{"id":3939,"date":"2000-09-24T13:13:00","date_gmt":"2000-09-24T16:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3939"},"modified":"2025-11-24T13:22:29","modified_gmt":"2025-11-24T16:22:29","slug":"boletim-no-16-setembro-2000","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-16-setembro-2000\/","title":{"rendered":"Boletim n\u00ba 16 &#8211; Setembro 2000"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-d861a5b2 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-72418ed2\"><h2 class=\"uagb-heading-text\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2><\/div>\n\n\n\n<p>A economia brasileira continuou crescendo no in\u00edcio do segundo semestre de 2000, entretanto, os indicadores mostram uma tend\u00eancia \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o da taxa de crescimento. As raz\u00f5es para esse comportamento podem encontradas em diversos fatores. O primeiro deles est\u00e1 na pr\u00f3pria base de compara\u00e7\u00e3o. O in\u00edcio do ano passado, marcado pela crise da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, permitiu uma superavalia\u00e7\u00e3o do crescimento, neste ano. Passado o efeito da crise, com a recupera\u00e7\u00e3o da economia, a taxa de crescimento tendeu a ajustar-se em n\u00edveis mais baixos.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo, pode ser encontrado nas restri\u00e7\u00f5es externas. Por um lado, a balan\u00e7a comercial come\u00e7ou a apresentar resultados sempre inferiores aos esperados. Apesar do crescimento das exporta\u00e7\u00f5es, em parte como efeito da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, as importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m cresceram, devido aos aumentos no pre\u00e7o internacional do petr\u00f3leo e \u00e0s necessidades de importa\u00e7\u00e3o de insumos industriais.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, o receio do retorno \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria levou os executores da pol\u00edtica monet\u00e1ria a suspenderem a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o na taxa b\u00e1sica de juros que, associado \u00e0 oligopoliza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, impediu a queda na taxa de juros na ponta do mercado. Assim, as medidas tomadas pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional, como a redu\u00e7\u00e3o do dep\u00f3sito compuls\u00f3rio, mostraram-se in\u00f3cuas. O volume de cr\u00e9dito concedido pelo sistema financeiro continua praticamente estagnado limitando a expans\u00e3o da demanda efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio internacional, a pol\u00edtica contracionista do Federal Reserve e a fragilidade do euro contribuem para a instabilidade do crescimento da economia brasileira. O primeiro, procurando restringir a expans\u00e3o da economia americana reduz, juntamente com todos os tipos de barreiras e restri\u00e7\u00f5es, as possibilidades de aumento nas exporta\u00e7\u00f5es, para aquele mercado. O segundo, encarece nossas exporta\u00e7\u00f5es e reduz nossas receitas em d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>Na esfera financeira, a turbul\u00eancia continua nas principais bolsas de valores e, principalmente, na NASDAQ, mercado de a\u00e7\u00f5es das empresas de alta tecnologia. Essa instabilidade tem contribu\u00eddo para a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos capitais fict\u00edcios e n\u00e3o explodiram em novas crises financeiras, pois o excesso desse capital j\u00e1 havia sido desvalorizado nas crises financeiras dos \u00faltimos anos. Entretanto, essa turbul\u00eancia tem contribu\u00eddo para a desvaloriza\u00e7\u00e3o recente do real, pressionado pelas repatria\u00e7\u00f5es do capital especulativo e pela elevada sa\u00edda de capitais especulativos brasileiros. Somente no m\u00eas de julho, os brasileiros remeteram US$ 2,7 bilh\u00f5es para o exterior, registrados na conta de portf\u00f3lio.<\/p>\n\n\n\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, apesar de seu aspecto favor\u00e1vel para as exporta\u00e7\u00f5es, agrava o pre\u00e7o interno dos combust\u00edveis e de todas as mercadorias importadas. As expectativas de redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o do petr\u00f3leo n\u00e3o se confirmaram, apesar das medidas e do discurso da OPEP. At\u00e9 o momento, nada indica que esse pre\u00e7o caia aos patamares desejados pela equipe econ\u00f4mica, at\u00e9 o final do ano. Se estes persistirem, o efeito sobre os \u00edndices de pre\u00e7os ser\u00e1 inevit\u00e1vel e, para cumprir a meta inflacion\u00e1ria, n\u00e3o restar\u00e1 outra sa\u00edda a n\u00e3o ser novas medidas recessivas, ap\u00f3s o segundo turno das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse caso os trabalhadores, como sempre, ser\u00e3o os principais prejudicados. A cont\u00ednua tend\u00eancia de concentra\u00e7\u00e3o de renda, decorrente da pol\u00edtica econ\u00f4mica do real, ser\u00e1 reafirmada apesar do novo discurso do Ministro da Fazenda. Afinado com a nova postura do FMI e do BIRD, o Ministro vem afirmando suas preocupa\u00e7\u00f5es com a \u00e1rea social. Mas, do ponto de vista das oposi\u00e7\u00f5es, trata-se apenas de uma preocupa\u00e7\u00e3o voltada para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Essa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 corroborada pelo projeto de or\u00e7amento para o pr\u00f3ximo ano, no qual se prop\u00f5e uma reajuste de 5,57% para o sal\u00e1rio m\u00ednimo e a manuten\u00e7\u00e3o impl\u00edcita do congelamento dos vencimentos do funcionalismo p\u00fablico federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Felizmente os trabalhadores podem esperar, para o ano de 2002, uma pequena folga nessa tend\u00eancia restritiva, mas devem devem evitar a continuidade dessa pol\u00edtica. Para tanto, \u00e9 fundamental a mudan\u00e7a na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<section class=\"wp-block-uagb-info-box uagb-block-51896339 uagb-infobox__content-wrap  uagb-infobox-icon-above-title uagb-infobox-image-valign-top\"><div class=\"uagb-ifb-content\"><div class=\"uagb-ifb-separator\"><\/div><div class=\"uagb-ifb-title-wrap\"><span class=\"uagb-ifb-title-prefix\">Mestrado em Economia<br \/>Curso de Gradua\u00e7\u00e3o em Economia<br \/>Departamento de Economia UFES<\/span><h3 class=\"uagb-ifb-title\">Grupo de Estudos e Pesquisas em COnjuntura<\/h3><\/div><p class=\"uagb-ifb-desc\"><strong>Coordenadores:<\/strong> Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira e Paulo Nakatani<br \/><strong>Professores pesquisadores:<\/strong> Maur\u00edcio de Souza Sabadini e Neide C\u00e9sar Vargas<br \/><strong>Participaram neste n\u00famero:<\/strong> Adriana Barbosa Gon\u00e7alves, Anderson Rubens Fonseca, Andressa Buss Rocha, Andressa Nunes Amorim, Anne Marie Boudou, Daniel Paiva Sc\u00e1rdua, D\u00e9bora Sader, Everlan Montibeler, Fernanda Carla Bada Rubim, Jailson Argentino de Boni, Juez Ferreira da Silva, Kelly Machado Premoli, Lauri\u00e9te Caneva, Marcelo Alves de Morais, R\u00f4mulo Patrick da S. Santos, Tyago Ribeiro Hoffmann, Vanuza da Silva Pereira<br \/><strong>Colaboraram neste N\u00famero:<\/strong> Angela Maria Morandi e Reinaldo Antonio Carcanholo.<\/p><div class=\"uagb-ifb-button-wrapper wp-block-button\"><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0bWVjZi1HbDVSSVU\/view?usp=sharing&amp;resourcekey=0-GwpQ2az-jspv4NoTg90WyA\" class=\"uagb-infobox-cta-link wp-block-button__link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span class=\"uagb-inline-editing\">Acesse aqui o arquivo original desta publica\u00e7\u00e3o<\/span><\/a><\/div><\/div><\/section>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs uagb-block-75c0af85 uagb-tabs__wrap uagb-tabs__vstyle6-desktop uagb-tabs__vstyle6-tablet uagb-tabs__stack1-mobile\" data-tab-active=\"0\"><ul class=\"uagb-tabs__panel uagb-tabs__align-left\" role=\"tablist\"><li class=\"uagb-tab uagb-tabs__active\" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab0\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"0\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab1\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"1\" role=\"tab\"><div>Infla\u00e7\u00e3o<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab2\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"2\" role=\"tab\"><div>N\u00edvel de atividade<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab3\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"3\" role=\"tab\"><div>Emprego e Sal\u00e1rios<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab4\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"4\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab5\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"5\" role=\"tab\"><div>Pol\u00edtica Fiscal<\/div><\/a><\/li><li class=\"uagb-tab \" role=\"none\"><a href=\"#uagb-tabs__tab6\" class=\"uagb-tabs-list uagb-tabs__icon-position-left\" data-tab=\"6\" role=\"tab\"><div>Setor Externo<\/div><\/a><\/li><\/ul><div class=\"uagb-tabs__body-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-0\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab0\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-3390d820\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Crise do petr\u00f3leo e Crescimento Monitorado<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Produtores de Petr\u00f3leo (Opep) de aumentar em 800 mil barris di\u00e1rios a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a partir do dia 1\u00ba. de outubro, com o objetivo de derrubar seu pre\u00e7o dos atuais US$ 35,00 para um patamar inferior a US$ 28,00 o barril, diminui os riscos da pol\u00edtica econ\u00f4mica no Brasil de ter de reverter o quadro de recupera\u00e7\u00e3o &#8220;monitorada&#8221; da economia no curto prazo, mas n\u00e3o remove as incertezas sobre sua trajet\u00f3ria futura.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da decis\u00e3o divulgada pela Opep, os pre\u00e7os do petr\u00f3leo voltaram a subir, o que levou os E.U.A. de um lado, a amea\u00e7ar usar seus estoques estrat\u00e9gicos para cont\u00ea-los e a Ar\u00e1bia Saudita, de outro, a comprometer-se, com o mesmo prop\u00f3sito, em injetar uma oferta extra no mercado. Mas como os pa\u00edses da Opep se encontram pr\u00f3ximos do limite de sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o e os E.U.A. nunca se mostraram dispostos a lan\u00e7ar m\u00e3o de seus estoques para atender o crescimento da demanda, o mercado continua apostando que poder\u00e1 obter ganhos com essa situa\u00e7\u00e3o. S\u00f3 a chegada da produ\u00e7\u00e3o adicional no mercado poder\u00e1 definir o n\u00edvel em que o pre\u00e7o desse produto se situar\u00e1 e os consequentes movimentos que a pol\u00edtica econ\u00f4mica poder\u00e1 fazer diante dessa realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa escalada dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo coincide, no Brasil, com um per\u00edodo em que os indicadores econ\u00f4micos v\u00eam apresentando uma melhoria significativa em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos dois anos, o que tem contribu\u00eddo at\u00e9 mesmo para reverter um pouco a onda de pessimismo da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao desempenho do governo Fernando Henrique Cardoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma melhora, entretanto, que come\u00e7ou a perder for\u00e7a com o repique inflacion\u00e1rio registrado nos meses de julho e agosto, cuja responsabilidade explica-se, predominantemente, pelo aumento das tarifas p\u00fablicas e dos combust\u00edveis e tamb\u00e9m pela eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos, como resultado das geadas e enchentes que se abateram sobre o pa\u00eds e da quebra da safra da cana-de-a\u00e7\u00facar em S\u00e3o Paulo. Um repique que terminou interrompendo a trajet\u00f3ria da queda das taxas de juros que vinha sendo palmilhada pelo Banco Central e levado \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica marcada por maior prud\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao ritmo de crescimento da atividade produtiva, visando reverter o aumento dos pre\u00e7os e garantir o cumprimento da meta inflacion\u00e1ria de 6% acertada com o FMI para este ano. Uma interrup\u00e7\u00e3o considerada tempor\u00e1ria, uma vez que, com a esperada desacelera\u00e7\u00e3o do ritmo de crescimento do n\u00edvel de pre\u00e7os para agosto &#8211; j\u00e1 confirmada pela divulga\u00e7\u00e3o do IPCA, que atingiu 1,31% contra 1,61% em julho &#8211; tinha-se, como certo, o reingresso da economia na rota do crescimento &#8220;controlado&#8221;, indispens\u00e1vel para sustentar a ainda t\u00edmida recupera\u00e7\u00e3o nos \u00edndices de popularidade do presidente da Rep\u00fablica. Certeza que os ainda desconhecidos desdobramentos da crise do petr\u00f3leo se encarregaram de p\u00f4r em xeque.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o governo FHC continue apontando otimista o ingresso da economia brasileira em um novo ciclo de crescimento sustentado nos pr\u00f3ximos anos, a crise do petr\u00f3leo, se pode ser usada como argumento para explicar o abandono desse objetivo, tamb\u00e9m serve para revelar a fal\u00e1cia desse discurso. Isso porque, n\u00e3o se pode considerar sustentado um crescimento que se apoia na mera ocupa\u00e7\u00e3o de margens de capacidade ociosa da economia, com elevados n\u00edveis de desemprego e reduzidas taxas de investimentos e que sucumbe a toda turbul\u00eancia externa, desvelando a fragilidade de seus fundamentos. Enquanto esses n\u00e3o se tornarem confi\u00e1veis &#8211; e muitas mudan\u00e7as e reformas ter\u00e3o de ser realizadas para isso &#8211; e o pa\u00eds n\u00e3o se livrar das amarras do acordo com o FMI, a pol\u00edtica econ\u00f4mica poder\u00e1 at\u00e9 produzir momentos de euforia para a popula\u00e7\u00e3o e para os agentes econ\u00f4micos, de acordo com os interesses pol\u00edticos dos governantes, mas o crescimento sustentado continuar\u00e1 como uma meta distante de ser alcan\u00e7ada.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-1\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab1\">\n<p>Nos \u00faltimos meses, a infla\u00e7\u00e3o voltou \u00e0 cena dos notici\u00e1rios nacionais. Como afirmamos no boletim anterior, os principais respons\u00e1veis pela alta dos pre\u00e7os foram os alimentos, em fun\u00e7\u00e3o das varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, e as tarifas p\u00fablicas, principalmente energia el\u00e9trica (13,83%) e telefonia fixa (16,4%). Estas tarifas s\u00e3o administradas pelas concession\u00e1rias privadas que t\u00eam o direito contratual de reajustarem seus pre\u00e7os a cada ano. Soma-se a isto, as press\u00f5es de setores oligopolizados como o dos combust\u00edveis, por exemplo, que buscam aumentar sua margem de lucro majorando os pre\u00e7os finais. Para evitar a continuidade nos aumentos dos \u00edndices de pre\u00e7os, o governo federal negociou com as grandes empresas, especialmente a ind\u00fastria farmac\u00eautica, uma tr\u00e9gua no repasse dos pre\u00e7os ao consumidor. A preocupa\u00e7\u00e3o central \u00e9 cumprir a meta de 6% fixada no acordo com o FMI. Segundo o alto escal\u00e3o do governo esta meta n\u00e3o ser\u00e1 prejudicada (FSP, 04.08.00). Outras medidas de controle foram apresentadas, como a divulga\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os dos produtos, na internet, pelas ag\u00eancias reguladoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo analistas de mercado, a infla\u00e7\u00e3o brasileira ainda \u00e9 elevada em rela\u00e7\u00e3o aos padr\u00f5es internacionais. Nas economias do Sudeste Asi\u00e1tico, por exemplo, s\u00e3o comuns as taxas inflacion\u00e1rias inferiores a 3% ao ano. O quadro nacional \u00e9 de relativa indefini\u00e7\u00e3o quanto aos novos repiques inflacion\u00e1rios, principalmente devido \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo e aos reajustes promovidos pelos cart\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), que abrange as regi\u00f5es metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m, Fortaleza, Salvador e Curitiba, al\u00e9m dos munic\u00edpios de Bras\u00edlia e Goi\u00e2nia, \u00e9 estimado pelo IBGE para fam\u00edlias com renda mensal de at\u00e9 quarenta sal\u00e1rios m\u00ednimos. Verificou-se uma sens\u00edvel alta nesse \u00edndice de junho (0,23%) para julho (1,61%). Esta alta foi consequ\u00eancia do aumento dos pre\u00e7os dos derivados do petr\u00f3leo, da majora\u00e7\u00e3o das tarifas de telefonia e energia el\u00e9trica e da eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em agosto, o IPCA caiu para 1,31%, apresentando uma redu\u00e7\u00e3o de 0,30 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a julho. A queda ocorreu em virtude de um pequeno recuo no ritmo de crescimento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, tarifas de energia el\u00e9trica e telefonia fixa, grupos que foram respons\u00e1veis pela alta no m\u00eas anterior. O \u00edndice acumulado no ano j\u00e1 atingiu 4,63% e o acumulado em 12 meses chegou a 7,86%. Deve-se destacar que este \u00edndice \u00e9 o que baliza as metas contidas no acordo feito com o FMI.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC), tamb\u00e9m calculado pelo IBGE, com o mesmo n\u00edvel de abrang\u00eancia do IPCA, mas restrito \u00e0s fam\u00edlias com renda mensal at\u00e9 oito sal\u00e1rios m\u00ednimos, atingiu 1,39% em julho, 1,09 ponto percentual acima do obtido em junho. O maior resultado regional foi registrado em Curitiba, com alta de 2,50% e o menor resultado foi observado em Bel\u00e9m, 0,60%. Em agosto, o INPC diminuiu para 1,21%, 0,18 ponto percentual abaixo da taxa de julho. O total acumulado no ano chegou a 3,78%, \u00edndice menor que o verificado no mesmo per\u00edodo do ano passado, 5,21%.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Custo Vida (ICV-DIEESE) registrou alta significativa de 1,31% em agosto, ainda que a taxa tenha sido inferior em 0,82 ponto percentual \u00e0 apurada em julho, que foi de 2,13%. Esta \u00faltima foi a maior taxa nos \u00faltimos quatro anos, s\u00f3 sendo superada pelos 2,34% de julho de 1996. Os grupos respons\u00e1veis pela eleva\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os foram os de transportes (4,57%), refletindo os aumentos dos combust\u00edveis, e alimenta\u00e7\u00e3o (1,97%). A taxa m\u00e9dia acumulada no ano atingiu 5,54%, destacando-se as eleva\u00e7\u00f5es nos grupos transporte (12,27%), educa\u00e7\u00e3o e leitura (7,14%), sa\u00fade (5,39%). Este foi o \u00edndice de custo de vida que mais cresceu, tanto no acumulado no ano quanto nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe-USP) para S\u00e3o Paulo, aumentou 1,40% em julho. A eleva\u00e7\u00e3o foi causada principalmente pelos produtos <em>in natura<\/em> (0,30%), afetados pela geada, e pelo reajuste das tarifas p\u00fablicas, destacando-se as tarifas de energia el\u00e9trica e os pre\u00e7os dos combust\u00edveis (0,40%). Estes dois itens foram respons\u00e1veis por metade da infla\u00e7\u00e3o do m\u00eas. Em agosto os pre\u00e7os voltaram a subir e a taxa de infla\u00e7\u00e3o foi de 1,55%. Os setores de transporte (2,43%), devido aos aumentos nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, e alimenta\u00e7\u00e3o (2,37%) continuam liderando a alta. Segundo Heron do Carmo, coordenador do IPC, a previs\u00e3o \u00e9 de que a infla\u00e7\u00e3o do ano fique em torno de 5 ou 5,5%, pois ela d\u00e1 sinais de ter acalmado e a hip\u00f3tese de sair do controle j\u00e1 est\u00e1 descartada. A taxa acumulada no ano e nos \u00faltimos doze meses foi de 3,87% e 8,09%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os (IGP-DI), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, chegou a 2,26% no m\u00eas de julho, 1,33 ponto percentual acima do \u00edndice de junho. A press\u00e3o para a eleva\u00e7\u00e3o veio do \u00cdndice de Pre\u00e7os no Atacado (IPA) &#8211; que corresponde a 60% do IGP-DI &#8211; que subiu 2,79%. O \u00cdndice Nacional de Custo da Constru\u00e7\u00e3o (INCC) ajudou a segurar a taxa, aumentando em 0,30%. Em agosto, houve um recuo no ritmo de crescimento da infla\u00e7\u00e3o e o \u00edndice ficou em 1,82%. O \u00edndice de pre\u00e7os no atacado foi o que mais influenciou a alta do IGP-DI, um aumento de 2,56%. Os aumentos nos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas foram os principais respons\u00e1veis por esta taxa, j\u00e1 que eles cresceram 4,55% contra 3,51% em julho. O \u00edndice de pre\u00e7os ao consumidor subiu 0,86% e o \u00edndice nacional de custo da constru\u00e7\u00e3o, 0,39%.<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de infla\u00e7\u00e3o medida pelo \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os do Mercado (IGP-M), foi de 1,57% no m\u00eas de julho, segundo a FGV-RJ. Esse \u00edndice utiliza a mesma metodologia de c\u00e1lculo do IGP-DI, com distin\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de coleta das informa\u00e7\u00f5es, referido aos dias 21 de junho \u00e0 20 de julho. Por tal raz\u00e3o, as eleva\u00e7\u00f5es de pre\u00e7o que se concentraram especialmente no terceiro dec\u00eandio de julho atingiram em menor medida o IGP-M de julho. Em agosto, todavia, por incorporar onze dias do m\u00eas de julho, esse \u00edndice apresentou eleva\u00e7\u00e3o significativa, chegando a 2,39%. Esta foi a taxa mais alta do ano, superando a de julho, que era a maior at\u00e9 ent\u00e3o. O acumulado do ano est\u00e1 em 7,29%.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa nacional de pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica realizada pelo DIEESE, em agosto de 2.000, apresentou aumento nos pre\u00e7os em quinze das dezesseis capitais pesquisadas. Os maiores aumentos s\u00e3o observados em Fortaleza (7,69%), Vit\u00f3ria (5,04%) e Rio de Janeiro (4,53%). Esta tend\u00eancia de alta foi pressionada, principalmente, pelos aumentos nos pre\u00e7os do feij\u00e3o, do a\u00e7\u00facar e da carne. A cesta b\u00e1sica mais cara do pa\u00eds continua sendo a da cidade de S\u00e3o Paulo, seguida de Curitiba, Bras\u00edlia e Porto Alegre. O menor pre\u00e7o foi registrado em Salvador (tabela 2.2). Especificamente para Fortaleza, constatou-se uma varia\u00e7\u00e3o significativa no pre\u00e7o do leite, 13,95%.<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica da Grande Vit\u00f3ria, em agosto, apresentou eleva\u00e7\u00e3o de 5,04% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de julho, nona coloca\u00e7\u00e3o no ranking das cestas mais caras do pa\u00eds e a segunda coloca\u00e7\u00e3o na varia\u00e7\u00e3o mensal, s\u00f3 perdendo para Fortaleza. De acordo com o DIEESE\/Esp\u00edrito Santo, esta eleva\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica capixaba \u00e9 a mais alta desde mar\u00e7o de 1997, em que atingiu 6,79%.<\/p>\n\n\n\n<p>No acumulado do ano (de janeiro a agosto de 2.000), apenas duas capitais apresentaram varia\u00e7\u00e3o negativa: Jo\u00e3o Pessoa (-3,02%) e Natal (-1,95%). Neste mesmo per\u00edodo, as maiores altas foram registradas em Belo Horizonte, Aracaju, Bras\u00edlia, Curitiba e Rio de Janeiro (tabela 2.2).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-2\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab2\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-69677085\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto), no segundo trimestre de 2.000, apresentou uma pequena alta frente ao primeiro trimestre (0,23%). Esta taxa fica distante dos 3,08% alcan\u00e7ados entre o \u00faltimo trimestre de 1.999 e o primeiro trimestre de 2.000, apesar de acumular no ano uma varia\u00e7\u00e3o de 3,84% (tabela 3.1).<\/p>\n\n\n\n<p>O baixo crescimento no segundo trimestre corrente se explica pelas modestas varia\u00e7\u00f5es positivas do setor industrial (0,11%) e do setor de servi\u00e7os (0,07%). No setor industrial, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o sofreu retra\u00e7\u00e3o de -0,18%, ocasionada especialmente pela queda no crescimento da constru\u00e7\u00e3o civil (-3,10%). No setor servi\u00e7os verificou-se uma queda no com\u00e9rcio (-0,69%) e nas institui\u00e7\u00f5es financeiras (-0,08%). O setor agropecu\u00e1rio, por outro lado, apresentou uma taxa de crescimento mais relevante (3,9%), apesar de bem menor que no trimestre anterior. Explica o desempenho do setor agropecu\u00e1rio o crescimento do sub setor lavouras (6,05%).<\/p>\n\n\n\n<p>Confrontando os dados referentes ao segundo trimestre de 2.000 com igual per\u00edodo de 1999, os resultados obtidos foram mais favor\u00e1veis, alcan\u00e7ando uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 3,92%, consequ\u00eancia de um baixo crescimento no ano passado. Os setores que mais se destacaram foram a agropecu\u00e1ria (8,75%), seguida pela ind\u00fastria (4,34%) e pelo setor servi\u00e7os (3,12%). Os sub setores de melhor desempenho foram os de comunica\u00e7\u00e3o (15,60%), de lavouras (10,40%) e da ind\u00fastria extrativa mineral (9,88%).<\/p>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia de crescimento da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial brasileira, constatada desde fins de 1999, confirma-se no m\u00eas de julho. Verificou-se um crescimento da produ\u00e7\u00e3o industrial de um ponto percentual no per\u00edodo junho\/julho, destacando-se a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo, em especial bens dur\u00e1veis, cujo crescimento atingiu 8,3%. Comparando-se a produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica da ind\u00fastria em geral com igual per\u00edodo de 1999, constata-se uma varia\u00e7\u00e3o positiva mais significativa (6,8%). Neste per\u00edodo \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital a que mais contribui para o crescimento global, seguida da produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios. Dentre os bens de consumo, os bens dur\u00e1veis apresentaram um crescimento extraordin\u00e1rio, evidenciando-se, por outro lado, retra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo semi dur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis (tabela 3.2).<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o industrial acumula uma alta, neste ano, de 6,8%, explicada especialmente pelo crescimento da produ\u00e7\u00e3o de bens de capital (9,4%). Os setores de bens intermedi\u00e1rios e bens de consumo tamb\u00e9m incrementaram sua produ\u00e7\u00e3o em 7,9% e 3,0%, respectivamente. No que tange aos bens de consumo, percebe-se neste indicador acumulado o mesmo comportamento do indicador que compara o m\u00eas de julho com mesmo m\u00eas do ano passado, ou seja, expans\u00e3o relevante na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo dur\u00e1vel e retra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo semi dur\u00e1veis e n\u00e3o dur\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho da produ\u00e7\u00e3o industrial, considerando-se os \u00faltimos 12 meses apresentou um crescimento de 5,3%, explicado pelo crescimento da produ\u00e7\u00e3o de bens intermedi\u00e1rios (6,9%), seguida pela de bens de capital (5,0%). Al\u00e9m disso, a taxa de crescimento industrial acumulada nos \u00faltimos 12 meses corresponde \u00e0 uma produ\u00e7\u00e3o abaixo da verificada no per\u00edodo que antecedeu a crise asi\u00e1tica, segundo o IBGE (FSP, 06.09.00).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma an\u00e1lise regionalizada da produ\u00e7\u00e3o industrial acumulada no ano mostra que nove dos doze locais pesquisados apresentaram resultados positivos. Os estados do Cear\u00e1 e Rio Grande do Sul alcan\u00e7aram melhor desempenho, 11,5% e 9,9%, respectivamente. Explicam este desempenho o comportamento extremamente favor\u00e1vel do setor alimentar e metal\u00fargico, no caso do Cear\u00e1, bem como do crescimento do setor qu\u00edmico, no Rio Grande do Sul. O Esp\u00edrito Santo e S\u00e3o Paulo atingiram um taxa de 7,3%, ficando os demais estados abaixo da m\u00e9dia Brasil. Os estados do Paran\u00e1 e Pernambuco sofreram as maiores retra\u00e7\u00f5es, -3,8% e -5,8%, explicadas pela queda no setor de produtos alimentares para o primeiro e material el\u00e9trico e comunica\u00e7\u00e3o para o segundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem, adicionalmente, limites estruturais ao crescimento, relacionados aos estrangulamentos em termos de infra-estrutura b\u00e1sica, especialmente quanto ao abastecimento de energia el\u00e9trica. Caso a ind\u00fastria continue a crescer neste ano, a taxas correspondentes ao primeiro trimestre, em 2.001 a energia el\u00e9trica n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para abastecer as empresas nacionais. O presidente da Fiesp j\u00e1 alertou que h\u00e1 grandes possibilidades de o parque industrial paulista sofrer escassez de energia. Destacou tamb\u00e9m, que se a energia n\u00e3o faltar, sofrer\u00e1 aumentos significativos no pre\u00e7o. Segundo o ministro de Minas e Energia, o consumo neste ano chegou muito perto do \u00e1pice (FSP, 31.08.00).<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-20f06fd3\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">N\u00edvel de atividade do Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa industrial mensal do IBGE, a produ\u00e7\u00e3o industrial do Esp\u00edrito Santo cresceu 2,3% na compara\u00e7\u00e3o com igual m\u00eas do ano passado, 7,3% no acumulado no ano e 10,7% nos \u00faltimos doze meses. Este foi o pior desempenho da produ\u00e7\u00e3o industrial no indicador mensal, ocasionada principalmente pela queda sens\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de filamentos cont\u00ednuos no setor t\u00eaxtil, mas tamb\u00e9m tendo contribu\u00eddo os produtos alimentares e metal\u00fargica, levando a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o a apresentar uma taxa negativa. A ind\u00fastria em geral s\u00f3 manteve uma taxa positiva pelo bom desempenho dos setores de qu\u00edmica, extrativa mineral e de papel e papel\u00e3o, predominantemente voltados para o mercado externo (tabela 3.3).<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho das vendas industriais, no per\u00edodo julho\/junho de 2.000, evidenciou um crescimento de 3,49%. A ind\u00fastria extrativa mineral apresentou melhor desempenho do que a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, crescendo 9,55% contra 2,29% desta \u00faltima. As varia\u00e7\u00f5es compensat\u00f3rias nos diversos g\u00eaneros resultaram num crescimento mais moderado da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o como um todo. Os g\u00eaneros cujas vendas mais cresceram foram o de mec\u00e2nica (58,92%), seguido pelo de qu\u00edmica (28,28%), madeira (27,41%), e couros e peles (24,91%). As maiores retra\u00e7\u00f5es ocorreram nos g\u00eaneros de material pl\u00e1stico (-49,77%) e material de transporte (-27,74%).<\/p>\n\n\n\n<p>Comparado a igual per\u00edodo do ano passado, o crescimento das vendas industriais atinge 12,12%, sinalizando uma recupera\u00e7\u00e3o do setor. As taxas referentes aos \u00faltimos 12 meses confirmam esta recupera\u00e7\u00e3o, apresentando um cont\u00ednua melhora, registrando em julho deste ano uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 21,53% (tabela 3.4). Existe, todavia, um n\u00edvel de ociosidade m\u00e9dio equivalente \u00e0 21% da capacidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o para o trabalhador industrial, por outro lado, continua desfavor\u00e1vel. Os sal\u00e1rios reais sofreram uma retra\u00e7\u00e3o de -0,18% e as horas trabalhadas na produ\u00e7\u00e3o apresentaram uma eleva\u00e7\u00e3o de 3,01%, comparando-se o m\u00eas de julho corrente com o m\u00eas anterior. O sal\u00e1rio real evidenciou um certo crescimento frente ao mesmo m\u00eas do ano passado (4,72%), consequ\u00eancia do aumento do pessoal empregado, apresentando queda de -3,73% nos \u00faltimos doze meses.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0 inadimpl\u00eancia, percebe-se que ela vem ocorrendo predominantemente junto aos usu\u00e1rios de cheque, possivelmente nas vendas \u00e0 vista ou mesmo pr\u00e9-datados. No per\u00edodo de julho\/agosto deste ano houve queda de -25,29% no n\u00famero de inclus\u00f5es no SPC, e de apenas -1,67% no cheque local. Tendo em vista os n\u00edveis de inadimpl\u00eancia mais elevados no ano passado, as taxas de inclus\u00e3o no SPC, referentes \u00e0 agosto de 2.000 contra agosto de 1999, evidenciam uma queda maior (-30,83%). O n\u00famero de inclus\u00f5es de cheques, todavia, em igual per\u00edodo, foi ampliado em 31,93%, confirmando a mudan\u00e7a de perfil da inadimpl\u00eancia bem como sua concentra\u00e7\u00e3o nas vendas formalmente \u00e0 vista. Face ao ano passado o que mais cresceu foi o n\u00famero de baixas, especialmente do cheque. Tais n\u00fameros parecem indicar que a inadimpl\u00eancia tem atingido predominantemente os setores de renda m\u00e9dia, representando cr\u00e9ditos de mais f\u00e1cil recupera\u00e7\u00e3o pelo com\u00e9rcio, longe de configurar um quadro mais favor\u00e1vel pelo prisma da demanda (tabela 3.5).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-3\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab3\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-6199a7a1\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o IBGE, as taxas de desemprego apresentaram queda de mar\u00e7o at\u00e9 julho de 2.000. O \u00edndice de julho foi de 7,2%, representando uma queda de -0,2 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a junho do mesmo ano. Se comparada \u00e0 taxa de julho de 1999 tamb\u00e9m verificamos uma queda, de 7,5% para 7,2%. A maior queda foi constatada na regi\u00e3o metropolitana de Recife, que passou de 8,7% para 8,2%. Em julho, a oferta de empregos cresceu na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e nos servi\u00e7os, caindo no com\u00e9rcio e na constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n\n\n\n<p>O rendimento m\u00e9dio real das pessoas ocupadas aumentou em 1,95% de maio para junho deste ano, de acordo com os indicadores do IBGE. De junho para julho, o rendimento m\u00e9dio aumentou em 0,8%.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa de emprego e desemprego (PED) realizada pelo DIEESE\/SEADE, o desemprego na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo manteve-se inalterado nos meses de junho e julho, totalizando 18,6% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA). Deve-se destacar que, nesta \u00e9poca do ano, \u00e9 usual o decl\u00ednio deste \u00edndice. O n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o permaneceu relativamente est\u00e1vel (-0,2%), pois a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho na Ind\u00fastria (56.000 vagas) e no Com\u00e9rcio (35.000 vagas) praticamente compensou o desempenho negativo nos Servi\u00e7os (82.000 vagas) e em Outros Setores (24.000 vagas). Destaca-se, pelo segundo m\u00eas consecutivo, o crescimento do contingente de assalariados com carteira assinada no setor privado (2,3%).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre julho do ano passado e julho de 2.000, a taxa de desemprego caiu de 20,1% para 18,6%. No m\u00eas de julho, o contingente de desempregados foi estimado em 1.685.000 pessoas e, em junho, o rendimento m\u00e9dio mensal de ocupados e assalariados caiu em -3,2%, segundo o DIEESE.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da queda pontual dos indicadores, devido \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da capacidade ociosa em determinados setores produtivos, o elevado n\u00edvel da taxa de desemprego nacional ainda reflete as consequ\u00eancias da pol\u00edtica econ\u00f4mica recessiva implantada pelo Governo federal nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-43fccf05\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo o Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo (IDEIES), o n\u00edvel de emprego industrial apresentou um crescimento de 1,38% em julho de 2.000 em rela\u00e7\u00e3o a junho do mesmo ano (tabela 4.2). Os g\u00eaneros que mais empregaram foram: Bebidas, Vestu\u00e1rio e Cal\u00e7ados, Constru\u00e7\u00e3o Civil, Outros, Madeira e Borracha. Dos 23 g\u00eaneros pesquisados apenas cinco 5 apresentaram resultado negativo: Material de Transportes, Mec\u00e2nica e Produtos Alimentares (ver tabela 4.2).<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento no n\u00edvel de emprego, em julho, deveu-se principalmente \u00e0s pequenas empresas que aumentaram a oferta de emprego em 2,45%. As m\u00e9dias e grandes, aumentaram a oferta de emprego em 0,27% e 0,14%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos doze meses, o n\u00edvel de emprego industrial do Esp\u00edrito Santo cresceu 6,18%. Os setores que mais empregaram foram: Ind\u00fastria Diversas (26,97%), Constru\u00e7\u00e3o Civil (23,26%) e Bebidas (18,31%). J\u00e1 os que mais demitiram foram: Papel e Papel\u00e3o (-13,06%), Material de Transportes (-8,35%), Madeira (-6,51%) e Mec\u00e2nica (-6,37%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria capixaba, no m\u00eas de julho, sofreram ligeira queda em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de junho, -0,18%. Na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior, registrou-se varia\u00e7\u00e3o positiva de 4,72%. Contudo, os sal\u00e1rios reais v\u00eam acumulando perdas significativas nos \u00faltimos doze meses, j\u00e1 que todos os meses apresentaram taxas negativas (tabela 4.3); em julho a varia\u00e7\u00e3o ficou em -3,73%. Como podemos observar, o crescimento da produ\u00e7\u00e3o e do emprego industrial no estado n\u00e3o est\u00e3o produzindo aumentos salariais para os trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra realizada pelo SINE-ES mostram um ligeiro aumento no n\u00famero de pessoas cadastradas no m\u00eas de julho em rela\u00e7\u00e3o a junho de 2.000, e queda consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a maio. Os demais indicadores, como o n\u00famero de vagas captadas, pessoas encaminhadas e pessoas colocadas, tamb\u00e9m diminu\u00edram no m\u00eas de julho (tabela 4.4).<\/p>\n\n\n\n<p>A taxa de aloca\u00e7\u00e3o (pessoas colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s vagas oferecidas) caiu significativamente entre os meses de junho e julho de 2.000 (de 74,88% para 48,82%). A taxa acumulada de aloca\u00e7\u00e3o, no primeiro semestre deste ano e em igual per\u00edodo dos \u00faltimos dois anos, apresentou um crescimento cont\u00ednuo, equivalendo \u00e0 27,06% em 1998, 40,43% em 1.999 e 53,39% no ano corrente.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-4\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab4\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-9dbb9874\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base monet\u00e1ria<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>A tend\u00eancia de retra\u00e7\u00e3o da base monet\u00e1ria, que se prolongava desde mar\u00e7o deste ano, foi interrompida no m\u00eas de julho, quando alcan\u00e7ou um montante de R$ 36,4 bilh\u00f5es. 12,8% superior ao saldo em final de per\u00edodo do m\u00eas anterior. A expans\u00e3o verificada correspondeu principalmente a um aumento de 41,9% no volume das reservas banc\u00e1rias, que passou de R$ 9,1 bilh\u00f5es, em junho, para R$ 12,9 bilh\u00f5es, em julho. O saldo de papel moeda emitido alcan\u00e7ou a soma de R$ 23,6 bilh\u00f5es, crescendo 1,4%. O total dos meios de pagamentos atingiu R$ 56,6 bilh\u00f5es, crescendo 4,2% no m\u00eas (tabela 5.1).<\/p>\n\n\n\n<p>A expans\u00e3o da base monet\u00e1ria em R$ 4,1 bilh\u00f5es, entre julho\/junho corrente, \u00e9 explicada predominantemente pelo saldo positivo de R$ 3,1 bilh\u00f5es das opera\u00e7\u00f5es com T\u00edtulos P\u00fablicos Federais. A retirada de t\u00edtulos do mercado concentrou-se especialmente em 6 de julho, dia que antecedeu a redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros de 17,5% a.a. para 17% a.a.. Tamb\u00e9m contribu\u00edram para a expans\u00e3o da base monet\u00e1ria as opera\u00e7\u00f5es do Tesouro Nacional, as quais fecharam o m\u00eas de julho com um d\u00e9ficit de R$ 1,2 bilh\u00f5es. Ressalte-se que o tesouro vinha apresentando super\u00e1vits mensais desde fevereiro (tabela 5.2).<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, a expans\u00e3o da base monet\u00e1ria verificada \u00e9 resultado da pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros b\u00e1sica implementada no m\u00eas de julho e da amplia\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit nominal do tesouro. A primeira foi efetuada pela retirada de t\u00edtulos do mercado, resultando, no m\u00eas, numa amplia\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos dos bancos e num pequeno crescimento do volume dos meios de pagamento. Tais consequ\u00eancias evidenciam que o impacto inicial da redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros b\u00e1sica centrou-se na amplia\u00e7\u00e3o das reservas banc\u00e1rias. O segundo condicionante da base monet\u00e1ria impactou de maneira expansiva em fun\u00e7\u00e3o da sens\u00edvel redu\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit prim\u00e1rio do tesouro no m\u00eas de julho, o qual, somado a conta de juros, resultou em d\u00e9ficit.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-8f5f5aaf\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Em junho, o total das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do sistema financeiro permaneceu praticamente inalterado, em compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas de maio (tabela 5.3). Essa manuten\u00e7\u00e3o \u00e9 decorrente da lenta redu\u00e7\u00e3o das taxas de juros na ponta do mercado. Assim, o saldo total de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e de arrendamento mercantil do sistema financeiro, considerando-se os nove n\u00edveis de risco, alcan\u00e7ou R$ 297,8 bilh\u00f5es, em junho, com crescimento de somente 0,2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos pelos n\u00edveis de risco, em junho, 63,2% das opera\u00e7\u00f5es ativas encontravam-se classificadas nos n\u00edveis AA e A, de menores riscos, totalizando R$ 187,9 bilh\u00f5es. As opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito inscritas no n\u00edvel H, de maior risco e cujo aprovisionamento \u00e9 de 100%, mantiveram-se em 9,2%, com o saldo alcan\u00e7ando R$ 27,5 bilh\u00f5es (tabela 5.3).<\/p>\n\n\n\n<p>Uma avalia\u00e7\u00e3o recente do sistema banc\u00e1rio brasileiro, feita pelo FMI e o BIRD, sugeriu melhores controles de riscos das institui\u00e7\u00f5es financeiras, levando o BC a estudar medidas de apoio \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, as quais tendem a atuar restringindo o cr\u00e9dito.<\/p>\n\n\n\n<p>O cr\u00e9dito total concedido pelo sistema financeiro privado, em junho, alcan\u00e7ou R$ 147,6 bilh\u00f5es, com crescimento de 0,2% no m\u00eas e de 5,3% no acumulado at\u00e9 junho. Analisando-se a composi\u00e7\u00e3o do risco de cr\u00e9dito, constata-se a concentra\u00e7\u00e3o nos n\u00edveis AA e A (70,9% do total). No mesmo per\u00edodo, a participa\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos classificados no n\u00edvel H atingiu apenas 4,1%, ante 4,3% do m\u00eas anterior. Dessa forma, percebe-se n\u00edveis mais baixos de inadimpl\u00eancia, no setor financeiro privado, os quais dariam margem para maiores quedas nos juros ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo dos cr\u00e9ditos chancelados pelo sistema financeiro p\u00fablico atingiu R$ 150,2 bilh\u00f5es, com eleva\u00e7\u00e3o de 0,3% no m\u00eas e eleva\u00e7\u00e3o de 4,6% de mar\u00e7o a junho. Desagregando-se por n\u00edvel de risco, observou-se a concentra\u00e7\u00e3o de 55,4% nos n\u00edveis AA e A e de 24% nos n\u00edveis B e C. Os cr\u00e9ditos classificados no n\u00edvel H, R$ 21,4 bilh\u00f5es, apresentaram crescimento de 2,3% no m\u00eas, com participa\u00e7\u00e3o de 14,3%. Observa-se, assim, uma pior configura\u00e7\u00e3o da carteira do setor financeiro p\u00fablico, em termos de aprovisionamento de fundos, comparativamente ao setor privado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os empr\u00e9stimos destinados ao setor privado alcan\u00e7aram R$ 283,9 bilh\u00f5es, com evolu\u00e7\u00f5es de 0,2% no m\u00eas e de 6,2% de mar\u00e7o a junho. Destacaram-se nesse per\u00edodo, os cr\u00e9ditos ao segmento de pessoas f\u00edsicas e habita\u00e7\u00e3o, que apresentaram incremento de 14,0% e 10,3%, respectivamente. Por outro lado, as opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito concedidas \u00e0 ind\u00fastria, R$ 80 bilh\u00f5es, apresentaram estabiliza\u00e7\u00e3o em junho e decl\u00ednio de -1,5% no trimestre. No que tange aos setores rural e com\u00e9rcio, os cr\u00e9ditos sofreram acr\u00e9scimos, entre mar\u00e7o e junho, de 4,1% e 0,8%, respectivamente. Os cr\u00e9ditos direcionados ao setor p\u00fablico somaram R$ 13,9 bilh\u00f5es, representando acr\u00e9scimo de 0,8% em junho.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s provis\u00f5es constitu\u00eddas pelo sistema financeiro, o saldo total, em junho, alcan\u00e7ou R$ 30,3 bilh\u00f5es, ante R$ 30,9 bilh\u00f5es no m\u00eas anterior, perfazendo 10,2% dos cr\u00e9ditos totais. Do total provisionado, R$ 22,4 bilh\u00f5es foram destinados \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito classificadas no n\u00edvel H.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do coeficiente de dep\u00f3sitos compuls\u00f3rios desde o ano passado \u00e9 um aspecto que vem contribuindo tendencialmente para que os bancos tenham mais recursos dispon\u00edveis com vistas \u00e0 expans\u00e3o do cr\u00e9dito. Para se ter uma id\u00e9ia, em julho de 1999, quando a taxa de dep\u00f3sito compuls\u00f3rios situava-se em 75%, o total de recolhimento\/encaixes obrigat\u00f3rios sobre os dep\u00f3sitos \u00e0 vista, efetuados pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras no Banco Central, foi de R$ 24,3 bilh\u00f5es. Em julho deste ano, com a taxa de compuls\u00f3rio em 45%, o total recolhido foi bem inferior, equivalendo \u00e0 R$ 16,2 bilh\u00f5es. Segundo o BC, esta maior disponibilidade de recursos deveria refletir numa redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros praticada na ponta do mercado.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-2969efd7\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Taxa de Juros<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Os \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, que no primeiro semestre do ano contribu\u00edram decisivamente para uma queda gradual da taxa b\u00e1sica de juros da economia, iniciaram o segundo semestre como um obst\u00e1culo para a continuidade dessa pol\u00edtica. Depois da redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros em julho, de 17% a.a. para 16,5% a.a., o Copom decidiu mant\u00ea-la em 16,5% a.a., em sua reuni\u00e3o dos dias 22 e 23 de agosto. A infla\u00e7\u00e3o de julho medida pelo IPCA superou as expectativas do BC e do mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>No cen\u00e1rio externo, a divulga\u00e7\u00e3o do PIB dos EUA, no segundo semestre, mostrou uma eleva\u00e7\u00e3o de 6%, apesar da pol\u00edtica restritiva do Banco Central daquele pa\u00eds. Contudo, mesmo com a taxa de crescimento dessa economia acima do esperado, o n\u00edvel de pre\u00e7os manteve-se em patamares est\u00e1veis, gra\u00e7as ao aumento nos \u00edndices de produtividade.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao petr\u00f3leo, os pre\u00e7os internacionais continuam em alta em torno de US$ 34, apesar do an\u00fancio de aumento da produ\u00e7\u00e3o pela Opep, em 10 de setembro. No mercado futuro, os pre\u00e7os encontram-se em patamares elevados, sinalizando que as expectativas quanto \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o desse recurso natural n\u00e3o s\u00e3o das melhores.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, novas redu\u00e7\u00f5es da taxa de juros b\u00e1sica v\u00e3o depender de um comportamento mais favor\u00e1vel dos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, permanecendo no n\u00edvel de 16,5% a.a. at\u00e9 a pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Copom, em outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s taxas de juros ativas na ponta do mercado a tentativa de redu\u00e7\u00e3o do <em>spread<\/em> pelo BCB n\u00e3o vem obtendo sucesso. A taxa de juros cobrada pelas institui\u00e7\u00f5es financeiras aos tomadores finais n\u00e3o est\u00e1 caindo na mesma propor\u00e7\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros. No m\u00eas de julho, a taxa de juros do cheque especial, no crit\u00e9rio padronizado, ficou em 147,48% a.a., uma redu\u00e7\u00e3o de 15,17 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Entretanto, comparado ao m\u00eas de maio deste ano, foi 6,56 pontos percentuais superior. No cr\u00e9dito pessoal, a taxa apresentou uma ligeira eleva\u00e7\u00e3o, na compara\u00e7\u00e3o junho\/julho, passando de 69,22% a.a. para 70,36% a.a.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o depoimento de executivos de dois grandes bancos, com a redu\u00e7\u00e3o da Selic, os bancos est\u00e3o vendo minguar uma importante fonte de receita. Para n\u00e3o sofrerem uma dupla perda de renda, retardam ao m\u00e1ximo a t\u00e3o esperada queda nos juros ao consumidor&#8221; (FSP, 06.08.00). O que se percebe \u00e9 que o setor banc\u00e1rio no Brasil, longe de ser um mercado competitivo, em que a divulga\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das taxas de juros das diferentes institui\u00e7\u00f5es promoveria a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros ao tomador final, trata-se de um oligop\u00f3lio. Segundo dados da FGV de 1.999, os 100 maiores bancos s\u00e3o detentores de 98,5% do total dos ativos e de 99,1% dos dep\u00f3sitos totais. J\u00e1 as 8 maiores institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o detentoras de 60,5% do total dos ativos. Adicionalmente, o setor banc\u00e1rio auferiu, no primeiro semestre deste ano, elevados lucros. Nesse per\u00edodo, o lucro dos dois maiores bancos privados do pa\u00eds, Bradesco e Ita\u00fa, cresceu 31,5% e 43%, respectivamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Atuando com margens de lucro em patamares elevados e inflex\u00edveis \u00e0 baixa, as institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00f3 reduziriam a taxa de juros caso pudessem compensar sua perda de receita pela amplia\u00e7\u00e3o do volume de cr\u00e9dito. At\u00e9 o momento, haja vista que o volume total do cr\u00e9dito concedido pelo sistema financeiro tem apresentado modesta amplia\u00e7\u00e3o, passando de R$ 297,1 bilh\u00f5es, em junho, para R$ 297,8 bilh\u00f5es, em julho, n\u00e3o existem sinais de que isto ocorra. Por outro lado, o Banco Central considera temer\u00e1ria uma expans\u00e3o relevante do cr\u00e9dito: primeiro, pelo receio de provocar aquecimento na demanda, comprometendo as metas de infla\u00e7\u00e3o; e, segundo, face ao risco de ampliar os n\u00edveis de inadimpl\u00eancia. Em suma, parece que a tentativa de redu\u00e7\u00e3o do <em>spread<\/em> pelo Banco Central n\u00e3o passa de mera ret\u00f3rica.<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-5\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab5\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-32fdc324\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Pol\u00edtica Fiscal<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>Desde a aprova\u00e7\u00e3o da LDO, ficou expl\u00edcito que o executivo federal n\u00e3o abandonar\u00e1 a estrat\u00e9gia de gera\u00e7\u00e3o de super\u00e1vits prim\u00e1rios ap\u00f3s o fim do acordo com o FMI, em 2.001. Por outro lado, numa estrat\u00e9gia de &#8216;marketing pol\u00edtico&#8217;, anunciou uma pequena redu\u00e7\u00e3o das metas, capaz de proporcionar, em tese, sobras fiscais a serem dirigidas aos gastos sociais. Na disputa pela &#8216;fict\u00edcia&#8217; sobra fiscal, o Ministro Alcides T\u00e1pias passou a defender uma redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria, atrav\u00e9s da elimina\u00e7\u00e3o da cumulatividade das contribui\u00e7\u00f5es sociais, especialmente sobre os segmentos exportadores. Compondo a ret\u00f3rica oficial, o Ministro Malan mostrou-se repentinamente interessado em metas sociais, apesar de advertir que isto n\u00e3o significaria aumentar gastos e sim otimizar os j\u00e1 existentes. Ainda nesse campo do hipot\u00e9tico, o governo apresentou, em 31 de agosto, um or\u00e7amento para 2.001 que aumenta os gastos sociais em cerca de 29%, adota um certo rigor na inclus\u00e3o de obras com irregularidades comprovadas pelo TCU, a par de prever um ris\u00edvel aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo (5,57%) e nenhum reajuste para o funcionalismo federal. A pr\u00f3pria n\u00e3o efetividade do or\u00e7amento, todavia, desacredita estes n\u00fameros. O Estado do Esp\u00edrito Santo, por exemplo, que tinha uma dota\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria inicial para 2.000 de 59 milh\u00f5es, s\u00f3 recebeu cerca de 20,0% deste total, em preju\u00edzo das \u00e1reas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (A Gazeta, 13.09.00).<\/p>\n\n\n\n<p>Dando continuidade \u00e0 pol\u00edtica de ajuste fiscal estrutural, o governo central obteve, no m\u00eas de julho, um resultado prim\u00e1rio, no conceito &#8220;acima da linha&#8221;, superavit\u00e1rio em R$ 424,1 milh\u00f5es, menor valor obtido no decorrer do ano, com uma sens\u00edvel queda frente ao m\u00eas anterior, em que atingiu um saldo de R$ 1,5 bilh\u00f5es. N\u00e3o obstante, no acumulado do ano, alcan\u00e7ou o montante de R$ 15,7 bilh\u00f5es, 6,3% superior a igual per\u00edodo do ano passado, apesar de cair -0,23% na rela\u00e7\u00e3o com o PIB. O super\u00e1vit alcan\u00e7ado pelo governo, no m\u00eas de julho, foi o resultado de um saldo positivo de R$ 1,2 bilh\u00e3o obtido pelo Tesouro, deduzidos os d\u00e9ficits de R$ 653,1 milh\u00f5es com a previd\u00eancia e R$ 98,7 milh\u00f5es com o Banco Central (tabela 6.1).<\/p>\n\n\n\n<p>As despesas apresentaram um crescimento no m\u00eas de 9,72%, especialmente devido aos gastos com pessoal e investimento. Segundo a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, este aumento se deveu a fatores sazonais, vinculados \u00e0 folha salarial. A secretaria do Tesouro destaca os pagamentos de parcelas dos 28,6% da URP e o realinhamento salarial de algumas poucas carreiras. Esta pequena eleva\u00e7\u00e3o na folha n\u00e3o reverte a tend\u00eancia de ajuste atrav\u00e9s da corros\u00e3o das despesas, ilustrada pela queda de -0,74% da rela\u00e7\u00e3o despesa acumulada\/PIB. As receitas, com rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, cresceram 2,15% e 10,98% no acumulado do ano, reduzindo sua participa\u00e7\u00e3o no PIB em -1,01%.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de julho a Previd\u00eancia apresentou uma arrecada\u00e7\u00e3o recorde, equivalente a R$ 4,6 bilh\u00f5es, consequ\u00eancia do crescimento do emprego formal, da receita com dep\u00f3sitos judiciais e de leil\u00f5es de Certificados da D\u00edvida P\u00fablica. A eleva\u00e7\u00e3o, em 1,4%, nas despesas com o reajuste concedido, em junho, aos benef\u00edcios superiores ao piso, resultou num pequeno aumento do d\u00e9ficit, sendo que o n\u00famero de benef\u00edcios vinculados \u00e0 aposentadoria decresceu -4,9% em julho, segundo o Informe de Previd\u00eancia Social. Por outro lado, no acumulado em 2.000 o d\u00e9ficit caiu -8,4%, com as receitas crescendo acima dos benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio do governo central, no conceito &#8216;abaixo da linha&#8217;, foi superavit\u00e1rio em R$ 1,401 bilh\u00f5es no m\u00eas de junho, contra um saldo de R$ 4,0 bilh\u00f5es no mesmo m\u00eas de 1999. Apesar de ter obtido um resultado mensal menos favor\u00e1vel do que no ano passado, no acumulado do semestre registra-se um super\u00e1vit de R$ 18,0 bilh\u00f5es, 30,57% superior ao obtido em igual per\u00edodo no ano anterior (tabela 6.2).<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00eaxito fiscal representado pelo cont\u00ednuo super\u00e1vit prim\u00e1rio alcan\u00e7ado, especialmente a partir de 1999, evidencia a natureza monet\u00e1ria do d\u00e9ficit p\u00fablico, em contraste com a argumenta\u00e7\u00e3o oficial. As despesas com juros nominais foram de R$ 3,4 bilh\u00f5es em junho de 2.000 e, descontados os efeitos da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, R$ 4,9 bilh\u00f5es. No ano, e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, as despesas com juros somaram R$ 26,3 bilh\u00f5es e R$ 69,1 bilh\u00f5es, no ano corrente e em 1999, respectivamente. Pela metodologia alternativa, as despesas com juros totalizaram R$ 25,6 bilh\u00f5es no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n\n\n\n<p>No m\u00eas de junho o resultado nominal do governo central foi deficit\u00e1rio em ambas as metodologias. Considerando a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, ocorreu um d\u00e9ficit de R$ 2,0 bilh\u00f5es e R$ 3,0 bilh\u00f5es em igual per\u00edodo do ano anterior. No acumulado do ano estes valores somaram R$ 8,3 bilh\u00f5es, contra R$ 55,3 bilh\u00f5es em 1999, devendo-se esta queda de -84,9% \u00e0 vultosa soma de recursos despendidas em juros nominais no in\u00edcio do ano passado, com o objetivo de evitar uma brusca desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado prim\u00e1rio para o setor p\u00fablico consolidado, no conceito &#8216;abaixo da linha&#8217; e com desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial, foi superavit\u00e1rio, em R$ 1,8 bilh\u00f5es, no m\u00eas de junho, acumulando no ano um super\u00e1vit R$ 23,7 bilh\u00f5es (4,15% do PIB), o que supera a meta acordada com o FMI. Por outro lado, os juros nominais para o setor p\u00fablico consolidado somaram, em junho deste ano, R$ 4,5 bilh\u00f5es e R$ 8,6 bilh\u00f5es registrados em junho de 1999. No primeiro semestre de 2.000, o setor p\u00fablico pagou R$ 40,0 bilh\u00f5es de juros (6,99% do PIB), contra R$ 85,3 bilh\u00f5es de juros em igual per\u00edodo de 1.999. Na mesma metodologia, o resultado nominal do setor p\u00fablico consolidado apresentou, em junho corrente, um d\u00e9ficit de R$ 2,8 bilh\u00f5es, denotando o impacto dos encargos financeiros sobre as contas p\u00fablicas. Da mesma forma, o acumulado no semestre apresenta-se deficit\u00e1rio em R$ 16,2 bilh\u00f5es, ou 2,84% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico atingiu, em junho, um montante de R$ 542,3 bilh\u00f5es (46,5% do PIB), sendo esta a principal vari\u00e1vel de controle do governo em termos das metas com o FMI e cujo resultado est\u00e1 melhor do que o previsto. O executivo federal enviou ao Senado, no in\u00edcio de agosto, uma proposta de resolu\u00e7\u00e3o que fixa os limites de endividamento para a Uni\u00e3o, os Estados e Munic\u00edpios (FSP, 05.08.00). O projeto atende a uma determina\u00e7\u00e3o da Lei de Responsabilidade Fiscal, sancionada em maio. Todavia, a proposta s\u00f3 ter\u00e1 consequ\u00eancias sobre o endividamento federal, tendo em vista que 24 estados, o Distrito Federal e 180 munic\u00edpios de peso fizeram acordos de renegocia\u00e7\u00e3o que impossibilitam, na pr\u00e1tica, qualquer amplia\u00e7\u00e3o de d\u00edvida, no m\u00e9dio prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida mobili\u00e1ria federal atingiu o montante de R$ 614,0 bilh\u00f5es em julho, dos quais R$ 69,8 bilh\u00f5es de responsabilidade do BC e R$ 544,3 bilh\u00f5es de responsabilidade do tesouro (tabela 6.3). Os t\u00edtulos no mercado apresentaram uma expans\u00e3o de 2,95% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e 16,4% no \u00faltimo semestre (tabela 6.3). Uma novidade quanto ao prazo de vencimento dos t\u00edtulos do tesouro foi verificada com o leil\u00e3o de um lote de R$ 500 milh\u00f5es de pap\u00e9is pr\u00e9-fixados (LTN&#8217;s), com prazo de vencimento de dois anos (FSP, 01.09.00).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos t\u00edtulos de responsabilidade do BCB houve uma expans\u00e3o de 1,2% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior e 10,3% no \u00faltimo semestre. Em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal o BCB n\u00e3o poder\u00e1 emitir t\u00edtulos a partir de 2.002. At\u00e9 esta data h\u00e1 um cronograma de emiss\u00f5es para esta institui\u00e7\u00e3o, dos quais R$ 13 bilh\u00f5es em janeiro de 2.001, para cobrir preju\u00edzos resultantes da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial de 1.999 (FSP, 05.08.00).<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-tabs-child uagb-tabs__body-container uagb-inner-tab-6\" aria-labelledby=\"uagb-tabs__tab6\">\n<div class=\"wp-block-uagb-advanced-heading uagb-block-fd2f4004\"><h3 class=\"uagb-heading-text\">Setor Externo<\/h3><\/div>\n\n\n\n<p>O balan\u00e7o de pagamentos apresentou um super\u00e1vit de US$ 1,3 bilh\u00e3o no m\u00eas de julho. Este resultado \u00e9 fun\u00e7\u00e3o de um d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes de US$ 1,3 bilh\u00e3o e um super\u00e1vit de US$ 2,6 bilh\u00f5es na conta de capital.<\/p>\n\n\n\n<p>O saldo das transa\u00e7\u00f5es correntes, no acumulado de janeiro a julho deste ano, atingiu 3,88% do PIB (tabela 7.1). Esse n\u00famero corresponde ao menor d\u00e9ficit desde a crise russa, continuando, entretanto, acima da meta estabelecida junto ao FMI (3,5% do PIB).<\/p>\n\n\n\n<p>A balan\u00e7a comercial brasileira apresentou um fraco desempenho no m\u00eas de julho, tendo como resultado um super\u00e1vit de apenas US$ 118 milh\u00f5es (54% menor de que junho). No acumulado do ano verificamos um saldo positivo de US$ 937 milh\u00f5es (tabela 7.1). O saldo comercial aqu\u00e9m do esperado pelo governo \u00e9 reflexo do crescimento das importa\u00e7\u00f5es (bens intermedi\u00e1rios, principalmente, mas tamb\u00e9m bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis????), da crescente press\u00e3o sobre a conta petr\u00f3leo e do fraco desempenho das exporta\u00e7\u00f5es no setor agropecu\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base no t\u00edmido desempenho de julho e agosto, o governo federal estuda uma nova redu\u00e7\u00e3o na meta de super\u00e1vit comercial deste ano para valores pr\u00f3ximos de US$ 2,0 bilh\u00f5es. Esse valor reduz em cerca de US$ 800 milh\u00f5es a meta em vigor. Segundo o secret\u00e1rio-executivo da CAMEX (c\u00e2mara de com\u00e9rcio externo), Roberto Giannetti da Fonseca, o problema est\u00e1 concentrado no aumento inesperado das importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A conta de servi\u00e7os acumulou um d\u00e9ficit de US$ 14,7 bilh\u00f5es no per\u00edodo de janeiro a julho, destacando-se o componente juros que participou com US$ 8,9 bilh\u00f5es. Comparando-se com o mesmo per\u00edodo de 1999, percebe-se que a varia\u00e7\u00e3o foi pequena (tabela 7.1). O m\u00eas de julho apresentou um d\u00e9ficit da ordem de US$ 1,6 bilh\u00f5es, uma queda consider\u00e1vel se comparado a junho, em que alcan\u00e7ou-se um d\u00e9ficit de US$ 2,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O ingresso de capitais externos, nos sete primeiros meses do ano, foi de US$ 60,5 bilh\u00f5es, uma queda de US$ 11,3 bilh\u00f5es, ou cerca de -15%, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior (tabela 7.2). Destaca-se, neste per\u00edodo, a diminui\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos em moeda de US$ 27,6 bilh\u00f5es em 1999 para US$ 18,7 bilh\u00f5es em 2.000, uma queda de -32%. No m\u00eas de julho os investimentos totalizaram US$ 6,9 bilh\u00f5es, destacando-se os investimentos diretos (US$ 5,0 bilh\u00f5es). Caso se compare o volume de investimentos do mesmo m\u00eas com igual per\u00edodo do ano anterior, verifica-se um aumento de 1,6 bilh\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os pa\u00edses que mais contribu\u00edram para os investimento externos no Brasil, no per\u00edodo de janeiro a julho deste ano, sobressaem-se os Estados Unidos (23,8%), a Espanha, (23,5%) e em menor medida Portugal (8,7%), Fran\u00e7a, (8,6%), Ilhas Cayman, (7,9%) e Pa\u00edses Baixos (6,8%). Do total de investimentos, 74,6% foram direcionados para os servi\u00e7os, destacando-se os sub-setores de comunica\u00e7\u00f5es, (31,8%) e com\u00e9rcio-institui\u00e7\u00f5es financeiras, (12,9%). A ind\u00fastria recebeu 27,7% dos investimentos e o setor prim\u00e1rio (agricultura, pecu\u00e1ria e extrativa mineral) apenas 1,7% dos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>As reservas internacionais permanecem est\u00e1veis desde abril, quando o governo adiantou o pagamento aos credores internacionais dos empr\u00e9stimos efetuados no acordo com o FMI. No m\u00eas de maio as reservas totalizaram US$ 27,9 bilh\u00f5es, no conceito de caixa, e no conceito de liquidez internacional, US$ 28,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00edvida externa total apresentou um saldo de US$ 231,3 bilh\u00f5es no m\u00eas de maio. Esse valor corresponde a um acr\u00e9scimo de US$ 1,2 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, segundo os dados dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalta-se no contexto do com\u00e9rcio internacional as incertezas sobre o pre\u00e7o do petr\u00f3leo, o qual atingiu valores mais elevados do que os verificados na guerra do golfo. As constantes eleva\u00e7\u00f5es, segundo os especialistas, podem provocar uma desacelera\u00e7\u00e3o da economia mundial, em preju\u00edzo a todos os pa\u00edses. Outro fato relevante relaciona-se a reuni\u00e3o dos onze pa\u00edses sul-americanos em Bras\u00edlia, solicitando reciprocidade dos pa\u00edses desenvolvidos quanto \u00e0 abertura econ\u00f4mica. Nas palavras do presidente brasileiro, &#8220;A inexist\u00eancia de regras claras e que permitam acesso aos mercados \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o, sobretudo porque os pa\u00edses mais desenvolvidos pregam o tempo todo o liberalismo, mas n\u00e3o o praticam.&#8221; Tal coment\u00e1rio evidencia claramente o equ\u00edvoco dos pa\u00edses que adotaram pol\u00edticas de libera\u00e7\u00e3o indiscriminada, incluindo neste cen\u00e1rio o Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o A economia brasileira continuou crescendo no in\u00edcio do segundo semestre de 2000, entretanto, os indicadores mostram uma tend\u00eancia \u00e0 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