{"id":193,"date":"2018-06-13T10:48:16","date_gmt":"2018-06-13T13:48:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=193"},"modified":"2019-08-08T11:36:03","modified_gmt":"2019-08-08T14:36:03","slug":"lei-do-feminicidio-aplicacao-professora-brunela-de-vincenzi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/13\/lei-do-feminicidio-aplicacao-professora-brunela-de-vincenzi\/","title":{"rendered":"Lei do Feminic\u00eddio ainda encontra dificuldades em sua aplica\u00e7\u00e3o, diz professora Brunela de Vincenzi"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_194\" aria-describedby=\"caption-attachment-194\" style=\"width: 333px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-194\" src=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2018\/06\/Brunela-Vincenzi_Arquivo-pessoal.jpg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\"><figcaption id=\"caption-attachment-194\" class=\"wp-caption-text\">Professora Brunela Vincenzi, coordenadora do<br \/>Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre Viol\u00eancia Contra<br \/>Mulheres no Esp\u00edrito Santo (Lapavim-ES). Foto: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Por Lorraine Paix\u00e3o \u2013<\/em><\/p>\n<p>A professora do Departamento de Direito da Ufes, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre Viol\u00eancia Contra Mulheres no Esp\u00edrito Santo (Lapavim-ES) e presidente da Comiss\u00e3o Permanente de Direitos Humanos, Brunela Vieira de Vincenzi, conversou com a reportagem da revista Universidade sobre a Lei Maria da Penha (Lei n\u00b0 11.340\/2006), institu\u00edda para coibir a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de prevenir, punir e erradicar a viol\u00eancia contra a mulher; e a Lei do Feminic\u00eddio (Lei n\u00ba 13.104\/2015) que altera o c\u00f3digo penal para prever o feminic\u00eddio como um tipo de homic\u00eddio qualificado e inclu\u00ed-lo no rol dos crimes hediondos. Na pr\u00e1tica, isso quer dizer que casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar ou menosprezo e discrimina\u00e7\u00e3o contra a condi\u00e7\u00e3o de mulher passam a ser vistos como qualificadores do crime. Confira a entrevista.<\/p>\n<p><strong>Revista Universidade: A Lei Maria da Penha e a Lei do Feminic\u00eddio est\u00e3o funcionando efetivamente?<\/strong><\/p>\n<p><em>Brunela Vincenzi:<\/em><\/p>\n<p>A Lei Maria da Penha funciona mais do que a Lei do Feminic\u00eddio. Podemos dizer que a Lei Maria da Penha \u00e9 uma lei que \u201cpegou\u201d, como dizemos no Brasil. A do feminic\u00eddio ainda encontra dificuldades na sua aplica\u00e7\u00e3o, pois v\u00e1rios aplicadores da lei \u2013 desde as delegacias de pol\u00edcia at\u00e9 os tribunais \u2013 tendem a n\u00e3o enquadrar o crime contra a mulher como feminic\u00eddio.<\/p>\n<p><strong>As duas leis citadas s\u00e3o aplicadas ap\u00f3s a viol\u00eancia. Ou seja, n\u00e3o previnem, apenas punem. O que temos feito para prevenir a viol\u00eancia contra a mulher?<\/strong><\/p>\n<p>A aplica\u00e7\u00e3o das leis em si tem o efeito de impedir a nova pr\u00e1tica de viol\u00eancia de g\u00eanero. \u00c9 o que chamamos de efeito educativo e pacificador do direito. Al\u00e9m desses efeitos, tenho a impress\u00e3o tamb\u00e9m de que o estabelecimento de cotas para a participa\u00e7\u00e3o parit\u00e1ria de mulheres na pol\u00edtica, na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, nas universidades, nas empresas vai contribuir para a maior inclus\u00e3o das mulheres na sociedade, o aumento da sua autoestima, o reconhecimento de direitos e o seu empoderamento frente a casos de amea\u00e7a de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<\/strong> <a href=\"http:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/12\/violencia-contra\u2026r-a-mao-para-mim\/\">Viol\u00eancia contra a mulher: &#8220;voc\u00ea vai se arrepender de levantar a m\u00e3o para mim&#8221;<\/a><\/p>\n<p><strong>O caso do assassinato da m\u00e9dica Milena Gottardi, com a pris\u00e3o de seus assassinos, foi bem r\u00e1pido. Foi uma exce\u00e7\u00e3o? Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, infelizmente foi uma exce\u00e7\u00e3o. Mas esperamos que seja tamb\u00e9m o in\u00edcio de uma nova pol\u00edtica de seguran\u00e7a p\u00fablica no Estado. A exce\u00e7\u00e3o pode ter ocorrido porque \u00e9 o momento de mudan\u00e7a na pol\u00edtica de seguran\u00e7a no Estado ou pode ter sido uma resposta ao clamor p\u00fablico que se formou a partir da morte de uma mulher branca, m\u00e9dica e com representatividade na classe m\u00e9dia capixaba. Infelizmente, a realidade \u00e9 que a maioria dos casos de viol\u00eancia contra mulher reportados nas delegacias \u00e9 contra mulheres negras e pobres.<\/p>\n<p><strong>Quando uma mulher sofre viol\u00eancia e vai \u00e0 delegacia denunciar, por quem ela \u00e9 atendida? Temos profissionais preparados para o atendimento?<\/strong><\/p>\n<p>A Lei Maria da Penha exige a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais e uma estrutura de delegacias e varas especializadas. Todavia, ouvimos relatos de que a forma\u00e7\u00e3o profissional nessas inst\u00e2ncias ainda deixa a desejar quanto ao acolhimento da dor e do sofrimento da mulher que procura ajuda.<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia f\u00edsica, que pode levar inclusive \u00e0 morte, geralmente \u00e9 o \u00faltimo ato. O que antecede tudo isso e como ficar mais em alerta?<\/strong><\/p>\n<p>Antes disso, acontece uma s\u00e9rie de desrespeitos e humilha\u00e7\u00f5es. Nunca \u00e9 poss\u00edvel antever a morte de algu\u00e9m, todavia, em caso de repetidas formas de viol\u00eancia, \u00e9 necess\u00e1rio procurar ajuda nos centros de refer\u00eancia dos munic\u00edpios. Vizinhos, amigos e familiares podem fazer esse pedido de ajuda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>\u2013 Por Lorraine Paix\u00e3o \u2013 A professora do Departamento de Direito da Ufes, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre Viol\u00eancia Contra Mulheres no Esp\u00edrito Santo <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2018\/06\/13\/lei-do-feminicidio-aplicacao-professora-brunela-de-vincenzi\/\" title=\"Lei do Feminic\u00eddio ainda encontra dificuldades em sua aplica\u00e7\u00e3o, diz professora Brunela de Vincenzi\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":338,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[2,9],"tags":[],"class_list":["post-193","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-edicao008","category-noticias"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"mh-magazine-lite-slider":false,"mh-magazine-lite-content":false,"mh-magazine-lite-large":false,"mh-magazine-lite-medium":false,"mh-magazine-lite-small":false},"uagb_author_info":{"display_name":"daniel.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/daniel_de-souza-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u2013 Por Lorraine Paix\u00e3o \u2013 A professora do Departamento de Direito da Ufes, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre Viol\u00eancia Contra Mulheres no Esp\u00edrito Santo [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/338"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=193"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":612,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/193\/revisions\/612"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}