{"id":1684,"date":"2021-05-10T10:49:30","date_gmt":"2021-05-10T13:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1684"},"modified":"2021-05-27T09:26:05","modified_gmt":"2021-05-27T12:26:05","slug":"maioria-das-pesquisas-sobre-decolonizacao-no-ensino-superior-vem-de-ex-colonias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/05\/10\/maioria-das-pesquisas-sobre-decolonizacao-no-ensino-superior-vem-de-ex-colonias\/","title":{"rendered":"Maioria das pesquisas sobre decoloniza\u00e7\u00e3o no ensino superior vem de ex-col\u00f4nias"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Mikaella Mozer* &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Das pesquisas que buscam entender o processo de decoloniza\u00e7\u00e3o no ensino superior, 52% v\u00eam do continente africano. Em conjunto com a \u00c1sia e a Oceania, a porcentagem sobe para 65%. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 origem dos autores, 47,4% s\u00e3o da \u00c1frica do Sul, que \u00e9 seguida pelos Estados Unidos, com 12,4%, e pelo Reino Unido, com 8,3%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses dados s\u00e3o frutos de pesquisa realizada no \u00e2mbito do <a href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/tag\/print-ufes\/\"><strong>Programa Institucional de Internacionaliza\u00e7\u00e3o da Ufes<\/strong><\/a><strong> <\/strong>(PrInt-Ufes), pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o (PPGE), pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Pol\u00edtica Social (PPGPS) e por pesquisadores da \u00c1frica do Sul, da Nig\u00e9ria e da It\u00e1lia, atuantes na Universidade de Coventry, na Inglaterra, com o intuito de conhecer e analisar quem faz e de onde v\u00eam os estudos focados em decoloniza\u00e7\u00e3o no campo acad\u00eamico. O estudo foi publicado no <a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/14767724.2021.1887724?src=\"><em>Globalization, Education and Societies Journal<\/em><\/a><em>, <\/em>peri\u00f3dico considerado pelo Scopus como Q1, classifica\u00e7\u00e3o mais alta dada a 25% das revistas cient\u00edficas com maior impacto em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo da pesquisa \u00e9 resultado do per\u00edodo em que Rafael Teixeira, professor do PPGPS, atuou como professor visitante j\u00fanior na Coventry University com a bolsa PrInt da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes), que visa \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o entre universidades brasileiras e estrangeiras em pesquisas, confer\u00eancias e interc\u00e2mbios de pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de o resultado apontar que a maioria dos trabalhos sobre decoloniza\u00e7\u00e3o no ensino superior vem de ex-col\u00f4nias, a pesquisa mostra que a maior parte das publica\u00e7\u00f5es foi feita em peri\u00f3dicos europeus, sendo 45 brit\u00e2nicos, seis su\u00ed\u00e7os e seis holandeses; e estadunidenses (21 revistas). No total, as publica\u00e7\u00f5es nessas regi\u00f5es dominaram 81,25% dos peri\u00f3dicos. O corpo editorial segue a mesma linha, com 61,45% de presen\u00e7a de estadunidenses e brit\u00e2nicos. Na base de dados SCImago, 55% dos peri\u00f3dicos s\u00e3o do Reino Unido e dos Estados Unidos. Segundo a pesquisa, isso demonstra a invisibilidade da ci\u00eancia perif\u00e9rica ao p\u00fablico internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para chegar nesse resultado, os pesquisadores analisaram 134 artigos escritos de 1985 a 2020 e publicados em 96 peri\u00f3dicos diferentes, encontrados no banco de dados Scopus e que continham as palavras-chave \u201cdecoloniza\u00e7\u00e3o\u201d, suas varia\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas, e \u201censino superior\u201d, sendo todos eles publicados em l\u00edngua inglesa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Curr\u00edculo<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O curr\u00edculo, t\u00f3pico que representa 19,4% dos artigos analisados, \u00e9 considerado uma parte central da discuss\u00e3o sobre a decoloniza\u00e7\u00e3o no ensino superior por ser, de acordo com os pesquisadores, um tema estrat\u00e9gico, pois envolve um campo de disputas. Por um lado, \u00e9 pelo curr\u00edculo que se reconhece&nbsp; o processo de opress\u00e3o e, por isso, \u00e9 proposta uma reforma curricular; por outro lado, ele \u00e9 um dispositivo reduzido meramente a um esquematismo prescritivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O levantamento afirma que pensar a decoloniza\u00e7\u00e3o a partir de uma reforma curricular envolve a afirma\u00e7\u00e3o de que outros conhecimentos s\u00e3o produzidos e precisam ser legitimados nas universidades como forma de romper as v\u00e1rias formas de opress\u00e3o. Um exemplo, dentre muitos dados na pesquisa, \u00e9 o da \u00c1frica do Sul, onde os artigos discutem sobre uma reforma baseada no Ubuntu-Currere; a inclus\u00e3o dos conhecimentos ind\u00edgenas africanos no ensino superior como meio descolonizador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor n\u00e3o ser um campo de conhecimentos neutro ou desinteressado, como nos diz Apple, mas um mecanismo de poder, \u00e9 necess\u00e1rio questionar o porqu\u00ea desses conhecimentos (europeus) serem importantes e n\u00e3o outros. Quem decide quais conhecimentos devem fazer parte do curr\u00edculo ou ser deixados de fora? Que rela\u00e7\u00f5es de poder est\u00e3o envolvidas no processo de selecionar o que \u00e9 considerado importante e o que n\u00e3o \u00e9? Devemos entender que, por envolver um campo de disputas, o curr\u00edculo tem rela\u00e7\u00e3o com um projeto pol\u00edtico de produ\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de conhecimentos\u201d, diz a pesquisadora T\u00e2nia Delboni, do PPGE.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Outras tem\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os protestos estudantis tamb\u00e9m s\u00e3o fortes catalisadores nesse processo. O <em>#Fee Must Fall<\/em> (As Taxas Devem Cair) na \u00c1frica, em 2015, \u00e9 o que mais aparece nos artigos. Esse movimento estudantil criticou os aumentos das mensalidades nas universidades desses pa\u00edses e incentivou as pesquisas destinadas \u00e0 decoloniza\u00e7\u00e3o no meio educacional. Existiam poucos feitos em 2009, que se multiplicaram a partir de 2015 com os protestos. De acordo com o professor Rafael Teixeira, a situa\u00e7\u00e3o incentivou as pessoas a pesquisar sobre esse t\u00f3pico ao perceberem que, al\u00e9m das taxas dificultarem o acesso ao ensino, os conte\u00fados dados s\u00e3o colonizados, o que suprime os conhecimentos africanos em diversas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPara as universidades europeias, a diversidade e a decoloniza\u00e7\u00e3o de seus estudos s\u00e3o feitas por meio da inclus\u00e3o de n\u00e3o europeus na bibliografia (escritos ou traduzidos para a l\u00edngua inglesa), algo que, para n\u00f3s, pa\u00edses colonizados, sabemos que vai al\u00e9m disso. A partir dessa percep\u00e7\u00e3o, meus colegas e eu resolvemos aprofundar nisso, buscando e entendendo as diferentes perspectivas te\u00f3ricas e tamb\u00e9m trazendo um conjunto de men\u00e7\u00f5es que transcendam o uso da palavra \u2018decoloniza\u00e7\u00e3o\u2019\u201d, conta Teixeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As vozes do g\u00eanero feminino, conforme a pesquisa evidenciou, precisam de mais aten\u00e7\u00e3o. Isso porque, ainda que as mulheres representem 51% dos autores dos artigos encontrados, n\u00e3o h\u00e1 muitos estudos baseados na discuss\u00e3o de g\u00eanero no processo de decoloniza\u00e7\u00e3o, principalmente no tema de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ademais, a educa\u00e7\u00e3o foi a \u00e1rea de maior debate, seguido pela quest\u00e3o \u00e9tnico-racial. Foram encontrados tamb\u00e9m conte\u00fados sobre Engenharia (Tecnologia), Sa\u00fade, Direito, Artes, Lingu\u00edstica, Teologia, Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diversidade de vozes e vis\u00f5es dentro da pesquisa, para a coordenadora do estudo, Maria L\u00facia Garcia, mostra a import\u00e2ncia do processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o, principalmente nesse caso: \u201cNessa pesquisa temos a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pesquisadores brasileiros, um italiano e tr\u00eas de pa\u00edses africanos. Com isso, conseguimos ver diferen\u00e7as; ter esse contato \u00e9 enriquecedor para a constru\u00e7\u00e3o de novas parcerias e adensamento do objetivo em tela\u201d, conclui. A pesquisadora aponta a necessidade de um levantamento sobre essa tem\u00e1tica com artigos em idiomas que n\u00e3o sejam o ingl\u00eas para se ter uma dimens\u00e3o ainda mais abrangente do conte\u00fado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* Bolsista de Comunica\u00e7\u00e3o em projeto de pesquisa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisa publicada em revista de alto impacto acad\u00eamico foi realizada por pesquisadores do Brasil, da \u00c1frica do Sul, da Nig\u00e9ria e da It\u00e1lia, em parceria da Ufes com a Universidade de Coventry, na Inglaterra.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":1685,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[91],"class_list":["post-1684","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online","tag-print-ufes"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc.jpeg",1024,317,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-150x150.jpeg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-300x93.jpeg",300,93,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-768x238.jpeg",768,238,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc.jpeg",1024,317,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc.jpeg",1024,317,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc.jpeg",1024,317,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc.jpeg",1024,317,false],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-678x317.jpeg",678,317,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-678x317.jpeg",678,317,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-326x245.jpeg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/Mural-presencia-america-latina-farisori-cc-80x60.jpeg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pesquisa publicada em revista de alto impacto acad\u00eamico foi realizada por pesquisadores do Brasil, da \u00c1frica do Sul, da Nig\u00e9ria e da It\u00e1lia, em parceria da Ufes com a Universidade de Coventry, na Inglaterra.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1684"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1702,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1684\/revisions\/1702"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}