{"id":2080,"date":"2021-12-22T08:03:06","date_gmt":"2021-12-22T11:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2080"},"modified":"2022-01-04T14:15:19","modified_gmt":"2022-01-04T17:15:19","slug":"pesquisa-aponta-os-impactos-das-mudancas-nos-manguezais-sobre-os-caranguejos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2021\/12\/22\/pesquisa-aponta-os-impactos-das-mudancas-nos-manguezais-sobre-os-caranguejos\/","title":{"rendered":"Pesquisa aponta os impactos das mudan\u00e7as nos manguezais sobre os caranguejos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Vitor Guerra* &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora M\u00f4nica Tognella, do Programa de Oceanografia Ambiental (PPGOAM) da Ufes, apresentou aos catadores de caranguejos de Aracruz o resultado de seus 15 anos de pesquisas sobre os manguezais e seus crust\u00e1ceos da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Municipal Piraqu\u00ea-A\u00e7u e Piraqu\u00ea-Mirim.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reserva, que tem aproximadamente 2.080 hectares, destaca-se pelo seu modelo de uso sustent\u00e1vel e pela preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente junto a comunidades tradicionais e povos ind\u00edgenas, que t\u00eam a \u00e1rea como fonte de subsist\u00eancia e sustento econ\u00f4mico, e entrou em evid\u00eancia por ter sido atingida por rejeitos da barragem de Fund\u00e3o, do munic\u00edpio de Mariana-MG, que se rompeu em novembro de 2015.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 muito legal poder conversar com a popula\u00e7\u00e3o sobre a necessidade desse cuidado com o caranguejo, que s\u00f3 pode ser feito coletivamente, trabalhando de forma harm\u00f4nica\u201d, afirma a professora. Os manguezais dos Rios Piraqu\u00ea-A\u00e7u e Piraqu\u00ea-Mirim s\u00e3o a maior \u00e1rea desse ecossistema em um \u00fanico munic\u00edpio do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio de uma metodologia que acompanha sistematicamente uma mesma popula\u00e7\u00e3o, a pesquisadora teve a oportunidade de acompanhar diversos eventos que impactaram a popula\u00e7\u00e3o de caranguejos no per\u00edodo. \u201cAcho que s\u00f3 conseguimos ter manejo e monitoramento quando fazemos sistematicamente a an\u00e1lise da popula\u00e7\u00e3o num local conhecido\u201d, detalha. Dessa forma, a professora consegue mapear, por exemplo, como se distribui a popula\u00e7\u00e3o e momentos e consequ\u00eancias de eventuais press\u00f5es de captura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sequ\u00eancia hist\u00f3rica parte de um levantamento realizado entre 2004 e 2005. &#8220;Naquele momento, tinha acabado de acontecer a doen\u00e7a do caranguejo let\u00e1rgico, e a professora C\u00e1ssia Conti conseguiu mapear o seu impacto, apontando para uma diminui\u00e7\u00e3o do tamanho da popula\u00e7\u00e3o.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 em 2015, Vanessa Spinass\u00e9, aluna do PPGOAM orientada pela professora M\u00f4nica Tognella, apresentou resultados que demonstram uma recupera\u00e7\u00e3o melhor do que a anteriormente observada, indicando que a popula\u00e7\u00e3o de caranguejos no mangue havia se recuperado. \u201cA popula\u00e7\u00e3o flutua, mas ela tende a uma taxa de estabiliza\u00e7\u00e3o, isso porque o manguezal \u00e9 muito resiliente e tende a se ajustar\u201d, destaca a orientadora.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impactos de Mariana<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por desenvolver pesquisa ao longo de pelo menos uma d\u00e9cada nos manguezais dos rios Piraqu\u00ea-A\u00e7u e Mirim, M\u00f4nica conseguiu acompanhar os impactos do rompimento da barragem de Mariana na popula\u00e7\u00e3o de caranguejos daquela \u00e1rea. Ela integra o grupo de pesquisadores que monitoram as consequ\u00eancias do rompimento, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o Renova, em conv\u00eanio cient\u00edfico com a Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHouve um aumento da concentra\u00e7\u00e3o de ferro na regi\u00e3o. Podemos atribuir uma parte dela \u00e0 caracter\u00edstica mineral\u00f3gica da bacia e outra parte aos rejeitos. Junto a isso, h\u00e1 o uso indevido da bacia, uma saliniza\u00e7\u00e3o excessiva do Piraqu\u00ea e uma grande variabilidade clim\u00e1tica. Isso modifica toda a estrutura da floresta de manguezal\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f4nica destaca que o sal \u00e9 ben\u00e9fico. Entretanto, seu excesso no ciclo de vida do caranguejo pode drenar a energia, levando a um crescimento menor do que o normal, levando os catadores a capturarem mais indiv\u00edduos para alcan\u00e7ar uma mesma pesagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora aponta tamb\u00e9m a preocupa\u00e7\u00e3o com a captura excessiva, que causa um problema de reposi\u00e7\u00e3o de jovens caranguejos. \u201cSe coletam muitos jovens adultos, que s\u00e3o menos densos, transfere-se o problema para daqui alguns anos, e podemos chegar a um cen\u00e1rio em que n\u00e3o haver\u00e1 caranguejo com tamanho ideal para captura\u201d, aponta.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pr\u00f3ximos passos<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00f4nica Tognella pretende estreitar ainda mais as rela\u00e7\u00f5es com a popula\u00e7\u00e3o local na continua\u00e7\u00e3o de sua pesquisa. \u201cEu tenho uma proposta de trabalhar com um plano de manejo dos caranguejos. A comunidade quer isso, e isso precisa partir deles. N\u00e3o posso chegar l\u00e1 e impor nada, isso \u00e9 constru\u00eddo de maneira conjunta\u201d, afirma .<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m do financiamento da Funda\u00e7\u00e3o Renova, M\u00f4nica Tognella j\u00e1 teve o apoio da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Esp\u00edrito Santo (Fapes), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e do Fundo Nacional de Biodiversidade (Funbio) nos seus estudos pelos manguezais capixabas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* Volunt\u00e1rio em projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Acompanhamento sistem\u00e1tico de uma popula\u00e7\u00e3o de caranguejos possibilita identificar os impactos de eventos ao longo do tempo<\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":350,"featured_media":2082,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[7,9,47],"tags":[],"class_list":["post-2080","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chamadinhas","category-noticias","category-online"],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p.jpg",1373,916,false],"thumbnail":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-300x200.jpg",300,200,true],"medium_large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-768x512.jpg",768,512,true],"large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-1024x683.jpg",1024,683,true],"1536x1536":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p.jpg",1373,916,false],"2048x2048":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p.jpg",1373,916,false],"mh-magazine-lite-slider":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-1030x438.jpg",1030,438,true],"mh-magazine-lite-content":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-678x381.jpg",678,381,true],"mh-magazine-lite-large":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-678x509.jpg",678,509,true],"mh-magazine-lite-medium":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-326x245.jpg",326,245,true],"mh-magazine-lite-small":["https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/files\/2021\/12\/caranguejo-monica-tognella-p-80x60.jpg",80,60,true]},"uagb_author_info":{"display_name":"lidia.hora","author_link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/author\/lidia_gurgel-neves-hora\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Acompanhamento sistem\u00e1tico de uma popula\u00e7\u00e3o de caranguejos possibilita identificar os impactos de eventos ao longo do tempo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2080","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/350"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2080"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2080\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2106,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2080\/revisions\/2106"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2080"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2080"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2080"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}