{"id":562,"date":"2020-10-27T11:31:49","date_gmt":"2020-10-27T14:31:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/?page_id=562"},"modified":"2021-09-07T01:32:57","modified_gmt":"2021-09-07T04:32:57","slug":"boletim","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/boletim\/","title":{"rendered":"Boletim"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entrega bilion\u00e1ria do campo de Albacora \u00e9 mais um crime de lesa p\u00e1tria, por Francismar Cunha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O fatiamento da estatal Petrobras para a entrega de suas subsidi\u00e1rias e seus ativos segue a ritmo acelerado desde o golpe pol\u00edtico de 2016 no Brasil. A Petrobras \u00e9 a joia dilapidada da coroa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lista das empresas, a\u00e7\u00f5es e ativos vendidos a pre\u00e7o de xepa &#8211; final de feira &#8211; \u00e9 enorme. No atual e conturbado cen\u00e1rio de desgoverno e descontrole pol\u00edtico, a boiada vai passando com novas &#8220;vendas&#8221; (entregas) para grupos privados e financeiros que seguem aplaudindo o ultraliberalismo. N\u00e3o se trata de investimento novo \u00e9 entrega daquilo que est\u00e1 pronto, produzindo e gerando lucros. Na v\u00e9spera de um 7 de setembro golpista, o que se tem \u00e9 um patriotismo \u00e0s avessas (anti-nacionalismo) com a na\u00e7\u00e3o sendo subtra\u00edda de suas riquezas. As veias abertas de um Brasil neofascista.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto que Francismar Cunha Ferreira, pesquisador, ge\u00f3grafo, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) elaborou um breve relat\u00f3rio sobre o significado da &#8220;venda&#8221; dos campos offshore de petr\u00f3leo Albacora e Albacora Leste, na Bacia de Campos, diante das potencialidades dos mesmos que incluem as \u00e1reas do pr\u00e9-sal. Francismar, lista o hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o e localiza\u00e7\u00e3o destes dois campos (ativos), demonstrando o absurdo da decis\u00e3o desta atual diretoria da Petrobras e do desgoverno Bolsonaro. Observem no relat\u00f3rio quem s\u00e3o os grupos interessados e n\u00e3o fica dif\u00edcil compreender quem foram os agentes que usando a &#8220;porta girat\u00f3ria&#8221; entre mercado e governo que viabilizam este crime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As potencialidades dos campos de Albacora e Albacora Leste ignoradas pela Petrobras<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras vem se intensificado. S\u00e3o constantes as not\u00edcias acerca da venda de campos, dutos, refinarias, termel\u00e9tricas dentre outros ativos. Nesse movimento de desintegra\u00e7\u00e3o da empresa, destaca-se o an\u00fancio de venda dos campos de Albacora e Albacora Leste na bacia de Campos feito pela Petrobras em setembro de 2020. S\u00e3o campos que apresentam grande produtividade, j\u00e1 possuem infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o e escoamento e recentemente tiveram suas reservas aumentadas em fun\u00e7\u00e3o das descobertas no pr\u00e9-sal desses campos. Em fun\u00e7\u00e3o disso, s\u00e3o campos que n\u00e3o se encaixam no interior do discurso da empresa de se desfazer dos ativos de produ\u00e7\u00e3o considerados maduros.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 2020, o campo de Albacora produziu em m\u00e9dia 39 mil barris de \u00f3leo por dia e 716 mil m\u00b3\/dia de g\u00e1s. J\u00e1 Albacora Leste no mesmo per\u00edodo produziu em m\u00e9dia 30 mil barris de \u00f3leo por dia e 636 mil m\u00b3\/dia de g\u00e1s. Em julho de 2021 de acordo com o boletim mensal da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da ANP os campos de Albacora e Albacora Leste foram respectivamente o 16\u00b0 e o 17\u00b0 maiores produtores de petr\u00f3leo no Brasil. Al\u00e9m disso, vale destacar que ambos os campos se localizam no interior do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal determinado e delimitado pela lei&nbsp;<a target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2010\/lei\/L12351.htm\">12.351\/10<\/a>, sendo que Albacora j\u00e1 possui produ\u00e7\u00e3o em po\u00e7os do pr\u00e9-sal. Ainda em acordo com o boletim mensal da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da ANP de julho de 2021, do total da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo de Albacora, cerca 34,7% \u00e9 proveniente de po\u00e7os do pr\u00e9-sal. O \u00f3leo produzido nesses po\u00e7os possui aproximadamente 30\u00ba API de acordo com Teaser Petrobras referente aos campos de Albacora, o que o qualifica como sendo um petr\u00f3leo leve capaz de produzir uma parcela maior de derivados nobres, de elevado valor comercial, tais como gasolina e diesel. Al\u00e9m disso, os po\u00e7os do pr\u00e9-sal de Albacora responderam por 55% da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s do campo de acordo com o boletim mensal da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da ANP de julho de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Faz-se importante destacar que no primeiro semestre de 2020 a Petrobras noticiou nova descoberta no campo de Albacora a partir dos resultados obtidos com o po\u00e7o 9-AB-135D-RJS. A descoberta consiste em cerca de 214 metros de reservat\u00f3rios, com presen\u00e7a de \u00f3leo leve, comprovada por meio de testes realizados a partir de 4.630 metros de profundidade<sup>[1]<\/sup>. Albacora Leste tamb\u00e9m apresenta um futuro promissor no que se refere ao pr\u00e9-sal, principalmente a partir da descoberta do po\u00e7o Arapu\u00e7\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas descobertas tendem n\u00e3o s\u00f3 a aumentar as reservas e a produtividade dos campos, como tamb\u00e9m dever\u00e1 prolongar as atividades de explora\u00e7\u00e3o dos mesmos. Al\u00e9m disso, essas descobertas v\u00eam ocorrendo em campos que j\u00e1 contam com grande infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o instalada, formada pelas plataformas P-25, P-31 e P-50, al\u00e9m de toda a infraestrutura de movimenta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s conforme aponta o mapa a seguir. Isso faz com que a produ\u00e7\u00e3o nessas descobertas seja mais r\u00e1pida do que em campos que necessitam de toda a instala\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 01<\/strong>: Infraestrutura de produ\u00e7\u00e3o e escoamento de petr\u00f3leo e g\u00e1s dos campos de Albacora e Albacora Leste<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/publisher-publish.s3.eu-central-1.amazonaws.com\/pb-brasil247\/swp\/jtjeq9\/media\/20210906130956_94b404885212136542f745b2fc1c726257e5f287d784cf6de79117467f4caef0.jpg\" alt=\"mapa-um\" width=\"666\" height=\"530\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A Petrobras \u00e9 a \u00fanica concessionaria no campo de Albacora. J\u00e1 em Albacora Leste a Petrobras det\u00e9m 90% e a Repsol Sinopec Brasil possui 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>O campo de Albacora se enquadra na defini\u00e7\u00e3o de campo maduro definido pela\u00a0<a href=\"http:\/\/legislacao.anp.gov.br\/?path=legislacao-anp\/resol-anp\/2018\/setembro&amp;item=ranp-749-2018\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 749\/2018 da ANP<\/a>. De acordo com a resolu\u00e7\u00e3o, \u201co campo maduro pode ser compreendido como sendo o campo de petr\u00f3leo ou de g\u00e1s natural com hist\u00f3rico de produ\u00e7\u00e3o efetiva, realizada a partir de instala\u00e7\u00f5es definitivas de produ\u00e7\u00e3o, maior ou igual a vinte e cinco anos, ou cuja produ\u00e7\u00e3o acumulada corresponda a, pelo menos, 70% (setenta por cento) do volume a ser produzido previsto, considerando as reservas provadas\u201d. A produ\u00e7\u00e3o no campo de Albacora j\u00e1 \u00e9 realizada h\u00e1 37 anos. Entretanto, mesmo sendo maduro, tem-se a possibilidade do desenvolvimento de novos projetos de recupera\u00e7\u00e3o do campo, possibilitando o prolongamento das atividades produtivas e a manuten\u00e7\u00e3o de toda a cadeia de fornecedores e empregos. Al\u00e9m disso, enquadrar Albacora como campo maduro, todavia, significa ignorar as recentes descobertas no pr\u00e9-sal que redefinem positivamente as reservas e a produtividade do campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Albacora Leste a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada h\u00e1 15 anos, portanto, pelo sentido temporal, ele n\u00e3o est\u00e1 enquadrado na categoria de campo maduro. Tampouco o crit\u00e9rio de produ\u00e7\u00e3o pode ser utilizado: com um volume estimado de 3,5 bilh\u00f5es de barris e produ\u00e7\u00e3o acumulada de cerca de 0,4 bilh\u00f5es de barris, Albacora Leste produziu apenas 11% do seu potencial. Al\u00e9m disso, novamente n\u00e3o se pode desconsiderar a descoberta recente do pr\u00e9-sal no campo vizinho que pode redefinir suas reservas e, consequentemente, sua produ\u00e7\u00e3o futura.<br>Em resumo, os ativos de Albacora e Albacora Leste s\u00e3o ativos de grande import\u00e2ncia para a Petrobras por tr\u00eas motivos fundamentais:<\/p>\n\n\n\n<p>1. Pelo fato de serem ativos de grande produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo (16\u00b0 e o 17\u00b0 campos com maior produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil em julho de 2021) e ainda possu\u00edrem grandes reservas a produzir;<br>2. Em fun\u00e7\u00e3o das recentes descobertas no pr\u00e9-sal em Albacora que implica no aumento da produtividade e rentabilidade do campo (e suas adjac\u00eancias) para a Petrobras;<br>3. Devido se localizarem no interior do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, n\u00e3o se pode desconsiderar a possibilidade de poss\u00edveis novas importantes descobertas nesses campos, adquiridos em rodadas ainda no regime de concess\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2020 a Petrobras lan\u00e7ou esses campos ao mercado a fim de vend\u00ea-los. Pouco tempo depois v\u00e1rias empresas e fundos financeiros come\u00e7aram a especular ofertas vinculantes pelos campos. O cons\u00f3rcio formado pela norte-americana petroleira Talos Energy, pelo fundo financeiro do tipo private equity EIG Global Energy Partners e pelas brasileiras pela Enauta e 3R Petroleum foi um deles. Outro cons\u00f3rcio \u00e9 formado pela PetroRio e pela Cobra, uma unidade da francesa VINCI Energies. Por fim, tem-se a petroleira australiana Karoon Energy que tamb\u00e9m manifestou interesse nos ativos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com reportagem da CNN Brasil<sup>[2]<\/sup>, esses ativos podem representar a maior transa\u00e7\u00e3o financeira inerente a ativos de produ\u00e7\u00e3o da Petrobras desde 2017, quando a estatal vendeu uma participa\u00e7\u00e3o no campo de Roncador para a norueguesa Equinor, por US$ 2,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa grande mobiliza\u00e7\u00e3o de empresas e fundos de investimentos, associado ao alto valor do ativo, apenas refor\u00e7am a not\u00f3ria viabilidade econ\u00f4mica dos campos de Albacora e Albacora Leste. Demostra tamb\u00e9m que a Petrobras estar\u00e1 se desfazendo de ativos com grande potencial de gera\u00e7\u00e3o de lucros atuais e futuros.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-wide\" \/>\n\n\n\n<p>[1]\u00a0Ver\u00a0\u00a0mais sobre em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.agenciapetrobras.com.br\/Materia\/ExibirMateria?p_materia=982726\">https:\/\/www.agenciapetrobras.com.br\/Materia\/ExibirMateria?p_materia=982726<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>[2]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/business\/petrobras-campo-de-albacora-atrai-ao-menos-tres-potenciais-compradores\/\">https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/business\/petrobras-campo-de-albacora-atrai-ao-menos-tres-potenciais-compradores\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Blog do Roberto Moraes, para ter acesso a postagem original\u00a0<a href=\"http:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2021\/09\/entrega-bilionaria-do-campo-de-albacora.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Estimativas de resultados do Contrato de partilha, por Cl\u00e1udio Zanotelli<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A Pr\u00e9-Sal Petr\u00f3leo (PPSA) \u00e9 uma empresa p\u00fablica federal, vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, respons\u00e1vel pela gest\u00e3o dos contratos em regime de partilha de produ\u00e7\u00e3o. O estudo <a href=\"http:\/\/www.presalpetroleo.gov.br\/ppsa\/conteudo\/Ebook%20_PPSA_rev.pdf\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/www.presalpetroleo.gov.br\/ppsa\/conteudo\/Ebook%20_PPSA_rev.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Estimativa de resultados nos contratos de partilha de produ\u00e7\u00e3<\/em>o<\/a>, publicado em novembro de 2020 pela PPSA, \u00e9 realizado anualmente pela empresa, com o objetivo de estimar a produ\u00e7\u00e3o futura dos contratos de partilha. Em sua terceira edi\u00e7\u00e3o, esse estudo projeta o cen\u00e1rio para a pr\u00f3xima d\u00e9cada (2021-2030), nos 17 contratos em vigor no regime de partilha de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Desde 2010, o Brasil possui um regime regulat\u00f3rio misto. Os prospectos localizados dentro do Pol\u00edgono do Pr\u00e9-Sal ou em \u00e1reas estrat\u00e9gicas s\u00e3o licitados no regime de partilha de produ\u00e7\u00e3o; e os demais, em regime de concess\u00e3o ou de cess\u00e3o onerosa. Diferentemente do regime de concess\u00e3o \u2013 em que os investidores oferecem b\u00f4nus de assinatura pelos prospectos e, em troca, apropriam-se de todos os hidrocarbonetos \u2013, nas rodadas de licita\u00e7\u00e3o em regime de partilha de produ\u00e7\u00e3o, o b\u00f4nus \u00e9 fixo. A disputa ocorre pelo percentual de excedente da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural ofertado para a Uni\u00e3o. A empresa vencedora \u00e9 aquela que oferece ao Estado brasileiro a maior parcela de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, ou seja, a maior parcela do excedente em \u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No regime de partilha, para calcular a participa\u00e7\u00e3o em petr\u00f3leo e g\u00e1s da Uni\u00e3o, e dos demais parceiros de cada projeto, desconta-se, do total da produ\u00e7\u00e3o do campo, os royalties devidos pagos e todos os disp\u00eandios necess\u00e1rios \u00e0 opera\u00e7\u00e3o, denominados \u201ccusto em \u00f3leo\u201d. O excedente em \u00f3leo (total da produ\u00e7\u00e3o menos o custo em \u00f3leo e o volume correspondentes aos royalties devidos) \u00e9, ent\u00e3o, repartido entre as empresas participantes do cons\u00f3rcio e a Uni\u00e3o, conforme percentual ofertado no leil\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><br>No estudo se estimou que na \u00e1rea do pr\u00e9-sal sob o regime de partilha (sem contar os campos sob os regimes de concess\u00e3o e de exce\u00e7\u00e3o onerosa do mesmo pr\u00e9-sal) se chegaria a produzir em 2030 2\/3 da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo do Brasil. Se estimou tamb\u00e9m que somente o \u00f3leo excedente pertencente \u00e0 Uni\u00e3o no per\u00edodo que vai de 2021 a 2030 seria de 1 bilh\u00e3o de barris o que equivaleria a uma receita projetada de 75,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares aos quais deveria se acrescentar 72,4 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de receitas com royalties e de 56,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de receitas com imposto de renda e de contribui\u00e7\u00e3o social sobre o lucro l\u00edquido, perfazendo um total de 204,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para um per\u00edodo de 10 anos, ou seja, perto de 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais para o Estado brasileiro. O que, convertido para reais com a taxa de c\u00e2mbio de dezembro de 2020, daria 120 bilh\u00f5es de reais, o suficiente para cobrir os gastos com quatro anos de bolsa fam\u00edlia, segundo o or\u00e7amento previsto para 2019.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Pois bem, \u00e9 esse regime de partilha que a atual equipe do governo federal pretende acabar!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-medium-gray-background-color has-medium-gray-color is-style-default\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/5629-pre-sal-castello-branco-defende-reservas-brasileiras-nas-maos-de-grupos-internacionais\" data-type=\"URL\" data-id=\"http:\/\/aepet.org.br\/w3\/index.php\/conteudo-geral\/item\/5629-pre-sal-castello-branco-defende-reservas-brasileiras-nas-maos-de-grupos-internacionais\">Pr\u00e9-Sal: Castello Branco defende reservas brasileiras nas m\u00e3os de grupos internacionais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para acesso a infogr\u00e1ficos e informa\u00e7\u00f5es adicionais <a href=\"http:\/\/www.presalpetroleo.gov.br\/ppsa\/portal\/default.php\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segue, abaixo, o documento em formato<em> .pdf<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-file\"><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/12\/Ebook-_PPSA_rev.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudo <em>Estimativa de resultados nos contratos de partilha de produ\u00e7\u00e3<\/em>o<\/a><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/12\/Ebook-_PPSA_rev.pdf\" class=\"wp-block-file__button\" download>Baixar<\/a><\/div>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O que pode estar por tr\u00e1s das concess\u00f5es e descobertas nas bordas do Pr\u00e9-sal na Bacia de Campos, por Francismar Cunha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e pesquisador sobre o setor de petr\u00f3leo e suas repercuss\u00f5es sobre o territ\u00f3rio, levanta em suas recentes pesquisas, uma quest\u00e3o muito importante que diz respeito a interesses nacionais sobre a nossas reservas do Pr\u00e9-sal.<\/p>\n\n\n\n<p>As quest\u00f5es e hip\u00f3teses suscitadas podem indicar decis\u00f5es e encaminhamentos que foram tomados pela Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP) e pela Petrobras que parecem refletir mais os interesses das petroleiras privadas que se tornaram as propriet\u00e1rias, a partir da aquisi\u00e7\u00e3o em leil\u00e3o, das \u00e1reas das bordas do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, lembrando que esses limites das \u00e1reas s\u00e3o pass\u00edveis de questionamentos e segundo muitos ge\u00f3logos que acompanharam toda os levantamentos e prospec\u00e7\u00f5es que redundaram na descoberta da maior fronteira petrol\u00edfera descoberta nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Francismar afirma que essas &#8220;as novas\u00b4 descobertas no pr\u00e9-sal fora do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal (picanha azul) podem vir a ocorrer nos pr\u00f3ximos anos e n\u00e3o ser\u00e3o realizadas mais pela Petrobras&#8221; e sim pelas petroleiras privadas internacionais (IOC- International Oil Corporations). Ou seja o Brasil est\u00e1 entregando o fil\u00e9 e ficaremos com o osso. Por tudo isso, vale conferir o artigo e os dois excelentes mapas para se compreender o que est\u00e1 em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O pr\u00e9-sal para al\u00e9m da picanha azul e o crescimento das petroleiras multinacionais no pr\u00e9-sal<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo dia 23 de Setembro de 2020 a Petrobras divulgou em sua p\u00e1gina, na se\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es com investidores, a informa\u00e7\u00e3o de que havia a presen\u00e7a de hidrocarbonetos em um po\u00e7o pioneiro (po\u00e7o 1-BRSA-1376D-RJS (Naru) do bloco C-M-657, em profundidade d\u2019\u00e1gua de 2.892 metros, localizado no pr\u00e9-sal da Bacia de Campos a aproximadamente 308 km da cidade do Rio de Janeiro. A perfura\u00e7\u00e3o do po\u00e7o teve in\u00edcio um junho de 2020 por meio do navio-sonda West Tellus, da multinacional Seadrill.<\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia rapidamente foi reproduzida pelos cadernos econ\u00f4micos de jornais da m\u00eddia corporativa (O Globo, Valor, Money Times, dentre outros) carregada de otimismo para o mercado, especialmente o financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, diante dos primeiros resultados obtidos no po\u00e7o pioneiro pouco se questionou sobre sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica na bacia de Campos. O boletim da Petrobras e os jornais corporativos que reproduziram a informa\u00e7\u00e3o aponta apenas que foi uma descoberta no pr\u00e9-sal a 308 km da cidade do Rio de Janeiro. N\u00e3o se comenta que a descoberta \u00e9 no pr\u00e9-sal, mas fora do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal estabelecido pela lei 12.351 de 12 de dezembro de 2010, a chamada picanha azul. Na realidade, o bloco \u00e9 exatamente lim\u00edtrofe ao pol\u00edgono do pr\u00e9-sal. O boletim da Petrobras at\u00e9 tr\u00e1s um mapa indicando a localiza\u00e7\u00e3o do bloco e do po\u00e7o pioneiro, entretanto, o mesmo n\u00e3o tem legenda indicando o significado das diferentes cores que aparecem no mapa. Sendo assim, segue no mapa 01 a localiza\u00e7\u00e3o do bloco C-M-657 no entorno da picanha azul:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 01:<\/strong> Localiza\u00e7\u00e3o do bloco C-M-657 e seu entorno:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"630\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa1-pre-sal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-584\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Conforme aponta o mapa 01, o bloco C-M-657 foi comercializado pela ANP, no leil\u00e3o da 15\u00b0 rodada de concess\u00e3o realizada em mar\u00e7o de 2018. Essa rodada, assim como a 16\u00b0, realizada em outubro de 2019, teve como caracter\u00edstica a oferta de blocos lim\u00edtrofes e cont\u00edguos ao pol\u00edgono do pr\u00e9-sal. Entretanto, outra coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o e que caracteriza essas rodadas de leil\u00f5es \u00e9 o fato de que a grande maioria dos blocos foi adquirida exatamente por petroleiras multinacionais, conforme aponta o mapa 02.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 02:<\/strong> Campos de produ\u00e7\u00e3o e blocos de explora\u00e7\u00e3o com suas concession\u00e1rias nas bacias de Campos e Santos*:<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"640\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa2-pre-sal.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-585\" \/><figcaption>*A primeira empresa que aparece na descri\u00e7\u00e3o de cada bloco corresponde \u00e0 petroleira operadora.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Observando o mapa 02, nota-se que na 15\u00b0 rodada de concess\u00f5es, dos 12 blocos mapeados, a Petrobras tem participa\u00e7\u00e3o em apenas quatro (C-M-657 e C-M-709 como operadora e C-M-753 e C-M-789 como membro do cons\u00f3rcio) os outros oito foram adquiridos por cons\u00f3rcios que contam unicamente com petroleiras multinacionais como Repsol, Chevron, ExxomMobil, Shell, QPI, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo processo se repete na 16\u00b0 rodada, em que os 12 blocos apontados no mapa 02 no entorno do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal a Petrobras participa como operadora apenas de um (C-M-447). Os demais 11 blocos foram adquiridos por cons\u00f3rcios formados novamente pelas grandes petroleiras multinacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A participa\u00e7\u00e3o das petroleiras multinacionais vem sendo crescente na ind\u00fastria petrol\u00edfera brasileira, basicamente em fun\u00e7\u00e3o da altera\u00e7\u00e3o de marcos regulat\u00f3rios e em fun\u00e7\u00e3o das medidas adotadas pelas \u00faltimas gest\u00f5es da Petrobras que consiste no desmonte\/privatiza\u00e7\u00e3o da companhia e na diminui\u00e7\u00e3o dos seus investimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto \u00e0s altera\u00e7\u00f5es das regulamenta\u00e7\u00f5es tem-se como exemplo a altera\u00e7\u00e3o da lei do regime de partilha em 2016. A lei 12.351 do regime de partilha foi criada em 2010. Ela, al\u00e9m de delimitar o pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, estabelecia, dentre outras coisas, novas regras para leil\u00f5es de blocos para as \u00e1reas do pr\u00e9-sal no interior do pol\u00edgono, como a exig\u00eancia de que a Petrobras fosse \u00e0 petroleira operadora dos contratos com uma participa\u00e7\u00e3o de no m\u00ednimo 30% sobre as \u00e1reas licitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, depois do golpe, o ent\u00e3o senador Jos\u00e9 Serra prop\u00f4s um projeto de lei, que posteriormente foi aprovado (lei n\u00ba 13.365, de 29 de Novembro de 2016) que retirou a cl\u00e1usula de obrigatoriedade de participa\u00e7\u00e3o da Petrobras no regime de partilha. Nesse sentido, as multinacionais passaram a ter maior acesso ao interior do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal ap\u00f3s 2016 (rodadas 03, 04, 05 e 06 de partilha) como demonstra o mapa 02.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, a diminui\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da Petrobras nos leil\u00f5es, em especial na 15\u00b0 e na 16\u00ba rodada, se justificam, dentre outras coisas, devido \u00e0 queda dos investimentos da companhia. Por exemplo, em 2013 a companhia teve, segundo seus relat\u00f3rios administrativos, um investimento de 104,4 bilh\u00f5es de reais, em 2018 o investimento caiu para 49,37 bilh\u00f5es de reais. Uma queda de 52,7% nos investimentos em cinco anos. Esse fator tamb\u00e9m se apresenta como sendo uma justificativa para a crescente participa\u00e7\u00e3o das multinacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar ainda que se soma e esses processos, as privatiza\u00e7\u00f5es realizadas pelas \u00faltimas gest\u00f5es da Petrobras. Dentre as v\u00e1rias vendas realizadas, pode-se citar como exemplo a venda da participa\u00e7\u00e3o no BM-S-8 (rodada 02) no pol\u00edgono pr\u00e9-sal onde a Petrobras vendeu seus 66% no bloco para a Equinor.<\/p>\n\n\n\n<p>O crescimento das multinacionais no circuito do petr\u00f3leo \u00e9 um processo que vem se expandindo no contexto das pol\u00edticas neoliberais no Brasil e tem ultrapassado as atividades de produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. Entretanto, focando somente nas atividades de produ\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o na presente ocasi\u00e3o, quando olhamos para as bacias de Campos e Santos, nota-se que as multinacionais t\u00eam buscado aumentar suas participa\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente no interior do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal, na picanha azul, mas principalmente no seu entorno conforme demonstra os resultados dos \u00faltimos leil\u00f5es da ANP (rodadas 15 e 16) conforme aponta o mapa 02.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse entorno que come\u00e7a a dar sinais concretos da possibilidade da exist\u00eancia de importantes reservas de petr\u00f3leo com o po\u00e7o pioneiro do bloco C-M-657 anunciado pela Petrobras. Vale ressaltar que a possibilidade de ocorr\u00eancia de petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal, para al\u00e9m dos limites do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal j\u00e1 era apontada por ge\u00f3logos como Marco Ant\u00f4nio Pinheiro Machado em seu c\u00e9lebre livro Pr\u00e9-sal: A saga. Marco Ant\u00f4nio aponta que isso seria poss\u00edvel em fun\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas da plataforma continental e tamb\u00e9m em fun\u00e7\u00e3o da capacidade migrat\u00f3ria do petr\u00f3leo no interior das rochas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sendo assim, \u201cnovas\u201d descobertas no pr\u00e9-sal fora do pol\u00edgono do pr\u00e9-sal (picanha azul) podem vir a ocorrer nos pr\u00f3ximos anos. Essas que ser\u00e3o n\u00e3o mais realizadas pela Petrobras, mas pelas multinacionais que est\u00e3o passando a controlar cada vez mais as \u00e1reas explorat\u00f3rias do Brasil, inclusive nas \u00e1reas do pr\u00e9-sal para al\u00e9m do pol\u00edgono.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ressaltar que o pr\u00f3prio pol\u00edgono vem perdendo sua import\u00e2ncia que era de delimitar a \u00e1rea de regulamenta\u00e7\u00e3o do regime de partilha, afinal, o regime foi alterado conforme demonstrado. Nesse sentido, pode-se concluir que o pr\u00e9-sal pode est\u00e1 passando por uma importante transforma\u00e7\u00e3o que consiste essencialmente no crescimento do setor privado sob o controle do mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Blog do Roberto Moraes, para ter acesso a postagem original <a href=\"https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/09\/o-que-pode-estar-por-tras-das.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>&#8220;Descomissionamento de plataformas e seus efeitos&#8221;, por Francismar Cunha, UFES<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e pesquisador sobre o setor de petr\u00f3leo e suas repercuss\u00f5es sobre o territ\u00f3rio, oferece aos leitores do blog mais uma an\u00e1lise (com tabela e mapa) sobre o avan\u00e7o do processo de descomissionamento de plataformas no Brasil e seus efeitos para as regi\u00f5es, onde os circuitos econ\u00f4micos do petr\u00f3leo se desenvolvem.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras an\u00e1lises sobre esse processo de descomissionamento ainda precisam ser feitas, em v\u00e1rias dimens\u00f5es, incluindo o fato de que com menores exig\u00eancias da Pol\u00edtica de Conte\u00fado Local, boa parte das oportunidades de neg\u00f3cio, renda e emprego n\u00e3o ser\u00e3o geradas no pa\u00eds e assim alimentar\u00e3o a parte do circuito econ\u00f4mico que est\u00e3o em outros pa\u00edses, diante do grau atual de desmonte e desintegra\u00e7\u00e3o que se faz dos ativos da Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<p>A leitura desse texto deve levar em conta a vis\u00e3o espacial (com mapa) identificando os ativos de produ\u00e7\u00e3o que ser\u00e3o desativadas. Vale ainda relembrar outro \u00f3timo artigo (anterior) do Francismar Cunha, publicado aqui, no blog no dia 8 de maio de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Descomissionamento de plataforma e seus efeitos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sabido que a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s do Brasil em sua maior parte provem da explora\u00e7\u00e3o no mar (offshore). Em 2018, de acordo com a ANP, as atividades petrol\u00edferas mar\u00edtimas responderam por 95,7% da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e 80% da produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s. Essa produ\u00e7\u00e3o que foi\/\u00e9 possibilitada por centenas de plataformas espalhadas no mar, sendo que a maioria se encontra operadas ou contratadas pela Petrobras se concentrando na bacia de Campos. Essas plataformas v\u00eam sendo alvo de muitas quest\u00f5es, dentre elas, destacam-se os processos de hiberna\u00e7\u00e3o e o descomissionamento. Sobre esse \u00faltimo que iremos nos deter na presente ocasi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O descomissionamento consiste nos servi\u00e7os de desmontagem e desativa\u00e7\u00e3o das plataformas. Ele geralmente ocorre com fim da vida produtiva de determinado campo e\/ou ao final da vida \u00fatil de determinada plataforma. Nesses cen\u00e1rios, s\u00e3o encerradas as atividades, s\u00e3o feitas limpeza e remo\u00e7\u00e3o de estruturas e recupera\u00e7\u00e3o ambiental do local.Tratam-se de opera\u00e7\u00f5es com alto custo e elevado potencial de gera\u00e7\u00e3o de impactos ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Configura-se como uma atividade recente na ind\u00fastria brasileira de petr\u00f3leo. Fato que comprovado pela resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 817\/2020 publicada em abril pela Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) em parceria com a Marinha do Brasil e o Ibama. A resolu\u00e7\u00e3o define as regras para o descomissionamento de instala\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, os procedimentos de devolu\u00e7\u00e3o de \u00e1reas \u00e0 ag\u00eancia reguladora (com inclus\u00e3o na Oferta Permanente) e a aliena\u00e7\u00e3o e revers\u00e3o de bens.<\/p>\n\n\n\n<p>A ANP estima que 96 plataformas de produ\u00e7\u00e3o ser\u00e3o descomissionadas at\u00e9 2025 de acordo com a ag\u00eancia Petr\u00f3leo Hoje. Nesse contexto, destaca-se a atua\u00e7\u00e3o da Petrobras. A petroleira em seu atual plano de neg\u00f3cios (2020-24) prev\u00ea descomissionar 18 plataformas entre as bacias Potiguar, Sergipe-Alagoas, Esp\u00edrito Santo e Campos conforme aponta o quadro 01:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quadro 01: <\/strong>Plataformas com descomisssionamento previsto pela Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"532\" height=\"532\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/quadro1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-582\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O campo de Ca\u00e7\u00e3o, que teve a produ\u00e7\u00e3o encerrada em 2010, j\u00e1 teve a licita\u00e7\u00e3o para o descomissionamento realizada e o cons\u00f3rcio Piau\u00ed-Alabama formado pelas empresas Triunfo Log\u00edstica, SeaPartners, Shore Offshore Services e M\u00e9todo Potencial Engenharia, foi o vencedor da licita\u00e7\u00e3o. O valor apresentado pelo grupo para prestar o servi\u00e7o foi de US$ 38,5 milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso das plataformas das Bacias Potiguar e Sergipe-Alagoas destaca-se pelo fato de que praticamente todas elas t\u00eam em comum o fato de se localizarem em campos que est\u00e3o com an\u00fancio de venda pela Petrobras. A exce\u00e7\u00e3o \u00e9 do campo Biquara.<br>Entretanto, o que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande descomissionamento na bacia de Campos, em especial no campo de Marlim. Vale ressaltar que a bacia de Campos, assim como muitas outra no Brasil, vem sofrendo com o processo de desmonte. No mapa 01 pode ser visualizado o desmonte da bacia de campos e as plataformas em processo de descomissionamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 01: <\/strong>Plataformas da Petrobras com descomissionamento aprovado e previsto, campos e infraestruturas vendidas e com an\u00fancios de venda pela Petrobras nas bacias de Campos e Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"489\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-583\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nota-se no mapa que das 12 plataformas em processo de descomissionamento na bacia de Campos, tr\u00eas est\u00e3o em campos com an\u00fancio de venda pela Petrobras como \u00e9 a caso da P-12 no campo Linguado, da P-07 em Bicudo e da P-15 em Pira\u00fana. Esse processo \u00e9 mais um aspecto que demonstra o movimento de redu\u00e7\u00e3o\/privatiza\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da Petrobras na Bacia de Campos, em especial nos campos de \u00e1guas rasas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, tem-se a plataforma FPSO Capixaba, que \u00e9 afretada junto a SBM e tem o contrato com t\u00e9rmino previsto para 2022, e conforme o plano de descomissionamento da Petrobras a tend\u00eancia \u00e9 que n\u00e3o ocorra a renova\u00e7\u00e3o do contrato. As outras 8 plataformas est\u00e3o localizadas unicamente no campo de Marlim.<\/p>\n\n\n\n<p>O campo Marlim, descoberto em 1985, se configura como um campo dito maduro, mas ao mesmo tempo se apresenta como um dos principais campos de produ\u00e7\u00e3o da bacia de Campos e do pa\u00eds. Possui po\u00e7os no p\u00f3s e no pr\u00e9-sal. Ao todo, encontram-se no campo nove plataformas sendo sete de produ\u00e7\u00e3o (P-18, P-19, P-20 e P-26, P-33, P-35 e P-37) e duas para tratamento, armazenamento e o escoamento da produ\u00e7\u00e3o do campo (P-32 e a P-47). A capacidade total de processamentos das plataformas \u00e9 de 835.480 bbl\/d de petr\u00f3leo e mais de17 milh\u00f5es de m\u00b3 de g\u00e1s por dia. O descomissionamento do campo se insere no contexto do projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o do mesmo pela Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<p>A Petrobras pretende retirar as plataformas pr\u00f3prias, inclusive a P-19 que foi em maio de 2020 a 29\u00ba que mais produziu petr\u00f3leo no pa\u00eds (28.306 bbl\/d) de acordo com a ANP, para inserir duas plataformas afretadas junto a japonesa Modec (FPSO Marlim 1) e a malasiana Yinson (FPSO Marlim 2). Essas novas plataformas juntas teriam capacidade de processar 150.000 bbl\/d de petr\u00f3leo 11 milh\u00f5es de m\u00b3 de g\u00e1s por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas transforma\u00e7\u00f5es do caso de Marlim t\u00eam uma implica\u00e7\u00e3o direta sobre os trabalhadores, afinal, a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de plataformas acarreta diretamente na redu\u00e7\u00e3o de trabalhadores pr\u00f3prios (que poderiam ser realocados ou inseridos no Programa de Desligamento \u2013 PDV da Petrobras) e terceirizados. Al\u00e9m disso, tem um efeito sobre a cadeia do petr\u00f3leo, afinal, ocorrer\u00e1 menor demanda pelos servi\u00e7os de manuten\u00e7\u00e3o. Soma-se a isso ainda, o fato de que as novas plataformas tendem a vir do exterior, n\u00e3o utilizando assim o conte\u00fado local em sua montagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar ainda que apesar de ser um processo relativamente recente, em anos anteriores outras plataformas j\u00e1 foram descomissionadas na bacia de Campos. Esses descomissionamento tinham como singularidade o fato de se restringirem a plataformas afretadas e n\u00e3o pr\u00f3prias da Petrobras como agora. Destacam-se os descomissionamentos das plataformas afretadas junto a SBM Offshore que foram o FPSO Brasil no campo de Roncador, o FPSO Marlim Sul no campo Marlim Sul, e o FPSO Espadarte no campo Espadarte. Soma-se a esses, o FPSO Cidade Rio das Ostras que atuava no Campo Badejo afretado junto a Teekay e Petrojarl e o FPSO Cidade do Rio de Janeiro afretado junto a Modec que atuava no campo Tartaruga Verde atualmente vendido pra a Petronas conforme aponta o mapa 01.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, pode ser apontado que o descomissionamento, em especial os das plataformas pr\u00f3prias da Petrobas atualmente, representa basicamente tr\u00eas coisas. Uma primeira, apreciada pelos loobies empresariais privados, que significa novos servi\u00e7os na ind\u00fastria petrol\u00edfera brasileira que demanda adapta\u00e7\u00f5es no portf\u00f3lio de atua\u00e7\u00e3o das empresas que j\u00e1 atuam no setor ou representa a possibilidade para a entrada de novos agentes, principalmente de multinacionais, afinal, s\u00e3o servi\u00e7os que demandam equipamentos e tecnologias singulares.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda vem apenas reafirmar o desmonte da empresa, afinal, o descomissionamento das plataformas dos campos colocados a venda apenas evidencia o desinteresse da atual gest\u00e3o da Petrobras pelos campos maduros. Finalmente, a terceira que representa os efeitos sobre o trabalho, principalmente na bacia de Campos a partir do caso de Marlim, afinal, a pr\u00e1tica de revitaliza\u00e7\u00e3o de Marlim, implica diretamente na redu\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Este texto \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Blog do Roberto Moraes, para ter acesso a postagem original <a href=\"https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/07\/descomissionamento-de-plataformas-e.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>&#8220;A hiberna\u00e7\u00e3o como refor\u00e7o da pol\u00edtica de descaso e entrega da Petrobras&#8221;, por Francismar Cunha<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo, mestre e doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES) e pesquisador sobre o setor de petr\u00f3leo e suas repercuss\u00f5es sobre o territ\u00f3rio, oferece mais uma potente interpreta\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre as decis\u00f5es de colocar plataformas e campos de petr\u00f3leo em &#8220;hiberna\u00e7\u00e3o&#8221; e processo de desmonte e venda por parte da dire\u00e7\u00e3o atual da Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<p>Francismar faz uma leitura a partir da localiza\u00e7\u00e3o espacial (com mapas de quatro bacias produtoras de petr\u00f3leo no Brasil) que identifica os ativos de produ\u00e7\u00e3o colocados em &#8220;hiberna\u00e7\u00e3o&#8221; (eufemismo similar ao que gostam de usar como &#8220;desinvestimentos&#8221;) e os que est\u00e3o sendo colocados \u00e0 venda (desinvestimentos) pela estatal.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo bom pesquisador come\u00e7a trabalhando com as informa\u00e7\u00f5es e junto com os estudos te\u00f3ricos e as pesquisas emp\u00edricas, passa \u00e0 fase de formula\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses, para se tentar interpretar o fen\u00f4meno que est\u00e1 observando.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste caminho, o pesquisador Francismar Cunha conseguiu com a espacializa\u00e7\u00e3o destas decis\u00f5es corporativas, localizar o nexo de neg\u00f3cios que exp\u00f5e de forma clara, que a atual dire\u00e7\u00e3o da Petrobras, enxerga e usa a pandemia, como &#8220;janela de oportunidades&#8221; para radicalizar, o processo de desmonte da companhia, cumprindo desejo dos seus maiores investidores, a quem na verdade, representam, exclusivamente. Vale conferir abaixo o texto na \u00edntegra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>A hiberna\u00e7\u00e3o como nova pol\u00edtica de descaso e entrega da Petrobras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos nota-se uma brusca mudan\u00e7a na diretriz da gest\u00e3o da Petrobras e isso tem engendrado uma crescente privatiza\u00e7\u00e3o da empresa. Este processo incide por v\u00e1rios segmentos da petroleira, indo desde a produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o. Nessa conjuntura, a empresa bem como seus trabalhadores pr\u00f3prios e terceirizados tem seus futuros marcados por incertezas.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias subsidi\u00e1rias da Petrobras j\u00e1 foram vendidas como \u00e9 o caso da Transporte Associado de G\u00e1s (TAG), da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), da Liquig\u00e1s, da BR distribuidora e etc. Do mesmo modo, v\u00e1rios campos de produ\u00e7\u00e3o onshore e offshore tamb\u00e9m j\u00e1 foram vendidos. Para exemplificar, somente na Bacia Potiguar foram vendidos 34 campos terrestres para a Petrorec\u00f4ncavo, na Bacia de Campos os campos de Enchova, Pampo, Vermelho, Pargo, Carapeba, etc. tamb\u00e9m j\u00e1 foram vendidos. Todas as vendas da Petrobras somavam 24 bilh\u00f5es de reais, o que correspondia a 60% do lucro da empresa em 2019 segundo o economista Cl\u00e1udio da Costa Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m dos ativos vendidos, chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a verdadeira liquida\u00e7\u00e3o que a atual gest\u00e3o da Petrobras vem fazendo conforme aponta sua p\u00e1gina de \u201crela\u00e7\u00f5es com investidores\u201d (teasers). A empresa vem sendo ofertada ao mercado em fatias e nesse movimento j\u00e1 foi colocada \u00e0 venda as suas participa\u00e7\u00f5es em usinas e\u00f3licas, no segmento de bicombust\u00edveis e at\u00e9 mesmo no refino onde nove refinarias foram oferecidas ao mercado. Soma-se a isso, a inser\u00e7\u00e3o de dezenas de campos e blocos colocados a venda nas diferentes bacias. Nas bacias Par\u00e1-Maranh\u00e3o, Cear\u00e1, Potiguar, Tucano do Sul e Pelotas a Petrobras colocou todos os seus blocos explorat\u00f3rios e campos a venda. At\u00e9 o dia 07\/05 na bacia do Solim\u00f5es tr\u00eas campos haviam sido colocados a venda e um (Azul\u00e3o) j\u00e1 foi vendido. Na Bacia Sergipe-Alagoas 19 campos e 19 blocos estavam a venda, na bacia do Esp\u00edrito Santo 34 campos e 3 blocos estavam a venda, al\u00e9m disso, 3 campos j\u00e1 haviam sido vendidos para a Imetame. Na bacia do Reconcavo 38 campos e 8 blocos estavam a venda, em Camanu 1 campo, na bacia de Santos 4 campos e na bacia de Campos 24 estavam a venda, e desses, 7 haviam sidos vendidos juntamente com 1 bloco. Vale ressaltar ainda que a Petrobras tamb\u00e9m vendeu participa\u00e7\u00f5es e percentual de participa\u00e7\u00f5es em campos e blocos do pr\u00e9-sal como o caso do campo Carcar\u00e1 (antigo BM-S-8) para a Equinor, a participa\u00e7\u00e3o 35% no campo Lapa na bacia de Santos para a Total, dentre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a gest\u00e3o da petroleira vem utilizando estrat\u00e9gias que poder\u00e3o acelerar o processo de privatiza\u00e7\u00e3o e que tem diretamente efeitos econ\u00f4micos e tamb\u00e9m sobre o trabalho. Uma delas consiste no programa de hiberna\u00e7\u00e3o de plataformas. A Petrobras iniciou em abril o processo de hiberna\u00e7\u00e3o de 62 plataformas em campos de \u00e1guas rasas nas bacias de Campos, Sergipe, Potiguar e Cear\u00e1. De acordo com a Petrobras, as plataformas que ser\u00e3o hibernadas n\u00e3o t\u00eam viabilidade econ\u00f4mica para operar no contexto atual com os baixos pre\u00e7os do petr\u00f3leo e a queda da demanda devido \u00e0 pandemia de COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo argumento de que n\u00e3o h\u00e1 viabilidade econ\u00f4mica utilizada para a venda de campos maduros, se repete agora para hibernar plataformas. Contudo, produ\u00e7\u00e3o de muitos campos que est\u00e3o sendo vendidos pela Petrobras deve dobrar ou triplicar de acordo com a avalia\u00e7\u00e3o da ANP em fun\u00e7\u00e3o dos investimentos realizados nesses campos. Investimentos esses que a gest\u00e3o da Petrobras, desde a era Temer, n\u00e3o vem fazendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio a isso, destaca-se o curioso fato de que as plataformas hibernadas das bacias de Sergipe, Cear\u00e1 e Potiguar s\u00e3o exatamente aquelas que se localizam em campos que est\u00e3o com an\u00fancio de venda. O mesmo acontece com a maior parte das plataformas que est\u00e3o em processo de hiberna\u00e7\u00e3o na bacia de Campos. Os mapas a seguir demonstram esta constata\u00e7\u00e3o. Os mapas ampliam a evid\u00eancia de que n\u00e3o se trata de uma coincid\u00eancia e sim um estrat\u00e9gia em que a hiberna\u00e7\u00e3o se tornou estrat\u00e9gia corporativa de neg\u00f3cios escusos e de privatiza\u00e7\u00e3o em larga escala de grande quantidade de ativos da Petrobras.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro mapa (Mapa 1) sobre a Bacia de Campos localiza as plataformas hibernadas e os campos de petr\u00f3leo colocados \u00e0 venda. No Mapa 2, est\u00e3o apontados os campos e blocos colocados \u00e0 venda na Bacia Sergipe-Alagoas e no Mapa 3, os campos vendidos e com an\u00fancio de venda nas bacias do Cear\u00e1 e Potiguar. Assim, a Petrobras, reduz-se ao m\u00ednimo com a produ\u00e7\u00e3o para se tornar uma empresa pequena (enxuta) e caminhando para se fixar apenas, e quase somente, no Pr\u00e9-sal e Bacia de Santos, como deseja os investidores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 1: <\/strong>Plataformas hibernadas e campos \u00e0 venda na Bacia de Campos at\u00e9 07\/05\/2020<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"563\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa1-hibernacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-578\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 2: <\/strong>Campos e blocos com an\u00fancio de venda pela Petrobras na Bacia de Sergipe-Alagoas<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"585\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa2-hibernacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-579\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><strong>Mapa 3: <\/strong>Campos vendidos e com an\u00fancio de venda nas bacia do Cear\u00e1 e Potiguar<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"517\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/11\/mapa3-hibernacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-580\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Logo, a hiberna\u00e7\u00e3o das plataformas nada mais \u00e9 do que uma forma de acelerar e aprofundar o desmonte da Petrobras que vem sendo intensificado pela gest\u00e3o Castello Branco. Aproveitam-se assim, do que chamam de \u201cjanela de oportunidades\u201d gerada pelos efeitos da Covid-19. Afinal, em meio \u00e0 pandemia, as mobiliza\u00e7\u00f5es para resistir a essas medidas tendem a ser menores e mais dif\u00edceis.<\/p>\n\n\n\n<p>Os trabalhadores da petroleira dessas plataformas ser\u00e3o realocados para outros ativos sem garantia nenhuma de retorno, al\u00e9m disso, tem-se a pol\u00edtica de desligamento volunt\u00e1rio da empresa que faz com que muitos deixem a companhia. Essas e outras medidas nada mais s\u00e3o do que formas de erodir a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a hiberna\u00e7\u00e3o implica ainda em outros preju\u00edzos. Do ponto de vista do trabalho a hiberna\u00e7\u00e3o tende a levar a demiss\u00e3o de trabalhadores terceirizados. Por outro lado, tem-se a consequ\u00eancia econ\u00f4mica onde juntamente com a queda da produ\u00e7\u00e3o ocorrer\u00e1 a queda da arrecada\u00e7\u00e3o de royalties, o aumento do desemprego em toda cadeia produtiva e tamb\u00e9m no setor hoteleiro, com\u00e9rcio e afins. O que trar\u00e1 uma dificuldade adicional para os munic\u00edpios conforme nota do Sindipetro-NF.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale ressaltar ainda que a hiberna\u00e7\u00e3o se estende para al\u00e9m das plataformas, tem-se a hiberna\u00e7\u00e3o de campos terrestres e tamb\u00e9m da fabrica de fertilizantes Arauc\u00e1ria Nitrogenados (ANSA). Essa ultima em especial, tamb\u00e9m colocada a venda.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a hiberna\u00e7\u00e3o significa muito mais que uma forma de gest\u00e3o da Petrobras no contexto de queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo e da pandemia. Ao contr\u00e1rio, a hiberna\u00e7\u00e3o \u00e9 a nova modalidade da pol\u00edtica de descaso e entrega da Petrobras. Representa uma estrat\u00e9gia que se aproveita da dificuldade de se organizar as mobiliza\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia para acelerar o desmonte da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Este texto \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Blog do Roberto Moraes, para ter acesso a postagem original <a href=\"https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/05\/a-hibernacao-como-reforco-da-politica.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">clique aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<!--nextpage-->\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mapa da incid\u00eancia de Covid-19 nas bacias de Campos e Santos, por Francismar Cunha, UFES<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O ge\u00f3grafo, pesquisador e doutorando de Geografia da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), Francismar Cunha Ferreira elaborou um mapa sobre a incid\u00eancia da contamina\u00e7\u00e3o de Covid-19, nas plataformas das bacias de Campos e Santos, em especial chama a aten\u00e7\u00e3o para o \u201ccluster de Covid-19\u201d nas plataformas do campo de Marlim na Bacia de Campos.<\/p>\n\n\n\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 calamitosa e expressa as atuais e p\u00e9ssimas rela\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas unidades da Petrobras, indicando o grau de precariza\u00e7\u00e3o e pouco caso com os trabalhadores da empresa e os terceirizados. Abaixo o texto e o mapa, elaborados por Francismar Cunha da UFES.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Distribui\u00e7\u00e3o espacial da contamina\u00e7\u00e3o de Covid-19 nas plataformas das bacias de Campos e Santos: cluster de Covid-19 no campo de Marlim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com a pandemia da Covid-19 diversas adapta\u00e7\u00f5es foram\/est\u00e3o sendo feitas nas rotinas dos trabalhadores. Entretanto, n\u00e3o se pode afirmar categoricamente que essas altera\u00e7\u00f5es visam o bem estar e a sa\u00fade do trabalhador. Esse posicionamento ganha for\u00e7a quando se verifica que em alguns setores produtivos como, a ind\u00fastria petrol\u00edfera, se assiste a um aumento expressivo do n\u00famero de casos de pessoas infectadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o dia 23\/04 haviam 10 plataformas de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s com registro de casos de trabalhadores infectados entre as bacias de Campos e Santos. S\u00e3o elas: a P-26, P-18, P-35, P-20, P-33 (no campo de Marlim na Bacia de Campos), P-62 (campo do Roncador) e P-50 (campo Albacora Leste) todas da Petrobras e as FPSOs Cidade de Santos e Cidade de Anchieta, ambas afretadas pela Petrobras, respectivamente da japonesa Modec e da Holandesa SBM Offshore. Para al\u00e9m das plataformas t\u00eam-se constata\u00e7\u00f5es de casos de contamina\u00e7\u00e3o nos campos terrestres no Amazonas, conforme apontou Jo\u00e3o Gilberto e Francisco Gon\u00e7alves, em texto publicado no dia 29\/09 na p\u00e1gina da AEPET.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"525\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/files\/2020\/10\/Mapa-Covid-19-na-Bacia-de-Campos-e-Santos-30-04-2020.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-572\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em geral, foram confirmados at\u00e9 o dia 28 de abril 625 casos de Covid-19 nas empresas que executam atividades de Explora\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o de Petr\u00f3leo e G\u00e1s Natural no Brasil, sendo que 243 profissionais acessaram instala\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas de perfura\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o, conforme mapa acima. O total de suspeitos nessas empresas soma 1.445 de acordo com a ANP.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os trabalhadores expostos \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o de Covi-19, chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores terceirizados. De acordo com a FUP, as condi\u00e7\u00f5es desses trabalhadores pioraram no contexto da pandemia, pois al\u00e9m de se encontrarem em situa\u00e7\u00f5es de trabalho prec\u00e1rias, est\u00e3o sob risco de contamina\u00e7\u00e3o que se associa ao temor de perder seus empregos. O pior, ainda segundo a FUP, \u00e9 que algumas empresas ainda est\u00e3o amplificando esses problemas ao n\u00e3o cumprir a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, as conven\u00e7\u00f5es e acordos feitos com os sindicatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese, nota-se uma tend\u00eancia de aumento de casos de contamina\u00e7\u00e3o, especialmente, no caso das plataformas no campo Marlim, onde se percebe um verdadeiro \u201ccluster de COVID-19\u201d. Soma-se a isso, as press\u00f5es sobre os trabalhadores, especialmente os terceirizados. Em paralelo, a Petrobras vem afirmando que v\u00eam adotando medidas preventivas alinhadas \u00e0s recomenda\u00e7\u00f5es de autoridades sanit\u00e1rias e \u00f3rg\u00e3os reguladores.<\/p>\n\n\n\n<p>A petroleira afirmou para a Reuters que reduziu o efetivo em unidades operacionais, tomando medidas mais rigorosas no setor offshore, como isolamento domiciliar monitorado e triagem m\u00e9dica no pr\u00e9-embarque, com suspens\u00e3o do embarque de quem apresentar qualquer sintoma. Entretanto, de acordo com Jo\u00e3o Gilberto (Diretor do Sindipetro Caxias), a Petrobras imp\u00f4s um plano de resili\u00eancia que reduz a jornada e sal\u00e1rios dos empregados administrativos em 25% e insiste em impor solu\u00e7\u00f5es sem ouvir ou negociar com representantes dos trabalhadores. Jo\u00e3o Gilberto aponta ainda que o atual governo e sua gest\u00e3o na Petrobras se utilizam da Covid-19 para acelerar o desmonte e entrega da Petrobr\u00e1s \u00e0 iniciativa privada, um grande contrassenso, quando bancos, empresas de avia\u00e7\u00e3o, dentre outros, pedem socorro ao Estado em fun\u00e7\u00e3o da crise.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Este texto \u00e9 uma transcri\u00e7\u00e3o extra\u00edda do Blog do Roberto Moraes, para ter acesso a postagem original <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.robertomoraes.com.br\/2020\/04\/mapa-da-incidencia-de-covid-19-nas.html\" target=\"_blank\">clique aqui<\/a><\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrega bilion\u00e1ria do campo de Albacora \u00e9 mais um crime de lesa p\u00e1tria, por Francismar Cunha O fatiamento da estatal Petrobras para a entrega de suas subsidi\u00e1rias e seus ativos segue a ritmo acelerado desde o golpe pol\u00edtico de 2016 &hellip; <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/boletim\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":398,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"class_list":["post-562","page","type-page","status-publish","hentry"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-thumbnail":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Ana F\u00e9lix","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/author\/ana_paula-flix-de-carvalho-silva\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Entrega bilion\u00e1ria do campo de Albacora \u00e9 mais um crime de lesa p\u00e1tria, por Francismar Cunha O fatiamento da estatal Petrobras para a entrega de suas subsidi\u00e1rias e seus ativos segue a ritmo acelerado desde o golpe pol\u00edtico de 2016 &hellip; Continue lendo &rarr;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/562","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/398"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=562"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/562\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1013,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/562\/revisions\/1013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/laburp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=562"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}