{"id":2200,"date":"2022-03-08T10:14:33","date_gmt":"2022-03-08T13:14:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/?p=2200"},"modified":"2022-03-23T11:47:17","modified_gmt":"2022-03-23T14:47:17","slug":"estudo-revela-plantas-podem-ser-usadas-para-tirar-ferro-do-estuario-do-rio-doce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.ufes.br\/revistauniversidade\/2022\/03\/08\/estudo-revela-plantas-podem-ser-usadas-para-tirar-ferro-do-estuario-do-rio-doce\/","title":{"rendered":"Estudo revela: plantas podem ser usadas para tirar ferro do estu\u00e1rio do Rio Doce"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&#8211; Por Sueli de Freitas &#8211;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em artigo publicado no&nbsp;<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0304389422000048?via%3Dihub#!\" target=\"_blank\"><em>Journal of Hazardous Materials<\/em><\/a>,&nbsp;pesquisadores ligados \u00e0 Rede Solos Bentos Rio Doce revelam o potencial das plantas&nbsp;<em>Typha domingensis<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Hibiscus tiliaceus<\/em>&nbsp;em processos de fitorremedia\u00e7\u00e3o no estu\u00e1rio do Rio Doce, em Reg\u00eancia, munic\u00edpio de Linhares, norte do Esp\u00edrito Santo. Entre os pesquisadores, est\u00e1 o professor \u00c2ngelo Bernardino, do Departamento de Oceanografia da Ufes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No caso da&nbsp;<em>Typha domingensis<\/em>, conhecida popularmente como taboa, e do&nbsp;<em>Hibiscus tiliaceus<\/em>, ou algodoeiro-da-praia, os pesquisadores verificaram que ambas s\u00e3o capazes de absorver, de forma diferenciada, o ferro que chegou ao estu\u00e1rio ap\u00f3s o desastre da Barragem de Mariana (MG), em 2015, que despejou uma grande quantidade de rejeitos de minera\u00e7\u00e3o no Rio Doce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo dados de 2020 do Sistema de Gest\u00e3o de Seguran\u00e7a de Barragem de Minera\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o, o Brasil \u00e9 o segundo maior produtor de min\u00e9rio de ferro do mundo e possui um total de 878 barragens de rejeitos, das quais 202 s\u00e3o para ferro e 64% s\u00e3o consideradas de \u201calto risco\u201d ou t\u00eam \u201calto potencial de dano associado\u201d. Da\u00ed a import\u00e2ncia de estudos como este.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fitorremedia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fitorremedia\u00e7\u00e3o \u00e9 uma t\u00e9cnica que usa plantas para minimizar efeitos de poluentes no meio ambiente. Em rela\u00e7\u00e3o ao ferro, apenas quantidades m\u00ednimas s\u00e3o necess\u00e1rias \u00e0s plantas para sua sobreviv\u00eancia. Em resposta a uma disponibilidade aumentada do metal no ambiente, as plantas de \u00e1reas \u00famidas podem ter adotado diferentes estrat\u00e9gias fisiol\u00f3gicas para lidar com altos n\u00edveis de ferro como potencial contaminante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O&nbsp;<em>Hibiscus tiliaceus<\/em>&nbsp;j\u00e1 existia no estu\u00e1rio antes do rompimento da barragem. J\u00e1 a taboa surgiu com as mudan\u00e7as ocorridas ap\u00f3s a chegada dos rejeitos. A coleta das amostras para o estudo foi realizada em agosto de 2019. Foram analisadas as concentra\u00e7\u00f5es de ferro em diferentes compartimentos da planta: placa de ferro nas superf\u00edcies radiculares \u2013 que se forma no processo de oxida\u00e7\u00e3o do metal em contato com o oxig\u00eanio que chega \u00e0 raiz \u2013, ra\u00edzes e folhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.ufes.br\/sites\/default\/files\/imce\/pesquisadores_no_estuario.jpeg\" alt=\"\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Pesquisador&nbsp;Diego Barcellos, coautor do artigo, em coleta de material para estudo. Foto: acervo pessoal<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado mostrou que a distribui\u00e7\u00e3o de ferro nos tecidos vegetais diferiu significativamente entre as esp\u00e9cies. Para&nbsp;a&nbsp;<em>T. domingensis<\/em>,&nbsp;a placa de ferro acumulou mais ferro do que brotos e ra\u00edzes. O ac\u00famulo no&nbsp;<em>Hibiscus tiliaceus<\/em>&nbsp;foi na seguinte ordem de quantidade: placa de ferro, ra\u00edzes e parte a\u00e9rea. Tamb\u00e9m na parte a\u00e9rea e na placa de ferro houve diferen\u00e7as:&nbsp;<em>T. domingensis<\/em>&nbsp;acumulou dez vezes mais ferro na parte a\u00e9rea e 2,3 vezes mais ferro em sua placa de ferro do que&nbsp;em&nbsp;<em>H. tiliaceus<\/em>. Concentra\u00e7\u00f5es semelhantes foram observadas nas ra\u00edzes para ambas as esp\u00e9cies.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, as esp\u00e9cies vegetais estudadas apresentaram diferentes potenciais para fitorremedia\u00e7\u00e3o devido \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de diferentes mecanismos de absor\u00e7\u00e3o de ferro a partir da sua fase s\u00f3lida do solo.&nbsp;Os dados sugerem que a forma\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o da placa de ferro s\u00e3o espec\u00edficas. Para&nbsp;a&nbsp;<em>T. domingensis<\/em>, a placa de ferro atuou como tamp\u00e3o e fonte para absor\u00e7\u00e3o de ferro, enquanto para&nbsp;o&nbsp;<em>H. tiliaceus<\/em>,&nbsp;a placa de ferro atuou como barreira contra o ac\u00famulo a\u00e9reo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNossos achados fornecem evid\u00eancias de que a fitorremedia\u00e7\u00e3o com&nbsp;<em>T. domingensis<\/em>&nbsp;\u00e9 um m\u00e9todo altamente promissor para mitigar os potenciais impactos ambientais causados \u200b\u200bpelo desastre de Mariana.&nbsp;Para futuros programas de remedia\u00e7\u00e3o, o uso de&nbsp;<em>T. domingensis<\/em>&nbsp;deve ser testado em combina\u00e7\u00e3o com estrat\u00e9gias adicionais, como o uso de \u00e1cidos org\u00e2nicos (ou seja, quelantes), bact\u00e9rias redutoras de ferro e pr\u00e1ticas agron\u00f4micas, por exemplo, frequ\u00eancia ideal de corte, densidade de plantio e fertiliza\u00e7\u00e3o\u201d, afirmam os pesquisadores no artigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Em resposta a uma disponibilidade aumentada do ferro no ambiente, as plantas podem ter adotado diferentes estrat\u00e9gias fisiol\u00f3gicas para lidar com altos n\u00edveis de ferro como potencial contaminante, aponta 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