{"id":2158,"date":"2022-01-24T12:54:45","date_gmt":"2022-01-24T15:54:45","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2158"},"modified":"2022-02-01T18:24:41","modified_gmt":"2022-02-01T21:24:41","slug":"pesquisadores-da-ufes-auxiliam-na-descoberta-de-primeiro-incendio-florestal-na-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/01\/24\/pesquisadores-da-ufes-auxiliam-na-descoberta-de-primeiro-incendio-florestal-na-antartica\/","title":{"rendered":"Pesquisadores da Ufes auxiliam na descoberta de primeiro inc\u00eandio florestal na Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por No\u00e9lia Lopes* &#8211; <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">An\u00e1lises de amostras de plantas fossilizadas indicam a ocorr\u00eancia de paleoinc\u00eandios na Ilha James Ross, localizada na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica, h\u00e1 75 milh\u00f5es de anos. Os resultados da descoberta, feita por pesquisadores brasileiros, foram publicados em um&nbsp;<strong><a href=\"https:\/\/polarresearch.net\/index.php\/polar\/article\/view\/5487#.YXAZ8JylVaA.twitter\"><u>artigo na revista<\/u><\/a><\/strong><em><strong><a href=\"https:\/\/polarresearch.net\/index.php\/polar\/article\/view\/5487#.YXAZ8JylVaA.twitter\"><u> Polar Research<\/u><\/a><\/strong>&nbsp;<\/em>e apresentam a primeira ocorr\u00eancia de paleoinc\u00eandios florestais na Ant\u00e1rtica. A hip\u00f3tese mais prov\u00e1vel, segundo os estudos, \u00e9 que os inc\u00eandios tenham sido causados pela intensa atividade vulc\u00e2nica da regi\u00e3o durante o per\u00edodo Cret\u00e1ceo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contribu\u00edram para a pesquisa profissionais da Ufes, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do Museu Nacional do Rio de Janeiro\/UFRJ, da Universidade do Vale do Taquari (Univates), da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), do Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado (Cenpaleo) e da Universidade Regional do Cariri (Urca).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Liderado por Flaviana Lima, professora e paleont\u00f3loga da UFPE, em parceria com o projeto Paleoantar, o estudo foi realizado entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016, durante uma expedi\u00e7\u00e3o ao continente ant\u00e1rtico que durou cerca de 70 dias e contou com a participa\u00e7\u00e3o de 15 pessoas, dentre as quais os professores Rodrigo Figueiredo e Taissa Rodrigues, da Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Figueiredo falou sobre sua experi\u00eancia. &#8220;Estar na Ant\u00e1rtica \u00e9 desafiador, mas tamb\u00e9m \u00e9 prazeroso para n\u00f3s, enquanto paleont\u00f3logos. O trabalho de campo \u00e9 um desafio grande, mas, por mais dif\u00edcil que seja encontrar os f\u00f3sseis, eles trazem respostas importantes, n\u00e3o s\u00f3 para a ci\u00eancia brasileira, mas para o contexto de todo o planeta\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As amostras analisadas foram coletadas na unidade geol\u00f3gica conhecida por Forma\u00e7\u00e3o Santa Marta, localizada no nordeste da Ilha James Ross. Segundo dados apresentados pela vice-diretora do projeto Paleoantar, Juliana Say\u00e3o, no total foram coletados cerca de uma tonelada de material para an\u00e1lise, entre f\u00f3sseis, rochas e outros materiais necess\u00e1rios para a pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"resultados\"><strong>Resultados<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a observa\u00e7\u00e3o das amostras, a semelhan\u00e7a dos f\u00f3sseis com o carv\u00e3o utilizado atualmente chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores. Ao realizar as an\u00e1lises nos troncos e lenhos vegetais fossilizados usando microsc\u00f3pio eletr\u00f4nico de varredura, eles descobriram que as plantas haviam sido queimadas antes de sofrer o processo de fossiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, devido \u00e0s altas temperaturas durante os inc\u00eandios, as imagens do microsc\u00f3pio tamb\u00e9m demonstraram que as paredes celulares das plantas fossilizadas estavam completamente homogeneizadas, ou seja, n\u00e3o possu\u00edam lamela m\u00e9dia, estrutura interna que une as paredes celulares. A planta fossilizada foi classificada na fam\u00edlia&nbsp;<em>Araucariaceae<\/em>, mesmo grupo da esp\u00e9cie de Arauc\u00e1ria existente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa concluiu ainda que os paleoinc\u00eandios florestais afetaram a biodiversidade do continente. \u201cA Ant\u00e1rtica era completamente diferente do que \u00e9 hoje. Havia uma vegeta\u00e7\u00e3o exuberante e uma atividade tect\u00f4nica bastante grande acontecendo, mas, at\u00e9 o momento, s\u00f3 havia uma publica\u00e7\u00e3o que confirmava a ocorr\u00eancia de paleoinc\u00eandios na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica. Agora, temos a prova de que isso efetivamente aconteceu\u201d, afirmou o professor Andr\u00e9 Jasper, da Univates.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"importancia-da-pesquisa\"><strong>Import\u00e2ncia da pesquisa<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para o professor \u00c1lamo Feitosa, da Urca, pesquisar os paleoinc\u00eandios \u00e9 relevante para entender a atualidade, pois, em um mundo que se encontra no aquecimento global, as informa\u00e7\u00f5es sobre fatos do passado podem dar exemplos de como lidar com essas varia\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es ambientais no presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor Andr\u00e9 Jasper ainda acrescenta que h\u00e1 um diferencial nesse trabalho e que ele pode contribuir para uma reflex\u00e3o sobre o que est\u00e1 acontecendo com a biodiversidade hoje. \u201cNaquele momento, as fontes de igni\u00e7\u00e3o eram naturais, mas hoje temos o fator antr\u00f3pico. Ent\u00e3o, \u00e9 interessante estabelecer paralelos com a realidade atual e tentar avaliar qual a influ\u00eancia do homem nesse processo e o quanto n\u00f3s estamos aumentando a ocorr\u00eancia de inc\u00eandios\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, a paleont\u00f3loga Flaviana Lima ressaltou que, apesar dos registros de paleoinc\u00eandios na Ant\u00e1rtica e das descobertas alcan\u00e7adas, h\u00e1 muito o que estudar. \u201cN\u00e3o sabemos ainda a frequ\u00eancia com que esses inc\u00eandios aconteceram, mas a ideia \u00e9 continuar procurando esses registros de inc\u00eandios no hemisf\u00e9rio sul e saber como eles mudaram os ambientes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* <\/em>B<em>olsista de projeto de Comunica\u00e7\u00e3o<\/em><br><em>Imagem:&nbsp;Maur\u00edlio Oliveira, Museu Nacional do Rio de Janeiro<\/em><br><em>Edi\u00e7\u00e3o: Thereza Marinho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>An\u00e1lises de amostras de plantas fossilizadas indicam que o evento clim\u00e1tico ocorreu no per\u00edodo Cret\u00e1ceo, causado por intensa atividade 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