{"id":1344,"date":"2020-11-11T12:06:29","date_gmt":"2020-11-11T15:06:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1344"},"modified":"2021-02-11T09:55:47","modified_gmt":"2021-02-11T12:55:47","slug":"areia-de-meaipe-tem-maior-nivel-de-radiacao-e-elementos-de-terra-rara-mas-praia-e-ameacada-pela-erosao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/11\/11\/areia-de-meaipe-tem-maior-nivel-de-radiacao-e-elementos-de-terra-rara-mas-praia-e-ameacada-pela-erosao\/","title":{"rendered":"Areia de Mea\u00edpe tem maior n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o e elementos de terra-rara, mas praia \u00e9 amea\u00e7ada pela eros\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013&nbsp;Por Lidia Neves e Mikaella Mozer \u2013&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O professor Jos\u00e9 Passamai Jr., do Departamento de F\u00edsica da Ufes, pesquisou o n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o do litoral de Guarapari e concluiu que a praia de Mea\u00edpe \u00e9 a que concentra maior quantidade de minerais, al\u00e9m de possuir elementos de terra-rara. Al\u00e9m disso, a quantidade de minerais na praia varia conforme o local e o per\u00edodo do ano, apontam estudos. A praia, que apresenta tamanha riqueza mineral, sofre com a eros\u00e3o, que diminui sua faixa de areia. Por isso, os pesquisadores tamb\u00e9m estudam formas de devolver a areia monaz\u00edtica \u00e0 praia.<\/p>\n\n\n\n<p>As pesquisas da areia monaz\u00edtica tiveram in\u00edcio h\u00e1 seis anos e s\u00e3o feitas em parceria com o professor Marcos Tadeu Orlando, do mesmo departamento. O munic\u00edpio de Guarapari, na regi\u00e3o metropolitana do Esp\u00edrito Santo, \u00e9 conhecido pela sua areia monaz\u00edtica, com grande concentra\u00e7\u00e3o natural de minerais, alguns deles com propriedades terap\u00eauticas. Apesar de a legisla\u00e7\u00e3o brasileira considerar aceit\u00e1vel a dose de radia\u00e7\u00e3o de, no m\u00e1ximo, 2,2 microSieverts (mSv), as praias do munic\u00edpio apresentam doses maiores e, segundo os pesquisadores, elas s\u00e3o ben\u00e9ficas ao organismo humano, conforme demonstrado em estudos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe fosse prejudicial, a popula\u00e7\u00e3o de Guarapari estaria toda doente, algo que dados do Sistema \u00danico de Sa\u00fade analisados em nossa pesquisa nessas praias mostraram que n\u00e3o acontece. Acreditamos que o n\u00edvel certo de radia\u00e7\u00e3o pode vir a estimular a defesa do organismo\u201d, afirma Orlando. Ele acrescenta que os pa\u00edses europeus consideram aceit\u00e1vel um \u00edndice de at\u00e9 200 mSv, o que seria mais alinhado ao que os pesquisadores da Ufes v\u00eam verificando em seus estudos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas medi\u00e7\u00f5es, realizadas durante o per\u00edodo de um ano, a praia de Mea\u00edpe registrou os maiores \u00edndices, chegando a 40 mSv. Em seguida, fica a praia da Areia Preta, cujo \u00edndice varia de 10,2 a 150 mSv. J\u00e1 a praia das Castanheiras registrou um n\u00edvel de radia\u00e7\u00e3o considerado normal e a da Bacutia, baixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamai Jr. destaca tamb\u00e9m as varia\u00e7\u00f5es de \u00edndices conforme o local e a \u00e9poca do ano. \u201cNa praia de Mea\u00edpe, por exemplo, poucas vezes a radia\u00e7\u00e3o est\u00e1 no mesmo lugar. J\u00e1 na das Castanheiras, \u00e9 comum encontrar sempre tanto na borda esquerda quanto na direita. Na da Areia Preta, tamb\u00e9m fica em uma \u00e1rea fixa de 350 metros de extens\u00e3o \u2013 apesar de em algumas \u00e9pocas do ano ela sumir, sempre volta ao mesmo local, mas varia a intensidade\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele aponta que o diferencial de sua pesquisa em rela\u00e7\u00e3o a outras feitas no munic\u00edpio capixaba reside no fato de ter registrado n\u00e3o s\u00f3 a presen\u00e7a da radia\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m suas varia\u00e7\u00f5es conforme o tempo e o espa\u00e7o. \u201cNos artigos que temos visto, as pessoas fazem medi\u00e7\u00e3o de um dia s\u00f3 e fazem o retrato dele, n\u00e3o fazem medida cont\u00ednua, e isso n\u00e3o \u00e9 o suficiente\u201d, analisa o professor.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>G\u00e1s rad\u00f4nio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Com o mesmo equipamento usado para medir a radia\u00e7\u00e3o da areia preta, foi poss\u00edvel analisar tamb\u00e9m a presen\u00e7a do g\u00e1s rad\u00f4nio em Guarapari. \u201cEsse rad\u00f4nio encontrado nas praias vem do t\u00f3rio, e n\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o humana, que usa o ur\u00e2nio e \u00e9 perigoso. O rad\u00f4nio do t\u00f3rio tem tempo de vida de um segundo, atua r\u00e1pido e n\u00e3o causa problema. \u00c9 diferente do emanado pelo ur\u00e2nio, que fica no ar at\u00e9 quatro dias e causa c\u00e2ncer\u201d, explica Orlando. O rad\u00f4nio proveniente do t\u00f3rio \u00e9 considerado um g\u00e1s nobre e \u00e9 usado em terapias de combate ao c\u00e2ncer.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as medi\u00e7\u00f5es, Passamai Jr. registrou um bols\u00e3o de g\u00e1s rad\u00f4nio se locomovendo para dentro do continente. Foram registrados altos \u00edndices do material no ar pr\u00f3ximo ao posto da Pol\u00edcia Militar, aos radares da rodovia, ao seringal de Viana e ao Hotel Radium. Perto desse antigo hotel cassino, o aparelho de medi\u00e7\u00e3o registrou 400 mSv.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Elementos de terra-rara<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Durante a radiometria na praia de Mea\u00edpe, foram encontrados elementos terra-rara na areia. Esses componentes s\u00e3o subst\u00e2ncias qu\u00edmicas utilizadas na produ\u00e7\u00e3o de itens tecnol\u00f3gicos e n\u00e3o encontrados em nenhum outro litoral brasileiro. No mundo, elementos similares est\u00e3o presentes somente em Querala, na \u00cdndia. Segundo Orlando, isso pode fazer da praia de Mea\u00edpe uma refer\u00eancia mundial em tratamentos com radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante seu mestrado no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia Mec\u00e2nica da Ufes, Arthur Cavichini estudou as amostras da areia e encontrou, em maior quantidade, o t\u00f3rio, o c\u00e9rio e o sam\u00e1rio, sob a orienta\u00e7\u00e3o do professor Orlando. Esses s\u00e3o os materiais mais caros e estrat\u00e9gicos para o Brasil, segundo os pesquisadores, pois s\u00e3o usados na produ\u00e7\u00e3o de lentes, circuitos eletr\u00f4nicos e \u00edm\u00e3s de alta pot\u00eancia. \u201cApesar de ser um material significativo para o pa\u00eds, \u00e9 preciso se atentar que, para explor\u00e1-lo, destr\u00f3i-se a natureza\u201d, contemporiza o orientador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preocupa\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Toda a riqueza encontrada em Mea\u00edpe, no entanto, encontra-se em risco, devido ao elevado grau de eros\u00e3o da praia. Motivados por essa preocupa\u00e7\u00e3o, os pesquisadores inclu\u00edram a quest\u00e3o ambiental no projeto de pesquisa. Em busca de informa\u00e7\u00f5es mais precisas, foi instalada uma torre na praia, em parceria com a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que re\u00fane dados sobre a temperatura, a radia\u00e7\u00e3o, a velocidade dos ventos e a intensidade de radia\u00e7\u00e3o. O equipamento transmite informa\u00e7\u00f5es on-line para o laborat\u00f3rio da Ufes e o da USP, onde quem coordena a pesquisa \u00e9 a professora Jacyra Soares.<\/p>\n\n\n\n<p>A eros\u00e3o interfere na manuten\u00e7\u00e3o natural da areia monaz\u00edtica, apontam os pesquisadores. Dois ocean\u00f3grafos da USP simularam e analisaram as configura\u00e7\u00f5es da areia e as informa\u00e7\u00f5es obtidas por meio da torre. Eles conclu\u00edram que a praia est\u00e1 morrendo por falta de afluxo de areia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 como se a praia fosse um cora\u00e7\u00e3o e algumas das veias est\u00e3o entupidas. O mar vem e leva a areia; o rio e as correntes do pr\u00f3prio mar trazem. Ent\u00e3o, se mant\u00e9m um equil\u00edbrio din\u00e2mico: a areia entra e sai. Mas, algumas dessas veias foram entupidas e a reposi\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta: a ala sul, que vem do porto, entupiu uma corrente. Al\u00e9m dela, tem a parte norte, a parte central e o rio\u201d, explica Orlando, que coordena o projeto pela Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ufes recebeu financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes) para continuar o estudo e fechou parceria com a Secretaria de Turismo de Guarapari e o Departamento de Edifica\u00e7\u00f5es e Rodovias (DER) para interc\u00e2mbio de dados. A pesquisa busca entender os movimentos de reposi\u00e7\u00e3o de areia, para indicar os canais de afluxo exatos e, assim, engordar a praia. \u201cEnquanto n\u00e3o podemos dar um resultado preciso, indicamos ao governo e ao DER utilizar a areia monaz\u00edtica no fundo do mar para a dragagem e engorda artificial para a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o piorar\u201d, aponta o coordenador.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto da Ufes com a USP tamb\u00e9m est\u00e1 produzindo um modelo espec\u00edfico de mapas dos ventos para o hemisf\u00e9rio sul, pois os existentes n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos para a eros\u00e3o. Al\u00e9m disso, est\u00e1 desenvolvendo um dispositivo in\u00e9dito para mapear a areia, coordenado pelo professor Passamai Jr., que ser\u00e1 patenteado pela Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p>Fornecer esses subs\u00eddios para reconstituir a praia, mantendo a areia monaz\u00edtica, \u00e9 essencial, aponta Orlando. \u201cSe tudo ocorrer como foi proposto, a praia de Mea\u00edpe pode receber selo azul internacional de ecologicamente correta e ser inclu\u00edda no roteiro das melhores praias do mundo. Isso ajuda a movimentar a economia. Estamos animados\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Outras pesquisas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessas pesquisas, os professores est\u00e3o envolvidos em outros projetos. Um deles \u00e9 feito em conjunto com as empresas ArcelorMittal e Petrobras, do Rio Grande do Sul, para fazer impress\u00f5es 3D de a\u00e7os mais leves, resistentes e que gastem menos carbono, para uso na ind\u00fastria. Esse estudo \u00e9 desenvolvido h\u00e1 cinco anos e envolve cinco teses de doutorado, cada uma com a\u00e7os diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles utilizam a t\u00e9cnica de nanodestrui\u00e7\u00e3o para reconstruir o a\u00e7o a laser com novos componentes, como o tit\u00e2nio, e j\u00e1 alcan\u00e7aram mais 10% de leveza e 20% de resist\u00eancia, por\u00e9m os planos s\u00e3o para elevar essas porcentagens. Os primeiros testes de tra\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia mec\u00e2nica ser\u00e3o realizados em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o desenvolvidos estudos com nanotecnologia a fim de desenvolver p\u00edlulas de cer\u00e2mica nanoestruturada para levar ant\u00edgenos at\u00e9 a parte do organismo humano que deve absorv\u00ea-la. A chamada\u00a0<em>drug-delivery<\/em>\u00a0\u00e9 feita por meio de parceria entre a Ufes, o Instituto Butantan e a USP e pode vir a ser utilizada em substitui\u00e7\u00e3o a vacinas. \u201cTem um estudo de doutorado espec\u00edfico para analisar os efeitos desse ant\u00edgeno quando colocado dentro da cer\u00e2mica, para entender se estraga ou se fica intacto\u201d, explica Orlando.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Veja tamb\u00e9m: <\/h3>\n\n\n\n<p>No programa\u00a0<em>Dez<\/em>, da TV Ufes, o pesquisador Marcos Tadeu Orlando explica sobre a presen\u00e7a da radia\u00e7\u00e3o natural nas praias do munic\u00edpio e os benef\u00edcios trazidos ao sistema biol\u00f3gico das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Radia\u00e7\u00e3o natural nas praias de Guarapari\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GiQ89FDPouU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; 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