{"id":1529,"date":"2021-03-23T10:35:39","date_gmt":"2021-03-23T13:35:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1529"},"modified":"2022-11-03T09:42:25","modified_gmt":"2022-11-03T12:42:25","slug":"brasil-tem-5582-de-taxa-de-mortalidade-materna-e-o-aborto-e-uma-das-principais-causas-segundo-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/03\/23\/brasil-tem-5582-de-taxa-de-mortalidade-materna-e-o-aborto-e-uma-das-principais-causas-segundo-pesquisa\/","title":{"rendered":"Brasil tem 55,82 de taxa de mortalidade materna, e o aborto \u00e9 uma das principais causas, segundo pesquisa"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Estudo compara dados do Brasil e de Cuba e refor\u00e7a necessidade de investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas e em educa\u00e7\u00e3o sexual<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>\u2013&nbsp;Por Mikaella Mozer* \u2013&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil teve uma m\u00e9dia de 55,82 mortes maternas a cada 100 mil nascidos vivos entre os anos de 2005 e 2017, e o aborto \u00e9 a quarta maior causa, atr\u00e1s de complica\u00e7\u00f5es no parto, transtornos hipertensivos e complica\u00e7\u00f5es na placenta. Essa foi uma das conclus\u00f5es da pesquisa coordenada pela professora Maria L\u00facia Garcia, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Pol\u00edtica Social (PPGPS), realizada em parceria com a Universidade de Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo aponta que esses indicadores, separados em diretos (relativos a mortes em decorr\u00eancia de problemas que surgem durante a gesta\u00e7\u00e3o) e indiretos (resultantes de doen\u00e7as pr\u00e9-existentes), levam ao falecimento de gestantes e pu\u00e9rperas (at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o parto). Segundo os dados mais recentes do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a Raz\u00e3o de Mortalidade Materna (RMM) no Brasil, em 2018, foi de 59,1 \u00f3bitos para cada 100 mil nascidos vivos, \u00edndice que representa quase o dobro da meta da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) nos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, que \u00e9 de reduzir o \u00edndice para 30 \u00f3bitos a cada 100 mil nascidos vivos at\u00e9 2030.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa foi desenvolvida em parceria entre o Grupo Primeira Inf\u00e2ncia, do <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/tag\/print-ufes\/\"><strong>Projeto de Internacionaliza\u00e7\u00e3o (PrInt) <\/strong><\/a>da Ufes <em>\u2013<\/em> o qual tem o prop\u00f3sito de produzir pesquisas com universidades estrangeiras <em>\u2013<\/em>, e a Universidade de Cuba. O estudo tem o objetivo de entender os aspectos das causas da mortalidade materna em pa\u00edses em desenvolvimento com sistemas sociais e econ\u00f4micos diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre os maiores empecilhos para atenuar os casos de mortes no per\u00edodo gestacional no Brasil est\u00e3o as pol\u00edticas relativas ao aborto e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual. As pesquisadoras afirmam que os dados sobre a participa\u00e7\u00e3o do aborto entre as causas de \u00f3bito podem estar subestimados devido \u00e0 sua ilegalidade. Apesar de haver uma luta social em defesa do aborto por escolha da mulher, essa pauta nunca chegou a ser votada no Congresso Nacional. J\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o sexual sofre forte resist\u00eancia por motivos culturais e religiosos, apesar de contribuir para prevenir a gravidez indesejada ou precoce e doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Comparativo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Em Cuba, as pol\u00edticas relativas ao aborto e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual est\u00e3o entre os principais meios de preven\u00e7\u00e3o \u00e0 mortalidade materna. Naquele pa\u00eds, o aborto \u00e9 instituicionalizado desde 1965 e conta com financiamento p\u00fablico e regras: deve ser realizado em hospital p\u00fablico e com profissional qualificado, como meio de assegurar uma pr\u00e1tica segura. Esse quadro \u00e9 acompanhado pela conscientiza\u00e7\u00e3o sobre a import\u00e2ncia do uso de outros meios contraceptivos, como a camisinha, a qual tem cobertura acima de 77%. Ambas as pol\u00edticas, em conjunto, alcan\u00e7am uma alta cobertura h\u00e1 mais de dez anos, segundo o levantamento realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa indica a necessidade de mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o brasileira, para que haja o acesso seguro, gratuito e institucional \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o da gravidez a fim de evitar mais falecimentos e assegurar a sa\u00fade sexual e reprodutiva da mulher. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio haver di\u00e1logo e tamb\u00e9m apoio pol\u00edtico, de acordo com o estudo. \u201cEm Cuba existe uma consci\u00eancia do governo e da sociedade sobre a necessidade dessas a\u00e7\u00f5es para evitar mais mortes. Garantir a emancipa\u00e7\u00e3o sexual, a decis\u00e3o sobre o seu pr\u00f3prio corpo, ter seus direitos sexuais e reprodutivos garantidos \u00e9 importante, \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a reprodutiva, o aborto legal seguro e gratuito deve ser um direito de todos que engravidam. Todos esses pontos precisam ser trabalhados aqui\u201d, afirma uma das pesquisadoras, Arelys Esquenazi, que \u00e9 doutoranda no PPGPS\/Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros fatores relacionados com as mortes de gestantes no Brasil s\u00e3o a gravidez ect\u00f3pica (14,3 casos a cada 100 mil nascidos), complica\u00e7\u00f5es no puerp\u00e9rio (77,4 casos na mesma propor\u00e7\u00e3o), problemas no parto (11,3), transtornos placent\u00e1rios (20,3), hemorragias (4,6) e transtornos hipertensivos (92). J\u00e1 em Cuba, os valores para as mesmas causas se revelam bem menores, sendo respectivamente: 12,&nbsp; 30, 7,9, 11,5, 18 e&nbsp; 11,5.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m indica o crescimento dos indicadores indiretos em ambos os pa\u00edses nos 12 anos analisados. O Brasil teve um aumento expressivo, de 25%, em compara\u00e7\u00e3o aos 5% de Cuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa informa\u00e7\u00e3o evidencia o descaso com os projetos de aten\u00e7\u00e3o materno-infantil no Brasil, na avalia\u00e7\u00e3o das pesquisadoras, uma vez que o pa\u00eds n\u00e3o atingiu a meta do mil\u00eanio da ONU para reduzir as taxas e os n\u00fameros s\u00f3 aumentam, apesar dos esfor\u00e7os j\u00e1 realizados. A professora Maria L\u00facia Garcia ressalta que o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) j\u00e1 implementou diversos programas de assist\u00eancia \u00e0 m\u00e3e e ao beb\u00ea, dentre eles a Agenda de Consultas de Sa\u00fade Integral da Crian\u00e7a e Redu\u00e7\u00e3o da Mortalidade Infantil, o Programa de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade da Crian\u00e7a e a Pol\u00edtica Nacional de Aten\u00e7\u00e3o Integral \u00e0 Sa\u00fade da Mulher. \u201cO SUS tem a metade do tempo de cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio de Sa\u00fade P\u00fablica de Cuba e tem resultados incr\u00edveis, mas a falta de assist\u00eancia pol\u00edtica nesse assunto tem um resultado negativo muito transparente nessa situa\u00e7\u00e3o, com urg\u00eancia de mudan\u00e7a\u201d, analisa a coordenadora.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos aspectos a serem melhorados \u00e9 o das consultas pr\u00e9-natais, que contribuem&nbsp; para descobrir e prevenir poss\u00edveis enfermidades, a fim de diminuir os riscos \u00e0 m\u00e3e e ao beb\u00ea. No Brasil, a gestante tem direito a nove atendimentos durante a gravidez, no entanto, de acordo com o estudo, 90% das mulheres t\u00eam apenas quatro consultas e, dentre o grupo restante, menos de 50% t\u00eam acesso a sete ou mais atendimentos. As pesquisadoras avaliam que melhorar o sistema de aten\u00e7\u00e3o \u00e0 gestante da rede p\u00fablica seria um fator significativo para evitar as mortes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diferen\u00e7as regionais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A diferen\u00e7a socioecon\u00f4mica tamb\u00e9m impacta esse resultado, segundo a pesquisa. Ao se analisar as regi\u00f5es do pa\u00eds, o Nordeste e o Norte, t\u00eam, respectivamente, 66,82% e 65,43% de apari\u00e7\u00e3o das variantes, enquanto o Sul tem 43,41%. Al\u00e9m disso, as mulheres n\u00e3o brancas s\u00e3o as que mais sofrem, sendo 62,13% de mortalidade materna direta em todo o Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em Cuba, as diferen\u00e7as regionais existem, mas n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o alarmantes quanto no Brasil e t\u00eam um quadro de melhora nos \u00faltimos anos. Dentre as regi\u00f5es brasileiras, a diferen\u00e7a entre a localidade com maior e menor \u00edndice das raz\u00f5es da mortalidade materna \u00e9 de 23,41%, enquanto entre os territ\u00f3rios cubanos \u00e9 de 3,23%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto em Cuba se mostra mais controlado, no Brasil o trabalho \u00e9 \u00e1rduo por ser duplo: sensibilizar leva tempo e \u00e9 algo que n\u00e3o estamos fazendo, al\u00e9m disso estamos distantes de um bom investimento financeiro. A luta por ampliar e consolidar os direitos sexuais e reprodutivos, assim como por desenvolver pol\u00edticas e servi\u00e7os de sa\u00fade com enfoque de igualdade de g\u00eanero continuam sendo uma prioridade inadi\u00e1vel e urgente, por\u00e9m com evidentes diferen\u00e7as em termos de conquistas e desafios futuros em ambos os pa\u00edses\u201d, conclui Maria L\u00facia Garcia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Bolsista de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Estudo compara dados do Brasil e de Cuba e refor\u00e7a necessidade de investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas e em educa\u00e7\u00e3o sexual \u2013&nbsp;Por Mikaella Mozer* \u2013&nbsp; O <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/03\/23\/brasil-tem-5582-de-taxa-de-mortalidade-materna-e-o-aborto-e-uma-das-principais-causas-segundo-pesquisa\/\" title=\"Brasil tem 55,82 de taxa de mortalidade materna, e o aborto \u00e9 uma das principais causas, segundo pesquisa\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":1530,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[91],"class_list":["post-1529","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-print-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",1024,683,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",150,100,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",300,200,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",768,512,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",1024,683,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",1024,683,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",1024,683,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",657,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",571,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",678,452,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",326,217,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/02\/gestante-ultrassom-marcus-pereira-govBA.jpg",80,53,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":7,"uagb_excerpt":"Estudo compara dados do Brasil e de Cuba e refor\u00e7a necessidade de investimento em pol\u00edticas p\u00fablicas e em educa\u00e7\u00e3o sexual \u2013&nbsp;Por Mikaella Mozer* \u2013&nbsp; 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