{"id":136,"date":"2018-06-08T12:34:15","date_gmt":"2018-06-08T15:34:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=136"},"modified":"2019-08-08T11:23:24","modified_gmt":"2019-08-08T14:23:24","slug":"mulheres-com-todas-as-letras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/08\/mulheres-com-todas-as-letras\/","title":{"rendered":"Mulheres com todas as letras"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_137\" aria-describedby=\"caption-attachment-137\" style=\"width: 365px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-137\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/Emilia_Pardo_Bazan.jpg\" alt=\"\" width=\"365\" height=\"356\"><figcaption id=\"caption-attachment-137\" class=\"wp-caption-text\">Retrato da escritora Em\u00edlia Pardo Baz\u00e1n publicado na<br \/>revista La Ilustraci\u00f3n Art\u00edstica em 1891<\/figcaption><\/figure>\n<p>No Departamento de L\u00ednguas e Letras da Ufes, um grupo de pesquisadores, coordenado pela professora Mirtis Caser, desenvolve estudos sobre a literatura de autoria feminina, em diferentes tempos e espa\u00e7os, e tamb\u00e9m a respeito da participa\u00e7\u00e3o das mulheres na produ\u00e7\u00e3o da teoria, da historiografia e da cr\u00edtica liter\u00e1ria e da recep\u00e7\u00e3o de obras liter\u00e1rias por mulheres ao longo da hist\u00f3ria. Em foco, as escritoras brasileiras e de l\u00edngua espanhola.<\/p>\n<p>\u201cNossa equipe trabalha com mulheres de todas as letras. Ali\u00e1s, esse \u00e9 o nome do nosso grupo de pesquisa no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq). S\u00e3o autoras de g\u00eaneros l\u00edrico, narrativo e dram\u00e1tico, e sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na produ\u00e7\u00e3o da teoria, da historiografia e da cr\u00edtica liter\u00e1ria. Nosso principal objetivo \u00e9 dar mais visibilidade \u00e0 produ\u00e7\u00e3o feminina\u201d, explica a professora.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/05\/24\/pesquisas-tiram-escritoras-capixabas-da-escuridao-do-anonimato\/\">Leia tamb\u00e9m: Pesquisas tiram escritoras capixabas da escurid\u00e3o do anonimato<\/a><\/p>\n<p>Atualmente, o grupo pesquisa as brasileiras Ad\u00e9lia Prado e Lygia Fagundes Telles; a autora espanhola do s\u00e9culo XIX Emilia Pardo Baz\u00e1n; e as argentinas Isabel Allende e Luisa Valenzuela. Al\u00e9m das an\u00e1lises da produ\u00e7\u00e3o de Pardo Baz\u00e1n, tamb\u00e9m seus textos est\u00e3o sendo traduzidos. \u201cEssa autora espanhola era condessa, ensa\u00edsta, jornalista, poeta, cr\u00edtica liter\u00e1ria e dramaturga. Ela foi uma precursora a respeito dos direitos das mulheres e viveu em uma Espanha machista e patriarcal. Em seus textos, ela reclamava por melhores condi\u00e7\u00f5es para as mulheres, e seus principais pontos eram educa\u00e7\u00e3o e trabalho remunerado. Naquela \u00e9poca, havia os estudos de Sigmund Freud a respeito da histeria e Emilia dizia que os problemas das mulheres estavam relacionados \u00e0 falta de emprego\u201d, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>Mirtis Caser destaca que as mulheres avan\u00e7aram em muitas \u00e1reas, entre elas a de cr\u00edtica liter\u00e1ria, onde buscam encontrar outros par\u00e2metros para avaliar a produ\u00e7\u00e3o feminina. E foi por meio de muitas pesquisas, que foi poss\u00edvel revalorizar textos que foram desprezados ao longo da hist\u00f3ria. \u201c\u00c9 uma tentativa de encontrar outros par\u00e2metros para julgar a produ\u00e7\u00e3o feminina, de resgatar os trabalhos que foram desprestigiados no decorrer do tempo pela cr\u00edtica masculina\u201d, acrescenta e cita como exemplo as receitas culin\u00e1rias.<\/p>\n<h3><strong>Receitas e emo\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>A sociedade patriarcal determinou o lugar para homens e mulheres, desprestigiando os valores ligados ao feminino. Entre eles as receitas de pratos culin\u00e1rios. Por\u00e9m os espa\u00e7os e textos atravessaram s\u00e9culos na obscuridade para alcan\u00e7arem hoje o respeito. A pesquisadora Mirtis Caser destaca o livro \u201cComo \u00c1gua para Chocolate\u201d (1989), da autora mexicana Laura Esquivel, como um exemplo de obra onde toda a emo\u00e7\u00e3o feminina passa a ser valorizada pela cr\u00edtica, principalmente pelas mulheres que s\u00e3o cr\u00edticas. Mas ainda h\u00e1 muito a ser reconhecido.<\/p>\n<p>\u201cA famosa express\u00e3o \u2018coisas de mulher\u2019 d\u00e1 o tom para que muitos dos afazeres femininos n\u00e3o sejam valorizados. E dentre esses afazeres est\u00e1 a escrita. Infelizmente ainda h\u00e1 pouco interesse na produ\u00e7\u00e3o das autoras. No Esp\u00edrito Santo, por exemplo, as escritoras da Academia Feminina Esp\u00edrito-Santense de Letras n\u00e3o t\u00eam muito reconhecimento\u201d, denuncia Mirtis Caser.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cAs mulheres autoras t\u00eam resistido est\u00e9tica e eticamente\u201d, diz a professora Mirtis Caser<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cNa literatura h\u00e1 a tentativa de fazer a passagem da coragem de falar, de reclamar e de termos o cuidado de n\u00e3o sermos \u2018coitadinhas\u2019. Claro que existem as autoras que escrevem para o mercado e \u00e0s vezes mant\u00eam o que est\u00e1 imposto. As coisas acontecem muito em ondas, elas s\u00e3o c\u00edclicas. Temos per\u00edodos em que houve altera\u00e7\u00e3o, que o trabalho das mulheres foi levado a s\u00e9rio e depois temos novamente as quedas. Os per\u00edodos de fascismo, de ditadura, s\u00e3o sempre um decl\u00ednio na situa\u00e7\u00e3o em que a mulher se encontra. Por outro lado, esses momentos resultam produ\u00e7\u00f5es em forma de resist\u00eancia. Acho que essa \u00e9 uma das grandes quest\u00f5es na literatura feminina: a resist\u00eancia. As mulheres autoras t\u00eam resistido est\u00e9tica e eticamente\u201d, complementa.<\/p>\n<p>J\u00e1 no que diz respeito \u00e0s leitoras, a pesquisadora Mirtis Caser frisa: \u201cTemos que ler! Quando uma leitora tem em m\u00e3os um texto de autoria feminina, poder\u00e1 encontrar situa\u00e7\u00f5es que viveu e que n\u00e3o teve respostas naquela hora e poder\u00e1 deparar com uma solu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja patriarcal. Vale a pena ler a produ\u00e7\u00e3o feminina e a produ\u00e7\u00e3o do nosso Estado\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>No Departamento de L\u00ednguas e Letras da Ufes, um grupo de pesquisadores, coordenado pela professora Mirtis Caser, desenvolve estudos sobre a literatura de autoria feminina, <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/08\/mulheres-com-todas-as-letras\/\" title=\"Mulheres com todas as letras\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":338,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[2,9],"tags":[],"class_list":["post-136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-edicao008","category-noticias"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"mh-magazine-lite-slider":false,"mh-magazine-lite-content":false,"mh-magazine-lite-large":false,"mh-magazine-lite-medium":false,"mh-magazine-lite-small":false},"uagb_author_info":{"display_name":"daniel.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/daniel_de-souza-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No Departamento de L\u00ednguas e Letras da Ufes, um grupo de pesquisadores, coordenado pela professora Mirtis Caser, desenvolve estudos sobre a literatura de autoria feminina, [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/338"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":610,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136\/revisions\/610"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}