{"id":829,"date":"2020-05-28T10:50:30","date_gmt":"2020-05-28T13:50:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=829"},"modified":"2025-10-13T13:16:55","modified_gmt":"2025-10-13T16:16:55","slug":"passado-e-presente-as-desigualdades-estruturais-do-mercado-de-trabalho-brasileiro-na-crise-do-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/passado-e-presente-as-desigualdades-estruturais-do-mercado-de-trabalho-brasileiro-na-crise-do-covid-19\/","title":{"rendered":"PASSADO E PRESENTE: AS DESIGUALDADES ESTRUTURAIS DO MERCADO DE TRABALHO BRASILEIRO NA CRISE DO COVID-19"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-835\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/05\/empregos-e-sal\u00e1rios.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"146\" \/><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify\"><strong>Subgrupo de Empregos e Sal\u00e1rios\u00b9<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A cada dia que passa, as consequ\u00eancias econ\u00f4micas resultantes da interrup\u00e7\u00e3o dos fluxos de renda em virtude do isolamento social refor\u00e7am as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira, agravando os dramas sociais<strong>[2]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Entre estes dramas est\u00e3o as desigualdades estruturais entre homens e mulheres e entre brancos e negros, no mercado de trabalho brasileiro, como reflexo de sua constitui\u00e7\u00e3o sobre bases escravista e patriarcal. Na medida em que a crise atual atinge o mercado de trabalho, \u00e9 frente a esta realidade estrutural que ela o faz, atingindo os diversos grupos de trabalhadores e trabalhadoras de formas e intensidades diferentes. Apresentar esta face desigual do mercado de trabalho brasileiro e apontar como ela se relaciona com a crise atual, voltando o olhar para aqueles mais vulner\u00e1veis, seja pela natureza de sua ocupa\u00e7\u00e3o, seja pela precariedade de sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, s\u00e3o os objetivos deste texto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Como afirma Achille Mbembe<strong>[3]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, \u00e9 da l\u00f3gica do capitalismo operar segundo um c\u00e1lculo que seleciona aqueles que podem ser descartados, tendo em vista que o pr\u00f3prio<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> sistema \u201c\u00e9 baseado na distribui\u00e7\u00e3o desigual da oportunidade de viver e de morrer\u201d. O neoliberalismo, que o autor prefere qualificar de \u201cnecroliberalismo\u201d, acirra ainda mais esta l\u00f3gica, na qual \u201calguns valem mais do que outros\u201d.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">A quest\u00e3o \u00e9 que dentre as vidas consideradas de menor valor sempre prevalecem as mesmas ra\u00e7as, as mesmas classes sociais e os mesmos g\u00eaneros<strong>[4]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Tendo em vista que a crise atual nos encontra como somos, suas consequ\u00eancias refletem e aprofundam o processo hist\u00f3rico de naturaliza\u00e7\u00e3o do papel subordinado da mulher e dos negros em uma sociedade injusta e desigual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">As <\/span><span style=\"font-weight: 400\">assi<\/span><span style=\"font-weight: 400\">metrias do mercado de trabalho brasileiro se evidenciam nos rendimentos m\u00e9dios, nas taxas de desocupa\u00e7\u00e3o e de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, bem como no grau de formaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. Por qualquer indicador que se investigue, mulheres e negros est\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">mais sujeitos \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de precariedade. De acordo com a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> (PNAD Cont\u00ednua), no \u00faltimo trimestre de 2019, a taxa de desemprego foi de 11%. As dificuldades em alcan\u00e7ar uma nova ocupa\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o se distribuem simetricamente entre homens e mulheres, brancos e negros. Conforme se v\u00ea na tabela abaixo, s\u00e3o as mulheres negras as mais atingidas pelo desemprego (15,6%). Este n\u00famero \u00e9 mais que o dobro da taxa de homens brancos que procuraram uma ocupa\u00e7\u00e3o no mesmo per\u00edodo e n\u00e3o encontraram (7,4%).\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Tabela 1: Taxa de desocupa\u00e7\u00e3o e de subutiliza\u00e7\u00e3o (2019).<\/strong><br \/><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-830 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/05\/tabela-1.png\" alt=\"\" width=\"469\" height=\"197\" \/>\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">* Categorias preta e parda da vari\u00e1vel de cor\/ra\u00e7a do IBGE;<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">** Desocupa\u00e7\u00e3o, subocupa\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de trabalho potencial;<br \/><\/span><span style=\"font-weight: 400\">Fonte: PNAD Cont\u00ednua. Elabora\u00e7\u00e3o com base nos dados coletados pelo CESIT\/Unicamp.<\/span><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Com base nos n\u00fameros da subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, as mulheres negras aparecem, mais uma vez, como o grupo mais vulner\u00e1vel (33,2%, no \u00faltimo trimestre de 2019). Isso significa que o contingente de desocupados, subocupados e de for\u00e7a de trabalho potencial<strong>[5]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> \u00e9 maior, em termos proporcionais, entre as mulheres negras. Considerando os dados do \u00faltimo trimestre de 2019 com recorte de sexo, s\u00e3o cerca de 6,2 milh\u00f5es de mulheres desocupadas, 3,6 subocupadas e 4,5 milh\u00f5es de trabalhadoras na for\u00e7a de trabalho potencial. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Em todos estes casos, o contingente de m<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ulheres ultrapassa, em termos absolutos, o de homens. No corte por ra\u00e7a\/cor, trata-se de 7,5 milh\u00f5es de negros desocupados, 4,5 milh\u00f5es subocupados e 5,5 milh\u00f5es na for\u00e7a de trabalho potencial. Em todos os casos, o contingente de negros ultrapassa, em termos absolutos, o de brancos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Outro indicador que evidencia a desigualdade no mercado de trabalho brasileiro \u00e9 a informalidade. Embora o alto \u00edndice de trabalho informal seja um problema hist\u00f3rico do mercado de trabalho brasileiro, atingindo tanto homens e mulheres, como negros e brancos, ele prepondera entre a popula\u00e7\u00e3o negra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>As trabalhadoras dom\u00e9sticas<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O impacto \u00e9 significativo sobre as mulheres negras, sobretudo em virtude do trabalho dom\u00e9stico, j\u00e1 que elas representam cerca de 60% do total de trabalhadores nesta ocupa\u00e7\u00e3o, conforme dados para o ano de 2019. Ao mesmo tempo, mais de 75% das mulheres negras que realizam trabalhos dom\u00e9sticos remunerados n\u00e3o possuem carteira de trabalho assinada, ou seja, s\u00e3o trabalhadoras que muitas vezes possuem jornadas de trabalho longas com baixa remunera\u00e7\u00e3o (cerca de R$ 800,00 em m\u00e9dia, conforme dados de 2019). Levando em considera\u00e7\u00e3o apenas o corte por sexo, as dom\u00e9sticas s\u00e3o 90% dos trabalhadores nessa ocupa\u00e7\u00e3o, sendo que mais de 70% encontra-se na informalidade, como mostra o gr\u00e1fico abaixo.\u00a0<\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: center\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Gr\u00e1fico 1: Percentual de trabalhadoras dom\u00e9sticas e n\u00edvel de informalidade sobre o total da ocupa\u00e7\u00e3o (2019)<\/strong><\/span><\/h5>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-834 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/05\/Screenshot_35.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"272\" \/><\/strong><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>Fonte: PNAD Cont\u00ednua. Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O peso dos trabalhadores dom\u00e9sticos no mercado de trabalho no Brasil fica claro quando se percebe que no \u00faltimo trimestre de 2019, 6,6 milh\u00f5es de trabalhadores estavam ocupados em alguma forma de trabalho dom\u00e9stico remunerado, destes a maior parte era mulher e negra. Estes n\u00fameros, que levam o Brasil a ter a maior popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores dom\u00e9sticos do mundo<strong>[6]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, refletem uma cis\u00e3o social reproduzida a partir da escravid\u00e3o. Em sociedades escravistas, toda forma de trabalho f\u00edsico, inclusive o dom\u00e9stico, \u00e9 tida como impr\u00f3pria para as elites brancas. Por esta raz\u00e3o, tornou-se comum a exist\u00eancia de batalh\u00f5es de escravos dom\u00e9sticos primeiro nas Casas Grandes e, depois, nos sobrados urbanos. Com o fim da escravid\u00e3o, esta mesma l\u00f3gica foi sustentada, tendo como alicerce um enorme contingente de trabalhadores desocupados, o que permitia a manuten\u00e7\u00e3o das dom\u00e9sticas a um baixo custo. Os sal\u00e1rios baix\u00edssimos e condi\u00e7\u00f5es de trabalho em extrema precariedade s\u00e3o os elementos que permitem que at\u00e9 hoje a contrata\u00e7\u00e3o de empregadas fixas ou diaristas seja t\u00e3o comum no Brasil, mesmo entre cidad\u00e3os das classes m\u00e9dias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por outro lado, para um enorme contingente de trabalhadores, com pouca ou nenhuma escolaridade e dif\u00edcil acesso a outras formas de ocupa\u00e7\u00e3o, o trabalho dom\u00e9stico aparece como a \u00fanica possibilidade de remunera\u00e7\u00e3o. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Este elemento fica claro no estudo realizado pelos economistas Virginia Rolla Donosco e Carlos Henrique Horn<strong>[7]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> que mostra como a desestrutura\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica e do mercado de trabalho ap\u00f3s a recess\u00e3o iniciada em 2015 converge com um aumento do n\u00famero de empregadas dom\u00e9sticas, sobretudo aquelas que n\u00e3o possuem carteira assinada. Os autores apontam que esse \u00e9 um movimento que vai na via contr\u00e1ria ao que estava acontecendo no per\u00edodo precedente com acentuada redu\u00e7\u00e3o do total de empregadas dom\u00e9sticas, demonstrando que o trabalho dom\u00e9stico \u00e9 uma alternativa concreta e em alguns casos \u00fanica em tempos de crise.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O exemplo das trabalhadoras dom\u00e9sticas evidencia como os problemas conjunturais v\u00e3o se sobrepondo a uma estrutura historicamente assim\u00e9trica, refor\u00e7ando essas desigualdades. \u00c9 por isso que a precariedade estrutural da posi\u00e7\u00e3o destas trabalhadoras no mercado de trabalho, que j\u00e1 vinha se agravando desde 2015, tende a ser aprofundada no atual contexto, seja pela perda de renda no caso daquelas que perderam suas ocupa\u00e7\u00f5es, seja pela exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 doen\u00e7a no caso das que seguem trabalhando<strong>[8]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Outro aspecto do trabalho dom\u00e9stico \u00e9 percebido nos casos em que as tarefas da manuten\u00e7\u00e3o da casa s\u00e3o realizadas pela pr\u00f3pria fam\u00edlia. Nestes casos, comuns dentre as fam\u00edlias mais pobres, as horas de trabalho dedicadas, essencialmente pelas mulheres, ao preparo da alimenta\u00e7\u00e3o, cuidados com a casa, cuidado das crian\u00e7as e idosos da fam\u00edlia n\u00e3o s\u00e3o remuneradas. Em diversos casos essas longas jornadas de trabalho reprodutivo somam-se \u00e0s horas de trabalho remunerado levando a que a sobrecarga de trabalho entre as mulheres apare\u00e7a como uma das principais dificuldades da manuten\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender esse fen\u00f4meno sem remeter \u00e0 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">divis\u00e3o sexual de trabalho<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, um conceito que expressa essa diferencia\u00e7\u00e3o entre o que \u00e9 considerado socialmente como trabalho \u201cde homem\u201d e trabalho \u201cde mulher\u201d. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">O atual contexto de isolamento tem escancarado este problema j\u00e1 que, ao inviabilizar a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores dom\u00e9sticos, trouxe uma sobrecarga ainda maior \u00e0s mulheres que antes podiam delegar essas tarefas a outras.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A interface entre as desigualdades estruturais e a crise do coronav\u00edrus tamb\u00e9m se expressa nos chamados <\/span><span style=\"font-weight: 400\">trabalhadores essenciais<strong>[9]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, sobretudo nas ocupa\u00e7\u00f5es atreladas ao \u201ccuidado\u201d. \u00c9 certo que todos os trabalhadores essenciais est\u00e3o mais expostos ao v\u00edrus, pois acabam colocando em risco sua sa\u00fade, em maior ou menor medida, por lidarem diretamente com muitas pessoas todos os dias. No caso dos profissionais de sa\u00fade, essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda maior. A morte de 110<strong>[10]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> enfermeiros (as) at\u00e9 21 de maio mostra o lado mais chocante desta exposi\u00e7\u00e3o. Este n\u00famero est\u00e1 muito acima do n\u00famero de profissionais de sa\u00fade mortos em outros pa\u00edses com mais \u00f3bitos que o Brasil<strong>[11]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>As profissionais do setor de sa\u00fade\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Os dados mostram que a maioria desses profissionais mortos s\u00e3o mulheres<strong>[12]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> (n\u00e3o h\u00e1 men\u00e7\u00e3o sobre a ra\u00e7a\/cor) em conformidade com o perfil desta categoria. Os dados da PNAD Cont\u00ednua de 2019 mostram que as mulheres s\u00e3o 86% das t\u00e9cnicas de enfermagem e 83% das enfermeiras com n\u00edvel superior. Os brancos s\u00e3o maioria entre os enfermeiros com n\u00edvel superior, enquanto entre os profissionais de enfermagem de n\u00edvel t\u00e9cnico, o predom\u00ednio \u00e9 de negros, com 57,2% frente a 42,8% de brancos. Entre os m\u00e9dicos \u00e9 substantivo o predom\u00ednio dos brancos (81,5%), sendo a divis\u00e3o por sexo mais equilibrada (52,2% de homens e 47,8% de mulheres). Em geral os profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade apresentam alta taxa de formaliza\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o, se destaca a renda m\u00e9dia dos m\u00e9dicos que no final de 2019 chegava a R$ 15.726,80, enquanto a de enfermeiros correspondia a R$ 4.605,20 e a dos t\u00e9cnicos em enfermagem \u00e0 R$ 2.109,70. A renda m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o ocupada no mesmo per\u00edodo era de R$ 2.340,00.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Estes n\u00fameros refletem as caracter\u00edsticas estruturais da sociedade brasileira cuja natureza mostra como as desigualdades de classe, g\u00eanero e ra\u00e7a est\u00e3o profundamente entrela\u00e7adas. \u00c9 poss\u00edvel perceber o predom\u00ednio de mulheres em atividades ligadas ao cuidado. Essa atribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is diferenciados coloca as mulheres sempre na condi\u00e7\u00e3o inferior, a exemplo do trabalho vinculado \u00e0s atividades de cuidado ao qual \u00e9 atribu\u00eddo menor valor social e monet\u00e1rio. No exerc\u00edcio da medicina, mais bem remunerado, prevalece homens brancos, enquanto entre os t\u00e9cnicos de enfermagem, cuja remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia corresponde a 13% da renda dos m\u00e9dicos, prevalecem mulheres negras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Para al\u00e9m das desigualdades estruturais, o cen\u00e1rio da pandemia trouxe uma piora da condi\u00e7\u00e3o de trabalho destes profissionais. \u00c9 o caso de enfermeiras que relatam que diante da escassez de equipamentos de prote\u00e7\u00e3o, usam fraldas durante o trabalho de modo a n\u00e3o precisarem se desparamentar dos equipamentos de seguran\u00e7a cada vez que necessitam ir ao banheiro. Os relatos de jornadas extenuantes, de picos de estresse e de contato direto com a morte ilustram as p\u00e1ginas de jornais desde o in\u00edcio do agravamento da crise sanit\u00e1ria no Brasil<strong>[13]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>Os entregadores \u00e0 domic\u00edlio\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Os profissionais da sa\u00fade, pela natureza da profiss\u00e3o, s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis ao v\u00edrus, mas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos. O caso dos entregadores \u00e0 domic\u00edlio tem tido destaque pelo aumento do uso deste servi\u00e7o em meio a pandemia. Nesta categoria, em que prevalecem homens com baixa remunera\u00e7\u00e3o e sem direitos trabalhistas, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho t\u00eam piorado nos \u00faltimos meses. Os trabalhadores relatam que apesar de estarem trabalhando mais durante a pandemia, tiveram uma redu\u00e7\u00e3o significativa do sal\u00e1rio e n\u00e3o receberam equipamentos de prote\u00e7\u00e3o das empresas<strong>[14]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o se sabe quantos trabalhadores est\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o, seja como motofretistas, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">bike boys<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e motoristas ligados ao transporte de pessoas. Estudos indicam que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">quatro milh\u00f5es de pessoas trabalham para essas plataformas no Brasil<strong>[15]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. O crescimento dos servi\u00e7os providos por aplicativos de celular de transporte de pessoas por carro particular e de entregas por meio de motocicletas ajuda a explicar a forte eleva\u00e7\u00e3o do emprego informal e das ocupa\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria nos \u00faltimos anos. Por meio da PNAD Cont\u00ednua \u00e9 poss\u00edvel visualizar o perfil dos trabalhadores ocupados como condutores de autom\u00f3veis e condutores de motocicleta, dentre os quais certamente se encontram grande parte dos profissionais aqui mencionados. No caso dos condutores de motocicleta, 97,2% s\u00e3o homens e 67,9% negros. O percentual de informais \u00e9 muito alto (77,6%). Entre os condutores de autom\u00f3veis, a informalidade atinge 71,9% dos ocupados.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Como o perfil dos trabalhadores da sa\u00fade e dos transportes demonstra, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 um fen\u00f4meno que atinge a homens e mulheres em diferentes medidas a depender do tipo da ocupa\u00e7\u00e3o. Em todos os casos os negros e negras s\u00e3o os profissionais mais expostos, com ocupa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias e de menor rendimento. Tal fen\u00f4meno \u00e9 consequ\u00eancia da constru\u00e7\u00e3o desigual do mercado de trabalho brasileiro. Neste caso, se percebe a reprodu\u00e7\u00e3o ao longo do tempo tanto dos padr\u00f5es de comportamento de uma sociedade patriarcal, quanto dos reflexos dos mais de 300 anos de escravid\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Diante do que foi apresentado, fica claro como as hist\u00f3ricas desigualdades da sociedade brasileira interferem e s\u00e3o intensificadas na crise atual. O mercado de trabalho no Brasil, reproduzindo a l\u00f3gica patriarcal e racista, opera um sistema de exclus\u00e3o e invisibiliza\u00e7\u00e3o de alguns trabalhadores que os efeitos da pandemia escancaram. Outra vez, como em todos os momentos de crise aguda, o cerceamento do direito \u00e0 vida de mulheres e negros, grupos historicamente marginalizados, s\u00f3 se aprofunda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><strong>NOTAS<br \/><\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h5><strong>[1] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Contribu\u00edram diretamente para a reda\u00e7\u00e3o desta nota Ana Paula Colombi, Gisele Furieri, Otavio Luis Barbosa e Rafael Moraes.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[2]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Estima-se que a economia brasileira poder\u00e1 encolher at\u00e9 11% em 2020, quadro em que 14,7 milh\u00f5es de empregos seriam perdidos. Conforme: PIB pode cair at\u00e9 11%, prev\u00ea UFRJ. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/valor.globo.com\/brasil\/noticia\/2020\/05\/05\/pib-pode-encolher-ate-11-preve-ufrj.ghtml<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[3] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">MBEMBE. A. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Necropol\u00edtica<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Brasil pela N-1 edi\u00e7\u00f5es, 2018.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[4] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Pandemia democratizou poder de matar, diz autor da teoria da &#8216;necropol\u00edtica&#8217;. <br \/>Dispon\u00edvel em:\u00a0<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2020\/03\/pandemia-democratizou-poder-de-matar-diz-autor-da-teoria-da-necropolitica.shtml<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[5] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Grupo que re\u00fane as pessoas que procuram um emprego, mas n\u00e3o estariam aptas a assumir caso encontrem, ou as pessoas que est\u00e3o dispon\u00edveis para trabalhar, mas n\u00e3o procuram emprego.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[6] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">O que faz o Brasil ter a maior popula\u00e7\u00e3o de dom\u00e9sticas do mundo. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-43120953<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[7] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Evolu\u00e7\u00e3o recente do emprego dom\u00e9stico no Brasil. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.dmtemdebate.com.br\/evolucao-recente-do-emprego-domestico-no-brasil\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[8] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">A prefeitura de Bel\u00e9m, diante do bloqueio total de atividades n\u00e3o essenciais, em meio \u00e0 crise atual, decretou o servi\u00e7o dom\u00e9stico como atividade essencial.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[9] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">S\u00e3o eles: m\u00e9dicos, enfermeiros, vendedores e atendentes de farm\u00e1cias, padarias e supermercados, motoristas e entregadores a domic\u00edlio, garis, porteiros, dentre outros<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[10] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Dados do Observat\u00f3rio da Enfermagem, do Cofen. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br\/<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[11] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Brasil j\u00e1 perdeu mais profissionais de enfermagem para o coronav\u00edrus do que It\u00e1lia e Espanha juntas. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-06\/brasil-ja-perdeu-mais-profissionais-de-enfermagem-para-o-coronavirus-do-que-italia-e-espanha-juntas.html<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[12] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">No caso dos 137 enfermeiros mortos registrados pelo Cofen, 70 s\u00e3o mulheres (64%) e 40 homens (36%).<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[13] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">A luta contra o coronav\u00edrus tem o rosto de mulheres. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-05-02\/a-luta-contra-o-coronavirus-tem-o-rosto-de-mulheres.html<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[14] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Coronav\u00edrus: entregadores de aplicativo trabalham mais e ganham menos na pandemia, diz pesquisa. Dispon\u00edvel em:<\/span> <a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-52564246<\/span><\/a><\/h5>\n<h5><strong>[15] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Dormir na rua e pedalar 12 horas por dia: a rotina dos entregadores de aplicativos. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-48304340<\/span><\/a><\/h5>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Subgrupo de Empregos e Sal\u00e1rios\u00b9 A cada dia que passa, as consequ\u00eancias econ\u00f4micas resultantes da interrup\u00e7\u00e3o dos fluxos de renda 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