem parcialmente sejam enquadrados nos crit\u00e9rios atuariais, eliminando seu car\u00e1ter de assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>O d\u00e9ficit da previd\u00eancia em maio ficou -2,05% abaixo do d\u00e9ficit de abril. Isto se deveu fundamentalmente ao crescimento recorde da arrecada\u00e7\u00e3o em maio, explicados pela amplia\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es correntes impulsionadas, segundo a Previd\u00eancia, pelo crescimento do emprego formal em abril e por altera\u00e7\u00f5es gerenciais implantadas a partir de mar\u00e7o deste ano (Lei 9876\/99). Explicita-se, desta forma, a forte depend\u00eancia dos resultados da previd\u00eancia frente ao crescimento da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as estimativas &#8216;abaixo da linha&#8217;, o Governo Central obteve um super\u00e1vit prim\u00e1rio de R$ 12,9 bilh\u00f5es nos quatro primeiros meses do ano, contra um super\u00e1vit de R$ 9,3 bilh\u00f5es em igual per\u00edodo de 1999. A estat\u00edstica mensal apresenta um cont\u00ednuo super\u00e1vit, registrando, no m\u00eas corrente, um saldo de R$ 3,4 bilh\u00f5es. As despesas com juros superaram os R$ 7,0 bilh\u00f5es em abril, considerando a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial e atingiram R$ 3,5 bilh\u00f5es, descontando o efeito da desvaloriza\u00e7\u00e3o (tabela 6.2).<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado nominal, considerando a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, apresentou um d\u00e9ficit de R$ 3,7 bilh\u00f5es em abril, ao contr\u00e1rio do super\u00e1vit obtido em abril de 1999. Esse resultado deve-se \u00e0 crescente necessidade de recursos para financiar os juros nominais, que sequer est\u00e1 sendo compensada pela pol\u00edtica de obten\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios. No acumulado do ano, constata-se tamb\u00e9m um d\u00e9ficit nominal de R$ 3,4 bilh\u00f5es. O resultado nominal, avaliado pela metodologia alternativa, tamb\u00e9m foi deficit\u00e1rio, tanto no m\u00eas quanto no acumulado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o setor p\u00fablico consolidado, o resultado prim\u00e1rio no conceito &#8216;abaixo da linha&#8217; e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial apresentou um super\u00e1vit de R$ 3,7 bilh\u00f5es, em abril, e cerca de R$ 17,3 bilh\u00f5es no acumulado do ano (4,65% do PIB), continuando a superar a meta de 3,5% estabelecida com o FMI, principalmente gra\u00e7as \u00e0 <em>performance<\/em> do governo central. O total dos juros pagos atingiu, no m\u00eas corrente, com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, R$ 8,8 bilh\u00f5es, superando em 126% o montante despendido em abril do ano anterior. Ainda em termos consolidados, os juros nominais somaram R$ 27,0 bilh\u00f5es em 2000 e R$ 66,0 bilh\u00f5es no ano anterior. O resultado nominal apresentou um d\u00e9ficit de R$ 5,1 bilh\u00f5es, em abril, explicado pelo pagamento dos juros.<\/p>\n\n\n\n<p>O total de t\u00edtulos emitidos em maio, que incluem os pap\u00e9is de responsabilidade do Tesouro e do BCB, atingiu R$ 583,9 bilh\u00f5es, um aumento de 1% em rela\u00e7\u00e3o a abril. A d\u00edvida mobili\u00e1ria configurada pelos t\u00edtulos no mercado confirma a cada m\u00eas sua trajet\u00f3ria de ascens\u00e3o, expandindo 4,3% no m\u00eas e 20% no semestre. Dentre os t\u00edtulos de responsabilidade do BCB, os mais aceitos s\u00e3o as Notas do Banco Central, s\u00e9rie E (NBC-E), indexados \u00e0 taxa de c\u00e2mbio do mercado livre. Entre os pap\u00e9is de responsabilidade do Tesouro, os mais negociados s\u00e3o os t\u00edtulos pr\u00e9-fixados, como as Letras do Tesouro Nacional (LTN), e as LFT, indexados pela <em>over-Selic<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-f896a60d\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o de pagamentos apresentou um d\u00e9ficit de US$ 10,2 bilh\u00f5es, em abril. A principal causa foi a decis\u00e3o do governo brasileiro de pagar ao FMI as parcelas restantes do principal, referentes aos desembolsos do pagamento de assist\u00eancia financeira ao pa\u00eds e pela liquida\u00e7\u00e3o de seus compromissos com o BIS e o Banco do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial apresentou um super\u00e1vit da ordem de US$ 209 milh\u00f5es no per\u00edodo de janeiro a abril deste ano. Desta maneira, observa-se uma melhora consider\u00e1vel quando comparado com o mesmo per\u00edodo do ano anterior (d\u00e9ficit de US$ 782 milh\u00f5es). Mas, deve-se considerar o fato que estes n\u00fameros n\u00e3o condizem com as expectativas previstas para este ano, segundo o governo. O saldo da balan\u00e7a comercial foi de US$ 42 milh\u00f5es, em mar\u00e7o de 2000, e de US$ 183 milh\u00f5es, em abril. Os dados dispon\u00edveis, para o m\u00eas de maio, indicavam um super\u00e1vit de US$ 399,0 milh\u00f5es, dos quais US$ 160,0 milh\u00f5es referentes \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o de dois avi\u00f5es da VASP. Assim, o desempenho da balan\u00e7a comercial mostra-se muito longe das metas pretendidas pela equipe econ\u00f4mica, mesmo ap\u00f3s a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial ocorrida h\u00e1 mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Os constantes aumentos das taxas de juros norte-americanas poder\u00e3o afetar negativamente a balan\u00e7a comercial brasileira, no m\u00e9dio prazo, conforme Roberto Gianetti, em entrevista \u00e0 Rede Globo (17\/05\/00) &#8220;De certa forma isto (a alta dos juros) vai reduzir o consumo nos Estados Unidos, n\u00e3o imediatamente mas de forma gradual. De qualquer forma, algum efeito negativo na nossa balan\u00e7a o aumento dos juros vai ter a m\u00e9dio prazo&#8221;. Este argumento fundamenta-se na consider\u00e1vel parcela (25%) das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras dirigidas ao mercado americano.<\/p>\n\n\n\n<p>As transa\u00e7\u00f5es correntes do balan\u00e7o de pagamento apresentaram um saldo negativo da ordem de US$ 1,9 e de US$ 3,1 bilh\u00f5es, nos meses de mar\u00e7o e abril, respectivamente (tabela 7.1). Este resultado apresenta uma piora substancial quando se confronta o m\u00eas de abril de 2000 com o mesmo m\u00eas do ano anterior. Nesta compara\u00e7\u00e3o, destacam-se os aumentos no pagamento de juros da d\u00edvida externa e das viagens internacionais. Entretanto, o resultado acumulado nos quatro primeiros meses do ano mostra uma pequena melhora quando comparamos com o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os apresentou um resultado negativo de US$ 2,1 bilh\u00f5es, no m\u00eas de mar\u00e7o, e aumentou para US$ 3,4 bilh\u00f5es, em abril (tabela 7.1). Este aumento decorreu basicamente do forte aumento nas despesas com juros, cujo saldo foi de US$ -1,0 bilh\u00e3o, em mar\u00e7o, e de US$ -2,4 bilh\u00f5es, em abril. No per\u00edodo entre janeiro e abril, esta conta acumulou um d\u00e9ficit de US$ 7,9 bilh\u00f5es que, comparado ao mesmo per\u00edodo de 1999, d\u00e9ficit de US$ 7,7 bilh\u00f5es, foi ligeiramente superior.<\/p>\n\n\n\n<p>O ingresso de capitais estrangeiros, nos quatro primeiros meses do ano, foi de US$ 30,0 bilh\u00f5es, uma queda de US$ 16,2 bilh\u00f5es, ou -35%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. Os financiamentos diminu\u00edram -65,7%, os empr\u00e9stimos em moeda, -44,8%, os investimentos, -14,2% e os outros itens, -21,6%. Apesar destas quedas, o ingresso de capital externo foi suficiente para financiar o d\u00e9ficit em conta corrente, se n\u00e3o considerarmos os pagamentos feitos ao FMI, ao BIS e ao Banco do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os dados dispon\u00edveis, a maior parte do investimento estrangeiro direto, no per\u00edodo, foi proveniente dos Estados Unidos (38,7%), seguidos pela Fran\u00e7a (15,3%), Pa\u00edses Baixos (11,2%), Ilhas Cayman (8,2%), Portugal (4,9%) e da Espanha (2,6%). Estes investimentos foram direcionados principalmente para o setor de servi\u00e7os (68,4%) e para a ind\u00fastria (28,9%). No setor de servi\u00e7os, as atividades mais procuradas foram energia el\u00e9trica e g\u00e1s (18,7%), comunica\u00e7\u00f5es (17,2%), com\u00e9rcio (11,4%) e institui\u00e7\u00f5es financeiras (8,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril o ingresso de recursos estrangeiros a t\u00edtulo de investimentos diretos foi de apenas US$ 1,2 bilh\u00e3o, os de portf\u00f3lio US$ 1,2 bilh\u00e3o e os empr\u00e9stimos em moeda US$ 1,7 bilh\u00e3o (tabela 7.2). Entre mar\u00e7o e abril de 2000, ocorreram quedas significativas, de -44,47%, -34,93% e -48,59%, respectivamente, nesses meios de capta\u00e7\u00e3o de recursos externos. O montante total de recursos externos captados, em abril, foi da ordem de US$ 5,2 bilh\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 3,1 bilh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de abril, as reservas internacionais apresentaram US$ 28,0 bilh\u00f5es como saldo, no conceito caixa, contra um total de US$ 38,4 bilh\u00f5es, no m\u00eas precedente (tabela 7.4). No conceito de liquidez internacional o m\u00eas de abril apresentou US$ 28,7 bilh\u00f5es como resultado, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 10,5 bilh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Esta redu\u00e7\u00e3o significativa foi decorrente do pagamento adiantado aos credores institucionais, das parcelas da d\u00edvida contra\u00edda no acordo com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados divulgados pelo BC mostram uma relativa estabilidade no endividamento externo nos dois primeiros meses do ano. Em mar\u00e7o a d\u00edvida externa brasileira totalizou o montante US$ 242,5 bilh\u00f5es, aumentando em apenas US$ 1,8 bilh\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. O setor p\u00fablico \u00e9 respons\u00e1vel por 41,6% da d\u00edvida, e o setor privado, por 58,4%.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-92ea3ee5\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo do Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de maio, o Esp\u00edrito Santo apresentou um super\u00e1vit de US$ 502,03 milh\u00f5es no saldo da balan\u00e7a comercial (tabela 7.5). De janeiro a maio, o saldo acumulado atingiu US$ 1,86 bilh\u00e3o, sendo expressivamente superior ao que se observou em n\u00edvel nacional, cujo resultado foi de apenas US$ 561 milh\u00f5es. Tal desempenho retrata, de forma clara, a import\u00e2ncia do estado para o desempenho do balan\u00e7o de pagamentos do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O total das exporta\u00e7\u00f5es realizadas pelo Esp\u00edrito Santo, no m\u00eas de maio, atingiu US$ 832,9 milh\u00f5es, sendo US$ 264,91 milh\u00f5es referentes aos produtos da economia local e US$ 568,0 milh\u00f5es em mercadorias de outros estados. Nos cinco primeiros meses do ano, as exporta\u00e7\u00f5es atingiram um total de US$ 3,58 bilh\u00f5es, representando 16,8% do total exportado pelo pa\u00eds no per\u00edodo, que foi de US$ 21,29 bilh\u00f5es. Os tr\u00eas principais itens da pauta de exporta\u00e7\u00e3o capixaba foram: o ferro fundido, ferro e a\u00e7o (42,3%), min\u00e9rios, esc\u00f3rias e cinzas (23,9%); pasta de madeira e aparas de papel (18,2%), e caf\u00e9, ch\u00e1, mate e especiarias (6,8%). \u00c9 importante destacar que a pauta de exporta\u00e7\u00f5es do Esp\u00edrito Santo permanece bastante concentrada, com os quatro primeiros itens da pauta representando 91,2% do total exportado (tabela 7.6).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s importa\u00e7\u00f5es que entraram no pa\u00eds, atrav\u00e9s do complexo portu\u00e1rio capixaba, em maio, o resultado foi de US$ 330,88 milh\u00f5es, -31,13% menor do que o observado no mesmo m\u00eas do ano passado, quando foi de US$ 480,43 milh\u00f5es. A participa\u00e7\u00e3o no total do pa\u00eds tamb\u00e9m registrou queda. Em maio de 1999, o volume de importa\u00e7\u00f5es estaduais chegava a 11,8% do total importado pelo pa\u00eds e, em maio de 2000, ficou em apenas 7,1%. Um dos principais respons\u00e1veis por esta queda foi o &#8220;sumi\u00e7o&#8221; dos carros importados pelos portos de Vit\u00f3ria, que fez com que o volume de dinheiro das importa\u00e7\u00f5es despencasse. S\u00f3 para se ter uma ideia, no mesmo m\u00eas do ano passado, o total envolvido na importa\u00e7\u00e3o de carros chegava a US$ 175,54 milh\u00f5es, ao passo que em maio de 2000, foi de apenas US$ 29,13 milh\u00f5es (tabela 7.7).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o diretor administrativo da esta\u00e7\u00e3o aduaneira da Coimex, Domingos Claret, &#8220;h\u00e1 cinco anos, no auge da atividade, o estado chegou a desembarcar em seus portos 245 mil carros em um ano. Este ano, deveremos movimentar ao todo 30 mil unidades na Coimex. Em 1998, chegamos a receber 87,4 mil carros. Em 1999 este n\u00famero caiu para 38,98. E neste ano cair\u00e1 ainda mais, para o m\u00e1ximo de 30 mil unidades.&#8221; (A Gazeta, 29.05.00). As principais causas apontadas para essa queda nas importa\u00e7\u00f5es de autom\u00f3veis s\u00e3o a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, que desaqueceu as vendas internas, e a sa\u00edda da Ford, GM e Volkswagem, que instalaram suas montadoras em outros estados brasileiros. Essa retra\u00e7\u00e3o no n\u00edvel de importa\u00e7\u00f5es do estado que se observa h\u00e1 algum tempo \u00e9 sentida de forma especial pelas 77 prefeituras capixabas. Com a redu\u00e7\u00e3o no volume de mercadorias importadas, o ICMS apurado pelo Fundo de Desenvolvimento das Atividades Portu\u00e1rias (Fundap), que representa cerca de 25% da receita bruta das prefeituras, \u00e9 tamb\u00e9m reduzido.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o Depois de decorrido mais de um ano da mudan\u00e7a na pol\u00edtica cambial brasileira, o desempenho recente da economia trouxe 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