{"id":775,"date":"2017-08-26T23:21:32","date_gmt":"2017-08-26T23:21:32","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/luciofassarella\/?p=775"},"modified":"2018-04-09T20:43:00","modified_gmt":"2018-04-09T20:43:00","slug":"775","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/luciofassarella\/2017\/08\/26\/775\/","title":{"rendered":"Realidade, sabedoria e etc."},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 pessoas que confundem realidade com uma caricatura ou ilus\u00e3o dela, cujo car\u00e1ter pode variar de doce e desej\u00e1vel ao amargo e repugnante. Esse \u00e9 um tema que remonta aos prim\u00f3rdios da filosofia, tendo sido um dos focos da filosofia socr\u00e1tica e tema da not\u00f3ria alegoria da caverna de Plat\u00e3o.<\/p>\n<ul>\n<li>O or\u00e1culo de Delfos havia dito a S\u00f3crates que ele era o mais s\u00e1bio de todos os homens, pelo que S\u00f3crates procurou saber se isso era verdade investigando seus contempor\u00e2neos &#8211; mas acabou concluindo que o deus de Delfos o considerava o mais s\u00e1bios dos homens porque era o \u00fanico que tinha consci\u00eancia da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia, enquanto todas as pessoas not\u00e1veis acreditavam saber de coisas que realmente n\u00e3o sabiam.\n<ul>\n<li>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">\u201cAssim, prossigo agora nessa busca, investigando, segundo o comando do deus, todo indiv\u00edduo, cidad\u00e3o ou estrangeiro, que julgo ser s\u00e1bio. Ent\u00e3o se n\u00e3o julgo que \u00e9, presto assist\u00eancia ao deus e mostro que a pessoa n\u00e3o \u00e9 s\u00e1bia.\u201d<br \/>\n(Plat\u00e3o: <i>Apologia de S\u00f3crates<\/i>. Tradu\u00e7\u00e3o: Edson Bini. Edipro: S\u00e3o paulo, 2011: p.36)<\/p>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/li>\n<\/ul>\n<p>As discuss\u00f5es raramente ultrapassam o n\u00edvel ret\u00f3rico, e quando isso acontece dificilmente a raz\u00e3o vence devido ao despeito ou mera hipocrisia. Sintoma dessa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 o seguinte comportamento, t\u00e3o est\u00fapido e comum: argumentar contra algu\u00e9m ou grupo com base no que se acredita serem as verdadeiras e ocultas raz\u00f5es para algo que essa pessoa ou grupo tenha dito ou feito. Assim, costumamos ouvir declara\u00e7\u00f5es do seguinte tipo: &#8220;Fulana aceitou o trabalho s\u00f3 para parecer boazinha&#8221;; &#8220;Sicrano n\u00e3o enfrentou a situa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o tem culh\u00e3o&#8221;; &#8220;Ele desconversou porque tinha medo do que eu poderia dizer&#8221;; etc. Como algu\u00e9m pode saber o que se passa na mente de outras pessoas e conhecer suas reais raz\u00f5es por ind\u00edcios t\u00e3o fracos, especialmente quando h\u00e1 algo em disputa? Se formos levar a s\u00e9rio tais argumentos, precisar\u00edamos primeiro acreditar que a maioria de n\u00f3s possui clarivid\u00eancia ou a capacidade de ler mentes alheias! Acho mais prov\u00e1vel que a maioria de n\u00f3s n\u00e3o sabe o que se passa na pr\u00f3pria cabe\u00e7a, nem o que realmente far\u00e1 quando houver ocasi\u00e3o de fazer.<\/p>\n<p>Num debate, geralmente vence aos olhos do p\u00fablico quem fala mais grosso, mais alto ou de forma mais pedante (i.e., com ar de possuir elevada moral, vasto conhecimento, grande sabedoria ou qualquer caracter\u00edstica que possa despertar admira\u00e7\u00e3o da turba &#8211; at\u00e9 mesmo ignor\u00e2ncia, brutalidade ou deprava\u00e7\u00e3o). N\u00e3o raro, as disputas revelam tra\u00e7os de viol\u00eancia, geralmente verbais ou limitadas \u00e0s amea\u00e7as hipot\u00e9ticas &#8211; aquelas velhas ladainhas: &#8220;se fosse comigo, eu teria dito\/feito isso e aquilo&#8221;, &#8220;caso se metam comigo, v\u00e3o saber do que sou capaz&#8221;, &#8220;da pr\u00f3xima vez, vai ter troco&#8221;, etc. Sinceramente, pode at\u00e9 ser que tudo isso seja inofensivo na medida em que \u00e9 apenas efeito e n\u00e3o a causa da nossa mediocridade; mesmo assim, n\u00e3o deixam de ser deprimente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 pessoas que confundem realidade com uma caricatura ou ilus\u00e3o dela, cujo car\u00e1ter pode variar de doce e desej\u00e1vel ao amargo e repugnante. Esse \u00e9 um tema que remonta aos prim\u00f3rdios da filosofia, tendo sido um dos focos da filosofia socr\u00e1tica e tema da not\u00f3ria alegoria da caverna de Plat\u00e3o. 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