{"id":1585,"date":"2021-03-26T12:59:16","date_gmt":"2021-03-26T15:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1585"},"modified":"2021-04-13T10:52:00","modified_gmt":"2021-04-13T13:52:00","slug":"pesquisa-paleontologica-indica-evento-de-estresse-climatico-no-ceara-ha-mais-de-100-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/03\/26\/pesquisa-paleontologica-indica-evento-de-estresse-climatico-no-ceara-ha-mais-de-100-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Pesquisa paleontol\u00f3gica indica evento de estresse clim\u00e1tico no Cear\u00e1 h\u00e1 mais de 100 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013&nbsp;Por Lidia Neves \u2013&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um artigo publicado nesta sexta-feira, 26, na revista <a href=\"http:\/\/www.nature.com\/articles\/s41598-021-85953-5\">Scientific Reports<\/a> (do grupo Nature) indica um evento de estresse clim\u00e1tico no Nordeste brasileiro h\u00e1 mais de 100 milh\u00f5es de anos, que levou \u00e0 morte em massa de larvas de um inseto aqu\u00e1tico.&nbsp; Pesquisadores da Ufes, da Universidade Regional do Cariri (Urca) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) localizaram uma grande concentra\u00e7\u00e3o desses insetos, de larvas e de peixes em tamanho menor do que o usual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os f\u00f3sseis foram encontrados na Forma\u00e7\u00e3o Crato, na regi\u00e3o da Chapada do Araripe, no sul do estado do Cear\u00e1, onde h\u00e1 v\u00e1rios materiais geol\u00f3gicos correspondentes ao per\u00edodo do Cret\u00e1ceo Inferior, de 113 a 125 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Naquele per\u00edodo, os continentes africano e sulamericano estavam come\u00e7ando a se separar, formando um oceano estreito e raso entre eles. \u00c0 beira desse oceano, havia um ambiente composto por lagoas com vida animal e vegetal diversificada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta foi a primeira an\u00e1lise tafon\u00f4mica feita neste s\u00edtio arqueol\u00f3gico, estudo que conta a hist\u00f3ria dos eventos ocorridos antes de os organismos se tornarem f\u00f3sseis, e que durou mais de um ano.&nbsp; Segundo a doutoranda do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal (PPGBAN) da Ufes, Arianny Storari, as larvas de insetos pertencem ao grupo Ephemoptera, conhecidos como ef\u00eameras. \u201cEssa localidade \u00e9 muito rica em f\u00f3sseis e, portanto, pequenos ac\u00famulos de mais de tr\u00eas insetos pr\u00f3ximos na mesma camada de rochas s\u00e3o comuns nesta unidade, mas acumula\u00e7\u00f5es de 40 insetos, como as apresentadas nesse estudo in\u00e9dito, s\u00e3o muito raras no registro f\u00f3ssil&#8221;, detalha a pesquisadora, que descreveu, em seu mestrado, um <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2020\/10\/28\/pesquisadora-da-ufes-descreve-fossil-de-nova-especie-de-inseto-raro-milenar-encontrado-no-ceara\/\">f\u00f3ssil de uma nova esp\u00e9cie de ef\u00eamera<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a paleont\u00f3loga e professora Ta\u00edssa Rodrigues, do Departamento de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Ufes, a concentra\u00e7\u00e3o de seres encontrada fortalece a hip\u00f3tese de que eles poderiam estar vivendo em uma coluna de \u00e1gua rasa, profundidade mais prop\u00edcia ao que indiv\u00edduos mais jovens poderiam suportar. \u201cCom base nos padr\u00f5es anat\u00f4micos e de preserva\u00e7\u00e3o das larvas das ef\u00eameras da fam\u00edlia Hexagenitidae e dos peixes do g\u00eanero <em>Dastilbe,<\/em> foi poss\u00edvel compreender mais ainda o ambiente pret\u00e9rito da Forma\u00e7\u00e3o Crato\u201d, afirma.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo aponta que todos os organismos aqu\u00e1ticos (larvas e peixes) na camada de mortalidade estudada exibiram excelente preserva\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apresentaram nenhum tipo de orienta\u00e7\u00e3o no sedimento, o que sugere que morreram no mesmo local em que viveram. Al\u00e9m dos f\u00f3sseis, foram encontrados no local cristais de halita, um mineral que se forma pela precipita\u00e7\u00e3o de sal, o que indica que essas larvas podem ter morrido por um aumento da salinidade, decorrente da diminui\u00e7\u00e3o do volume de \u00e1gua motivado por algum evento clim\u00e1tico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.--1024x683.jpg\" alt=\"\" data-id=\"1588\" data-full-url=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.-.jpg\" data-link=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?attachment_id=1588\" class=\"wp-image-1588\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.--300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.--768x512.jpg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.--1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Pesquisadores-avaliam-orientac\u0327a\u0303o-de-fo\u0301sseis-de-peixes-no-calca\u0301rio.-.jpg 1728w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Pesquisadores no s\u00edtio paleontol\u00f3gico da Forma\u00e7\u00e3o Crato. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1012\" height=\"675\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-do-grupo-Hexagenitidae-proveniente-da-escavac\u0327a\u0303o-controlada.-.jpg\" alt=\"\" data-id=\"1586\" data-full-url=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-do-grupo-Hexagenitidae-proveniente-da-escavac\u0327a\u0303o-controlada.-.jpg\" data-link=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?attachment_id=1586\" class=\"wp-image-1586\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-do-grupo-Hexagenitidae-proveniente-da-escavac\u0327a\u0303o-controlada.-.jpg 1012w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-do-grupo-Hexagenitidae-proveniente-da-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-do-grupo-Hexagenitidae-proveniente-da-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1012px) 100vw, 1012px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Larva de efe\u0302mera do grupo Hexagenitidae, proveniente da escavac\u0327a\u0303o na Forma\u00e7\u00e3o Crato. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.--1024x683.jpg\" alt=\"\" data-id=\"1587\" data-full-url=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.-.jpg\" data-link=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?attachment_id=1587\" class=\"wp-image-1587\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.--1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.--300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.--768x512.jpg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.--1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Calca\u0301rio-com-diversos-cristais-de-halita-preservados.-.jpg 1728w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Calc\u00e1rio com diversos cristais de halita preservados. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-1024x683.jpeg\" alt=\"\" data-id=\"1590\" data-full-url=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles..jpeg\" data-link=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?attachment_id=1590\" class=\"wp-image-1590\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-300x200.jpeg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-768x512.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-1536x1025.jpeg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Larva-de-efe\u0302mera-vivente-de-morfotipo-semelhante-aos-Hexagenitidae.-Foto-de-Frederico-Salles.-2048x1366.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Larva de efe\u0302mera vivente de morfotipo semelhante aos Hexagenitidae. Foto: Frederico Salles<\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--1024x682.jpg\" alt=\"\" data-id=\"1591\" data-full-url=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.-.jpg\" data-link=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?attachment_id=1591\" class=\"wp-image-1591\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--1024x682.jpg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--768x512.jpg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/03\/Paleonto\u0301logo-A\u0301lamo-Saraiva-durante-escavac\u0327a\u0303o-controlada.--2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Paleont\u00f3logo \u00c1lamo Saraiva durante a escava\u00e7\u00e3o. Foto: divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><figcaption class=\"blocks-gallery-caption\">Estudo paleontol\u00f3gico da morte de ef\u00eameras na Forma\u00e7\u00e3o Crato aponta evento de estresse clim\u00e1tico <\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Paleont\u00f3logos localizaram uma grande concentra\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis de insetos aqu\u00e1ticos, larvas e peixes em tamanho menor do que o 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