{"id":1557,"date":"2021-03-12T12:49:57","date_gmt":"2021-03-12T15:49:57","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1557"},"modified":"2022-04-14T08:53:13","modified_gmt":"2022-04-14T11:53:13","slug":"estudo-demonstra-que-o-aquecimento-global-e-o-efeito-mais-provavel-da-floresta-amazonica-no-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/03\/12\/estudo-demonstra-que-o-aquecimento-global-e-o-efeito-mais-provavel-da-floresta-amazonica-no-clima\/","title":{"rendered":"Estudo demonstra que o aquecimento global \u00e9 o efeito mais prov\u00e1vel da Floresta Amaz\u00f4nica no clima"},"content":{"rendered":"\n<p>Um novo estudo publicado nesta quinta-feira, 11, no peri\u00f3dico su\u00ed\u00e7o&nbsp;<em>Frontiers in Forests and Global Change,<\/em>&nbsp;oferece a mais abrangente avalia\u00e7\u00e3o dos efeitos da Floresta Amaz\u00f4nica no clima global at\u00e9 o momento. A equipe internacional, composta por mais de 30 autores, dentre eles o professor do Departamento de Oceanografia da Ufes Angelo Bernardino, identificou que, em vez de fornecer uma gigantesca manuten\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, a Amaz\u00f4nia pode realmente estar aquecendo a atmosfera global.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo intitulado&nbsp;<em>\u200b<strong><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/ffgc.2021.618401\/full\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Carbon and Beyond: The Biogeochemistry of Climate in a Rapidly Changing Amazo<\/a><u>\u200b<\/u><\/strong><\/em><strong><em><a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/ffgc.2021.618401\/full\">n<\/a>&nbsp;<\/em><\/strong>n\u00e3o apenas revisou os impactos do desmatamento e da perda de florestas na regi\u00e3o no di\u00f3xido de carbono, como tamb\u00e9m examinou os in\u00fameros agentes de mudan\u00e7a menos reconhecidos, incluindo gases do efeito estufa, como metano e \u00f3xido nitroso, carbono negro de inc\u00eandios, compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis biog\u00eanicos, aeross\u00f3is, oz\u00f4nio e a soma da evapora\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do solo e da transpira\u00e7\u00e3o das plantas. Essa extensa avalia\u00e7\u00e3o destaca que, nesse momento, a Amaz\u00f4nia est\u00e1 provavelmente aquecendo nosso clima e sua perda cont\u00ednua causar\u00e1 mais preju\u00edzos n\u00e3o somente para a regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m para o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cObservamos todo o sistema ambiental da Amaz\u00f4nia, tentando levar em considera\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente o di\u00f3xido de carbono\u201d, disse Kris Covey, autor principal e professor visitante de estudos e ci\u00eancias ambientais na&nbsp;<em>Skidmore College<\/em> (EUA). \u201cAo avaliar o impacto combinado desses fatores pela primeira vez, ficou claro que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o est\u00e1 fornecendo os benef\u00edcios clim\u00e1ticos que esperamos da maior floresta tropical do mundo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAnalisar as complexas intera\u00e7\u00f5es entre a Amaz\u00f4nia, seus efeitos no clima e as influ\u00eancias humanas \u00e9 mais ou menos como tentar prever o mercado de a\u00e7\u00f5es; \u00e9 feito de partes m\u00f3veis: m\u00faltiplas for\u00e7as clim\u00e1ticas, n\u00e3o s\u00f3 o carbono, como tamb\u00e9m metano, \u00f3xido nitroso, particulados e efeitos biof\u00edsicos, cada um sendo influenciado por estressores humanos que v\u00e3o desde a constru\u00e7\u00e3o de barragens e ca\u00e7as a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, disse Fiona Soper, professora assistente do Departamento de Biologia e da&nbsp;<em>Bieler School of Environment<\/em>, da Universidade McGill (Canad\u00e1). \u201cSintetizar essas mudan\u00e7as \u00e9 um grande desafio, mas est\u00e1 claro que a maioria dos impactos humanos diretos \u2014 extra\u00e7\u00e3o de recursos, convers\u00e3o agr\u00edcola \u2014 remove a vegeta\u00e7\u00e3o da floresta e, assim, influencia n\u00e3o somente o sequestro de carbono, como tamb\u00e9m aumentam o potencial de emiss\u00f5es de inc\u00eandios e, em alguns casos, outros gases do efeito estufa. Neste artigo, reunimos esses desafios, identificamos padr\u00f5es gerais e nossas maiores lacunas de compreens\u00e3o, como a din\u00e2mica dos sistemas de \u00e1gua doce exclusivos da Amaz\u00f4nia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Revis\u00e3o de dados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Este artigo resultou de uma reuni\u00e3o especial organizada pela&nbsp;<em>National Geographic Society<\/em> em parceria com a Rolex na cidade de Manaus, em julho de 2019. Os principais pesquisadores da \u00e1rea se reuniram para revisar e sintetizar d\u00e9cadas de publica\u00e7\u00f5es e dados sobre os propulsores de mudan\u00e7as ressurgentes na Amaz\u00f4nia \u2014 de catalisadores sociais cada vez mais preocupantes, como o desmatamento, o desenvolvimento de energia hidrel\u00e9trica e minera\u00e7\u00e3o, at\u00e9 inc\u00eandios florestais e tempestades cada vez mais graves \u2014 e suas implica\u00e7\u00f5es mais amplas nos sistemas clim\u00e1ticos regionais e globais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNossa pesquisa mostrou que existem muitas diferen\u00e7as e amea\u00e7as na Bacia Amaz\u00f4nica. Mais estudos ser\u00e3o necess\u00e1rios em toda a extens\u00e3o da bacia, desde a nascente at\u00e9 o mar. Ainda temos pouco conhecimento sobre a influ\u00eancia da captura de carbono dos manguezais na regi\u00e3o, por exemplo\u201d, afirma o professor \u00c2ngelo Bernardino.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Diversidade<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A Bacia Amaz\u00f4nica cont\u00e9m a maior floresta tropical do mundo, que representa mais de&nbsp;<strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/rainforests.mongabay.com\/amazon\/amazon_importance.htm\" target=\"_blank\">60% das florestas tropicais remanescentes no planeta<\/a><\/strong>. Na Bacia Amaz\u00f4nica, dezenas de milh\u00f5es de pessoas dependem do que a floresta proporciona e a Amaz\u00f4nia \u00e9 o lar de mais esp\u00e9cies de plantas e animais do que qualquer outro ecossistema terrestre do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u200b\u201cA Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode mais armazenar o di\u00f3xido de carbono que o mundo est\u00e1 produzindo e n\u00e3o pode compensar nossos erros graves\u201d, disse Tom Lovejoy, pesquisador s\u00eanior de biodiversidade e ci\u00eancia ambiental da&nbsp;<em>United Nations Foundation<\/em>. \u201cPrecisamos que a Amaz\u00f4nia volte ao normal. O desmatamento e a degrada\u00e7\u00e3o t\u00eam que parar. \u00c9 imperativo que protejamos a Amaz\u00f4nia para seu benef\u00edcio pr\u00f3prio e o de todo o planeta\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"799\" height=\"533\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/amazonia-incendio-vinicius-mendonca-ibama.jpg\" alt=\"Inc\u00eandio atingiu a Floresta Amaz\u00f4nica, no estado de Rond\u00f4nia, em 2019\" class=\"wp-image-1559\" \/><figcaption>Inc\u00eandios florestais est\u00e3o entre as causas do aumento da produ\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono e de outros gases que causam o efeito estufa. Foto: Vin\u00edcius Mendon\u00e7a\/Ibama<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conhe\u00e7a as principais descobertas do estudo:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>&#8211; Uma incerteza consider\u00e1vel nos efeitos diretos e indiretos da Amaz\u00f4nia no clima global, e uma incerteza ainda maior na resposta desses &nbsp;<em>feedbacks<\/em> &nbsp;clim\u00e1ticos quanto \u00e0s mudan\u00e7as no uso da terra e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;&#8211;&nbsp;<\/em>Apesar dessas incertezas, ap\u00f3s levar em considera\u00e7\u00e3o o impacto de uma ampla gama de&nbsp;<em>feedbacks&nbsp;<\/em>biof\u00edsicos \u2014 da floresta e do clima \u2014 (isso \u00e9, di\u00f3xido de carbono [CO\u200b<sub>2<\/sub>], mas tamb\u00e9m metano [CH<sub>4<\/sub>], \u00f3xido nitroso [N<sub>2<\/sub>O], albedo, evapotranspira\u00e7\u00e3o, compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis biol\u00f3gicos, oz\u00f4nio e aeross\u00f3is), concluiu-se, pela primeira vez, que o efeito mais prov\u00e1vel da Floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 o aquecimento global.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Esse efeito de aquecimento \u00e9 impulsionado em grande parte pelas emiss\u00f5es de \u00f3xido nitroso (N<sub>2<\/sub>O), carbono negro de inc\u00eandios e metano (CH<sub>4<\/sub>) da Floresta Amaz\u00f4nica, que parecem superar o efeito de resfriamento atmosf\u00e9rico do sequestro de carbono da floresta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O sumidouro de carbono anual da Bacia Amaz\u00f4nica vem diminuindo h\u00e1 algum tempo e as for\u00e7as sociopol\u00edticas que estimulam a perda de florestas est\u00e3o se acelerando. Os&nbsp;<em>feedbacks&nbsp;<\/em>biof\u00edsicos do clima que seguem essas altera\u00e7\u00f5es sugerem que a cont\u00ednua convers\u00e3o da floresta aumentar\u00e1 o aquecimento atmosf\u00e9rico no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Dada a grande contribui\u00e7\u00e3o de&nbsp;<em>feedbacks&nbsp;<\/em>clim\u00e1ticos menos reconhecidos (isso \u00e9, \u00e1rvores amaz\u00f4nicas vivas emitem diretamente aproximadamente 3,5% de&nbsp;todo&nbsp;o metano [CH<sub>4<\/sub>] global emitido para a atmosfera), o foco cont\u00ednuo no carbono florestal (e restrito a ele) \u00e9 incompat\u00edvel com uma genu\u00edna tentativa de se entender e gerenciar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais na Bacia Amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Com informa\u00e7\u00f5es da National Geographic<br>Imagem: ICMBio<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O artigo revisou os impactos do desmatamento e da perda de florestas na regi\u00e3o no di\u00f3xido de carbono e examinou os in\u00fameros agentes de mudan\u00e7a menos reconhecidos, incluindo gases do efeito 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