Pesquisa da Ufes mapeia risco de queda de blocos na Cachoeira da Fumaça, em Alegre

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Sueli de Freitas

Após um ano da queda de um bloco rochoso na área de banho do Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça, no município de Alegre, sul do Espírito Santo, uma pesquisa liderada pela professora da Ufes Jenesca Florêncio, do Departamento de Geologia do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS/Alegre), está mapeando as áreas de risco para desprendimento de pedras, visando ao monitoramento permanente no local. 

A professora e equipe

Intitulada “Avaliação preliminar da favorabilidade à queda de blocos no Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça”, a pesquisa está sendo executada em parceria com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), a Defesa Civil de Alegre e a direção do Parque Estadual. 

Os primeiros trabalhos foram realizados em fevereiro último, quando a equipe utilizou drones de alta tecnologia para fotografar e fazer imagens em movimento e medição térmica no local, constituindo um acervo sobre as rochas para o futuro monitoramento. “Conseguimos identificar fraturas nas rochas, espaçamento grande entre os blocos e estruturas em iminência de queda”, relata a professora. 

Drone usado na pesquisa

Segundo ela, a formação rochosa em Alegre é composta predominantemente por rochas metamórficas fortemente deformadas: “Essas rochas apresentam sistemas de fraturas e juntas resultantes de eventos tectônicos antigos e mais recentes, além de processos naturais de desagregação (físico) e decomposição (químico), que contribuem para a fragmentação do maciço e a formação de blocos instáveis”.

A fase atual da pesquisa consiste no processamento das imagens. Posteriormente, serão aplicadas metodologias para avaliar as direções preferenciais de queda de blocos e os locais mais críticos para isso ocorrer, além de monitorar o deslocamento de pedras e outras mudanças nas rochas. O objetivo, diz a professora, é prevenir acidentes, inclusive definir pontos mais seguros para visitação e banho dentro do parque. “Estamos aguardando o período mais seco para voltar à cachoeira, o que deve acontecer em junho ou julho”, conta. 

Projeto de extensão

Florêncio conta que a pesquisa na Cachoeira da Fumaça, local turístico da região, surgiu em decorrência do projeto de extensão “Prevenção de riscos naturais e antrópicos na cidade de Alegre-ES”, que ela já desenvolvia pela Ufes, auxiliando a Defesa Civil do município em prevenção de queda de encostas, inundações e remanejamento de pessoas.  

“Eu atuava nesse projeto de extensão e, após a queda do bloco de rocha na área de banho da cachoeira, em abril do ano passado, fizemos a solicitação ao Iema para pesquisar dentro do parque, que é área de proteção ambiental. Em 2011, um outro professor já havia pesquisado o local, fazendo a caracterização das rochas. Mas naquela época não tínhamos a tecnologia que nos auxilia hoje para traçar o panorama inicial do parque e acompanhar as mudanças com monitoramento permanente.” 

Duas quedas

O Parque Estadual da Cachoeira da Fumaça tem o registro de, ao menos, duas quedas de blocos de rocha. A primeira ocorreu em 2007, atingindo o estacionamento local. No dia 10 de abril de 2025, o deslizamento aconteceu nas proximidades da queda d’água principal, onde turistas costumam tomar banho. Felizmente não havia visitantes no local. Desde então a área está interditada pelo Iema.

Revisão: Monick Barbosa

Imagens: divulgação do projeto

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