{"id":1007,"date":"2020-06-29T12:07:55","date_gmt":"2020-06-29T15:07:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1007"},"modified":"2026-07-30T16:32:19","modified_gmt":"2026-07-30T19:32:19","slug":"estudo-aponta-que-novo-coronavirus-circulou-por-ate-quatro-semanas-sem-ser-detectado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/06\/29\/estudo-aponta-que-novo-coronavirus-circulou-por-ate-quatro-semanas-sem-ser-detectado\/","title":{"rendered":"Estudo aponta que novo coronav\u00edrus circulou por at\u00e9 quatro semanas sem ser detectado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013 Por Comunica\u00e7\u00e3o\/Instituto Oswaldo Cruz \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), com a participa\u00e7\u00e3o da Ufes, aponta que a circula\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus (SARS-CoV-2) foi iniciada at\u00e9 quatro semanas antes dos primeiros casos serem registrados em pa\u00edses da Europa e das Am\u00e9ricas. O estudo, que utiliza uma metodologia estat\u00edstica de infer\u00eancia a partir dos registros de \u00f3bitos, indica que, enquanto os pa\u00edses monitoravam os viajantes e confirmavam os primeiros casos importados da COVID-19, a transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria da doen\u00e7a j\u00e1 estava em curso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o trabalho, publicado na revista&nbsp;<a href=\"https:\/\/memorias.ioc.fiocruz.br\/article\/10702\/0183-tracking-the-onset-date-of-the-community-spread-of-sars-cov-2-in-western-countries\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">&#8216;Mem\u00f3rias do Instituto Oswaldo Cruz'(link is external)<\/a>, o novo coronav\u00edrus come\u00e7ou a se espalhar no Brasil por volta da primeira semana de fevereiro. Ou seja, mais de 20 dias antes do primeiro caso ser diagnosticado em um viajante que retornou da It\u00e1lia para S\u00e3o Paulo, em 26 de fevereiro, e quase 40 dias antes das primeiras confirma\u00e7\u00f5es oficiais de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria, em 13 de mar\u00e7o. Na Europa, a circula\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a come\u00e7ou aproximadamente em meados de janeiro, na It\u00e1lia, e entre final de janeiro e in\u00edcio de fevereiro, na B\u00e9lgica, Fran\u00e7a, Alemanha, Holanda, Espanha e Reino Unido. O come\u00e7o de fevereiro tamb\u00e9m foi o per\u00edodo de in\u00edcio da dissemina\u00e7\u00e3o na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, de acordo com o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa \u00e9 a primeira a apontar o per\u00edodo de in\u00edcio da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria no Brasil e refor\u00e7a evid\u00eancias preliminares de pesquisas conduzidas na Europa a partir de an\u00e1lises gen\u00e9ticas. Corrobora ainda achados de estudos realizados nos Estados Unidos, que indicaram come\u00e7o da propaga\u00e7\u00e3o viral na cidade de Nova Iorque entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como no Brasil, na It\u00e1lia, Holanda e Estados Unidos, a dissemina\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria j\u00e1 estava ocorrendo havia duas a quatro semanas quando os primeiros casos importados do SARS-CoV-2 foram identificados pela confirma\u00e7\u00e3o de testes laboratoriais entre viajantes. Nos demais pa\u00edses, os primeiros registros oficiais da infec\u00e7\u00e3o em viajantes ocorreram poucos dias antes ou depois do in\u00edcio da transmiss\u00e3o local estimada na pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores destacam que, em todos os pa\u00edses analisados, a circula\u00e7\u00e3o da COVID-19 come\u00e7ou antes que fossem implementadas medidas de controle, como restri\u00e7\u00e3o de viagens a\u00e9reas e distanciamento social. \u201cEsse per\u00edodo bastante longo de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria oculta chama a aten\u00e7\u00e3o para o grande desafio de rastrear a dissemina\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus e indica que as medidas de controle devem ser adotadas, pelo menos, assim que os primeiros casos importados forem detectados em uma nova regi\u00e3o geogr\u00e1fica\u201d, afirma o pesquisador do Laborat\u00f3rio de Aids e Imunologia Molecular do IOC\/Fiocruz, Gonzalo Bello, coordenador da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de v\u00e1rios pa\u00edses terem o in\u00edcio da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria em momentos muito pr\u00f3ximos, a expans\u00e3o da epidemia em cada localidade parece ter seguido uma din\u00e2mica pr\u00f3pria. \u201cMuito provavelmente, a din\u00e2mica de expans\u00e3o da epidemia foi definida por fatores locais, como caracter\u00edsticas ambientais de temperatura, precipita\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o do ar, densidade e demografia da popula\u00e7\u00e3o\u201d, acrescenta o pesquisador do Instituto Gon\u00e7alo Moniz (Fiocruz-Bahia), Tiago Graf.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de ajudar a esclarecer o in\u00edcio de transmiss\u00e3o local do SARS-CoV-2 nos pa\u00edses estudados, os autores destacam que os resultados obtidos refor\u00e7am a import\u00e2ncia da implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es permanentes de vigil\u00e2ncia molecular, uma vez que o novo coronav\u00edrus pode voltar a circular e causar surtos ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado pelo Laborat\u00f3rio de AIDS e Imunologia Molecular do IOC\/Fiocruz em parceria com Fiocruz-Bahia, Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes) e Universidade da Rep\u00fablica (Udelar), no Uruguai. Os resultados foram publicados na se\u00e7\u00e3o \u2018Fast Track\u2019 da revista cient\u00edfica \u2018Mem\u00f3rias do Instituto Oswaldo Cruz\u2019, que permite a divulga\u00e7\u00e3o acelerada de pesquisas relacionadas \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toda a equipe envolvida no trabalho tem larga experi\u00eancia em pesquisas aplicadas ao entendimento do in\u00edcio de surtos e epidemias, tendo realizado estudos com t\u00e9cnicas baseadas em an\u00e1lise gen\u00e9tica para HIV, hepatites, dengue, Zika e febre amarela, entre outros agravos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para este tipo de investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 fundamental contar com um volume representativo de genomas dos v\u00edrus encontrados em amostras de pacientes. \u201cPor\u00e9m, o curto tempo desde o in\u00edcio da epidemia combinado com a quantidade limitada de genomas de SARS-CoV-2 dispon\u00edvel torna muito dif\u00edcil a aplica\u00e7\u00e3o da gen\u00f4mica molecular para inferir o in\u00edcio da transmiss\u00e3o local na maioria dos pa\u00edses\u201d, comenta o pesquisador do Departamento de Biologia do Centro de Ci\u00eancias Exatas, Naturais e da Sa\u00fade (CCENS) da Ufes Edson Delatorre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, para estimar o per\u00edodo de in\u00edcio da transmiss\u00e3o viral comunit\u00e1ria do novo coronav\u00edrus, os pesquisadores desenvolveram um novo m\u00e9todo. Os cientistas partiram de um dos tra\u00e7os mais tr\u00e1gicos e marcantes da COVID-19: o crescimento exponencial do n\u00famero de mortes nas primeiras semanas de surto. Uma vez que a car\u00eancia de testes de diagn\u00f3stico e o grande percentual de infec\u00e7\u00f5es assintom\u00e1ticas dificultam a contagem de casos da doen\u00e7a, os registros de \u00f3bito s\u00e3o considerados a informa\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel sobre o progresso da epidemia, podendo ser utilizados como um rastreador \u201catrasado\u201d, que permite observar o curso da doen\u00e7a de forma retrospectiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando que o tempo m\u00e9dio entre a infec\u00e7\u00e3o e o \u00f3bito \u00e9 de cerca de tr\u00eas semanas e a taxa de mortalidade da doen\u00e7a \u00e9 de aproximadamente 1%, os cientistas aplicaram um m\u00e9todo estat\u00edstico para inferir o momento de in\u00edcio da epidemia a partir do n\u00famero acumulado de mortes nas primeiras semanas de surto em cada pa\u00eds. \u201cObservando os dois pa\u00edses onde j\u00e1 existe grande n\u00famero de genomas sequenciados \u2013 China e Estados Unidos \u2013, constatamos que a estimativa obtida a partir do n\u00famero de mortes foi semelhante \u00e0 obtida a partir da an\u00e1lise gen\u00e9tica, validando a nova abordagem\u201d, afirma a pesquisadora da Udelar Daiana Mir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size wp-block-paragraph\"><strong>Cen\u00e1rio no Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, outras evid\u00eancias, obtidas a partir de metodologias diferentes, apoiam a estimativa de que a transmiss\u00e3o local da COVID-19 come\u00e7ou no in\u00edcio de fevereiro, coincidindo com a expans\u00e3o da epidemia na Am\u00e9rica do Norte e Europa. De acordo com o InfoGripe, sistema da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) que monitora as hospitaliza\u00e7\u00f5es de pacientes com sintomas respirat\u00f3rios agudos graves (SRAG), o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es encontra-se acima do observado em 2019 desde meados de fevereiro de 2020. Al\u00e9m disso, an\u00e1lises moleculares retrospectivas de amostras de SRAG detectaram um caso de infec\u00e7\u00e3o por SARS-CoV-2 no Brasil na quarta semana epidemiol\u00f3gica, entre 19 e 25 de janeiro. O aumento sustentado no n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es foi observado a partir da sexta semana epidemiol\u00f3gica, entre 2 e 8 de fevereiro, conforme apresentado no&nbsp;<a href=\"https:\/\/bigdata-covid19a.icict.fiocruz.br\/\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\">MonitoraCovid-19(link is external)<\/a>, sistema do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (ICIT\/Fiocruz).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Esses dados epidemiol\u00f3gicos confirmam a introdu\u00e7\u00e3o do SARS-CoV-2 no Brasil desde o fim de janeiro e claramente sustentam nossos resultados, que apontam que o v\u00edrus estava circulando na popula\u00e7\u00e3o brasileira desde o in\u00edcio de fevereiro&#8221;, pontua Gonzalo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\" style=\"font-size:15px\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: &nbsp;Thereza Marinho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Publicado no Portal da Ufes em 12 de maio de 2020<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Comunica\u00e7\u00e3o\/Instituto Oswaldo Cruz \u2013 Uma pesquisa liderada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz), com a participa\u00e7\u00e3o da Ufes, aponta que a circula\u00e7\u00e3o do novo <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/06\/29\/estudo-aponta-que-novo-coronavirus-circulou-por-ate-quatro-semanas-sem-ser-detectado\/\" title=\"Estudo aponta que novo coronav\u00edrus circulou por at\u00e9 quatro semanas sem ser 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