{"id":35,"date":"2009-02-05T01:29:00","date_gmt":"2009-02-05T01:29:00","guid":{"rendered":"http:\/\/lucasgferreira.wordpress.com\/2009\/02\/05\/metabolismo-do-exercicio-parte-1"},"modified":"2009-02-05T01:29:00","modified_gmt":"2009-02-05T01:29:00","slug":"metabolismo-do-exercicio-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/lucasgf\/?p=35","title":{"rendered":"Metabolismo do Exerc\u00edcio: Parte 1"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"> Estou iniciando outra s\u00e9rie de postagens, agora sobre o tema Metabolismo do Exerc\u00edcio. Darei in\u00edcio falando do ATP e do sistema da fosfocreatina.<\/p>\n<p><strong>O ATP <\/strong><\/p>\n<p>O trifosfato de adenosina (ATP) \u00e9 a \u00fanica forma de energia qu\u00edmica que pode ser convertida em outras formas de energia utiliz\u00e1veis pelas c\u00e9lulas. A energia livre resultante da hidr\u00f3lise do ATP permite a contra\u00e7\u00e3o muscular e, dessa forma, a gera\u00e7\u00e3o de for\u00e7a e trabalho. Durante o exerc\u00edcio, a taxa de utiliza\u00e7\u00e3o de energia pode aumentar at\u00e9 30 vezes. Um complexo conjunto de processos metab\u00f3licos est\u00e1 envolvido na produ\u00e7\u00e3o, no armazenamento e na utiliza\u00e7\u00e3o dos substratos capazes de gerar ATP, atendendo \u00e0 demanda energ\u00e9tica do exerc\u00edcio f\u00edsico. <br \/>O ATP n\u00e3o pode ser acumulado em grandes quantidades, sendo o estoque intramuscular de apenas cerca de 24 mmol\/kg de mat\u00e9ria seca, suficiente para cerca de 2 segundos de contra\u00e7\u00f5es musculares no exerc\u00edcio m\u00e1ximo. Apesar da intensa utiliza\u00e7\u00e3o desse composto, seus n\u00edveis intracelulares n\u00e3o caem mais que 30 a 40%, mesmo durante exerc\u00edcio intenso, uma vez que \u00e9 eficazmente ressintetizado a partir do ADP e do AMP. <\/p>\n<p><strong>Fosfocreatina <\/strong><\/p>\n<p>A creatina \u00e9 um composto que cont\u00e9m carbono, hidrog\u00eanio e nitrog\u00eanio, sintetizado nos rins, no p\u00e2ncreas e f\u00edgado (neste \u00faltimo principalmente) a partir de tr\u00eas amino\u00e1cidos: glicina, arginina e metionina. Diariamente, aproximadamente 2 g de creatina s\u00e3o convertidos, atrav\u00e9s de rea\u00e7\u00e3o n\u00e3o-enzim\u00e1tica, em creatinina, que atravessa livremente a membrana celular sendo posteriormente excretada pelos rins. A reposi\u00e7\u00e3o dos estoques de creatina se d\u00e1 tanto por s\u00edntese end\u00f3gena quanto pela ingest\u00e3o na dieta on\u00edvora t\u00edpica. O estoque intracelular de creatina total gira em torno de 120-125 mmol\/kg de peso seco, resultando em cerca de 120 g no indiv\u00edduo de 70 kg, sendo 95% desse valor encontrado no m\u00fasculo esquel\u00e9tico. Apresenta-se nas formas livre (Cr) ou fosforilada (CP). Quando fosforilada atua na refosforila\u00e7\u00e3o do ADP, mediante a\u00e7\u00e3o da enzima creatina quinase (CK), contribuindo para a manuten\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis intracelulares de ATP. Essa via energ\u00e9tica \u00e9 predominantemente utilizada no in\u00edcio do trabalho de contra\u00e7\u00e3o muscular, bem como em esfor\u00e7os de curt\u00edssima dura\u00e7\u00e3o e alta intensidade. Dessa forma, tem sido demonstrado que a suplementa\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica com creatina mono-hidratada proporciona uma melhora significativa em atividades de alta intensidade, ao aumentar os n\u00edveis intramusculares de creatina total (TCr) para cerca de 145 a 160 mmol\/kg de peso seco, bem como ao proporcionar um aumento da ress\u00edntese de CP durante a recupera\u00e7\u00e3o. <br \/>Al\u00e9m de atuar como um tamp\u00e3o tempor\u00e1rio de energia, mantendo a concentra\u00e7\u00e3o celular de ATP, o sistema da fosfocreatina parece possuir outras fun\u00e7\u00f5es. A hidr\u00f3lise do ATP acarreta produ\u00e7\u00e3o de H+, ao passo que a rea\u00e7\u00e3o da CK promove o seq\u00fcestro de H+. Esse acoplamento funcional impede a r\u00e1pida acidifica\u00e7\u00e3o do meio intracelular no in\u00edcio da contra\u00e7\u00e3o muscular. E, ainda, a hidr\u00f3lise da fosfocreatina promove uma r\u00e1pida libera\u00e7\u00e3o de Pi durante a contra\u00e7\u00e3o, o que parece estar relacionado com a ativa\u00e7\u00e3o da enzima glicog\u00eanio fosforilase e de enzimas da glic\u00f3lise no in\u00edcio do exerc\u00edcio, mantendo-se, assim, a produ\u00e7\u00e3o de energia. <br \/>A rea\u00e7\u00e3o da creatina quinase \u00e9 revers\u00edvel. Dessa forma, ap\u00f3s o exerc\u00edcio, quando a demanda por ATP diminui acentuadamente, a oxida\u00e7\u00e3o de carboidratos e lip\u00eddios permite a ress\u00edntese da fosfocreatina, repondo o pool intracelular desse composto. Essa ress\u00edntese de fosfocreatina pode ser severamente comprometida por baixo pH, baixa tens\u00e3o de oxig\u00eanio e\/ou por uma redu\u00e7\u00e3o no fluxo sang\u00fc\u00edneo muscular. <\/div>\n<p>&#8212;&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>Lucas.<\/p>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><img width='1' height='1' src='' alt='' \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estou iniciando outra s\u00e9rie de postagens, agora sobre o tema Metabolismo do Exerc\u00edcio. Darei in\u00edcio falando do ATP e do sistema da fosfocreatina. 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