{"id":1472,"date":"2021-01-22T16:04:44","date_gmt":"2021-01-22T19:04:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1472"},"modified":"2022-11-03T09:37:36","modified_gmt":"2022-11-03T12:37:36","slug":"pesquisa-revela-41-das-pessoas-que-solicitaram-auxilio-emergencial-estao-fora-dos-programas-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/01\/22\/pesquisa-revela-41-das-pessoas-que-solicitaram-auxilio-emergencial-estao-fora-dos-programas-sociais\/","title":{"rendered":"No Brasil, 41% das pessoas que solicitaram aux\u00edlio emergencial est\u00e3o fora dos programas sociais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013&nbsp;Por Mikaella Mozer* \u2013&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com mais de 50 milh\u00f5es de pessoas atendidas no pa\u00eds, a primeira parcela do aux\u00edlio emergencial alcan\u00e7ou grupos que est\u00e3o fora dos programas sociais governamentais e representam 41% dos beneficiados. O que levou \u00e0s milhares de solicita\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio foram as mudan\u00e7as decorrentes da reforma trabalhista que deixaram as rela\u00e7\u00f5es laborais mais prec\u00e1rias. Esses s\u00e3o os pontos de destaque da pesquisa <em>Aux\u00edlio emergencial e pobreza no estado do Esp\u00edrito Santo\/Brasil,<\/em> do grupo Primeira Inf\u00e2ncia, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Social (PPGPS) da Ufes, que integra o <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/tag\/print-ufes\/\"><strong>Projeto de Internacionaliza\u00e7\u00e3o da Ufes (PrInt)<\/strong><\/a>, com a participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores de outros pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mostrou uma falha na operacionaliza\u00e7\u00e3o para o pagamento do aux\u00edlio, pois, em vez de incluir quem n\u00e3o estava cadastrado em programas sociais, o m\u00e9todo adotado, por meio do aplicativo Caixa Tem, voltar\u00e1 a invisibilizar essas pessoas que s\u00e3o justamente aquelas com maior necessidade, classificadas nos grupos de pobreza e extrema pobreza. Com o fim das parcelas, esses indiv\u00edduos n\u00e3o estar\u00e3o cadastrados em nenhum dos sistemas de assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Saiba mais: <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/01\/22\/cobertura-do-auxilio-emergencial-fica-aquem-do-numero-de-necessitados-em-microrregioes-capixabas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cobertura do aux\u00edlio emergencial fica aqu\u00e9m do n\u00famero de necessitados em microrregi\u00f5es capixabas<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A distribui\u00e7\u00e3o dos recursos tamb\u00e9m foi afetada por essa forma de operacionaliza\u00e7\u00e3o. Enquanto os programas sociais conseguem atingir seu p\u00fablico-alvo, o uso do aplicativo Caixa Tem para o aux\u00edlio emergencial n\u00e3o proporcionou o mesmo resultado. De acordo com Rodrigo Borges, pesquisador p\u00f3s-doutorando do PPGPS, isso se deve \u00e0 falta de verifica\u00e7\u00e3o mais detalhada dos cadastros dos usu\u00e1rios, o que levou a inadequa\u00e7\u00f5es, como pagamento do benef\u00edcio a servidores p\u00fablicos e pessoas das classes A e B.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A regi\u00e3o com maior volume de recursos repassados e de beneficiados, em termos relativos, foi o Nordeste. J\u00e1 em termos absolutos, foi o Sudeste. A presen\u00e7a do Sudeste no topo surpreendeu os pesquisadores, evidenciando a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil. \u201cApesar de ser uma regi\u00e3o mais pr\u00f3spera na economia, esse dado mostra o impacto das decis\u00f5es econ\u00f4micas que fizeram grande parte dessa popula\u00e7\u00e3o necessitar de ajuda. Uma grande parcela do Sudeste vive de trabalhos informais ou prec\u00e1rios\u201d, relata Borges.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro destaque foi a taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o \u2013 que calcula n\u00e3o s\u00f3 o n\u00famero de pessoas em busca de emprego, mas tamb\u00e9m aqueles em trabalho parcial, desalento acidental e os que n\u00e3o buscam por acreditar firmemente que n\u00e3o ir\u00e3o achar. Durante a pandemia, ela chegou a 30%. Borges afirma que essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de depress\u00e3o total. \u201cNa pr\u00e9-pandemia, j\u00e1 estava em 22%, \u00e9 muito preocupante\u201d, diz. A taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o foi o \u00edndice utilizado para essa an\u00e1lise por incluir mais indicadores do que a taxa de desemprego.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Reforma trabalhista<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reforma trabalhista modificou diferentes campos do trabalho e, com isso, transformou tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o do trabalhador com seu meio de ganho financeiro. De acordo com o estudo, a reforma aprofundou a desestrutura\u00e7\u00e3o laboral no pa\u00eds. O Brasil teve menos de 1 milh\u00e3o de empregos criados desde a san\u00e7\u00e3o da reforma, em 2017, at\u00e9 o per\u00edodo anterior ao agravamento da crise pela pandemia, sendo a maioria trabalhos prec\u00e1rios, como os intermitentes (sem contrato cont\u00ednuo) e os parciais \u2013 juntas, as duas modalidades correspondem a 8% do total de postos de trabalho existentes no fim do primeiro trimestre de 2020 e a 28% do total de vagas criadas desde a aprova\u00e7\u00e3o da reforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a pesquisa, o grau de assalariamento no pa\u00eds caiu pela primeira vez, em d\u00e9cadas, a partir de 2020, evidenciando que o fim da problem\u00e1tica do decl\u00ednio de sal\u00e1rios ainda est\u00e1 distante. Esse quadro geral de cont\u00ednuo desfalque no mercado de trabalho resultou no amplo volume de solicita\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio emergencial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mostrou, ainda, aumento das desigualdades no mercado de trabalho durante a pandemia, com preju\u00edzos principalmente para as mulheres n\u00e3o brancas. Foi constatado que o n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o (que quantifica as pessoas desempregadas em idade de trabalhar) das mulheres negras \u00e9 de 63%. \u201cIsso mostra que o mercado \u00e9 ineficiente, uma vez&nbsp; que n\u00e3o aproveita mais da metade da for\u00e7a de trabalho. O tempo em que a pessoa pode trabalhar n\u00e3o volta. Esses n\u00fameros representam o porqu\u00ea de tantas pessoas necessitarem do aux\u00edlio. H\u00e1 disfun\u00e7\u00e3o nesse campo\u201d, comenta Borges.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores cruzaram dados do Cadastro \u00danico (CAD\u00fanico), do Sistema \u00danico de Assist\u00eancia Social (Suas), do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNAD-C) e de portais da transpar\u00eancia para obter essas informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em dezembro, foi realizado um debate virtual com o tema \u201cO Aux\u00edlio Emergencial no Brasil durante a pandemia por COVID-19&#8243;, na p\u00e1gina do Facebook do PPGPS (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PPGPS.UFES\/videos\/262978261800298\"><strong>confira aqui<\/strong><\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*Bolsista de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Edi\u00e7\u00e3o: Sueli de Freitas<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A pesquisa mostra que as milhares de solicita\u00e7\u00f5es de aux\u00edlio foram resultado das mudan\u00e7as decorrentes da reforma trabalhista que deixaram as rela\u00e7\u00f5es laborais mais 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