{"id":4110,"date":"2026-09-02T18:58:10","date_gmt":"2026-09-02T21:58:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=4110"},"modified":"2026-09-02T18:58:13","modified_gmt":"2026-09-02T21:58:13","slug":"a-reforma-do-imposto-de-renda-das-pessoas-fisicas-irpf-maos-camaradas-na-taxacao-dos-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/a-reforma-do-imposto-de-renda-das-pessoas-fisicas-irpf-maos-camaradas-na-taxacao-dos-ricos\/","title":{"rendered":"A reforma do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas (IRPF): m\u00e3os camaradas na taxa\u00e7\u00e3o dos ricos"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-5a37858b alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong>A reforma do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas (IRPF): m\u00e3os camaradas na taxa\u00e7\u00e3o dos ricos<\/strong><sup data-fn=\"b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427\" class=\"fn\"><a href=\"#b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427\" id=\"b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427-link\">1<\/a><\/sup><sup data-fn=\"e5388066-bba7-490f-a2a7-5e09ce0bf210\" class=\"fn\"><a href=\"#e5388066-bba7-490f-a2a7-5e09ce0bf210\" id=\"e5388066-bba7-490f-a2a7-5e09ce0bf210-link\">2<\/a><\/sup><\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira<sup data-fn=\"77aeef00-1736-44ea-b110-35a8082ba8a3\" class=\"fn\"><a href=\"#77aeef00-1736-44ea-b110-35a8082ba8a3\" id=\"77aeef00-1736-44ea-b110-35a8082ba8a3-link\">3<\/a><\/sup><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-50e1421b alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resumo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"alignwide wp-block-paragraph\">Este trabalho apresenta e discute o conte\u00fado do projeto de imposto de renda das pessoas f\u00edsicas (IRPF) encaminhado pelo governo para considera\u00e7\u00e3o pelo Congresso Nacional, com o objetivo de isentar a tributa\u00e7\u00e3o desse imposto para os contribuintes que ganham at\u00e9 R$ 5 mil e reduzir a carga tribut\u00e1ria para aqueles que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, juntamente com o aumento da tributa\u00e7\u00e3o para a renda no topo da pir\u00e2mide, bem como as mudan\u00e7as introduzidas nos debates parlamentares, at\u00e9 sua aprova\u00e7\u00e3o pelo Presidente da Rep\u00fablica.\u00a0<br \/>Devido \u00e0 sua import\u00e2ncia, por ser o primeiro movimento em que se buscou expandir a incid\u00eancia desse imposto para a popula\u00e7\u00e3o mais rica, visando compensar as perdas que devem ocorrer com sua redu\u00e7\u00e3o para as camadas de renda mais baixas, tamb\u00e9m se busca avaliar seus impactos na distribui\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria entre os membros da sociedade e, al\u00e9m disso, sobre a estrutura de distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>SUMMARY<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">This paper presents and discusses the content of the individual income tax (IRPF) project forwarded by the government for consideration by the National Congress, with the objective of exempting the taxation of this tax for taxpayers who earn up to R$ 5 thousand and reduce the tax burden for those who receive between R$ 5 thousand and R$ 7 thousand, &nbsp; &nbsp; along with the increase in taxation for income at the top of the pyramid, as well as the changes that were introduced in parliamentary debates until its sanction by the President of the Republic.<br \/>   Due to its importance, as it is a first movement in which it was sought to expand the incidence of this tax to the richest population, aiming to compensate for the losses that should occur with its reduction for the lower income strata, it is also sought to evaluate its impacts on the distribution of the tax burden among the members of society and, also, on the structure of income distribution in Brazil.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-e4f35688 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">1. Introdu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Este trabalho apresenta e examina o conte\u00fado do projeto do imposto de renda da pessoa f\u00edsica (IRPF) encaminhado pelo governo para aprecia\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, com o objetivo de isentar a tributa\u00e7\u00e3o deste imposto para os contribuintes que ganham at\u00e9 R$ 5 mil e diminuir a carga tribut\u00e1ria para os que recebem entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, juntamente com o aumento da tributa\u00e7\u00e3o para as rendas do topo de pir\u00e2mide, bem como as mudan\u00e7as que nele foram introduzidas nos debates parlamentares at\u00e9 a sua san\u00e7\u00e3o pelo presidente da Rep\u00fablica.<br \/>    Pela sua import\u00e2ncia, por se tratar de um primeiro movimento em que se procurou ampliar a incid\u00eancia deste imposto para a popula\u00e7\u00e3o mais rica, visando compensar as perdas que devem ocorrer com sua redu\u00e7\u00e3o para as camadas de mais baixa renda, procura-se, ainda, avaliar seus impactos sobre a distribui\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria entre os membros da sociedade e, tamb\u00e9m, sobre a estrutura da distribui\u00e7\u00e3o de renda no Brasil.<sup data-fn=\"7e9ccd00-461a-4599-ad97-ff1f6384d5fb\" class=\"fn\"><a href=\"#7e9ccd00-461a-4599-ad97-ff1f6384d5fb\" id=\"7e9ccd00-461a-4599-ad97-ff1f6384d5fb-link\">4<\/a><\/sup><br \/>    A principal conclus\u00e3o que se extrai dessa an\u00e1lise \u00e9 a de que, apesar de representar um passo importante para come\u00e7ar a reduzir o espa\u00e7o dos mais ricos no para\u00edso fiscal que desfrutam no pa\u00eds e aliviar a tributa\u00e7\u00e3o sobre as menores rendas, ele deve ser visto apenas como um primeiro passo dado nessa dire\u00e7\u00e3o, que pode, no entanto, ser revertido caso o governo n\u00e3o aprove um projeto de lei que garanta a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria da tabela do imposto de renda, pelo menos para os grupos que foram contemplados com a isen\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o deste imposto.<br \/><\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-bb772fac alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">2. <strong>A proposta do Executivo de isen\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o do IRPF para os que ganham at\u00e9 R$ 7 mil e de aumento deste imposto para os mais ricos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Anunciado com grande alarde como cumprimento da promessa de campanha de isentar do imposto de renda os trabalhadores com rendimento de at\u00e9 5 mil reais por m\u00eas (ou R$ 60 mil anuais), o governo encaminhou para aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, no dia 18 de mar\u00e7o, o Projeto de Lei 1.087\/2025<sup data-fn=\"229aed09-43f0-4712-8c14-43cb9920f802\" class=\"fn\"><a href=\"#229aed09-43f0-4712-8c14-43cb9920f802\" id=\"229aed09-43f0-4712-8c14-43cb9920f802-link\">5<\/a><\/sup>, que trata dessa mat\u00e9ria. Se, no entanto, fizesse isso apenas ampliando a faixa de isen\u00e7\u00e3o para R$ 5 mil, todos os contribuintes seriam beneficiados e as perdas de arrecada\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o estimadas em R$ 26 bilh\u00f5es em 2026, R$ 27,7 bilh\u00f5es em 2027, e R$ 29,7 bilh\u00f5es em 2028, de acordo com Minist\u00e9rio da Fazenda, poderiam aumentar, estimativamente, no primeiro ano, para R$ 112 bilh\u00f5es, no caso de todos serem contemplados com o aumento deste limite. Por isso, foi adotada outra f\u00f3rmula para a concess\u00e3o deste benef\u00edcio.<br \/>     A f\u00f3rmula para essa mudan\u00e7a foi engenhosa. Em vez de alterar a tabela do imposto de renda (ou de fazer a sua corre\u00e7\u00e3o pela infla\u00e7\u00e3o para corrigir sua defasagem de 154%, de acordo com o Sindifisco, \u00e0 \u00e9poca), o que estenderia os ganhos com a medida para todos os contribuintes, aumentando expressivamente a ren\u00fancia fiscal, o governo manteve, no projeto, a mesma tabela com as al\u00edquotas progressivas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. E, com isso, buscou favorecer um grupo bem menor de contribuintes de renda mais baixa, concedendo-lhes descontos deste imposto, sem prejudicar, em demasia, sua arrecada\u00e7\u00e3o, o que seria problem\u00e1tico diante da situa\u00e7\u00e3o fiscal atual do pa\u00eds.<br \/>     Assim, para os que ganham at\u00e9 R$ 7 mil, introduziu-se, na proposta, um desconto do IRPF, decrescente com o n\u00edvel de renda, de 100% para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil, desconto que decresce para rendas at\u00e9 R$ 7 mil, terminando a\u00ed os descontos previstos, n\u00e3o havendo, portanto, mais nenhuma isen\u00e7\u00e3o a partir desse n\u00edvel de renda, com os contribuintes desse grupo sendo normalmente taxados com as al\u00edquotas progressivas atuais. O que significa que, para estes grupos, devem prevalecer as regras atuais em termos de limite de isen\u00e7\u00e3o e imposi\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas progressivas de 7,5% a 27,5%, sem os descontos previstos para os primeiros grupos.\u00a0<br \/> A f\u00f3rmula prevista para esses descontos no IRPF mensal \u00e9 dada pela seguinte equa\u00e7\u00e3o prevista no projeto: R$ 1.095,11 \u2013 (0,156445 x rendimentos sujeitos \u00e0 incid\u00eancia mensal). Aplicando essa f\u00f3rmula para determinar o desconto e os ganhos para algumas faixas de renda entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, encontramos os seguintes resultados apresentados na Tabela 1.<br \/><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Tabela 1<br \/><strong>Estimativa de redu\u00e7\u00e3o do recolhimento do imposto de renda mensal<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-10fe1ba1\">\n<figure class=\"wp-block-table is-style-regular\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Renda (R$)<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Imposto s\/desconto (R$)<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Imposto c\/desconto (R$)<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Diminui\u00e7\u00e3o do imposto (R$)<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Redu\u00e7\u00e3o mensal do imposto (%)<\/strong><\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">5.000<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">312,89<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">312,89<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">100<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">5.500<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">436,79<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">202,13<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">234,66<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">53,7<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">6.000<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">574,29<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">417,85<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">156,44<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">27,2<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">6.500<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">711,79<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">633,57<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">78,22<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">11,0<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">7.000<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">844,29<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">849,29<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">849,29<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Gov.Br., modificado pelo autor.<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Assim, para os que ganham acima de R$ 7 mil prevalecem as regras anteriores sem terem sido beneficiados, portanto, com qualquer desconto, o que vale tamb\u00e9m para os que ganham at\u00e9 R$ 50 mil por m\u00eas, ou R$ 600 mil por ano.<br \/> J\u00e1 para a declara\u00e7\u00e3o do ajuste anual dos contribuintes beneficiados com a mudan\u00e7a, a redu\u00e7\u00e3o seria calculada de acordo com a seguinte equa\u00e7\u00e3o: R$ 9.429,52 \u2013 (0,1122562 x rendimentos tribut\u00e1veis do ajuste anual). Aplicando a f\u00f3rmula para os mesmos valores de rendimentos da tabela anterior, mas anualizados, obtemos os resultados expostos na Tabela 2.<br \/>    Considerando o desconto simplificado de 20% sobre os rendimentos tribut\u00e1veis sujeitos \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o no ajuste anual, temos que os trabalhadores com rendimentos de at\u00e9 R$ 60 mil anuais seriam isentos do imposto, enquanto essa redu\u00e7\u00e3o decresce para os demais at\u00e9 deixar de existir para quem ganha de R$ 84 mil at\u00e9 R$ 600 mil por ano, valendo para estes as regras atuais de incid\u00eancia, sendo taxados com as al\u00edquotas progressivas previstas na legisla\u00e7\u00e3o. Mas, a partir desse n\u00edvel de renda, a situa\u00e7\u00e3o muda de figura, com os contribuintes tendo de arcar, em tese, com uma taxa\u00e7\u00e3o adicional para compensar as perdas de receitas geradas pela redu\u00e7\u00e3o do IR cobrado sobre as rendas mais baixas, com o objetivo de n\u00e3o piorar as contas p\u00fablicas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Tabela 2<br \/><strong>Estimativa de redu\u00e7\u00e3o do imposto de renda anual<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-1b4154a7\">\n<table id=\"tablepress-1\" class=\"tablepress tablepress-id-1\" aria-describedby=\"tablepress-1-description\">\n<thead>\n<tr class=\"row-1\">\n\t<th rowspan=\"2\" class=\"column-1\">Rendimento anual (R$)<\/th><th colspan=\"2\" class=\"column-2\">F\u00f3rmula<\/th><th rowspan=\"2\" class=\"column-4\">Redu\u00e7\u00e3o do imposto<\/th>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-2\">\n\t<th colspan=\"2\" class=\"column-2\">R$ 9.429,52 \u2013 0,1122562<\/th>\n<\/tr>\n<\/thead>\n<tbody>\n<tr class=\"row-3\">\n\t<td class=\"column-1\">60.000<\/td><td class=\"column-2\">9.429,52<\/td><td class=\"column-3\">6.735,37<\/td><td class=\"column-4\">2.694,15<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-4\">\n\t<td class=\"column-1\">66.000<\/td><td class=\"column-2\">9.429,52<\/td><td class=\"column-3\">7.260,00<\/td><td class=\"column-4\">2.169,52<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-5\">\n\t<td class=\"column-1\">72.000<\/td><td class=\"column-2\">9.429,52<\/td><td class=\"column-3\">8.082,44<\/td><td class=\"column-4\">1.347,08<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-6\">\n\t<td class=\"column-1\">78.000<\/td><td class=\"column-2\">9.429,52<\/td><td class=\"column-3\">8.755,98<\/td><td class=\"column-4\">673,54<\/td>\n<\/tr>\n<tr class=\"row-7\">\n\t<td class=\"column-1\">84.000<\/td><td class=\"column-2\">9.429,52<\/td><td class=\"column-3\">9.429,52<\/td><td class=\"column-4\">0,00<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<span id=\"tablepress-1-description\" class=\"tablepress-table-description tablepress-table-description-id-1\">Fonte: Projeto de Lei 1.085\/2025<\/span>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7387b849 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">   O argumento utilizado pelo governo para essa taxa\u00e7\u00e3o adicional das rendas mais altas foi o de serem poucos os contribuintes que obt\u00eam rendimento superior a R$ 600 mil no ano, apenas 141 mil, que correspondem a 0,13% da popula\u00e7\u00e3o que paga imposto de renda da pessoa f\u00edsica (IRPF) e sobre os quais incide uma al\u00edquota m\u00e9dia efetiva de 2,54%, cobrada sobre os seus rendimentos totais, que incluem tanto os tribut\u00e1veis quanto os que s\u00e3o isentos pela legisla\u00e7\u00e3o em vigor, assim como os que s\u00e3o subtaxados, mas que sofrem tributa\u00e7\u00e3o definitiva. Uma al\u00edquota bem inferior \u00e0 dos que ganham bem menos, o que est\u00e1 totalmente em desacordo com um dos princ\u00edpios mais importantes da tributa\u00e7\u00e3o, o da equidade, ou seja, da distribui\u00e7\u00e3o mais justa na cobran\u00e7a de impostos dos membros da sociedade.<sup data-fn=\"829a26ae-6849-4ccc-bbfb-7fabbf484b4d\" class=\"fn\"><a href=\"#829a26ae-6849-4ccc-bbfb-7fabbf484b4d\" id=\"829a26ae-6849-4ccc-bbfb-7fabbf484b4d-link\">6<\/a><\/sup><br \/>    Na proposta, introduziu-se um novo conceito de imposto para estes contribuintes, denominado de Imposto de Renda da Pessoa F\u00edsica M\u00ednimo (IRPFM), o qual n\u00e3o pode ser visto como um novo imposto, mas apenas como o estabelecimento de um n\u00edvel m\u00ednimo a ser pago por este grupo de privilegiados, que estabelece uma taxa\u00e7\u00e3o adicional que os mesmos ter\u00e3o de destinar para o seu pagamento. As al\u00edquotas previstas para essa taxa\u00e7\u00e3o variam de acordo com o n\u00edvel de renda anual, sendo a f\u00f3rmula constante na proposta para o seu c\u00e1lculo a seguinte: Al\u00edquota (%) = (Rendimento\/60.000) \u2013 10. Aplicando essa f\u00f3rmula para encontrar as al\u00edquotas do pagamento m\u00ednimo de imposto que dever\u00e1 ser pago para alguns rendimentos superiores a R$ 600.000 anuais, encontramos os seguintes resultados registrados na Tabela 3.<br \/>    Mas \u00e9 preciso considerar n\u00e3o se tratar bem de um imposto adicional, mas do imposto total m\u00ednimo que o contribuinte dever\u00e1 recolher para o governo, de acordo com o seu n\u00edvel de renda. Para saber efetivamente quanto ele ter\u00e1 de desembolsar a mais, depois de j\u00e1 ter calculado o imposto devido at\u00e9 R$ 600 mil, \u00e9 necess\u00e1rio considerar tanto os rendimentos que devem ser contabilizados no IRPFM como os descontos que a ele seria permitido fazer para este c\u00e1lculo.<br \/><\/p>\n\n\n\n<h5 class=\"wp-block-heading has-text-align-center\">Tabela 3<strong><br \/>Estimativa da taxa\u00e7\u00e3o adicional do imposto de renda sobre as altas rendas<\/strong><\/h5>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-37d50179\">\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><thead><tr><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Renda Anual (em R$ mil)<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Al\u00edquota M\u00ednima<\/strong><\/th><th class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\"><strong>Imposto m\u00ednimo a pagar (em R$)<\/strong><\/th><\/tr><\/thead><tbody><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">600<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,00<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">0,00<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">700<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1,67<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">11.690<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">800<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">3,33<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">26.640<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">900<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">5,00<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">45.000<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1.000<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">6,67<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">66.700<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1.100<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">8,33<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">91.630<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">1.200<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10,00<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">120.000<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">+ de 1.200<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">10,00<\/td><td class=\"has-text-align-center\" data-align=\"center\">120.000<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><figcaption class=\"wp-element-caption\">Fonte: Projeto de Lei 1.085\/2025<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    No caso dos rendimentos, contabilizam-se, para este pequeno grupo, todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte, tributados ou n\u00e3o, como sal\u00e1rio, alugu\u00e9is, dividendos, entre outros rendimentos, ou seja, todos os rendimentos das aplica\u00e7\u00f5es financeiras em geral, isentos e subtaxados. Deste c\u00e1lculo devem ser exclu\u00eddos os ganhos de capital (exceto os decorrentes das opera\u00e7\u00f5es em bolsa de valores), as heran\u00e7as e os valores recebidos por doa\u00e7\u00e3o em adiantamento da heran\u00e7a, al\u00e9m de rendimentos recebidos acumuladamente tributados exclusivamente na fonte, desde que o contribuinte n\u00e3o tenha optado pelo ajuste anual.<br \/>    J\u00e1 no c\u00e1lculo do imposto poderiam ser deduzidos: o montante do imposto devido na declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual; do imposto retido exclusivamente na fonte sobre os rendimentos inclu\u00eddos na base de c\u00e1lculo do IRPFM; dos rendimentos de poupan\u00e7a; e dos t\u00edtulos isentos ou valores mobili\u00e1rios sujeitos \u00e0 al\u00edquota zero (LCA, LCI, CRI, CRA, deb\u00eantures incentivadas de infraestrutura), al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00f5es e aposentadoria por mol\u00e9stia grave.<br \/>    Se depois dessas exclus\u00f5es, restar uma renda l\u00edquida de R$ 700 mil, por exemplo, o imposto m\u00ednimo que teria de pagar seria de R$ 11.690,00. Caso o seu recolhimento no ano seja igual ou superior a esse valor ele n\u00e3o ter\u00e1 de pagar mais nada. No caso de ser de R$ 1,2 milh\u00e3o, caso ele tenha recolhido cerca de R$ 50 mil devido a aplica\u00e7\u00f5es tribut\u00e1veis ou de seu sal\u00e1rio ou por qualquer outra transa\u00e7\u00e3o, ele precisar\u00e1 complementar o pagamento no valor de R$ 70 mil para atingir a sua contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima prevista de 10%, ou seja, de R$ 120 mil em rela\u00e7\u00e3o ao montante de sua renda. Caso os impostos recolhidos representem 8% de sua renda, ele ter\u00e1 de pagar um imposto complementar de 2%. E se atingirem 10%, nada ter\u00e1 de recolher.<br \/>Assim, entre esses recolhimentos incluem-se: o imposto decorrente de sua declara\u00e7\u00e3o de ajuste anual; o imposto sobre aplica\u00e7\u00f5es financeiras tribut\u00e1veis, tais como fundos de renda fixa, CDBs, FIAs (Fundos de Investimento em A\u00e7\u00f5es), entre outros; o imposto pago em definitivo (exemplo: ganhos de capital); e tamb\u00e9m, caso ocorra, o IR de dividendos que ultrapassar o limite da al\u00edquota estabelecida para as pessoas jur\u00eddicas de 34% (IRPJ + CSLL), decorrente da soma da al\u00edquota efetiva com a al\u00edquota do IRPJ + CSLL com a al\u00edquota o imposto de renda da pessoa f\u00edsica (IRPF)<br \/>    Esclarecendo melhor essa compensa\u00e7\u00e3o do dividendo pago pela empresa ao contribuinte, sendo a al\u00edquota m\u00e1xima do IRPJ+CSLL de 34% (15% da taxa\u00e7\u00e3o sobre o lucro apurado + 10% de adicional sobre a parcela do lucro que ultrapassar R$ 240 mil no ano + 9% de cobran\u00e7a da CSLL). Se somadas, a al\u00edquota efetiva do imposto da empresa mais a al\u00edquota efetiva da pessoa f\u00edsica que recebeu o dividendo, for igual ou superior a 34%, este n\u00e3o precisar\u00e1 recolher o imposto complementar sobre o mesmo, tendo o direito, inclusive, de receber o valor excedente pago. Caso a al\u00edquota do IRPJ + CSLL seja de 30%, por exemplo, e, ao fazer o pagamento do dividendo, a empresa retenha 10% de seu valor, conforme definido no projeto para dividendos acima de R$ 50 mil\/m\u00eas, o contribuinte pessoa f\u00edsica ter\u00e1 um cr\u00e9dito a receber de 6% do imposto recolhido, pois a soma dessas al\u00edquotas ter\u00e1 atingido 40%, ultrapassando o limite de 34%. J\u00e1 se a al\u00edquota da pessoa f\u00edsica for de 0%, n\u00e3o tendo sido feita a reten\u00e7\u00e3o do imposto a ser pago, ele ter\u00e1, neste caso, de recolher 4% para atingir o limite de 34%.<br \/>    N\u00e3o se pode dizer serem al\u00edquotas elevadas. Pelo contr\u00e1rio. Afinal, exigir de quem ganha R$ 700 mil no ano o pagamento de um percentual m\u00ednimo de 1,67% de imposto sobre esse rendimento, ou R$ 11.690, \u00e9 muito pouco, considerando a al\u00edquota m\u00ednima nominal de 7,5% e a m\u00e1xima de 27,5% do mesmo, tudo indicando que, as primeiras faixas do IRPFM ou das que v\u00e3o, por exemplo, at\u00e9 R$ 900 mil, muito pouco ser\u00e3o afetadas com essa mudan\u00e7a. Apenas para os que obt\u00eam rendimentos acima deste n\u00edvel \u00e9 que, efetivamente, ocorreria um aumento da carga tribut\u00e1ria, mas n\u00e3o t\u00e3o expressivamente, dado o teto de 10% estabelecido para os rendimentos iguais ou superiores a R$ 1,2 milh\u00e3o.<br \/>    A rigor, a proposta do governo n\u00e3o alteraria substancialmente as regras de cobran\u00e7a do imposto de renda sobre as pessoas ricas, com o seu foco restringindo-se \u00e0 inclus\u00e3o dos rendimentos oriundos de valores recebidos como Lucros e Dividendos, atualmente isentos de sua incid\u00eancia, uma excresc\u00eancia tribut\u00e1ria, que nasceu com a Lei 9.249, de 1995, praticamente inexistente no mundo, apontada na Exposi\u00e7\u00e3o de Motivos do projeto como uma das principais causas da baixa progressividade deste imposto no Brasil.<br \/>    Mas, a Lei 9.249 de 1995, com a qual o ent\u00e3o secret\u00e1rio da Receita Federal, Everardo Maciel, anunciou estar fazendo uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria no mundo\u2019, n\u00e3o foi camarada apenas com os detentores das a\u00e7\u00f5es de empresas de capital aberto remuneradas na forma de Lucros e Dividendos. Assim como se empenhou em remover a tributa\u00e7\u00e3o dessa forma de rendimento sobre os mais ricos, criou um mecanismo perverso de sua redu\u00e7\u00e3o para as empresas, conhecido como Juros sobre o Capital Pr\u00f3prio, ou simplesmente JCP, um termo t\u00e9cnico que esconde as benesses distribu\u00eddas pelo Estado para os donos do poder.<br \/>    De acordo com Intro\u00edni &amp; \u00c1vila (2025) e Hickmann, Intro\u00edni &amp; Montovani (2025), pelo instrumento do JCP que incide sobre o valor que \u00e9 distribu\u00eddo para os acionistas ocorre uma reten\u00e7\u00e3o exclusivamente na fonte de 15%, sendo que aqueles nada mais ter\u00e3o de pagar na Declara\u00e7\u00e3o Anual do Ajuste do IRPF. O valor despendido pela empresa com este pagamento \u00e9 contabilizado, no entanto, como uma despesa financeira ficta (imagin\u00e1ria), que pode ser deduzida da base de c\u00e1lculo do Imposto de Renda da Pessoa Jur\u00eddica (IRPJ) e da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL).<br \/>    Tudo se passa, como se a empresa tivesse realizado um investimento, por exemplo, lan\u00e7ando m\u00e3o de recursos pr\u00f3prios, sem ter contratado opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito para sua realiza\u00e7\u00e3o sobre as quais pagaria juros. \u00c9 este valor distribu\u00eddo como dividendo, via JCP, tido como um investimento que n\u00e3o se realiza e como uma despesa com juros que n\u00e3o se paga, que permite \u00e0 empresa transform\u00e1-lo em despesa operacional para reduzir o pagamento de impostos.<sup data-fn=\"31436028-4cdf-492e-938e-3aec3f8f4b13\" class=\"fn\"><a href=\"#31436028-4cdf-492e-938e-3aec3f8f4b13\" id=\"31436028-4cdf-492e-938e-3aec3f8f4b13-link\">7<\/a><\/sup> Com essa op\u00e7\u00e3o, a arrecada\u00e7\u00e3o do setor produtivo diminuiria em 19p.p. (25% do total do IRPJ + 9% da CSLL -15% do JCP). No caso das institui\u00e7\u00f5es financeiras, em que se aplica uma al\u00edquota atualmente de 21% da CSLL, essa economia para as empresas propiciada por este mecanismo do JCP ainda \u00e9 maior, chegando a 30p.p. Por isso, esses autores consideram o instrumento do JCP um mecanismo ainda mais poderoso que a isen\u00e7\u00e3o dos Lucros e Dividendos para abrandar a tributa\u00e7\u00e3o sobre as empresas e os contribuintes mais ricos. Um exemplo simples n\u00e3o deixa d\u00favidas sobre essa quest\u00e3o.<br \/>    Se uma empresa de capital aberto, com lucro real superior a R$ 240 mil, registra um lucro, por exemplo, de R$ 1 milh\u00e3o antes dos impostos, estes incidir\u00e3o sobre o mesmo valor \u00e0 al\u00edquota de 34%, referentes a 15% sobre o lucro real + 10% sobre o valor superior a R$ 240 mil + 9% de CSLL. Em tese, simplificando, o Estado contar\u00e1 com uma arrecada\u00e7\u00e3o de R$ 340 mil, restando \u00e0 empresa, como lucro l\u00edquido, R$ 660 mil. Caso a empresa decida distribuir 20% deste lucro na forma de dividendos para seus acionistas, ou R$ 132 mil, nada mais ser\u00e1 cobrado dos acionistas, por ser este rendimento isento pela legisla\u00e7\u00e3o brasileira.<br \/>    Supondo, agora, que a empresa decida fazer essa distribui\u00e7\u00e3o dos 20% pelo mecanismo do JCP, ao inv\u00e9s dos dividendos, no montante de R$ 200 mil. Esses R$ 200 mil sofrer\u00e3o uma reten\u00e7\u00e3o na fonte de 15%, conforme al\u00edquota estabelecida pela lei vigente, com o Estado arrecadando, portanto, R$ 30 mil. Os R$ 200 mil distribu\u00eddos poder\u00e3o, no entanto, ser deduzidos como despesa para o c\u00e1lculo do Imposto do IRPJ e da CSLL a ser recolhido pela empresa, restando, portanto, como base tribut\u00e1vel (na pessoa jur\u00eddica), R$ 800 mil. Aplicando a al\u00edquota de 34% sobre este montante, os tributos a serem recolhidos pela empresa montar\u00e3o a R$ 272 mil. Como houve a reten\u00e7\u00e3o de R$ 30 mil na fonte, temos um total de tributos (IRPJ + CSLL + IRPF) de R$ 302 mil, enquanto se essa distribui\u00e7\u00e3o fosse feita por meio de dividendos, essa seria de R$ 340 mil, ou seja, garante-se uma redu\u00e7\u00e3o de impostos de 11,2% neste exemplo.<br \/>    Para a empresa \u00e9 f\u00e1cil fazer essa calibragem entre o montante de lucros que pretende distribuir para cada acionista e a composi\u00e7\u00e3o dessa distribui\u00e7\u00e3o entre Dividendos e Juros sobre o Capital Pr\u00f3prio (JCP) sem alterar o seu resultado. Ao priorizar a cobran\u00e7a sobre os Lucros e Dividendos, a proposta de reforma do governo deixou de lado essa aberra\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e manteve as portas abertas para empresas e contribuintes dela se beneficiarem com o pagamento de menos impostos.<sup data-fn=\"6da86a8b-0ce0-42e4-801c-4f2029cafd58\" class=\"fn\"><a href=\"#6da86a8b-0ce0-42e4-801c-4f2029cafd58\" id=\"6da86a8b-0ce0-42e4-801c-4f2029cafd58-link\">8<\/a><\/sup><br \/>    No caso espec\u00edfico dos Lucros e Dividendos, para antecipar parcela dessa arrecada\u00e7\u00e3o, o texto estabeleceu, no art. 6\u00ba, que, a partir do m\u00eas de janeiro do ano-calend\u00e1rio de 2026, o seu pagamento por uma mesma pessoa jur\u00eddica a uma mesma pessoa f\u00edsica no montante superior a R$ 50 mil em um mesmo m\u00eas ficava sujeito \u00e0 reten\u00e7\u00e3o na fonte do IRPFM, \u00e0 al\u00edquota de 10%. Por isso, as estimativas de ganhos de receita esperados com essa mudan\u00e7a n\u00e3o chegavam a ser expressivos, estimando-se que atingiria R$ 25,2 bilh\u00f5es em 2026, R$ 29,5 bilh\u00f5es em 2027 e R$ 29,8 bilh\u00f5es em 2028.<br \/>    Adicionalmente, contava-se, ainda, com ganhos de receita de R$ 8,9 bilh\u00f5es em 2026, R$ 9,7 bilh\u00f5es em 2027 e R$ 9,8 bilh\u00f5es em 2028 oriundos da cobran\u00e7a tamb\u00e9m estabelecida, no texto, de 10% sobre os Lucros e Dividendos pagos, creditados, entregues ou remetidos ao exterior, independentemente de quem os enviam: pessoa f\u00edsica, jur\u00eddica ou fundo de investimento estrangeiro. Em conjunto, os ganhos estimados com essas duas mudan\u00e7as na tributa\u00e7\u00e3o sobre os Lucros e Dividendos atingiriam, assim, R$ 34,12 bilh\u00f5es em 2026, R$ 38,18 bilh\u00f5es em 2027 e R$ 39,64 bilh\u00f5es em 2028, mais do que compensando as perdas projetadas com a redu\u00e7\u00e3o do IR para os trabalhadores de mais baixa renda.<br \/>    Embora importante por contribuir para melhorar a progressividade do imposto de renda no Brasil, atenuando o seu \u00f4nus para as camadas mais baixas de renda e cobrando um pouco mais das altas rendas, deve-se reconhecer que essa proposta se encontra muito distante de uma reforma ideal, que revisse n\u00e3o somente a sua estrutura de al\u00edquotas, rompendo-se com o teto de 27,5% para os contribuintes mais abonados, mas tamb\u00e9m das al\u00edquotas que incidem de maneira camarada e diferenciada sobre as distintas aplica\u00e7\u00f5es financeiras, incluindo-as na tabela progressiva do imposto; a revis\u00e3o dos descontos permitidos para o c\u00e1lculo do imposto, que tende a beneficiar a popula\u00e7\u00e3o mais rica; e, no caso da pessoa jur\u00eddica, a revis\u00e3o dos in\u00fameros benef\u00edcios e brechas fiscais que tornam brando o seu \u00f4nus. Essa, a reforma mais ampla desejada que, infelizmente, foi novamente jogada para o futuro.<br \/>    N\u00e3o se contemplou, no entanto, na proposta, nenhum mecanismo para garantir, a partir da aprova\u00e7\u00e3o deste projeto, a corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria do valor da isen\u00e7\u00e3o para os que ganham at\u00e9 R$ 5 mil, significando que, na inexist\u00eancia de uma lei espec\u00edfica sobre essa mat\u00e9ria, em pouco tempo poderiam ser perdidos os ganhos obtidos pelos contribuintes de mais baixa renda com a isen\u00e7\u00e3o deste imposto, e tamb\u00e9m dos que se beneficiaram com sua redu\u00e7\u00e3o, caso o governo, por alguma dificuldade financeira, opte por deixar de atualizar monetariamente a tabela do IR, pelo menos para estes grupos, para aumentar sua receita.<br \/>    Segundo um estudo realizado pela Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, intitulado Impactos da Reforma do Imposto de Renda das Pessoas F\u00edsicas proposta no PL 1.087\/2025, na progressividade e na desigualdade de renda, publicado em junho de 2025 (SPE\/MF, 2025), apenas a aprova\u00e7\u00e3o, em conjunto da mesma, poderia contribuir para se conciliar justi\u00e7a fiscal e social, mantendo-se, ao mesmo tempo, o compromisso com a responsabilidade fiscal. Ou seja, somente no caso em que a desonera\u00e7\u00e3o deste imposto para as camadas de menores rendas combinada com o seu aumento para o grupo dos mais ricos, a mudan\u00e7a seria capaz de garantir maior progressividade do sistema e diminuir a desigualdade de renda no Brasil, compensando, do ponto de vista da arrecada\u00e7\u00e3o, as perdas de receitas que inevitavelmente ocorrer\u00e3o com a isen\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o de al\u00edquotas para os que ganham at\u00e9 R$ 7 mil reais.<br \/>    O estudo levou em conta os mesmos par\u00e2metros do governo para a reforma do imposto de renda: amplia\u00e7\u00e3o da faixa de isen\u00e7\u00e3o para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil por m\u00eas, uma al\u00edquota reduzida para vencimentos de at\u00e9 R$ 7 mil mensais, e aumento da tributa\u00e7\u00e3o da alta renda, fixando um imposto m\u00ednimo progressivo que vai de 0% a 10% (teto do imposto m\u00ednimo) para o contribuinte com rendimentos superiores a R$ 600 mil no ano at\u00e9 R$ 1,2 milh\u00e3o ou mais.<br \/>    A conclus\u00e3o do estudo foi a de que como a base da distribui\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 desonerada, o efeito da isen\u00e7\u00e3o para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil e a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota para os que recebem at\u00e9 R$ 7 mil, considerada isoladamente, tenderia a ampliar a desigualdade, caso mantida a mesma tributa\u00e7\u00e3o para o topo da distribui\u00e7\u00e3o, mesmo havendo compensa\u00e7\u00e3o do impacto fiscal por outros impostos. Sendo essa mudan\u00e7a aprovada, a\u00ed sim, a mesma compensaria a perda de receita, produzindo uma pequena queda na desigualdade, al\u00e9m de impedir a gera\u00e7\u00e3o de um impacto fiscal negativo.<br \/>    Em termos da redistribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus tribut\u00e1rio que ocorreria com a aprova\u00e7\u00e3o da proposta, o estudo concluiu, utilizando o \u00cdndice de Gini, que, se restrita \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da carga tribut\u00e1ria para os que ganham at\u00e9 R$ 7 mil, a situa\u00e7\u00e3o pioraria um pouco, com esse \u00cdndice passando de 0,6185 para 0,6192 (SPE\/MF, 2025, p. 5 e 25). Se, no entanto, aprovado o aumento do imposto proposto para os mais ricos, haveria uma pequena melhora deste \u00cdndice, \u00e0 medida que a al\u00edquota efetiva dos 0,7% mais ricos subiria de 8,25% para 9,14%, e a dos 0,01% de 5,67% para 8,2% (SPE\/MF, p. 5 e 25). Como resultado o \u00cdndice de Gini diminuiria de 0,6185 para 0,6178.<br \/>    Embora importante, e podendo ser considerado um primeiro passo para aumentar a inclus\u00e3o dos mais ricos entre os contribuintes do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas, o projeto, em seu conjunto, representa ganho pouco expressivo para um sistema tribut\u00e1rio de alta regressividade, pouco modificando sua ess\u00eancia como um dos piores do mundo. N\u00e3o poderia ser diferente, quando m\u00e3os camaradas procuram, dadas as restri\u00e7\u00f5es existentes no campo da tributa\u00e7\u00e3o indireta para o aumento da receita, devido \u00e0 Emenda Constitucional 132\/23, que criou novos impostos nessa \u00e1rea, mas que ainda n\u00e3o entraram em vigor, exigir maior contribui\u00e7\u00e3o dos mais ricos para suprir a necessidade de recursos do Estado.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-88bfba92 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3. Os debates no Congresso e as mudan\u00e7as introduzidas no PL 1.087\/25<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.O tr\u00e2mite do projeto na C\u00e2mara dos Deputados em meio aos ru\u00eddos provocados pelos projetos das Prerrogativas (Blindagem) dos parlamentares e da Anistia para os envolvidos na tentativa de golpe do Estado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, o PL 1.085\/25 teve como relator na Comiss\u00e3o Especial da C\u00e2mara dos Deputados, seu ex-presidente, o deputado Arthur Lira, cujo substitutivo terminou sendo aprovado no dia 16 de julho de 2025, com algumas pequenas mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o do projeto original. Entre essas, destacam-se:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>A mais importante diz respeito \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o dos contribuintes beneficiados com a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota do IRPF que foi estendida para os que ganham at\u00e9 R$ 7.350 mensais, por se considerar que o governo obteria maior arrecada\u00e7\u00e3o com a cobran\u00e7a do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas m\u00ednimo (IRPFM) do que se projetou inicialmente. Essa mudan\u00e7a, segundo o relator, explicava-se, assim, para garantir a neutralidade das mudan\u00e7as em termos de arrecada\u00e7\u00e3o, visando barrar aumento da carga tribut\u00e1ria. Isso beneficiaria mais 500 mil contribuintes que ter\u00e3o reduzido de sua renda o montante de impostos destinado para o pagamento do IRPF;<\/li>\n\n\n\n<li>No projeto aprovado, estabeleceu-se que os lucros e dividendos distribu\u00eddos at\u00e9 31 de dezembro de 2025 n\u00e3o ser\u00e3o taxados, desde que decidida sua distribui\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final do ano, mesmo que seu pagamento ocorra posteriormente;<\/li>\n\n\n\n<li>Para os rendimentos acima de R$ 50 mil por m\u00eas, o projeto manteve a al\u00edquota progressiva de 0 a 10%, mas prevendo algumas exce\u00e7\u00f5es dos rendimentos que n\u00e3o poder\u00e3o ser inclu\u00eddos na base tribut\u00e1vel: as remessas de dividendos para o exterior, quando se tratarem de remessas para governos estrangeiros, desde que haja a reciprocidade de tratamento; para fundos soberanos; e para entidades no exterior que tenham como principal atividade a administra\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios;<\/li>\n\n\n\n<li>No caso de se registrar uma arrecada\u00e7\u00e3o maior que a prevista do IRPFM, incluiu-se, tamb\u00e9m, um trecho no substitutivo para direcionar parte de sua arrecada\u00e7\u00e3o adicional para reparar eventuais perdas dos estados e munic\u00edpios decorrentes da ren\u00fancia fiscal da isen\u00e7\u00e3o, destinando-a para os Fundos de Participa\u00e7\u00e3o dos Estados e Munic\u00edpios (FPEM); e, parte, para reduzir a al\u00edquota-padr\u00e3o da Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), tributo que entrar\u00e1 em vigor a partir de 2026.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    O projeto de Arthur Lira, no entanto, permaneceu paralisado na C\u00e2mara dos Deputados diante da resist\u00eancia dos representantes da direita e da extrema direita no Congresso, a \u00faltima principalmente, inconformada com a pris\u00e3o domiciliar de seu l\u00edder, Jair Bolsonaro, condicionando sua vota\u00e7\u00e3o \u00e0 de dois projetos que poderiam ou ajudariam na sua liberdade: a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) das Prerrogativas (tamb\u00e9m chamada de PEC da Blindagem e da Bandidagem) e o Projeto de Anistia para os envolvidos na tentativa de golpe de Estado e de extin\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de Direito.<br \/>    N\u00e3o se tratava bem de mat\u00e9rias de interesse da popula\u00e7\u00e3o, mas de interesse exclusivo de uma parte apreci\u00e1vel dos parlamentares, seja com o objetivo de se blindarem contra as a\u00e7\u00f5es do judici\u00e1rio por crimes por eles cometidos, no caso da PEC das Prerrogativas, seja para livrar de processos e pris\u00f5es os que atentaram contra a ordem democr\u00e1tica no Brasil entre os anos de 2021 at\u00e9 o fat\u00eddico 08 de janeiro de 2023. Ambos os projetos representavam uma destrui\u00e7\u00e3o de importantes grades de prote\u00e7\u00e3o da democracia, embora tenham sido vendidos por seus defensores como necess\u00e1rias para o seu fortalecimento. Um esc\u00e1rnio.<br \/>    A PEC da Blindagem consistia em dificultar a pris\u00e3o e a abertura de processos contra crimes cometidos por parlamentares, incluindo os delitos de corrup\u00e7\u00e3o e de atos de viol\u00eancia, passando estes a necessitar da autoriza\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o pelo Legislativo para seguirem adiante, sendo que os membros dessa Casa teriam um prazo de 90 dias para analisar os pedidos e decidir sobre a pris\u00e3o e\/ou abertura de processos criminais contra os mesmos. A vota\u00e7\u00e3o dessa decis\u00e3o se daria por meio de voto secreto, com o que se impediria a identifica\u00e7\u00e3o do deputado que votasse contra o pedido para que n\u00e3o perdesse pontos junto ao seu eleitor. Al\u00e9m disso, concedia foro privilegiado no STF a presidentes de partidos pol\u00edticos com representa\u00e7\u00e3o no Congresso, visando tamb\u00e9m blindar o que estavam sendo investigados e os que viessem a ser investigados por algum crime.<br \/>    A justificativa para a apresenta\u00e7\u00e3o deste projeto foi a de que a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, no art. 53, previa que os parlamentares n\u00e3o poderiam ser processados criminalmente sem licen\u00e7a de sua Casa, cabendo a essa deliberar, por voto secreto, sobre a pris\u00e3o e autoriza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de culpa do parlamentar investigado. Isso \u00e9 verdade, mas o contexto da \u00e9poca era completamente diferente, pois ali se procurou blindar os parlamentares do arb\u00edtrio da ditadura que cassava os seus mandatos sem nenhuma justificativa, movida apenas por quest\u00f5es meramente ideol\u00f3gicas. Al\u00e9m disso, essa experi\u00eancia teria se revelado desastrosa para a democracia, \u00e0 medida que criou uma casta de cidad\u00e3os na sociedade \u2013 os parlamentares \u2013 imunes \u00e0 lei.<br \/>    Isso porque, entre 1988 e 2001, per\u00edodo em que essa mat\u00e9ria esteve regulada pelo art. 53 da CEF 88, o Legislativo recebeu e barrou 253 pedidos de aberturas de processos contra parlamentares e aprovou apenas 1, o de Jabes Rabelo (PDT-RO) por crime de recep\u00e7\u00e3o de ve\u00edculo roubado em 1991. Entre os barrados, figura at\u00e9 mesmo o do ent\u00e3o deputado Hidelbrando Pascoal (PFL-SC) acusado de comandar um grupo de exterm\u00ednio em 1999, o qual, anos depois, terminou sendo condenado a mais de 100 anos de pris\u00e3o. Foi para corrigir essas distor\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas que, em 2001, foi aprovada a Emenda Constitucional n\u00ba 35, alterando o art. 5 e eliminando a exig\u00eancia da licen\u00e7a pr\u00e9via para a abertura de processos contra os parlamentares, dando ao judici\u00e1rio autonomia nessa quest\u00e3o, embora estabelecendo a possibilidade de a Casa sustar o processo j\u00e1 instaurado, por decis\u00e3o da maioria.<br \/>    Fechada a porta da impunidade com a EC 35\/2001, o judici\u00e1rio resgatou sua autonomia para abrir processos contra rimes cometidos por parlamentares, pondo cobro \u00e0 excresc\u00eancia que representava a necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso para sua puni\u00e7\u00e3o e\/ou para a abertura de processos contra os mesmos. A PEC da Blindagem tinha como objetivo exatamente o de recuperar essa excresc\u00eancia e blindar as a\u00e7\u00f5es criminosas de parlamentares. Uma das principais cr\u00edticas feitas ao projeto era a de que, com ele, se reabria essa porta para o crime organizado disputar elei\u00e7\u00f5es como forma de escapar de processos, beneficiando diretamente parlamentares corruptos, transformando-a numa PEC da Impunidade.<br \/>    Mesmo diante de todas essas cr\u00edticas, colocada em vota\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados, a PEC recebeu 344 votos favor\u00e1veis, superior aos 308 necess\u00e1rios para sua aprova\u00e7\u00e3o, contra 153, contando, inclusive com votos de partidos da esquerda, que se uniram \u00e0 bancada chamada de 4Bs (bancadas da bala, do boi, da b\u00edblia e das bets) para auxiliar na mesma. Diante da rea\u00e7\u00e3o da sociedade a essa aberra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poucos parlamentares pediram desculpas a seus eleitores, justificando sua posi\u00e7\u00e3o pela incompreens\u00e3o e alcance da medida ou, como no caso da esquerda, por for\u00e7a de um acordo que havia sido fechado com as for\u00e7as da direita, para derrotar o projeto da Anistia.<br \/>    J\u00e1 no caso deste projeto de Anistia, que havia perdido for\u00e7a como pretendia a direita, propondo uma \u201canistia ampla, geral e irrestrita\u201d para os envolvidos na tentativa de golpe de Estado e de extin\u00e7\u00e3o do Estado Democr\u00e1tico de direito, retroativa a 14 de mar\u00e7o de 2019 e a data em entrada em vigor da lei que a aprovaria, na tentativa de livrar Bolsonaro dos processos que respondia na justi\u00e7a e sua condena\u00e7\u00e3o de 27,3 anos de pris\u00e3o decretada pelo STF por esse motivo, era vista como inconstitucional, \u00e0 medida que, al\u00e9m de perdoar crimes passados, garantia tamb\u00e9m esse perd\u00e3o para crimes futuros contra o Estado democr\u00e1tico de direito.<br \/>    Essa outra aberra\u00e7\u00e3o inconstitucional s\u00f3 havia encontrado solo f\u00e9rtil para prosseguir pelo desespero instalado nas hostes bolsonaristas com a crescente certeza de sua pris\u00e3o, o que levou o l\u00edder mais radical da extrema direita, S\u00f3stenes Cavalcante, a lan\u00e7ar m\u00e3o de todos os recursos que chegava \u00e0s suas m\u00e3os \u2013 legais, ilegais e inconstitucionais \u2013 para salv\u00e1-lo. De qualquer forma, o art. 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o estabelece no inciso 44 que: Constitui crime inafian\u00e7\u00e1vel e imprescrit\u00edvel a a\u00e7\u00e3o de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democr\u00e1tico. O projeto de Anistia at\u00e9 poderia passar no Congresso, mas com certeza seria barrado no STF.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.2. A antecipa\u00e7\u00e3o da vota\u00e7\u00e3o do projeto no Senado Federal<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Encaminhada para vota\u00e7\u00e3o no Senado, a PEC da Blindagem, que teve como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi derrotada na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ), no dia 24 de setembro, por 26 votos a zero, o que permitiu o seu arquivamento sem que sua discuss\u00e3o tivesse de ser levada ao plen\u00e1rio da Casa, de acordo com as suas regras internas. Diversos senadores, incluindo o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, j\u00e1 haviam adiantado que a mesma seria ali devidamente enterrada, assim como aconteceria com o projeto de \u201cAnistia, ampla, geral e irrestrita\u201d. Para isso, contribuiu \u2013 e muito! \u2013 os protestos da popula\u00e7\u00e3o registrados em todas as 27 capitais brasileiras no domingo, dia 21 de setembro, que demoveu as d\u00favidas porventura existentes dos senadores que ainda hesitavam sobre a posi\u00e7\u00e3o que assumiriam na vota\u00e7\u00e3o do projeto.<br \/>    Neste mesmo dia, em resposta \u00e0 demora da C\u00e2mara dos Deputados em pautar o projeto do Imposto de Renda, cuja urg\u00eancia havia sido aprovada em 21 de agosto, mas condicionado sua vota\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de se votar a PEC das Prerrogativas dos parlamentares ou da Blindagem, a Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) do Senado Federal se antecipou e aprovou, um texto paralelo \u00e0 proposta, com 20 votos a favor e nenhum contra. Ou seja, no mesmo dia, a C\u00e2mara dos Deputados sofreu duas derrotas: a da PEC da Blindagem e o projeto que vinha postergando de mudan\u00e7as no IRPF.<br \/>O projeto no Senado teve, como relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), principal advers\u00e1rio pol\u00edtico de Arthur Lira no estado, sob a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o do senador Rog\u00e9rio Carvalho (PT-SE).<br \/>    O texto, em car\u00e1ter terminativo, quando n\u00e3o h\u00e1 necessidade de aprecia\u00e7\u00e3o pelo plen\u00e1rio da Casa, incorporou as principais mudan\u00e7as do IR do texto da C\u00e2mara, como a isen\u00e7\u00e3o para quem ganha at\u00e9 R$ 7.350, al\u00e9m de criar um adicional para as rendas acima de R$ 600 mil\/ano, tributando os dividendos, reduzindo a al\u00edquota do imposto de renda da pessoa jur\u00eddica (IRPJ) e extinguindo a dedutibilidade dos juros sobre o capital pr\u00f3prio (JCP). Incorporou tamb\u00e9m uma parte da emenda proposta pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO) que pedia a garantia da compensa\u00e7\u00e3o objetiva e proporcional das perdas efetivas dos Estados e munic\u00edpios com a sua aprova\u00e7\u00e3o, no que diz respeito aos recursos destinados ao Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Estados e Munic\u00edpios (FPEM), assim como a cobran\u00e7a do IR de seus servidores.<br \/>    Derrotado no Senado com a rejei\u00e7\u00e3o da PEC das Prerrogativas (ou da Blindagem) dos parlamentares, e pressionada pela aprova\u00e7\u00e3o do projeto do imposto de renda nessa Casa, a C\u00e2mara que, at\u00e9 este momento, vinha mantendo os projetos de interesse da sociedade em banho maria, condicionando sua aprecia\u00e7\u00e3o \u00e0 vota\u00e7\u00e3o dos projetos de interesse exclusivo de seus membros (o da Blindagem e o da Anistia, principalmente), sentiu o golpe com as manifesta\u00e7\u00f5es do povo brasileiro que invadiu as ruas do pa\u00eds contra esses absurdos, come\u00e7ou a recuar de seus objetivos de legislar apenas em causa pr\u00f3pria. Diante deste cen\u00e1rio, seu presidente, Hugo Motta (Republicanos-PB), que vinha apoiando os dois projetos, teve pressa em sinalizar que retomaria a vota\u00e7\u00e3o de pautas positivas para a sociedade, entre as quais a do imposto de renda, marcando para o dia 01 de outubro a vota\u00e7\u00e3o do PL 1.087\/25, de autoria do governo federal que se encontrava ali travado. N\u00e3o adiantava, no entanto, qual projeto colocaria para ser votado: o que teve como relator, na C\u00e2mara, o deputado Arthur Lira, ou o que havia sido aprovado no Senado, cujo relator foi Renan Calheiros.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.3. A aprova\u00e7\u00e3o do PL 1.087\/25 na C\u00e2mara dos Deputados<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Para n\u00e3o perder o protagonismo no processo de aprova\u00e7\u00e3o do projeto e, ao mesmo tempo, tentar melhorar a p\u00e9ssima imagem da C\u00e2mara dos Deputados que ficou com a aprova\u00e7\u00e3o, por ampla margem, da PEC da Blindagem, depois rejeitada pelo Senado, seu presidente, Hugo Motta, com o objetivo de reposicionar e reconquistar a confian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o na institui\u00e7\u00e3o, colocou para vota\u00e7\u00e3o o projeto do deputado Arthur Lira, no dia 1\u00ba de outubro, deixando de lado o que havia sido aprovado no Senado. Com isso, dada a sistem\u00e1tica de vota\u00e7\u00e3o no Congresso, a C\u00e2mara daria a \u00faltima palavra sobre a mat\u00e9ria, pois, se modificada na Casa Alta, a ela retornaria para a revis\u00e3o final, antes de sua san\u00e7\u00e3o pelo presidente da Rep\u00fablica.<br \/>    No final, o projeto foi aprovado por unanimidade com 493 votos favor\u00e1veis e nenhum contra, sendo que 20 deputados deixaram de votar por motivos que v\u00e3o desde a n\u00e3o obrigatoriedade de inserir o voto no placar eletr\u00f4nico, caso do presidente da C\u00e2mara, ao fato de se encontrarem suspensos, como o do deputado Andr\u00e9 Janones (Avante-MG), por se encontrarem em viagens ou autoexilados fora do Brasil (Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Lizianne Lins (PT-CE), por exemplo), de licen\u00e7a m\u00e9dica, ou simplesmente por n\u00e3o comparecimento na vota\u00e7\u00e3o, apesar de terem registrado presen\u00e7a na sess\u00e3o, provavelmente para n\u00e3o ficarem mal com seus eleitores e por n\u00e3o se sentirem bem aprovando um projeto que daria ganhos para o governo, apesar de ben\u00e9fico para a sociedade.<br \/>    Antes da vota\u00e7\u00e3o do projeto, o relator, Arthur Lira, teve de se desdobrar para anular as tentativas da oposi\u00e7\u00e3o que procurava tumultuar o processo, principalmente dos integrantes da ala bolsonarista, que, por meio de destaques, pretendia introduzir pelo menos duas altera\u00e7\u00f5es no seu conte\u00fado para prejudicar o governo: de um lado, ampliar o limite de isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda para R$ 10 mil; de outro, rever a proposta de compensa\u00e7\u00e3o com a cobran\u00e7a de um imposto maior para os mais ricos, procurando atenu\u00e1-la com o aumento da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) incidente sobre os bancos com lucro acima de R$ 1 bilh\u00e3o. Lira descartou esses destaques, considerando-os inconstitucionais por aumentarem as ren\u00fancias tribut\u00e1rias sem garantir fontes alternativas de financiamento do governo, como preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).<br \/>    O texto aprovado conheceu, assim, poucas modifica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao substitutivo que j\u00e1 havia sido anteriormente constru\u00eddo por Lira, mantendo-se as principais mudan\u00e7as do IRPF: a isen\u00e7\u00e3o total para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil; o desconto decrescente para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7,35 mil, o que elevou a estimativa de perda de receitas de R$ 25,8 bilh\u00f5es para R$ 31,2 bilh\u00f5es.; e a compensa\u00e7\u00e3o das perdas de receitas com a maior taxa\u00e7\u00e3o sobre os super-ricos, ou seja, para os que ganham mensalmente acima de R$ 50 mil e, anualmente, mais de R$ 600 mil, com uma al\u00edquota adicional que vai de 0% a 10%, a \u00faltima para rendimentos anuais iguais ou superiores a R$ 1,2 milh\u00f5es.<br \/>Estimativas do governo divulgadas na imprensa apontavam que as mudan\u00e7as isentar\u00e3o cerca de 10 milh\u00f5es de contribuintes no caso da isen\u00e7\u00e3o total e de 16 milh\u00f5es no de redu\u00e7\u00e3o parcial, enquanto 141 mil contribuintes de alta renda ter\u00e3o o imposto aumentado. J\u00e1 os contribuintes com rendimentos acima de R$ 7.350 permanecem com as regras atuais e tributa\u00e7\u00e3o crescente com al\u00edquota teto de 27,5%.<br \/>    Mas Lira ampliou o n\u00famero de exce\u00e7\u00f5es para calcular a renda dos contribuintes mais ricos. Pelo texto aprovado, n\u00e3o ser\u00e3o computados os seguintes rendimentos: heran\u00e7a; indeniza\u00e7\u00f5es por acidente ou doen\u00e7as graves; aposentadorias decorrentes de doen\u00e7as graves ou acidente de trabalho; dividendos pagos por governos estrangeiros; pagamento de fundos estrangeiros; entidades estrangeiras que administram a previd\u00eancia; e, mais importante: rendimentos de t\u00edtulos isentos, como LCI, LCA, LCD, CRI, CRAS, FIIs, Fiagros, deb\u00eantures incentivadas e fundos de investimentos em infraestrutura. O que, obviamente, diminui o n\u00famero de contribuintes que poder\u00e3o ser enquadrados como de alta renda e que estariam sujeitos ao imposto m\u00ednimo (IRPFM).<br \/>    Tamb\u00e9m foi exclu\u00edda do somat\u00f3rio dos rendimentos que servir\u00e3o para enquadrar o contribuinte como de alta renda, a chamada \u201crenda isenta da atividade rural\u201d, que representa 80% da renda obtida pelo produtor rural. Incorporou-se, tamb\u00e9m, no relat\u00f3rio, uma medida para compensar perdas dos Estados e Munic\u00edpios decorrentes da isen\u00e7\u00e3o para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil, dos descontos para os que recebem entre R$ 5mil R$ 7.350, e da cobran\u00e7a do IRPF sobre a folha de pagamento de seus servidores, perdas estimadas em R$ 4,8 bilh\u00f5es. Essa compensa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ocorrer, primeiramente, com o aumento da transfer\u00eancia para o Fundo de Participa\u00e7\u00e3o dos Estados e Munic\u00edpios (FPEM); e, adicionalmente, com as compensa\u00e7\u00f5es do projeto (a maior cobran\u00e7a sobre os super-ricos), com transfer\u00eancias trimestrais para estados e munic\u00edpios.<br \/>O projeto traz, assim, como principal novidade, a tributa\u00e7\u00e3o sobre lucros e dividendos, que hoje s\u00e3o isentos no pa\u00eds, para o grupo considerado como de alta renda no pa\u00eds, ou para os 141 mil contribuintes nas contas do governo, pagar um pouco mais deste imposto, j\u00e1 que as demais aplica\u00e7\u00f5es financeiras continuam isentas e nem entram na base de c\u00e1lculo do IRPFM. Algumas regras, no entanto, dever\u00e3o ser observadas para essa cobran\u00e7a.<br \/>    Quando o pagamento de lucros e dividendos exceder o montante de R$ 50 mil por empresa no m\u00eas haver\u00e1 uma cobran\u00e7a do IRPF \u00e0 uma al\u00edquota fixa de 10% como antecipa\u00e7\u00e3o deste pagamento, tanto para residentes como para n\u00e3o residentes no pa\u00eds. A medida valer\u00e1, no entanto, somente a partir de 2026, isentando-se os dividendos em 2025, mesmo que distribu\u00eddos nos anos seguintes, at\u00e9 2028.<br \/>    Os valores dos lucros e dividendos dever\u00e3o ser somados \u00e0 renda do contribuinte para efeito do c\u00e1lculo do IRPFM, mas no caso da reten\u00e7\u00e3o, caso ele seja enquadrado como de alta renda no ajuste da declara\u00e7\u00e3o anual do IR, no ano seguinte, esses valores ser\u00e3o descontados, o mesmo ocorrendo caso seja enquadrado como tal, mas tenha recolhido o imposto maior que o estipulado para a sua faixa de renda. Tamb\u00e9m ser\u00e1 devolvido no caso de a empresa que distribuiu o dividendo ter recolhido o Imposto de Renda sem abatimentos, ou seja, na al\u00edquota nominal de 34% (para a maioria dos setores), 40% (para as seguradoras), e 45% (para as institui\u00e7\u00f5es financeiras). As exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o para as universidades que oferecem bolsas do Prouni, que poder\u00e3o somar o que gastam com bolsas para calcular sua al\u00edquota efetiva.<br \/>    Uma medida, no entanto, extremamente relevante para barrar as investidas do governo por maior arrecada\u00e7\u00e3o, que prejudica principalmente a classe m\u00e9dia e as classes de renda inferior, foi jogada para a frente, com a responsabilidade de sua ado\u00e7\u00e3o transferida para o Executivo: inclu\u00edda no relat\u00f3rio, a previs\u00e3o de que, no prazo de um ano, o Executivo envie ao Congresso Nacional um projeto de lei para atualizar monetariamente a tabela do Imposto de Renda, para o que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia de que isso venha a ocorrer. Com isso, deixou-se de eliminar a principal distor\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, iniciada com o ent\u00e3o ministro da Economia, Delfim Netto, de aumentar a tributa\u00e7\u00e3o, prejudicando principalmente as menores rendas, sem ter de modificar a legisla\u00e7\u00e3o, o que estaria na raiz das distor\u00e7\u00f5es que se procurou corrigir com o aumento das isen\u00e7\u00f5es e da redu\u00e7\u00e3o parcial deste imposto no projeto.<br \/>    Aprovado o projeto, o mesmo foi encaminhado para delibera\u00e7\u00e3o do Senado Federal, tendo o seu presidente, Davi Alcolumbre, indicado novamente como relator, o senador Renan Calheiros, cujo substitutivo alternativo ao da C\u00e2mara, havia sido aprovado nessa Casa.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3.4. As mudan\u00e7as do PL 1.087\/25 no Senado Federal<\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Como esperado, no Senado Federal, que teve novamente como relator o senador Renan Calheiros, advers\u00e1rio pol\u00edtico de Arthur Lira no estado de Alagoas, o projeto correu o risco de ser novamente modificado e, com isso, atrasar sua aprova\u00e7\u00e3o final, j\u00e1 que poderia retornar \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados. Visando garantir seu protagonismo na aprova\u00e7\u00e3o de seu substitutivo, Calheiros chegou a sugerir que, apesar das mudan\u00e7as que nele faria, trabalharia para impedir, de acordo com determinadas regras legais, que retornasse \u00e0quela C\u00e2mara e que estaria pronto, dessa forma, para ser encaminhado para san\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica.<br \/>    Calheiros usou como argumento principal para justificar as modifica\u00e7\u00f5es que pretendia fazer o fato de que as mudan\u00e7as introduzidas por Arthur Lira no projeto comprometeram o seu objetivo que era o de garantir a sua neutralidade do ponto de vista fiscal, ou seja, de que as perdas de receitas resultantes da isen\u00e7\u00e3o do IRPF para os que recebem at\u00e9 R$ 5 mil e de sua redu\u00e7\u00e3o para os que recebem acima de R$ 5 mil at\u00e9 R$ 7.350, seriam compensadas com o aumento deste imposto para os mais ricos. As modifica\u00e7\u00f5es realizadas por Lira teriam, assim, desviado essa equa\u00e7\u00e3o deste objetivo, necessitando que a mesma fosse restaurada.<br \/>    Estimativa preliminar da Consultoria de Or\u00e7amento do Senado Federal (Conorf) havia conclu\u00eddo que, em virtude das altera\u00e7\u00f5es feitas na C\u00e2mara, o projeto geraria, ao longo de tr\u00eas anos, um d\u00e9ficit de R$ 16,2 bilh\u00f5es, n\u00famero que posteriormente foi reduzido para R$ 12,3 bilh\u00f5es depois de uma reuni\u00e3o realizada com integrantes da equipe econ\u00f4mica. Tal resultado teria resultado das altera\u00e7\u00f5es feitas ao aumentar o limite de redu\u00e7\u00e3o para R$ 7.350 e isentar os lucros e dividendos pagos ou decididos em 2025, o que geraria um d\u00e9ficit de R$ 4,45 bilh\u00f5es em 2026, R$ 3,95 bilh\u00f5es em 2027 e R$ 4,82 em 2028. Visando impedir novas pol\u00eamicas e atrasos na sua aprova\u00e7\u00e3o no ano, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmaria que o projeto da C\u00e2mara \u201ccontinua neutro do ponto de vista fiscal\u201d, enquanto o deputado Arthur Lira reafirmaria, em sua disputa com Calheiros, que as mudan\u00e7as haviam sido pontuais, tendo sido endossadas pela equipe econ\u00f4mica, e que o princ\u00edpio da neutralidade teria sido totalmente respeitado.<br \/>    Calheiros, no entanto, terminou recuando de seu prop\u00f3sito inicial, provavelmente convencido pelo governo de ser necess\u00e1rio a aprova\u00e7\u00e3o do projeto ainda este ano e de que eventuais mudan\u00e7as exigiriam seu retorno \u00e0 C\u00e2mara e, consequentemente, a novos atrasos. No final, terminou endossando o texto de Arthur Lira, com mudan\u00e7as marginais que n\u00e3o exigiriam que fosse novamente submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o dessa Casa e, assim, pudesse ser remetido para san\u00e7\u00e3o do presidente da Rep\u00fablica.<br \/>    O texto foi aprovado na Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) do Senado, no dia 05 de novembro, de forma simb\u00f3lica e por unanimidade deste colegiado, sem manifesta\u00e7\u00e3o de voto contr\u00e1rio, tendo sido tamb\u00e9m aprovado requerimento de urg\u00eancia para sua vota\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio. Manteve-se, assim, a espinha dorsal do texto aprovado, com Calheiros rejeitando emendas que promoviam altera\u00e7\u00f5es de m\u00e9rito e\/ou que implicavam redu\u00e7\u00e3o da receita para evitar seu retorno \u00e0 C\u00e2mara.<br \/>Para justificar seu recuo em rela\u00e7\u00e3o aos pontos que criticara, Calheiros, contrariando sua inten\u00e7\u00e3o inicial, argumentou ter consultado o Minist\u00e9rio da Fazenda sobre a quest\u00e3o da neutralidade do projeto do ponto de vista fiscal, tendo seus t\u00e9cnicos garantido que a compensa\u00e7\u00e3o nele prevista era suficiente para cobrir a ren\u00fancia projetada.<br \/>De qualquer forma, para evitar a ocorr\u00eancia dessa equa\u00e7\u00e3o que considerava desequilibrada, acrescentou ao projeto, \u00e0 parte, o Projeto de Lei (PL) 5.473\/25, que tem, por objetivo, dobrar a taxa\u00e7\u00e3o sobre as bets (loterias esportivas) de 12% para 24% e elevar a al\u00edquota da Contribui\u00e7\u00e3o Social sobre o Lucro L\u00edquido (CSLL) sobre institui\u00e7\u00f5es de pagamento, o que inclui as fintechs deste tipo, destinando parte da arrecada\u00e7\u00e3o das bets a Estados e munic\u00edpios que tiverem perda de arrecada\u00e7\u00e3o com a isen\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas (IRPF). Com esse PL, que ainda seria apreciado no Senado, evitando, portanto, contaminar o projeto do imposto de renda (IRPF), procurou dar respostas para duas de suas cr\u00edticas ao projeto de Arthur Lira: a n\u00e3o neutralidade da ren\u00fancia fiscal vis-\u00e0-vis o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o dos mais ricos e \u00e0 falta de defini\u00e7\u00e3o de onde viriam os recursos para compensar os Estados e munic\u00edpios de eventuais perdas.<br \/>    Calheiros rejeitou, tamb\u00e9m, as emendas que pediam que a tabela progressiva do IRPF fosse atualizada anualmente pelo IPCA ou por outros \u00edndices oficiais de infla\u00e7\u00e3o por temer seu retorno \u00e0 C\u00e2mara. Com isso, assim como aconteceu no texto de Lira, atribuiu ao Executivo a responsabilidade de enviar ao Congresso Nacional, no prazo de um ano, um projeto de lei prevendo uma pol\u00edtica nacional de atualiza\u00e7\u00e3o dos valores da tabela do IRPF, mas sem definir estes crit\u00e9rios, ou seja, se essa atualiza\u00e7\u00e3o seria de toda a tabela ou somente dos valores centrais para o projeto aprovado \u2013 das faixas de isen\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o do imposto e das faixas de tributa\u00e7\u00e3o da alta renda -, deixando essa defini\u00e7\u00e3o a cargo do governo federal.<br \/>Isso significa que o mecanismo que provocou grandes distor\u00e7\u00f5es na incid\u00eancia deste imposto, principalmente sobre as camadas de mais baixa renda, passou a depender, exclusivamente, do Poder Executivo e de sua disposi\u00e7\u00e3o de dele abrir m\u00e3o, o qual lhe permite expandir a receita sem alterar a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, o que \u00e9 sempre uma tenta\u00e7\u00e3o para o governo, especialmente em per\u00edodos de crise fiscal mais aguda e\/ou da necessidade de contar com maiores recursos para implementar seus projetos.<br \/>    Submetido \u00e0 aprecia\u00e7\u00e3o do plen\u00e1rio no mesmo dia 05 de novembro, o texto foi aprovado em vota\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica por unanimidade nessa Casa, seguindo para san\u00e7\u00e3o do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que, no dia 26 de novembro de 2025, promulgou-o na forma da Lei 15.270.<sup data-fn=\"1c0e2c0c-48fb-4fcd-bed0-f21c9c3d4147\" class=\"fn\"><a href=\"#1c0e2c0c-48fb-4fcd-bed0-f21c9c3d4147\" id=\"1c0e2c0c-48fb-4fcd-bed0-f21c9c3d4147-link\">9<\/a><\/sup> Com ele, pode-se dizer que o governo deu um primeiro passo, mesmo que t\u00edmido, para avan\u00e7ar na tributa\u00e7\u00e3o dos mais ricos e reduzir a carga tribut\u00e1ria sobre os mais pobres, contribuindo para tornar-se um pouco menos perversa as desigualdades de renda no pa\u00eds. Este pode ser visto, no entanto, apenas como um primeiro passo, uma chegada \u00e0 soleira do para\u00edso fiscal que desfruta a popula\u00e7\u00e3o mais rica no Brasil, um dos campe\u00f5es mundiais em termos de desigualdade. Uma caminhada que, se n\u00e3o for interrompida ou ter sua trajet\u00f3ria alterada, representa apenas o in\u00edcio de uma longa jornada nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-c85f6511 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00f5es<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">    Quando Lula fez a promessa em 2022 de que, se vencedor nas elei\u00e7\u00f5es deste ano, isentaria os trabalhadores que ganham at\u00e9 R$ 5 mil, o sal\u00e1rio m\u00ednimo (SM) era de R$ 1.212,00, o que, em rela\u00e7\u00e3o ao limite de isen\u00e7\u00e3o prometido representava 4,12 SM. Em 2026, quando entrar\u00e1 em vigor o PL 1.087\/25, o sal\u00e1rio m\u00ednimo projetado pelo governo no or\u00e7amento dever\u00e1 ser de R$ 1.631,00, que corresponde ao limite de isen\u00e7\u00e3o aprovado de 3,06 SM. Isso representa uma perda apreci\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca da promessa que fez. Mesmo assim, n\u00e3o deixa de ser uma medida relevante por diminuir a carga tribut\u00e1ria sobre os rendimentos mais baixos, algo in\u00e9dito na hist\u00f3ria da tributa\u00e7\u00e3o no Brasil.<br \/>A op\u00e7\u00e3o pelo desconto dado aos rendimentos acima de R$ 5 mil e at\u00e9 R$ 7.350, tamb\u00e9m beneficia uma parte dos que se classificam como classe m\u00e9dia de renda, mas a manuten\u00e7\u00e3o das mesmas regras vigentes para os que ganham acima de R$ 7.350, exclui deste benef\u00edcio uma parte significativa dessa mesma classe m\u00e9dia, a que mais tem arcado com o \u00f4nus deste imposto.<br \/>    No caso do aumento da tributa\u00e7\u00e3o sobre os mais ricos para compensar a ren\u00fancia fiscal decorrente dessa isen\u00e7\u00e3o\/redu\u00e7\u00e3o do imposto para as rendas mais baixas, o governo restringiu seu alvo aos rendimentos provenientes dos lucros e dividendos, tidos como um dos principais fatores da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus deste imposto para os contribuintes que os recolhem. Isso, no entanto, apesar de representar um avan\u00e7o na taxa\u00e7\u00e3o deste grupo, ainda \u00e9 muito pouco para imprimir maior progressividade ao sistema e diminuir as desigualdades de renda no Brasil.<br \/>    Como as demais aplica\u00e7\u00f5es financeiras permanecem isentas de sua cobran\u00e7a ou continuam subtaxadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s al\u00edquotas progressivas deste imposto, o impacto sobre essa estrutura de distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 pequeno, como atestam as proje\u00e7\u00f5es feitas pelo pr\u00f3prio Minist\u00e9rio da Fazenda. Resist\u00eancias dos setores atingidos com essa taxa\u00e7\u00e3o, que encontraram forte apoio entre os parlamentares, se tornaram evidentes, seja no caso do imposto de renda ou do imposto sobre opera\u00e7\u00f5es financeiras (IOF), projeto que terminou sendo derrubado na C\u00e2mara dos Deputados, com o qual o governo procurou, nessa \u00e9poca, aumentar sua receita para garantir o atingimento das metas do arcabou\u00e7o fiscal.<br \/>    Mesmo reconhecendo a import\u00e2ncia deste primeiro passo para tornar a tributa\u00e7\u00e3o sobre a renda um pouco menos desequilibrada em termos da distribui\u00e7\u00e3o de seu \u00f4nus entre os contribuintes que recolhem este imposto, o projeto deixou uma janela aberta que pode conduzir a retrocessos na melhoria ocorrida: a transfer\u00eancia da responsabilidade para o Poder Executivo de encaminhar ao Congresso Nacional, no prazo de um ano, um projeto de lei estabelecendo uma pol\u00edtica de atualiza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, com base em \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o, da tabela do imposto de renda. Caso isso n\u00e3o ocorra, em pouco tempo os ganhos obtidos pelos contribuintes de mais baixa renda se perder\u00e3o e o sistema tender\u00e1 a retornar aos n\u00edveis anteriores de regressividade. Este ser\u00e1 o teste decisivo para o governo demonstrar suas boas inten\u00e7\u00f5es em tornar o sistema tribut\u00e1rio brasileiro um pouco menos injusto socialmente.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-8ce22b42 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\"><ol class=\"wp-block-footnotes\"><li id=\"b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427\">O autor agradece a Francisco Luiz C. Lopreato e a Paulo Gil H\u00f6ck Intro\u00edni pela leitura acurada de uma vers\u00e3o preliminar do texto e pelas valiosas sugest\u00f5es feitas para sua melhoria. <a href=\"#b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 1 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"e5388066-bba7-490f-a2a7-5e09ce0bf210\">Publicado em <em>Cadernos da Escola do Legislativo<\/em>. Belo Horizonte: Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, vol. 38, n. 48, j\u00e1\/dez. 2026, p. 1-31. <a href=\"#e5388066-bba7-490f-a2a7-5e09ce0bf210-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 2 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"77aeef00-1736-44ea-b110-35a8082ba8a3\">Doutor em economia pela Unicamp e professor da Escola do Legislativo do Estado de Minas Gerais. <a href=\"#77aeef00-1736-44ea-b110-35a8082ba8a3-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 3 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"7e9ccd00-461a-4599-ad97-ff1f6384d5fb\">Uma an\u00e1lise da origem e das causas dessa m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o do \u00f4nus tribut\u00e1rio entre as classes sociais no Brasil se encontra em Oliveira, Fabr\u00edcio Augusto. <em>Uma pequena hist\u00f3ria da tributa\u00e7\u00e3o e do federalismo fiscal no Brasil<\/em>: a necessidade de uma reforma justa e solid\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: Editora Contracorrente, 2020.\u00a0 <a href=\"#7e9ccd00-461a-4599-ad97-ff1f6384d5fb-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 4 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"229aed09-43f0-4712-8c14-43cb9920f802\">\u00a0Brasil. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\/Casa Civil\/Secretaria Especial para Assuntos Jur\u00eddicos. Projeto de Lei 1.087, de 2025. Altera a legisla\u00e7\u00e3o do imposto sobre a renda para instituir a redu\u00e7\u00e3o do imposto devido nas bases do c\u00e1lculo mensal e anual e a tributa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para as pessoas f\u00edsicas que auferem altas rendas. Bras\u00edlia, 18 de mar\u00e7o de 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.camara.leg.br\">www.camara.leg.br<\/a>. Acesso em 15\/06\/2025. <a href=\"#229aed09-43f0-4712-8c14-43cb9920f802-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 5 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"829a26ae-6849-4ccc-bbfb-7fabbf484b4d\">Para uma an\u00e1lise deste mais aprofundada deste princ\u00edpio, consultar: Oliveira, Fabr\u00edcio Augusto. Economia e Pol\u00edtica das Finan\u00e7as P\u00fablicas no Brasil. S\u00e3o Paulo: Editora Hucitec, 2012. <a href=\"#829a26ae-6849-4ccc-bbfb-7fabbf484b4d-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 6 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"31436028-4cdf-492e-938e-3aec3f8f4b13\">Assim como o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan (1981-1989) e Donald Trump (2017-2020; 2025-), para ficar com dois exemplos mais not\u00f3rios, Everardo Maciel foi, durante a sua gest\u00e3o \u00e0 frente da Receita Federal, maravilhado com as tend\u00eancias internacionais, \u00e0 \u00e9poca, de aliviar a tributa\u00e7\u00e3o sobre as empresas e os mais endinheirados, um verdadeiro Midas para os ricos: quase todas as medidas que adotava aumentavam seus ganhos e sua riqueza. <a href=\"#31436028-4cdf-492e-938e-3aec3f8f4b13-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 7 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"6da86a8b-0ce0-42e4-801c-4f2029cafd58\">Precisando desesperadamente de contar com receitas adicionais para equilibrar minimamente as contas p\u00fablicas em 2026, o governo, sem contar com a op\u00e7\u00e3o da tributa\u00e7\u00e3o indireta, por causa de entrada em vigor da EC 132\/23, procurou, por meio de um projeto alternativo \u00e0 taxa\u00e7\u00e3o do IOF que, encaminhado ao Congresso, n\u00e3o agradou \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados, avan\u00e7ar na tributa\u00e7\u00e3o dos Juros sobre o Capital Pr\u00f3prio (JCP), aumentando a sua al\u00edquota de 15% para 20% na Medida Provis\u00f3ria 1.303\/25. Apesar de ter concordado com a sua redu\u00e7\u00e3o para 18%, essa MP tamb\u00e9m terminou sendo enterrada nessa Casa no dia 08 de outubro de 2025, frustrando o objetivo do governo de aumento da arrecada\u00e7\u00e3o. Nas negocia\u00e7\u00f5es que se seguiram at\u00e9 o final do ano entre o Executivo e o Legislativo, o Senado terminou por aprovar, no dia 17 de dezembro, o PLP 128\/25, depois deste ter recebido a aprova\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara no mesmo dia, com o qual buscava-se reduzir em 10% os benef\u00edcios fiscais destinados pelo governo \u00e0s atividades econ\u00f4micas, al\u00e9m de aumentar a tributa\u00e7\u00e3o sobre as Bets (apostas esportivas), as Fintechs e sobre os Juros sobre o Capital Pr\u00f3prio (JCP) de 15% para 17,5% a partir de 2026. <a href=\"#6da86a8b-0ce0-42e4-801c-4f2029cafd58-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 8 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><li id=\"1c0e2c0c-48fb-4fcd-bed0-f21c9c3d4147\">BRASIL. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025 \u2013 Altera a Lei 9.250, de 25 de dezembro de 1995, e a Lei 9.249, de 28 de dezembro de 1995, para instituir a redu\u00e7\u00e3o do imposto sobrea a renda devido nas bases de c\u00e1lculo mensal e anual e a tributa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para as pessoas f\u00edsicas que auferem altas rendas e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Bras\u00edlia, 27, de novembro de 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.legisweb.com.br\">www.legisweb.com.br<\/a>. Acesso: 27\/11\/2025. <a href=\"#1c0e2c0c-48fb-4fcd-bed0-f21c9c3d4147-link\" aria-label=\"Ir para a refer\u00eancia 9 na nota de rodap\u00e9\">\u21a9\ufe0e<\/a><\/li><\/ol><\/div><\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-a08f1363 alignfull uagb-is-root-container\"><div class=\"uagb-container-inner-blocks-wrap\">\n<div class=\"wp-block-uagb-container uagb-block-1ace1059\">\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Bibliografia<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRASIL. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica\/Casa Civil\/Secretaria Especial para Assuntos Jur\u00eddicos. Projeto de Lei 1.087, de 2025. Altera a legisla\u00e7\u00e3o do imposto sobre a renda para instituir a redu\u00e7\u00e3o do imposto devido nas bases do c\u00e1lculo mensal e anual e a tributa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para as pessoas f\u00edsicas que auferem altas rendas. Bras\u00edlia, 18 de mar\u00e7o de 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.camara.leg.br\">www.camara.leg.br<\/a>. Acesso em 15\/06\/2025.<br \/><br \/>BRASIL. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025 \u2013 Altera a Lei 9.250, de 25 de dezembro de 1995, e a Lei 9.249, de 28 de dezembro de 1995, para instituir a redu\u00e7\u00e3o do imposto sobrea a renda devido nas bases de c\u00e1lculo mensal e anual e a tributa\u00e7\u00e3o m\u00ednima para as pessoas f\u00edsicas que auferem altas rendas e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Bras\u00edlia, 27, de novembro de 2025. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.legisweb.com.br\">www.legisweb.com.br<\/a>. Acesso, 27\/11\/2025.<br \/><br \/>HICKMANN, Clair Maria; INTRO\u00cdNI, Paulo Gil H\u00f6lck; MANTOVANI, Carlos Eduardo Liberati. <em>Imposto: falta uma reforma tribut\u00e1ria real<\/em>. Outraspalavras. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/hickmannintrinicarlos\">https:\/\/outraspalavras.net\/author\/hickmannintrinicarlos<\/a>. Acesso: 18\/12\/2025.<br \/><br \/>INTRO\u00cdNI, Paulo Gil H\u00f6lck; \u00c1VILA, R\u00f3ber Iturriet. <em>Quanto os milion\u00e1rios pagam de IRPF no Brasil<\/em>. jornal GGN. Dispon\u00edvel em: htpps:\/\/jornalggn.com.br\/economia\/quanto-os-milionarios-pagam-de-irpf-por-iturriet-introini\/.\u00a0 Acesso: 18\/12\/2025.<br \/><br \/>OLIVEIRA, Fabr\u00edcio Augusto. <em>Economia e Pol\u00edtica das Finan\u00e7as P\u00fablicas no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Editora Hucitec, 2012.<br \/><br \/>OLIVEIRA, Fabr\u00edcio Augusto. <em>Uma pequena hist\u00f3ria da tributa\u00e7\u00e3o e do federalismo fiscal no Brasil<\/em>: a necessidade de uma reforma justa e solid\u00e1ria. S\u00e3o Paulo: Editora Contracorrente, 2020.\u00a0<br \/><br \/>SECRETARIA DE POL\u00cdTICA ECON\u00d4MICA\/MINIST\u00c9RIO DO DA FAZENDA<em>. impactos da Reforma do Imposto de Renda das Pessoas F\u00edsicas propostas no PL 1.087\/2025, na progressividade e na desigualdade<\/em>. Bras\u00edlia: SPE\/MF, junho de 2025.<br \/><br \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma do imposto de renda das pessoas f\u00edsicas (IRPF): m\u00e3os camaradas na taxa\u00e7\u00e3o dos ricos Fabr\u00edcio Augusto de Oliveira [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":487,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"disabled","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":"[{\"id\":\"b772815c-1e97-4d53-827c-3832e44e6427\",\"content\":\"O autor agradece a Francisco Luiz C. 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