{"id":1106,"date":"2020-08-11T12:36:00","date_gmt":"2020-08-11T15:36:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1106"},"modified":"2020-09-21T12:56:18","modified_gmt":"2020-09-21T15:56:18","slug":"artigo-aponta-contaminacao-de-peixes-no-estuario-do-rio-doce-em-regencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/08\/11\/artigo-aponta-contaminacao-de-peixes-no-estuario-do-rio-doce-em-regencia\/","title":{"rendered":"Artigo aponta contamina\u00e7\u00e3o de peixes no estu\u00e1rio do Rio Doce, em Reg\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/www.biorxiv.org\/content\/10.1101\/2020.06.29.177253v1\">artigo publicado na plataforma bioRxiv<\/a><\/strong>&nbsp;(pr\u00e9-impress\u00e3o), pesquisadores da Rede Solos Bentos Rio Doce, incluindo estudantes do Programa de Doutorado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Ufes, mostram a contamina\u00e7\u00e3o de peixes por metais pesados no estu\u00e1rio do Rio Doce (foto), pr\u00f3ximo a Reg\u00eancia, no norte do Esp\u00edrito Santo, em decorr\u00eancia dos rejeitos da barragem da Samarco no munic\u00edpio de Mariana, em Minas Gerais. Publicado no final de junho, o artigo \u00e9 fruto do estudo financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo&nbsp;(Fapes), pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse artigo vem dar uma resposta \u00e0 comunidade de Reg\u00eancia sobre a contamina\u00e7\u00e3o do pescado ap\u00f3s a queda da barragem. Sim, o peixe ficou contaminado com metais e impr\u00f3prio para o consumo humano\u201d, afirmou o doutorando Fabr\u00edcio \u00c2ngelo&nbsp;Gabriel, um dos autores do artigo, ao lado da colega de p\u00f3s-doutorado da Ufes Ana Carolina&nbsp;Mazzuco&nbsp;e de pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC\/RJ) e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de S\u00e3o Paulo (ESALQ-USP). Fabr\u00edcio \u00e9 orientado pelo professor Angelo Bernardino, que tamb\u00e9m assina o artigo e \u00e9 o coordenador da Rede Solos Bentos Rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo apresenta que, com a queda da barragem de Fund\u00e3o, em 2015, os rejeitos de metais que desceram o Rio Doce em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa capixaba foram se acumulando nos sedimentos do estu\u00e1rio, em Reg\u00eancia, onde acontece o encontro da \u00e1gua doce com a salgada. Em agosto de 2017, quase dois anos ap\u00f3s a trag\u00e9dia ambiental, as concentra\u00e7\u00f5es dos metais c\u00e1dmio, zinco, chumbo e cromo nos sedimentos tiveram um aumento de 35.900%, 2.319%, 2.031% e 1.217%, respectivamente, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s concentra\u00e7\u00f5es de refer\u00eancia, baseadas nas amostras de 2015, antes da chegada dos rejeitos ao estu\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m avaliaram a concentra\u00e7\u00e3o de metais no f\u00edgado e nos m\u00fasculos de diferentes esp\u00e9cies de peixes: bagres, tainha e carapeba.&nbsp;O resultado mostrou que os animais, fonte de alimento comum para a popula\u00e7\u00e3o local, estavam contaminados. Foi evidenciado, ainda, o efeito nocivo dos metais, pois os peixes produziram defesas fisiol\u00f3gicas, ou seja, prote\u00ednas fabricadas pelo organismo quando h\u00e1 excesso de metais essenciais \u00e0s fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas ou quando se trata&nbsp;de algum metal indesejado. \u201cDessa forma, foi poss\u00edvel associar os metais presentes no ambiente com os acumulados no corpo dos peixes\u201d, afirmou Fabr\u00edcio Gabriel.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Efeito t\u00f3xico<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo o pesquisador, as esp\u00e9cies de bagres estudadas foram as que apresentaram maior contamina\u00e7\u00e3o, com concentra\u00e7\u00f5es de zinco, cobre, merc\u00fario, ars\u00eanio, sel\u00eanio, cromo e mangan\u00eas acima dos limites seguros para o consumo humano. Ele lembra que, apesar dos metais zinco, cobre, cromo e mangan\u00eas serem essenciais para fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas dos seres vivos, podem se tornar&nbsp;prejudiciais, caso haja consumo excessivo. Por outro lado, a ingest\u00e3o de merc\u00fario e ars\u00eanio, em qualquer quantidade, tem efeito t\u00f3xico.<\/p>\n\n\n\n<p>O monitoramento do estu\u00e1rio continua sendo feito a cada seis meses. A \u00faltima coleta aconteceu em janeiro deste ano, mas as an\u00e1lises ainda n\u00e3o foram conclu\u00eddas. A pr\u00f3xima, prevista para agosto, foi suspensa em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da COVID-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fabr\u00edcio Gabriel, os dados atuais do estu\u00e1rio s\u00f3 ser\u00e3o conhecidos no futuro, mas as previs\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o das melhores. \u201cA sa\u00fade do estu\u00e1rio do Rio Doce provavelmente est\u00e1 comprometida pela recorrente contamina\u00e7\u00e3o, e os efeitos podem se prolongar ao longo dos anos, sugerindo condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o ideais para o desenvolvimento e a produ\u00e7\u00e3o pesqueira\u201d, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja tamb\u00e9m:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2019\/12\/12\/rio-doce-nao-esta-morto-mas-tem-contaminacao-cronica-afirma-pesquisador\/\">Rio Doce n\u00e3o est\u00e1 morto, mas tem contamina\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, afirma pesquisador<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/issuu.com\/ufes\/docs\/revistauniversidade_6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conhe\u00e7a um pouco mais sobre as pesquisas da Ufes <\/a>relacionadas \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o do Rio Doce pelo rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana-MG.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Publicado no Portal da Ufes em 29 de julho de 2020 <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Sueli de Freitas \u2013 Em&nbsp;artigo publicado na plataforma bioRxiv&nbsp;(pr\u00e9-impress\u00e3o), pesquisadores da Rede Solos Bentos Rio Doce, incluindo estudantes do Programa de Doutorado em <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/08\/11\/artigo-aponta-contaminacao-de-peixes-no-estuario-do-rio-doce-em-regencia\/\" title=\"Artigo aponta contamina\u00e7\u00e3o de peixes no estu\u00e1rio do Rio Doce, em 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