{"id":97,"date":"2015-05-22T17:13:40","date_gmt":"2015-05-22T17:13:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/?p=97"},"modified":"2015-05-22T17:14:37","modified_gmt":"2015-05-22T17:14:37","slug":"97","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/2015\/05\/22\/97\/","title":{"rendered":"Crise Energ\u00e9tica 2015"},"content":{"rendered":"<p>Uma matriz energ\u00e9tica \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o da quantidade de recursos energ\u00e9ticos oferecidos por um pa\u00eds ou por uma regi\u00e3o que podem ser utilizados na forma de energia disponibilizada para ser transformada, distribu\u00edda e consumida em qualquer processo realizado. Isso \u00e9 um conceito geral, o alvo desta vez ser\u00e1 a matriz de energia el\u00e9trica de um pa\u00eds, no caso, o nosso Brasil.<\/p>\n<p>A matriz de energia el\u00e9trica do Brasil figura entre as mais limpas do mundo! Isso se deve gra\u00e7as ao grande potencial h\u00eddrico que o pa\u00eds tem. Fica bem claro quando constatamos a presen\u00e7a esmagadora de 1162 hidrel\u00e9tricas em opera\u00e7\u00e3o espalhas pelo pa\u00eds, gerando mais de 89 milh\u00f5es de quilowatts. Sem falar nos projetos j\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o e outros para aprova\u00e7\u00e3o. Esse n\u00famero de 1162 pode chegar a ultrapassar 1300! Est\u00e1 claro o carro-chefe de gera\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Logo atr\u00e1s das hidrel\u00e9tricas est\u00e3o as usinas que utilizam a energia solar para gera\u00e7\u00e3o, as fotovoltaicas. No entanto, mesmo com um n\u00famero maior que as e\u00f3licas, n\u00e3o geram mais que as \u00faltimas. S\u00e3o ao todo 317 usinas fotovoltaicas gerando gentis 15 mil quilowatts contra cerca de 5,5 milh\u00f5es de quilowatts gerados por 254 usinas e\u00f3licas. N\u00e3o apenas estas duas, mas o Brasil tamb\u00e9m conta com termel\u00e9tricas, usinas que queimam combust\u00edvel para girarem suas turbinas e at\u00e9 mesmo maremotriz, usinas que fazem uso da energia cin\u00e9tica das ondas do mar. Ainda sim, a grande aposta est\u00e1 mesmo na gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica. S\u00e3o quase 400 poss\u00edveis novas usinas, entre projetos j\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o ou com constru\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o iniciada, para acrescentarem quase 10 milh\u00f5es de quilowatts. (No site da ANEEL voc\u00ea pode dar uma conferida em outros dados! \u00c9 sempre bom dar uma olhada: http:\/\/www.aneel.gov.br\/aplicacoes\/capacidadebrasil\/OperacaoCapacidadeBrasil.cfm )<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/files\/2015\/05\/Imagem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-medium wp-image-98 aligncenter\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/files\/2015\/05\/Imagem-300x194.jpg\" alt=\"Imagem\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/files\/2015\/05\/Imagem-300x194.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/files\/2015\/05\/Imagem-463x300.jpg 463w, https:\/\/blog.ufes.br\/paineleletrico\/files\/2015\/05\/Imagem.jpg 548w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Figura 1 &#8211; Gr\u00e1fico de Pot\u00eancia gerada por fonte<\/p>\n<p>O gr\u00e1fico acima deixa claro para n\u00f3s, que a principal fonte de gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a hidrel\u00e9trica, aproximadamente 62% da energia gerada vem das \u00e1guas. Estando seguida pelas termel\u00e9tricas, que compreendem quase 26,5% da matriz el\u00e9trica. Essas duas s\u00e3o consideradas fontes constantes de energia, sendo as demais, auxiliares. Por que ent\u00e3o, mesmo tendo quase 90% de fontes constantes, o Brasil passa por uma crise no setor el\u00e9trico?<\/p>\n<p>Antes de tudo, deixemos Papai do C\u00e9u fora disso. Mesmo com a escassez de chuvas por bastante tempo, os meios de gera\u00e7\u00e3o dispon\u00edveis s\u00e3o capazes de nos prover da energia necess\u00e1rio em situa\u00e7\u00f5es de risco como esta, talvez at\u00e9 piores! Ora, as hidrel\u00e9tricas com reservat\u00f3rios por exemplo, ret\u00e9m parte da \u00e1gua durante o tempo de cheia para manter a produ\u00e7\u00e3o durante os per\u00edodos de seca. Mesmo que a produ\u00e7\u00e3o diminua, existem outros meios complementares que poderiam garantir a seguran\u00e7a em tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Ironicamente, uma das causas para essas dificuldades com rela\u00e7\u00e3o a energia est\u00e1 na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas. Acontece que grande parte das usinas constru\u00eddas \u00e9 do tipo sem reservat\u00f3rio, incapaz de guardar \u00e1gua para gera\u00e7\u00e3o em per\u00edodos secos. O que implica na ativa\u00e7\u00e3o de uma outra forma segura de gera\u00e7\u00e3o para repor a energia. No nosso caso, as usinas termel\u00e9tricas s\u00e3o essa op\u00e7\u00e3o segura. Acontece que estas s\u00e3o muito mais caras que hidrel\u00e9tricas, chegando a cobrar mais do que o dobro pelo megawatt-hora!<\/p>\n<p>Outro fator passa por dificuldades de gest\u00e3o e planejamento do pr\u00f3prio Governo Federal. Falamos dos atrasos de obras de novas usinas e at\u00e9 mesmo linhas de transmiss\u00e3o. Atrasos que s\u00e3o resultados ou da grande dificuldade de licenciamento ambiental ou da veemente vontade de empresas estatais de se envolverem nos leil\u00f5es do meio, levando o governo federal como seus acionistas. Este \u00faltimo, podendo se agravar, j\u00e1 que a receita dessas empresas est\u00e1 em falta. Ainda sim, houve uma diminui\u00e7\u00e3o na tarifa de energia el\u00e9trica h\u00e1 tempos atr\u00e1s, isso se deve a uma medida provis\u00f3ria que retirou parte dos recursos dessa empresa para gerar tal diminui\u00e7\u00e3o. Acontece que tudo tem um fim e as empresas estatais ainda tem que arcar com muitas obras j\u00e1 contratadas.<\/p>\n<p>O licenciamento ambiental \u00e9 algo t\u00e3o problem\u00e1tico que n\u00e3o pode ser deixado de lado. N\u00e3o \u00e9 de hoje que projetos ficam arquivados por muito tempo, passando por revis\u00f5es e mais revis\u00f5es, perdendo bastante viabilidade por cada revis\u00e3o e no fim chegando at\u00e9 ser questionado se podem valer a pena. Acontece que al\u00e9m da excessiva burocracia, a legisla\u00e7\u00e3o sobre o assunto \u00e9 insuficiente, os crit\u00e9rios n\u00e3o claros para quem constr\u00f3i nem para quem licencia, levando mais tempo ainda. Uma curiosidade, \u00e9 que uma usina termel\u00e9trica \u00e9 licenciada com mais facilidade que as demais, mesmo sendo provavelmente a mais poluente das op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo e provavelmente pouco conhecido, \u00e9 o fato da ingress\u00e3o de empres\u00e1rio novos no ramo, sem experi\u00eancia. O setor el\u00e9trico requer paci\u00eancia, s\u00e3o investimentos que geralmente s\u00e3o de longo prazo de retorno e a ingress\u00e3o de empres\u00e1rios inexperientes \u00e1vidos pelo retorno r\u00e1pido do seu investimento tem sido a causa de paraliza\u00e7\u00e3o de muitas obras por in\u00fameros motivos.<\/p>\n<p>Mas o que tem sido feito para conter a crise?<\/p>\n<p>Quando chegamos ao ponto de seca que estamos enfrentando, \u00e9 inevit\u00e1vel o governo procurar aux\u00edlio nas Termel\u00e9tricas. Por\u00e9m, essa alternativa apresenta alguns problemas que afetam diretamente o consumidor.<\/p>\n<p>Acionar as Termel\u00e9tricas vai submeter o governo ao aumento na compra de combust\u00edveis para fazer o sistema operar. Combust\u00edveis f\u00f3sseis s\u00e3o, inevitavelmente, fonte de energia mais cara do que fontes como, a \u00e1gua, vento e luz solar.<\/p>\n<p>Contudo, a primeira medida tomada para evitar uma crise maior foi acionar as termel\u00e9tricas que funcionam em sua produ\u00e7\u00e3o m\u00e1xima. Assim, nos \u00faltimos dois anos o governo brasileiro vem usando dinheiro do Tesouro Nacional para a manuten\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de energia. A segunda medida tomada foi a de criar Faixas de Tarifas, ocasionando um aumento na conta do consumidor para estimular a economia e conseguir suprir a falta de energia.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 que a Aneel, estabelece as concession\u00e1rias que apliquem anualmente 0,5% da receita operacional l\u00edquida em a\u00e7\u00f5es que tenham por objetivo combater o desperd\u00edcio de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>No m\u00eas de janeiro o Ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, declarou o interesse em estimular os produtores de energia independentes, como os shoppings e ind\u00fastrias, a ativarem seus geradores durante hor\u00e1rios de pico.<\/p>\n<p>Estados como o de S\u00e3o Paulo que tem a capital mais habitada da Am\u00e9rica do Sul, est\u00e1 levando ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia medidas para estimular a gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda de energia el\u00e9trica. Nesse modelo, pequenos geradores fotovoltaicos ou e\u00f3licos, seriam instalados nas pr\u00f3prias resid\u00eancias com o intuito de melhorar e fortalecer a distribui\u00e7\u00e3o de energia na cidade.<\/p>\n<p>T\u00e1, mas o que isso importa para o consumidor?<\/p>\n<p>Todo m\u00eas, o consumidor paga um valor referente \u00e0 quantidade de energia el\u00e9trica consumida, no m\u00eas anterior, dada em quilowatt-hora (kWh) e multiplicada por um valor unit\u00e1rio, denominado tarifa, medido em reais por quilowatt-hora (R$\/kWh). A energia el\u00e9trica chega \u00e0 casa do consumidor atrav\u00e9s de empresas \u2013 por exemplo, a Escelsa &#8211; que prestam servi\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o.\u00a0 Este tipo de servi\u00e7o \u00e9 delegado pela Uni\u00e3o, respons\u00e1vel por autorizar a empresa a prestar esse servi\u00e7o na sua \u00e1rea de concess\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 a Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (ANEEL) que estabelece os valores de tarifa a serem utilizados no c\u00e1lculo da conta de energia. Estes valores s\u00e3o estabelecidos de forma a garantir ao consumidor um valor justo, mas tamb\u00e9m garantir o equil\u00edbrio econ\u00f4mico-financeiro da concession\u00e1ria de distribui\u00e7\u00e3o, para que ela seja capaz de oferecer um servi\u00e7o de qualidade e confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2015, as contas de energia passaram a funcionar com o sistema de bandeiras tarif\u00e1rias. Mas, para facilitar a compreens\u00e3o dos consumidores, em 2013 e 2014, a ANEEL divulgou m\u00eas a m\u00eas as bandeiras que estariam em funcionamento. Al\u00e9m disso, as distribuidoras de energia divulgaram, na conta de energia, a simula\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o das bandeiras para o subsistema de sua regi\u00e3o.\u00a0 O consumidor p\u00f4de compreender ent\u00e3o qual bandeira estaria valendo no m\u00eas atual, se as bandeiras tarif\u00e1rias j\u00e1 estivessem em funcionamento.<\/p>\n<p>O sistema possui 3 bandeiras: verde, amarela e vermelha \u2013 indicam as condi\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o de energia no pa\u00eds e funcionam como um &#8220;sem\u00e1foro de tr\u00e2nsito&#8221;\u00a0,\u00a0 sinalizando o custo de gera\u00e7\u00e3o de energia para o consumidor.<\/p>\n<p>A bandeira verde refere-se \u00e0 gera\u00e7\u00e3o de energia com condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, a tarifa n\u00e3o \u00e9 afetada. Para condi\u00e7\u00f5es de gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito favor\u00e1veis, temos a bandeira amarela, para a qual a tarifa sofre um acr\u00e9scimo de 0,025 R$\/kWh. A bandeira vermelha \u00e9 para o pior caso, quando a gera\u00e7\u00e3o de energia encarece e o consumidor \u00e9 afetado com um aumento de 0,055 R$\/kWh na tarifa.<\/p>\n<p>Com as bandeiras tarif\u00e1rias, o consumidor tem acesso ao custo mensal de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica que ser\u00e1 cobrado. Portanto, ele pode adaptar o consumo, caso n\u00e3o queira uma eleva\u00e7\u00e3o na conta de energia. \u00c9 importante que todos consumam energia de forma consciente, evitando desperd\u00edcios. N\u00e3o apenas para diminuir o custo da energia, mas para evitar a sua escassez.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe de pesquisar sobre o assunto, manter-se informado \u00e9 o trabalho de todo cidad\u00e3o consciente! Confira alguns links que podem ajudar:<\/p>\n<p>&#8211; A ANEEL disponibiliza cartilhas que informam sobre diversos assuntos: <a href=\"http:\/\/www.aneel.gov.br\/area.cfm?idArea=551\">http:\/\/www.aneel.gov.br\/area.cfm?idArea=551<\/a><\/p>\n<p>&#8211; No Esp\u00edrito Santo a Escelsa tamb\u00e9m faz sua parte disponibilizando uma cartilha falando sobre a conta de luz: <a href=\"http:\/\/www.aneel.gov.br\/arquivos\/PDF\/Cartilha%20Escelsa.pdf\">http:\/\/www.aneel.gov.br\/arquivos\/PDF\/Cartilha%20Escelsa.pdf<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma matriz energ\u00e9tica \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o da quantidade de recursos energ\u00e9ticos oferecidos por um pa\u00eds ou por uma regi\u00e3o que podem ser utilizados na forma de energia disponibilizada para ser transformada, distribu\u00edda e consumida em qualquer processo realizado. 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