{"id":1419,"date":"2020-12-09T17:47:48","date_gmt":"2020-12-09T20:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1419"},"modified":"2020-12-29T10:48:29","modified_gmt":"2020-12-29T13:48:29","slug":"clarice-lispector-100-anos-literatura-na-producao-de-conhecimento-cientifico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/12\/09\/clarice-lispector-100-anos-literatura-na-producao-de-conhecimento-cientifico\/","title":{"rendered":"Clarice Lispector 100 anos: literatura na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013&nbsp;Por Breno Alexandre<\/em>*<em> \u2013<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O centen\u00e1rio da escritora Clarice Lispector \u2013 que nasceu em 10 de dezembro de 1920, na Ucr\u00e2nia, veio para o Brasil aos 2 anos de idade e naturalizou-se brasileira \u2013 remete-nos \u00e0 import\u00e2ncia da literatura para entender as rela\u00e7\u00f5es estabelecidas no contexto social em que vivemos. A obra de Clarice tornou-se objeto de estudo de pesquisadores, que utilizam seus livros para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico. No Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras (PPGL) da Ufes, h\u00e1 pelo menos sete pesquisas sobre a escritora e sua obra.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A doutora em Letras Cristiane Bourguignon \u2013 orientada pela professora Stelamaris Coser, do PPGL\/Ufes, atualmente aposentada \u2013 foi uma das que se debru\u00e7aram sobre os livros da escritora para entender \u201cA via crucis do desejo feminino: um estudo sobre a escrita de Clarice Lispector\u201d. A pesquisadora analisou o livro que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 sua tese, identificando semelhan\u00e7a com outras obras da autora: <em>\u00c1gua Viva<\/em>, <em>A Paix\u00e3o Segundo GH<\/em> e <em>A Hora da Estrela<\/em>. Trata-se da presen\u00e7a de personagens femininas com pensamentos contempor\u00e2neos que, mesmo escritos no s\u00e9culo passado, j\u00e1 apontavam para a p\u00f3s-modernidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nas personagens e no comportamento modernos para a \u00e9poca, a pesquisadora afirma ser poss\u00edvel analisar tra\u00e7os de feminismo na escrita, embora Clarice Lispector n\u00e3o fosse declaradamente feminista. \u201cEla nunca teve a inten\u00e7\u00e3o declarada de se chamar feminista, ou dizer que a obra dela \u00e9 feminista, ent\u00e3o eu fa\u00e7o uma discuss\u00e3o<em> <\/em>porque muita gente chama a escrita da Clarice de literatura feminina\u201d, acrescenta Cristiane Bourguignon.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rejei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Sobre o livro <em>A Via Crucis do Corpo<\/em>, a pesquisadora conta que a cr\u00edtica da \u00e9poca n\u00e3o recebeu bem a obra. O livro, que conta sobre experi\u00eancias amorosas de mulheres, foi encomendado pela editora da maneira como deveria ser feito. Mas Clarice era conhecida na \u00e9poca por escrever para a alta sociedade, e n\u00e3o era esperado dela um livro que trazia a prostitui\u00e7\u00e3o como tem\u00e1tica, mesmo sem citar o sexo de forma expl\u00edcita, da\u00ed a rejei\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tempos depois, a pr\u00f3pria escritora chamou o livro de lixo. A \u00fanica raz\u00e3o pela qual ela aceitou faz\u00ea-lo como pedido pela editora foi a necessidade de dinheiro, haja vista que, na \u00e9poca, estava divorciada e havia sido despedida do cargo de colunista do jornal para o qual trabalhava. A obra foi escrita \u00e0s pressas. Clarice, que tinha o costume de reler v\u00e1rias vezes seus textos, para entend\u00ea-los melhor e aprimorar o trabalho, n\u00e3o o fez dessa vez.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Obras consagradas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Muito distante desse epis\u00f3dio, ao longo da carreira, a escritora produziu diversas obras consagradas pela cr\u00edtica, que foram traduzidas para mais de 15 l\u00ednguas. Uma das mais conhecidas \u00e9 <em>A Hora da Estrela<\/em>, que ganhou adapta\u00e7\u00e3o para o cinema. Outros livros de destaque, inclusive fora do Brasil, s\u00e3o <em>Perto do Cora\u00e7\u00e3o Selvagem<\/em> e <em>\u00c1gua Viva<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Clarice Lispector gostava de produzir ao redor da fam\u00edlia. Geralmente, escrevia na sala, cuidando dos filhos; tentava n\u00e3o se isolar num quarto, para se fazer presente. Preocupada com a participa\u00e7\u00e3o na vida dom\u00e9stica, mostrou-se uma boa m\u00e3e para Pedro e Paulo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lembran\u00e7a, conferida pela pesquisadora Cristiane Bourguignon em conversa com o filho de Clarice, Paulo Gurgel, no Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio de Janeiro, aponta para o Dia das M\u00e3es de 1974, em que a escritora, ao almo\u00e7ar com um dos filhos, assinou o cheque para pagar a despesa da refei\u00e7\u00e3o com \u201c10 de m\u00e3e\u201d, em vez de \u201c10 de maio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, ser m\u00e3e era de grande import\u00e2ncia. O motivo era a origem do seu nascimento: a m\u00e3e dela estava doente, e a cren\u00e7a da sua fam\u00edlia dizia que, quando uma mulher passava por essa situa\u00e7\u00e3o, precisava engravidar para ser curada. No entanto, sua m\u00e3e faleceu dez anos depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses fatos marcaram a vida de uma das maiores escritoras do s\u00e9culo XX, que adotou o Rio de Janeiro como sua cidade at\u00e9 dezembro de 1977, quando morreu v\u00edtima de um c\u00e2ncer no ov\u00e1rio. Ela marcou n\u00e3o s\u00f3 uma gera\u00e7\u00e3o. Suas obras, escritas d\u00e9cadas atr\u00e1s, apresentam fortes elementos contempor\u00e2neos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Clarice tinha uma escrita \u00fanica, com um toque filos\u00f3fico, mas que nunca deixou de ser literatura. Ela esculpia as palavras, retirando as que n\u00e3o eram importantes e deixando s\u00f3 a ess\u00eancia, provocando uma profundidade no leitor.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Bolsista de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Nascida em 10 de dezembro de 1920, a escritora ucraniana naturalizada brasileira consagrou-se como uma das principais escritoras do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":397,"featured_media":1420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[82,83],"class_list":["post-1419","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-clarice-lispector","tag-literatura"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",1086,652,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",150,90,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",300,180,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",768,461,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",1024,615,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",1086,652,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",1086,652,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",730,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",635,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",678,407,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",326,196,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2020\/12\/Clarice_Lispector_por_Maureen_Bisilliat_em_agosto_de_1969._Acervo_IMS.jpg",80,48,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"sueli.freitas","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/sueli_checon-de-freitas\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nascida 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