{"id":1237,"date":"2020-09-21T11:23:19","date_gmt":"2020-09-21T14:23:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1237"},"modified":"2022-04-14T08:53:34","modified_gmt":"2022-04-14T11:53:34","slug":"professora-da-ufes-explica-recentes-tremores-de-terra-ocorridos-no-estado-e-no-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/09\/21\/professora-da-ufes-explica-recentes-tremores-de-terra-ocorridos-no-estado-e-no-nordeste\/","title":{"rendered":"Professora da Ufes explica recentes tremores de terra ocorridos no estado e no Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 Por Jorge Medina \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um fen\u00f4meno praticamente impens\u00e1vel at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo para os brasileiros est\u00e1 despertando a curiosidade de muita gente: os tremores de terra&nbsp;que est\u00e3o acontecendo em todo o Brasil. \u201cAo contr\u00e1rio do que muitos pensavam, o nosso pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 totalmente isento desse fen\u00f4meno\u201d, \u00e9 o que afirma a professora do Departamento de Geografia da Ufes Luiza Bricalli, doutora em Geologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos meses, terremotos t\u00eam ocorrido com frequ\u00eancia no territ\u00f3rio nacional. Desde agosto deste ano, houve uma grande quantidade de terremotos na regi\u00e3o Nordeste, registrados pela&nbsp;<strong><a href=\"http:\/\/www.rsbr.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Rede Sismogr\u00e1fica Brasileira (RSBR)<\/a><\/strong>. No Esp\u00edrito Santo, o mais recente ocorreu no dia 2 de julho deste ano, com magnitude 1.9, tendo como epicentro o bairro de Maru\u00edpe, em Vit\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante salientar que o Nordeste \u00e9 a regi\u00e3o sismicamente mais ativa do pa\u00eds, pois as falhas da regi\u00e3o s\u00e3o muito ativas e causam ac\u00famulo de estresse e libera\u00e7\u00e3o na forma de evento s\u00edsmico. Em outros locais do pa\u00eds, a reativa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco diferente, apesar de tamb\u00e9m existirem falhas geol\u00f3gicas reativadas, assim como ocorre aqui no estado, por exemplo\u201d, explica Luiza&nbsp;Bricalli.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a pesquisadora ressalta que, no Esp\u00edrito Santo, podem acontecer terremotos como os que v\u00eam sendo sentidos na regi\u00e3o Nordeste do Brasil. Ela lembra que, no dia 1\u00ba de mar\u00e7o de 1955, Vit\u00f3ria foi centro de um terremoto com magnitude 6.1, o qual foi considerado o segundo maior registrado do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Causas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>De acordo com a cientista, os motivos das ocorr\u00eancias dos terremotos&nbsp;podem estar relacionados com a movimenta\u00e7\u00e3o de falhas geol\u00f3gicas locais; com a movimenta\u00e7\u00e3o das falhas transcorrentes da Dorsal Mesoatl\u00e2ntica&nbsp;que se prolongam para o continente; pela compress\u00e3o e movimenta\u00e7\u00e3o da Placa Sul-Americana, onde o Brasil est\u00e1 inserido; pelas caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas espec\u00edficas de bacias sedimentares, que causam atividades s\u00edsmicas, especialmente nas bordas dessas bacias sedimentares com presen\u00e7a de falhas geol\u00f3gicas; pelo peso dessas bacias sedimentares, gerando atividade s\u00edsmica na regi\u00e3o; e pela espessura da crosta terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, continua a pesquisadora: \u201c\u00e9 importante mencionar a exist\u00eancia&nbsp;de falhas neotect\u00f4nicas em territ\u00f3rio capixaba, como comprovado em minha tese de doutorado sobre&nbsp;<em>Padr\u00f5es de Lineamentos e Fraturamento Neotect\u00f4nico no Estado do Esp\u00edrito Santo (Sudeste do Brasil)<\/em>, que podem ser muito ativas e causar ac\u00famulo de estresses e libera\u00e7\u00e3o na forma de evento s\u00edsmico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Registros<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>No Esp\u00edrito Santo, segundo Luiza Bricalli, os terremotos s\u00e3o registrados desde 1767 e j\u00e1 ocorreram em praticamente todos os munic\u00edpios: Aracruz, Barra de S\u00e3o Francisco, Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Concei\u00e7\u00e3o da Barra, Ecoporanga, Jaguar\u00e9, Laranja da Terra, Linhares, Manten\u00f3polis, Mimoso do Sul, Nova Ven\u00e9cia, Pedro Can\u00e1rio, Presidente Kennedy, Pinheiros, Pi\u00fama, S\u00e3o Gabriel da Palha, Sooretama, Vargem Alta, Vila Pav\u00e3o, Vila Velha e Vit\u00f3ria. Somente em 2020, j\u00e1 ocorreram quatro terremotos no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao Brasil, v\u00e1rios tremores de terra foram identificados recentemente: no dia 19 de agosto,&nbsp;em S\u00e3o F\u00e9lix (Bahia), com magnitude 1.6; no dia 30 de agosto, as esta\u00e7\u00f5es da RSBR registraram pelo menos nove terremotos na regi\u00e3o de Mutu\u00edpe (Bahia), com os maiores abalos marcando as&nbsp;magnitudes 4.6 e 3.7; e no dia 31 de agosto, em Amargosa (Bahia), com magnitude 4.6.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1\u00ba de setembro, a terra voltou a tremer em Amargosa (Bahia), com dois novos abalos de magnitudes 2.4 e 2.0; e&nbsp;em Sergipe, com magnitude 2.7. Em 2 de setembro, foi registrado mais um na Bahia, de magnitude 1.8; no dia 3, na&nbsp;divisa&nbsp;entre os estados de Sergipe e Alagoas, com magnitude 2.1; e no dia 5, entre os estados de Sergipe e Alagoas, com magnitude 1.9. J\u00e1 no dia 8, ocorreram&nbsp;nove terremotos em Caruaru (Pernambuco), cujo tremor mais forte chegou a 2.0, e tamb\u00e9m no dia 9,&nbsp;com magnitude 2.5. A RSBR publicou, em seus relat\u00f3rios, que houve um aumento na atividade s\u00edsmica em Caruaru, com 119 tremores registrados em pouco mais de um m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m desses, a professora Luiza Bricalli lembra que v\u00e1rios tremores s\u00e3o identificados diariamente em todo o mundo. Ela cita os mais recentes: no dia 30 de agosto de 2020, por exemplo, ocorreu um terremoto de alta magnitude (6.5) na Dorsal Mesoatl\u00e2ntica, registrado pelo&nbsp;Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Americano (USGS) e pelo Centro Alem\u00e3o de Pesquisas em Geoci\u00eancias (GFZ). No dia 6 de setembro, essas institui\u00e7\u00f5es catalogaram&nbsp;outro abalo no mesmo local, com magnitude 6.6. Essa cordilheira encontra-se nos limites das placas Sul-Americana e Africana, chamado de limite&nbsp;divergente (oceano-oceano), e apresenta alta sismicidade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Luiza Bricalli refor\u00e7a que&nbsp;n\u00e3o h\u00e1 como prever a ocorr\u00eancia de terremotos devido \u00e0 din\u00e2mica e \u00e0s peculiaridades geol\u00f3gicas de cada regi\u00e3o. O que pode ser destacado \u00e9 que, em regi\u00f5es de limites de placas tect\u00f4nicas, as magnitudes dos terremotos, em geral, s\u00e3o mais altas. \u201c\u00c9 v\u00e1lido destacar que outros terremotos podem ocorrer no Esp\u00edrito Santo, na regi\u00e3o Nordeste e em todo o Brasil, mas, geralmente, com magnitudes baixas, devido ao fato de o pa\u00eds estar localizado longe de um limite de placa tect\u00f4nica, usualmente sem causar danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d, tranquiliza a professora.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela explica ainda que um terremoto acontece quando as rochas sob tens\u00e3o se rompem repentinamente ao longo de uma falha geol\u00f3gica. Ao se movimentarem, os blocos de rochas deslizam, provocando vibra\u00e7\u00f5es e ondas s\u00edsmicas. \u201cOcorre com maior frequ\u00eancia nos limites de placas tect\u00f4nicas, compostas por crosta e manto, que se deslocam horizontalmente em diferentes dire\u00e7\u00f5es em todo o planeta. O Brasil est\u00e1 sobre uma placa tect\u00f4nica, a Sul-Americana, que denominamos como uma regi\u00e3o de intraplaca,\u201d enfatiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ufes, o Laborat\u00f3rio de Neotect\u00f4nica e Sismol\u00f3gico (Lanesi), coordenado pela professora, j\u00e1 catalogou 40 terremotos no Esp\u00edrito Santo, com detalhamento de dia, local, epicentro e magnitude. As pesquisas realizadas no laborat\u00f3rio procuram analisar a exist\u00eancia de algum padr\u00e3o de ocorr\u00eancia desses tremores de acordo com o arcabou\u00e7o estrutural, tipos de rochas e zonas fraturadas, al\u00e9m de relacionar os locais de ocorr\u00eancia dos abalos com os locais que apresentam maior densidade de fraturamento da crosta terrestre e os locais com presen\u00e7a de falhas neotect\u00f4nicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Luiza Bricalli possui doutorado em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade de Roma (Uniroma\/It\u00e1lia). \u00c9&nbsp;mestre em Geomorfologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e graduada em Geografia pela Ufes. Possui experi\u00eancia em Neotect\u00f4nica, Geologia, Geomorfologia, Sedimentologia e Sensoriamento Remoto.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora mant\u00e9m um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/luizabricalli\"><strong>canal no YouTube<\/strong><\/a>, no qual divulga&nbsp;conte\u00fados cient\u00edficos sobre tremores de terras, placas tect\u00f4nicas, ciclos de pandemias, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, Geologia e conceitos b\u00e1sicos de Geomorfologia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Jorge Medina \u2013 Um fen\u00f4meno praticamente impens\u00e1vel at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo para os brasileiros est\u00e1 despertando a curiosidade de muita gente: os tremores <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/09\/21\/professora-da-ufes-explica-recentes-tremores-de-terra-ocorridos-no-estado-e-no-nordeste\/\" title=\"Professora da 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