{"id":847,"date":"2020-06-07T16:09:07","date_gmt":"2020-06-07T19:09:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=847"},"modified":"2025-10-13T13:35:31","modified_gmt":"2025-10-13T16:35:31","slug":"entrevista-ludmila-costhek-abilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/entrevista-ludmila-costhek-abilio\/","title":{"rendered":"ENTREVISTA LUDMILA COSTHEK AB\u00cdLIO"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n<p style=\"text-align: justify\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-884\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/06\/painel.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"500\" \/><\/p>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong>Ludmila Costhek Ab\u00edlio:<\/strong> Formada em ci\u00eancias sociais pela USP, doutora em ci\u00eancias sociais pela Unicamp, atualmente \u00e9 pesquisadora do CESIT-IE\/Unicamp. Realiza seu segundo p\u00f3s-doutorado em economia, dedicando-se junto a outros pesquisadores aos estudos e \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o da uberiza\u00e7\u00e3o como um campo de pesquisa no Brasil.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>Por Ana Paula Colombi e Rafael Moraes.<br \/>\u00a0<\/strong><\/h5>\n<h4 style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Pesquisadora do CESIT-IE\/Unicamp, Ludmila Costhek Ab\u00edlio chama aten\u00e7\u00e3o, na entrevista a seguir, para a condi\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria dos trabalhadores uberizados em plena pandemia. Chamando-os de trabalhadores <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">just in time<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, Ludmila problematiza as novidades dessa forma de trabalho, desconstr\u00f3i a ideia de \u201cempreendedorismo\u201d que paira sobre essas ocupa\u00e7\u00f5es e revela que a uberiza\u00e7\u00e3o est\u00e1 generalizando o modo do viver perif\u00e9rico.\u00a0<\/span><\/h4>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><em><b>1. <\/b><strong>Nos \u00faltimos anos muito se tem falado em \u201ctrabalhadores uberizados\u201d. No que consiste este tipo de ocupa\u00e7\u00e3o e em que ela se diferencia das formas tradicionais? No contexto da crise atual qual a situa\u00e7\u00e3o destes trabalhadores?<\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A <\/span><b>uberiza\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> trata de um novo tipo de informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho. Neste sentido, ela se refere ao mesmo tempo a ocupa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do mundo do trabalho contempor\u00e2neo, tais como o motorista da Uber, o entregador do Ifood. etc&#8230; Mais centralmente trata-se de uma tend\u00eancia que hoje atravessa as rela\u00e7\u00f5es de trabalho em uma perspectiva global: um novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o, gerenciamento e controle do trabalho, que subordina uma multid\u00e3o de trabalhadores informais, desprovidos de direitos e prote\u00e7\u00f5es associados ao trabalho, e que arcam com riscos e custos da sua atividade. Podemos dizer que \u00e9 um <\/span><b>novo tipo de informaliza\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> devido aos meios t\u00e9cnico-pol\u00edticos que operam a\u00ed, ou seja, a possibilidade de controlar, sob novas formas, todo o processo de trabalho, incluindo at\u00e9 mesmo a transfer\u00eancia subordinada de decis\u00f5es sobre o trabalho para o pr\u00f3prio trabalhador, que passa a ser inteiramente respons\u00e1vel por sua sobreviv\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Podemos tamb\u00e9m cham\u00e1-los de <\/span><b>trabalhadores <\/b><b><i>just-in-time<\/i><\/b><span style=\"font-weight: 400\">, ou seja, trabalhadores que s\u00e3o, ent\u00e3o, reduzidos \u00e0 pura for\u00e7a de trabalho a ser utilizada de acordo com a demanda. Est\u00e3o dispon\u00edveis ao trabalho, mas n\u00e3o t\u00eam qualquer garantia sobre sua pr\u00f3pria remunera\u00e7\u00e3o, tempo de trabalho necess\u00e1rio para sua reprodu\u00e7\u00e3o, etc. A grave situa\u00e7\u00e3o destes trabalhadores durante a crise fica muito evidente. Trata-se de n\u00e3o ter nada que garanta sua pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o al\u00e9m do ganho cotidiano advindo do trabalho. Entretanto, esse ganho tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 garantido, independentemente do quanto esse trabalhador se engaje. A pandemia deixa ent\u00e3o evidente n\u00e3o s\u00f3 a precariedade da vida do trabalhador uberizado \u2013 que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dele mas de grande parte dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, que vivem no limite da sobreviv\u00eancia \u2013 mas tamb\u00e9m essas formas atuais de subordina\u00e7\u00e3o, controle e explora\u00e7\u00e3o. Por exemplo, em recente <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1KCFsMU7Z7_sfB3w_5sJSWlG2aztjl7J8\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"font-weight: 400\">pesquisa<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> coletiva realizada no \u00e2mbito da REMIR, constatamos que apesar de os trabalhadores entregadores desempenharem um servi\u00e7o essencial \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, as empresas de entrega est\u00e3o aumentando significativamente seus lucros e faturamento em plena crise, enquanto os rendimentos dos trabalhadores est\u00e3o sendo reduzidos. Isso, em plena pandemia!\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><em><strong>2. As no\u00e7\u00f5es de empreendedorismo, autonomia e liberdade est\u00e3o associadas ao trabalhador multiplataforma. Isso corresponde com a realidade? As consequ\u00eancias da crise do Covid-19 est\u00e3o contribuindo para desmistificar esses aspectos perante \u00e0 sociedade?\u00a0<\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A no\u00e7\u00e3o de autonomia e liberdade hoje s\u00e3o pilares para que n\u00e3o se reconhe\u00e7a a subordina\u00e7\u00e3o destes trabalhadores e as responsabilidades da empresa. Entretanto, cham\u00e1-los de pilares j\u00e1 \u00e9 um erro pois n\u00e3o s\u00e3o eles que estruturam essas rela\u00e7\u00f5es. Em realidade, eles sintetizam a legitima\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de riscos e custos para os trabalhadores, al\u00e9m do que venho definindo como<\/span><b> autogerenciamento do trabalhador<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Ou seja, esse permanece subordinado, n\u00e3o tem o menor poder de negocia\u00e7\u00e3o sobre sua remunera\u00e7\u00e3o, sua carga de trabalho, seu tempo de trabalho. Entretanto, para ele \u00e9 transferido parte do gerenciamento sobre o trabalho. Podemos entender esse gerenciamento de si tamb\u00e9m como estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia, que garantam sua perman\u00eancia nessa atividade. Por exemplo, quando olhamos para entregadores ou motoristas uberizados, as supostas liberdade e autonomia se referem basicamente a estrat\u00e9gias que s\u00e3o tra\u00e7adas pelo trabalhador \u2013 tais como definir o melhor per\u00edodo do dia para trabalhar, local de trabalho, tipo de ve\u00edculo, forma de aquisi\u00e7\u00e3o (alugado, financiado) etc. Todas estas decis\u00f5es hoje s\u00e3o processadas e gerenciadas, ou seja, s\u00e3o dados administr\u00e1veis no imenso cadastro de trabalhadores <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">just-in-time<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Tornam-se ent\u00e3o elemento controlado da gest\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que come\u00e7amos a nos deparar com termos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">gamifica\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> do trabalho, que expressam essa administra\u00e7\u00e3o informal e permanente sobre a vida dos trabalhadores. Por exemplo: est\u00e1 chovendo, o entregador tem a autonomia de n\u00e3o colocar sua vida em risco fazendo entrega com a moto, mas ele tamb\u00e9m pode decidir por tentar ganhar a bonifica\u00e7\u00e3o que vem justamente quando come\u00e7a a chover&#8230;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Juntam-se a estas no\u00e7\u00f5es a de empreendedorismo. Ou seja, voc\u00ea nem mesmo \u00e9 um trabalhador, mas um chefe de si pr\u00f3prio, que se for forte, criativo, engajado, proativo, sobreviver\u00e1 no mundo c\u00e3o da concorr\u00eancia. A no\u00e7\u00e3o de empreendedorismo traz consigo a normaliza\u00e7\u00e3o do risco, mas com um pequeno detalhe: \u00e9 o risco para o detentor da for\u00e7a de trabalho e n\u00e3o do capital! Traz tamb\u00e9m a normaliza\u00e7\u00e3o de que o trabalhador \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">livre como um p\u00e1ssaro<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, como dizia Marx \u2013 sobrevive arriscadamente solit\u00e1rio na sua pr\u00f3pria gest\u00e3o, sem poder contar com qualquer rede de prote\u00e7\u00e3o social. Ser empreendedor \u00e9 estar lan\u00e7ado \u00e0 pr\u00f3pria sorte em um mundo que n\u00e3o oferece qualquer garantia ou prote\u00e7\u00e3o; no caso da uberiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 n\u00e3o contar nem mesmo com a seguran\u00e7a sobre qual ser\u00e1 a sua remunera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s 12 horas de trabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><em><strong>3. Voc\u00ea defende a tese de que a \u201cvira\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 um aspecto constitutivo da sociedade brasileira e da forma como a classe trabalhadora historicamente travou e trava a luta pela sobreviv\u00eancia no pa\u00eds. No que se constitui o ato da \u201cvira\u00e7\u00e3o\u201d? Se ele \u00e9 constitutivo do mercado de trabalho brasileiro, o que h\u00e1 de novo nas formas atuais de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho?\u00a0<\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa quest\u00e3o nos possibilita olhar para nossas categorias de an\u00e1lise e nos interrogarmos sobre o quanto estamos conseguindo expressar a realidade do viver dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros. O primeiro cuidado que temos de ter \u00e9 o de n\u00e3o associar a vira\u00e7\u00e3o com o \u201cviver de bicos\u201d. A <\/span><b>vira\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> aqui opera como uma esp\u00e9cie de desafio e desestabiliza\u00e7\u00e3o de dualidades que estruturam nossas an\u00e1lises. Ela trata do tr\u00e2nsito entre trabalho formal e informal que vai costurando a vida dos trabalhadores, do engajamento em empreendimentos familiares, do envolvimento com trabalhos que mal s\u00e3o reconhecidos enquanto tais. Estamos em realidade descrevendo as tais estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia, que envolvem um autogerenciamento e o engajamento incerto e permanente nas oportunidades inst\u00e1veis e prec\u00e1rias que v\u00e3o garantindo o viver. \u00c9 s\u00f3 olharmos com aten\u00e7\u00e3o para a trajet\u00f3ria de um motoboy: distante da figura do \u201cjovem cachorro loko\u201d, em realidade, costuma ser um \u201cpai de fam\u00edlia\u201d de quarenta anos, que \u00e9 motoboy h\u00e1 vinte. Um exemplo, o trabalhador j\u00e1 foi metal\u00fargico, t\u00e9cnico em telefonia, representante comercial, entre outras ocupa\u00e7\u00f5es. Hoje \u00e9 motoboy e, como ele mesmo se denomina, \u201csacoleiro\u201d, ao mesmo tempo, combinando as entregas com compra e venda de produtos. Isto n\u00e3o \u00e9 a exce\u00e7\u00e3o, \u00e9 a regra do viver no Brasil. Uma identidade profissional est\u00e1vel, assim como uma trajet\u00f3ria que se orientaria pelo horizonte do trabalho formal s\u00e3o elementos que guiam muito das categorias de an\u00e1lise, mas est\u00e3o distantes desta realidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Agora, isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma novidade, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso compreender como estes modos de vida \u2013 que constituem a especificidade do desenvolvimento capitalista perif\u00e9rico \u2013 v\u00e3o se atualizando e se transformando. A uberiza\u00e7\u00e3o traz algo de muito novo: este modo de vida perif\u00e9rico \u00e9 agora subsumido de forma centralizada, monopolizada, gerenciada, administrada. Ou seja, esse modo do viver perif\u00e9rico est\u00e1 sendo incorporado como elemento central destas novas formas de controle e organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, podemos ainda aventar que este modo est\u00e1 se generalizando.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote>\n<h5 style=\"text-align: justify\"><em><strong>4. A reforma trabalhista, o aumento da informalidade e da explora\u00e7\u00e3o do trabalho t\u00eam desafiado a capacidade de representa\u00e7\u00e3o do movimento sindical. Como isso se reflete, na sua opini\u00e3o, nas formas de resist\u00eancia desses \u201ctrabalhadores uberizados\u201d, sobretudo diante da perda de espa\u00e7o das organiza\u00e7\u00f5es sindicais tradicionais? Como a crise atual tende a afetar este cen\u00e1rio?\u00a0<\/strong><\/em><\/h5>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A reforma trabalhista mira com muita precis\u00e3o e brutalidade as for\u00e7as sociais do trabalho, abrindo ainda a porteira para uma s\u00e9rie de medidas que seguem sendo desenhadas e implementadas (em plena pandemia!). Os trabalhadores uberizados, na condi\u00e7\u00e3o desta <\/span><b>multid\u00e3o de trabalhadores informais<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, de sa\u00edda aparecem fragmentados, individualizados, \u201cempreendedores\u201d, etc, distantes enfim, de organiza\u00e7\u00f5es coletivas do trabalho. Mas o movimento \u00e9 dial\u00e9tico, pois esse processo de informaliza\u00e7\u00e3o-monopoliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m vai constituindo uma multid\u00e3o que pode se reconhecer e se organizar enquanto tal. A\u00ed s\u00e3o centenas de milhares, milh\u00f5es de trabalhadores <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">versus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> uma empresa. Come\u00e7amos a ver greves mundiais, latino-americanas, entre outras, de categorias de trabalhadores uberizados. No caso da crise atual, se sobressaem os entregadores. Eles sabem que s\u00e3o informalmente transformados em categoria essencial para o isolamento. Ao mesmo tempo, enfrentam o rebaixamento do valor de seu trabalho (novamente, em plena pandemia!). Come\u00e7amos a ver as manifesta\u00e7\u00f5es em diferentes cidades do Brasil e tamb\u00e9m em diversos pa\u00edses do mundo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Mas veja que dilema para o trabalhador uberizado: o dia de manifesta\u00e7\u00e3o \u00e9 o dia em que ou ele n\u00e3o recebe nada ou que pode ter aumento nos ganhos devido a menor oferta de entregadores. A consolida\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de resist\u00eancia e mobiliza\u00e7\u00e3o que consigam reconhecer esse viver cada dia mais arriscado \u00e9 um desafio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ludmila Costhek Ab\u00edlio: Formada em ci\u00eancias sociais pela USP, doutora em ci\u00eancias sociais pela Unicamp, atualmente \u00e9 pesquisadora do CESIT-IE\/Unicamp. 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