{"id":785,"date":"2020-05-19T11:58:14","date_gmt":"2020-05-19T14:58:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=785"},"modified":"2025-10-13T13:16:14","modified_gmt":"2025-10-13T16:16:14","slug":"para-alem-do-coronavirus-a-morte-nossa-de-cada-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/para-alem-do-coronavirus-a-morte-nossa-de-cada-dia\/","title":{"rendered":"PARA AL\u00c9M DO CORONAV\u00cdRUS: A MORTE NOSSA DE CADA DIA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-498\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/04\/nota.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"146\" \/><\/p>\n<h5><strong>Rafael Moraes<br \/>Professor do Departamento de Economia CCJE\/UFES<\/strong><\/h5>\n<h6 style=\"text-align: left\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Populus, meu c\u00e3o<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">O escravo, indiferente, que trabalha<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">E, por presente, tem migalhas sobre o ch\u00e3o<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">Populus, meu c\u00e3o<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">Primeiro, foi seu pai<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">Segundo, seu irm\u00e3o<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">Terceiro, agora, \u00e9 ele, agora \u00e9 ele<br \/><\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400\">De gera\u00e7\u00e3o, em gera\u00e7\u00e3o, em gera\u00e7\u00e3o<br \/><\/span><\/i><strong>Antonio Bechior (1977)<br \/><\/strong><\/h6>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[1]<\/strong>Quando as recentes mortes causadas pelo novo Coronav\u00edrus se contam aos milhares<strong>[2]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0e frente a elas o Presidente da Rep\u00fablica reverbera um estrondoso \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">e da\u00ed\u201d<strong>[3]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, \u00e9 <\/span><span style=\"font-weight: 400\">ineg\u00e1vel um sentimento de indigna\u00e7\u00e3o. Ainda que uma ter\u00e7a parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira pare\u00e7a seguir endossando tudo o que faz e diz o presidente, percebe-se o crescimento da revolta diante de sua, digamos, falta de sensibilidade, frente \u00e0 morte de milhares de brasileiros.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Antes de nos perguntarmos, contudo, qual a raz\u00e3o da falta de empatia presidencial e de nos revoltarmos diante da naturaliza\u00e7\u00e3o da morte em nome do progresso econ\u00f4mico, dever\u00edamos nos perguntar como foi poss\u00edvel chegarmos a esta situa\u00e7\u00e3o. Seriam o presidente e seus seguidores, especialmente odiosos, mesmo quando comparados aos neoliberais que at\u00e9 ontem cerravam fileiras a seu lado? Ou seria Bolsonaro apenas a face mais despudorada dentre os entusiastas de uma estrutura social que se acostumou a matar? Nos parece que a \u00faltima alternativa \u00e9 mais fiel \u00e0 hist\u00f3ria e este breve texto se prop\u00f5e a demonstrar isso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Quase nada do que se escrever\u00e1 aqui deve ser visto como uma especificidade brasileira. O fato de tomarmos nosso pa\u00eds como objeto de an\u00e1lise n\u00e3o se deve a nenhuma caracter\u00edstica especial. Quase tudo o que se conclui aqui poderia ser dito sobre qualquer outro pa\u00eds. \u00c9 certo, contudo, que \u201cdo lado de baixo do equador\u201d todo terror \u00e9 desprovido de pudor. Aqui vemos mais de perto e melhor.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Se procur\u00e1ssemos defender que a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte em nome da economia, que o presidente parece reverberar, fosse uma especificidade de seu nefasto governo, portanto, totalmente incompat\u00edvel com a sociabilidade capitalista moderna, ter\u00edamos que demonstrar que tal fen\u00f4meno n\u00e3o aparece em outros momentos de nossa hist\u00f3ria, tratando de uma infeliz exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra. Tal engenho, seria certamente uma tarefa ingl\u00f3ria. O fato \u00e9 que a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte n\u00e3o aparece ocasionalmente em nossa hist\u00f3ria, mas se imp\u00f5e como a caracter\u00edstica mais marcante de nossas vidas desde a forma\u00e7\u00e3o disso que chamamos Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o se trata de questionar aqui a exist\u00eancia em si da morte, enquanto uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a tudo o que \u00e9 vivo, mas sim de analisar a forma como a morte do outro foi sendo assimilada como uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 sobreviv\u00eancia do organismo social. N\u00e3o seria poss\u00edvel reduzir esta forma de sociabilidade que se alimenta da morte ao sistema capitalista, tendo em vista que a morte como resultado do embate entre diferentes grupos sociais est\u00e1 presente ao longo de toda a hist\u00f3ria da humanidade. A novidade advinda a partir desta nova organiza\u00e7\u00e3o social centrada no capital est\u00e1 na precifica\u00e7\u00e3o da morte, ou seja, na justificativa monet\u00e1ria para o ac\u00famulo de cad\u00e1veres. E nesta Hist\u00f3ria, o Brasil ocupa um cap\u00edtulo central.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Constitu\u00edda como uma empresa mercantil destinada a ofertar recursos naturais aos rec\u00e9m criados Estados europeus<strong>[4]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a economia brasileira j\u00e1 nasceu contaminada pelo pecado original do exterm\u00ednio dos \u00edndios. A despeito das dificuldades em se avaliar o n\u00famero de habitantes do territ\u00f3rio onde hoje \u00e9 o Brasil, antes da chegada dos portugueses, as estimativas mais conservadoras<strong>[5]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0apontam que viviam aqui em torno de 2,5 milh\u00f5es de nativos. Ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o, em meados do s\u00e9culo XVII, essas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o chegavam a 10% desse n\u00famero, dizimadas por conflitos, trabalhos for\u00e7ados e, principalmente, por diversas doen\u00e7as trazidas pelos europeus, frente \u00e0s quais n\u00e3o tinham imunidade. O massacre de pelo menos 2 milh\u00f5es de nativos<strong>[6]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, em nome do ingresso do Novo Mundo na economia mercantil europeia foi nosso batismo em uma hist\u00f3ria repleta de cad\u00e1veres produzidos pelo progresso econ\u00f4mico.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ao mesmo tempo em que nativos eram mortos, o sucesso da produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira, e depois mineira e cafeeira, demandava cada vez mais bra\u00e7os. O sequestro e posterior tr\u00e1fico de africanos para trabalharem nas Am\u00e9ricas atendeu a essa necessidade do capital europeu. De 1514 a 1853 chegaram ao Brasil por volta de 5,1 milh\u00f5es de homens e mulheres negros escravizados. N\u00e3o bastasse a trag\u00e9dia contida apenas neste n\u00famero, ele oculta uma faceta das mais cru\u00e9is da hist\u00f3ria do tr\u00e1fico negreiro durante o per\u00edodo colonial. Os dados referentes ao transporte de cargas humanas entre a \u00c1frica e o Brasil registram uma diferen\u00e7a de quase 800 mil homens entre o n\u00famero de embarcados nos portos africanos e o total desembarcado no Brasil. Esta diferen\u00e7a reflete o grande n\u00famero de negros que embarcavam, mas n\u00e3o chegavam vivos ao destino, tendo seus corpos atirados no mar<strong>[6]<\/strong>. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ao longo do s\u00e9culo XIX, com as press\u00f5es inglesas pelo fim do tr\u00e1fico, o n\u00famero de mortes durante a viagem seria ainda mais elevado, pois tornou-se comum a pr\u00e1tica de lan\u00e7ar ao mar toda a carga de homens ainda vivos, destruindo assim qualquer prova que pudesse levar a um processo por descumprimento \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o ao tr\u00e1fico<strong>[8]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">O fato de o tr\u00e1fico n\u00e3o ter cessado mesmo diante desta revoltante pr\u00e1tica s\u00f3 refor\u00e7a a percep\u00e7\u00e3o do enorme volume de recursos angariados pelos comerciantes de gente. A morte em suas formas mais apavorantes era apenas um detalhe em meio a tanto ouro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A situa\u00e7\u00e3o dos que chegavam aos portos de Recife, Salvador ou Rio de Janeiro certamente n\u00e3o era muito superior \u00e0 daqueles que ficavam pelo caminho. Uma vez desembarcados no Brasil, os negros esperavam por horas ou dias nos diversos mercados de homens espalhados pelas regi\u00f5es portu\u00e1rias destas cidades at\u00e9 serem comprados e levados a seu local de trabalho. A maioria dos escravizados no Brasil trabalhavam em fazendas, minas ou engenhos. O extenuante trabalho praticado nestes campos fazia com que a morte por excesso de trabalho, doen\u00e7as ou mesmo resultado da viol\u00eancia dos senhores fosse a regra. Em meados do s\u00e9culo XIX, dizia-se que ap\u00f3s tr\u00eas anos da compra de um lote saud\u00e1vel de homens, pouco mais de um quarto dele ainda permaneceria vivo nas fazendas. Em torno de 88% dos nascidos sob a escravid\u00e3o n\u00e3o passavam da inf\u00e2ncia. A viol\u00eancia f\u00edsica era a lei nas rela\u00e7\u00f5es entre senhores e negros escravizados. Os casos de rebeldia eram punidos com brutalidade exemplar e algemas, argolas, palmat\u00f3rias, troncos, chicotes, anjinhos<strong>[9]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, e, no limite, a morte eram instrumentos recorrentes no controle da for\u00e7a de trabalho<strong>[10]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O sangue dos negros no eito ou no tronco era o combust\u00edvel das moendas, das minas e dos cafezais. Como nenhum alquimista ousaria imaginar, no Brasil colonial se aprendeu a transformar sangue em ouro. A morte seguia do nosso lado, oculta e invis\u00edvel em meio \u00e0 opul\u00eancia. Era o custo do sucesso da empresa colonial.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Liberto da submiss\u00e3o pol\u00edtica \u00e0 Coroa Portuguesa desde 1822, em 1850 o Brasil contava com pouco mais de 7 milh\u00f5es de habitantes, dos quais 2,5 milh\u00f5es eram negros escravizados. Em 1872, quando a popula\u00e7\u00e3o brasileira chegava aos 10 milh\u00f5es, o n\u00famero de trabalhadores cativos havia sido reduzido a 1,5 milh\u00e3o e \u00e0s v\u00e9speras da aboli\u00e7\u00e3o era ainda menor, pouco mais de 700 mil. Essa redu\u00e7\u00e3o no contingente de escravizados entre 1850 e 1888 decorreu principalmente de alforrias concedidas por acordo<strong>[11]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, das mortes<strong>[12]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e das fugas<strong>[13]<\/strong> crescentes<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, especialmente na d\u00e9cada de 1880. Neste contexto, a Lei \u00c1urea longe de ser uma reden\u00e7\u00e3o aos negros, significou o abandono pela parcela mais din\u00e2mica da aristocracia rural de um sistema agonizante<strong>[14]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Como consequ\u00eancia disto, ap\u00f3s a liberta\u00e7\u00e3o definitiva daqueles que seguiam como escravos em 13 de maio de 1888, nada lhes foi oferecido como recompensa pelos anos de trabalho for\u00e7ado. Deixados \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte, estes homens e mulheres viram-se da noite para o dia \u201clivre[s] do a\u00e7oite da senzala, [e] preso[s] na mis\u00e9ria da favela\u201d<strong>[15]<\/strong><\/span>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u201cLivres\u201d, os libertos do 13 de maio se juntavam aos milh\u00f5es de sertanejos, caboclos, negros e mulatos, que erravam pa\u00eds a fora em busca de um peda\u00e7o de terra, de um corti\u00e7o ou ao menos de uma causa pela qual viver. Perdidos em meio \u00e0 mis\u00e9ria absoluta, se multiplicavam pelos rinc\u00f5es do Brasil, santos e dem\u00f4nios, her\u00f3is e bandidos, como \u00edcones condensadores das \u00faltimas esperan\u00e7as de um povo. Filhos da fome, tanto os seguidores do messianismo religioso de Antonio Conselheiro quanto os do banditismo contestador de Virgulino Lampi\u00e3o pagaram com suas vidas pela ousadia de desafiarem a ordem, o latif\u00fandio, a integridade do territ\u00f3rio e a lei. Era a contribui\u00e7\u00e3o do Estado Republicano para engrossar o rastro de sangue de quilombolas, Cabanos, Sabinos e Balaios<strong>[16]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> produzido pelos fuzis imperiais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Derrubado o Imp\u00e9rio, o Brasil adentrava o s\u00e9culo XX como uma Rep\u00fablica liberal. A m\u00e3o de obra livre, composta em sua maioria de imigrantes, permitia o grande crescimento das lavouras no interior do pa\u00eds. O dinamismo da economia impulsionado pelo caf\u00e9 tornaria a ent\u00e3o pequena cidade de S\u00e3o Paulo o maior centro econ\u00f4mico do pa\u00eds em poucos anos. A pobreza, a espolia\u00e7\u00e3o e a morte seguiriam de m\u00e3os dadas com o progresso. No campo e nas cidades, condi\u00e7\u00f5es de trabalho extenuantes seguiram matando aos milhares.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No maior centro urbano do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a cidade do Rio de Janeiro, a persegui\u00e7\u00e3o aos negros, aos seus cultos e \u00e0 sua cultura se inseria em um contexto de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d e de busca de uma nova moral do trabalho p\u00f3s-escravid\u00e3o. Apontados como vadios, pouco propensos ao trabalho livre e indisciplinados estes homens foram aos poucos sendo expulsos para periferia da cidade, passando a ocupar regi\u00f5es suburbanas ou encostas de morros. A mis\u00e9ria aparecia ent\u00e3o nos morros, nos sub\u00farbios ou nas pris\u00f5es, j\u00e1 que a criminaliza\u00e7\u00e3o das formas de viv\u00eancia de negros foi utilizada como recurso para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociabilidade tida como \u201cmoderna\u201d<strong>[17]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sem garantia nenhuma de acesso \u00e0 moradia, saneamento, educa\u00e7\u00e3o e trabalho, estas pessoas se tornaram uma massa totalmente marginalizada frente ao progresso econ\u00f4mico. Em lugar dos castigos da escravid\u00e3o, a fome; em lugar da morte pelos capit\u00e3es do mato, a morte pelas for\u00e7as p\u00fablica de justi\u00e7a; em lugar do trabalho incessante no eito, o trabalho prec\u00e1rio nas piores ocupa\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Pelos rinc\u00f5es do pa\u00eds a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o era diferente. Enquanto o caf\u00e9 produzia reis e bar\u00f5es em S\u00e3o Paulo, ao norte se produziam campos de concentra\u00e7\u00e3o. Em meio \u00e0 seca nordestina, a pobreza levava \u00e0 fome e com ela ao desespero. Temerosos com o que hordas de famintos pudessem realizar, entre 1915 e 1933 foram constru\u00eddos diversos campos de isolamento de retirantes no interior do Cear\u00e1 para impedir sua chegada \u00e0 capital, Fortaleza. Estes campos que seguiram existindo ao longo da primeira metade do s\u00e9culo XX, produziram cad\u00e1veres aos milhares. A dist\u00e2ncia entre os escolhidos para viver e os escolhidos para morrer era t\u00e3o grande que um novo cemit\u00e9rio foi constru\u00eddo apenas para receber essas v\u00edtimas. Nem mesmo mortos, os pobres retirantes eram dignos de se juntarem \u00e0 \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d<strong>[18]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O \u201cprogresso\u201d continuava e, em plena d\u00e9cada de 1950, durante o auge da industrializa\u00e7\u00e3o brasileira, no maior centro econ\u00f4mico do pa\u00eds, na Favela Canind\u00e9, \u00e0s margens do rio Tiet\u00ea, uma catadora de papel apontava a insensibilidade de Juscelino frente \u00e0 pobreza e escrevia para espantar a fome<strong>[19]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Na mesma \u00e9poca, muito longe dali, no engenho da Galileia, em Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, a falta de caix\u00f5es para enterrar seus mortos era o estopim para uma rebeli\u00e3o no interior de Pernambuco. A ordem n\u00e3o podia tolerar rebeli\u00f5es e, n\u00e3o bastasse a seca e a pobreza, os fuzis impunham o veredicto a cabras marcados para morrer<strong>[20]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> no Sert\u00e3o Nordestino. A economia seguia de vento em popa. Os n\u00fameros do PIB eram mais que suficientes para que as mortes e o sofrimento de negros, pobres e sertanejos fossem rapidamente esquecidas. Em meio aos p\u00e1tios transbordados de autom\u00f3veis rec\u00e9m produzidos, de estradas rasgando de Norte a Sul o pa\u00eds, no sert\u00e3o e nas favelas as vidas eram secas e as mortes invis\u00edveis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Aos rebeldes sempre s\u00e3o guardados requintes de crueldade. Nestes casos a morte apenas n\u00e3o basta, \u00e9 essencial o exemplo. O exterm\u00ednio f\u00edsico aqui cumpre uma fun\u00e7\u00e3o disciplinadora, ele deixa de ser apenas natural e leg\u00edtimo, mas passa a ser necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem. Neste contexto, o sadismo e o terror passam a ser aceitos como parte da engrenagem que garante o funcionamento do sistema. Ao longo dos 25 anos de ditadura militar no Brasil, vimos de forma bem clara como essa m\u00e1quina opera. Mais carros, mais estradas, mais energia justificavam e ocultavam mais mortes. Mortes de pobres e negros nos sert\u00f5es e nas favelas, mortes de \u00edndios de Norte a Sul e mortes e torturas de rebeldes nos por\u00f5es. A economia ia bem, mas o povo ia mal<strong>[21]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O bolo crescia, mas n\u00e3o era fatiado<strong>[22]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O \u201cmilagroso\u201d crescimento econ\u00f4mico dos anos 1970 contrastava com a mis\u00e9ria crescente nos campos e nas cidades. O arrocho salarial e o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda<strong>[23]<\/strong>,<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> somados \u00e0s mais de 400 mortes<strong>[24]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e desaparecimentos praticados pelo Estado, s\u00e3o a face oculta dos anos dourados da economia nacional. A morte seguia sendo justificada em nome da prosperidade econ\u00f4mica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No final da d\u00e9cada de 1980, a crise econ\u00f4mica fez com que os governos militares n\u00e3o fossem mais capazes de alimentar o brilho nos olhos de uma elite j\u00e1 acostumada a matar<strong>[25]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A tortura e a morte nas pris\u00f5es voltaram ao seu lugar de origem, aos lugares de onde ningu\u00e9m as v\u00ea, \u00e0s periferias, morros e favelas. Ap\u00f3s a redemocratiza\u00e7\u00e3o, em meio a uma nova onda de \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o\u201d, a democracia, agora neoliberal, seguiu convivendo muito bem com a morte. Enquanto o Plano Real causava euforia ao conter a acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria, empres\u00e1rios aplaudiam a abertura comercial<strong>[26]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e a engrenagem assassina continuava produzindo cad\u00e1veres aos milhares.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Estima-se que em 1995, mais de 22 milh\u00f5es<strong>[27]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> de pessoas estivessem abaixo da linha da extrema pobreza no Brasil. Isso significa que um em cada sete brasileiros n\u00e3o tinha renda suficiente para consumir a quantidade de calorias considerada necess\u00e1ria para sua sobreviv\u00eancia. Esse n\u00famero era menor que os 28,7 cidad\u00e3os nestas condi\u00e7\u00f5es registrados em 1993. A queda deveu-se certamente a conten\u00e7\u00e3o da acelera\u00e7\u00e3o inflacion\u00e1ria que corro\u00eda a renda das fam\u00edlias mais pobres. A redu\u00e7\u00e3o na mis\u00e9ria advinda da nova pol\u00edtica econ\u00f4mica p\u00f3s-ditadura, no entanto, parou por a\u00ed e, em 2002, o n\u00famero de miser\u00e1veis seguia em 23,8 milh\u00f5es.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A conviv\u00eancia com estes n\u00fameros assombrosos n\u00e3o se fez sem a naturaliza\u00e7\u00e3o de uma realidade que se mostrava cada dia mais clara diante dos olhos. A pobreza deixava os sert\u00f5es e os morros e chegava aos centros das principais cidades do pa\u00eds, na forma de um crescente contingente de miser\u00e1veis vagando e vivendo pelas ruas<strong>[28]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O crescimento da viol\u00eancia era a outra faceta desta trag\u00e9dia social. \u201cQuem tem fome tem pressa\u201d era o slogan da \u201cA\u00e7\u00e3o da Cidadania<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d<strong>[29],<\/strong> organizada pelo soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho. A pressa dos famintos muitas vezes podia levar \u00e0 subvers\u00e3o da ordem no que ela tem de mais sagrado, a propriedade privada. Neste contexto, o Estado sempre \u00e9 convocado para deter indiv\u00edduos, reintegrar posses e, no limite, matar, afinal, sempre que preciso for uma <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">metralhadora alem\u00e3 ou de Israel<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e<\/span><span style=\"font-weight: 400\">stra\u00e7alha ladr\u00e3o que nem papel<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d<strong>[30]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Era poss\u00edvel naturalizar a pobreza e a mis\u00e9ria, mas n\u00e3o suas consequ\u00eancias que colocassem em risco \u00e0 ordem. Aos pobres era imposto morrer calado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para garantir o sucesso dessa higieniza\u00e7\u00e3o social, depurando a sociedade dos que ousavam se revoltar, chacinas se espalharam pelo pa\u00eds. Em 1992, 111 reclusos da Casa de Deten\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, conhecida como Penitenci\u00e1ria de Carandiru, foram mortos ap\u00f3s a invas\u00e3o da pris\u00e3o pela Tropa de Choque da Pol\u00edtica Militar para \u201cconter\u201d uma rebeli\u00e3o<strong>[31]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Em 1993, oito adolescentes foram assassinados por policiais militares que atiraram nos mais de 70 moradores de rua que dormiam em frente \u00e0 Igreja da Candel\u00e1ria, no centro do Rio de Janeiro<strong>[32]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Um m\u00eas depois, outros 21 jovens foram assassinados por policiais e ex-policiais militares, durante a madrugada, na favela de Vig\u00e1rio Geral, zona Norte do Rio de Janeiro<strong>[33]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Em 1996, policiais militares do estado do Par\u00e1 assassinaram 19 trabalhadores rurais sem-terra, em Eldorado dos Caraj\u00e1s<strong>[34]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por mais que estas formas de a\u00e7\u00e3o possam ser tratadas como excessos de setores radicalizados das for\u00e7as p\u00fablicas de seguran\u00e7a e de suas mil\u00edcias paramilitares que j\u00e1 se formavam neste contexto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender o avan\u00e7o destas pr\u00e1ticas, sem percebermos uma crescente aquiesc\u00eancia social frente a elas. No fundo tais fen\u00f4menos sempre foram vistos com feridas dolorosas e dif\u00edceis de serem encaradas, mas considerados necess\u00e1rios para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem. Tal percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se cristaliza, contudo, sem corroer ainda mais as estruturas org\u00e2nicas de uma sociedade j\u00e1 dividida de cima a baixo. Conviver com todas estas mortes sem colapsar a ordem social, exige que suas v\u00edtimas sejam colocadas em um local a parte. A elas \u00e9 reservado o lugar do \u201coutro\u201d, aquele que n\u00e3o importa, que \u00e9 descart\u00e1vel para o organismo social<strong>[35]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Foi assim, com o ind\u00edgena \u201cb\u00e1rbaro e violento\u201d, foi assim com o negro \u201cselvagem e desumanizado\u201d, foi assim com \u201cmesti\u00e7o de sangue viciado\u201d, foi assim com trabalhador nacional \u201cvadio e desqualificado\u201d, tem sido assim, com os marginais, \u201cincapazes de viver em sociedade\u201d. Constr\u00f3i-se um enredo em que todos estes podem morrer, j\u00e1 que nada produzem, s\u00e3o est\u00e9reis do ponto de vista econ\u00f4mico e ainda deformam a ordem social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por todas estas raz\u00f5es, tais chacinas n\u00e3o foram casos isolados. Em 2020, matar e morrer em nome do progresso econ\u00f4mico segue pr\u00e1tica comum. S\u00e3o crescentes os movimentos em prol da facilita\u00e7\u00e3o \u00e0 posse de armas, ao mesmo tempo em que cresce o n\u00famero e o poder de mil\u00edcias de matadores de aluguel. Nada mais pr\u00f3ximo do Brasil atual que a constata\u00e7\u00e3o de Achille Mbembe quanto \u00e0 realidade de diversos Estados africanos no final do s\u00e9culo XX, nos quais \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">mil\u00edcias urbanas, ex\u00e9rcitos privados, ex\u00e9rcitos de senhores regionais, seguran\u00e7a privada e ex\u00e9rcitos de Estado proclamam, todos, o direito de exercer viol\u00eancia ou matar.<strong>[36]\u201d<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Na zona rural, a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola segue matando e escravizando em nome do sucesso do agroneg\u00f3cio. Segundo dados do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o Dom Tom\u00e1s Baldu\u00edno, da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT), em 2019 ocorreram 32 execu\u00e7\u00f5es no campo<strong>[37]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, a maior parte delas de lideran\u00e7as sindicais e de trabalhadores rurais. J\u00e1 s\u00e3o 247 assassinatos registrados pela CPT desde 1985. No mesmo ano, segundo a CPT, den\u00fancias levaram \u00e0 descoberta de 880 pessoas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas ao trabalho escravo no Brasil, das quais 745 foram libertadas<strong>[38]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A solu\u00e7\u00e3o destes casos nem sempre \u00e9 f\u00e1cil, tendo em vista as enormes dificuldades e riscos envolvidos na tarefa daqueles que se disp\u00f5em a fiscalizar e denunciar os casos de explora\u00e7\u00e3o do trabalho. O destino destes agentes de fiscaliza\u00e7\u00e3o muitas vezes tamb\u00e9m \u00e9 a morte<strong>[39]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. A estas mortes somam-se tantas outras originadas pela expans\u00e3o agr\u00e1ria que leva \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de conflitos entre latifundi\u00e1rios e pequenos produtores e\/ou ind\u00edgenas<strong>[40]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Os recentes cortes no n\u00famero de fiscais e auditores do trabalho, o sucateamento e dirigismo ideol\u00f3gico em \u00f3rg\u00e3os como Ibama, ICMBio<strong>[41]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, Funai<strong>[42]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> e Incra, assim como a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, como o MST<strong>[43]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> apontam para um genoc\u00eddio de propor\u00e7\u00f5es ainda maiores nos pr\u00f3ximos anos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em pleno s\u00e9culo XXI, esse clima de terra sem lei tamb\u00e9m \u00e9 a regra nas maiores metr\u00f3poles do pa\u00eds, onde se mata e se morre indiscriminadamente. Segundo o Atlas da Viol\u00eancia 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA) e pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, em 2017 houve 65.602 homic\u00eddios no Brasil. Foram 180 mortes por dia, em m\u00e9dia. Estas mortes n\u00e3o despertam aten\u00e7\u00e3o. Elas s\u00e3o mais que invis\u00edveis, elas s\u00e3o naturalizadas, por tratarem em geral de jovens negros e pobres moradores das periferias das grandes cidades. Dos assassinatos ocorridos em 2017, 75,5% vitimaram indiv\u00edduos negros<strong>[44]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Quando aparece na grande imprensa, basicamente em jornais sensacionalistas, n\u00e3o raramente esse exterm\u00ednio \u00e9 endossado por um discurso de limpeza social: \u201cum bandido a menos\u201d, especialmente quando a morte \u00e9 causada em conflitos com a pol\u00edcia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nos \u00faltimos anos, como consequ\u00eancia do acirramento da disputa por poder entre grupos criminosos, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), tem sido recorrente a execu\u00e7\u00e3o de grupos rivais dentro de unidades prisionais<strong>[45]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Nestes casos, a morte, mesmo qualificada por uma brutalidade terr\u00edvel, choca ainda menos. Tornamo-nos uma sociedade s\u00e1dica, despudorada que n\u00e3o apenas aceita estas mortes, mas vibra com elas. A morte deve entrar em casa, tomar caf\u00e9 e almo\u00e7ar todos os dias com cada um de n\u00f3s e n\u00e3o mais assustar. Tal sadismo toma forma a partir do crescente n\u00famero de programas jornal\u00edsticos sensacionalistas, sucessos de audi\u00eancia, centrados no espet\u00e1culo da viol\u00eancia. O medo da viol\u00eancia n\u00e3o desperta indigna\u00e7\u00e3o, mas alimenta o \u00f3dio ao \u201coutro\u201d, refor\u00e7ando a cis\u00e3o social. Neste sentido, percep\u00e7\u00e3o reproduzida nos \u00faltimos anos de uma sociedade dividida entre \u201ccidad\u00e3os de bem\u201d e \u201cmarginais\u201d aparece como a vers\u00e3o mais moderna da polariza\u00e7\u00e3o entre a Casa Grande e a Senzala.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Se as mortes reveladas por cad\u00e1veres decepados e corpos carbonizados<strong>[46]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> apresentados nestes programas n\u00e3o causam terror, o que dizer daquelas que ocorrem silenciosamente nas milhares de casas sem saneamento b\u00e1sico, em hospitais sem m\u00e9dicos e nas ruas. O acesso \u00e0 sa\u00fade t\u00e3o vivamente lembrado nos \u00faltimos dias n\u00e3o \u00e9 um problema novo para o brasileiro pobre, que depende do Sistema \u00danico de Sa\u00fade. Seus problemas passam pelo insuficiente n\u00famero de m\u00e9dicos e sua desigual distribui\u00e7\u00e3o pelo pa\u00eds, pela car\u00eancia de leitos hospitalares, pela demora no agendamento de consultas e exames, dentre outros<strong>[47]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O crescimento da taxa de mortalidade infantil<strong>[48]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> em 2016, ap\u00f3s anos em queda, indica o quanto as pol\u00edticas de austeridade fiscal dos \u00faltimos anos t\u00eam comprometido ainda mais o fragilizado sistema de sa\u00fade brasileiro.<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O que dizer ent\u00e3o das milhares de mortes de hoje e de amanh\u00e3 causadas pela destrui\u00e7\u00e3o ambiental, pela polui\u00e7\u00e3o, por agrot\u00f3xicos, pelo desalojamento de comunidades, pela destrui\u00e7\u00e3o de rios e mares, pela enxurrada de lama causada pelo rompimento criminoso de barragens, pelo deslizamento de constru\u00e7\u00f5es em encostas, dentre tantas outras mortes evit\u00e1veis. Morrer e matar n\u00e3o tem sido um problema h\u00e1 anos. Por que seria agora?<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Assim, olhar para tr\u00e1s \u00e9 condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para entender por que diante das filas em cemit\u00e9rios para enterrar mortos, da escassez de caix\u00f5es em algumas cidades e de leitos hospitalares em outras, alguns insistem em se preocuparem mais com a \u201cmorte dos CNPJs\u201d. N\u00e3o se passa impune por uma hist\u00f3ria assentada sobre cad\u00e1veres. De 1500 at\u00e9 aqui, n\u00e3o apenas aprendemos a conviver com eles, como aprendemos a aceitar o quanto s\u00e3o importantes para nossa evolu\u00e7\u00e3o. \u201cAs pessoas morrem\u201d. \u201cA economia n\u00e3o pode parar por 5 ou 7 mil mortes\u201d. Ningu\u00e9m quer \u201carrastar um cemit\u00e9rio de mortos nas [suas] costas\u201d. \u201cA roda da economia precisa voltar a girar\u201d. S\u00e3o pensamentos exalados por cabe\u00e7as de hoje como poderiam ter sido ditos h\u00e1 20 anos ou em qualquer dia de nossa hist\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dentro deste contexto, a atual pol\u00edtica eugenista de Bolsonaro, ainda que na contram\u00e3o de praticamente todo o mundo, n\u00e3o paira no ar. Ela se sustenta em um aparato ideol\u00f3gico que v\u00ea a morte do outro como uma reden\u00e7\u00e3o, uma solu\u00e7\u00e3o final, em nome da evolu\u00e7\u00e3o social. Sua ades\u00e3o a esta ideologia tampouco se deu agora, ela j\u00e1 se mostrava clara ao longo de toda a sua carreira pol\u00edtica. J\u00e1 era poss\u00edvel perceb\u00ea-la quando, ainda deputado, Bolsonaro defendia em 1999, a necessidade de \u201cmatar uns 30 mil\u201d, come\u00e7ando pelo ent\u00e3o presidente Fernando Henrique, em \u201ctrabalho que o regime militar n\u00e3o fez\u201d ou quando dedicou a um torturador seu voto pelo impeachment de Dilma Roussef, em 2016, para ficar em apenas dois exemplos<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[49].<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">O fato de ainda assim, grande parte da popula\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar por suas elites econ\u00f4micas, n\u00e3o ter enrubescido em endossar seu discurso durante a campanha eleitoral diz muito mais sobre n\u00f3s, enquanto sociedade, do que sobre ele.\u00a0<\/span><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Se isso tudo \u00e9 verdade, ainda que se contrapor \u00e0 pol\u00edtica de morte representada pelo atual governo seja hoje um imperativo, qualquer tentativa de remover cirurgicamente o presidente do posto em que se encontra, n\u00e3o nos transformar\u00e1 em uma sociedade melhor. Para tanto, se faz necess\u00e1rio muito mais que isto. Para iniciarmos a constru\u00e7\u00e3o de um futuro menos cruel para depois crise, ser\u00e1 necess\u00e1rio, desde j\u00e1, come\u00e7armos a nos desinfectar de um v\u00edrus muito pior que o que hoje nos assola, do qual temos sido contaminados em massa hereditariamente h\u00e1 s\u00e9culos, e que nos tem impedido de ver no outro uma parte de n\u00f3s mesmos. Que se chame a esta doen\u00e7a de capitalismo, ou de qualquer outro nome que se queira dar, o fato \u00e9 que precisamos reunir esfor\u00e7os urgentes para encontrarmos coletivamente a sua cura.<\/span><\/p>\n<h3><strong>NOTAS<br \/><\/strong><\/h3>\n<hr \/>\n<h5><strong>[1] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Agrade\u00e7o aos colegas do Grupo de Conjuntura Econ\u00f4mica da Ufes, Ana Paula, Henrique, Gustavo e Vin\u00edcius, pela leitura e sugest\u00f5es ao texto, isentando-os de qualquer responsabilidade sobre seu conte\u00fado.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[2] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">O n\u00famero de mortos causados por Coronav\u00edrus no Brasil passou dos 16 mil, em 17 de maio de 2020, a partir de informa\u00e7\u00f5es resultantes de n\u00fameros certamente subnotificados. Ver mais em \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Subnotifica\u00e7\u00e3o: 6 indicadores de que h\u00e1 mais casos de Covid-19 no Brasil do que o governo divulga\u201d Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/coronavirus\/noticia\/2020\/04\/29\/subnotificacao-4-indicadores-de-que-ha-mais-casos-de-covid-19-no-brasil-do-que-o-governo-divulga.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/g1.globo.com\/bemestar\/coronavirus\/noticia\/2020\/04\/29\/subnotificacao-4-indicadores-de-que-ha-mais-casos-de-covid-19-no-brasil-do-que-o-governo-divulga.ghtml<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[3] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sua indiferen\u00e7a frente \u00e0s consequ\u00eancias da doen\u00e7a para milh\u00f5es de brasileiros se materializa n\u00e3o apenas por meio de seus discursos, mas tamb\u00e9m pelas medidas tomadas at\u00e9 aqui, que deixam clara a op\u00e7\u00e3o em proteger empresas e rentistas, ainda que em detrimento dos mais vulner\u00e1veis. Ver mais sobre isso em: \u201cBreves coment\u00e1rios sobre a EC 106\u201d, dispon\u00edvel em:\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/2020\/05\/15\/breves-comentarios-sobre-a-ec-106\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/2020\/05\/15\/breves-comentarios-sobre-a-ec-106\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e \u201cPandemia e precariedade: a naturaliza\u00e7\u00e3o dos dramas sociais\u201d, dispon\u00edvel em:\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/2020\/04\/20\/607\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/2020\/04\/20\/607\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[4] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Caio Prado Junior. Forma\u00e7\u00e3o do Brasil Contempor\u00e2neo (1942)\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[5] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Leslie Bethell. Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina (vol. 1) publicado pela Edusp e pela Funag em 2012 (2\u00aa ed.). Notas sobre as popula\u00e7\u00f5es americanas \u00e0s v\u00e9speras das invas\u00f5es europeias.<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[6] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Eram mais de 30 milh\u00f5es em toda a Am\u00e9rica, como se v\u00ea em Nicol\u00e1s Sanches-Albornoz (A popula\u00e7\u00e3o da am\u00e9rica Espanhola colonial) em Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina (vol. 2) organizado por Leslie Bethell e publicado no Brasil pela Edusp\/Funag em 2008.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[7] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">As estimativas mais aceitas apontam para 12,5 milh\u00f5es de embarcados na \u00c1frica e 10,7 desembarcados nas Am\u00e9ricas de 1514 at\u00e9 1866. S\u00e3o praticamente 2 milh\u00f5es de mortos durante a travessia do Atl\u00e2ntico. Ver: <\/span><a href=\"https:\/\/slavevoyages.org\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/slavevoyages.org\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[8] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver sobre isso em Caio Prado Junior. Hist\u00f3ria Econ\u00f4mica do Brasil (Ed. Brasiliense, 1945, p. 109). Eric Willians mostra ainda que a pr\u00e1tica de atirar negros ainda vivos ao mar j\u00e1 era utilizada por traficantes mesmo antes do s\u00e9culo XIX, seja para conter movimentos de rebeli\u00e3o de negros durante a viagem, seja para evitar o alastramento de doen\u00e7as a bordo. Nestes casos, o assassinato em massa era retribu\u00eddo com o pagamento de seguro aos comerciantes pela carga perdida (Capitalismo e Escravid\u00e3o, Ed. Americana, 1975, pg. 52).\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[9] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Argolas nas quais eram presos os dedos polegares da v\u00edtima comprimindo-os por meio de um parafuso.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[10] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver, de Em\u00edlia Viotti da Costa, \u201cDa Monarquia a rep\u00fablica\u201d publicado pela Editora da Unesp em 2010 (9\u00aa edi\u00e7\u00e3o) p. 290-294.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[11] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Percebendo que o regime escravista estava perto do fim, muitos fazendeiros procuravam reduzir suas perdas, reinventando formas de manter o trabalhador preso \u00e0s suas fazendas. Logo alguns percebem que libertar o cativo, antes que a lei o fizesse, podia ser um bom neg\u00f3cio.\u00a0 \u00c9 o que vemos por exemplo, em uma carta escrita pelo fazendeiro paulista Paula Souza ao m\u00e9dico e pol\u00edtico baiano C\u00e9zar Zama. Diz Souza, \u201ctenho em minha fam\u00edlia exemplos concretos. Meu irm\u00e3o libertou todos [os negros escravizados] que possu\u00eda. Alguns destes sa\u00edram e foram procurar servi\u00e7o longe. Oito dias depois me procuraram, ou a meu pr\u00f3prio irm\u00e3o e acomodaram-se conosco, trazendo impress\u00f5es desfavor\u00e1veis da vida de vagabundo que levaram durante esses oito dias. [&#8230;] Como te disse, tenho com os meus ex-escravos o mesmo contrato que tinha com os colonos. Nada lhes dou: tudo lhes vendo, inclusive um vint\u00e9m de couve ou leite! Compreendes que s\u00f3 fa\u00e7o isto para moralizar o trabalho, e para que eles compreendam que s\u00f3 podem contar consigo, e jamais por gan\u00e2ncia\u201d. Excertos de carta escrita em 19 de mar\u00e7o de 1888, publicada no jornal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">A Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> no mesmo ano e reproduzida por Florestan Fernandes em A integra\u00e7\u00e3o no negro na sociedade de classes (Editora Globo, 2008, vol. I, p. 48-49)<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[12] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">As altas taxas de mortalidade dos trabalhadores escravizados se explicam pela p\u00e9ssima condi\u00e7\u00e3o de vida e pela dureza e precariedade do trabalho nas fazendas. Al\u00e9m disso, \u00e9 valido registrar a exist\u00eancia de um n\u00famero, para o qual h\u00e1 poucas estimativas, de negros escravizados que se alistaram para combaterem na Guerra do Paraguai (1864-1870) entusiasmados com a possibilidade de alforria, e n\u00e3o voltaram vivos.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[13] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">O apoio \u00e0s fugas de trabalhadores escravizados tornou-se pr\u00e1tica comum de parcela do movimento abolicionista ao longo da d\u00e9cada de 1880. Foi o caso dos Caifazes, liderado por Antonio Bento, em S\u00e3o Paulo. Ver em \u201cAlencastro: aboli\u00e7\u00e3o, manobra das elites\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/alencastro-abolicao-manobra-das-elites\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/alencastro-abolicao-manobra-das-elites\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[14] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cFoi o fazendeiro quem se libertou do escravo, e n\u00e3o o escravo quem, propriamente, se libertou do fazendeiro. A proposta da Aboli\u00e7\u00e3o, em tese, n\u00e3o se destinava a remir o cativo, mas a dele libertar o capital, que se contorcia nas limita\u00e7\u00f5es, impedimentos e irracionalidades da escravid\u00e3o.\u201d Jos\u00e9 de Souza Martins, O cativeiro da terra (Contexto, 2010, pg. 227).<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[15] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cCem anos de liberdade, realidade ou ilus\u00e3o\u201d, samba-enredo do desfile de 1988, da GRES Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. Composi\u00e7\u00e3o de H\u00e9lio Turco, Jurandir e Alvinho.<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[16] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Referem-se a tr\u00eas dentre as dezenas de rebeli\u00f5es transcorridas no per\u00edodo regencial do II Imp\u00e9rio, todas elas massacradas pelas for\u00e7as militares imperiais: Cabanagem (Gr\u00e3o-Par\u00e1 \u2013 1835-1840), Balaiada (Maranh\u00e3o, 1838-1841) e Sabinada (Bahia, 1837-1838).<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[17] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver, de Sidney Chalhoub, \u201cTrabalho lar e botequim\u201d, publicado pela Editora da Unicamp em 2012.<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[18] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cQuando a seca criou os \u2018campos de concentra\u00e7\u00e3o\u2019 no sert\u00e3o do Cear\u00e1\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/08\/politica\/1546980554_464677.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/01\/08\/politica\/1546980554_464677.html<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[19] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver o livro \u201cQuarto de Despejo: di\u00e1rio de uma favelada\u201d escrito pela catadora de papel e escritora Carolina Maria de Jesus, ao longo dos anos 1950 e publicado originalmente em 1960. Destaque para a passagem: \u201cDespertei. N\u00e3o adormeci mais. Comecei sentir fome. E quem est\u00e1 com fome n\u00e3o dorme. Quando Jesus disse para as mulheres de Jerusal\u00e9m: &#8211; \u2018N\u00e3o chores por mim. Chorae por v\u00f3s\u2019 \u2013 suas palavras profetizava o governo do senhor Juscelino. Penado de agruras para o povo brasileiro. Penado que o pobre h\u00e1 de comer o que encontrar no lixo ou ent\u00e3o dormir com fome\u201d p. 134.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[20] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">O filme \u201cCabra marcado para morrer\u201d (1984) de Eduardo Coutinho narra a morte do campon\u00eas Jo\u00e3o Pedro Teixeira, em 1962, com tiros de fuzil em suas costas no munic\u00edpio de Sap\u00e9, na Para\u00edba. Jo\u00e3o Pedro era uma lideran\u00e7a camponesa local e foi morto a mando de fazendeiros envolvidos em conflitos agr\u00e1rios.\u00a0\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[21] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Era o que conclu\u00eda, em 1970, Em\u00edlio G. M\u00e9dici, terceiro presidente do regime militar que governou entre 1969 e 1974. Ver: <\/span><a href=\"http:\/\/memoria.bn.br\/pdf\/030015\/per030015_1970_00285.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/memoria.bn.br\/pdf\/030015\/per030015_1970_00285.pdf<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[22] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ideia atribu\u00edda a Antonio Delfim Netto, economista que foi Ministro da Fazenda entre 1967 e 1974, durante o per\u00edodo do \u201cMilagre Econ\u00f4mico\u201d.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[23] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">50 anos do AI-5: Os n\u00fameros por tr\u00e1s do &#8216;milagre econ\u00f4mico&#8217; da ditadura no Brasil\u201d, dispon\u00edvel em<\/span><span style=\"font-weight: 400\">: <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-45960213\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-45960213<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[24] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver Relat\u00f3rio final da Comiss\u00e3o Nacional da Verdade, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/cnv.memoriasreveladas.gov.br\/images\/pdf\/relatorio\/volume_3_digital.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/cnv.memoriasreveladas.gov.br\/images\/pdf\/relatorio\/volume_3_digital.pdf<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[25] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cO elo da Fiesp com o por\u00e3o da ditadura\u201d dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/o-elo-da-fiesp-com-porao-da-ditadura-7794152\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/o-elo-da-fiesp-com-porao-da-ditadura-7794152<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e em \u201cVolkswagen admite la\u00e7os com a ditadura militar, mas falha ao n\u00e3o detalhar participa\u00e7\u00e3o, diz pesquisador\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/15\/politica\/1513361742_096853.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/15\/politica\/1513361742_096853.html<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[26] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver: Documento Fiesp \u201cLivre para crescer: proposta para um Brasil moderno\u201d (1990).<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[27] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios, dispon\u00edvel em www.ipeadata.gov.br<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[28] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais na reportagem \u201cEm 1990, miser\u00e1veis invadiam as grandes cidades do pa\u00eds\u201d dispon\u00edvel em <\/span><a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/reveja\/em-1990-miseraveis-invadiam-as-grandes-cidades-do-pais\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/veja.abril.com.br\/blog\/reveja\/em-1990-miseraveis-invadiam-as-grandes-cidades-do-pais\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[29] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em <\/span><a href=\"https:\/\/www.acaodacidadania.com.br\/nossa-historia\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.acaodacidadania.com.br\/nossa-historia<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[30] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cDi\u00e1rio de um detento\u201d (1997), rap escrito por Pedro Paulo Soares Pereira (Mano Brown) e Josemir Prado, ex-detento do Carandiru.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[31] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cSobrevivente do Carandiru: \u2018Se a porta abrir, voc\u00ea vive. Se n\u00e3o, vou te executar\u2019\u201d, dispon\u00edvel <\/span><span style=\"font-weight: 400\">em<\/span><span style=\"font-weight: 400\">: <\/span><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/14\/politica\/1497471277_080723.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/06\/14\/politica\/1497471277_080723.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[32] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cMaioria de sobreviventes morreu, diz ativista, 25 anos ap\u00f3s chacina\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2018-07\/nao-consegui-salvar-aquelas-criancas-diz-ativista-25-apos-chacina\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2018-07\/nao-consegui-salvar-aquelas-criancas-diz-ativista-25-apos-chacina<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[33] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cSobrevivente da chacina de Vig\u00e1rio Geral diz que PM queria matar crian\u00e7as\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2013\/08\/29\/sobrevivente-da-chacina-de-vigario-geral-diz-que-pm-queria-matar-criancas.htm\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2013\/08\/29\/sobrevivente-da-chacina-de-vigario-geral-diz-que-pm-queria-matar-criancas.htm<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[34] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cPol\u00edcia massacra em Eldorado dos Caraj\u00e1s\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/memorialdademocracia.com.br\/card\/policia-massacra-em-eldorado-dos-carajas\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/memorialdademocracia.com.br\/card\/policia-massacra-em-eldorado-dos-carajas<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[35] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver a respeito \u201cNecropol\u00edtica\u201d de Achile Mbembe, publicado no Brasil pela N-1 edi\u00e7\u00f5es em 2018.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[36] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Necropol\u00edtica, Achille Mbembe (2018, p.53).<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[37] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/component\/jdownloads\/send\/5-assassinatos\/14169-assassinatos-2019?Itemid=0\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.cptnacional.org.br\/component\/jdownloads\/send\/5-assassinatos\/14169-assassinatos-2019?Itemid=0<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[38]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Ver mais em Comiss\u00e3o Pastoral da Terra, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.cptnacional.org.br\/component\/jdownloads\/send\/12-trabalho-escravo\/14174-trabalho-escravo-2019?Itemid=0\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.cptnacional.org.br\/component\/jdownloads\/send\/12-trabalho-escravo\/14174-trabalho-escravo-2019?Itemid=0<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[39] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver a chacina envolvendo fiscais do Minist\u00e9rio do Trabalho, em 2004, na cidade de Unai\/MG. <\/span><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2019\/07\/30\/chacina-de-unai-apos-15-anos-justica-federal-mantem-condenacao-de-tres-mandantes-do-crime.ghtml\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/g1.globo.com\/df\/distrito-federal\/noticia\/2019\/07\/30\/chacina-de-unai-apos-15-anos-justica-federal-mantem-condenacao-de-tres-mandantes-do-crime.ghtml<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[40] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cGenoc\u00eddio de povo Guarani-Kaiow\u00e1 no MS \u00e9 incontest\u00e1vel, conclui miss\u00e3o do Parlamento Europeu e CDHM\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/comissoes\/comissoes-permanentes\/cdhm\/noticias\/genocidio-de-povo-guarani-kaiowa-no-ms-e-incontestavel-conclui-missao-do-parlamento-europeu-e-cdhm\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/comissoes\/comissoes-permanentes\/cdhm\/noticias\/genocidio-de-povo-guarani-kaiowa-no-ms-e-incontestavel-conclui-missao-do-parlamento-europeu-e-cdhm<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[41]\u00a0 <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cPortas abertas para a devasta\u00e7\u00e3o do Brasil\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/o-campo-minado-da-fiscalizacao-ambiental\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/o-campo-minado-da-fiscalizacao-ambiental\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[42] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A asfixia da Funai e o genoc\u00eddio anunciado\u201d de Karen Shiratori, dispon\u00edvel em:<\/span><span style=\"font-weight: 400\">: <\/span><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/08\/opinion\/1494269412_702204.html\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/05\/08\/opinion\/1494269412_702204.html<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[43]\u00a0 <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cBolsonaro sobre MST e MTST: \u2018Invadiu, \u00e9 chumbo\u2019\u201d , dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,bolsonaro-diz-que-e-melhor-perder-direitos-trabalhistas-que-o-emprego,70002317744\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/politica.estadao.com.br\/noticias\/geral,bolsonaro-diz-que-e-melhor-perder-direitos-trabalhistas-que-o-emprego,70002317744<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[44]\u00a0 <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em: <\/span><a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/19\/atlas-da-violencia-2019\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/19\/atlas-da-violencia-2019<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[45] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Chacinas como as ocorridas no Pres\u00eddio de Pedrinhas\/MA, em 2010 (18 mortos), em v\u00e1rios pres\u00eddios no Cear\u00e1, em 2016 (14 mortos), na Penitenci\u00e1ria Agr\u00edcola de Monte Cristo\/RR (10 mortes), na <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Penitenci\u00e1ria \u00canio dos Santos Pinheiro<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\/RO, em 2016 (8 mortes), no <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Complexo Penitenci\u00e1rio An\u00edsio Jobim\/AM, em 2017 (60 mortes) e no <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Centro de Recupera\u00e7\u00e3o Regional de Altamira, em 2019 (57 mortes).<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[46]\u00a0 <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cCabe\u00e7as cortadas, corpos carbonizados &#8211; o que est\u00e1 por tr\u00e1s da viol\u00eancia extrema na guerra de fac\u00e7\u00f5es\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49181204\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-49181204<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[47] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cDemografia M\u00e9dica no Brasil 2018\u201d, publicado pela Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/DemografiaMedica2018.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/DemografiaMedica2018.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e em \u201cFalta de m\u00e9dicos e de rem\u00e9dios: 10 grandes problemas da sa\u00fade brasileira\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=33176:uol-noticias-falta-de-medicos-e-de-remedios-10-grandes-problemas-da-saude-brasileira&amp;catid=131:sem-categoria&amp;directory=1\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=33176:uol-noticias-falta-de-medicos-e-de-remedios-10-grandes-problemas-da-saude-brasileira&amp;catid=131:sem-categoria&amp;directory=1<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[48] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ver mais em \u201cMortalidade infantil retorna com aumento das desigualdades sociais\u201d, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/mortalidade-infantil-retorna-com-aumento-das-desigualdades-sociais\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/mortalidade-infantil-retorna-com-aumento-das-desigualdades-sociais\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>[49] <\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Sobre isso ler mais em \u201cDentro do pesadelo\u201d de Fernando Barros e Silva, dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/dentro-do-pesadelo-2\/\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/piaui.folha.uol.com.br\/materia\/dentro-do-pesadelo-2\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><\/h5>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rafael MoraesProfessor do Departamento de Economia CCJE\/UFES Populus, meu c\u00e3oO escravo, indiferente, que trabalhaE, por presente, tem migalhas sobre o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":383,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[19],"tags":[27,201,309,323,317,319,270,117,321,322,6,7,234,197,198,200,196,126,303,23,10,86,315,314,316,325,318,139,311,312,187,186,310,313,320,42,14,324,17],"class_list":["post-785","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-publicacoes","tag-analise-economica","tag-analise-economica-coronavirus","tag-bolsonaro","tag-brasil-colonia","tag-brasil-escravocrata","tag-brasil-republica","tag-capital","tag-capitalismo","tag-colonizacao-brasileira","tag-colonizacao-do-brasil","tag-conjuntura","tag-conjuntura-economica","tag-coronacrise","tag-coronavirus","tag-coronavirus-economia","tag-coronavirus-impactos-no-brasil","tag-covid-19","tag-crise-economica","tag-crise-sanitaria","tag-economia","tag-economia-brasileira","tag-economia-politica","tag-escravidao","tag-escravidao-brasileira","tag-escravidao-no-brasil","tag-eugenia","tag-formacao-economica-do-brasil","tag-governo-bolsonaro","tag-historia-economica","tag-historia-economica-do-brasil","tag-liberalismo-brasileiro","tag-liberalismo-economico","tag-mortes-coronavirus","tag-naturalizacao-da-morte","tag-necropolitica","tag-politica-economica","tag-rafael-moraes","tag-sus","tag-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Luiz Carlos Santos","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/author\/luiz_carlos-santos-de-jesus\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Rafael MoraesProfessor do Departamento de Economia CCJE\/UFES Populus, meu c\u00e3oO escravo, indiferente, que trabalhaE, por presente, tem migalhas sobre o [&hellip;]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/785","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/users\/383"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=785"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/785\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":796,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/785\/revisions\/796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=785"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=785"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=785"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}