{"id":575,"date":"2020-04-15T20:20:22","date_gmt":"2020-04-15T23:20:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=575"},"modified":"2025-10-13T13:16:15","modified_gmt":"2025-10-13T16:16:15","slug":"a-economia-real-e-o-mercado-de-capitais-diante-da-pandemia-de-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/a-economia-real-e-o-mercado-de-capitais-diante-da-pandemia-de-covid-19\/","title":{"rendered":"A ECONOMIA REAL E O MERCADO DE CAPITAIS DIANTE DA PANDEMIA DE COVID-19"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-498\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/04\/nota.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"146\" \/><\/p>\n<h5><strong>Vin\u00edcius Vieira Pereira<br \/>\nProf. Departamento de Economia da UFES<br \/>\nTutor do programa Pet Economia\/UFES<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em meio \u00e0 crise causada pela COVID-19 no mundo, as duas primeiras semanas de abril foram marcadas, no Brasil, por uma onda de otimismo. N\u00e3o um otimismo pautado no aumento da capacidade dos sistemas de sa\u00fade p\u00fablico e privado do pa\u00eds, o que ajudaria sobremaneira a enfrentar a escalada do v\u00edrus e iniciar um processo de recupera\u00e7\u00e3o da economia, mas sim, baseado em supostos sinais positivos que estariam chegando do mercado de capitais.\u00a0 Apesar de, no Brasil, a grande onda da pandemia estar apenas no est\u00e1gio inicial de sua forma\u00e7\u00e3o, as not\u00edcias sobre a redu\u00e7\u00e3o do ritmo de cont\u00e1gio do novo coronav\u00edrus em outras regi\u00f5es do planeta pareciam ter sido suficientes, de acordo com a m\u00eddia especializada, para desencadear um sentimento de euforia no mercado de capitais do Brasil, o qual, supostamente, estaria apenas antecipando o in\u00edcio de uma rea\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Especialistas em mercado financeiro se manifestavam afirmando que \u201cos sinais de desacelera\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a nos pa\u00edses mais afetados da Europa, como It\u00e1lia, Espanha e Fran\u00e7a, contribu\u00edram para o bom humor e o apetite por risco nesta segunda-feira (6\/4) no pa\u00eds\u201d. Aliado a isso, a perman\u00eancia do ministro da sa\u00fade, t\u00e3o polemizada no jogo pol\u00edtico nas \u00faltimas semanas, era um componente a mais que contribu\u00eda para \u201celevar o n\u00edvel de confian\u00e7a do mercado no Brasil\u201d<strong>[1]<\/strong> <\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O sinal verde parecia, ent\u00e3o, aceso para a compra de t\u00edtulos, afinal, se os pre\u00e7os desses pap\u00e9is chegavam a n\u00edveis muito baixos quando comparados ao pre\u00e7o m\u00e9dio em tempos de normalidade, nada mais racional do que apostar em ganhos estratosf\u00e9ricos quando a subida recome\u00e7asse. Do fundo do po\u00e7o n\u00e3o h\u00e1 de passar! Ainda que, para alguns, o po\u00e7o possa ser mais fundo e, nesse caso, poderia ser interessante esperar um pouco mais pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">timing<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e conseguir pre\u00e7os de compra ainda mais vantajosos<strong>[2].<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">As not\u00edcias que dominaram os cadernos de economia enfatizavam a recupera\u00e7\u00e3o do Ibovespa, o \u00edndice da principal bolsa de valores do Brasil, a de S\u00e3o Paulo, em virtude da posi\u00e7\u00e3o comprada dos investidores brasileiros, concomitante \u00e0 zeragem dos pap\u00e9is vendidos. A euforia parecia bater \u00e0 porta, pois, os investidores que estavam em d\u00favida, pararam de vender seus pap\u00e9is, dados os pre\u00e7os em baixa, e come\u00e7aram a ingressar nas compras. Ao mesmo tempo, os que j\u00e1 estavam comprando, passaram a comprar mais. \u201cBasta, agora, o Ibovespa, ap\u00f3s ter superado os 72 mil pontos, atingir os 79 mil pontos, e o mercado brasileiro ter\u00e1 chegado ao ponto de virada\u201d, resumia um animado analista gr\u00e1fico<strong>[3]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas, no mundo real, a ordem era ainda de cautela e apreens\u00e3o frente ao alarmante n\u00famero de mortos e infectados em todo o planeta, afinal, no dia 12 de abril, o Reino Unido batia um triste recorde de 10 mil mortos e ultrapassava a China em n\u00famero de infectados, ao mesmo tempo em que a Espanha, ap\u00f3s um breve suspiro de al\u00edvio, voltava a assistir uma eleva\u00e7\u00e3o na quantidade de v\u00edtimas fatais da doen\u00e7a e os EUA come\u00e7avam a enterrar muitos de seus mortos em valas comunit\u00e1rias<strong>[4]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A comunidade cient\u00edfica e a maioria esmagadora das autoridades governamentais mundo afora recomendavam aten\u00e7\u00e3o redobrada com a sa\u00fade, temendo o relaxamento das medidas de isolamento social e o risco do v\u00edrus mortal recobrar for\u00e7a e apetite. Al\u00e9m disso, as previs\u00f5es para a economia global estavam bastante pessimistas, como a do secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico \u2013 OCDE, o mexicano \u00c1ngel Gurr\u00eda, o qual apostava numa recess\u00e3o que levaria anos at\u00e9 iniciar uma poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o<strong>[5].<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Frente a dois cen\u00e1rios t\u00e3o contradit\u00f3rios, o da vida real e o do mercado financeiro, questiona-se qual a rela\u00e7\u00e3o existente entre eles, uma vez que a imprensa insiste numa conex\u00e3o l\u00f3gica entre ambos em meio a essa vis\u00edvel dicotomia. Por que o mundo real parece se comportar de uma forma enquanto o mercado de capitais, de outra, apesar da m\u00eddia especializada insistir em atrelar os movimentos do \u00faltimo aos acontecimentos que afetam o primeiro? Ora, se a expectativa \u00e9 de crise econ\u00f4mica por conta dos estragos que a pandemia vem causando nos n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o e emprego nas principais economias globais, quais s\u00e3o os crit\u00e9rios sobre os quais se baseiam as decis\u00f5es daqueles que atuam no mercado de ativos e derivativos e o que explica tanta euforia em um momento t\u00e3o cr\u00edtico como este?\u00a0 Qual a rela\u00e7\u00e3o entre essa duas esferas da acumula\u00e7\u00e3o da riqueza, ou seja, qual a real import\u00e2ncia dos acontecimentos na economia produtiva para a valoriza\u00e7\u00e3o de ativos financeiros?\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Afirmamos, de antem\u00e3o, que previs\u00f5es de ganhos no mercado financeiro n\u00e3o dependem da expectativa de crescimento da economia real, pelo menos, n\u00e3o necessariamente. \u201cA esfera financeira \u00e9 relativamente dissociada da esfera da produ\u00e7\u00e3o\u201d<strong>[6]<\/strong> <\/span><span style=\"font-weight: 400\">, e, pode-se afirmar que a tend\u00eancia de afastamento entre esses dois mundos tem progredido no capitalismo contempor\u00e2neo. Certamente que momentos de crescimento sustentado da economia real podem corresponder a ganhos na arena da especula\u00e7\u00e3o financeira, mas a primeira n\u00e3o \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a segunda. E o contr\u00e1rio, tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro, ou seja, momentos de crise na produ\u00e7\u00e3o e na circula\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os podem corresponder a movimentos de alta no mercado de pap\u00e9is, especialmente, no que diz respeito aos instrumentos financeiros derivativos, os quais, no capitalismo contempor\u00e2neo, t\u00eam assumido protagonismo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Fran\u00e7ois Chesnais<strong>[7]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, que dedicou grande parte de suas pesquisas para entender o processo hist\u00f3rico de financeiriza\u00e7\u00e3o do capitalismo mundial e seus impactos sobre a sociedade contempor\u00e2nea, a l\u00f3gica da valoriza\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o \u00e9 a da cria\u00e7\u00e3o de riqueza real, entendendo como riqueza real aquela que \u00e9 respons\u00e1vel pelos aumentos da capacidade de produ\u00e7\u00e3o e de gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda.\u00a0 A din\u00e2mica financeira, a partir dos anos 1980, dadas as transforma\u00e7\u00f5es sofridas frente ao processo de liberaliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o financeiras mundiais, mecanismo fundamental para o avan\u00e7o da pol\u00edtica e da ideologia neoliberais, passou a se impor ao mercado e n\u00e3o vice-versa. \u00c9 o mesmo que dizer que a economia real \u00e9 que segue os ditames da din\u00e2mica financeira e n\u00e3o o contr\u00e1rio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Desse modo, os acionistas, a governan\u00e7a coorporativa de modo geral, os bancos e financeiras, os fundos de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">hedge <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e de pens\u00e3o<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> a partir de transforma\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, quase jur\u00eddicas e regulat\u00f3rias garantidas pelos governos liberais em todo o mundo nas \u00faltimas quatro ou cinco d\u00e9cadas, passaram a exercer a domin\u00e2ncia sobre os empres\u00e1rios industriais, transformando-os em pessoas cujo c\u00f3digo de conduta, a partir da\u00ed, come\u00e7ou a se basear n\u00e3o apenas em expectativas de lucros originadas em suas decis\u00f5es de investimento produtivo, mas na cria\u00e7\u00e3o de departamentos de portf\u00f3lio imbu\u00eddos da tarefa de converter, parte dos lucros reais de outrora, em ganhos financeiros ou burs\u00e1teis<strong>[8]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Portanto, ganhos pecuni\u00e1rios oriundos de aplica\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o perfeitamente compat\u00edveis com momentos de crise, como o que vivemos atualmente, frente ao agravamento da pandemia e ao aumento no n\u00famero de infectados e mortos pela COVID-19. Assim como tamb\u00e9m podem ocorrer em momentos de euforia em virtude de uma vit\u00f3ria sobre a gripe mortal, ainda que n\u00e3o signifique retomada da economia. \u00c9 preciso desconstruir falsas rela\u00e7\u00f5es predeterminadas de causa e efeito, que a imprensa liberal insiste em difundir, como as que buscam explicar os rumos da economia real com base na racionalidade do mercado de capitais. Tratam a raz\u00e3o e os instintos que movem os <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">players<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do mercado financeiro como se eles emitissem sinais coerentes sobre o futuro pr\u00f3ximo da economia, ou como frutos de uma resposta l\u00f3gica aos fatos cotidianos que afetam a esfera material e movem a din\u00e2mica social. Insistem em vender a ideia de que o mercado de t\u00edtulos, a\u00e7\u00f5es e portf\u00f3lios financeiros s\u00e3o como guias que percebem e antecipam, antes das vari\u00e1veis reais, o caminho da retomada do crescimento da produ\u00e7\u00e3o e da riqueza real. E isso \u00e9 falso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0H\u00e1, de fato, um mercado prim\u00e1rio, onde as empresas se capitalizam, por meio da emiss\u00e3o de suas a\u00e7\u00f5es, para levar adiante projetos reais de investimentos ou para gerar fluxo de caixa. \u00c9 nesse mercado prim\u00e1rio que as companhias de capital aberto lan\u00e7am pequenas fra\u00e7\u00f5es patrimoniais representadas pelas suas a\u00e7\u00f5es e os governos financiam suas d\u00edvidas p\u00fablicas. \u00c9 nesse mercado, alternativo ao dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios, que as companhias conseguem recursos junto aos seus acionistas e os governantes levantam financiamento para as despesas p\u00fablicas, pagando, em troca, uma renda. Esse mercado, em geral, costuma reagir conforme o aquecimento ou desaquecimento da economia, afinal, nenhum capitalista sair\u00e1 em busca de fundos para produzir aquilo que ele sabe que n\u00e3o conseguir\u00e1 vender, assim j\u00e1 percebia Keynes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas, quando um indiv\u00edduo toma uma posi\u00e7\u00e3o no mercado secund\u00e1rio, local onde a compra e venda de t\u00edtulos p\u00fablicos e a\u00e7\u00f5es privadas ocorrem totalmente alheias \u00e0s suas fontes prim\u00e1rias, as empresas e os governos, tal a\u00e7\u00e3o pode estar destitu\u00edda de qualquer liga\u00e7\u00e3o com o que acontece no mundo real. Assim, um comportamento de risco, assumido por algum \u201cjogador\u201d nesse mercado, pode estar completamente dissociado da escalada do Coronav\u00edrus, do n\u00famero de mortos e infectados, da fal\u00eancia dos sistemas de sa\u00fade p\u00fablica em grande parte do mundo, da expans\u00e3o da pandemia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nos mercados secund\u00e1rios e de derivativos, a raz\u00e3o que move os indiv\u00edduos n\u00e3o necessita estar baseada na retomada do crescimento econ\u00f4mico ou da lucratividade das empresas, podendo, ao contr\u00e1rio, estar apostando na fal\u00eancia de uma parte destas e na continuidade da crise.\u00a0 N\u00e3o reflete qualquer pretenso equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas e pode, ao contr\u00e1rio, beneficiar-se de crescentes <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">d\u00e9ficits<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Prescinde da retomada dos empregos e do aumento do PIB. Sua l\u00f3gica est\u00e1 baseada, simplesmente, numa aposta feita por especuladores quanto ao comportamento do mercado, ou seja, de uma compara\u00e7\u00e3o entre os pre\u00e7os presente e futuro de um t\u00edtulo. Pode, at\u00e9 mesmo, basear-se apenas em apostas feitas sobre o comportamento de taxas de varia\u00e7\u00f5es futuras, seja a dos juros internos ou externos, do c\u00e2mbio, infla\u00e7\u00e3o ou desemprego. Pode, ainda que soe absurdo, estar pautada apenas na aposta de que a crise ser\u00e1 mais grave amanh\u00e3 do que j\u00e1 \u00e9 hoje. Acrescente a esse quadro o poder disseminador dos algoritmos, em um mundo financeiro que \u00e9, por excel\u00eancia, digital, em que posi\u00e7\u00f5es tomadas por grupos de especuladores<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">em<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">diferentes lugares do mundo resultam em efeitos de manada e veremos, ent\u00e3o, as conseq\u00fc\u00eancias que esse mercado burs\u00e1til \u00e9 capaz de desencadear na economia real, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Em tempos de tamanha incerteza, como o que vivemos agora, quanto \u00e0s vari\u00e1veis reais da economia no curto, m\u00e9dio e longo prazos, o momento, inclusive, pode ser excelente para alavancar a riqueza financeira, e a crise, ao que tudo indica, poder\u00e1 levar a ganhos extraordin\u00e1rios nesse mercado. Pelo menos essa \u00e9 a impress\u00e3o do Rei da Bolsa, apelido de Luiz Barsi, 80 anos, especulador que mant\u00e9m mais de R$ 2 bi aportados em a\u00e7\u00f5es na Bovespa. Frente ao surto do novo coronav\u00edrus pelo mundo, ele comemorava a queda nos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es que havia levado empresas brasileiras a amargarem um preju\u00edzo superior a R$ 290 bi no valor de mercado de seus pap\u00e9is.\u00a0 Diante desse cen\u00e1rio sombrio e desolador para o mundo real, Barsi \u201cesfregou as m\u00e3os e foi \u00e0s compras\u201d, afinal, para esse experiente e bilion\u00e1rio investidor em pap\u00e9is, o \u201cmercado de a\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 de risco, mas de oportunidades\u201d. Tratando essa crise como apenas \u201cmais uma das 1 milh\u00e3o e 100 mil crises\u201d que ele j\u00e1 enfrentou desde que comprou sua primeira a\u00e7\u00e3o, Barsi n\u00e3o se mostrava preocupado e, ao contr\u00e1rio, aproveitava o que chamava de excelente momento do mercado<strong>[9]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas, se \u00e9 necess\u00e1rio desconstruir a cren\u00e7a no casamento feliz entre essas duas esferas, produtiva e financeira, que a imprensa liberal insiste em nos fazer crer, \u00e9 igualmente importante entender o tipo de raz\u00e3o que move a especula\u00e7\u00e3o. Pois, toda estrat\u00e9gia especulativa, eliminando deste termo qualquer resqu\u00edcio de preconceito moral ou legal, assenta-se em um tipo de racionalidade, afinal, todo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">trader<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> busca maximizar seu potencial de lucro baseando-se na compra e venda de ativos financeiros, esteja o mercado subindo ou descendo. A\u00e7\u00f5es question\u00e1veis sob o ponto de vista l\u00f3gico, como as que levaram um gato dom\u00e9stico a derrotar gestores financeiros em uma competi\u00e7\u00e3o por rentabilidade de ativos<strong>[10]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, podem indicar a aleatoriedade que predomina no mercado financeiro secund\u00e1rio, mas n\u00e3o significa afirmar que as pessoas, neste mercado, n\u00e3o fa\u00e7am uso de um tipo espec\u00edfico de raz\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Tratando o conceito de raz\u00e3o simplesmente como a capacidade de pensar e elaborar, mentalmente, meios de se chegar a uma conclus\u00e3o sobre uma a\u00e7\u00e3o, na sociedade capitalista contempor\u00e2nea, nos ensina a teoria ortodoxa, prevalece, ent\u00e3o, o indiv\u00edduo racional, aquele que prefere mais a menos e, portanto, \u00e9 um maximizador de utilidade e felicidade. Indiv\u00edduo atomizado, um ser natural cuja a\u00e7\u00e3o isolada deve buscar sempre o que \u00e9 mais \u00fatil, ele deve ter seus impulsos baseados na maior vantagem que pode extrair ao fazer escolhas \u00f3timas diante de um rol de alternativas que est\u00e3o limitadas pela sua renda ou potencial de investimento. Pelo menos, assim afirmam os economistas ortodoxos<strong>[11]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Nesse ambiente de escolhas livres, o sucesso do agente maximizador de ganhos quando ele opera no mercado de ativos e derivativos n\u00e3o depender\u00e1 de uma melhora das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas ou da sa\u00fade p\u00fablica, mas, t\u00e3o somente, do momento, da rapidez e da manobra feita no mercado de capitais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Portanto, o que norteia as a\u00e7\u00f5es nos mercados financeiros mundo afora \u00e9 um tipo determinado de raz\u00e3o, uma racionalidade \u00fatil, instrumental ou pragm\u00e1tica, livre de qualquer criticismo<strong>[12]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Raz\u00e3o que deve, necessariamente, servir obviamente para uma finalidade \u00fatil e, por isso, deve tamb\u00e9m estruturar o pensamento com o prop\u00f3sito de fazer conex\u00f5es l\u00f3gicas que privilegiem t\u00e3o somente o n\u00edvel de utilidade da a\u00e7\u00e3o, para que, ao final, o resultado seja o de colocar o indiv\u00edduo em uma posi\u00e7\u00e3o melhor do que a que se encontrava antes e em vantagem frente aos demais concorrentes. Por isso, uma raz\u00e3o subjetiva, pois servem ao interesse do sujeito quanto \u00e0 auto-preserva\u00e7\u00e3o. O mundo objetivo, ou real, aquele no qual predominam as rela\u00e7\u00f5es entre os seres humanos e entre as classes sociais, as institui\u00e7\u00f5es sociais, a natureza e suas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o faz parte da estrutura que origina a raz\u00e3o subjetiva. A totalidade, ambiente por excel\u00eancia da raz\u00e3o objetiva, n\u00e3o \u00e9 convidada a participar da constru\u00e7\u00e3o mental da raz\u00e3o subjetiva.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Portanto, n\u00e3o devemos cair na cilada de procurar uma mesma raz\u00e3o capaz de explicar, simultaneamente, a economia real e o mercado de capitais, nem tampouco colocar o segundo como uma esp\u00e9cie de profeta dos rumos da economia real. Se esta \u00faltima determina a vida do cidad\u00e3o comum e \u00e9 o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">locus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> da luta de classes, a esfera financeira determina ganhadores e perdedores num mundo de apostas. O aprofundamento da pandemia, o aumento do n\u00famero de mortos e infectados pela COVID-19, o desemprego de bilh\u00f5es de trabalhadores mundo afora, a queda do PIB e da renda mundial, o endividamento p\u00fablico significam, para os especuladores do mercado de capitais, apenas informa\u00e7\u00f5es que indicam as posi\u00e7\u00f5es que tomar\u00e3o no momento de fazerem suas escolhas de compra ou venda de pap\u00e9is visando o m\u00e1ximo ganho. Apenas isso e nada mais. N\u00e3o queiramos extrair desses movimentos aleat\u00f3rios qualquer conclus\u00e3o ou raz\u00e3o adicional.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas, ainda mais importante do que desconstruir essa ideia, que insistem em nos fazer crer, de que o mercado financeiro, ao responder aos est\u00edmulos da economia real, emitiria sinais de alerta para a sociedade como um todo sobre os rumos da nossa vida material, \u00e9 entendermos que, no capitalismo, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">a fronteira entre institui\u00e7\u00f5es financeiras e n\u00e3o financeiras torna-se cada vez mais t\u00eanue. Ou seja, a apropria\u00e7\u00e3o da riqueza, seja sob a forma de ativo real ou fict\u00edcio, seja por meio da produ\u00e7\u00e3o de bens tang\u00edveis ou da mera especula\u00e7\u00e3o com instrumentos financeiros derivativos, passa a se justificar com base na mesma l\u00f3gica, a da escolha \u00f3tima, a que gera a maior vantagem e o maior ganho, a mesma que se fundamenta exclusivamente na raz\u00e3o subjetiva. Transforma-se, por assim dizer, na raz\u00e3o \u00faltima que move a sociedade capitalista, baseada na l\u00f3gica da valoriza\u00e7\u00e3o desmedida, esteja o capital em qualquer uma de suas formas. Inclusive, a domin\u00e2ncia do est\u00edmulo financeiro sobre o real torna-se, assim, quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia do capital. A ordem \u00e9 fazer a jogada que resulta no maior ganho pecuni\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Diante dessa realidade, aos poucos, passamos a naturalizar todo tipo de ganho, desde que ele ocorra no ambiente da t\u00e3o alegada justi\u00e7a econ\u00f4mica. Mesmo a explora\u00e7\u00e3o e a espolia\u00e7\u00e3o de uma classe por outra se transformam numa mera quest\u00e3o de escolha da melhor estrat\u00e9gia frente \u00e0 concorr\u00eancia do mercado. A viol\u00eancia impl\u00edcita nessas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 sequer considerada, ou mesmo percebida, pois s\u00e3o a\u00e7\u00f5es realizadas em conson\u00e2ncia com a regra do livre jogo das escolhas individuais. Se o desemprego, o endividamento, o desespero, a fome ou a morte por v\u00edrus batem \u00e0 porta das fam\u00edlias espalhadas pelo mundo, a racionalidade dominante na sociedade capitalista tratar\u00e1 de deixar essas quest\u00f5es de lado, pois, a totalidade deve ser preocupa\u00e7\u00e3o apenas dos fil\u00f3sofos que costumam perder tempo precioso com exerc\u00edcios de raz\u00e3o objetiva. Para encerrar, lembremo-nos sempre de que, o interesse do detentor do capital no mundo hodierno, esteja ele atuando na ind\u00fastria, no com\u00e9rcio ou no mercado de ativos e derivativos financeiros, ser\u00e1 sempre o de valorizar-se, comportando-se conforme a racionalidade capitalista exige. O mundo concreto ao redor \u00e9 um detalhe. Uma pandemia, apenas uma externalidade passageira.<\/span><\/p>\n<p><strong>NOTAS<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>[1]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Bolsa dispara 5%, e d\u00f3lar opera em queda, vendido perto de R$ 5,22&#8230;<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/cotacoes\/noticias\/redacao\/2020\/04\/07\/dolar-bolsa-operacao.htm?cmpid\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/economia.uol.com.br\/cotacoes\/noticias\/redacao\/2020\/04\/07\/dolar-bolsa-operacao.htm?cmpid<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[2] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Apesar de baratas, n\u00e3o \u00e9 hora de comprar a\u00e7\u00f5es, afirmam analistas.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/04\/apesar-de-baratas-nao-e-horas-de-comprar-acoes-afirmam-analistas.shtml\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/04\/apesar-de-baratas-nao-e-horas-de-comprar-acoes-afirmam-analistas.shtml<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[3] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Bolsa fecha em alta de 6,52% apesar de rumor sobre sa\u00edda de Mandetta.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.aquinoticias.com\/2020\/04\/20200406181604-bolsa-fecha-em-alta-de-652-apesar-de-rumor-sobre-saida-de-mandetta\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.aquinoticias.com\/2020\/04\/20200406181604-bolsa-fecha-em-alta-de-652-apesar-de-rumor-sobre-saida-de-mandetta\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[4] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00daltimas not\u00edcias do coronav\u00edrus em 12 de abril.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/%20coronavirus\/noticia\/2020\/04\/12\/ultimas-noticias-de-coronavirus-de-12-de-abril.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/ coronavirus\/noticia\/2020\/04\/12\/ultimas-noticias-de-coronavirus-de-12-de-abril.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 12\/04\/2020<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[5]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Coronav\u00edrus: economia global vai sofrer anos at\u00e9 se recuperar do impacto da pandemia, afirma OCDE.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-52002332\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-52002332<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 23\/03\/2020<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[6]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">ROSSI, Pedro. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">O protagonismo dos derivativos no capitalismo contempor\u00e2neo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/www.cadernosdodesenvolvimento.org.br\/ojs-2.4.8\/index.php\/cdes\/article\/download\/204\/189\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.cadernosdodesenvolvimento.org.br\/ojs-2.4.8\/index.php\/cdes\/article\/download\/204\/189<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 02\/04\/2020.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[7]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">CHESNAIS, Fran\u00e7ois. O capital portador de juros: acumula\u00e7\u00e3o, internacionaliza\u00e7\u00e3o, efeitos econ\u00f4micos e pol\u00edticos. In CHESNAIS, Fran\u00e7ois. (org.). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A finan\u00e7a mundializada<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2005.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[8]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">BRAGA, J. C. S. Financeiriza\u00e7\u00e3o global: o padr\u00e3o sist\u00eamico da riqueza do capitalismo. In: FIORI, J. L.; TAVARES, M. C. (Ed.). <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Poder e dinheiro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">: uma economia pol\u00edtica da globaliza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Vozes, 1997. p. 195-242.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[9]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Estou adorando a queda das a\u00e7\u00f5es, diz Luiz Barsi, o \u201crei da bolsa\u201d.<br \/>\nDispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/revistapegn.globo.com\/Noticias\/noticia\/2020\/02\/estou-adorando-queda-das-acoes-diz-luiz-barsi-o-rei-da-bolsa.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/revistapegn.globo.com\/Noticias\/noticia\/2020\/02\/estou-adorando-queda-das-acoes-diz-luiz-barsi-o-rei-da-bolsa.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em 28\/03\/2020.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[10] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Em experi\u00eancia realizada pelo jornal brit\u00e2nico The Guardian, felino alcan\u00e7ou lideran\u00e7a de rentabilidade, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de economista que mercado acion\u00e1rio tem movimento totalmente aleat\u00f3rio.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/mercados\/em-teste-gato-domestico-derrota-gestores-profissionais-no-mercado-de-acoes\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.infomoney.com.br\/mercados\/em-teste-gato-domestico-derrota-gestores-profissionais-no-mercado-de-acoes\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. Acesso em: 08\/04\/2020.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[11]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Como representante dessa abordagem na economia neocl\u00e1ssica, recomendamos a leitura de um dos expoentes da teoria marginalista na Economia. JEVONS, Willian Stanley. A teoria da economia pol\u00edtica. S\u00e3o Paulo: Nova Cultural, 1996.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[12]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Para os interessados em se aprofundarem no debate entre raz\u00e3o objetiva e a subjetiva, ou instrumental, para a teoria cr\u00edtica, recomenda-se, a t\u00edtulo de provoca\u00e7\u00e3o, o primeiro cap\u00edtulo, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Meios e fins, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">de HORKHEIMER, Max. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Eclipse da raz\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. S\u00e3o Paulo: Centauro, 2010.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[13]\u00a0<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Agrade\u00e7o \u00e0s fundamentais contribui\u00e7\u00f5es dos professores Ana Paula Fregnani Colombi, Gustavo Moura de Cavalcanti Mello, Henrique Pereira Braga e Rafael Moraes, integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Conjuntura, do Departamento de Economia da UFES para a constru\u00e7\u00e3o deste texto, n\u00e3o sem antes isent\u00e1-los de quaisquer erros que, porventura, o autor tenha cometido.<\/span><\/h5>\n<h5><\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vin\u00edcius Vieira Pereira Prof. Departamento de Economia da UFES Tutor do programa Pet Economia\/UFES Em meio \u00e0 crise causada pela [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":383,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[213,117,208,52,7,197,198,196,23,209,206,207,211,37,215,212,214,210,204],"class_list":["post-575","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicacoes","tag-bolsa-de-valores","tag-capitalismo","tag-capitalismo-mundial","tag-conjuntura-brasileira","tag-conjuntura-economica","tag-coronavirus","tag-coronavirus-economia","tag-covid-19","tag-economia","tag-economia-real","tag-financeirizacao","tag-financeirizacao-da-economia","tag-heterodoxia","tag-macroeconomia","tag-mercado-de-capitais","tag-mercado-financeiro","tag-mercado-primario","tag-ortodoxia","tag-pandemia"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Luiz Carlos Santos","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/author\/luiz_carlos-santos-de-jesus\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Vin\u00edcius Vieira Pereira Prof. Departamento de Economia da UFES Tutor do programa Pet Economia\/UFES Em meio \u00e0 crise causada pela [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/383"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=575"}],"version-history":[{"count":30,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":818,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/575\/revisions\/818"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}