{"id":39,"date":"2009-03-16T01:51:00","date_gmt":"2009-03-16T01:51:00","guid":{"rendered":"http:\/\/lucasgferreira.wordpress.com\/2009\/03\/16\/metabolismo-do-exercicio-parte-3"},"modified":"2009-03-16T01:51:00","modified_gmt":"2009-03-16T01:51:00","slug":"metabolismo-do-exercicio-parte-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/lucasgf\/?p=39","title":{"rendered":"Metabolismo do Exerc\u00edcio: Parte 3"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"> <strong>Respostas metab\u00f3licas e integra\u00e7\u00e3o do metabolismo no exerc\u00edcio f\u00edsico <\/strong><\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da fosfocreatina tem in\u00edcio assim que se inicia a contra\u00e7\u00e3o muscular, tamponando o ADP acumulado em virtude da taxa de hidr\u00f3lise aumentada do ATP. Esse aumento r\u00e1pido dos n\u00edveis de ADP parece ser o est\u00edmulo inicial para o aumento da hidr\u00f3lise da fosfocreatina via rea\u00e7\u00e3o da creatina quinase. Estudos demonstram que a hidr\u00f3lise da fosfocreatina \u00e9 a principal fonte de regenera\u00e7\u00e3o de ATP nos primeiros 10 a 15 segundos de exerc\u00edcio de alta intensidade. Entretanto, \u00e9 importante ressaltar que a glic\u00f3lise anaer\u00f3bica tamb\u00e9m contribui de forma importante para a gera\u00e7\u00e3o de energia nesse tipo de exerc\u00edcio, mesmo nos segundos iniciais, apesar de sua contribui\u00e7\u00e3o aumentar de forma crescente \u00e0 medida que a contribui\u00e7\u00e3o da fosfocreatina declina. Devido \u00e0 maior capacidade do sistema fosfag\u00eanico de produ\u00e7\u00e3o de ATP por unidade de tempo (~9 mmol\/kg dm-1.s-1) quando comparado ao sistema glicol\u00edtico (~4,5 mmol\/kg dm-1.s-1), compreende-se a raz\u00e3o por que corredores de curta dist\u00e2ncia (100 ou 200 m) apresentam maior velocidade nos primeiros segundos da corrida, a qual decai progressivamente at\u00e9 o final da prova. <br \/>O m\u00fasculo esquel\u00e9tico obt\u00e9m sua demanda metab\u00f3lica tanto a partir do metabolismo oxidativo quando do anaer\u00f3bico. A escolha do combust\u00edvel depende principalmente da disponibilidade de substrato e oxig\u00eanio, mas tamb\u00e9m da demanda de forma\u00e7\u00e3o de ATP, que se relaciona com a intensidade do exerc\u00edcio e, conseq\u00fcentemente, com o tipo de fibra muscular que \u00e9 predominantemente recrutada. As fibras musculares do tipo I (oxidativas de contra\u00e7\u00e3o lenta), recrutadas em exerc\u00edcios de intensidade mais baixa, possuem alta capacidade oxidativa, apresentando maior capilariza\u00e7\u00e3o, densidade mitocondrial, conte\u00fado de mioglobina e atividade de enzimas oxidativas, sendo, dessa forma, mais aptas a utilizar lip\u00eddios e carboidratos de forma aer\u00f3bica. Em contrapartida, as fibras tipo II (glicol\u00edticas, de contra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida), que se dividem em IIa e IIb, s\u00e3o mais aptas ao metabolismo anaer\u00f3bico, gerando ATP principalmente via fosfocreatina e glic\u00f3lise anaer\u00f3bica. <br \/>Dessa forma, observa-se um fen\u00f4meno de troca do substrato predominantemente utilizado, \u00e0 medida que a intensidade do esfor\u00e7o se eleva. Em esfor\u00e7os leves a moderados, os \u00e1cidos graxos s\u00e3o substratos preferenciais, enquanto que, em intensidades mais altas, acima de ~65% do VO2 m\u00e1x, fontes de carboidratos (glicog\u00eanio e glicose sang\u00fc\u00ednea) tornam-se os substratos principais para gera\u00e7\u00e3o de ATP. A raz\u00e3o para essa troca de substrato predominante parece ser o recrutamento das fibras de contra\u00e7\u00e3o r\u00e1pida e o aumento dos n\u00edveis de adrenalina. N\u00edveis elevados desse horm\u00f4nio aumentam a degrada\u00e7\u00e3o do glicog\u00eanio muscular, ao estimular a glicog\u00eanio fosforilase, e aumentam a atividade da via glicol\u00edtica. <br \/>A estimativa da contribui\u00e7\u00e3o dos carboidratos e lip\u00eddios no metabolismo energ\u00e9tico durante o exerc\u00edcio pode ser obtida pela rela\u00e7\u00e3o entre o d\u00e9bito de di\u00f3xido de carbono (VCO2) e o volume de O2 (VO2), que \u00e9 denominada raz\u00e3o de troca respirat\u00f3ria (ou quociente respirat\u00f3rio \u2013 QR). Tal m\u00e9todo se baseia no fato de lip\u00eddios e carboidratos diferirem quanto \u00e0 quantidade de O2 utilizado e de CO2 produzido durante a oxida\u00e7\u00e3o. Nesse m\u00e9todo, exclui-se a pequena participa\u00e7\u00e3o dos amino\u00e1cidos para gera\u00e7\u00e3o de ATP. Dessa forma, os valores de QR v\u00e3o de 0,70, em que 100% do substrato utilizado seriam os lip\u00eddios, a 1,00, em que 100% do substrato seriam carboidratos. Um valor de QR de 0,85 representa a condi\u00e7\u00e3o na qual lip\u00eddios e carboidratos contribuem igualmente como substratos energ\u00e9ticos. <\/div>\n<div class=\"blogger-post-footer\"><img width='1' height='1' src='' alt='' \/><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Respostas metab\u00f3licas e integra\u00e7\u00e3o do metabolismo no exerc\u00edcio f\u00edsico A utiliza\u00e7\u00e3o da fosfocreatina tem in\u00edcio assim que se inicia a contra\u00e7\u00e3o muscular, tamponando o ADP acumulado em virtude da taxa de hidr\u00f3lise aumentada do ATP. 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