{"id":1503,"date":"2021-01-27T11:54:45","date_gmt":"2021-01-27T14:54:45","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1503"},"modified":"2021-01-27T11:55:24","modified_gmt":"2021-01-27T14:55:24","slug":"ufes-participa-de-estudo-sobre-nova-linhagem-do-coronavirus-originada-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/01\/27\/ufes-participa-de-estudo-sobre-nova-linhagem-do-coronavirus-originada-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Ufes participa de estudo sobre nova linhagem do coronav\u00edrus originada no Amazonas"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013&nbsp; Por Sueli de Freitas \u2013&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/virological.org\/t\/phylogenetic-relationship-of-sars-cov-2-sequences-from-amazonas-with-emerging-brazilian-variants-harboring-mutations-e484k-and-n501y-in-the-spike-protein\/585\" target=\"_blank\">publica\u00e7\u00e3o realizada<\/a> no blog&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/virological.org\/\" target=\"_blank\">Virological<\/a>, pesquisadores de diversas institui\u00e7\u00f5es de pesquisas brasileiras, dentre eles o professor Edson Delatorre, do Departamento de Biologia do Centro de Ci\u00eancias Exatas, Naturais e da Sa\u00fade (CCENS\/Ufes), divulgaram resultados de um sequenciamento gen\u00e9tico revelando que \u00e9 origin\u00e1ria do Amazonas a nova linhagem do SARS-CoV-2 B.1.1.28, identificada em viajantes que estiveram na regi\u00e3o metropolitana de Manaus e apresentaram COVID-19 ao chegarem ao Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Batizada de SARS-CoV-2 P1, a nova linhagem foi detectada em um processo comparativo de genomas de pacientes de Manaus com os dos viajantes do Jap\u00e3o. \u201cN\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos fazendo um trabalho em colabora\u00e7\u00e3o com a Fiocruz para caracterizar a diversidade do coronav\u00edrus no Estado do Amazonas, ajudando nas an\u00e1lises evolutivas do v\u00edrus, quando ficamos sabendo da variante detectada no Jap\u00e3o em viajantes que estiveram em Manaus e retornaram \u00e0quele pa\u00eds. Ent\u00e3o, comparamos as amostras do Jap\u00e3o com amostras de Manaus, utilizando 148 genomas de pessoas doentes e percebemos que havia ao menos duas cadeias de transmiss\u00e3o local\u201d, explica o professor Delatorre.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, por meio da an\u00e1lise filogen\u00e9tica, uma esp\u00e9cie de \u00e1rvore geneal\u00f3gica do cont\u00e1gio, foi poss\u00edvel identificar a cadeia de transmiss\u00e3o chamada de&nbsp;<em>Amazonas 2<\/em>, que \u201cdeu origem aos eventos que levaram \u00e0 emerg\u00eancia dessa variante detectada no Jap\u00e3o\u201d, diz o professor. \u201cA an\u00e1lise filogen\u00e9tica estabelece o fluxo direcional da transmiss\u00e3o, por isso \u00e9 poss\u00edvel afirmar com certeza que o cont\u00e1gio foi de Manaus para o Jap\u00e3o\u201d, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Delatorre,&nbsp;ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel declarar que essa nova variante do novo coronav\u00edrus possui maior transmissibilidade por conta das muta\u00e7\u00f5es detectadas no Jap\u00e3o, mas est\u00e3o sendo feitas an\u00e1lises de amostras coletadas em dezembro e janeiro para chegar a alguma conclus\u00e3o. \u201cAs variantes do Jap\u00e3o possuem muta\u00e7\u00f5es associadas a maior transmissibilidade. At\u00e9 as amostras de novembro, n\u00e3o conseguimos detectar isso. Aparentemente, [essas muta\u00e7\u00f5es] emergiram rapidamente e a transmiss\u00e3o est\u00e1 r\u00e1pida, provavelmente dominando a epidemia no Amazonas neste momento\u201d, pressup\u00f5e o pesquisador diante do aumento expressivo do n\u00famero de casos no estado.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Muta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As muta\u00e7\u00f5es dizem respeito a altera\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas na composi\u00e7\u00e3o das prote\u00ednas. Representados por letras, os amino\u00e1cidos que comp\u00f5em as prote\u00ednas s\u00e3o substitu\u00eddos por outros, da\u00ed as formula\u00e7\u00f5es K417N, E484K e N501Y. As duas primeiras muta\u00e7\u00f5es detectadas (K417N e E484K) s\u00e3o referentes a impactos na resposta imune do indiv\u00edduo, ou seja, favorecem que o v\u00edrus se replique e o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o o reconhe\u00e7a ou o combata. Al\u00e9m disso, a E484K e tamb\u00e9m a N501Y favorecem a liga\u00e7\u00e3o do v\u00edrus ao receptor de entrada da c\u00e9lula.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que j\u00e1 se viu \u00e9 que essas muta\u00e7\u00f5es mudam a for\u00e7a com que o v\u00edrus se liga \u00e0 c\u00e9lula e tamb\u00e9m reduzem a imunidade do hospedeiro frente ao v\u00edrus, ou seja, favorecerem que o v\u00edrus entre na c\u00e9lula e se replique no corpo do indiv\u00edduo. As linhagens [do coronav\u00edrus] t\u00eam combina\u00e7\u00f5es diferentes de muta\u00e7\u00f5es, mas apresentam essas caracter\u00edsticas iguais. As mesmas muta\u00e7\u00f5es da \u00c1frica do Sul est\u00e3o aparecendo aqui, num processo de converg\u00eancia evolutiva. Isso significa que o v\u00edrus est\u00e1 seguindo por diferentes caminhos para um mesmo lugar\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Transmissibilidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>As variantes do coronav\u00edrus relacionadas \u00e0 transmiss\u00e3o em observa\u00e7\u00e3o hoje, em n\u00edvel mundial, especialmente na Inglaterra e na \u00c1frica do Sul, mostram as muta\u00e7\u00f5es sofridas pelo v\u00edrus para que melhor se adaptasse ao corpo humano. As varia\u00e7\u00f5es encontradas em Manaus assemelham-se \u00e0s encontradas tamb\u00e9m na \u00c1frica do Sul. Al\u00e9m da que se instalou aqui desde o in\u00edcio da pandemia (Sars-CoV-2 B.1.1.28) e da nova linhagem descoberta em Manaus (Sars-CoV-2 P1), a terceira \u00e9 a relatada por pesquisadores no Rio de Janeiro (Sars-CoV-2 P2) no final do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOs nomes P1 e P2 sa\u00edram nesta madrugada no&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pangolin.cog-uk.io\/\" target=\"_blank\">Pangolin<\/a>&#8220;, relatou o professor Delatorre em 12 de janeiro, referindo-se ao sistema de registro dos achados cient\u00edficos sobre coronav\u00edrus. Ele explica&nbsp;que a P1 e a P2 s\u00e3o ramifica\u00e7\u00f5es da primeira linhagem que circulou e se estabeleceu no Brasil. \u201cS\u00e3o dois descendentes diferentes e simult\u00e2neos com potencial de maior transmissibilidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre esse potencial das novas cepas, o professor declara que \u00e9 preocupante, pois \u00e9 o que pode colapsar o sistema de sa\u00fade. \u201cUma cepa com maior transmissibilidade \u00e9 pior que uma cepa com maior letalidade, porque quanto mais transmite, mais pessoas ela mata. Ent\u00e3o o sofrimento causado ao sistema de sa\u00fade \u00e9 maior\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Imagem: Peter Ilicciev\/Fiocruz Imagens<br>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Publicado no Portal da Ufes em 13 de Janeiro de 2021.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Compara\u00e7\u00e3o de genomas permitiu identificar nova cepa do SARS-CoV-2 em pacientes de Manaus<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":1504,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[50],"class_list":["post-1503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-covid-19"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",3008,2000,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",150,100,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",300,199,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",768,511,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",1024,681,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",1536,1021,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",2048,1362,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",659,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",573,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",678,451,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",326,217,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/01\/fiocruz-microscopio_20040412_peter_ilicciev_00023.jpg",80,53,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Compara\u00e7\u00e3o de genomas permitiu identificar nova cepa do SARS-CoV-2 em pacientes de Manaus","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1503"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1506,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1503\/revisions\/1506"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}