{"id":888,"date":"2020-06-15T17:35:08","date_gmt":"2020-06-15T20:35:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/?p=888"},"modified":"2025-10-13T13:19:11","modified_gmt":"2025-10-13T16:19:11","slug":"entre-motoristas-e-entregadores-trabalho-uberizado-ainda-mais-precario-em-meio-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/entre-motoristas-e-entregadores-trabalho-uberizado-ainda-mais-precario-em-meio-a-pandemia\/","title":{"rendered":"ENTRE MOTORISTAS E ENTREGADORES: TRABALHO \u2018UBERIZADO\u2019 AINDA MAIS PREC\u00c1RIO EM MEIO \u00c0 PANDEMIA"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n<h5><strong><i><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-891 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/grupodeconjunturaufes\/files\/2020\/06\/Estudantes.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"146\" \/><\/i><\/strong><\/h5>\n<h5><strong><i>Daniel Guzzo Moratti\u00b9\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<br \/><\/i><\/strong><strong><i>Otavio Luis Barbosa\u00b2<\/i><\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><br \/>Se meses atr\u00e1s, antes do in\u00edcio da pandemia, algumas categorias de trabalhadores se mostravam invis\u00edveis, quase inexistentes para a sociedade, hoje pode ser que n\u00e3o seja a mesma realidade. Este \u00e9 o caso dos entregadores de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">delivery <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">e motoristas de aplicativo, como iFood, Rappi, 99Pop e Uber, por exemplo, que passaram a ser trabalhadores essenciais em um momento no qual toda a popula\u00e7\u00e3o precisou parar suas atividades b\u00e1sicas externas para mitigar a propaga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, na tentativa de evitar um colapso do sistema de sa\u00fade e uma maior trag\u00e9dia em virtude da pandemia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No auge do debate das medidas econ\u00f4micas para garantir prote\u00e7\u00e3o social \u00e0 popula\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, os olhos se voltam para esses trabalhadores com a \u00fanica prerrogativa de que somente agora precisam de um resguardo social. A verdade \u00e9 que esses trabalhadores j\u00e1 enfrentavam no seu cotidiano condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho para garantir sua sobreviv\u00eancia sem garantias de direitos trabalhistas e prote\u00e7\u00e3o social. Esses postos de trabalhos, precarizados em sua natureza, criados por plataformas digitais com o prop\u00f3sito de melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o recebe o nome de \u201cuberizados\u201d ou, ent\u00e3o, \u201cuberiza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d. Este texto tratar\u00e1 disso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Uberiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos termos mais recentes para representar, com caracter\u00edsticas espec\u00edficas sobre as novas configura\u00e7\u00f5es do mercado de trabalho brasileiro, uma perspectiva diferente do que realmente deveria ser a Economia do Compartilhamento (EC). O termo original (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">sharing economy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">) ainda \u00e9 amplamente debatido, desde seu surgimento, no in\u00edcio dos anos 2010, mas, em geral, os defensores dessa nova \u00e1rea da economia a denominam como um novo tipo de neg\u00f3cio. Outros ainda a chamam de um movimento social<strong>[3]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Inicialmente, a origem do termo remetia a uma quest\u00e3o de generosidade e compartilhamento de itens entre indiv\u00edduos, sendo uma de suas promessas a ajuda priorit\u00e1ria a indiv\u00edduos mais vulner\u00e1veis, os quais poderiam tomar controle de suas vidas tornando-se microempres\u00e1rios e praticando a autoger\u00eancia de si, sendo empres\u00e1rios-de-si-mesmo<strong>[4]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Dentre as promessas da economia do compartilhamento, a mesma prometia ser uma alternativa sustent\u00e1vel para a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias em ampla propor\u00e7\u00e3o, podendo utilizar recursos subutilizados, ou seja, a ideia de \u201co que \u00e9 meu \u00e9 seu <strong>[5]<\/strong>\u201d<\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Nela tamb\u00e9m estava contido o desejo de compartilhar bens e servi\u00e7os per meio de plataformas que permitissem essas trocas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria composi\u00e7\u00e3o do termo coloca em xeque o que \u00e9 prometido nesse novo tipo de organiza\u00e7\u00e3o. &#8220;Compartilhamento&#8221; significa troca entre iguais sem a presen\u00e7a do dinheiro &#8211; car\u00e1ter comercial &#8211; ou por motivos de benevol\u00eancia. J\u00e1 \u201ceconomia\u201d sugere trocas mercantis, isto \u00e9, o dinheiro como mediador das trocas, por interm\u00e9dio de interesses privados<strong>[6]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Outros nomes que geralmente designam a Economia do Compartilhamento, s\u00e3o: consumo colaborativo; economia em rede; plataformas igual-para-igual; economia dos bicos (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">gig economy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">); economia da vira\u00e7\u00e3o; e economia sob demanda. Todos esses designam uma nova forma de consumo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A Uber se define como uma empresa de tecnologia, n\u00e3o de transportes, sendo seu papel principal intermediar usu\u00e1rios e \u201cparceiros\u201d atrav\u00e9s de uma plataforma, isto \u00e9, via aplicativo. Em outras palavras, \u00e9 uma empresa privada global de assalariamento disfar\u00e7ado sob a forma de trabalho desregulamentado<strong>[7]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Al\u00e9m disso, a Uber tamb\u00e9m deixa claro o que ela faz e o que n\u00e3o faz<strong>[8]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, sendo o aspecto mais significativo a aus\u00eancia de v\u00ednculo empregat\u00edcio: <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201ca Uber n\u00e3o emprega nenhum motorista e n\u00e3o \u00e9 dona de nenhum carro\u201d, al\u00e9m de n\u00e3o se responsabilizar pelos riscos inerentes ao trabalho (ex. casos de assalto, mortes, etc.).\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A empresa tem ocupado um espa\u00e7o no mundo dos neg\u00f3cios e no mercado que \u00e9 paulatinamente mais in\u00f3spito e desregulado em nossas vidas, bem como tem desempenhado um papel cada vez mais invasivo no processo de trocas<strong>[9]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Isto posto, ocorre a externaliza\u00e7\u00e3o dos custos, seguros e riscos para os \u201cparceiros\u201d, mediante a aus\u00eancia de garantias trabalhistas e sociais. Esse \u00e9 um processo que tamb\u00e9m refor\u00e7a, progressivamente, a informalidade que j\u00e1 era crescente no Brasil.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No que diz respeito aos custos, a empresa estabiliza cada vez mais seu sucesso em fun\u00e7\u00e3o de n\u00e3o cobrir os pre\u00e7os de seguro, combust\u00edvel, manuten\u00e7\u00e3o e deprecia\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos, al\u00e9m de n\u00e3o fornecer um servi\u00e7o universalmente acess\u00edvel. Assim, a capacidade de oferecer aos consumidores um servi\u00e7o barato e eficiente vem da maestria de operar com preju\u00edzo<strong>[10]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> que financia seu crescimento. Sem contar que, quando a empresa come\u00e7a a operar nas cidades pela primeira vez, ela oferece pr\u00eamios e subs\u00eddios para motoristas e consumidores para que seu servi\u00e7o se espalhe de forma a se consolidar positivamente. Ap\u00f3s a efetiva\u00e7\u00e3o da empresa no local novo, ela passa a se apropriar de uma fatia maior de cada corrida. Ademais, os motoristas s\u00e3o colocados em situa\u00e7\u00f5es de abuso<strong>[11]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> por parte das empresas de tecnologia, uma vez que s\u00e3o obrigados a cumprir metas estabelecidas, frequentemente, dormindo dentro dos carros \u00e0 espera de uma corrida e perdendo o la\u00e7o com a fam\u00edlia, tendo como consequ\u00eancia adoecimentos, depress\u00e3o e suic\u00eddio<strong>[12]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Como se n\u00e3o fosse suficiente a press\u00e3o por parte das empresas, os motoristas acabam tendo de tomar uma s\u00e9rie de cuidados quanto ao seu comportamento e \u00e0 qualidade do servi\u00e7o que oferecem, pois s\u00e3o os consumidores (passageiros) que avaliam os parceiros por meio do aplicativo, sendo uma forma de a empresa saber como est\u00e1 sendo de fato a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o. \u00c9 claro que h\u00e1 muitos que d\u00e3o notas baixas por motivos desnecess\u00e1rios, ou simplesmente porque o motorista conversou um pouco mais. Isso, por sua vez, estabelece um ambiente de constante vigil\u00e2ncia por parte dos motoristas e entregadores, levando \u00e0 expuls\u00e3o daqueles cuja nota \u00e9 inferior \u00e0 m\u00e9dia da regi\u00e3o que operam, segundo Tom Slee.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O servi\u00e7o que a Uber disponibiliza se assemelha ao <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">zero hour contract<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, modalidade de contrato de trabalho presente no Reino Unido que n\u00e3o possui determina\u00e7\u00e3o m\u00ednima de horas e tem ganhado espa\u00e7o pelo mundo. Nessa categoria, os trabalhadores das mais diversas \u00e1reas ficam \u00e0 espera de uma chamada de servi\u00e7o (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">just-in-time<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">)<strong>[13]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, em que sua aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3ria. Um dos principais problemas para esse tipo de \u201ccontrato\u201d \u00e9 que o prestador de servi\u00e7os deve estar \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o sem receber por esse tempo, sendo que poderia estar fazendo outra atividade remunerada. A maior diferen\u00e7a \u00e9 que os motoristas parceiros da Uber n\u00e3o podem recusar as corridas que aparecem, sendo pass\u00edvel de repres\u00e1lias por parte da empresa e um poss\u00edvel desligamento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">O elemento da precariza\u00e7\u00e3o do trabalho e da gradativa informalidade \u00e9 uma caracter\u00edstica estrutural do mercado de trabalho brasileiro e tem aumentado com o advento do neoliberalismo no Brasil, iniciado em meados da d\u00e9cada de 1990, com o avan\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o, abertura econ\u00f4mica, desregulamenta\u00e7\u00e3o dos mercados e da constitui\u00e7\u00e3o da empresa moderna. Segundo Ricardo Antunes<strong>[14]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">, \u201ca precariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um elemento est\u00e1tico, mas um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">modo de ser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> intr\u00ednseco ao capitalismo\u201d, podendo aumentar ou diminuir conforme a organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A Uber tem operado no Brasil desde 2014, um ano antes de os indicadores e especialistas declararem a recess\u00e3o que o Brasil mergulhava, sendo a posterior retomada, a mais lenta de sua hist\u00f3ria<strong>[15]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Contudo, sua predomin\u00e2ncia em grandes metr\u00f3poles e cidades menores se deu a partir de 2016, momento esse que diversos desempregados procuravam por uma renda. A recess\u00e3o iniciada em 2015 intensificou o processo de precariza\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho brasileiro, devido \u00e0 eleva\u00e7\u00e3o do desemprego (at\u00e9 2017), seguida por uma t\u00edmida queda nesse indicador, mas \u00e0s custas do aumento da informalidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dessa maneira, a crise foi uma \u00f3tima oportunidade para a empresa de fato consolidar seu servi\u00e7o em solo brasileiro. Para muitos dos que perderam seu emprego ou que acabaram de chegar ao mercado de trabalho, ser motorista tornava-se uma nova oportunidade de obter novos rendimentos. Al\u00e9m disso, para in\u00fameros trabalhadores que j\u00e1 possu\u00edam ocupa\u00e7\u00f5es com remunera\u00e7\u00f5es baixas, ser motorista ou entregador de aplicativo acabou se tornando um bico para complementar a renda. H\u00e1 uma vasta quantidade de combina\u00e7\u00f5es entre trabalhos formais e informais para garantir a renda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">As empresas de plataformas digitais, registradas no setor de tecnologia, se apresentam como intermediadoras entre os consumidores e ofertantes de servi\u00e7os. Essas companhias apenas se responsabilizam pela manuten\u00e7\u00e3o das plataformas digitais, portanto, como dito, n\u00e3o assumem qualquer v\u00ednculo de rela\u00e7\u00e3o de trabalho. Nesse sentido, a aus\u00eancia de um v\u00ednculo empregat\u00edcio p\u00f5e luz a um aspecto de falsa liberdade ao trabalhador de que as empresas utilizam para refor\u00e7ar o discurso de auto ger\u00eancia da for\u00e7a de trabalho. Ao contr\u00e1rio dos pretensos benef\u00edcios dessa condi\u00e7\u00e3o de trabalho, tem-se uma intensifica\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho e, por conseguinte, sua precariza\u00e7\u00e3o. Um exemplo \u00e9 a inexist\u00eancia de uma jornada de trabalho fixa, colocando aos trabalhadores a escolha em cumprir uma carga hor\u00e1ria que melhor pode lhe satisfazer. No entanto, a remunera\u00e7\u00e3o \u00e9 definida de acordo com um percentual de cada servi\u00e7o realizado, o que torna todo o tempo poss\u00edvel um potencial de ganho, um tempo de trabalho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, essas novas formas de ocupa\u00e7\u00f5es geradas pela economia do compartilhamento estabelecem que o trabalhador deve se submeter \u00e0 autoger\u00eancia de si e, portanto, \u00e0 responsabiliza\u00e7\u00e3o sobre os riscos que corre. Assim, \u00e9 imprescind\u00edvel notar, nesse caso, a auto responsabiliza\u00e7\u00e3o do sujeito pelas suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de reprodu\u00e7\u00e3o e seu eventual fracasso, um aspecto presente no atual padr\u00e3o de sociabilidade neoliberal<strong>[16]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em meio \u00e0 atual pandemia, em que as medidas por parte do Estado se mostram insuficientes para proteger aqueles que n\u00e3o possuem qualquer prote\u00e7\u00e3o social, esse car\u00e1ter individualista e de cren\u00e7a que o sujeito pode fazer o melhor por si mesmo para encontrar a solu\u00e7\u00e3o dos seus problemas se mostra mais presente. N\u00e3o obstante, \u00e9 colocado um dif\u00edcil dilema para esses trabalhadores entre cuidar da sua sa\u00fade ou, ent\u00e3o, manter seus rendimentos correndo risco de cont\u00e1gio do v\u00edrus. Na falta de op\u00e7\u00e3o, alguns n\u00e3o encontram outra sa\u00edda a n\u00e3o ser continuar e, nesse caso, acabam ingressando nas plataformas como forma de enfrentar os desafios da atual conjuntura. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Nesse sentido, apesar dos riscos de cont\u00e1gio, o n\u00famero de inscri\u00e7\u00f5es no iFood em mar\u00e7o foi de 175 mil pessoas, ante 85 mil no m\u00eas anterior<strong>[17]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Atualmente a empresa conta com mais de 140 mil entregadores e 200 mil terceirizados<strong>[18]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. No mesmo caminho, o n\u00famero de entregas de supermercado tamb\u00e9m aumentou, sendo que, s\u00f3 em mar\u00e7o, m\u00eas que as medidas de isolamento social ainda n\u00e3o eram t\u00e3o restritivas, foram 400%. A Rappi alega um crescimento de 30% para o mesmo m\u00eas<strong>[19]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, um estudo realizado pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir)<strong>[20]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\"> indica que, mesmo trabalhando mais durante a pandemia, a remunera\u00e7\u00e3o dos entregadores teve uma redu\u00e7\u00e3o significativa. A pesquisa apontou que mais de 60% desses trabalhadores alegaram ter uma redu\u00e7\u00e3o em seus rendimentos e apenas 10% disseram ter obtido um aumento dos ganhos. A redu\u00e7\u00e3o dos ganhos desses trabalhadores mostra uma maior intensifica\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de trabalho, principalmente entre aqueles que possuem uma maior carga de trabalho di\u00e1ria, podendo chegar a mais de 15 horas. Apesar do risco de cont\u00e1gio e a letalidade do v\u00edrus, as empresas de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o por aplicativo pouco t\u00eam feito pela prote\u00e7\u00e3o de seus \u201cparceiros\u201d. Ainda de acordo com a Remir, mais de 60% alegam que as empresas n\u00e3o tomaram qualquer a\u00e7\u00e3o para prote\u00e7\u00e3o e cuidados com a sa\u00fade deles.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, todos esses trabalhadores enfrentam o mesmo problema: a insufici\u00eancia por parte das empresas em ajudar na prote\u00e7\u00e3o de suas sa\u00fades. A maioria deles relata que as empresas-aplicativo n\u00e3o t\u00eam feito o suficiente para garantir um trabalho minimamente seguro durante a pandemia. Para os entregadores, algumas empresas t\u00eam oferecido \u00e1lcool em gel e a medi\u00e7\u00e3o de temperatura; j\u00e1 para os motoristas, al\u00e9m do \u00e1lcool, eles devem atualizar frequentemente a foto do aplicativo antes de come\u00e7ar a viagem para comprovar o uso de m\u00e1scara. Os consumidores t\u00eam a op\u00e7\u00e3o de pagamento via aplicativo como uma das sa\u00eddas para evitar o contato f\u00edsico. A rela\u00e7\u00e3o existente entre tais empresas e seus parceiros \u00e9 t\u00e3o problem\u00e1tica que essas pol\u00edticas para a garantia da sa\u00fade n\u00e3o podem se manter permanentemente, visto que pode ferir o contrato utilizado, isto \u00e9, de as empresas n\u00e3o terem qualquer v\u00ednculo com os trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Al\u00e9m disso, a suposta aus\u00eancia de uma subordina\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho com os aplicativos impede a ado\u00e7\u00e3o de medidas para prote\u00e7\u00e3o dos motoristas e entregadores, como, por exemplo, a implementa\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios para o caso de contamina\u00e7\u00e3o e seguro de vida para as fam\u00edlias que podem ficar desassistidas caso o trabalhador venha a \u00f3bito em virtude da doen\u00e7a. Empresas, como a Rappi e Uber, oferecem aux\u00edlio para quem for infectado, por\u00e9m, essa medida tem sido insuficiente, uma vez que considera apenas os rendimentos dos \u00faltimos meses de trabalho e o limita a 14 dias<strong>[21]<\/strong><\/span><span style=\"font-weight: 400\">. Isso, por sua vez, pode acentuar a condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade e precariza\u00e7\u00e3o do trabalhador, especialmente em um momento de sa\u00fade fr\u00e1gil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Sequer estamos pr\u00f3ximos do fim da pandemia e j\u00e1 ocorre uma s\u00e9rie de resultantes da paralisa\u00e7\u00e3o das atividades produtivas exacerbando, portanto, as contradi\u00e7\u00f5es e os limites da rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho na sociedade contempor\u00e2nea. As novas formas de flexibiliza\u00e7\u00e3o laboral comp\u00f5em um novo est\u00e1gio da explora\u00e7\u00e3o do trabalho por meio da uberiza\u00e7\u00e3o, a qual traz outro significado para a configura\u00e7\u00e3o das empresas e o controle e gerenciamento do trabalho. A atua\u00e7\u00e3o do capitalismo de plataforma integra uma frente ampla de empresas que prometem a melhoria da vida da classe trabalhadora, ao mesmo tempo em que h\u00e1 um Estado agindo ativamente para desregulamentar o ambiente prop\u00edcio para a atua\u00e7\u00e3o dessas empresas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Dessa forma, \u00e9 de se reconhecer que a pandemia acelerou uma s\u00e9rie de desigualdades que estavam sendo gestadas e mantidas na estrutura produtiva e social do pa\u00eds. Em meio \u00e0 pandemia que afasta familiares e amigos, colapsa o sistema de sa\u00fade e custa milhares de vidas todos os dias, outros milhares de pessoas continuam a vagar pelas ruas dos centros urbanos sem a garantia de estar com seus entes no final do expediente, correndo o risco de contrair o v\u00edrus. Nem ao menos s\u00e3o reconhecidos como trabalhadores dignos de seus direitos por aqueles com quem estabelecem sua subordina\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores por aplicativo, express\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho contempor\u00e2neas, s\u00e3o apenas mais um exemplo de um modelo de vida que para existir precisa precarizar o outro.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify\"><strong>NOTAS<br \/><\/strong><\/h3>\n<hr \/>\n<h5><strong>[1]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Graduando em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes).<br \/><br \/><\/span><strong>[2] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Graduando em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), membro do subgrupo de Empregos e Sal\u00e1rios (Conjuntura Ufes) e bolsista do Programa de Educa\u00e7\u00e3o Tutorial (Pet Economia\/Ufes).<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[3]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">SLEE, Tom. <\/span><b>Uberiza\u00e7\u00e3o<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: a nova onda do trabalho precarizado. S\u00e3o Paulo, Editora Elefante, 2017.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[4]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">LAVAL, Christian; DARDOT, Pierre.<\/span><b> A nova raz\u00e3o do mundo:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ensaio sobre a sociedade neoliberal. S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2016.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[5]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0Isso remete \u00e0 originalidade do t\u00edtulo da obra de Tom Slee &#8211; What\u2019s Yours is Mine: Against The Sharing Economy. Por\u00e9m, com o prop\u00f3sito de mercantiliza\u00e7\u00e3o das mais simples intera\u00e7\u00f5es sociais, acaba se tornando \u201co que \u00e9 seu, \u00e9 meu\u201d, uma vez que as empresas aproveitam dos produtos alheios para obten\u00e7\u00e3o de lucro.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[6] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Tom Slee. Uberiza\u00e7\u00e3o: a nova onda do trabalho precarizado, cit.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[7] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">ANTUNES, Ricardo. <\/span><b>O privil\u00e9gio da servid\u00e3o: O novo proletariado de servi\u00e7o na era digital<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. 2\u00aa ed. Boitempo editorial, 2020.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[8] <\/strong><b>Fatos e Dados sobre a Uber<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, em Uber, 18 fev. 2020. Dispon\u00edvel em:<\/span><strong><span style=\"font-weight: 400\">&lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.uber.com\/pt-BR\/newsroom\/fatos-e-dados-sobre-uber\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/strong><\/h5>\n<h5><strong>[9] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Tom Slee. Uberiza\u00e7\u00e3o: a nova onda do trabalho precarizado, cit.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[10] <\/strong><i><span style=\"font-weight: 400\">Here Are the Internal Documents that Prove Uber Is a Money Loser<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> [Aqui est\u00e3o os documentos internos que provam que a Uber d\u00e1 preju\u00edzo], em Gawker, 5 ago. 2015. Dispon\u00edvel em:\u00a0 &lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/gawker.com\/here-are-the-internal-documents-that-prove-uber-is-a-mo-1704234157<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[11] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Causos de trabalho: 8) Motorista de aplicativos (II). Em Passa Palavra, 16 fev. 20. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/passapalavra.info\/2020\/02\/129873\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[12] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Ricardo Antunes. O privil\u00e9gio da servid\u00e3o: O novo proletariado de servi\u00e7o na era digital, cit.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[13] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Entrevista Ludmila Costhek Ab\u00edlio. Grupo de Conjuntura da UFES. Vit\u00f3ria, 7 jun. 2020. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/bit.ly\/3dJtqgH<\/span><span style=\"font-weight: 400\">&gt;.\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[14] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Ibidem, p. 61.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[15]<\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0A retomada da economia brasileira comparada \u00e0s de crises anteriores. Em Nexo Jornal, 5 mar. 20. Dispon\u00edvel em:&lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.nexojornal.com.br\/grafico\/2020\/03\/05\/A-retomada-da-economia-brasileira-comparada-%C3%A0s-de-crises-anteriores<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[16] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Christian Laval e Pierre Dardot.<\/span><b> A nova raz\u00e3o do mundo:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ensaio sobre a sociedade neoliberal, cit.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[17] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Candidatos a entregador do iFood mais que dobram ap\u00f3s coronav\u00edrus. Em Uol Economia, 1 abr. 20. Dispon\u00edvel em:&lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/reuters\/2020\/04\/01\/candidatos-a-entregador-do-ifood-mais-que-dobram-apos-coronavirus.htm<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[18] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Idem.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[19] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Idem.<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[20] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">Coronav\u00edrus: entregadores de aplicativo trabalham mais e ganham menos na pandemia, diz pesquisa. Em BBC News Brasil, 7 mai. 20. Dispon\u00edvel em:<\/span><span style=\"font-weight: 400\">&lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-52564246<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;\u00a0<\/span><\/h5>\n<h5><strong>[21] <\/strong><span style=\"font-weight: 400\">\u201cParceria\u201d de risco: aplicativos lucram com o coronav\u00edrus pondo os entregadores em risco de cont\u00e1gio. Em The Intercept Brasil, 23 mar. 20. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"blank\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/theintercept.com\/2020\/03\/23\/coronavirus-aplicativos-entrega-comida-ifood-uber-loggi\/?fbclid=IwAR328opwTXoB5roTmogLD0LLnUKQXwfNLpoVC12FNODTFc-Xtz9MmTPMJ7Q<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;<\/span><\/h5>\n<h3>\u00a0<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Daniel Guzzo Moratti\u00b9\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 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