{"id":1722,"date":"2021-06-01T11:37:38","date_gmt":"2021-06-01T14:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=1722"},"modified":"2021-06-14T09:05:23","modified_gmt":"2021-06-14T12:05:23","slug":"estudo-busca-recontar-a-historia-da-biodiversidade-a-partir-da-analise-de-dna-de-insetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/06\/01\/estudo-busca-recontar-a-historia-da-biodiversidade-a-partir-da-analise-de-dna-de-insetos\/","title":{"rendered":"Estudo busca recontar a hist\u00f3ria da biodiversidade a partir da an\u00e1lise de DNA de insetos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Lidia Neves &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo publicado por pesquisadores da Ufes compreender a hist\u00f3ria evolutiva de insetos da ordem Ephemeroptera, popularmente conhecidas como ef\u00eameras, e sua rela\u00e7\u00e3o com a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do continente sul-americano e a biodiversidade. O estudo, publicado no <a href=\"https:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/epdf\/10.1111\/jzs.12477\"><em>Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research,<\/em><\/a> aponta a forma\u00e7\u00e3o de diferentes g\u00eaneros a partir da separa\u00e7\u00e3o do supercontinente que havia no hemisf\u00e9rio sul do planeta Terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a an\u00e1lise, coordenada por pesquisadores da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (Ufes), em parceria com a Universidade Federal de Vi\u00e7osa (UFV) e a Universidade de La Trobe (Austr\u00e1lia), foi feito o sequenciamento gen\u00e9tico de 76 indiv\u00edduos de 14 esp\u00e9cies pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Leptophlebiidae, subfam\u00edlia Atalophlebiinae. O material foi coletado na Mata Atl\u00e2ntica brasileira, Venezuela e Austr\u00e1lia e pertence \u00e0 Cole\u00e7\u00e3o Zool\u00f3gica Norte Capixaba e ao Museu de Entomologia da UFV.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses sequenciamentos foram comparados com informa\u00e7\u00f5es de 59 sequ\u00eancias gen\u00e9ticas de ef\u00eameras dispon\u00edveis no GenBank, um banco p\u00fablico de dados e sequenciamentos gen\u00e9ticos, mantido pelo <em>National Center for Biotechnology Information (NCBI, <\/em>em portugu\u00eas, Centro Nacional de Informa\u00e7\u00e3o Biotecnol\u00f3gica), dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Comparando as sequ\u00eancias de DNA, o doutorando do Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal (PPGBAN) da Ufes Felipe Gatti agrupou os g\u00eaneros mais pr\u00f3ximos, e, em seguida, calibrou essas rela\u00e7\u00f5es no tempo geol\u00f3gico usando informa\u00e7\u00f5es de f\u00f3sseis, como sua posi\u00e7\u00e3o na \u00e1rvore da vida e sua data. &#8220;Nosso objetivo \u00e9 entender como esse grupo de insetos, um dos mais antigos do mundo, evoluiu e se distribuiu pelo planeta, conforme os eventos geol\u00f3gicos que ocorreram h\u00e1 milh\u00f5es de anos&#8221;, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-ninfa-frederico-salles-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1724\" srcset=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-ninfa-frederico-salles-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-ninfa-frederico-salles-300x200.jpg 300w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-ninfa-frederico-salles-768x512.jpg 768w, https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-ninfa-frederico-salles.jpg 1292w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Ef\u00eamera na fase de ninfa. Foto: Frederico Salles<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre os f\u00f3sseis utilizados no estudo est\u00e1 o da nova esp\u00e9cie de ef\u00eamera descrita por Arianny Storari, tamb\u00e9m doutoranda no PPGBAN-Ufes (<a href=\"https:\/\/www.ufes.br\/conteudo\/pesquisadora-da-ufes-descreve-fossil-de-nova-especie-de-inseto-raro-milenar\">saiba mais<\/a>). A rocha onde o f\u00f3ssil foi encontrado \u00e9 datada do Cret\u00e1ceo Inferior, entre 113 e 125 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando o antigo supercontinente Gondwana do Oeste estava come\u00e7ando a se separar, dando origem aos atuais continentes da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Oceano Atl\u00e2ntico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa \u00e9 orientada pelo professor Yuri Leite, que se dedica a estudar a diversidade biol\u00f3gica da Am\u00e9rica do Sul. &#8220;A Am\u00e9rica do Sul possui uma das maiores biodiversidades do planeta e nosso estudo busca compreender por que temos tantas esp\u00e9cies. Por meio do DNA, buscamos reconstituir a hist\u00f3ria da biodiversidade&#8221;, detalha Leite. Isso \u00e9 consequ\u00eancia do fato de que Am\u00e9rica do Sul foi uma grande ilha (separada de Gondwana) por cerca de 30 milh\u00f5es de anos e se conectou com a Am\u00e9rica Central, pelo Istmo do Panam\u00e1, h\u00e1 aproximadamente 3 milh\u00f5es de anos, havendo interc\u00e2mbio de biodiversidade entre os dois continentes. Al\u00e9m da grande diversidade, o continente sul-americano conta com muitos endemismos, ou seja, casos de plantas e animais que s\u00f3 ocorrem nessa regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Biodiversidade e forma\u00e7\u00e3o do continentes<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo analisou o impacto que a separa\u00e7\u00e3o de Gondwana teve na origem e diversifica\u00e7\u00e3o das <a href=\"http:\/\/ephemeroptera.com.br\/\">ef\u00eameras<\/a>. Ap\u00f3s agrupar as esp\u00e9cies, foi feita a calibragem de datas de diverg\u00eancia para verificar suas hist\u00f3rias evolutivas, cruzando as informa\u00e7\u00f5es dos f\u00f3sseis com dados de eventos geol\u00f3gicos, probabilidades de dispers\u00e3o e pesquisas anteriores sobre o tema.<\/p>\n\n\n\n<p>A separa\u00e7\u00e3o de Gondwana ocorreu na \u00e9poca dos dinossauros, em duas fases. Na primeira etapa, h\u00e1 180 milh\u00f5es de anos (no per\u00edodo geol\u00f3gico conhecido como Jur\u00e1ssico), separando Am\u00e9rica do Sul e a \u00c1frica ficaram para um lado e, para o outro, Madagascar, \u00cdndia, Ant\u00e1rtida, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia, mantendo uma conex\u00e3o por terra entre a Am\u00e9rica do Sul e a Ant\u00e1rtida, que nesse per\u00edodo ainda n\u00e3o estava congelada.&nbsp; A segunda fase da separa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou h\u00e1 135 milh\u00f5es de anos (no Cret\u00e1ceo) e resultou na separa\u00e7\u00e3o de Madagascar e \u00cdndia da Ant\u00e1rtida, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/6V-4Tn9wWhnqc1UF8hgOI1PYva7FOd5AW8rGyBPRLoWYX3m6_Nlvg0CgrGsWvWTXRtL8u63UYi6Z2SWr5uuLOyjRVA1MvJ8RX6dEJd89NTp21AA5oiIZEJIqTuOqornwGSguJgI\" alt=\"\" \/><figcaption><em>In\u00edcio da primeira (A) e segunda (B) fase de separa\u00e7\u00e3o da Gondwana h\u00e1 180 e 120 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s (maa), respectivamente. Continentes separados e Ant\u00e1rtida congelada (C) no final do processo h\u00e1 35 maa. Atuais regi\u00f5es de ocorr\u00eancia das esp\u00e9cies de ef\u00eameras pertencentes a subfam\u00edlia Atalophlebiinae, configurando uma distribui\u00e7\u00e3o disjunta (D). Fonte: Pesquisadores\/Paleomap<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O estudo concluiu que, nessa fase de separa\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie ancestral de ef\u00eamera foi dividida em dois grupos: um ficou em Gondwana e deu origem \u00e0 subfam\u00edlia Atalophlebiinae e o outro grupo seguiu sua hist\u00f3ria evolutiva independente, na massa de terra formada por Madagascar e \u00cdndia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ap\u00f3s a completa separa\u00e7\u00e3o da Gondwana e o congelamento da Ant\u00e1rtida, h\u00e1 aproximadamente 35 milh\u00f5es de anos, as esp\u00e9cies que se originaram a partir desse ancestral ficaram isoladas em regi\u00f5es de clima temperado e montanhosas da Am\u00e9rica do Sul, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia. Esse fen\u00f4meno \u00e9 denominado distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica disjunta, ou seja, a subfam\u00edlia \u00e9 encontrada em massas de terra isoladas umas das outras&#8221;, detalha Gatti.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ef\u00eamera duradoura&nbsp;<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Os insetos da ordem Ephemeroptera t\u00eam como caracter\u00edstica uma vida ef\u00eamera: suas formas imaturas, conhecidas como ninfas, se desenvolvem nos rios, c\u00f3rregos e lagos, e quando se tornam adultos alados, vivem apenas alguns dias ou horas, por isso s\u00e3o conhecidos como ef\u00eameras. &#8220;Mas apesar de terem uma vida ef\u00eamera, sua hist\u00f3ria, escrita no DNA h\u00e1 milh\u00f5es de anos, continua sendo passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, se misturando com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do nosso planeta e podendo ser lida e interpretada pela ci\u00eancia nos dias de hoje&#8221;, completa Gatti.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa conta com financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo (Fapes), da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Para lembrar<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o b\u00e1sica dos seres vivos em ordem decrescente \u00e9: reino, filo, classe, ordem, fam\u00edlia (subfam\u00edlia), g\u00eanero e esp\u00e9cie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisa aponta a forma\u00e7\u00e3o de diferentes g\u00eaneros a partir da separa\u00e7\u00e3o do supercontinente que havia no hemisf\u00e9rio sul do planeta Terra<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":1723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-1722","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles.jpg",1206,844,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-300x210.jpg",300,210,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-768x537.jpg",768,537,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-1024x717.jpg",1024,717,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles.jpg",1206,844,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles.jpg",1206,844,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/05\/efemera-subadulto-frederico-salles-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":2,"uagb_excerpt":"Pesquisa aponta a forma\u00e7\u00e3o de diferentes g\u00eaneros a partir da separa\u00e7\u00e3o do supercontinente que havia no hemisf\u00e9rio sul do planeta Terra","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1722"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1730,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1722\/revisions\/1730"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}