{"id":703,"date":"2020-05-06T01:43:59","date_gmt":"2020-05-06T04:43:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=703"},"modified":"2025-10-13T13:35:31","modified_gmt":"2025-10-13T16:35:31","slug":"um-virus-entre-duas-crises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/um-virus-entre-duas-crises\/","title":{"rendered":"UM V\u00cdRUS ENTRE DUAS CRISES"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-854\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/06\/Debate.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"146\" \/><\/p>\n<h5><em>*Texto publicado no blog da Revista Espa\u00e7o Acad\u00eamico<\/em><\/h5>\n<p><strong>F\u00e1bio Campos\u00b9<\/strong><\/p>\n<h5 style=\"text-align: left\"><span style=\"font-weight: 400\"><em>\u201cToday, tomorrow, and yesterday, too<\/em><br \/><em>The flowers are dyin\u2019 like all things do\u201d<\/em><br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Bob Dylan\u00a0<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A pandemia do coronav\u00edrus nos deslocou repentinamente para um estado de choque e desterro t\u00edpicos de guerra, em que o uso da palavra colapso passou a ser difundido de maneira deliberada. Poucas vezes na hist\u00f3ria recente, ou de nossas gera\u00e7\u00f5es, presenciamos algo com tamanha gravidade no sentido dos acontecimentos, da\u00ed o senso comum procurar significados no passado, sejam no espectro sanit\u00e1rio como a Peste Negra (1347-1353) e a Gripe Espanhola (1918-1920); sejam na economia e suas implica\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas como na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ou nas Crises de 1929, 1973 e 2008. Do ponto de vista pessoal, de uma hora para outra, nos vimos confinados em nossos lares diante de in\u00fameras incertezas, inclusive em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Por\u00e9m, em muitos meios educacionais buscam-se manter a normalidade na forma de ensino \u00e0 dist\u00e2ncia implementado \u00e0s pressas, quando um abismo existencial se abre abaixo de nossos p\u00e9s. Em outros, tentam manter a engrenagem da produ\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os por desumanas formas de transporte, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">home office<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">delivery<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Ao embalarem-se por \u201cressignifica\u00e7\u00f5es\u201d, \u201csimbolismos\u201d, \u201csubjetividades\u201d, \u201cnovas narrativas\u201d, \u201cp\u00f3s-isso ou p\u00f3s-aquilo\u201d, tamb\u00e9m os modismos do pensamento neoliberal denotam ainda o elevado n\u00edvel de aliena\u00e7\u00e3o que nos acomete diante das desventuras do capital.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em sintonia com a di\u00e1ria contagem de cad\u00e1veres e do falecimento da produ\u00e7\u00e3o e do consumo capitalista que imp\u00f5e uma explos\u00e3o planet\u00e1ria do desemprego e da precariza\u00e7\u00e3o da vida dos mais miser\u00e1veis, estamos no Brasil sob a vig\u00eancia de um governo que significa a \u00faltima gera\u00e7\u00e3o na gest\u00e3o do neoliberalismo, ao desconhecer qualquer escr\u00fapulo de representa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica burguesa em nome da manuten\u00e7\u00e3o dos mais variados neg\u00f3cios das classes dominantes que o apoiam. Na pior crise sanit\u00e1ria do s\u00e9culo, temos a mais atroz representa\u00e7\u00e3o governamental brasileira da classe dominante, o que denota a intersec\u00e7\u00e3o de dois vetores da mesma realidade: os limites civilizacionais do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista e sua express\u00e3o universal b\u00e1rbara com a experi\u00eancia brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Antes do v\u00edrus, no entanto, j\u00e1 havia a combina\u00e7\u00e3o de duas crises em nossa regress\u00e3o civilizacional. Por de tr\u00e1s de duvidosas proje\u00e7\u00f5es de crescimento da economia e do com\u00e9rcio mundial, mesmo diante de uma massa de capital fict\u00edcio que nem o solavanco de 2008 fez parar de crescer, ou da disputa sino-estadunidense pela hegemonia financeira, energ\u00e9tica e militar, o capital estava e est\u00e1 sob o curso de uma estrutural crise. O Brasil se insere como parte dela apresentando suas dimens\u00f5es idiossincr\u00e1ticas que dizem respeito, sobretudo, ao colapso de sua forma\u00e7\u00e3o nacional definido por algumas d\u00e9cadas, cuja estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de quase meio s\u00e9culo reflete somente a face mais aparente do problema.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O arsenal de controle capitalista que sempre encontrou no Estado prote\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria para casos extremos de fric\u00e7\u00f5es e crises, bem como imp\u00f4s o policiamento regular de insurgentes via meios militares que se viabilizavam por enormes financiamentos, se v\u00ea confrontado por um v\u00edrus que desafia as vidas humanas espelhando os baixos investimentos em sa\u00fade p\u00fablica, at\u00e9 mesmo nos mais cobi\u00e7ados estilos de desenvolvimento do planeta. Simultaneamente se descortinam o desespero mundial por materiais m\u00e9dicos de toda complexidade para a sobreviv\u00eancia de seus povos, que como numa guerra, cai o v\u00e9u legalista burgu\u00eas, exprimindo a disputa imperialista, agora, por exemplo, para interceptar o com\u00e9rcio de ventiladores respirat\u00f3rios. Est\u00e1 a caminho a revela\u00e7\u00e3o capitalista eclipsada pelo pensamento m\u00e1gico burgu\u00eas: uma economia de abund\u00e2ncia em bens sup\u00e9rfluos, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">smartfones<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o na casa dos bilh\u00f5es de aparelhos consumidos no mundo, e a aus\u00eancia de abastecimento regular de materiais hospitalares para enfrentar a crise sanit\u00e1ria.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No espa\u00e7o neocolonial brasileiro, cuja rotina em breve estar\u00e1 mais pr\u00f3xima das sesmarias do s\u00e9culo XVII, tamb\u00e9m o v\u00edrus evidenciou para os incautos qual \u00e9 a gen\u00e9tica de nossa classe dominante concebida no mando da escravaria. Em meio a uma tentativa prec\u00e1ria e mal formulada de estrat\u00e9gia de isolamento social para conter a pandemia, setores da burguesia brasileira, desde o agropecu\u00e1rio, industrial, passando pelo com\u00e9rcio, financeiro, at\u00e9 os \u201cmilicianos-espirituais\u201d, desafiam qualquer racionalidade que possa converter parte de nossa trag\u00e9dia anunciada em algo menos penoso. Enquanto classe dominante de uma forma\u00e7\u00e3o nacional destro\u00e7ada na qual nem a economia, nem a pol\u00edtica, pode apresentar m\u00f3veis seguros de reprodu\u00e7\u00e3o social, o gerenciamento da anomia se imp\u00f5e pela necessidade de amplia\u00e7\u00e3o da aliena\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e repress\u00e3o, metamorfoseando pol\u00edtica p\u00fablica em projeto de holocausto. O foco genocida se volta para as camadas sociais mais vulner\u00e1veis que est\u00e3o nas modernas senzalas das periferias brasileiras dos grandes centros, ou nas cercanias desassistidas de nossos sert\u00f5es. Aqueles hereges que em maior ou menor intensidade porventura venham a denunciar tal calamidade, tamb\u00e9m poder\u00e3o ser enquadrados como comunistas, aptos, dessa forma, a integrar o \u201cgrupo de risco\u201d junto dos demais miser\u00e1veis infectados ou n\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Desse modo, a despeito do v\u00edrus ser biologicamente uma casualidade imperativa da natureza, sua compreens\u00e3o enquanto pandemia social s\u00f3 pode ser dimensionada na linha hist\u00f3rica do tempo com suas contradi\u00e7\u00f5es seculares. Mundialmente, o v\u00edrus se insere em uma crise particular que, de um comportamento c\u00edclico de reprodu\u00e7\u00e3o ampliada do capital que vinha desde o s\u00e9culo XIX, intermediado por expans\u00e3o e recess\u00e3o, tornou-se, no \u00faltimo quartel do s\u00e9culo XX at\u00e9 hoje permanente, estrutural. Do ponto de vista econ\u00f4mico, n\u00e3o obstante alguns picos de crescimento do PIB, ou da especializa\u00e7\u00e3o manufatureira chinesa na nova divis\u00e3o internacional do trabalho, uma estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se colocava de forma perene, em que as gigantescas capacidades ociosas das corpora\u00e7\u00f5es se combinavam com a produ\u00e7\u00e3o de mais-valor por meios in\u00e9ditos e pret\u00e9ritos de explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Esse mais-valor garantia e garante a crescente apropria\u00e7\u00e3o, desde a simples remunera\u00e7\u00e3o de lucros, at\u00e9 \u00e0 fetichizada seiva financeira de juros e dividendos que brota dos retornos l\u00edquidos do capital fict\u00edcio. Diferente de antes, entretanto, em que havia um car\u00e1ter c\u00edclico de reciclagem econ\u00f4mica da crise, ou seja, queima e nova cria\u00e7\u00e3o de capital, a partir dos anos 1970 ela se transmutou em uma crise regular, em que a produ\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o para assegurar, respectivamente, gera\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mais-valor, dependem igualmente da destrui\u00e7\u00e3o incessante do mercado da for\u00e7a de trabalho, da natureza e do g\u00eanero humano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A crise do capital, portanto, n\u00e3o pode ser subnotificada, porque o n\u00edvel de letalidade \u00e9 de tal ordem que acomete as engrenagens econ\u00f4micas e pol\u00edticas do sistema diante de uma transnacionaliza\u00e7\u00e3o do capital que subordinou os sistemas econ\u00f4micos nacionais ao seu imp\u00e9rio de retroalimenta\u00e7\u00e3o. O modo de produ\u00e7\u00e3o se converteu em modo de exporta\u00e7\u00e3o da morte em todas as dimens\u00f5es da exist\u00eancia: economia, pol\u00edtica, cultura, arte, religi\u00e3o, direito, meio-digital, clima, natureza e gen\u00e9tica. Do ponto de vista de sua superestrutura, a origem do pandem\u00f4nio capitalista se forjou na muta\u00e7\u00e3o imperialista desde o fim do s\u00e9culo XIX em que duas guerras mundiais no s\u00e9culo XX pariram um poderoso complexo industrial militar lastreado no capital financeiro, sendo a corpora\u00e7\u00e3o transnacional a plataforma dessa for\u00e7a. Nasceu desse marco uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o mundial que funcionaria como uma superestrutura de controle, coopta\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, no exato momento que potencialmente o fim absoluto da humanidade seria decretado pela corrida nuclear. Tamanho choque \u00e0 modernidade permitiu por um tempo ex\u00edmio coexistir socialdemocracia nas economias centrais capitalistas, mesmo \u00e0 custa das reservas coloniais e neocoloniais; por outro lado, concedeu um certo prazo de validade para o \u201csocialismo real\u201d que n\u00e3o passava de um burocratismo capitalista sovi\u00e9tico; assim como cedeu para alguns pa\u00edses subdesenvolvidos a oportunidade de industrializa\u00e7\u00e3o, ainda que sob domina\u00e7\u00e3o do capital internacional. A servi\u00e7o da oligarquia do capital financeiro e das inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas desenvolvidas em teatros de guerra, a convers\u00e3o do controle social do capital em uma racionalidade neoliberal nas economias centrais transformou o socialismo sovi\u00e9tico em um gangsterismo capitalista, bem como transp\u00f4s alguns processos de industrializa\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica em revers\u00e3o neocolonial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Como n\u00e3o poderia deixar de ser, um pa\u00eds como o Brasil, secularmente doente por sua depend\u00eancia externa e segrega\u00e7\u00e3o, e, com ideias necrosadas pelo nosso desarmado e desdentado pensamento social, se insere nessa crise do capital contribuindo com sua pr\u00f3pria variante: uma crise de forma\u00e7\u00e3o como na\u00e7\u00e3o \u2013 num sentido mais b\u00e1sico que se possa entender, ou seja, o de preservar vidas em um territ\u00f3rio historicamente delimitado ante as pragas biol\u00f3gicas, b\u00e9licas, econ\u00f4micas, tecnol\u00f3gicas e sociais que possam proliferar. Nessa crise estrutural do capital, em que se pronuncia a nossa crise de forma\u00e7\u00e3o, faz com que o Brasil se integre globalmente pelo seu maior diferencial estrat\u00e9gico de barb\u00e1rie: a heran\u00e7a escravocrata. Desde o momento em que se tentou e n\u00e3o conseguiu conciliar nos termos da domestica\u00e7\u00e3o capitalista: soberania, igualdade social e democracia com o Golpe de 1964, ficou clarividente que emancipa\u00e7\u00e3o nacional e capitalismo n\u00e3o andam juntos por aqui.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo que a industrializa\u00e7\u00e3o se mantivesse por um tempo com a ditadura, e a burguesia brasileira pudesse legitimar sua domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 custa de um crescimento econ\u00f4mico expressivo, a conex\u00e3o da nossa estrutura econ\u00f4mica e social com o processo de transnacionaliza\u00e7\u00e3o estava sendo fecundada, pois parte da crise do capital j\u00e1 estava sendo precocemente assimilada em nossa vida econ\u00f4mica diante do elevado n\u00edvel de subordina\u00e7\u00e3o ao capital internacional. T\u00e3o logo a ind\u00fastria deixou de ser o principal neg\u00f3cio e passou a ser a infla\u00e7\u00e3o para o capital internacional e seus s\u00f3cios nativos, ou a ditadura se converteu em democracia restrita; tanto a forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil colapsou, quanto um aparelho contrarrevolucion\u00e1rio poderia subsistir sem a subcontrata\u00e7\u00e3o militar, mantendo at\u00e9 um certo verniz de \u201ccidadania\u201d com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988. Depois da violenta crise da d\u00edvida externa e sua reciclagem que fizeram do desenvolvimentismo um moribundo, nos anos 1990 em diante, foi quando o Brasil estava pronto para se submeter integralmente ao novo padr\u00e3o mundial de acumula\u00e7\u00e3o nascido com a crise dos anos 1970. Adaptado, por assim dizer, para desindustrializar e reprimarizar sua economia, bem como impor uma regress\u00e3o ocupacional do emprego formal, tal qual praticar uma satura\u00e7\u00e3o do pacto federativo diante da disputa fiscal, ou ainda, catalisar a depreda\u00e7\u00e3o ambiental em favor do complexo agromineral e pecu\u00e1rio. Sem falar, do aprisionamento do pensamento social a uma estrutura especializada e burocratizada, que aparece nos partidos, atravessa os sindicatos, e, acomete as universidades. Com isso, a contrarrevolu\u00e7\u00e3o cumpriu por aqui seu desiderato: i)- uma forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds implodida diante de um controle imperialista maior; ii)- grande parte da popula\u00e7\u00e3o e da natureza submetida \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o; iii)- e, a incapacidade coletiva de sequer imaginar uma transforma\u00e7\u00e3o radical por meio da revolu\u00e7\u00e3o brasileira.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Como representante local de interesses transnacionais que encarnam o capital nesta crise, nossa burguesia pode se inserir oferecendo o que h\u00e1 de mais avan\u00e7ado na extra\u00e7\u00e3o de riquezas e repress\u00e3o social que \u00e9 o nosso passado, passado violento, mercantil, portanto, colonial, que nunca foi superado. Neg\u00f3cios internacionais poder\u00e3o ser realizados aqui das formas mais esp\u00farias, tanto na produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de mais-valor, assim como em rela\u00e7\u00f5es de trabalho que ser\u00e3o crescentemente estabelecidas por renovadas formas de escravid\u00e3o, estando as camadas populares, sup\u00e9rfluas, famintas e indignadas, destinadas \u00e0 morte com a ajuda da Covid-19. Nossa imuniza\u00e7\u00e3o s\u00f3 ter\u00e1 efeito duradouro se conseguirmos reabilitar a \u00fanica vacina inventada pela humanidade contra a peste da opress\u00e3o \u2013 hoje imposta pelo capital, que \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o; caso contr\u00e1rio, o v\u00edrus ajudar\u00e1 as duas crises interconectadas destru\u00edrem todas as flores que restam, tal como o poeta acima ilustra.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>\u00b9 <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Professor e coordenador da p\u00f3s gradua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Instituto de Economia da Unicamp e membro do IBEC.<\/span><\/h5>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Texto publicado no blog da Revista Espa\u00e7o Acad\u00eamico F\u00e1bio Campos\u00b9 \u201cToday, tomorrow, and yesterday, tooThe flowers are dyin\u2019 like all 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