{"id":1609,"date":"2021-04-08T13:01:43","date_gmt":"2021-04-08T16:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1609"},"modified":"2021-04-15T12:33:01","modified_gmt":"2021-04-15T15:33:01","slug":"excesso-de-manganes-em-peixes-do-rio-doce-ameaca-saude-humana-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/04\/08\/excesso-de-manganes-em-peixes-do-rio-doce-ameaca-saude-humana-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Excesso de mangan\u00eas em peixes do Rio Doce amea\u00e7a sa\u00fade humana, mostra estudo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>\u2013\u00a0Por Sueli de Freitas \u2013\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em artigo publicado recentemente na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.envint.2020.106284\">Environment International<\/a>, pesquisadores revelam alta concentra\u00e7\u00e3o de mangan\u00eas em solos e \u00e1gua no estu\u00e1rio do Rio Doce, em Reg\u00eancia (ES), com consequentes elevados teores do metal em duas esp\u00e9cies de peixes: o bagre amarelo (<em>Cathoropus spixii<\/em>) e o peixe-gato marinho (<em>Genidens genidens<\/em>). Esses peixes s\u00e3o alimentos comuns entre os moradores da regi\u00e3o, o que coloca em risco a sa\u00fade dos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEm grandes concentra\u00e7\u00f5es no organismo humano, o mangan\u00eas pode comprometer o sistema nervoso central e levar a doen\u00e7as neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer\u201d, afirma o professor do Departamento de Oceanografia da Ufes \u00c2ngelo Bernardino, coordenador da Rede de Solos e Bentos Rio Doce e um dos autores do artigo. Segundo ele, um outro estudo da Rede, que \u00e9 financiada pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo&nbsp;(Fapes) e pela Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CNPq), est\u00e1 analisando os riscos da presen\u00e7a de metais para a sa\u00fade humana atrav\u00e9s de m\u00faltiplas fontes de contamina\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o de Reg\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No artigo, os autores tratam da grande quantidade de mangan\u00eas resultante da trag\u00e9dia ambiental ocorrida em 2015 na barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco, no munic\u00edpio de Mariana (MG), quando foram liberados 43 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos ricos em ferro no Rio Doce, uma das maiores bacias hidrogr\u00e1ficas do pa\u00eds. Os rejeitos percorreram 688 km rio abaixo e atingiram o estu\u00e1rio e o oceano 16 dias ap\u00f3s o rompimento da barragem. \u201cO desastre representou uma das maiores falhas de barragem de rejeitos j\u00e1 registradas e o maior desastre ambiental da hist\u00f3ria da minera\u00e7\u00e3o no Brasil, tamb\u00e9m matando 19 pessoas e causando extensos danos ecol\u00f3gicos, econ\u00f4micos, sociais e culturais\u201d, lembram os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Bernardino, com o tempo, o mangan\u00eas foi se dissociando dos rejeitos de ferro e se diluindo na \u00e1gua do estu\u00e1rio. Ele conta que amostras dos peixes e da \u00e1gua foram coletadas e analisadas sete dias ap\u00f3s a chegada dos rejeitos, em 2015, e novamente dois anos ap\u00f3s o rompimento da barragem. Em 2017, foi constatado um aumento de 880% do mangan\u00eas dissolvido na \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/04\/analise-manganes-angelo-bernardino-ufes.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1611\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/04\/analise-manganes-angelo-bernardino-ufes.jpeg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/04\/analise-manganes-angelo-bernardino-ufes-225x300.jpeg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption>Pesquisador analisa presen\u00e7a de mangan\u00eas na \u00e1gua do Rio Doce. Foto: Prof. Angelo Bernardino\/Ufes<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Potencial de contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mangan\u00eas \u00e9 um elemento abundante nos ecossistemas terrestres e costeiros e um micronutriente essencial nos processos metab\u00f3licos de plantas e animais. Em situa\u00e7\u00f5es normais, n\u00e3o \u00e9 considerado um elemento potencialmente t\u00f3xico devido ao seu baixo teor tanto no solo quanto na \u00e1gua. \u201cAqui, avaliamos o potencial de contamina\u00e7\u00e3o do estu\u00e1rio do Rio Doce ap\u00f3s o colapso da maior barragem de rejeitos de mina do mundo, resultando potencialmente em exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica \u00e0 vida aqu\u00e1tica local e de humanos\u201d, afirmam os pesquisadores no artigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo mostrou que o alto conte\u00fado de mangan\u00eas no f\u00edgado dos peixes \u00e9 indicativo de exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ou aguda, dada a fun\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o no armazenamento, redistribui\u00e7\u00e3o e metabolismo de contaminantes. O metal tamb\u00e9m foi encontrado no tecido muscular dos peixes, o que representa um alto risco para a sa\u00fade humana da comunidade local porque os m\u00fasculos s\u00e3o consumidos por humanos, como&nbsp;<a href=\"https:\/\/peerj.com\/articles\/10266\/\">j\u00e1 demonstrado em trabalhos anteriores da Rede<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, o consumo de alimentos \u00e9 a principal via de exposi\u00e7\u00e3o ao mangan\u00eas para humanos, com a concentra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia em fontes de prote\u00ednas b\u00e1sicas como carne bovina, aves e peixes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores alertam que a libera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de mangan\u00eas dos solos estuarinos levar\u00e1 ao seu ac\u00famulo em outras esp\u00e9cies de peixes, caranguejos, plantas e ostras, todas importantes fontes de alimento para as pessoas da regi\u00e3o. \u201cUma ingest\u00e3o constante de alimentos com altas concentra\u00e7\u00f5es de mangan\u00eas a longo prazo pode expor a popula\u00e7\u00e3o local a efeitos adversos \u00e0 sa\u00fade humana como dist\u00farbio neurodegenerativo, toxicidades cardiovasculares e danos ao f\u00edgado\u201d, dizem no artigo.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Recupera\u00e7\u00e3o do estu\u00e1rio<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o professor Bernardino, alguns estudos est\u00e3o sendo efetuados no sentido de recuperar o estu\u00e1rio. \u201cNosso grupo est\u00e1 avaliando duas formas. Uma delas \u00e9&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mdpi.com\/2075-163X\/11\/2\/201\/htm\">o tratamento de solos com sulfato<\/a>, o que pode fazer com que os metais se prendam ao ferro nos solos e n\u00e3o contaminem a fauna. A outra alternativa \u00e9 o uso da taboa, uma planta herb\u00e1cea que tem grande capacidade de ac\u00famulo de metais\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Texto: Sueli de Freitas<br>Imagem: Angelo Bernardino<br>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013\u00a0Por Sueli de Freitas \u2013\u00a0 Em artigo publicado recentemente na revista\u00a0Environment International, pesquisadores revelam alta concentra\u00e7\u00e3o de mangan\u00eas em solos e \u00e1gua no estu\u00e1rio do <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/04\/08\/excesso-de-manganes-em-peixes-do-rio-doce-ameaca-saude-humana-mostra-estudo\/\" title=\"Excesso de mangan\u00eas em peixes do Rio Doce amea\u00e7a sa\u00fade humana, mostra estudo\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":285,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[39],"class_list":["post-1609","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-desastre-de-mariana"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",1444,960,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",150,100,false],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",300,199,false],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",768,511,false],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",1024,681,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",1444,960,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",1444,960,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",659,438,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",573,381,false],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",678,451,false],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",326,217,false],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/12\/DSC_0150-post.jpg",80,53,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"\u2013\u00a0Por Sueli de Freitas \u2013\u00a0 Em artigo publicado recentemente na revista\u00a0Environment International, pesquisadores revelam alta concentra\u00e7\u00e3o de mangan\u00eas em solos e \u00e1gua no estu\u00e1rio do [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1609"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1628,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1609\/revisions\/1628"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/285"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}