{"id":3949,"date":"2025-11-24T16:59:51","date_gmt":"2025-11-24T19:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=3949"},"modified":"2025-11-24T17:06:38","modified_gmt":"2025-11-24T20:06:38","slug":"boletim-no-20-julho-2001","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/boletim-no-20-julho-2001\/","title":{"rendered":"Boletim N\u00ba 20 &#8211; Julho 2001"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"3949\" class=\"elementor elementor-3949\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-2a2a847 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"2a2a847\" data-element_type=\"section\" data-e-type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8da0fca\" data-id=\"8da0fca\" data-element_type=\"column\" data-e-type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0ade068 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"0ade068\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\">Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-bf40006 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"bf40006\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O quadro econ\u00f4mico brasileiro apresenta uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais grave. A crise da economia americana, a continuidade da estagna\u00e7\u00e3o da economia japonesa e o agravamento da crise argentina constituem alguns dos fatores externos que agu\u00e7am ainda mais os determinantes internos da crise brasileira. Desde o final do ano passado, as for\u00e7as pol\u00edticas que sustentam a alian\u00e7a entre as fra\u00e7\u00f5es de classe no poder encontram-se cada vez mais divididas. As disputas pela dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do poder e pelos espa\u00e7os pol\u00edticos que permitam viabilizar as candidaturas no pr\u00f3ximo ano &#8211; n\u00e3o s\u00f3 para Presidente da Rep\u00fablica, mas tamb\u00e9m para os governos estaduais e para o Congresso Nacional &#8211; acirraram ainda mais as contradi\u00e7\u00f5es. Parte dessas contradi\u00e7\u00f5es foi solucionada com a ren\u00fancia dos senadores Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e Roberto Arruda, acusados de falta de decoro parlamentar pela viola\u00e7\u00e3o do painel eletr\u00f4nico de vota\u00e7\u00e3o e por faltarem com a verdade no Senado. At\u00e9 o momento, a situa\u00e7\u00e3o do Presidente do Senado, Jader Barbalho, ainda n\u00e3o foi solucionada. A investiga\u00e7\u00e3o sobre o desvio de recursos p\u00fablicos, em benef\u00edcio pr\u00f3prio, ainda continua. Nesse quadro, o pr\u00f3prio Presidente da Rep\u00fablica parece ter &#8220;jogado a toalha&#8221;. Segundo Cl\u00f3vis Rossi (FSP, 10\/07\/01), &#8220;FHC n\u00e3o tem a menor id\u00e9ia do que vai fazer com o pa\u00eds que governa, como se n\u00e3o passasse de um observador distante, que apenas constata se choveu ou fez sol&#8221;.<\/p>\n<p>O interesse pelo desenvolvimento interno das contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas foi substitu\u00eddo pela crise energ\u00e9tica e pela nova crise cambial. A crise de energia \u00e9 a consequ\u00eancia do programa energ\u00e9tico desenvolvido de acordo com o princ\u00edpio de que o mercado \u00e9 auto-regulador e propicia sempre um resultado melhor do que o planejamento estatal. Ela n\u00e3o \u00e9 de responsabilidade da natureza &#8211; da falta de chuvas &#8211; e nem o resultado do acaso. Segundo C\u00e9sar Benjamin, &#8220;Foi loucura, mas houve m\u00e9todo nela&#8221; (Caros Amigos, junho de 2001). Associado \u00e0 crise energ\u00e9tica, os analistas e economistas ortodoxos defendem a id\u00e9ia de que a intensifica\u00e7\u00e3o da crise argentina estimulou o processo de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial do real pela deteriora\u00e7\u00e3o das expectativas e pelo aumento do risco. Segundo a teoria que fundamenta a equipe econ\u00f4mica, a pol\u00edtica de c\u00e2mbio flutuante levaria o &#8220;mercado&#8221; \u00e0 uma taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio, pois a racionalidade dos agentes impediria que comprassem divisas a pre\u00e7os muito acima desse pre\u00e7o de equil\u00edbrio. Para tanto, o Banco Central divulgou recentemente o que eles consideram o que seria a taxa real de c\u00e2mbio. Chamada de paridade de poder de compra (PPC), ela \u00e9 estimada pela diferen\u00e7a entre a infla\u00e7\u00e3o americana e a infla\u00e7\u00e3o nacional. Essa taxa seria de R$ 2,218 por d\u00f3lar. Entretanto, a realidade est\u00e1 mostrando que a crise cambial brasileira n\u00e3o \u00e9 somente o efeito das contradi\u00e7\u00f5es externas, mas est\u00e1 profundamente enraizada nas contradi\u00e7\u00f5es internas, decorrentes da mudan\u00e7a no processo de inser\u00e7\u00e3o do Brasil no sistema mundial, ap\u00f3s o plano real. Contrariando a teoria que defende, a equipe econ\u00f4mica aumentou mais agressivamente a taxa b\u00e1sica de juros visando arrefecer a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Por\u00e9m, o papel da taxa de juros, ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de c\u00e2mbio flutuante e das metas de infla\u00e7\u00e3o, seria o controle do n\u00edvel geral de pre\u00e7os e n\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio. Paralelamente, foram tentados tr\u00eas diagn\u00f3sticos diferentes para a crise cambial. O primeiro foi que o aumento do risco decorrente da deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da argentina pressionou os agentes a buscarem prote\u00e7\u00e3o (<em>hedge<\/em>) para os compromissos futuros denominados em d\u00f3lar. Para atender \u00e0 essa demanda, de forma melhor do que atrav\u00e9s de moeda corrente, o Banco Central aumentou violentamente a oferta de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica indexados \u00e0 varia\u00e7\u00e3o cambial. Nesse caso, os devedores em d\u00f3lar n\u00e3o s\u00f3 teriam a garantia de comprar o d\u00f3lar sem as desvaloriza\u00e7\u00f5es futuras, como receberiam juros adicionais. A diferen\u00e7a entre a taxa atual de c\u00e2mbio e a taxa futura, mais os juros, ser\u00e3o pagos, em \u00faltima inst\u00e2ncia, pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelos impostos que pagamos. O segundo diagn\u00f3stico foi que a desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial seria decorrente de uma bolha especulativa. Para enfrent\u00e1-la, o Presidente do Banco Central anunciou que teria \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o US$ 10,8 bilh\u00f5es para oferecer ao sistema financeiro e entrou no mercado vendendo d\u00f3lar corrente. Em menos de quinze dias vendeu US$ 880,0 milh\u00f5es sem afetar a tend\u00eancia de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. O resultado levou o BC a concluir que n\u00e3o existe nenhuma bolha especulativa. Enfim, constatou que existe realmente falta da moeda estrangeira no mercado e, para n\u00e3o afetar negativamente as expectativas e nem falhar por falta de comunica\u00e7\u00e3o, anunciou que tem US$ 6,0 bilh\u00f5es para vender at\u00e9 o final do ano. Mais ainda, anunciou que vender\u00e1 exatamente US$ 50,0 milh\u00f5es por dia. Assim, atenderia a todos que necessitam de d\u00f3lares at\u00e9 o final do ano (<em>hedge<\/em>), eliminaria a volatilidade das expectativas quanto \u00e0 futura oferta de d\u00f3lares no mercado e estabilizaria a taxa de c\u00e2mbio e, com sorte, ela poderia voltar ao ponto de equil\u00edbrio. Os primeiros resultados dessa nova postura do BC parecem demonstrar o contr\u00e1rio e a culpa recai novamente sobre a Argentina.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica do BC tem duas consequ\u00eancias importantes. A primeira \u00e9 o aumento da d\u00edvida interna e das despesas com a conta de juros, atual e futura, o que agrava ainda mais as perspectivas quanto \u00e0 possibilidade de solv\u00eancia do governo. A segunda reduz rapidamente as reservas internacionais e o Cr\u00e9dito Dom\u00e9stico L\u00edquido (CDL), limite estabelecido para a emiss\u00e3o de moeda nacional no acordo firmado com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, em 1998. Para recompor as reservas e o CDL, o Brasil ter\u00e1 de recorrer novamente ao FMI estendendo ainda mais o per\u00edodo em que a gest\u00e3o econ\u00f4mica continuar\u00e1 monitorada pelo Fundo. Segundo o que apresentamos, a pol\u00edtica do BC e da equipe econ\u00f4mica do governo confirma e permite generalizar a interpreta\u00e7\u00e3o de Rossi (FSP, 10\/07\/01) sobre um ponto da entrevista de FHC ao jornal Valor. &#8220;Quer dizer, ent\u00e3o, que um \u00f3rg\u00e3o da maior relev\u00e2ncia como o BC faz &#8216;besteiras&#8217;, e o seu chefe supremo ainda brinca com elas? Pior: estamos todos convidados a n\u00e3o acreditar em nada do que digam organismos p\u00fablicos, pelo menos enquanto estiverem sob o comando de algu\u00e9m que acha perigoso acreditar no que dizem&#8221;.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7a12c75 elementor-tabs-view-vertical elementor-widget elementor-widget-tabs\" data-id=\"7a12c75\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"tabs.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tabs\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-tabs-wrapper\" role=\"tablist\" >\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1281\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"true\" data-tab=\"1\" role=\"tab\" tabindex=\"0\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1281\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1282\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"2\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1282\" aria-expanded=\"false\">Infla\u00e7\u00e3o<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1283\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"3\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1283\" aria-expanded=\"false\">N\u00edvel de Atividade<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1284\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"4\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1284\" aria-expanded=\"false\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1285\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"5\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1285\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1286\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"6\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1286\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Fiscal<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-title-1287\" class=\"elementor-tab-title elementor-tab-desktop-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"7\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1287\" aria-expanded=\"false\">Setor Externo<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t<div class=\"elementor-tabs-content-wrapper\" role=\"tablist\" aria-orientation=\"vertical\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"true\" data-tab=\"1\" role=\"tab\" tabindex=\"0\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1281\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Econ\u00f4mica<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1281\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"1\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1281\" tabindex=\"0\" hidden=\"false\"><h3>Nau sem Rumo<\/h3>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Diferentemente do cen\u00e1rio otimista de crescimento econ\u00f4mico que se desenhava no in\u00edcio do ano, projetando uma expans\u00e3o de 4-4,5% do PIB e uma taxa de infla\u00e7\u00e3o em torno de 4%, o quadro atual encontra-se marcado por um crescente pessimismo dos agentes econ\u00f4micos sobre os rumos da economia brasileira e sobre a capacidade da pol\u00edtica econ\u00f4mica de dar respostas aos problemas que, aos borbot\u00f5es, v\u00eam se amontoando no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se at\u00e9 h\u00e1 poucos meses a preocupa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica era a de monitorar o crescimento para evitar o agravamento da vulnerabilidade externa da economia brasileira, as crises argentina e de energia se encarregaram de desvelar e de ampliar a fragilidade de seus fundamentos e de deslocar o foco de sua a\u00e7\u00e3o para uma miss\u00e3o cada vez mais dif\u00edcil: a de evitar o apag\u00e3o da economia neste segundo semestre. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil e, a considerar os movimentos err\u00e1ticos que v\u00eam sendo ensaiados pela pol\u00edtica econ\u00f4mica, n\u00e3o se pode nem mesmo dizer que os <em>policy makers<\/em> estejam dispostos a ou pelo menos preparados para cumpri-la.<\/p>\n<p>\u00c0 vulnerabilidade externa e \u00e0 fragilidade fiscal que se acentuaram com os recentes movimentos (delet\u00e9rios) do c\u00e2mbio e dos juros, impulsionados pela (ainda irresolvida) crise argentina e de energia, e tamb\u00e9m pela falta de perspectiva de crescimento das economias dos EUA, Europa e Jap\u00e3o, somam-se, agora, a acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria (meta do ano revista de 4% para 5,8%), juros em alta, ampliando a d\u00edvida p\u00fablica (estimativa de que a DLSP atinja 53% do PIB no final do ano contra uma meta de 46,5% acordada com o FMI), atividade econ\u00f4mica em decl\u00ednio (expans\u00e3o do PIB reduzida para 2-2,5%) e aumento brutal do desemprego. Para agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o, a nova queda de popularidade de FHC retira da pol\u00edtica econ\u00f4mica a legitimidade necess\u00e1ria para propor e implementar medidas que mitiguem esses problemas.<\/p>\n<p>A falta de rumos da pol\u00edtica econ\u00f4mica torna-se, nessa situa\u00e7\u00e3o cada vez mais evidente. O argumento da estabilidade &#8211; artificial de pre\u00e7os &#8211; tem se enfraquecido ante as dificuldades que se avizinham e a pol\u00edtica econ\u00f4mica parece estar caminhando para contentar-se em evitar o agravamento dessas condi\u00e7\u00f5es e, se conseguir, transferir sua solu\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo governo. A falta de consist\u00eancia das medidas que v\u00eam sendo adotadas e o abandono de solu\u00e7\u00f5es para as quest\u00f5es estruturais indica claramente essa perda de rumos. Por um lado, a almejada reforma tribut\u00e1ria foi substitu\u00edda por uma proposta de &#8220;remendo&#8221; do sistema, que tem como principal objetivo a manuten\u00e7\u00e3o da cobran\u00e7a da CPMF. A renova\u00e7\u00e3o do acordo com o FMI, que vence em dezembro, come\u00e7a a ser encarada como vital para que nessa travessia a redu\u00e7\u00e3o de reservas externas n\u00e3o forne\u00e7a muni\u00e7\u00e3o para novos ataques especulativos contra a moeda nacional, ainda que isso implique transferir o cumprimento das condi\u00e7\u00f5es acertadas para o pr\u00f3ximo governo. E, como exerc\u00edcio futurista, os gestores da pol\u00edtica econ\u00f4mica projetam metas de infla\u00e7\u00e3o de 3,5% para 2002 e de 3,25% para 2003, que n\u00e3o conseguiram alcan\u00e7ar em sete anos \u00e0 frente do processo, ao mesmo tempo em que articulam\/sinalizam um novo tarifa\u00e7o para o segundo semestre. Inconsist\u00eancia e aus\u00eancia de medidas &#8220;criativas&#8221; para supera\u00e7\u00e3o das dificuldades atuais indicam que pouco se pode esperar da pol\u00edtica econ\u00f4mica at\u00e9 o final do governo FHC e que a pol\u00edtica do &#8220;arroz-com-feij\u00e3o&#8221; deve ganhar for\u00e7a. Para garantir a estabilidade \u00e0 luz de velas e para transferir para o pr\u00f3ximo governo a heran\u00e7a do endividamento, a vulnerabilidade externa e os gargalos estruturais que se ampliaram com o Real.<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"2\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1282\" aria-expanded=\"false\">Infla\u00e7\u00e3o<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1282\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"2\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1282\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>Infla\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A evolu\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de pre\u00e7os ao longo do ano mostra uma certa homogeneidade entre eles quando comparamos as taxas m\u00eas a m\u00eas. De janeiro a fevereiro, houve uma queda em todos os \u00edndices de pre\u00e7os; de fevereiro a abril, a tend\u00eancia de alta atingiu todos eles; e de abril a maio, inverteu-se o quadro verificado no per\u00edodo imediatamente anterior, j\u00e1 que todos os indicadores mostraram queda nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Uma das principais expectativas em rela\u00e7\u00e3o aos \u00edndices de pre\u00e7os \u00e9 saber como ser\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o dos mesmos ao longo dos pr\u00f3ximos meses. Diversos fatores contribuem para aumentar a instabilidade quanto \u00e0s pr\u00f3ximas varia\u00e7\u00f5es. Os principais s\u00e3o o aumento do d\u00f3lar verificado nas \u00faltimas semanas e os aumentos nos pre\u00e7os das tarifas p\u00fablicas causados pela crise energ\u00e9tica e pelos reajustes concedidos \u00e0s concession\u00e1rias privadas.<\/p>\n<p>Segundo a pol\u00edtica de metas de infla\u00e7\u00e3o, o Governo federal fixou uma taxa de 4% para o IPCA, em 2001, com toler\u00e2ncia de varia\u00e7\u00e3o de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. As previs\u00f5es de aumentos nos \u00edndices de pre\u00e7os, face \u00e0s press\u00f5es do c\u00e2mbio e dos aumentos das tarifas p\u00fablicas, indicaram, nas \u00faltimas semanas, que o IPCA ficar\u00e1 em torno de 5,92%, em 2001 (JB, 05\/06\/01). Para os outros \u00edndices de pre\u00e7os, as estimativas tamb\u00e9m pioraram: de 5,4% para 5,73%, para o INPC; de 6,8% para 6,9%, para o IGP-M; e de 6,6% para 7%, para o IGP-DI. Por outro lado, algumas previs\u00f5es indicam que o IPCA dever\u00e1 ultrapassar o limite m\u00e1ximo de 6% (FSP, 13\/06\/01).<\/p>\n<p>Por enquanto, ainda n\u00e3o houve tempo suficiente para se observar os reflexos da crise energ\u00e9tica sobre os \u00edndices de pre\u00e7os divulgados at\u00e9 o m\u00eas de maio. Enquanto isso, o governo federal continua com a pol\u00edtica monet\u00e1ria e fiscal contracionista, tendo no aumento da taxa b\u00e1sica de juros o seu maior sustent\u00e1culo. Um dos objetivos centrais dessa pol\u00edtica \u00e9 manter sob controle os \u00edndices de pre\u00e7os, mesmo que isso intensifique a desacelera\u00e7\u00e3o nas taxas de crescimento e provoque um aumento ainda maior nas taxas de desemprego.<\/p>\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) \u00e9 calculado pelo IBGE e abrange as regi\u00f5es metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, S\u00e3o Paulo, Bel\u00e9m, Fortaleza, Salvador e Curitiba, al\u00e9m dos munic\u00edpios de Goi\u00e2nia e Bras\u00edlia. Sua metodologia estima os efeitos das varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os sobre as fam\u00edlias com rendimentos mensais de 1 a 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos, e \u00e9 refer\u00eancia para a pol\u00edtica de metas de infla\u00e7\u00e3o do governo federal.<\/p>\n<p>O IPCA foi de 0,41% no m\u00eas de maio. Esse resultado foi 0,17 ponto percentual menor que o resultado de abril. A queda no \u00edndice se deveu ao grupo Alimenta\u00e7\u00e3o, que diminuiu de 1,80% em abril para 0,58% em maio. A colheita da primeira safra agr\u00edcola, que est\u00e1 praticamente conclu\u00edda, inibiu o ritmo de alta nos pre\u00e7os verificado no m\u00eas de abril. A taxa acumulada nos cinco primeiros meses do ano foi de 2,42%, acima do percentual de 1,41% referente ao mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n<p>Segundo Eulina dos Santos, gerente do Sistema do \u00cdndice de Pre\u00e7os do IBGE, as frutas (-4,77%), a cebola (-3,42%) e o pescado (-3,32%) foram os itens do Grupo Alimenta\u00e7\u00e3o que mais contribu\u00edram para a queda do IPCA de maio. O feij\u00e3o, 6,54%, o tomate, 4,67% e o p\u00e3o franc\u00eas, 3,74%, apresentaram varia\u00e7\u00f5es positivas. J\u00e1, os produtos n\u00e3o aliment\u00edcios aumentaram de 0,23% para 0,36%. Esta alta se deveu, principalmente, aos aumentos nos pre\u00e7os das tarifas de energia el\u00e9trica (1,99%), de g\u00e1s de buj\u00e3o (3,68%) e de transporte urbano (1,32%), sendo que esta \u00faltima se refere somente a S\u00e3o Paulo, onde o reajuste foi de 21,7%.<\/p>\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE para fam\u00edlias com rendimento de 1 a 8 sal\u00e1rios m\u00ednimos, abrange as mesmas regi\u00f5es metropolitanas do IPCA. Esse \u00edndice encerrou o m\u00eas de abril em 0,84%, uma alta consider\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior (0,48%). Esse aumento aconteceu em decorr\u00eancia da grande estiagem nesse m\u00eas, o que acabou por pressionar o pre\u00e7o dos alimentos para cima. &#8220;Toda vez que h\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o concentrada nos pre\u00e7os dos alimentos, a popula\u00e7\u00e3o mais pobre \u00e9 a que sofre mais. O INPC est\u00e1 refletindo exatamente isso&#8221;, \u00e9 o que afirma Luiz R. Cunha, da PUC-RJ. Em maio, o INPC foi de 0,57%, apresentando uma queda em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Assim como no IPCA, esta tend\u00eancia foi determinada pelo grupo Alimenta\u00e7\u00e3o. A taxa acumulada no ano atingiu 3,19% e nos 12 \u00faltimos meses, 7,73%.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), calculado pela FIPE-USP para o munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, apresentou varia\u00e7\u00e3o de 0,17% no m\u00eas de maio, sendo a segunda menor taxa do ano. O IPC diminuiu 0,44 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a abril, quando a taxa ficou em 0,61%. Os principais respons\u00e1veis pela diminui\u00e7\u00e3o do \u00edndice, no m\u00eas de maio, foram o grupo Alimenta\u00e7\u00e3o, com varia\u00e7\u00e3o de -0,73%, seguido pelo grupo da Sa\u00fade, com defla\u00e7\u00e3o de -0,47%. A alta de 1,41% nos pre\u00e7os do grupo Transporte, causada pelo aumento da tarifa de \u00f4nibus, seguida pela alta de 0,67% nos produtos do grupo Despesas Pessoais, tiveram impactos positivos sobre o \u00edndice. Outros reajustes positivos foram verificados em Vestu\u00e1rio (0,39%), Educa\u00e7\u00e3o (0,18%) e Habita\u00e7\u00e3o (0,12%).<\/p>\n<p>O \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os no Mercado (IGP-M), estimado pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV-RJ), registrou alta de 1,0% no m\u00eas de abril, superando os 0,56% do m\u00eas de mar\u00e7o. Esse \u00edndice \u00e9 composto pela m\u00e9dia ponderada dos \u00edndices IPA (60%), IPC (30%) e INCC (10%). Essa alta foi provocada pelas eleva\u00e7\u00f5es nos pre\u00e7os dos produtos no atacado, tanto dos produtos agr\u00edcolas como dos industriais. Por\u00e9m, o m\u00eas de maio destacou-se pelas consider\u00e1veis redu\u00e7\u00f5es nos IGP&#8217;s. O IGP-M encerrou o m\u00eas com a taxa de 0,86%, uma queda de 0,14 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a abril. Essa queda foi devido \u00e0 baixa de -0,79% no IPA. A taxa acumulada do IGP-M no ano \u00e9 de 3,32% e nos \u00faltimos 12 meses, de 11,05%.<\/p>\n<p>Assim como o IGP-M, o \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os &#8211; Disponibilidade Interna (IGP-DI), tamb\u00e9m calculado pela FGV-RJ, aumentou 1,13% em abril. No m\u00eas de maio, o IGP-DI cresceu apenas 0,44%. Em rela\u00e7\u00e3o a abril, o \u00edndice diminuiu 0,69 ponto percentual. As quedas registradas no IPA, de 1,39% para 0,18%, e as registradas no IPC, de 0,86% para 0,41%, foram as maiores respons\u00e1veis por esse resultado, visto que a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ainda n\u00e3o pressionou os \u00edndices de forma relevante. A taxa acumulada no ano foi de 3,24%, e de 10,9%, nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Custo de Vida estimado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos S\u00f3cio-Econ\u00f4mico (ICV-DIEESE) foi de 0,22% no m\u00eas de maio, recuando 0,17 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o a abril. Essa queda foi causada pelas despesas com Sa\u00fade que contribu\u00edram com -0,8 ponto percentual no \u00edndice. Houve recuo significativo nos pre\u00e7os do grupo dos Medicamentos e Produtos Farmac\u00eauticos (-5,14%) e nos grupos Eletrodom\u00e9sticos (-1,42%), Individual (-1,17%), In Natura e semi-elaborados (-0,78%) e Loca\u00e7\u00e3o, Impostos e Condom\u00ednio (-0,22%). O grupo Assist\u00eancia M\u00e9dica, que compreende os seguros e conv\u00eanios m\u00e9dicos, teve uma varia\u00e7\u00e3o positiva de 2,69% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, a maior do m\u00eas; Vestu\u00e1rio e Roupas aumentaram 1,34%; e os grupos Cal\u00e7ados e Leitura, 1,50% e 1,43%, respectivamente.<\/p>\n<p>O ICV-DIEESE acumulou uma taxa de 7,54% nos \u00faltimos doze meses, entre junho de 2000 e maio de 2001. A taxa acumulada em 2001 atingiu 2,17%. Segundo o DIEESE, o impacto dos aumentos nas altas nas tarifas do transporte urbano (15,8%), \u00e1gua e esgoto (13%) e da sobretaxa de energia el\u00e9trica a partir de junho sobre o \u00edndice, ser\u00e1 de 1,26 pontos percentuais, aproximadamente.<\/p>\n<p>As capitais da regi\u00e3o nordeste &#8211; Recife, Fortaleza, Aracaju, Salvador e Natal &#8211; registraram os maiores aumentos no pre\u00e7o de suas cestas b\u00e1sicas, durante o m\u00eas de maio. Outras cinco capitais apresentaram varia\u00e7\u00e3o negativa: Belo Horizonte, Porto Alegre, Vit\u00f3ria, Curitiba e Goi\u00e2nia. A cesta b\u00e1sica mais cara do pa\u00eds, no m\u00eas de maio, \u00e9 a da cidade de S\u00e3o Paulo, R$ 129,78, e a mais barata a da cidade de Salvador, R$ 93,72.<\/p>\n<p>O tomate e o leite foram os principais produtos que apresentaram alta durante o m\u00eas de maio. Os maiores aumentos no pre\u00e7o do leite foram verificados em Curitiba (9,86%) e Vit\u00f3ria (5,94%). O tomate apresentou elevados aumentos nos pre\u00e7os em Recife (54,4%) e Salvador (32,5%). Esses aumentos ocorreram em fun\u00e7\u00e3o da seca que afetou profundamente a safra desse produto.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos doze meses, entre junho de 2000 e maio de 2001, a varia\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica foi maior em Fortaleza (25,2%), Rio de Janeiro (24,5%), e Porto Alegre (21,8%). Recife (7,44%) e Jo\u00e3o Pessoa (9,63%) foram as \u00fanicas cidades em que o aumento foi inferior a 10%.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica da cidade de Vit\u00f3ria foi a oitava mais cara do pa\u00eds no m\u00eas de maio, R$ 110,94. No ano, a varia\u00e7\u00e3o da cesta b\u00e1sica em Vit\u00f3ria foi a maior de todo o pa\u00eds, com um aumento de 15,43%. Apenas a cidade de Recife apresentou varia\u00e7\u00e3o anual negativa no pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica.<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"3\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1283\" aria-expanded=\"false\">N\u00edvel de Atividade<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1283\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"3\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1283\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>N\u00edvel de atividade<\/h3>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, que \u00e9 a soma de todos os bens finais e servi\u00e7os produzidos no pa\u00eds, cresceu 4,13% no primeiro trimestre deste ano em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2000. Esse n\u00famero ficou ligeiramente acima dos 4% esperados pelo mercado financeiro e abaixo dos 4,5% de crescimento estimado pelo governo. Isso seria apenas um sinal de estabiliza\u00e7\u00e3o do crescimento se n\u00e3o fosse o racionamento de energia, que entrou em vigor a partir de primeiro de junho e ter\u00e1 consequ\u00eancias graves na produ\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, o efeito &#8220;apag\u00e3o&#8221; na economia brasileira s\u00f3 poder\u00e1 ser observado nos dados do PIB do terceiro trimestre do ano, previsto para ser divulgado em novembro. Isso porque \u00e9 necess\u00e1rio um per\u00edodo base de mesma estrutura que a do per\u00edodo em quest\u00e3o. Os cont\u00ednuos aumentos na taxa b\u00e1sica de juros desde mar\u00e7o, a alta do d\u00f3lar e a crise argentina atuaram, junto com a crise energ\u00e9tica, para uma mudan\u00e7a &#8220;radical&#8221; no horizonte do pa\u00eds. Embora repita os argumentos do Banco Central, segundo os quais \u00e9 praticamente imposs\u00edvel calcular o impacto do racionamento de energia el\u00e9trica na economia brasileira antes da fixa\u00e7\u00e3o do per\u00edodo e da dimens\u00e3o dos cortes, o IBGE admitiu que haver\u00e1 uma desacelera\u00e7\u00e3o na taxa de crescimento do PIB no terceiro e quarto trimestres. Em rela\u00e7\u00e3o a esse efeito deve-se levar em conta a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o das empresas assim como a de todos os indiv\u00edduos, pois esse acontecimento \u00e9 t\u00e3o in\u00e9dito na an\u00e1lise econ\u00f4mica do pa\u00eds que \u00e9 de dif\u00edcil precis\u00e3o. A resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 001 da C\u00e2mara de Gest\u00e3o da Crise de Energia El\u00e9trica (CGCE) atinge em cheio o setor industrial. Empresas j\u00e1 instaladas ficam de m\u00e3os amarradas para ampliar sua capacidade produtiva e a atra\u00e7\u00e3o de novos empreendimentos se torna invi\u00e1vel ou, no m\u00ednimo, desestimulante. Sem energia previamente contratada, os investimentos programados ficam suspensos. Com a diminui\u00e7\u00e3o da atividade produtiva, milhares de empregos est\u00e3o amea\u00e7ados, nos mais diversos setores, como o automobil\u00edstico e o da constru\u00e7\u00e3o civil (que representa cerca de 10% do PIB). &#8220;O receio \u00e9 geral, quem pensava em investir, est\u00e1 pensando duas vezes e reestudando os projetos. As empresas est\u00e3o mais conservadoras&#8221;, alerta o diretor da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin).<\/p>\n<p>O crescimento da economia brasileira, no primeiro trimestre de 2001, foi resultado da expans\u00e3o de 5,09% do setor industrial, 2,76% do setor de servi\u00e7os e de 1,82% da agropecu\u00e1ria. Os subsetores com melhor desempenho foram a extra\u00e7\u00e3o mineral (10,46%) e o com\u00e9rcio (8,31%). Os subsetores com pior desempenho foram a extra\u00e7\u00e3o vegetal (-1,73), administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica (0,77%) e transporte (0,98%). O crescimento do PIB, em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior, foi de 0,26%, atingindo um montante de R$ 279,6 bilh\u00f5es. A agropecu\u00e1ria apresentou uma not\u00e1vel expans\u00e3o de 9,64%, o setor de servi\u00e7os cresceu 0,56% e a ind\u00fastria sofreu um decr\u00e9scimo de -0,07%.<\/p>\n<p>A taxa de crescimento do PIB, acumulada nos \u00faltimos 12 meses, foi de 4,47%. Esse crescimento foi liderado pelo setor industrial, com uma taxa de 4,92%, seguido pelos servi\u00e7os com 3,69% e pela agropecu\u00e1ria com 1,80%. Os subsetores com maiores taxas de crescimento, nesse per\u00edodo, foram os de comunica\u00e7\u00f5es (13,18%), de extra\u00e7\u00e3o mineral (12,03%) e de produ\u00e7\u00e3o animal (2,66%). (tabela 3.1).<\/p>\n<p>Os indicadores da produ\u00e7\u00e3o f\u00edsica industrial mostram que a tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o, na taxa de crescimento, continuou no m\u00eas de abril. A ind\u00fastria em geral apresentou uma queda de -1,6% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de mar\u00e7o, apesar de ter crescido 6,1% em rela\u00e7\u00e3o a abril de 2000. Nos quatro primeiros meses do ano, a produ\u00e7\u00e3o industrial apresentou um crescimento de 6,9%. O programa de racionamento de energia, associado \u00e0s turbul\u00eancias do mercado financeiro, dever\u00e1 provocar uma queda significativa nesse indicador nos meses seguintes. Comparando o m\u00eas de abril de 2001 com mesmo m\u00eas do ano anterior, a ind\u00fastria de bens de capital cresceu 22,6%, a de bens de consumo dur\u00e1veis, 12,2% e a de bens intermedi\u00e1rios, 3,2%. O crescimento acumulado no ano foi de 20,0%, 14,7% e 5,3%, respectivamente. O crescimento mensal, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, foi nulo para os bens de capital e negativo para todos os demais segmentos. A taxa de crescimento acumulada nos \u00faltimos 12 meses foi significativa para os segmentos produtores de bens de capital (17,4%) e de bens de consumo dur\u00e1veis (19%). Mas, a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo semi-dur\u00e1veis e n\u00e3o-dur\u00e1veis caiu -0,3%.<\/p>\n<h3>N\u00edvel de atividade &#8211; Esp\u00edrito Santo<\/h3>\n<p>O Esp\u00edrito Santo \u00e9 o estado que mais cresceu no pa\u00eds, em abril. A produ\u00e7\u00e3o industrial registrou um crescimento de 9,3%, em abril de 2001, em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas do ano anterior. Isso, devido ao bom desempenho da ind\u00fastria extrativa mineral que cresceu 29,7%. A taxa de crescimento nos \u00faltimos doze meses foi de 5,8%, e de 5,4%, no acumulado do ano. O crescimento industrial, em abril, foi um dos maiores do ano. Apesar da queda de -2,5%, em fevereiro, a ind\u00fastria vem crescendo desde agosto de 2000.<\/p>\n<p>Os setores de papel e papel\u00e3o, com um recuo de -19,4%, e o de minerais n\u00e3o-met\u00e1licos, com queda de -9,2%, proveniente da retra\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de celulose e de cimento, influenciaram negativamente o desempenho industrial. Mas, a ind\u00fastria metal\u00fargica, com uma taxa positiva de 23,5%, alavancada pela produ\u00e7\u00e3o de placas de a\u00e7o comum da Companhia Sider\u00fargica de Tubar\u00e3o (CST), a ind\u00fastria t\u00eaxtil com 15,3% e a extrativa mineral com 29,7%, devido ao incremento na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, colaboraram positivamente para o crescimento na produ\u00e7\u00e3o industrial do estado.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com as pesquisas da Flex Consult, o \u00edndice de otimismo no estado, que ficava em torno de 72,43%, e o de pessimismo, em 6,34%, j\u00e1 v\u00e3o dando fim ao sonho de ver o crescimento cont\u00ednuo da economia local. A causa \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da atividade produtiva e, consequentemente, o aumento do desemprego. Por\u00e9m, todos os estados sofrer\u00e3o com o problema da crise energ\u00e9tica. Todavia, o Esp\u00edrito Santo ter\u00e1 um impacto menor em sua produ\u00e7\u00e3o industrial, uma vez que, as maiores ind\u00fastrias capixabas (Aracruz e CST) s\u00e3o auto-suficientes.<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"4\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1284\" aria-expanded=\"false\">Emprego e Sal\u00e1rios<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1284\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"4\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1284\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>Emprego e Sal\u00e1rios<\/h3>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Os efeitos do aumento na taxa b\u00e1sica de juros e do racionamento da energia el\u00e9trica dever\u00e3o atingir o mercado de trabalho brasileiro nos pr\u00f3ximos meses. Os indicadores dispon\u00edveis at\u00e9 o m\u00eas de maio ainda n\u00e3o sinalizam, com exce\u00e7\u00e3o do IBGE, para um desaquecimento na oferta de vagas na maioria das atividades econ\u00f4micas. Apesar disso, a tend\u00eancia para os pr\u00f3ximos meses \u00e9 de eleva\u00e7\u00e3o nas taxas de desemprego.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, para cada ponto percentual a menos no crescimento do PIB, cerca ed 320 mil vagas s\u00e3o fechadas. Pressionadas para economizar energia el\u00e9trica, as empresas tendem a diminuir a produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, podem demitir parte de seus funcion\u00e1rios. A tend\u00eancia natural \u00e9 que uma parcela desses trabalhadores engrossem o mercado de trabalho informal que, segundo dados da PNAD, representavam 50,04% da Popula\u00e7\u00e3o Economicamente Ativa (PEA), em 1999, e continua crescendo significativamente.\u00a0<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A Pesquisa Mensal de Emprego (PME), realizada pelo IBGE nas seis maiores regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds &#8211; Recife, S\u00e3o Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Porto Alegre -, estimou uma taxa de desemprego aberto de 6,9% para o m\u00eas de maio. O desemprego aberto \u00e9 formado por pessoas desempregadas que estavam \u00e0 procura de trabalho na semana anterior \u00e0 pesquisa. Essa Taxa foi maior do que a de abril deste ano (6,5%), mas continua inferior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 do mesmo m\u00eas do ano passado (7,8%. Na regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo, a taxa de desemprego aberto foi de 7,10% no m\u00eas de maio. O aumento do desemprego foi ocasionado principalmente, pelo Com\u00e9rcio que aumentou sua taxa de desemprego de 6,9%, em abril, para 7,2% em maio. A m\u00e9dia registrada nos cinco primeiros meses deste ano foi de 6,2%, inferior \u00e0 do mesmo per\u00edodo do ano passado, que foi de 7,9%.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O n\u00famero de pessoas ocupadas ou trabalhando em maio aumentou 0,4% em rela\u00e7\u00e3o a abril deste ano e 0,2% em rela\u00e7\u00e3o a maio do ano passado. O rendimento m\u00e9dio nominal das pessoas ocupados no m\u00eas de abril foi de R$ 746,12, o que equivale a 4,1 sal\u00e1rios m\u00ednimos. Esse rendimento manteve-se constante em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o deste ano e caiu 0,4% em rela\u00e7\u00e3o a abril do ano passado. O rendimento m\u00e9dio do primeiro quadrimestre deste ano foi ligeiramente inferior ao do mesmo per\u00edodo do ano passado (-0,4%0.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">A Pesquisa do Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo DIEESE na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo (RMSP), mostra que a taxa de desemprego total, do m\u00eas de maio, foi de 17,5% contra 17,7% do m\u00eas de maio, foi de 17,5% contra 17,7%, do m\u00eas de abril, diminuindo 0,2 ponto percentual no contingente de desempregados. Esse comportamento interrompeu a trajet\u00f3ria de crescimento da taxa iniciada em fevereiro deste ano. A relativa estabilidade do n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o (0,2%) reproduziu o comportamento t\u00edpico desse per\u00edodo do ano. No entanto, este resultado decorreu da cria\u00e7\u00e3o de 14.000 ocupa\u00e7\u00f5es ocorridas principalmente no setor p\u00fablico, no aumento de trabalhadores aut\u00f4nomos e de empregados dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria praticamente n\u00e3o variou em maio (-0,3%), mantendo o mesmo patamar registrado em abril. Esse resultado decorreu do desempenho diferenciado dos seguintes ramos de atividade: aumento nos ramos de Alimenta\u00e7\u00e3o (4,1%), Vestu\u00e1rio e T\u00eaxtil (3,0%) e Qu\u00edmica e Borracha (2,6%) e redu\u00e7\u00e3o nos ramos de Gr\u00e1fica e Papel (-6,4%), Metal-Mec\u00e2nica (-1,8%) e Outras (-1,5%). Segundo o DIEESE, o rendimento m\u00e9dio dos ocupados no m\u00eas de abril doi ed R$ 831,00, apresentando varia\u00e7\u00e3o negativa de 0,5$ em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. Esse comportamento negativo tem sido registrado desde novembro do ano passado. O Sal\u00e1rio m\u00e9dio, ao contr\u00e1rio, aumentou 1,3%, totalizando R$ 877,00. No setor privado, o sal\u00e1rio m\u00e9dio elevou-se em 1,5%. Os maiores aumentos foram verificados no Com\u00e9rcio (1,8%) e nos Servi\u00e7os (1,2%), enquanto que na Ind\u00fastria permaneceu praticamente est\u00e1vel em abril (0,2%).<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) foi criado atrav\u00e9s da Lei 4.923 de 12\/65 e tem como finalidade acompanhar e fiscalizar o processo de admiss\u00e3o e dispensa dos trabalhadores. IOs dados t\u00eam periodicidade mensal, registram o fluxo dos trabalhadores admitidos e desligados (empregados no primeiro dia do m\u00eas + admitidos &#8211; desligados = empregados no \u00faltimo dia do m\u00eas) e englobam apenas os empregados celetistas. Esses dados permitem analisar as transforma\u00e7\u00f5es recentes ocorridas no mercado de trabalho formal. Eles s\u00e3o desagregados por estados, munic\u00edpios, regi\u00f5es administrativas do pa\u00eds, por setores e subsetores produtivos, pela classifica\u00e7\u00e3o nacional de atividades econ\u00f4micas e por grupos de ocupa\u00e7\u00e3o. Torna-se, neste sentido, um importante indicador do mercado formal de trabalho brasileiro.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O n\u00famero de postos de trabalho criado no pa\u00eds manteve tend\u00eancia de alta de mar\u00e7o a maio deste ano. Em mar\u00e7o foram criados 34.484 novos postos de trabalho, enquanto que em abril e maio, 139.997 e 161.898, respectivamente.\u00a0 As principais atividades econ\u00f4micas respons\u00e1veis por esse aumento, ao logo dos \u00faltimos dois meses, forma: Servi\u00e7os, Com\u00e9rcio e Agropecu\u00e1ria (tabela 4.5). Apenas as atividades econ\u00f4micas da Extrativa Mineral, em mar\u00e7o, e Servi\u00e7os Industriais de Utilidade P\u00fablica, em mar\u00e7o e maio, diminu\u00edram o n\u00famero de postos de trabalho. O aumento significativo na Agropecu\u00e1ria em maio deve-se \u00e0 colheita de caf\u00e9, que est\u00e1 come\u00e7ando nos estados de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Paran\u00e1.<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O comportamento do emprego formal no Esp\u00edrito Santo manteve a mesma tend\u00eancia de crescimento da do emprego nacional. De um saldo negativo em mar\u00e7o, a gera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho apresentou saldo positivo em abril e maio, gerando 5.367 e 6.572 postos de trabalho, respectivamente. A principal atividade econ\u00f4mica respons\u00e1vel por essa eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 a Agropecu\u00e1ria que tem na colheita do caf\u00e9 o produto respons\u00e1vel por esse crescimento. O in\u00edcio da colheita do caf\u00e9 representa, aproximadamente, a contrata\u00e7\u00e3o de cerca de seis mil empregos tempor\u00e1rios com carteira de trabalho assinada, sendo que cerca de &#8220;(&#8230;) 80 a 90 mil pessoas estar\u00e3o trabalhando nas lavouras capixabas&#8221; (A Gazeta, 04\/06\/01).<\/p>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">\u00a0<\/p>\n<h3>Emprego e sal\u00e1rios no Esp\u00edrito Santo<\/h3>\n<div>O n\u00edvel de emprego industrial, estimado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Esp\u00edrito Santo (IDEIES), apresentou um crescimento de 0,76% em mar\u00e7o de 2001 em compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior. Os principais respons\u00e1veis por esse crescimento foram os setores Qu\u00edmico (16,28%), devido ao in\u00edcio da safra alcooleira, Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es (5,01%), Madeira (2,86%, Mec\u00e2nico (2,57% e Vestu\u00e1rio e Cal\u00e7ados (1,17%). Em contrapartida os ramos de Produtos Alimentares (-5,06%), Constru\u00e7\u00e3o Civil (-2,64%), T\u00eaxtil (-2,56%) e Bebidas (-1,24%) apresentaram as maiores quedas, conforme mostra a tabela 4.2.<\/div>\n<p>Segundo o IDEIES o resultado do n\u00edvel de emprego no primeiro trimestre deste ano tamb\u00e9m foi positivo, crescendo 0,82%. Dentre os g\u00eaneros que mais ampliaram o n\u00famero de postos de trabalho, destacaram-se: Qu\u00edmica (31,30%), Material El\u00e9trico e de Comunica\u00e7\u00f5es (11,77%) e Constru\u00e7\u00e3o Civil (10,40%). J\u00e1 a taxa acumulada nos \u00faltimos doze meses foi de 7,78%. Os setores que mais contribu\u00edram para este crescimento foram Constru\u00e7\u00e3o Civil (43,24%) e Qu\u00edmica (29,38%). Os sal\u00e1rios reais pagos pela ind\u00fastria capixaba, no m\u00eas de mar\u00e7o, apresentaram uma redu\u00e7\u00e3o de 0,52% em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas de fevereiro. Por sua vez, os sal\u00e1rios reais acumulados nos \u00faltimos doze meses apresentaram um ganho de 3,63% (tabela 4.3).<\/p>\n<p>Os dados da intermedia\u00e7\u00e3o de m\u00e3o-de-obra mostram que a demanda por ocupa\u00e7\u00e3o, no SINE\/ES, caiu, em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o, 35% no m\u00eas de abril e 38% no m\u00eas de maio. Por sua vez, o n\u00famero de vagas captadas no m\u00eas de maio foi maior que o n\u00famero de vagas captadas no m\u00eas de abril (tabela 4.4). J\u00e1 a taxa de aloca\u00e7\u00e3o, que mostra o percentual de trabalhadores alocado em rela\u00e7\u00e3o \u00e1s vagas captadas, caiu de 64,17%, em abril para 50,80%, em maio. O desempenho dos indicadores de m\u00e3o-de-obra nos cinco primeiros meses deste ano foi bem mais favor\u00e1vel ao trabalhador do que no mesmo per\u00edodo do ano passado, j\u00e1 que todas as especifica\u00e7\u00f5es foram maiores em 2001. A demanda por ocupa\u00e7\u00e3o teve pouca varia\u00e7\u00e3o entre os anos, mas a oferta de vagas aumentou praticamente 100%, saindo de 7.403, em 2000, para 15.094, em 2001. A taxa de aloca\u00e7\u00e3o passou de 47,21%, em 2000, para 56,13% em 2001.<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"5\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1285\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Monet\u00e1ria<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1285\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"5\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1285\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>Pol\u00edtica Monet\u00e1ria: Base monet\u00e1ria<\/h3>\n<div>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Nos meses de abril e maio, n\u00e3o ocorreram varia\u00e7\u00f5es significativas no saldo da base monet\u00e1ria. Nesses dois meses a base monet\u00e1ria teve um aumento de 0,5% e 0,2%, respectivamente. Essa estabilidade na base monet\u00e1ria foi obtida pelos resultados inversos nos fluxos de cria\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de moeda nas opera\u00e7\u00f5es do tesouro nacional e dos t\u00edtulos p\u00fablicos federais.<\/p>\n<p>O super\u00e1vit nas contas do governo tem sido o principal instrumento de contra\u00e7\u00e3o da base monet\u00e1ria, atrav\u00e9s de uma pol\u00edtica fiscal contracionista na qual aumentam-se as reservas do governo. Por\u00e9m, as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos p\u00fablicos t\u00eam contrabalan\u00e7ado esse efeito mantendo a estabilidade da base monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>A varia\u00e7\u00e3o no saldo da base monet\u00e1ria, calculada atrav\u00e9s da m\u00e9dia dos saldos dos dias \u00fateis, sofreu forte oscila\u00e7\u00e3o nos dois primeiros meses registrados na tabela 5.1 e pequena varia\u00e7\u00e3o nos meses seguintes. A varia\u00e7\u00e3o, em fevereiro, foi de R$ 5,5 bilh\u00f5es, em mar\u00e7o menos R$ 6,5 bilh\u00f5es, em abril menos R$ 457 milh\u00f5es e maio R$ 542 milh\u00f5es. O efeito das varia\u00e7\u00f5es na base monet\u00e1ria, decorrente das opera\u00e7\u00f5es do setor externo, foi pouco significativo no per\u00edodo. A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real n\u00e3o produziu um impacto significativo em vendas de d\u00f3lar pelo Banco Central. Em fevereiro, o BCB adquiriu R$ 2,0 bilh\u00f5es; vendeu R$ 668,0 milh\u00f5es, em mar\u00e7o; comprou R$ 11,0 milh\u00f5es em abril e vendeu R$ 554,0 milh\u00f5es em maio, apesar dos sucessivos recordes de desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial. Os maiores impactos monet\u00e1rios, decorrentes da corrida pelo d\u00f3lar, dever\u00e3o aparecer no m\u00eas de junho, quando o BCB vendeu quantidades maiores de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Com a press\u00e3o para a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real, devido aos constrangimentos provocados pelas complica\u00e7\u00f5es no cen\u00e1rio externo e interno, o BCB mudou duas vezes sua pol\u00edtica cambial, entre o final do m\u00eas de junho e o in\u00edcio do m\u00eas de julho. A \u00faltima decis\u00e3o, de vender US$ 50,0 milh\u00f5es por dia, dever\u00e1 provocar uma contra\u00e7\u00e3o de mais de R$ 2,0 bilh\u00f5es ao m\u00eas na base monet\u00e1ria at\u00e9 o final do ano, caso o BCB consiga manter essa meta. Nesse caso, a contra\u00e7\u00e3o na base monet\u00e1ria dever\u00e1 ser compensada por resgates de t\u00edtulos p\u00fablicos, isso se a meta de cr\u00e9dito dom\u00e9stico l\u00edquido, determinada no acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, o permitir. Caso contr\u00e1rio, corre-se o risco de uma crise de liquidez se o Comit\u00e9 de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria &#8211; COPOM &#8211; insistir em elevar a taxa b\u00e1sica de juros.<\/p>\n<h3>Opera\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito<\/h3>\n<p>Nos meses de mar\u00e7o, abril e maio de 2001 o montante das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do sistema financeiro continuou a crescer, confirmando a tend\u00eancia dos \u00faltimos meses. O total do cr\u00e9dito concedido pelo sistema financeiro em maio foi R$ 346,5 bilh\u00f5es, representando um aumento de 1,62% no m\u00eas e 4,17% no trimestre. O volume de cr\u00e9dito para o setor privado foi R$ 333,1 bilh\u00f5es em maio, significando uma eleva\u00e7\u00e3o de 1,63% em rela\u00e7\u00e3o a abril. As principais contribui\u00e7\u00f5es vieram do aumento do cr\u00e9dito para a ind\u00fastria (2,91%) e para pessoas f\u00edsicas (2,10%). O setor de habita\u00e7\u00e3o foi o \u00fanico em que o volume de empr\u00e9stimo apresentou um decr\u00e9scimo (-0,38%).<\/p>\n<p>A d\u00edvida banc\u00e1ria do setor p\u00fablico alcan\u00e7ou R$ 13,3 bilh\u00f5es em maio, representando um aumento de 1,14%, em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior. A d\u00edvida do Governo Federal foi R$ 3,5 bilh\u00f5es em maio e a dos estados e munic\u00edpios chegou a R$ 9,9 bilh\u00f5es, no mesmo m\u00eas. Em compara\u00e7\u00e3o com o trimestre anterior, a d\u00edvida p\u00fablica apresentou uma expans\u00e3o de 3,51%. Em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de risco das opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito do sistema financeiro, 65,7% do total de empr\u00e9stimos concedidos pelo sistema financeiro foi classificado como de baixo risco (AA ou A) e apenas 5,4% no grupo de maior risco (H). N\u00e3o houve nenhuma melhora ou piora significativa quanto ao perfil de risco da d\u00edvida. O setor habitacional \u00e9 o \u00fanico que requer uma preocupa\u00e7\u00e3o maior, pois 14,6% de sua d\u00edvida est\u00e1 classificada como de maior risco, al\u00e9m de vir apresentando uma diminui\u00e7\u00e3o dos financiamentos nos \u00faltimos seis meses. O \u00faltimo aumento na taxa de juros Selic decidido na \u00faltima reuni\u00e3o do COPOM inviabilizou a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros &#8220;na ponta&#8221;. Entretanto, ocorreu uma ligeira queda na taxa de juros cobrada sobre o cheque especial. O diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do COPOM creditou isso ao aumento da concorr\u00eancia entre os bancos, que t\u00eam usado taxas mais baixas como estrat\u00e9gia de marketing e considerou que n\u00e3o ser\u00e1 duradouro, dada a trajet\u00f3ria dos juros brasileiros. Assim, o consumidor e o empres\u00e1rio s\u00e3o fortemente afetados pelas decis\u00f5es do Banco Central de elevar a taxa b\u00e1sica de juros do pa\u00eds, pois o empr\u00e9stimo torna-se mais caro e, portanto, mais arriscado. Al\u00e9m disso, as institui\u00e7\u00f5es financeiras tendem a assumir uma postura mais conservadora, com medo de que a inadimpl\u00eancia aumente pela incapacidade dos agentes de honrarem seus compromissos.<\/p>\n<h3>Taxa de juros<\/h3>\n<p>O COPOM, em sua \u00faltima reuni\u00e3o, resolveu aumentar a taxa anual Selic para 18,25%, um aumento de 1,5 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 taxa anterior que era de 16,75%. Essa taxa \u00e9 a maior desde maio de 2000. A t\u00f4nica da \u00faltima reuni\u00e3o foi a mesma das anteriores, qual seja, a preocupa\u00e7\u00e3o com as metas inflacion\u00e1rias acordadas com o FMI. Segundo o Banco Central, o cumprimento das metas ficou comprometido devido, principalmente, \u00e0 press\u00e3o que vem sofrendo a taxa de c\u00e2mbio e \u00e0 crise energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>A taxa de c\u00e2mbio vem atingindo, nos \u00faltimos dias, patamares superiores a R$ 2,30 por d\u00f3lar. A explica\u00e7\u00e3o para a escalada do c\u00e2mbio reside, principalmente, no cen\u00e1rio internacional conturbado. No cen\u00e1rio externo temos, principalmente, a crise Argentina. Boatos recentes de ren\u00fancia do presidente De la R\u00faa e de demiss\u00e3o do ministro Domingo Cavallo, al\u00e9m da expectativa dos investidores de uma desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso frente ao d\u00f3lar, anularam parcialmente os efeitos positivos gerados pelo alongamento da d\u00edvida em t\u00edtulos do pa\u00eds na ordem de US$ 29,5 bilh\u00f5es, que diminu\u00edram a necessidade de financiamento do setor p\u00fablico em US$ 16,0 bilh\u00f5es, at\u00e9 2005. Al\u00e9m da Argentina, a perda de dinamismo das economias da zona do euro e o cen\u00e1rio indefinido no Jap\u00e3o e nos Estados Unidos tamb\u00e9m contribu\u00edram para uma piora das expectativas dos investidores internacionais. Internamente, temos a crise pol\u00edtica que se instaurou no Brasil, desde a ren\u00fancia dos senadores Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e &#8230;&#8230;??<\/p>\n<p>Para evitar um aumento ainda maior da cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar, o que comprometeria as metas inflacion\u00e1rias, o Banco Central realizou v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es no mercado de c\u00e2mbio. Segundo estimativas de alguns analistas, somente na quarta-feira, 27\/06\/01, o BCB, na tentativa de segurar a taxa de c\u00e2mbio, gastou cerca de US$ 5,0 bilh\u00f5es, sendo US$ 1,0 bilh\u00e3o em esp\u00e9cie e mais US$ 4,0 bilh\u00f5es em t\u00edtulos cambiais. De acordo com o COPOM, as opera\u00e7\u00f5es com t\u00edtulos do governo (incluindo t\u00edtulos do Tesouro e do BCB) geraram um impacto expansionista na base monet\u00e1ria da ordem de R$ 2,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A crise energ\u00e9tica foi o outro ponto de destaque da \u00faltima reuni\u00e3o do COPOM. De acordo com as previs\u00f5es do BCB, o n\u00edvel de atividade da ind\u00fastria brasileira, que j\u00e1 vinha arrefecendo mesmo antes da crise de energia, sofrer\u00e1 impactos negativos significativos devido ao racionamento imposto pelo governo. A crise est\u00e1 afetando crucialmente o com\u00e9rcio internacional do pa\u00eds. O maior impacto deve ser sentido no setor exportador de bens semi-manufaturados, por ser um setor que utiliza energia el\u00e9trica de forma intensiva. As importa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m devem ser arrefecidas, devido \u00e0 menor importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis e bens de capital.<\/p>\n<p>Os impactos da escalada da taxa de c\u00e2mbio, que vem ocorrendo nos \u00faltimos meses, e da crise energ\u00e9tica j\u00e1 come\u00e7am a ser refletidos na taxa de infla\u00e7\u00e3o. Os pre\u00e7os administrados, principalmente o da gasolina, sofrer\u00e3o aumentos significativos, gerando aumentos nos \u00edndices de pre\u00e7os. Segundo o BCB os pre\u00e7os administrados, pressionados pelo c\u00e2mbio e pela crise energ\u00e9tica, ser\u00e3o os respons\u00e1veis pelos maiores aumentos do IPCA (\u00edndice utilizado pelo governo para a pol\u00edtica de metas de infla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"6\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1286\" aria-expanded=\"false\">Pol\u00edtica Fiscal<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1286\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"6\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1286\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>Pol\u00edtica Fiscal<\/h3>\n<div>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">O resultado prim\u00e1rio do Governo Central, no conceito &#8220;acima da linha&#8221; (tabela 6.1) foi superavit\u00e1rio em R$ 3,5 bilh\u00f5es em maio, 47% inferior ao resultado de abril, R$ 6,6 bilh\u00f5es. Os principais fatores que contribu\u00edram para essa diminui\u00e7\u00e3o foram a redu\u00e7\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o total (-5%), a eleva\u00e7\u00e3o das transfer\u00eancias aos estados e munic\u00edpios (19%) e a eleva\u00e7\u00e3o das despesas de custeio e capital (25%). A redu\u00e7\u00e3o na arrecada\u00e7\u00e3o era esperada em fun\u00e7\u00e3o de um efeito sazonal: o crescimento das receitas de impostos, em abril, por conta da concentra\u00e7\u00e3o do pagamento do imposto de renda. A maior arrecada\u00e7\u00e3o de abril \u00e9 respons\u00e1vel, tamb\u00e9m, pelo aumento das transfer\u00eancias aos estados e munic\u00edpios ocorrido em maio.<\/p>\n<p>No acumulado dos cinco meses, o resultado prim\u00e1rio foi superavit\u00e1rio em R$16,9 bilh\u00f5es, 25,6% superior ao do mesmo per\u00edodo do ano anterior. Na compara\u00e7\u00e3o com o PIB, foi 0,35 ponto percentual maior nos cinco primeiros meses de 2001 (3,52%), em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano anterior (3,17%). \u00c9 o Tesouro Nacional que vem contribuindo para a obten\u00e7\u00e3o de tais resultados, dado que a Previd\u00eancia Social e o Banco Central apresentaram d\u00e9ficit no per\u00edodo, a primeira de R$ 3,52 bilh\u00f5es e o segundo de R$ 0,28 bilh\u00e3o. A tabela 6.2 mostra o resultado consolidado do setor p\u00fablico, no conceito &#8220;abaixo da linha&#8221;, isto \u00e9, pela necessidade de financiamento do setor p\u00fablico. Observa-se que um valor positivo nesta tabela representa um d\u00e9ficit das contas p\u00fablicas e, em contrapartida, um resultado negativo representa um super\u00e1vit.<\/p>\n<p>O resultado prim\u00e1rio, que n\u00e3o leva em conta as despesas financeiras, apresentou-se positivo para todo o per\u00edodo, tanto para o governo central (Governo Federal, INSS, Banco Central e empresas estatais federais), quanto para os governos regionais (Estados, Distrito Federal, munic\u00edpios e empresas estatais estaduais e municipais). Mas o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico, em maio, caiu para R$ 3,71 bilh\u00f5es (3,60% do PIB mensal), ante R$ 8,24 bilh\u00f5es (8,51% do PIB) em abril. O governo central foi o respons\u00e1vel pela quase totalidade dessa queda, pois o seu saldo prim\u00e1rio se reduziu de R$ 6,77 bilh\u00f5es em abril para R$ 2,69 bilh\u00f5es em maio. A explica\u00e7\u00e3o para tal fato coincide com os coment\u00e1rios feitos, anteriormente, quanto \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o no m\u00eas de abril.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a tabela 6.2, o super\u00e1vit prim\u00e1rio alcan\u00e7ou a cifra de R$ 26,96 bilh\u00f5es nos cinco primeiros meses de 2001, apresentando um crescimento de 23,0% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado (R$ 21,93 bilh\u00f5es). Esse resultado ficou acima daquele acordado com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), para o primeiro semestre do ano: R$ 21,47 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros positivos do resultado prim\u00e1rio contrastam com os d\u00e9ficits nominais, altos e crescentes. No per\u00edodo de janeiro a maio de 2001, o resultado nominal atingiu um d\u00e9ficit de R$ 29,26 bilh\u00f5es, apresentando um crescimento de 117,0% sobre o d\u00e9ficit verificado em igual per\u00edodo do ano anterior (R$ 13,48 bilh\u00f5es). Isto \u00e9, o crescimento do super\u00e1vit prim\u00e1rio n\u00e3o foi suficiente para cobrir a disparada da conta de juros que atingiu o montante de R$ 58,22 bilh\u00f5es nos cinco primeiros meses deste ano. S\u00e3o R$ 11,64 bilh\u00f5es mensais, em m\u00e9dia. Mais ainda, essa despesa com juros vem crescendo m\u00eas a m\u00eas, tendo alcan\u00e7ado a cifra de R$ 17,77 bilh\u00f5es em maio\/2001. Esse aumento do gasto com juros est\u00e1 associado a duas causas b\u00e1sicas. Em primeiro lugar, \u00e9 uma consequ\u00eancia da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial que remunera, al\u00e9m da d\u00edvida p\u00fablica externa (US$ 90,74 bilh\u00f5es, em mar\u00e7o de 2001 &#8211; tabela 7.4), os t\u00edtulos dolarizados da d\u00edvida interna (R$ 148,94 bilh\u00f5es em maio \u00faltimo &#8211; tabela 6.4). Em segundo lugar, o crescimento das despesas com juros est\u00e1 vinculado ao aumento da taxa Selic que remunera 49,7% da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal, ou R$ 279,32 bilh\u00f5es em maio passado.<\/p>\n<p>A d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico como um todo atingiu, em maio \u00faltimo, o montante de R$ 618,51 bilh\u00f5es, com aumento de 3,6% sobre os R$ 596,72 bilh\u00f5es do m\u00eas anterior. Desde fevereiro, esse crescimento \u00e9 de 7,5%. Tal ascens\u00e3o est\u00e1 vinculada a duas causas principais. Em primeiro lugar, \u00e9 explicada pela eleva\u00e7\u00e3o mais acentuada do componente externo da d\u00edvida, que cresceu 22,5%, entre fevereiro e maio. Esse crescimento maior da d\u00edvida p\u00fablica externa, tem a ver com a forte desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial ocorrida no per\u00edodo, que onera tanto a transforma\u00e7\u00e3o do estoque da d\u00edvida externa para reais, quanto o pagamento dos juros externos em d\u00f3lares. Em segundo lugar, o crescimento da d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico est\u00e1 sendo impulsionado pelo crescimento dos d\u00e9ficits p\u00fablicos nominais que, conforme analisado anteriormente, vem sendo incrementado pela eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros interna e pela desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial que corrige uma parte significativa dos t\u00edtulos p\u00fablicos internos.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB, um indicador importante para medir a sa\u00fade das contas externas, tamb\u00e9m vem apresentando uma trajet\u00f3ria ascendente. Correspondia a 49,3% do PIB, em fevereiro, e atingiu 51,9%, em maio. Assim, a meta acordada com FMI de atingir, at\u00e9 o final do ano, uma rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB de 46,5% ser\u00e1 fortemente ultrapassada. Tal fato se deve, al\u00e9m das causas anteriormente apresentadas, \u00e0 revis\u00e3o, para baixo, das expectativas quanto ao crescimento econ\u00f4mico, e ao Programa de Saneamento dos Bancos Federais, que envolver\u00e1 gastos de aproximadamente R$ 102,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A tabela 6.4 trata da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal, isto \u00e9, da d\u00edvida representada pelos t\u00edtulos p\u00fablicos federais que est\u00e3o no mercado. Essa d\u00edvida representa, portanto, apenas uma parte, embora a maior delas, da d\u00edvida l\u00edquida do setor p\u00fablico, retratada na tabela anterior.<\/p>\n<p>Os dados da tabela 6.4 mostram a evolu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal nos \u00faltimos quatro meses. Em maio de 2001, a d\u00edvida alcan\u00e7ou o valor de R$ 562,02 bilh\u00f5es, confirmando seu movimento ascendente. Proporcionalmente, os t\u00edtulos indexados ao c\u00e2mbio tiveram sua participa\u00e7\u00e3o elevada de 22,6% em fevereiro, para 26,5% em maio. Tal aumento se vincula a tr\u00eas fatores principais. Em primeiro lugar, \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar que afetou os t\u00edtulos vinculados ao c\u00e2mbio. Em segundo lugar, retrata o aumento na emiss\u00e3o de t\u00edtulos dolarizados com a finalidade de segurar a explos\u00e3o da taxa cambial. Em \u00faltimo lugar, tal aumento se deve aos significativos resgates l\u00edquidos de t\u00edtulos indexados \u00e0 taxa Selic ou pr\u00e9-fixados. Os t\u00edtulos corrigidos pela Selic tiveram sua participa\u00e7\u00e3o reduzida de 51,5% do total, em fevereiro, para 49,7%, em maio, enquanto os pr\u00e9-fixados apresentaram redu\u00e7\u00e3o de 14,4%, em fevereiro, para 11,6%, em maio. A participa\u00e7\u00e3o maior de t\u00edtulos p\u00f3s-fixados, indexados \u00e0 taxa Selic ou com prote\u00e7\u00e3o cambial (49,7% e 26,5% do total, respectivamente), reflete as dificuldades encontradas pela equipe econ\u00f4mica para rolagem da d\u00edvida mobili\u00e1ria federal. Dificuldades essas fundamentadas na crise argentina e no cen\u00e1rio mundial inst\u00e1vel, como vem real\u00e7ando o governo, mas que encontram campo f\u00e9rtil na fragilidade dos fundamentos econ\u00f4micos internos, como os desajustes do setor externo e o crescimento descontrolado da d\u00edvida interna.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-tab-title elementor-tab-mobile-title\" aria-selected=\"false\" data-tab=\"7\" role=\"tab\" tabindex=\"-1\" aria-controls=\"elementor-tab-content-1287\" aria-expanded=\"false\">Setor Externo<\/div>\n\t\t\t\t\t<div id=\"elementor-tab-content-1287\" class=\"elementor-tab-content elementor-clearfix\" data-tab=\"7\" role=\"tabpanel\" aria-labelledby=\"elementor-tab-title-1287\" tabindex=\"0\" hidden=\"hidden\"><h3>Setor Externo<\/h3>\n<div>\n<p data-pm-slice=\"1 1 []\">Os fundamentos externos da economia brasileira v\u00eam se deteriorando fortemente neste in\u00edcio de 2001. A conta de transa\u00e7\u00f5es correntes apresentou, no per\u00edodo de janeiro a maio, um d\u00e9ficit de US$ 11,4 bilh\u00f5es, correspondente a 5,2% em rela\u00e7\u00e3o ao PIB, superando as metas estabelecidas com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional. No mesmo per\u00edodo do ano anterior esse d\u00e9ficit foi de 3,6%; durante todo o ano de 2000, ficou em 4,2%; e de janeiro a mar\u00e7o de 2001 ficou em 4,8% do PIB. No m\u00eas de maio de 2001, o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes atingiu US$ 2,3 bilh\u00f5es, permanecendo praticamente est\u00e1vel em confronto com o m\u00eas anterior (US$ 2,4 bilh\u00f5es), mas crescendo muito em rela\u00e7\u00e3o a maio de 2000, quando ficou em US$ 1,6 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Todas as principais sub-contas que comp\u00f5em a conta de transa\u00e7\u00f5es correntes apresentaram deteriora\u00e7\u00e3o neste in\u00edcio de ano. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, a balan\u00e7a comercial acumulou, de janeiro a maio, um d\u00e9ficit de US$ 547,0 milh\u00f5es, contra um super\u00e1vit de US$ 530,0 milh\u00f5es no mesmo per\u00edodo de 2000. O crescimento de 12,2% apresentado pelas exporta\u00e7\u00f5es nos primeiros cinco meses de 2001, comparado com o mesmo per\u00edodo do ano anterior, foi suplantado pelo crescimento de 17,7% das importa\u00e7\u00f5es. Em maio de 2001 a balan\u00e7a comercial ficou praticamente equilibrada (saldo de US$ 11,0 milh\u00f5es), contra um saldo positivo de US$ 362,0 milh\u00f5es em maio de 2000. As expectativas do governo de obter um super\u00e1vit na balan\u00e7a comercial de aproximadamente US$ 1,0 bilh\u00e3o neste ano, foram revistas para um d\u00e9ficit de US$ 500,0 milh\u00f5es, mas os especialistas j\u00e1 est\u00e3o projetando um d\u00e9ficit de US$ 2,0 bilh\u00f5es, apesar dos efeitos positivos derivados da desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n<p>A conta de servi\u00e7os, aqui considerada separada da conta de rendas, de acordo com a nova metodologia do Banco Central, apresentou um saldo negativo de US$ 3,1 bilh\u00f5es de janeiro a maio deste ano, com aumento de 16,3% sobre os US$ 2,7 bilh\u00f5es, tamb\u00e9m negativos, do mesmo per\u00edodo de 2000. Em maio de 2001, o d\u00e9ficit foi de US$ 776,0 milh\u00f5es, contra os US$ 501,0 milh\u00f5es de abril de 2001 e US$ 653,0 milh\u00f5es de maio de 2000.<\/p>\n<p>A conta de rendas, que inclui os juros, os lucros e dividendos e os sal\u00e1rios e ordenados pagos a n\u00e3o residentes, representa o maior sorvedouro de divisas das contas externas brasileira. O d\u00e9ficit alcan\u00e7ou o montante de US$ 8,4 bilh\u00f5es nos primeiros cinco meses de 2001, com um crescimento de 17,4% sobre o d\u00e9ficit de US$ 7,2 bilh\u00f5es observado no mesmo per\u00edodo do ano anterior. Em maio de 2001 o d\u00e9ficit foi de US$ 1,7 bilh\u00e3o, contra US$ 1,5 bilh\u00e3o em maio de 2000 e US$ 2,1 bilh\u00f5es em abril de 2001. Observa-se que a maior parte dessa conta refere-se ao pagamento de juros ao exterior, d\u00e9ficit l\u00edquido de US$ 6,2 bilh\u00f5es de janeiro a maio de 2001, correspondente a 74,0% do d\u00e9ficit total da conta. Assim, um crescimento da taxa de juros cobrada no exterior, que se encontra em patamar muito baixo, pode comprometer ainda mais as contas externas brasileiras.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio da conta de transa\u00e7\u00f5es correntes, cujo comportamento negativo foi analisado nos par\u00e1grafos anteriores, a conta de capital e financeira (nova denomina\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o adotada pelo Banco Central, de acordo com a $5^a$ edi\u00e7\u00e3o do Manual de Balan\u00e7o de Pagamentos do FMI) apresentou comportamento positivo neste in\u00edcio de ano. O saldo de US$ 13,4 bilh\u00f5es conseguido no per\u00edodo de janeiro a maio foi mais do que suficiente para cobrir o d\u00e9ficit em transa\u00e7\u00f5es correntes, permitindo alcan\u00e7ar um super\u00e1vit na balan\u00e7a de pagamentos de US$ 3,1 bilh\u00e3o. No mesmo per\u00edodo de 2000, o saldo da conta de capital e financeira foi de apenas US$ 1,4 bilh\u00e3o, provocando um d\u00e9ficit no balan\u00e7o de pagamentos de US$ 7,3 bilh\u00f5es. A diferen\u00e7a entre esses dois per\u00edodos est\u00e1 estampada no comportamento da conta outros investimentos onde se registram os financiamentos das importa\u00e7\u00f5es, os empr\u00e9stimos em moeda e as transfer\u00eancias para dep\u00f3sito no exterior, que apresentou saldo positivo de US$ 2,0 bilh\u00f5es nos primeiros cinco meses de 2001, contra um d\u00e9ficit de US$ 11,8 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo do ano anterior. O principal componente da conta financeira continuou sendo a sub-conta dos investimentos estrangeiros diretos que, de janeiro a maio de 2001, alcan\u00e7ou um super\u00e1vit de US$ 8,5 bilh\u00f5es, mas apresentou redu\u00e7\u00e3o de 11,4%, quando comparado com o saldo de US$ 9,6 bilh\u00f5es que entrou no pa\u00eds no mesmo per\u00edodo de 2000. Deve-se ressaltar a expectativa de queda na entrada dos investimentos diretos neste ano: US$ 20,0 bilh\u00f5es, contra os US$ 29,6 bilh\u00f5es conseguidos no ano de 2000, o que aumenta a depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos empr\u00e9stimos e financiamentos. Os investimentos estrangeiros diretos que entraram no Brasil, no per\u00edodo compreendido entre janeiro e maio \u00faltimos, tiveram como origens principais: os Estados Unidos (24%), a Espanha (19,2%), os Pa\u00edses Baixos (10,0%), as Ilhas Cayman (8,4%), a Fran\u00e7a (6,7%) e as Bermudas (6,7%). Deste montante, apenas 4,0% destinou-se ao setor prim\u00e1rio, a ind\u00fastria captou 25,5% e o os servi\u00e7os receberam o maior volume: 70,5% do total.<\/p>\n<p>No m\u00eas de maio, as reservas internacionais totalizaram US$ 35,4 bilh\u00f5es no conceito caixa e US$ 35,5 bilh\u00f5es no de liquidez internacional. Estas demostram apenas uma pequena queda em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior de aproximadamente US$ 200 milh\u00f5es e uma perda de US$ 3,5 bilh\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 2000. Esses n\u00fameros n\u00e3o traduzem ainda os gastos de divisas que o Banco Central foi obrigado a fazer, durante o m\u00eas de junho, para conter a press\u00e3o no mercado de c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>A d\u00edvida externa total apresentou, no m\u00eas de mar\u00e7o de 2001, uma redu\u00e7\u00e3o de US$ 1,5 bilh\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao m\u00eas anterior, situando-se quase no mesmo patamar de dezembro \u00faltimo: US$ 236,7 bilh\u00f5es. A d\u00edvida de m\u00e9dio e longo prazo alcan\u00e7ou em mar\u00e7o o total de US$ 207,7 bilh\u00f5es, enquanto a de curto prazo atingiu o montante de US$ 29,0 bilh\u00f5es. A maior parte da d\u00edvida de m\u00e9dio e longo prazo (57,1%) e de curto prazo (94,2%) est\u00e1 sob a responsabilidade do setor privado.<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o dos reais problemas do setor externo brasileiro passa necessariamente por uma an\u00e1lise da fragiliza\u00e7\u00e3o das contas externas implementada pelo atual governo. \u00c9 sabido que esse processo come\u00e7ou no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, com o governo Collor, entretanto, as pol\u00edticas adotadas pela atual equipe econ\u00f4mica exacerbaram essa depend\u00eancia.<\/p>\n<p>A crise enfrentada no mercado de c\u00e2mbio tem como fundamento principal a expans\u00e3o do d\u00e9ficit no balan\u00e7o de transa\u00e7\u00f5es correntes que j\u00e1 ultrapassou os 5,0% do PIB, alcan\u00e7ando o maior \u00edndice desde o in\u00edcio dos anos oitenta. Esse processo tem como propulsores os cont\u00ednuos d\u00e9ficits da balan\u00e7a comercial (previs\u00e3o para este ano, pr\u00f3xima dos US$ 2,0 bilh\u00f5es), o pagamento crescente de juros externos e o aumento dos lucros remetidos para o exterior pelas multinacionais (fruto do processo de transfer\u00eancia de propriedade das empresas nacionais, principalmente das estatais). A redu\u00e7\u00e3o na entrada de investimentos diretos, a crise da Argentina, as expectativas de redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade com a crise energ\u00e9tica e o in\u00edcio do processo da sucess\u00e3o presidencial completam o ambiente de incertezas e desestabilizam o mercado de c\u00e2mbio, for\u00e7ando as interven\u00e7\u00f5es do Banco Central.<\/p>\n<p>Neste contexto, o Banco Central, numa tentativa de &#8220;normalizar&#8221; o controle da taxa de c\u00e2mbio e impedir uma contamina\u00e7\u00e3o maior dos fundamentos econ\u00f4micos, divulgou no dia 21\/06\/01 sua inten\u00e7\u00e3o de utilizar os US$ 10,8 bilh\u00f5es, dispon\u00edveis pelo acordo com o FMI, como refor\u00e7o de reservas que lhe permitir\u00e1 intervir de forma mais agressiva no mercado para segurar a disparada do c\u00e2mbio. Neste ano, o Banco Central j\u00e1 contabiliza um gasto de aproximadamente US$ 2,0 bilh\u00f5es em moeda estrangeira e o lan\u00e7amento de R$ 14,0 bilh\u00f5es em t\u00edtulos cambiais, com o objetivo de acalmar o mercado de c\u00e2mbio. Todavia, o resultado n\u00e3o tem sido o esperado e o mercado continua pressionando, em busca de prote\u00e7\u00e3o (hedge).<\/p>\n<p>Deve tamb\u00e9m ser ressaltado, como fonte de press\u00e3o sobre o mercado de c\u00e2mbio, o pacote econ\u00f4mico anunciado no in\u00edcio de junho pelo ministro Cavallo da Argentina, que teve como principal caracter\u00edstica a quebra da paridade entre o peso e o d\u00f3lar. Assim, o peso passou a ser cotado em fun\u00e7\u00e3o de uma cesta de moedas, contendo o d\u00f3lar e o euro. Na pr\u00e1tica, significou uma desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda local em cerca de 8,0% para as exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es. A medida visa a aumentar a competitividade dos produtos argentinos no mercado internacional e a reduzir as importa\u00e7\u00f5es para amenizar o desequil\u00edbrio das contas externas. Mas a ado\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio m\u00faltiplo (o c\u00e2mbio financeiro continua fixo na paridade antiga) gerou mais desconfian\u00e7a do que benef\u00edcios. \u00c9 que a maioria dos contratos de financiamento argentinos est\u00e3o firmados em d\u00f3lar e a expectativa de mudan\u00e7a no c\u00e2mbio financeiro gera preocupa\u00e7\u00e3o externa e p\u00e2nico interno.<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p><\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ecaed0c content-align-cta-center elementor-widget elementor-widget-eael-cta-box\" data-id=\"ecaed0c\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"eael-cta-box.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"eael-call-to-action cta-basic bg-lite cta-preset-1\">\n        <h4 class=\"sub-title\">Mestrado em Economia - Gradua\u00e7\u00e3o em Economia | Departamento de Economia | Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo<\/h4><h2 class=\"title eael-cta-heading\">Grupo de Estudos e Pesquisas em Conjuntura<\/h2><p><strong>Coordenadores:<\/strong> Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira e Paulo Nakatani.<\/p>\n<p><strong>Professores Pesquisadores:<\/strong> Maur\u00edcio de Souza Sabadini e Sebasti\u00e3o Jos\u00e9 Balarini.<\/p>\n<p><strong>Colaborou neste n\u00famero:<\/strong> Angela Maria Morandi e Reinaldo A. Caracanholo<\/p>\n<p><strong>Participaram neste n\u00famero:<\/strong> Aline Fa\u00e9 Stocco, Aline Yukiko Yshii, Ana Let\u00edcia Espolador Leit\u00e3o, Anderson Rubens Fonseca, Andressa Nunes Amorim, Caroline Nunes Lopes Santos, D\u00e9bora Sader, Elaine Delpupo, Estev\u00e3o Nicolau R. dos Santos, Everlan Montibeler, Fernanda Martins Mariani, Fl\u00e1via Miranda Pinheiro Ronconi, Lucas Pena Vetekesky, Oberdan Pandolfi Ermit\u00e3o, Polyana Baldi Naz\u00e1rio, Priscila Santos de Ara\u00fajo, Rodrigo Emmanuel S. Borges, Roger Pereira Ferreira, R\u00f4mulo Patrick da Silva Santos, S\u00e9rgio Manhans Jr, Tyago Ribeiro Hoffmann, Tyeli Tozato Alves, Vanessa Pelissari Azevedo, Vanuza da Silva Pereira.<\/p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/0B_QkFwH3dc-0a29INTlPa2FmYlU\/view?usp=sharing&#038;resourcekey=0-L1rppndxrBj-bYFUtPABJA\" class=\"cta-button cta-preset-1  \">Acesse aqui o arquivo original da publica\u00e7\u00e3o<\/a>\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apresenta\u00e7\u00e3o O quadro econ\u00f4mico brasileiro apresenta uma situa\u00e7\u00e3o cada vez mais grave. 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