{"id":2068,"date":"2021-12-13T13:08:57","date_gmt":"2021-12-13T16:08:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2068"},"modified":"2021-12-28T10:14:12","modified_gmt":"2021-12-28T13:14:12","slug":"estudo-mostra-impactos-da-violencia-emocional-na-vida-de-criancas-e-adultos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/12\/13\/estudo-mostra-impactos-da-violencia-emocional-na-vida-de-criancas-e-adultos\/","title":{"rendered":"Estudo mostra impactos da viol\u00eancia emocional na vida de crian\u00e7as e adultos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia emocional pode n\u00e3o deixar marcas vis\u00edveis, mas a dor intensa que ela provoca traz consequ\u00eancias negativas nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais e no comportamento do indiv\u00edduo vitimado na inf\u00e2ncia ou na adolesc\u00eancia. Esse foi o objeto da tese da doutora em Psicologia Catarina Gordiano, orientada pela professora Edinete Rosa, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia (PPGP) da Ufes. O trabalho est\u00e1 condensado na cartilha&nbsp;<em><strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.pimentacultural.com\/violencia-emocional\" target=\"_blank\">Viol\u00eancia emocional contra crian\u00e7as e adolescentes no contexto familiar<\/a><\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A tese foi constitu\u00edda de tr\u00eas estudos. O primeiro tratou de uma revis\u00e3o da literatura sobre o tema para \u201cidentificar as repercuss\u00f5es da viol\u00eancia emocional intrafamiliar vivenciada na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia em artigos cient\u00edficos\u201d. O segundo buscou tra\u00e7ar \u201cum panorama das viol\u00eancias (f\u00edsica, emocional e sexual) vivenciadas no contexto familiar\u201d por um grupo de 600 alunos da Ufes que responderam a um question\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os participantes relataram experi\u00eancias de viol\u00eancias f\u00edsica e emocional: chineladas (88%); tapas (84%); belisc\u00f5es (69%) e surras (53%); desvaloriza\u00e7\u00e3o e xingamentos (74%); amea\u00e7as em geral (68%); desd\u00e9m, isolamento ou rejei\u00e7\u00e3o (58%) entre outras. No que tange \u00e0 viol\u00eancia sexual, insinua\u00e7\u00f5es, encena\u00e7\u00f5es e gestos obscenos (23%) e toques em partes \u00edntimas (23%) foram as op\u00e7\u00f5es citadas. Tios, primos, amigos da fam\u00edlia e vizinhos est\u00e3o entre os que mais praticam a viol\u00eancia sexual.<\/p>\n\n\n\n<p>O terceiro estudo foi com um grupo de 12 volunt\u00e1rios que passaram por alguma experi\u00eancia de viol\u00eancia emocional na conviv\u00eancia familiar quando crian\u00e7a ou adolescente. Esse grupo foi formado por pessoas que atenderam a um chamado em redes sociais. Os casos relatados foram de viol\u00eancias emocional, f\u00edsica e sexual. Os pais foram apontados como os principais agressores, seguidos de outros familiares e amigos da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Autoestima e desenvolvimento<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Segundo Catarina Gordiano, n\u00e3o existe conceito fechado sobre viol\u00eancia emocional, mas \u00e9 poss\u00edvel afirmar, a partir dessa pesquisa, que \u201cadv\u00e9m de comportamentos como agress\u00e3o f\u00edsica, press\u00e3o e tortura psicol\u00f3gica, indiferen\u00e7a, palavras agressivas e atitudes que humilham, oprimem e menosprezam e interferem de alguma forma na autoestima e no desenvolvimento do agredido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA viol\u00eancia emocional est\u00e1 presente nas fam\u00edlias e \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o. Normalmente est\u00e1 associada a outras formas de viol\u00eancia e se mostra um fator de risco para o desenvolvimento da crian\u00e7a\u201d, diz a pesquisadora. Os estudos dos \u00faltimos dez anos, acrescenta ela, apontam que as principais formas de viol\u00eancia emocional praticadas contra crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o neglig\u00eancia, desvaloriza\u00e7\u00e3o e xingamento, humilha\u00e7\u00f5es, abandono, amea\u00e7as, rejei\u00e7\u00e3o e falta de di\u00e1logo. \u201cEsses atos est\u00e3o nos artigos cient\u00edficos e tamb\u00e9m foram relatados nas narrativas que eu ouvi.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias da viol\u00eancia emocional, de acordo com Gordiano, podem aparecer j\u00e1 na inf\u00e2ncia, na juventude ou na fase adulta. Na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, a v\u00edtima apresenta sentimentos de vergonha, medo, agressividade, e pode reproduzir na escola o comportamento violento; h\u00e1 impacto no desenvolvimento escolar e pode ter crise de ansiedade e depress\u00e3o. Na fase adulta, o mais comum \u00e9 a v\u00edtima apresentar tamb\u00e9m agressividade e reproduzir a viol\u00eancia tanto com parceiros \u00edntimos quanto com filhos. Tamb\u00e9m \u00e9 comum sentimento de culpa, transtorno de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico e depress\u00e3o. \u201cGeralmente \u00e9 na fase adulta que a pessoa busca algum apoio psicol\u00f3gico\u201d, ressalta a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dados mundiais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>De acordo com dados de 2017 do Fundo de Emerg\u00eancia Internacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF), cerca de 300 milh\u00f5es de crian\u00e7as entre 2 e 4 anos experimentam regularmente disciplina violenta por seus cuidadores. Com base em dados de 30 pa\u00edses, uma pesquisa do \u00f3rg\u00e3o revela que seis a cada dez crian\u00e7as de 1 a 2 anos s\u00e3o submetidas a m\u00e9todos disciplinares violentos &#8211; puni\u00e7\u00e3o f\u00edsica e viol\u00eancia emocional. Por outro lado, apenas 60 pa\u00edses adotaram alguma legisla\u00e7\u00e3o que pro\u00edbe totalmente o uso de castigos corporais contra crian\u00e7as no contexto familiar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211; A viol\u00eancia emocional pode n\u00e3o deixar marcas vis\u00edveis, mas a dor intensa que ela provoca traz consequ\u00eancias negativas nas <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/12\/13\/estudo-mostra-impactos-da-violencia-emocional-na-vida-de-criancas-e-adultos\/\" title=\"Estudo mostra impactos da viol\u00eancia emocional na vida de crian\u00e7as e adultos\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2069,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2068","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional.jpg",786,565,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-300x216.jpg",300,216,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-768x552.jpg",768,552,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional.jpg",786,565,false],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional.jpg",786,565,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional.jpg",786,565,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-786x438.jpg",786,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/violencia-emocional-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211; A viol\u00eancia emocional pode n\u00e3o deixar marcas vis\u00edveis, mas a dor intensa que ela provoca traz consequ\u00eancias negativas nas [...]","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2068","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2068"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2068\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2072,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2068\/revisions\/2072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2069"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2068"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2068"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2068"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}