{"id":2107,"date":"2022-01-04T14:11:32","date_gmt":"2022-01-04T17:11:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2107"},"modified":"2022-01-24T12:55:26","modified_gmt":"2022-01-24T15:55:26","slug":"nova-especie-de-inseto-e-descoberta-por-biologa-capixaba-em-alegre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/01\/04\/nova-especie-de-inseto-e-descoberta-por-biologa-capixaba-em-alegre\/","title":{"rendered":"Thraulodes alegre \u00e9 descoberto por bi\u00f3loga capixaba"},"content":{"rendered":"\n<p><em>&#8211; Por No\u00e9lia Lopes* &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de quatro anos de estudos, uma nova esp\u00e9cie de inseto, denominada&nbsp;<em>Thraulodes alegre,&nbsp;<\/em>foi encontrada na regi\u00e3o da Cachoeira da Fuma\u00e7a, que fica no munic\u00edpio de Alegre, sul do Esp\u00edrito Santo, pela bi\u00f3loga capixaba Thayna Raymundo e sua equipe. O nome da esp\u00e9cie \u00e9 uma homenagem \u00e0 cidade onde foi descoberta e o artigo com os resultados da pesquisa est\u00e1 publicado na&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.mapress.com\/zt\/article\/view\/zootaxa.5076.1.4\"><strong>revista cient\u00edfica internacional Zootaxa<\/strong><\/a><a href=\"https:\/\/www.mapress.com\/zt\/article\/view\/zootaxa.5076.1.4\">.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a bi\u00f3loga, a pesquisa nasceu a partir do estudo da revis\u00e3o do g\u00eanero&nbsp;<em>Thraulodes&nbsp;<\/em>para o Esp\u00edrito Santo, proposto por Frederico Falc\u00e3o Salles, ent\u00e3o professor da Ufes e&nbsp;orientador de Thayna Raymundo. \u201cO material da nova esp\u00e9cie foi coletado pela pesquisadora Jeane Nascimento,&nbsp;mas, para fazer a revis\u00e3o, eu peguei todo o material coletado desde de 2011, que estava depositado na Ufes, e comecei a analis\u00e1-lo. Com os resultados, encontramos quatro esp\u00e9cies desse g\u00eanero para o estado e, como n\u00e3o conseguimos identificar uma delas, percebemos que se tratava de uma nova esp\u00e9cie\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Com os resultados das pesquisas, no ano de 2018, a equipe iniciou o trabalho de descri\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. A partir da leitura de artigos e trabalhos cient\u00edficos e da an\u00e1lise detalhada das chamadas &#8220;chaves taxon\u00f4micas&#8221; &#8211; um material com o resumo das esp\u00e9cies j\u00e1 conhecidas de um g\u00eanero espec\u00edfico para o Brasil -, foi poss\u00edvel comprovar a exist\u00eancia da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Thraulodes alegre.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A descri\u00e7\u00e3o envolve analisar estruturas espec\u00edficas, olhar para outras esp\u00e9cies e ver o que h\u00e1 de comum e diferente em rela\u00e7\u00e3o a elas. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso estudar bem a parte morfol\u00f3gica para entender o que se destaca\u201d, afirmou Thayna Raymundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser o g\u00eanero&nbsp;<em>Thraulodes<\/em>&nbsp;um dos mais ricos em esp\u00e9cies no mundo, a bi\u00f3loga Ta\u00eds Almeida, co-orientadora de Thayna na gradua\u00e7\u00e3o, destaca como foi importante a dedica\u00e7\u00e3o e o envolvimento de todos os pesquisadores. \u201cO trabalho em equipe conta demais, tudo precisa ser preparado de forma minuciosa, para que o leitor tenha todos os detalhes diagn\u00f3sticos da esp\u00e9cie. Isso envolve prepara\u00e7\u00e3o de l\u00e2minas da genit\u00e1lia, das asas, fotos em todas as posi\u00e7\u00f5es do bicho, desenhos e uma descri\u00e7\u00e3o escrita muito bem feita. Para isso, t\u00ednhamos do nosso lado pesquisadores de refer\u00eancia na \u00e1rea, como o professor Frederico Salles e a pesquisadora Jeane Nascimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Thayna tamb\u00e9m ressalta que o&nbsp;espa\u00e7o que teve para trabalhar estava&nbsp;preparado com os materiais essenciais. \u201cO laborat\u00f3rio estava bem equipado, ent\u00e3o conseguimos desenvolver um trabalho legal, utilizando lupas, microsc\u00f3pio, computador, c\u00e2meras e pin\u00e7as entomol\u00f3gicas para conseguir ver as estruturas com clareza, principalmente as pequenas estruturas com muitos detalhes, como as genit\u00e1lias. Sem isso, n\u00e3o ter\u00edamos alcan\u00e7ado os resultados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Caracter\u00edsticas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>A esp\u00e9cie, que faz parte da ordem&nbsp;<em>Ephemeroptera&nbsp;<\/em>(indiv\u00edduos que podem viver de poucas horas at\u00e9 algumas semanas, na fase adulta), possui apenas oito mil\u00edmetros de tamanho e algumas caracter\u00edsticas particulares, como o final do abd\u00f4men esbranqui\u00e7ado e parcialmente transl\u00facido; lateral final do corpo com manchinhas na cor marrom escuras e formato retangular; asa transparente com colora\u00e7\u00e3o amarela esbranqui\u00e7ada; e tr\u00eas veias basais cruzadas em uma regi\u00e3o espec\u00edfica da asa.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, somente sua fase adulta \u00e9 conhecida e, embora seja confundido com um mosquito comum, de acordo com Thayna Raymundo, \u00e9 um inseto que n\u00e3o representa nenhum dano aos seres humanos. Ele vive&nbsp;em ambientes de \u00e1gua doce com presen\u00e7a de correnteza, podendo servir at\u00e9 como bioindicador da qualidade da \u00e1gua, al\u00e9m de serem alimento para aves, morcegos e sapos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos desafios, a bi\u00f3loga Ta\u00eds acredita que o maior deles seja o de expandir o conhecimento sobre a diversidade biol\u00f3gica. \u201c\u00c9 preciso mostrar para o p\u00fablico em geral, n\u00e3o s\u00f3 dentro da universidade, a import\u00e2ncia do nosso trabalho! N\u00f3s, bi\u00f3logos, estamos sempre voltados em prol da conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Espero que cada vez mais divulga\u00e7\u00f5es dos nossos trabalhos cheguem aos jornais, \u00e0s pessoas em casa, no Instagram, e tamb\u00e9m na universidade, claro, para que eles sejam valorizados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Contribui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Feliz e agradecida pela conquista alcan\u00e7ada, Thayna acrescenta que s\u00e3o muitas as contribui\u00e7\u00f5es que descobertas como essa podem dar para a fauna do estado. \u201c\u00c9 um sentimento de gratid\u00e3o poder tornar essa esp\u00e9cie&nbsp;conhecida e ter a oportunidade de divulgar para as pessoas e profissionais da \u00e1rea. Al\u00e9m disso, a divulga\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que a gente tenha uma no\u00e7\u00e3o do quanto o Esp\u00edrito Santo \u00e9 rico em esp\u00e9cies, e&nbsp;possa pensar pol\u00edticas p\u00fablicas para a conserva\u00e7\u00e3o dos locais onde as esp\u00e9cies s\u00e3o encontradas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Thayna e Ta\u00eds, tamb\u00e9m colaboraram para a escrita do artigo&nbsp;o professor Frederico Falc\u00e3o Salles, do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Entomologia da Universidade Federal de Vi\u00e7osa (MG), e Jeane Marcelle Cavalcante do Nascimento, graduada em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Ufes e p\u00f3s-graduada em Entomologia (ramo especializado no estudo de insetos) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia, onde atualmente faz um p\u00f3s-doutorado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Bolsista de projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O inseto, que faz parte 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